19 de set de 2013

[Resenha] Saga Jogos Vorazes, de Suzanne Collins



Título original: The Hunger Games
Editora: Rocco
Ano: 2011
Páginas: 397




Após o fim da América do Norte, uma nova nação chamada Panem surge. Formada por doze distritos, é comandada com mão de ferro pela Capital. Uma das formas com que demonstram seu poder sobre o resto do carente país é com Jogos Vorazes, uma competição anual transmitida ao vivo pela televisão, em que um garoto e uma garota de doze a dezoito anos de cada distrito são selecionados e obrigados a lutar até a morte! Para evitar que sua irmã seja a mais nova vítima do programa, Katniss se oferece para participar em seu lugar. Vinda do empobrecido distrito 12, ela sabe como sobreviver em um ambiente hostil. Peeta, um garoto que ajudou sua família no passado, também foi selecionado. Caso vença, terá fama e fortuna. Se perder, morre. Mas para ganhar a competição, será preciso muito mais do que habilidade. Até onde Katniss estará disposta a ir para ser vitoriosa nos Jogos Vorazes?



É quinta, e a vossa resenhista universitária residente está aqui para vocês! Não sentem já a animação crepitar no âmago do vosso ser? Sentem? Bom, então espero que realmente seja apenas animação, e não a faísca da rebelião (também conhecida por Katniss Everdeen).
Escolhi Jogos Vorazes para a resenha de hoje, porque:
a) é provavelmente minha segunda saga favorita (não tenho que dizer qual é a primeira, pois não?);
b) faltam cerca de dois meses para sair Em Chamas, a adaptação cinematográfica do segundo livro da saga;
c) você simplesmente tem que ler.
Isto é, se não o fez até agora (e você já deveria ter lido)! Todos sabemos que o fenômeno de Jogos Vorazes começou com o lançamento do primeiro filme da saga, onde Jennifer Lawrence dá vida à feroz protagonista Katniss Everdeen. O mais provável é que você já tenha até visto o filme… e amado, estou certa? E se ainda não se lançou à aventura literária com o livro que o inspirou, foi porque ainda não encontrou um exemplar perto de si.
Mas, meu querido, se esse é o caso, sugiro que não leia essa resenha. Ela enumerará todas as razões pelas quais você está errado em ainda não ter comprado a trilogia mais quente do momento – literalmente.

“E que a sorte esteja sempre a seu favor!”

1. O universo
Apesar de não ocorrer em nenhum tipo de universo alternativo, podemos considerar que a história se desenrola, sim, num universo um pouco diferente do nosso: o futuro. Na mente de Suzanne, o futuro do nosso planeta encontra-se arrasado e enegrecido por toda a poluição e destruição massiva a que nós, humanos, o iremos submeter nos próximos séculos. Cenário totalmente plausível, diria eu, sobretudo à luz dos últimos acontecimentos internacionais.
E no meio de todo o caos, o que acontece? O que sempre aconteceu ao longo da história da humanidade: uma ditadura. É geralmente assim que as populações lidam com os momentos mais difíceis. As crenças tornam-se mais fanáticas, as opiniões mais radicais, e faz falta uma mão pesada que dê um murro na mesa e controle as coisas.
Até demais.
E a forma como a tecnologia é incorporada – simplesmente genial! O espólio tecnológico pertence somente aos ricos e poderosos, e é forçado a existir nas mãos dos pobres só para servir o propósito de um Estado corrupto, sendo que famílias de distritos da periferia só possuem televisões para serem forçados a assistir ao sacrifício dos seus filhos. Acho que essa imagem do uso da tecnologia diz muito em relação ao ponto que Suzanne tentou passar com a história, porque, de certo modo, a pobreza e a fome coexistirem com aparelhos tecnológicos avançados coloca em destaque a horrível crueldade de toda a situação.

Pontuação: 

2. A escrita e o enredo
Nesse tópico, toda eu sou elogios! Suzanne fez um trabalho excelente, tanto a nível de escrita como de enredo.
A escrita é simples, direta, envolvente e apelativa. É realmente fácil imaginá-la saindo da “boca” de uma garota de 16 anos. Além disso, o jeito como a escrita e o enredo são coerentes torna a leitura extremamente prazerosa e viciante, já que ambos estão constantemente marcando um ritmo acelerado e imprevisível.
É certo que há momentos mais pausados – muitas vezes marcados pela angústia dos personagens, o que os torna ainda mais pesados –, mas de forma alguma acho que seria possível contar essa história sem recorrer a momentos desses. É imperativo que, numa narrativa como essa, o leitor possa sentir o desespero dos personagens juntamente com eles, e isso é impossível de fazer enquanto o ritmo se mantiver intenso.
Por outras palavras, só quando a vida começa a abrandar é que as pessoas são forçadas a lidar com os seus sentimentos, a realmente se entregar a eles. E quando a pessoa em questão é um personagem do livro, o leitor tem que sofrer junto. Por mais que custe.

Pontuação: 

3. Os personagens
Acho que, de tudo aquilo que tenho para falar sobre essa saga, esse tópico é o mais polêmico. Gale, Peeta, Katniss… todos eles têm tanto fãs incondicionais como haters incondicionais. Tem pessoas que amam a Prim, há pessoas que acham a Prim super chatinha; há pessoas que idolatram o Cinna (levanta a mão pro céu), há pessoas que não acham o Cinna tão especial assim; há pessoas que simplesmente amam a barbicha do Seneca, a malvadez do Snow, o instinto assassino do Cato, Haymitch bêbado, o gato (!)…
A lista continua interminavelmente. As poucas personagens que conseguem um consenso de todos os fãs provavelmente restringem-se a Rue e Finnick (spoiler: a gente ama os dois; mas se você discorda dessa opinião, deixe aí um comentário, para eu saber que estou errada).
Pessoalmente, eu tenho absolutamente zero contra personagens que inspiram reações tão diferentes nos fãs, sabe porquê? Por que isso quer dizer que eles estão bem construídos e que são realistas. Têm pontos bons e pontos maus, e dependendo do leitor e das coisas que ele mais valoriza, ele tanto pode prestar mais atenção às qualidades ou aos defeitos. E isso empresta à obra um carácter subjetivo que só a enriquece.
Porém, essa subjetividade não te dá carta branca para odiar todo o mundo. Use de seu senso comum e tente-se colocar no lugar dos personagens. Talvez vocês se tivessem saído pior no lugar deles (sim, pessoas que querem o Gale morto, eu estou olhando para vocês).

Pontuação: 

4. A temática
Meu Deus, a temática! Tinha como ela ter ficado mais clara? SPOILER ALERT: essa saga é sobre riqueza e pobreza, opressão e liberdade, conformismo e revolta, com um toque de amor à mistura. Desculpe arruinar a sua leitura, aposto que você nunca imaginou que fosse esse o tema. *alerta de ironia*
Claro que a temática não se restringe unicamente a esses pontos: também se fala imenso de amizade, laços familiares, solidariedade, ódio, fome de poder… Outros assuntos menores no contexto geral da história, mas que se enquadram totalmente nos temas principais e que dão um tom mais humano à narrativa.
Na minha opinião, um livro de YA (young adult – jovem adulto) que lida com temas tão profundos – e que ainda hoje estão em permanente discussão e são, muitas vezes, desrespeitados – samba na cara daqueles que julgam o gênero como fútil e romanceado. Não, minha gente, YA não é apenas sobre amores adolescentes (e por isso é que acho irritantes aqueles leitores que só falam do triângulo amoroso Gale-Katniss-Peeta… alô, gente? tem mais história que isso) e coleções de clichés, fáceis de decifrar e criticar. Esse YA, em particular, lida com temas absolutamente adultos e maduros, com dilemas éticos e morais, com sofrimentos e torturas horrendas… Mas acima de tudo, coloca em destaque a diferença que uma só pessoa, aparentemente impotente, pode fazer, apenas por acreditar que a vida humana é mais valiosa que qualquer espécie de poder.
Não me culpe por não ter mais palavras do que: genial.

Pontuação: 

5. Tópico surpresa: A verdade, nua e crua
Quando terminei de ler a saga, eu estava tocada e fragilizada ao ponto de achar horrível que uma pessoa se pudesse declarar da saga. Achava horrível que houvesse páginas no facebook fazendo piadas, que houvesse fanfictions sobre romances improvavéis, que houvesse fã-clubes e role-playing’s e surtos e fangirls. Achava impossível e inumano que, depois de tudo aquilo, de tudo o que tinha acontecido, as pessoas pudessem tratar aquela história como outra história qualquer.
Claro que eu estava errada, em parte. Devemos sempre celebrar aquilo que amamos – e surtar também é uma forma de festejo. Hoje em dia, eu própria faço a maioria das coisas referidas acima.
Mas o que me incomodava – o que eu odiava mesmo, pronto – era sentir que Suzanne tinha escrito toda essa obra, tido todo esse trabalho, e que, mesmo assim, o verdadeiro ponto que ela queria transmitir tinha passado ao lado da maioria dos leitores. Pense para você: você acha que uma história dessas poderia realmente acontecer? De verdade? E que você poderia fazer parte dela?

Bem, o certo é que já aconteceu. E que ainda hoje acontece. Há países que vivem em ditaduras tão revoltantes quanto a de Snow. A distribuição mundial da riqueza é simplesmente nojenta e repulsiva. Pessoas morrem, todos os dias, do mesmo jeito e pelas mesmas razões fundamentais que ceifaram tantas vidas ficcionais. Só que eram vidas reais, de pessoas reais. O que Suzanne fez foi tirar um mero retrato dessa faceta da realidade em que vivemos. Então compreendam por que me revoltava escutar pessoas falando que “não, isso é só um livro de ficção” ou “sim, tem a ver com a realidade por que os reality-shows podem eventualmente chegar ao ponto de assistirmos pessoas morrendo ao vivo”. Nós só não fazemos já isso, meus caros, por que preferimos virar a cara na outra direção, enquanto os poderosos colocam a vida e dignidade humanas no fundo da tabela de prioridades.
Pode chamar isso de consciência, eu tenho vontade de chamar de covardia.
E, se depois de ler essa trilogia, você ainda sonha com dinheiro e poder acima da honestidade e solidariedade humanas… ou você é doente ou precisa começar a prestar mais atenção à entrelinhas. E às próprias linhas. Está tudo lá.

Qualquer semelhança com a realidade está longe de ser pura coincidência.

Pontuação: 


Conclusão
Com a trilogia de Jogos Vorazes, Suzanne Collins apresentou-nos um trabalho realista, verdadeiro, complexo e, mesmo assim, sem qualquer intenção de ser pretensioso. A profundidade da obra surge dos temas com que ela lida, e não da forma como a autora os coloca – o que, na minha opinião, é profundidade feita do jeito certo.
Ela toma valores que são inerentes à nossa humanidade e coloca-os em perigo, ameaça-os, querendo que o leitor se insurja e se revolte juntamente com a protagonista. Porém, Katniss não é mais que uma mera adolescente, presa algures entre o peso da responsabilidade e a insegurança da juventude. Somos, então, levados através de suas fraquezas e dores, de seus momentos de glória, de júbilo, de felicidades e prazeres passageiros, de suas vitórias e conquistas, derrotas e fracassos, até ao centro daquilo em que ela e nós próprios acreditamos. Até ao centro do verdadeiro heroísmo e altruísmo, num sacrifício pela justiça e liberdade.
Uma saga a se ler e reler, com gosto e empenho pessoal. Por que depois de a ler, você não será mais o mesmo.

Pontuação final:






2 comentários:

  1. Ahhh eu comprei eles mês passado!! Mas ainda não pude ler por falta de tempo =(

    Adorei a resenha!!

    Beijo

    http://agarotaeotempo.blogspot.com.br/

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  2. Que bom!!! Espero que possa ler logo, e então me dê sua opinião, ok? :DD Acho que você irá adorar!!!
    Beijão, obrigada pelo comentário! Você é um amor! :D

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