22 de set de 2012

Capítulo 9

Too much love, so little hate


Julia adentrou o colégio com a mochila nas costas e os fones no ouvido. Passou os olhos por todos os adolescentes ali e tentou achar alguns de seus amigos. Nem Nate nem Sophie estavam ao seu alcance.
— EI, CHATA! — Ela pulou de susto ao escutar o grito aos seus ouvidos.
Nate gargalhava.
— Idiota! Você quer me matar? — Ela bufou e revirou os olhos.
— Ah! Como adivinhou? — Ele fez que estava triste e recebeu um soco fraco no ombro.
— Babaca.
— Sei que você me ama, não precisa deixar isso claro. — Nate sorriu debochando. Julia decidiu ignorar e suspirou.
— Pensou em alguma coisa? — Ela perguntou, andando pelos corredores cheios junto a ele.
— Não… — Ele torceu os lábios. — E você?
— Pensei tanto que minha cabeça até doeu, mas não cheguei a uma solução. — Ela também torceu os lábios. — A gente precisa arrumar uma providência pra juntar aqueles dois.
— É, mas tudo fica mais difícil quando eles quase nunca se encontram…
— É. Se eles estudassem juntos seria ideal…
— É… — Nate suspirou e viu uma aglomeração de alunos parados em frente a um cartaz colorido. — O que é aquilo?
— Não sei, vamos ver. — Julia fez o mesmo semblante confuso e foi junto a Nate ver o que era. Alguns alunos assinavam no cartaz.
Não conseguia ver o que era pelo fato de existirem muitos alunos na frente. Nate decidiu perguntar a alguém.
— Oi, com licença. — Ele chamou a atenção de um rapaz. Ele se virou. — O que é isso?
— Aulas complementares. — Ele respondeu sorrindo para Nate. Julia apenas escutou. — Tipo, música, teatro, dança, culinária, esportes, luta… A escola agora vai ter aulas complementares. E o aluno que se prontifica a fazer pode ficar sem fazer duas disciplinas menos importantes, como por exemplo, sociologia ou literatura.
— Legal. — Nate disse, sorrindo. — Mas é no horário normal de aula?
— Não… Pra quem estuda à tarde, é de manhã. Quem estuda de manhã, duas horas de aula à tarde. — O garoto, novamente, explicou. — Mesmo assim, tudo para fugir das aulas de literatura. — Eles gargalharam. — E eu sempre quis fazer karatê. De graça, ainda!
— Mas… — Julia se manifestou. Sim, uma idéia a havia atingido. — As salas das aulas complementares são divididas por série?
— Não. É tudo junto. — Ele respondeu sorrindo.
— Valeu, cara. — Nate agradeceu e olhou para Julia, com aquele olhar malicioso. Ela retribuiu a altura.
— É a resposta as nossas preces! — Nate disse, sorrindo.
— E ainda existem pessoas que não acreditam em Deus. — Ela alargou mais o sorriso.
— Amém. — Eles gargalharam. — O plano é o seguinte:
— Nós convencemos os cabeças-duras a fazer as aulas complementares — Julia o interrompeu, começando.
—…os deixamos juntos em quase todas as aulas propositalmente…
—…e aí eles notarão que se amam e viverão felizes para sempre. — Ela juntou as mãos.
— Fim do plano ficou retardado. — Nate bufou e recebeu um soco em resposta.
— Cale a boca. O importante é que eles precisam de aproximação, e as aulas complementares são perfeitas para isso.
— É. — Ele sorriu.
— Você convence o Luke. Deixe a Sophie comigo. — Ela sorriu e estendeu a mão. Nate a apertou forte.
— Isso é o início de um complô do bem. — Ele disse e ela riu.
— Exatamente.
Enquanto isso, no canto da sala da aula de matemática, Stephy se sentou na cadeira, levando uma mão a cabeça.
Não sabia mais o que fazer! Em uma semana já havia tentado de tudo para tirar Jenny de campo. Ela ainda era uma ameaça. Uma ameaça grande. E o pior é que ela não havia podido brigar com Julia ou Sophie! Isso a estava matando.
— Você contou? — Jenny disse rapidamente, sentando-se na frente dela e virando-se para trás.
— Jenny, qual é…
— Olha, o seu prazo já acabou. — Jenny bufou.
— Você me deu duas semanas!
— Isso foi antes de você inventar mentiras pro meu pai pra me tirar de campo. É, Stephy, eu te conheço. — Ela revirou os olhos. — Felizmente, o meu pai também. Então, você tem até o fim do dia de hoje pra contar pro Luke, ou então a escola inteira vai saber. — Ela lhe lançou um olhar desafiador e saiu de perto, indo se sentar do outro lado da sala.
Certo, Stephy precisava agir. E rápido.
Ela quase não prestou atenção na aula. Tamborilava os dedos na mesa, a procura de qualquer coisa que a favorecesse. Estava perdida!
Até que uma hipótese surgiu em sua cabeça. Poderia dar certo? Sim, poderia. Mas também poderia dar errado.
Ela não conseguiu pensar em nada melhor e decidiu colocar em prática. Não tinha nada a perder, caso Jenny contasse. Tentou prestar atenção nas aulas chatas e esperou impacientemente o intervalo chegar. Finalmente o sinal bateu, indicando a hora da refeição. Ela suspirou e fez seu melhor sorriso, afinal, sabia muito bem como dissimular sua preocupação. Ainda mais para Luke.
Viu que ele estava rindo, enquanto conversava com Dan e andava, mais a frente. Foi até ele e tampou seus olhos com as mãos.
— Stephy. — Ele disse, deixando um sorriso aparecer no seu rosto e pegando as mãos dela levemente. Virou-se e a abraçou.
— Seu chato. Nunca dá pra enganar você! — Ela sorriu furtivamente e Luke beijou seu pescoço.
— Suas mãos são impossíveis de não reconhecer.
— Certo — Dan —, estou indo. — dito isso ele logo saiu dali. Não, Daniel não agüentava ver Luke caindo aos pés de Stephy. Além de ser extremamente meloso, ele notava que ela não era verdadeira. Notara isso um tempo depois que os dois começaram a namorar.
— Mas e aí, tudo bem? — Ela disse, entrelaçando sua mão a dele, enquanto seguia para o refeitório.
— Sim, normal... e você?
— Problemas com trigonometria. — Ela torceu os lábios. — Não consigo entender, Luke! Só não consigo, e cara, estou preocupada... e se eu não passar?
— Olha, isso não vai acontecer. — Ele a olhou. — Tu é muito inteligente e vai passar... Vamos fazer assim, hoje eu passo na sua casa e a gente estuda, tá? Matemática não é difícil, você vai ver. — Ele sorriu de canto, fazendo-a perder o ar por alguns segundos.
— Obrigada. — Ela sussurrou. — Você é perfeito, sabia?
— Pare com isso. — Ele coçou a nuca, corado. — Vamos pedir nosso lanche, antes que o Dan pegue tudo.
— Certo. — Ela colou seu braço ao dele.
Stephy deixou o sorriso aumentar. Já havia conseguido fazer Luke ir a casa dela, agora, tudo ficava mais fácil.
— Vai lá! — Julia empurrava Nate, que via Luke e Stephy irem se sentar à uma mesa com os lanches nas bandejas.
— Não vou! Aquela garota é insuportável.
— É só arrancar ele de lá, tu é amigo dele. — Ela revirou os olhos. — Soph tá chegando, eu vou lá falar com ela. E você, Nate, vê se faz a sua parte no trabalho.
— Se ferra, Juzy. — Ele revirou os olhos e começou a andar em direção a mesa. — Ei, pombinhos. — Ele disse sorrindo em frente à mesa. Stephy sorriu, fingindo achar graça.
Mas não, ela não estava.
— Ei, pirralho. — Luke retribuiu a altura e Nate fechou a cara.
— Vou ser educado e fingir que não escutei o teu insulto. — Ele sorriu. — E vou te pedir pra ir comigo ali. O Dan tá discutindo a relação com a Jess.
Luke engoliu seco e olhou para Stephy, como se dissesse “tudo bem pra você?”.
— Não esquenta, Stephy. Trago-o de volta são e salvo pra você. — Ele piscou um olho.
— Eu já volto. — Ele disse, deixando um beijo na testa dela e saindo em seguida. Nate sorriu vitorioso enquanto andava ao lado do amigo. — Certo, o que foi?
— Ali. — Ele apontou para os cartazes coloridos no corredor, um pouco longe do refeitório.
— Aulas complementares? — Ele olhou assustado para Nate, parando em frente dos cartazes. — Sério mesmo que você quer passar mais duas horas na escola?
Nate revirou os olhos.
— Sim, e você vai se inscrever comigo.
— Ah, nem ferrando! — Ele gargalhou. — Gosto de estudar, mas tudo tem limite. Seis horas aqui já tá mais do que bom.
— São só duas horas a mais, cabeçudo. — Nate bufou. — E tu vai sair mais cedo, já que pode ficar sem duas disciplinas insignificantes. Vamos, Luke! Ninguém quer se inscrever comigo.
— Não, Nate. Gosto das minhas tardes livres pra treinar minha guitarra. — Ele deu ombros.
— Mas tem aula de música também! Eu vou me inscrever na teoria musical, que vai te ajudar um monte com a guitarra. E além do mais, olha só! Tem jiu-jitsu! Eu já luto boxe, imagina se eu lutar jiu-jitsu também? Vou virar um monstro.
— Nate, você já consegue bater em três caras de uma vez só com o boxe. Pra quê outra forma de bater em alguém?
— É sempre bom inovar. Vamos, Luke! Por favor.
— Não. Você não tá me convencendo. E eu tenho quase certeza que você tá é arranjando uma desculpa pra fazer outra coisa! Onde já se viu? Nathaniel Williams Farro querendo ficar na escola mais do que o necessário! — Luke debochou.
Nate se viu em uma corda bamba. O que fazer? Luke era muito esperto! Iria perceber!
— Tá bom, cara. Você venceu... tem outro motivo... — Nate sorriu de canto, fingindo estar com vergonha. Luke se recostou na parede e o olhou sorrindo de canto. — ...sabe a nova amiga da Soph? A Julia? Ela comentou que vai se inscrever...
— Sabia que tinha mulher no meio disso! — Luke gargalhou e bateu palmas.
— Tu sabe de tudo, né, espertão. — Nate revirou os olhos. — E aí, vai se inscrever comigo ou não? Eu não posso ficar sozinho na sala... vai ficar muito na cara, sabe?
— Agora que você me disse o verdadeiro motivo, eu vou. — Ele, rindo, escreveu seu nome nas aulas de teoria musical e teatro.
Nate sorriu vitorioso.
“Tudo bem, eu menti sobre a Julia. Mas consegui o que queria, certo? Certo. Estou ganhando nisso.” Ele pensou e escreveu seu nome nas aulas de teoria musical e jiu-jitsu.
— Posso voltar pra minha namorada agora? — Ele disse, sorrindo. — Já que vou te ajudar a namorar uma também, é mais do que justo, não é?
— Cala a boca. — Nate bufou. Certo, agora ele teria que aturar as piadinhas de Luke. Ele teria que agradecer muito à Nate quando largasse a loira aguada e ficasse com Sophie! Ah, se teria!
Voltou ao refeitório xingando Luke pelas piadinhas idiotas e ao ver Julia conversando com Sophie, piscou o olho esquerdo. Ele havia cumprido com êxito a sua parte.
— Vou ver se acho o Dan. — Nate disse ao ver Luke se sentar ao lado de Stephy. — Tchau, Stephany.
— Tchau Nate. — Ela acenou e ele saiu do refeitório.
No outro canto do refeitório, Julia e Sophie conversavam e comiam. Ainda faltavam dez minutos para o fim do intervalo.
— Qual é, você não pode me odiar pra sempre só por que você tocou a Ignorance na frente de todo mundo. — Julia revirou os olhos, tomando mais um gole do seu suco.
— Posso sim. — Sophie revirou os olhos. — Você prometeu não contar pra ninguém e aí, quando teve a primeira oportunidade, abriu a enorme boca.
— Seu tio não te odeia, Soph, deixa de drama. — Julia deu ombros.
Sophie havia contado a ela sobre o fim de tarde, depois que Jason foi embora com sua família, Sophie tentou conversar com Jeremy. Ele não estava com raiva, ao menos, não demonstrou. Mas a decepção estava crente e clara em sua voz.
— Eu... só o amo demais pra fazer ele ficar com raiva de mim. — Ela mordeu o lábio inferior. — Tio Jerm e tio T. sempre foram como segundos pais pra mim...
— Se eles são como segundos pais, você deve ser como uma filha. Então deixa de bobagem e pare de me odiar.
— A culpa é toda sua! Aquela música era pra ficar na minha agenda até o fim dos tempos. Só nela! — Sophie bufou.
— Algo tão bom assim não merece ficar escondido num pedaço de papel. Por mim você gravava.
— Você tá louca, Julia. Sério. E cale a boca! Ainda estou com raiva de você. — Ela revirou os olhos.
— Mas por quê? Você só tocou por que o Luke te intimou. — Julia deu um risinho vitorioso.
— Não pronuncie o nome dessa ameaça na minha presença. — Ela bufou.
— Fala sério, Sophie! Você gostou de chamá-lo de ignorante na frente de todo mundo. Vai negar? — Sophie se calou durante alguns momentos.
— Talvez. — Concluiu. Mas ela sabia que sentia prazer em implicar com Luke.
— Talvez, ok. — Julia repetiu e sorriu, fazendo que não com a cabeça. — Quero ir ao banheiro antes do intervalo acabar, vem comigo?
— Ok, estou indo. — Sophie limpou a boca com um guardanapo e seguiu Julia pelos corredores.
Iam conversando coisas banais até Julia passar onde queria. Sim, o corredor dos cartazes.
— Olha! — Ela disse.
— Parece que são aulas complementares. — Sophie deu ombros e continuou andando, mas sentiu Julia puxar seu braço.
— Se inscreve comigo? — Julia pediu. Sophie a olhou estranho.
— Sério mesmo que você quer passar mais duas horas na escola? — Ela perguntou, ainda sem entender.
— Qual é, Soph. Sabe, tudo pra fugir das aulas de sociologia... e além do mais, tem teatro! E música! E é de graça, qual é. Você tem tudo a ver com teatro e sabe disso, daria uma ótima atriz.
— Não, obrigada. Gosto de ficar na escola apenas o tempo necessário.
— Ah não, Soph. — Julia bateu um dos pés. — Se inscreve comigo, por favor? Eu sou nova na escola! Não conheço ninguém e vou ficar deslocada. Tu só precisa ir comigo as aulas... não vai ser chato, por favor!
— Não, Julia. — Ela revirou os olhos. — E além do mais, não me parece o suficiente pra você querer ficar mais tempo além do normal no colégio. Sério, você, Julia Leslie Bynum, querendoestudar mais do que o exigido por lei? Não parece você!
— Ok! — Ela disse alto. Sim, estava de mãos atadas. Ela precisava fazer Sophie se inscrever naquilo. — O Nate disse pra mim que vai se inscrever na teoria musical...
— EU SABIA! — Sophie bateu palmas e começou gargalhar. — Eu sabia! Eu sabia!
— Cala a boca!
— Eu sabia! — Sophie não conseguia parar de repetir.
— Tá certo, ok? Eu quero ficar perto dele, mas sem você não dá. Por favor, assina essa merda de lista e para de rir?
— Ah, qual é, Juzy. — Ela sorriu. — Você sabe que pra ficar perto do Nate é a coisa mais simples do mundo.
— Você vai se inscrever comigo agora, sim ou não?
— Agora sim. Por que eu sei o motivo real disso tudo. — Ela sorriu e escreveu seu nome na aula de teoria musical. — Qual é a segunda que escolho?
— Teatro, eu disse. — Julia disse sorrindo. Sim, ela havia mentido sobre Nate, mas... sabia que Luke escolheria justamente teatro também.
— Certo. Teatro, então. — Sophie escreveu seu nome no papel. — Agora vamos ao banheiro por que só faltam três minutos pro intervalo acabar, cunhadinha.
— Se ferra, Sophie. — Ela ouviu a risada da garota ecoar pelo corredor meio vazio.
Logo Sophie e Julia estavam dentro da sala onde seria a aula de geografia. E sim, nessa mesma aula, Stephany era colega delas.
Como foram uma das primeiras a entrarem na sala, elas viram quase toda a movimentação de alunos entrando. Até que viram as madeixas loiras de Stephy darem existência.
— Cara, que cheiro horrível de galinha amarelona que surgiu agora, né? Urgh! — Julia disse o mais alto que conseguiu. Sim, ela amava provocar Stephy. Queria ver até onde ela agüentaria.
Stephy apenas revirou os olhos e ignorou. Seu plano já estava pela metade, ela não podia colocar tudo a perder agora.
Logo o professor apareceu e a aula começou.
— Quero todas as atividades nos cadernos aula que vem, certo? E vocês sabem. Se poucos alunos fizerem, ela pode valer uma nota bem significativa... — Ele, novamente, disse a mesma coisa que sempre dizia. E no final, acabava fazendo os alunos sempre fazerem as atividades. — Lembrem-se de que quem precisa de nota aqui não sou eu, e sim, vocês.
— Descobriu isso sozinho? — Julia sussurrou e Sophie reprimiu um sorriso.
— Ah! Quase me esqueci de contar pra vocês! — O professor se sentou em cima da mesa, tirando toda a atenção dos alunos e os fazendo olhar para ele.
— O quê? — Um deles perguntou.
— Eu e os professores de biologia, história e educação física fizemos um projeto que já foi aprovado pelo conselho e pela diretoria. — Ele juntou as mãos.
— O que é? — Outro aluno perguntou.
— Um acampamento educativo no fim de semana. Nas florestas de Brentwood! — Ele disse empolgado e a sala disse um “aahn” despontado em uníssono.
— É obrigatório ir? — Sophie perguntou.
— Sim, senhorita! — Ele respondeu com bom humor. — E que isso, pessoal! Vai ser legal. Um fim de semana inteiro na natureza, apreciando as árvores, estudando a terra... tem coisa melhor?
— Tem. — Julia.
— Seguinte: o primeiro e o segundo ano vão pro acampamento. Vamos mandar os bilhetes para os pais de vocês assinarem.
— E quando é essa tortura? — Julia, novamente, perguntou.
— Muito engraçado, Srta. Bynum. — Ele ironizou — No primeiro fim de semana de novembro, ou seja, daqui a duas semanas.
— Vai demorar pra caramba ainda! — Um outro aluno disse.
— É, vai. Mas eu achei que ia ser bom dizer logo para vocês.
— É só o que me faltava! — Sophie sussurrou. — Detesto vegetações.
— É, eu também. — Julia torceu os lábios.
— Hm, sei. Na verdade tu só detesta por que o meu maninho ainda tá na oitava série, isso sim.
— Cala a merda da boca, Sophie, sério. — Ela revirou os olhos. Já estava começando a se arrepender da mentira que havia contado.
Mentira, é claro, na cabeça dela.



[...]



A campainha tocou duas vezes até um rapaz atender. Ele tinha os cabelos loiros no rosto e estava com um skate na mão.
— Ei, Bill. — Luke o cumprimentou.
— Minha irmã tá lá em cima. — Ele disse apenas e saiu pela porta, andando em cima do skate. Luke fez que não com a cabeça. Bill era... tão diferente de Stephy. Não fisicamente, mas... moralmente. Nem pareciam irmãos, afinal, mal se falavam.
Ele subiu as escadas e bateu na porta do quarto de Stephy. Ela não a abriu, mas Luke escutou a voz dela atravessarem a porta.
“Droga, Jenny! Por que você está fazendo isso comigo, poxa? Eu... não, Jenny, por favor, não desliga! Não faz isso, ele não vai acreditar em mim! Jenny... não! Por favor, eu te imploro, me desculpa...”
Ela estava dizendo tudo aquilo no maior desespero do mundo. Estava, com certeza, chorando. Luke preocupou-se.
“Me desculpa, por favor. Não faz isso, eu tô te implorando... Jenny, não desliga! NÃO!”
Ele abriu a porta e viu Stephy com o rosto completamente vermelho, chorando e gritando com o telefone. Ela soluçava fortemente. Luke nunca a havia visto daquela forma!
— Stephy, o que houve? — Ele correu até ela, procurando abraçá-la, mas ela virou-se de costas e tentou secar as lágrimas.
— Vai embora, Luke! O que você tá fazendo aqui?
— Eu vim te ensinar trigonometria, lembra? Mas, não foge de mim, me diz o que houve.
— Você não vai acreditar, Luke... ninguém vai acreditar em mim... — Ela soluçou novamente e Luke a virou para ele, abraçando-a fortemente. Stephy afundou-se em seus braços e chorou durante vários minutos.
Ele se sentou em sua cama, ainda segurando-a, e limpou suas lágrimas. Doía ver Stephy daquela forma... era de cortar o coração.
— Olha pra mim. — Ele disse com voz quase angelical. — Me diz o que houve, por favor. Eu juro que vou acreditar em você... o que a Jenny te fez?
— Ela... ela quer me derrubar... — Ela disse com a voz embargada pelo choro. — Ela quer tirar tudo o que eu amo... ela... ela quer me ferrar, Luke...
— Por quê?
— Por que eu contei pra mãe dela... que... ela não era mais virgem... — Stephy soluçou novamente. — Eu não fiz por mal! Eu achei que ela já sabia, mas... ela não sabia... e agora a Jenny quer se vingar... E... — Ela tentou continuar, mas, novamente, o choro tomou conta dela.
— Calma, linda... se acalma. — Luke limpou as lágrimas dela. — Por favor, me corta o coração te ver assim.
— Ela vai me tirar de você. — Ela disse num soluço.
— Isso não vai acontecer, ok?
— Ela... pegou uma redação da Sophie com a professora de inglês... E ela vai dizer pra escola toda e pra você que fui eu quem escrevi aquela carta. — Ela disse tudo de uma vez e Luke ficou perplexo. — Não fui eu, Luke! Eu juro que não fui eu! Ela quer acabar com a minha vida dentro daquele colégio! Ela quer tirar você de mim! Por favor, acredita em mim... por favor... — Ela, novamente, entregou-se ao choro.
Luke ficou surpreso. Jenny não era o tipo de pessoa que ele pensara que era!
— Eu acredito em você. — Ele disse e se aproximou de Stephy novamente, fazendo-a ficar em seus braços. — Ela não vai me tirar de você, ok? Eu vou resolver isso, eu prometo. Agora se acalma.
— Eu amo você. — Ela disse ainda se afundando em seu ombro. Ele beijou sua cabeça.
Pensou em responder “eu também”, mas... não sabia se seria sincero.
Apenas a apertou mais contra o seu corpo. Sabia que seu abraço a faria se sentir melhor.



[...]



Luke bateu na porta, que logo após foi atendida por Jenny.
— Luke? — Ela estava confusa.
— É. — Ele concordou. — Seguinte, eu vou ser direto: Eu já estou sabendo de tudo, tá legal? E eu quero que você pare com esse planinho idiota de contar pra escola inteira. Eu não vou deixar, ok?
— Por que algo me diz que você não está sabendo de tudo? — Ela sorriu de canto e se recostou na porta. — Stephy te contou que ela escreveu a carta?
— Você sabe muito bem que ela não escreveu nada. E é o seguinte, eu não vou deixar você arruinar o meu namoro com ela e a vida dela naquele colégio por vingança idiota.
Jenny fez que não com a cabeça.
— Não acredito que ela cegou você... não acredito, cara.
— Para com isso, Jenny. — Ele sorriu debochadamente. — Você sabe que está sendo ridícula.
— Eu? Luke, aquela menina fez de tudo pra te ver longe da Sophie. Ela arranjou briga com ela e com a amiga dela, ela escreveu a carta pra fazer vocês dois se odiarem, e você ainda defende ela?
— Ela não escreveu nada e nem arranjou briga com ninguém.
— Certo, Luke, presta atenção. Se você prefere se cegar e acreditar em tudo o que a Stephy diz, o tempo vai te fazer quebrar a cara. E já que é assim, já que você prefere acreditar nela, tudo bem! Eu não vou mostrar a redação da Sophie que eu achei nas coisas dela pra ninguém. — Ela parecia extremamente calma. Passou uma mão pelos cabelos e se afastou, para fechar a porta. — Boa sorte. Vai precisar, se for lidar com a minha prima. — E fechou a porta.
Luke bufou. Jenny estava querendo confundi-lo!
Foi em direção a sua casa. Só sabia que precisava de um banho morno e uma boa partida de beisebol com o pai para animar, mesmo que um pouco, o seu dia.


*****


Três dias se passaram. Eram quase duas e meia da tarde, e Julia já estava na casa dos Farro. Estava ansiosa para o início das aulas complementares. Nate já havia ido, e ela apenas esperava Sophie terminar de se arrumar para ir com ela. Seria tudo muito simples: Dois horários. Uma hora cada um.
— Estou animada! — Julia disse.
— Sei o porquê. — Sophie gargalhou da própria piada enquanto terminava seu lápis de olho.
— É sério. — Ela rolou os olhos. — E eu já disse, só falei aquilo pra você aceitar vir comigo. Não quero ser a novata deslocada.
— Pode negar o quanto quiser, Juzy. Eu não ligo.
Julia bufou.
— Quero ver como serão as aulas... parece que vão ser bem legais.
— Tomara que sejam mesmo. — Sophie terminou a linha de cor embaixo dos olhos e pegou a mochila. — Vamos?
— Aham. — Julia concordou e se levantou.
A verdade é que Julia estava mais do que ansiosa para ver o que aconteceria nessas aulas! Sophie e Luke estavam juntos em todas elas! Isso era emocionante.
Oras, uma hora eles teriam assumir que se amavam! Ou ao menos... dar uns beijos. É, ao menos isso.

Nenhum comentário:

Postar um comentário