15 de jan de 2013

[Livro X Filme] O Diabo Veste Prada


O Diabo Veste Prada é um livro, e aqui estão listados os motivos para conferir os dois.


  

Aqui estamos nós com mais um best-seller do Times. Uma história que todos vocês já ouviram falar. Ora, vamos falar sério: O Diabo Veste Prada é um dos filmes preferidos da Fox Channel ou da Rede Globo para exibição em um fim de semana. Só no ano de 2012, eu devo tê-lo visto umas vinte vezes.
Isso por que o filme é bom demais. Se estiver dando na tevê, eu provavelmente estou assistindo.
Então, eis que me apareceu o livro, e eu pensei: “Caramba! Como não soube disso antes?”. Isso por que a maior parte dos filmes realmente bem produzidos são, de fato, adaptações. Eu que não havia me tocado.
Mas me pus a ler, e como todos os que viram um filme antes de lerem um livro, li comparando uma obra com a outra. Mas como toda adaptação, o diretor, o roteirista, e mais toda a equipe mudam muitos pontos do livro. Cortam uns, repõem outros. Todos nós sabemos que a adaptação de uma obra para o cinema é realmente muito difícil (o tempo disponibilizado é de um minuto por página!), mas, vamos ser honestos: existem coisas que não precisavam ser tão diferentes.
Ainda assim, não acho que o filme O Diabo Veste Prada seja pior (ou necessariamente melhor) do que o livro O Diabo Veste Prada. Por isso, vou falar um pouco das vantagens e desvantagens de ambos. Vamos dar início à primeira postagem da coluna Livro versus Filme no (Con).


AVISO: Este artigo contém spoilers.




AUTORA X ROTEIRISTA



Uma das coisas que eu amei ao pegar o livro para ler foi, de fato, a pessoa quem o escreveu. Lauren Weisberger, a autora (uma moça muito divertida, por sinal), antes de escrever O Diabo Veste Prada, trabalhou como assistente pessoal de Anna Wintour, a editora-chefe da Vogue dos Estados Unidos.
Quer dizer. Que. Legal.
Anna Wintour,
editora-chefa da Vogue USA
e o diabo em pessoa. Embora
ela negue isso para todo
mundo. (:
Não sou uma pessoa ligada em moda, e tal, mas eu sei o que é uma Vogue. E imagino a pobre da Lauren Weisberger trabalhando para uma britânica insuportavelmente inteligente e esnobe. Quer dizer, olha a foto dessa mulher Anna Wintour! Veja só a perversidade correndo pela sua face.
Eu até consigo me imaginar trabalhando para ela: “Sah-rah! Sah-rah!, vou precisar que o meu tailleur Chanel seja passado para esta noite. Isso é tudo.”
Ugh.

Então, voltando ao ponto principal, já é super legal a Lauren ter tido uma experiência parecida para então, escrever seu best-seller, e ficar rica, e tal. Por que isso, ao meu ver, deixou a Andrea Sachs (ou Andy, para os íntimos), muito mais real. O livro é narrado em primeira pessoa e garante muitas risadas. É uma leitura super fácil e gostosa, e esse é o tipo de coisa que eu consumo em massa.
Esta é Lauren Weisberger, a autora
superfunny de O Diabo Veste Prada.
Aparentemente, os cidadãos leitores americanos de 2003, também. Hoje o mundo é dos anjos, vampiros e afins. Em 2003, as pessoas liam sobre diabos obcecados por echarpes da Chanel.
Como eu estava dizendo, o livro de Weisberger é muito gostoso de ler. Mas, honestamente, não é tão gostoso quando o filme de Aline Brosh McKenna.

Aline Brosh McKenna, a mulher que
escreveu o roteiro, mas que quase não
leva crédito.
O enredo de cada obra é bastante diferente, e eu tenho que assumir que o filme é mil vezes mais interessante. Talvez seja a dramatização, ou talvez seja por motivos de Simon Baker. Tá, tudo bem, falando sério. O enredo do filme é mais bem colocado e fatidicamente mais dramático e, às vezes, até mais engraçado. A forma como Andy se volta totalmente ao mundo da moda não acontece no livro, e você se pega esperando por isso. O acidente que acontece com Emily (o que desencadeia sua não-ida para Paris), também não acontece no livro. Andrea não transa com o Christian Collinsworth (infelizmente...). Na verdade, a estadia dela em Paris, no livro, é mínima e insignificante. Além disso, toda aquela comoção com a cena em que Andy corre atrás do manuscrito do quinto livro de Harry Potter (que, em 2003, não tinha sido lançado), também não acontece no livro. Há uma cena, mas ela é resolvida em minutos pela própria Andy em seu escritório. Miranda não sacaneia com o Nigel para ficar com a Runway. Até mesmo por que, no livro, o Nigel só aparece duas vezes.

E se todas essas cenas são obras de Aline, e não de Lauren, os meus parabéns estão indo para Aline. Por que, embora o livro seja muito bom (e ele é mesmo!), no quesito enredo, o filme é melhor.



PERSONAGENS X ELENCO





Isso é comum para uma adaptação, vamos lá. Quantas vezes você não se decepcionou quando foi ver uma adaptação e viu que os personagens eram completamente diferentes do que te foram descritos no livro? Isso é rotina.
Embora O Diabo Veste Prada tenha pegado pesado com o elenco (só gente de primeira, né, por favor!), eles simplesmente ferraram com minha imaginação em alguns personagens em específicos. Em compensação, em relação a outros foi um tiro certeiro. Vamos falar só dos mais importantes.
·                    Anne Hathaway interpreta Andrea Sachs, e tudo o.k. É complicado não imaginar a Andy como a Anne, por que, vamos ser sinceros, ela fez um trabalho incrível no filme e assumiu totalmente o personagem que Lauren projetou e Aline adaptou. Durante a narrativa de O Diabo Veste Prada, você quase consegue ouvir a voz da dubladora da Anne na sua cabeça. Só não consegue imaginá-la fumando, mas não vamos julgar a atriz por não contrair um câncer de pulmão. No livro, Andy tem 1,80 de altura e pesa 57 quilos. Ainda assim é taxada de gorda obesa na Runway.
Quer dizer, eu tenho 1,69 e peso 57 quilos. Na Runway devo ser uma baleia orca grávida de mil crias.

Anne Hathaway as Andy Sachs. Approved.

·                    Meryl Streep interpreta Miranda Priestly, o Capiroto-Maluco-Por-Echarpes-Chanel. Outra coisa com o livro. Deveria se chamar “O Diabo Veste Chanel”, e não “Prada”, por que Miranda é maluca por echarpes Chanel. Falam isso toda hora! Mas, tá, “Prada” soa mais legal.
E embora a Meryl Streep seja... tipo, a Meryl Streep, e tenha sido uma Miranda Priestly maravilhosa no filme, POR QUE PINTARAM O CABELO DELA? A verdade é que a Miranda do livro é loira, e é descrita mais ou menos como, de fato, a Anna Wintour. Aquela que foi a chefe da Lauren e tudo mais, e que desencadeou o sucesso desse livro. Mas convenhamos: Meryl fez grande parte de seus filmes de cabelo loiro, e poderia ter feito esse também.
Contudo, acho que o cabelo branco lhe deu uma cara de malvada mais substancial. Quer dizer, vocês se lembram da Cruella. É a Meryl, poxa.

Meryl-Lenda-Streep as Miranda Priestly. Approved.


·                    Tracie Thoms interpreta a Lily, e tá, a Andy não menciona realmente como é a aparência de sua melhor amiga. Mas não se parecia nada com a Tracie, na minha cabeça. Mas tudo o.k. Relevemos.

Tracie Thoms as Lily. Semi-approved.


Não vou falar do Adrian Granier agora...


·                    Simon Baker interpreta Christian Collinsworth e, caramba, não poderia existir um ator melhor para ser esse Deus Grego da literatura. No livro, Chris é dado como um verdadeiro cavalheiro-cafajeste, com aquele sorriso que faz derreter, e a Andy fica atraidíssima por ele logo de cara. Simon foi o cara para interpretar esse escritor. Desempenhou seu papel com maestria e gerou bastante comoção, por motivos de “ser gostoso”. Mas não vamos entrar em detalhes ;-)

Simon Baker as Christian. Uh, super-approved.

·                    Emily Blunt interpreta Emily e novamente, tudo o.k. Foi uma bela escolha, na minha opinião, por que a Emily soube interpretar bem seu papel e fazer as caras de tédio e pena que são descritas tantas vezes na obra de Weisberger. Gostei bastante.


Emily Blunt as Emily. Approved. 

·                    Stanley Tucci interpreta Nigel. E então chegamos ao ápice. Honestamente, o que o David Frankel (diretor do filme, e também Marley & Eu) queria? Ele simplesmente acabou com meus miolos quando transformou completamente o Nigel.
Todos concordamos que Stanley Tucci é um ator divino. Eu lembro dele em Beethoven (infância...), ou em O Terminal (enquanto Tom Hanks tentava aprender a falar inglês). Ele se deu super bem em Capitão América: O Primeiro Vingador. E, sendo eu uma tributo, posso dizer que não houve melhor escolha para um Caesar Flickerman. Convenhamos: Stan é o cara.
Mas Nigel é totalmente diferente de Stanley pela obra de Lauren. Na realidade, o Nigel não tem brilho nenhum no livro; ele é todo substituído por outro gay obcecado por moda, o James (interpretado pelo Daniel Sunjata, escolha o.k.), que por sua vez é totalmente excluído no filme. Bem, para ser mais direta, Nigel é, no livro, um negro alto de mais de dois metros de altura, profundamente escandaloso (suas falas são todas em CAPS LOCK), que usa roupas apertadas demais, mandão, e que fala coisas como “meu bem” ou “meu amor”, gritando, o tempo todo. Tipo, me faz lembrar a Vera Verão.
Então me expliquem por que diabos o Stanley Tucci foi escolhido para desempenhar esse papel, caramba?!
Por mim, honestamente, dava-se o brilho correto ao James. Por que ele é uma graça.

Stanley Tucci as Nigel. Not approved.

Daniel Sunjata as James. Approved.



ALEX X ...NATE?





É isso aí! Mudaram o nome do namorado da Andy.
Andy, mudei de nome
mas ainda te amo
rsrsrsrs
E eu fico me perguntando o porquê da Aline ter feito isso (favor ver a parte em que eu digo sobre as adaptações não precisar ser tão diferente de suas obras originais). Por mais que eu procure, sério, não acho uma explicação plausível. Deixar uma personagem com o cabelo da Cruella ao invés do loiro, o.k., mas mudar um nome é inadmissível!
Pombas!
Não foi só isso que mudaram no Alex. No livro, ele é o namorado de Andy há um tempão. Três anos, creio. Ambos cursaram a Brown juntos (literatura, inclusive) e fizeram um tour pela Europa nas férias, mesmo que não morassem no mesmo apartamento (nenhum dos dois estava preparado para isso). Então, após se formar, ele se torna um professor no Brooklin, trabalhando com crianças muito marginalizadas, e ele fica bastante chateado com a Andy ao longo da história por que ela só tem tempo para trabalhar.

E este é Adrian, o Alex/Nate.  Tudo bem, aprovado, ele é lindo.
Mas não é o que eu esperava.
No filme, Alex não é o Alex. Ele se chama Nate. É interpretado por Adrian Granier (agora vamos falar dele!), que, o.k., é um rapaz de olhos e boca bastante bonitos e chamativos. Ele é cozinheiro. E gostoso. Fica puto com a Andy quando ela dá interesse demais ao emprego (de modos diferentes, por que, no livro, existe uma DR infinita e tudo mais). Então sai. E aí ela transa com o Christian Collinsworth.
Resumi todas as histórias, beijos para mim.



MARCAS X FIGURINO




Durante a leitura de O Diabo Veste Prada, você vai encontrar uma infinidade de marcas que — se você for da roça como eu — nunca ouviu falar. Prada, Chanel, Versace, Gucci, Giorgio Armani, Barney’s, Calvin Klein, Fendi, Michael Kors, Sacks, Roberto Cavalli, Chloé, Jimmy Choo, Bergdorf. Eu acho que o mais perto disso que cheguei foi quando minha mãe ganhou um frasco mínimo de um perfume da Gucci. Pois é.
Este é o momento em que você, ligada em moda, vem caminhando até Brasília e me enche porrada.
Mas é sério. Todas essas marcas são muito acentuadas no livro, e a adaptação não deixou nada a desejar em relação à moda em si. Quem ficou responsável pelo figurino foi a Patricia Field, que também era a figurinista do seriado Sex And The City (!). Ela disse em uma entrevista que o que os artigos que as marcas acima disponibilizaram para o figurino do filme passou de $1 milhão de dólares (!!!).
A direção do filme foi muito boa e a história bem contada. Além disso, todos se vestiram muito bem. Investiram bastante em O Diabo Veste Prada e fizeram dele um ótimo filme. A forma como Andy narra suas colegas de trabalho esqueléticas enfiadas em vestidos de mais de dez mil dólares é constantemente marcada no livro.



ÚLTIMOS CAPÍTULOS X ÚLTIMOS MINUTOS




Ambos muito bem feitos. Como eu já disse antes, tanto a obra de Lauren quanto a adaptação de Aline merecem aplausos. Mas, como era de se esperar para um livro de comédia romântica, o fim é bem mais conturbado e engraçado. O modo como Andy está envolvida no mundo Priestly e nega isso a si mesma o tempo todo chega a ser quase idêntico. Tanto a Andrea Sachs do livro quanto a do filme desistem da carreira em Runway quando Miranda Priestly, a megera-mor, a diaba, a tirana, a perfeccionista, impossível e completamente doida da sua chefe, diz: “você me lembra quando eu era da sua idade”.
Só que a Andy do livro é um pouco mais radical quando lida com isso. Quando ela percebe que, sim, aquele “você me lembra quando eu era da sua idade” pode ser real, e ela pode, sim, continuar a trabalhar na Runway e ir subindo de carreira, até, vinte anos depois, se tornar uma mulher elegantemente supérflua, fria, arrogante, durona e extremamente maluca para tratar sem nenhum humanismo suas assistentes pessoais e subordinados como Miranda fazia com ela, Andy simplesmente perde a cabeça.
E eu, uma mera leitora, honestamente, amei isso tudo.

Aqui uma pequena comparação às duas, a "real" e a "ficcional".
Incrível como elas podem ser más e como a Meryl atribuiu o personagem bem.


CONSIDERAÇÕES FINAIS



Em geral, não me arrependi nem um pouco de ter lido o livro ou visto o filme. Ambas são obras maravilhosas, conduzidas por mentes igualmente maravilhosas que transformaram a história em algo maravilhoso se prestigiar (saudades, coesão).
Motivos para ler o livro: a narrativa é deliciosa e a leitura muito fácil; o enredo é munido de um humor saudável e muito difícil de encontrar; embora seja narrado em primeira pessoa, Andy às vezes é uma chata, e isso a torna muito mais real do que a maioria dos personagens que existem nos livros; os personagens são todos uma graça, e o livro trata de problemas reais e suas consequências, como o alcoolismo, coisa que não tem no filme; e, além disso, O Diabo Veste Prada é aquele tipo de história que você simplesmente não pode deixar de prestigiar. É como se ela precisasse estar com você.
Motivos para se ver o filme: o enredo, apesar de diferente, é incrível; Anne Hathaway e Meryl Streep deram a vivacidade necessária para seus personagens; Simon Baker; a fotografia é incrível; a trilha sonora é maravilhosa; Simon Baker; o desespero passado pela Andy é praticamente tangível; as risadas que você vai dar serão constantes; já cheguei a mencionar o Simon Baker?


Uma pequena curiosidade: em uma festa, à meio do livro, Andy afirma ver Gisele Bundchen como a supermodelo que ela era na época — 2003 — e é ainda hoje. Mas, no filme, a Gisele interpreta Serena, uma colega de trabalho praticamente insignificante. Li uma crítica onde dizia que, neste filme, ela não decepcionaria e nem seria alvo de piadas como foi em Táxi. Mas achei o argumento de muito mau gosto, por que, na realidade, ela só tem uma fala! “Humm... Bonita.” Eu até sentiria pena dela, caso ela não fosse tão rica. E não tivesse um marido tão gato.







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