15 de ago de 2013

[RESENHA] Saga Harry Potter, de J. K. Rowling

Título Original: Harry Potter

SinopseOs livros giram em redor de Harry Potter, um órfão que descobre, com 11 anos de idade, que é um feiticeiro, apesar de estar então vivendo no mundo das pessoas não-mágicas – os trouxas. A sua habilidade, porém, é inata, e as crianças como ele são convidadas a frequentar uma escola que lhes ensina tudo o que precisam de saber para serem bem-sucedidos no mundo da magia. Harry torna-se um estudante na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, local onde a maioria dos acontecimentos da história tomam lugar. À medida que se desenvolve enquanto adolescente, Harry aprende a lidar com os vários problemas que enfrenta: mágicos, sociais e emocionais, incluindo os desafios normais da adolescência, tais como a amizade e os exames – e o ainda maior teste de se preparar para a confrontação que se adivinha no seu futuro.




AVISO: Essa resenha irá conter alguns spoilers, embora eu não saiba como é possível você ainda não saber das principais reviravoltas no enredo dessa saga famosíssima.

A saga Harry Potter é, como já devem ter entendido, uma parte bastante importante da minha vida. Publicada inicialmente pouco depois de eu nascer, a minha paixão começou não pelos livros em si, mas pela sua primeira adaptação cinematográfica, em 2001. Assim, seria só no verão de 2007 que eu me decidiria a pegar nos livros e atacar a história escrita de frente. E, meu Deus, como essa decisão foi genial! Então com 12 anos, eu fui cativada pela história desde a primeira página, facilitada pela escrita direta, acessível e fluída de Rowling. No Natal do mesmo ano, meus presentes favoritos foram os dois últimos volumes da saga. Antes mesmo do ano acabar, já eu tinha terminado minha aventura com Harry.
Desde então, já reli os livros várias vezes (apesar de não me ter dado ao trabalho de contá-las), e encontro-me, no momento de escrita dessa resenha, nas últimas cem páginas d’O Cálice de Fogo, quarto volume da saga. Pretendo terminá-lo logo, para poder começar A Ordem da Fênix mais uma vez.

Assim, quando a Sarinha me pediu para entrar na equipe de resenhas, eu soube imediatamente por onde teria de começar: o alfa e o ómega da minha experiência literária, Harry Potter. Como acredito que a saga só pode ser apreciada em todo o seu valor enquanto saga – e não livros individuais –, resolvi fazer uma resenha conjunta; uma espécie de visão geral sobre a história que transparece, volume atrás de volume. O formato que pretendo usar vai ser um pouco diferente daquele que Sarah costuma usar, mas acho que será fácil de se habituar a ele: pretendo ter 5 tópicos que poderão ser aplicados a qualquer livro, e dentro dos quais irei pontuar a obra; no final, farei uma conclusão sucinta, com a pontuação geral que dou ao livro.
Estão prontos? Vamos então!


1. O universo

Logo no início da saga, somos obviamente apresentados a um universo novo e diferente: o mundo da magia. Porém, não podemos classificá-lo como um universo paralelo, uma vez que ele não existe numa espécie de realidade alternativa, como acontece noutras obras (o que seria o caso d’As Crônicas de Nárnia). Não, o universo mágico a que Rowling nos introduz é algo que poderia perfeitamente coexistir, nesse preciso momento, com a realidade que já conhecemos. Aliás, podemos notar, ao longo das obras, uma preocupação clara da autora em descrever e explicar o contato entre os dois mundos: o Estatuto de Sigilo em Magia, o qual se certifica de que os trouxas não tomam conhecimento do submundo mágico; a impossibilidade dos aparelhos eletrônicos funcionarem na presença de grandes quantidades de magia, o que clarifica o porquê da maioria dos feiticeiros não os conhecerem; a Seção de Mau Uso dos Artefatos dos Trouxas, onde trabalha Mr. Weasley e a qual resolve os problemas criados por bruxos espertinhos que decidiram enfeitiçar objetos comuns para os trouxas (incluindo o próprio Mr. Weasley)… Existem até Obliviadores, cujo emprego consiste unicamente em andar pelo mundo apagando as memórias dos trouxas que viram um pouco demais! (Claro que esse seria o emprego perfeito para Gilderoy Lockhart, porém ele decidiu usar os seus poderes para o mal, e roubar os feitos de outras pessoas para se tornar famoso com eles. Mas ele acabou em São Mungo, não siga o exemplo dele.)
Tendo isto em conta, poderíamos esperar de Rowling que nos presenteasse com um mundo tanto fantástico quanto perfeito; uma espécie de salvação para Harry, que, maltratado pelos seus tios e primo, viveu o pior do mundo “normal”. Porém, somos novamente surpreendidos: como a própria autora chegou a afirmar, a natureza humana é igual com ou sem poderes mágicos, e as circunstâncias, apesar de diferentes, acabam apenas por criar problemas semelhantes. Assim, descobrimos a um tempo um mundo que cultiva a imaginação, mas que permanece realista, cheio de dilemas, erros e contratempos apenas naturais a seres humanos.

Senhoras e senhores, estamos perante um universo imaginário fantástico, contudo incrivelmente realista. Mas a genialidade de Jo não nos poderia proporcionar outra coisa.

Pontuação: 


2. A escrita e o enredo

A nossa viagem pelo universo mágico de que já falamos, é, na minha perspetiva, muito fácil e natural devido à escrita acessível e fluída da autora, a qual permite que leitores mais novos embarquem também nela. Nesse ponto, não tenho muito a dizer, tirando que a escolha de Jo de escrever uma obra infanto-juvenil tornou impossível, desde logo, o uso de outro tipo de escrita. Assim, ela pode não exibir todos os recursos de linguagem que domina, nem dar à obra um tom “profundo”, mas a escrita não deixa de ser apelativa e esteticamente agradável. Nada de surpreendente neste quesito.

Por outro lado, à medida que vamos progredindo na leitura, nos apercebemos da complexidade do enredo construído por Rowling: a trama encontra-se perfeitamente tecida desde o primeiro momento, e pode acreditar que o padrão que ela escolheu é difícil de tecer. Ainda assim, o ritmo que a história atinge a certo ponto, juntamente com o mistério que sempre circunda a ação, levam a que o leitor raramente se canse (com a exceção d’A Ordem da Fênix, que tem tanta angústia e raiva reprimida que, admito, se torna um pouco repetitivo; mas em defesa de Jo, como esperaríamos que um adolescente de 15 anos reagisse a ver um dos seus colegas morrer à sua frente, às mãos do seu arqui-inimigo, sendo logo depois forçado a regressar ao lugar mais chato à face da Terra, constantemente afastado das notícias do mundo dos bruxos? Pois é). O desenlace que a história de cada um dos volumes apresenta vai-se adivinhando enquanto se avança na leitura, pelo que não se sente que a conclusão seja subitamente criada pela autora para pôr um fim necessário ao livro. Antes pelo contrário, se sente que a conclusão surge naturalmente do decorrer dos eventos, o que contribui para o realismo da história.
Mas não é só a primeira leitura que prende. Quando você decide reler a saga, aí sim, consegue ver o verdadeiro tesouro que a obra representa. O termo mais correto para o que acontece é “foreshadowing”, e refere-se às pequenas pistas que a autora vai deixando sobre o que irá acontecer no futuro, mas que, na altura, você não tem meios para decifrar. Essas pistas são uma das coisas que, para mim, tornam não só a releitura tão prazerosa, mas que demonstram o quanto Jo estava consciente do rumo que a história tomaria em diante.
Imagine o tempo que ela deve ter perdido para imaginar reviravoltas como o fato de Harry ser um horcrux, ou o desenvolvimento da personagem de Snape, tão cedo na história. Uma vez mais, genial!

Pontuação: 


3. Os personagens

Quanto aos personagens,  J. K. Rowling simplesmente se excede. Sabemos que ela tem facilidade em criar histórias onde intervêm imensos personagens (leiam uma resenha de Morte Súbita, se quiserem, e verão como isso é verdade), mas em Harry Potter vemos o quanto ela se sente confortável em escrever personagens imensamente diferentes entre si. Além disso, o desenvolvimento que ela faz dos personagens é simplesmente genial (sim, eu sei que estou usando essa palavra demais na resenha, mas ninguém me deu um limite, então vou continuar usando)! Claro que o fato de acompanhar o crescimento do trio principal é, por si só, uma atitude extremamente corajosa. A maioria das pessoas teve dificuldade apenas em passar pela adolescência, imagine repetir o trauma e ainda escrever sobre ela? Mas Jo faz isso de uma forma incrivelmente natural, livre de julgamentos, que fazem o leitor (que, em princípio, está também ele passando por fases parecidas com as dos protagonistas) se sinta um pouco menos “anormal” e pense: “se eles conseguem passar por tudo isso e ainda lutar contra o Senhor das Trevas, quem sou eu para dizer que não consigo?”. É uma questão de identificação entre o leitor e o personagem, a qual J. K. dominou completamente.
Em suma, é um livro para se ler enquanto se cresce. Mas para se ler depois de crescer, também.

Dito isso, queria referir algumas das personagens cuja construção eu acho mais impressionante:

- Severo Snape: ele é o príncipe (ah ah) das reviravoltas! Livro atrás de livro, você se convence que já o conhece na totalidade, só para vir a descobrir, no final, que ele não era exatamente quem dava a entender. Ele prova que a redenção é sempre, sempre possível;

- Neville Longbottom: Neville é simplesmente a melhor personagem para inspirar o leitor. Inicialmente, você se questiona como alguém tão fracote quanto ele pode ter sido escolhido para a grande Grifinória. Quando chega ao final, porém, já se convenceu de que não há ninguém no mundo mais legal e corajoso que Neville… Nem mesmo Harry;

- Alvo Dumbledore: este sim, é uma revelação! Você viveu toda sua vida convencido de que ele é o melhor ser à face da Terra, e afinal descobre que, em tempos, ele já foi até apaixonado por um dos bruxos mais obscuros de sempre! O melhor é o jeito que Rowling encontra para lhe mostrar, com isso, que ninguém é perfeito – nem mesmo seu modelo de vida. E isso não quer de todo dizer que você não possa continuar amando-o;

- Luna Lovegood: ela é provavelmente minha personagem preferida da saga. Como a própria autora o colocou, ela simplesmente não quer saber. Ela acredita no que acredita, e se veste do jeito que se veste, e faz aquilo que acha melhor, e tudo o resto será imediatamente ignorado! Tem uma opinião sobre a forma de dançar dela? Pode falar, Luna está demasiado ocupada caçando Nargles para o escutar;

- Dobby: o inocente corajoso. Não encontro outra forma de o expressar. Dobby, de todos os personagens da saga, é provavelmente o mais inocente – não apenas por ser um elfo doméstico (que Monstro nos mostra que não é necessariamente um sinônimo de inocência), mas por ser verdadeira e incorruptivelmente bondoso. Ele viveu a maior parte da sua vida na mansão dos Malfoy, e se isso não é o suficiente para corromper qualquer outra criatura, não sei o que é! Mesmo assim, Dobby acaba dando a vida por Harry, seu maior herói. A sua coragem ainda me traz lágrimas aos olhos.

Eu poderia continuar, mas acho que vocês entenderam o ponto fulcral. A verdade é que a maioria dos personagens têm um desenvolvimento complexo e único que contribui para adensar o enredo principal, para além de nos convencerem de que não há pessoas completamente boas, nem completamente más – somos as nossas escolhas, e a redenção é sempre possível.

Pontuação: 


4. A temática

Quando estamos falando de Harry Potter, a coisa mais complicada de que podemos falar, muito provavelmente, é a temática. É que, ainda que se baseie maioritariamente nos vários tipos de amor e em como eles podem ser, sem tirar nem pôr, a sua salvação, a saga aborda ainda um milhão de outras questões. Se eu tiver que resumir, provavelmente diria que o principal tema é a ética e a moral, a dicotomia entre o bem e o mal (que se torna clara quando entendemos que, mesmo face a Maldições Imperdoáveis, Harry, o representante do bem, tenta não abandonar o uso do Feitiço de Atordoar e outros do gênero), o que é considerado justo ou injusto… Algo dentro dessas linhas.

Mas também não podemos esquecer o enormíssimo destaque que é dado à morte. Vemos tantas diferentes perspetivas em relação à morte ao longo da saga, que nem sabemos bem o que pensar. Por um lado, há Voldemort, que foge da morte como se… bem, como se sua vida dependesse disso. Por outro lado, temos Dumbledore, que entende que sua vida pode ser perpetuada muito para além da sua morte por aqueles que o amaram e lhe foram fiéis. A sua célebre frase “para uma mente bem organizada, a morte é apenas a próxima aventura” foi um dos pensamentos mais difíceis de abarcar e, ao mesmo tempo, mais inspiradores que eu alguma vez encontrei. Ainda agora senti arrepios só por digitá-la. Não esqueçamos também as famosas “Acolheu, então, a Morte como uma velha amiga e acompanhou-a de bom grado, e, iguais, partiram desta vida” e “As pessoas que amamos nunca nos deixam de verdade”.
Mas, apesar de tantas mensagens bonitas em relação à morte, Harry sofre perda atrás de perda, e nunca deixamos verdadeiramente de as ver como uma tragédia. Até Dumbledore, que sabíamos ter uma mente bem organizada. Até Hedwig, que era apenas um animal inocente. Até Cedrico, a quem nem éramos tão chegados assim. Até Colin Creevey, que tantas vezes desejamos que simplesmente desaparecesse. Até Voldemort, que teve um fim tão humano que se tornou patético. E mesmo assim, em algum ponto da saga, entendemos que a morte é algo necessário, ao qual nem os mais ambiciosos escapam, e que seria melhor morrer por aquilo em que você acredita, do que deixar de defender o que é correto. Já viu um outro livro para crianças que tenha uma mensagem tão complexa sobre a morte quanto Harry Potter?

Para além de tudo isso, a história aborda ainda a depressão (com a belíssima imagem de que a invocação da sua memória mais feliz e um pouco de chocolate conseguem afugentar até o mais horrível Dementador), a discriminação, o preconceito, e o racismo (seja através dos “sangue-puros” e dos “sangue-ruins”, do desprezo dos Devoradores da Morte pelos trouxas, ou do preconceito que Lupin e Hagrid sofrem por terem uma doença ou genes nos quais, obviamente, não tiveram qualquer influência), e ainda a injustiça para com aqueles que são considerados socialmente inferiores, como acontece com os elfos domésticos (e sim, eu estou completamente do lado de Hermione nesta questão).

Podemos ainda falar da forma como J. K. Rowling explora os limites da resistência humana, seja física, emocional, psicológica, socialmente… Se é uma vertente da condição humana, Jo fez com que Harry (sobretudo, mas também outros personagens, tais como o restante trio) experimentasse o seu limite. Eu perdi a conta a quantas vezes parei no meio da leitura da Batalha Final para me perguntar quantas horas haviam passado e: a) como é que eles não tinham fome; b) como é que eles não tinham vontade de ir ao banheiro; c) como é que eles ainda não tinham começado a chorar, entrar em pânico, etc; d) como é que eles ainda se aguentavam em pé e conseguiam lançar feitiços… A lista continua e continua e continua. Claro que a luta incessável, ao longo de décadas e décadas, contra o lado das trevas provavelmente também cansou personagens como Dumbledore (como é que, no fim de tanto tempo, ele ainda conseguia manter a cabeça fria o suficiente para entender tanta coisa?), Lupin, Sirius (que, não nos esqueçamos, passou doze anos sob mercê dos Dementadores), Mr. e Mrs. Weasley… Parece que todos os personagens estão constantemente sendo postos à prova, ao longo de todo o enredo. E quem sabe, talvez a sua resistência possa ser aquilo que nos inspire para continuar a nossa luta também.

Além disso, eu queria voltar a focar a temática do amor, porque, afinal, é com ela que a saga começa e termina: no início, Lilían dá a vida por seu filho, para que esse mesmo filho possa vir a dar a vida por todos os outros, e finalmente parar Voldemort. E dar a vida por alguém… isso é a forma de amor mais altruísta que existe. Porém, uma das perguntas mais comuns em relação a este tema é: por que seria impossível a Voldemort amar? Muitas pessoas alvitram que foi por ter sido concebido sob o efeito de uma poção do amor, mas Rowling já clarificou que foi por sua mãe ter morrido logo após o seu nascimento – e, como ele ficou entregue aos cuidados de um orfanato trouxa, foi privado de qualquer forma pessoalizada de afeto.
Ao fim e ao cabo, essa é a principal diferença entre Harry e Tom Riddle. Enquanto Harry só se tornou órfão depois do primeiro ano de idade, tendo sido amado e mimado durante todo esse tempo, Tom sempre foi privado de afeto. Tanto, que se tornou incapaz de sequer compreender o que era o amor, ou as coisas a que as pessoas que o sentem estão dispostas a se submeter pelos outros. E essa revelou ser a sua maior fraqueza.

Para concluir este tópico, tenho que ressaltar a imensidão de temáticas que podem ser encontradas em Harry Potter (que eu estive longe de abordar plenamente aqui), e o quanto essa profusão torna a releitura uma descoberta permanente de novas lições a aprender.

Pontuação: 


5. Tópico Surpresa: a relação entre a obra e o Cristianismo

Este é um tópico bastante controverso, sobretudo porque, quando a saga inicialmente fez sucesso, cristãos por todo o mundo acharam que o fato de ela se relacionar a bruxaria era um pecado e, logo, a leitura deveria ser proibida pela Igreja.
Ora bem, enquanto católica, eu sinto-me no pleno direito de dizer: pobre Jo. Ela já tinha passado por muito na vida para ainda ter de lidar com mais essa. Agora que já falamos lá em cima sobre a temática, acho que se torna claro para você, caro leitor, o porquê de eu dizer isto: afinal, qual é o tema principal sobre o qual se debruça a obra? O amor, isso, muito bem! E sobre o que Jesus Cristo veio pregar ao mundo? O amor, exatamente! Um chocolate para você!

Então, penso que é uma relação lógica explicar que, apesar de Harry Potter retratar um mundo mágico, nele habitam pessoas que têm que lidar com muitos dos dilemas que nós mesmo temos que lidar no dia a dia. Nas palavras de Dumbledore, “em breve, teremos de escolher entre o que é fácil e o que é certo”. Por alguma razão, sinto que isso é algo que o próprio Cristo poderia ter dito, uma vez que, para que o mal aconteça, é apenas necessário que homens justos nada façam (como disse, e muito bem, Edmund Burke).
E, já agora que estamos reavivando o tópico das temáticas, tenho ainda que ressaltar o quanto o tema da morte também é fulcral nesta relação. Porque afinal, Jesus veio à Terra mostrar-nos o que é a verdadeira Imortalidade, a Vida Eterna – e ela nada tem que ver com a ambição patética de Voldemort em se agarrar à sua vida terrena, mas está provavelmente muito mais relacionada com a visão que Dumbledore faz dela. “A próxima aventura”. A estação de King’s Cross completamente branca, onde o trem nos levará para o local onde devemos estar. Haverá forma mais bela de pensar nesta questão?
E temos ainda o sacrifício de Harry no final d’As Relíquias da Morte! À imagem de Jesus Cristo, também Harry aceitou a sua morte para que outros pudessem viver e cumprir sua missão. Protegidos depois pelo escudo de amor que a morte do protagonista lhes facultou, nenhum outro homem de bem naquele castelo voltou a ser machucado pelas forças do mal. Por outro lado, a experiência de Harry ensina-nos a “acompanhar a morte como uma velha amiga”, o que é, afinal, aquilo que Cristo procura que nós façamos. Que não temamos a morte, mas que antes a aceitemos como algo natural e inerente à vida. O término de um ciclo e o começo de outro. O trem que abandona a estação, mas que nos leva para a próxima aventura.
Assim, não consigo possivelmente compreender como qualquer cristão quereria rejeitar Harry Potter enquanto uma leitura benéfica. Primeiro, livro algum deve ser proibido: a liberdade de expressão é fulcral para a sociedade de hoje e para o avanço da mesma. Segundo, a saga não faz mais do que aproximar e reconciliar o leitor com valores aos quais, talvez por desprezo à Igreja, ele quis virar as costas. Aconteceu comigo e estou certa de que já aconteceu com outras pessoas.

Se quer saber, por mim, Harry Potter devia até ser uma leitura recomendada a adolescentes cristãos, porque seria mais fácil para eles entender certos temas que a Igreja aborda. Pena que muitas pessoas não valorizem devidamente a interpretação de texto.

Pontuação: 


Conclusão

Como pode ter reparado, eu me alonguei imenso (imenso!) sobre os vários tópicos. Isso foi em parte por se tratar de uma saga com sete volumes, mas também porque eu conheço bem demais a saga em questão (acredite quando digo que não incluí nem de perto tudo aquilo de que eu queria falar, sobretudo em relação a exemplos). Não espere que as próximas resenhas tenham esse tamanhão, mas obedecerão à mesma estrutura e terão a mesma qualidade (torço os dedos!).

Quanto à saga, quero terminar por apontar a qualidade de clássico moderno que ela adquiriu ao longo dos últimos 15 anos. Não é muito tempo, mas é sem dúvida o suficiente para se ter tornado uma leitura absolutamente obrigatória para os amantes da ficção por todo o mundo. Se gosta de magia, tem; se gosta de mistério e ação, tem; se gosta de romance, também tem; se gosta de questões filosóficas, pode apostar que elas estão lá, por mais camufladas que possam parecer.
Assim, apesar de pertencer ao gênero infanto-juvenil, Harry Potter é uma leitura para revisitar ano após ano, e notar como sua perceção em relação à história e aos temas nela debatidos vai mudando; notar como você vai vendo mais e mais a fundo, achando nuances antes impensáveis nas suas cenas favoritas.

Harry Potter é uma coleção de sete livros que jamais devem abandonar sua mesinha de cabeceira.


Pontuação final:













11 comentários:

  1. Vou ser sincera u_u Não tenho nenhum tipo de simpatia com Harry Potter... #sinceridadeétudo MAS, EU NÃO PODIA DEIXAR DE COMENTAR NO SEU PRIMEIRO POST, SOFS! <3
    Beijos

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  2. Ai que pena, Viih!!! Não espero que goste, mas dê uma olhada no post e veja as razões que me fazem gostar :333 Super obrigada pelo comentário! Beijão <3

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  3. Wesley Lautenschlaeger15 de agosto de 2013 14:42

    SOFSS <3 A-M-E-I SIMPLESMENTE ASSIM <333
    Eu amo muito HP, muito mesmo, mas fica na base de quinto ou sexto lugar no meu pódio de séries preferidas pelo motivo de que o Harry é um pouco... como eu poderia dizer? Ele fica se lamentando o tempo todo por todas as decepções da vida e tudo mais... E eu sou o Wesley e não gosto de tristeza ou lamentações. Percy Jackson é um exemplo: Apesar de ele ser tão ferrado na vida como Harry, ele faz piada de seus problemas... Mesmo assim ainda amo Hp <3
    Tua resenha tá amodorável, perfeita! Esperando ansiosamente pela próxima quinta <3 Beijão!

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  4. UHUH! OBRIGADA WES!!!
    HP é o melhor no meu coração <3 mas óbvio que tou de bem com você preferir outras sagas. Eu não me importo com isso, mas eu sei que você, sendo o Wes, prefere a piada à tristeza ;) E depois também depende. Mesmo que eu fosse ler Percy agora, nunca ia significar tanto para mim como HP, por causa da relação que eu já tenho com HP. Para outra pessoa, essa relação pode ser diferente e não ter essa sentimentalidade toda que eu tenho SDFIMPOSM
    Ai muchas gracias, my dear!!! Elogios vindos de você são a melhor coisa <3 Beijão!

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  5. Estou começando a ler os livros agora, já tinha visto os filmes.
    Eu estou sem palavras. Sua resenha ficou perfeita <3 Estou louco para ver mais resenhas suas Sofia <3 Está de parabéns.

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  6. Meu Deus, Sofia, o que dizer após a leitura dessa prazerosa resenha e tão reflexiva quanto essa? Não dá pra simplesmente comentar, meu cérebro ainda está zunindo a mil entre mil pensamentos e meus sentimentos estão conflitosos! Estou morrendo de vontade pegar meus sete livrinhos pela 6° vez (eu acho, é algo entorno) e relê-los. É algo tão mágico, não é, estar dentro de desse outro lado da vida? Por que pra mim é algo assim, eu embarco na aventura e me encaixo, e saio de lá apenas quando o mundo real me obriga (quando leio)! Está dentro entre minhas séries favoritas, claro. <3 E sua resenha, no momento, foi a melhor que eu li. hahah Eu realmente AMO as resenhas da Sarah, sou/vida/ar/chão/terra, mas CARA! Você não podia ter feito uma resenha melhor de HP. :3 Essa resenha deveria ser lida pelo mundo inteiro! (e todas as igrejas, incluindo a Adventista e etc.) Obrigado pelo bebê, amore mio.

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  7. Ai Rafa, você vai amar tanto a história! Os personagens são mil vezes mais legais nos livros :D Obrigada!!! Meu Deus, tanto elogio! Que bom que gostou!!! :D E a próxima resenha já está em andamento ;D
    Obrigada, Rafa! Beijão :*

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  8. Awwwn, Lu, você consegue sempre ser a pessoa mais fofa <3 Mil obrigadas pelos elogios, a resenha sente-se super lisonjeada! E a autora também, pronto ;) Eu sei como é, Harry Potter meio que nos engole, e quando nos devolve ao mundo real, sentimos que fomos mudados para melhor <3 É tão bom :333
    Ahahah, meu Deus!!! Eu me sinto MUITO elogiada mesmo, pq eu fiz mega drama com a Sarah, dizendo que não sabia escrever resenha e daí as reações são essas <3 Estou tão orgulhosa :333
    Muchas gracias pelo comentário, meu bem, eu simplesmente o amei! Sua fofura é única e inigualável! Beijão :*

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  9. Eu tive que, praticamente, OBRIGÁ-LA a escrever. Sério.

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  10. Não é seu post, minha irmã, shhhhhhhhhhhhh. ELE É MEU MUAAHAHAHAHAHAH MY PRECIOUS

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  11. Oh ok ~pega a trouxinha e se retira do saite~

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