18 de out de 2013

[RESENHA] Feliz Por Nada, Martha Medeiros


Título: Feliz por Nada
Editora: L&PM
Ano: 2011
Páginas: 211


Dentro de um abraço é sempre quente, é sempre seguro. Dentro de um abraço não se ouve o tic-tac dos relógios e, se faltar luz, tanto melhor. Tudo o que você pensa e sofre, dentro de um abraço se dissolve.” É com a força transformadora de um abraço que Martha Medeiros abre este novo livro de crônicas e é com a mesma singeleza e olhar arguto para o cotidiano que a escritora ilumina algumas das questões mais urgentes do século XXI. A destacada romancista, cronista e poeta, que já teve obras adaptadas para o cinema, para a tevê e para o teatro, fala aos leitores com a sinceridade de um amigo e materializa as angústias e os anseios da sociedade pós-tudo, que vive acuada sob o grande limitador do tempo. Nesta coletânea de mais de oitenta crônicas, Martha Medeiros aborda temas muito diversos e ao mesmo tempo muito próximos do leitor. A autora tem o dom para aproximar assuntos por vezes fugidios – como é próprio do cotidiano – de questões universais, como o amor, a família e a amizade, e criar lugares de reconhecimento para o leitor, como ao falar de Deus, dos romances antigos e novos, da mulher, de escritores e cineastas que são imortais, de se perder e se reencontrar, do que a vida oferece e muitas vezes se deixa passar. “Feliz por nada”, afirma Martha Medeiros, é fazer a opção por uma vida conscientemente vivida, mais leve, mas nem por isso menos visceral.




Martha Medeiros é aquele tipo de escritora que, independente de sua idade, você consegue se identificar na maioria de suas reflexões. E, pessoalmente, conheci sua escrita ao ler Feliz Por Nada.


“(...) Sem dar uma chance à vida é que não acontece mesmo.” Pág. 200, crônica O Que a Vida Oferece


Admito que em algumas de suas crônicas simplesmente parei e repensei aquelas palavras, simples e claras, e revivi momentos, indecisões e pontos fracos. Outras simplesmente ri um bocadinho, outras xinguei outro bocadinho, mas posso dizer que as senti profundamente.
Em cada crônica você pode se ver em uma situação comum do cotidiano comum de Martha – que pra mim não é tão comum assim -, em algum comentário ou pensamento, você pode se ler, ler um amigo, ler a sua vida, e ler coisas a respeito sobre o que gosta e não gosta. Você vive, você pensa, você reflete, você sonha, você sente – como já falei, mas vale realçar.
Pode parecer exagero, mas é extremamente comum e incrível, ao mesmo tempo, o que Martha nos faz sentir com Feliz Por Nada. Eu amei a experiência, e acho que faz bem, sabe? Simplesmente assim, com coisas banais, pensar.
Com encapamento ótimo, folhas grossas e cheirosas, e uma letra maravilhosa de se ler, é um dos livros mais bem editados que possuo.
E... “Acho que é isso. Espero que seja isso, pois me parece perfeitamente curável, basta a coragem de se desarmar.” Pág. 148, crônica Saúde Mental
Bom final de semana, gente bonita. Até semana que vem.




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