23 de set de 2012

Capítulo 51

You're still you.



A garota de cabelos pretos curtos e olhos verdes vivos saiu do portão de desembarque, já entrando no aeroporto.
Depois de tudo feito lá, ela saiu do aeroporto e respirou fundo. Sorriu.
Seu namorado havia ficado em Los Angeles para resolver algumas coisas com seu melhor amigo e sua equipe. Ela, depois de conversar com ele e dele concordar, decidiu seguir para Nashville (afinal, nada de todas as coisas a serem resolvidas tinha a ver com ela) e rever sua melhor amiga depois de quase dois anos.
Estava animada e ansiosa quando chamou o primeiro táxi que viu. Antes de entrar nele teve que responder uma pergunta de uma garota de no máximo treze anos de idade que sorriu furtivamente ao vê-la. Depois de respondê-la, ela naturalmente fez outra pergunta: “Ele também veio?”.
Fez que não com a cabeça e entrou no carro amarelo que já estava com o taxímetro ligado.
Com o endereço certo, o homem seguiu em direção à casa de Hayley.
Demorou apenas quarenta minutos (que poderiam ter sido reduzidos pela metade, não fosse o trânsito pesado) para o taxista chegar ao lugar indicado. Depois de pagar, a morena saiu do carro e pegou sua única mala.
A arrastou até a porta e rodou a maçaneta. Estava aberta.
Entrou devagar sem fazer nenhum barulho. Deu de cara com Jason. Ele abriu a boca, totalmente surpreso, pronto para gritar. Ela colocou o dedo na frente da boca, pedindo para ele fazer silêncio. Jason sorriu.
— Ela está lá em cima. — Ele sussurrou e pegou sua mala.
Subiu as escadas e entrou no quarto que ela já conhecia. Abriu a maçaneta devagar e viu a ruiva no canto esquerdo do quarto, passando um batom.
— Hm... que gata. — Ela disse alto e Hayley se virou. Sorriu instantaneamente.
— OMG, Sarah, sua louca! — Ela gritou e saiu correndo, atropelando tudo o que estava a sua frente (pulando por cima da cama e do violão) e abraçou a melhor amiga com força.
— Ok, Hayles, eu sei que faço falta e que é impossível viver sem mim, mas eu necessito de ar para respirar... Me solta!
— Ah! Sua vaca! Como você vem assim sem nem avisar?
Sarah riu.
— Incrível. Eu te faço uma surpresa e você me agride verbalmente. Bela melhor amiga eu fui arranjar.
— Ah, qual é. Você sabe que não vive sem mim. — Hayley brincou.
— É, você tem razão. — Sarah riu e abraçou novamente a amiga. — Enfim! Brend tem que gravar mais umas coisas na Califórnia e eu tava morrendo de saudade, decidi adiantar minha vinda pra cá. Ele chega em mais ou menos uma semana com o Spenc e o pessoal todo da turnê. E... meu Deus, eu tenho um zilhão de novidades pra te contar!
— Acredita, seja lá quais forem as suas novidades, as minhas são bem mais fortes. — Hayley riu devagar.
— Ah é? — Sarah arqueou uma sombrancelha. — Pois eu vou querer saber de cada detalhe, ouviu?
— Sim, senhora. — Hayley riu.
— Agora vamos descer, eu fiz o pobre do Jason pegar a minha mala e ainda ficar calado. — Sarah disse rindo.
Elas desceram as escadas.
— Hey, Jasy! — Sarah abraçou forte o homem. — Desculpe te fazer ficar calado ainda a pouco.
— Ah, não. Tudo bem. — Jason sorriu. — Chegou em boa hora, fiz um belo café pra nós.
— Sério?
— Claro que sim! Flocos de milho sabor chocolate e bebida láctea.
Sarah fechou a cara.
— Mas isso é só um nome complicado pra cereal e leite.
— E isso não é ótimo? — Jason brincou e elas fizeram que não com a cabeça. — Ok, ok. Vou fritar os ovos e o bacon. — Ele deu de ombros e saiu do corredor, indo em direção a cozinha.
Elas o seguiram.
— Ei, vocês não viram nada de diferente em mim? — Ela disse, como se algo fosse óbvio.
Hayley a olhou de cima a baixo.
— A meia calça estranha conta?
— Não. Preste atenção, Hayley. — Ela revirou os olhos. Hayley gargalhou.
— É claro que eu já notei! Eu sou promoter, gata. A primeira coisa que eu vejo é a mão da pessoa. Quando você ficou noiva? — Hayley parecia alegre, mas não surpresa.
Jason se surpreendeu totalmente.
— NOIVA? VOCÊ VAI SE CASAR?
— Vooou! — Sarah disse e Hayley a abraçou.
— Ah, dude, parabéns! Mas me diz, quando isso aconteceu? Como aconteceu?
Hayley tentava não comentar nada sobre a festa.
Mas uma chama a consumia por dentro. E se essa chama falasse, ela diria: “Eu quero promover o casamento de um dos astros de rock que ganhou o VMA desse ano que por acaso é um dos meus melhores amigos, socorro!”
— Foi lindo! — Sarah exclamou. — Estávamos no Brasil, mês passado (inclusive, note meu bronzeado perfeito. Terras tropicais, baby) e nós estávamos em uma ilha que ele tinha alugado só pra gente e eu achei o anel na minha água de coco.
— Awn! Que incrível! É diamante, né? — Hayley disse pegando a mão de Sarah. A pedra reluzia tanto que poderia cegar.
— Sim.
— E por que você não me disse antes, louca? A gente se falou por telefone não tem nem três dias!
— Eu sei, mas seria mais emocionante te contar pessoalmente.
— Se eu não for o padrinho, não se considere mais minha amiga. — Jason disse e o cheiro de bacon fritando subiu.
Sarah gargalhou.
— Felizmente, já escolhemos os padrinhos. E você, é lógico que está entre eles. Mas você vai ter que entrar com outra mulher.
— Por quê? — Ele perguntou.
— Por que por infelicidade, você é casado com a nossa promoter. — Sarah brincou e os olhos de Hayley brilharam.
— É sério?
— Claro. Eu sei que você queria, fala sério.
— É... pois é... — Hayley sorriu.
Mesmo que ela já fosse conhecida por ser amiga da Panic! at The Disco, produzir o casamento de Brendon seria importantíssimo para a sua carreira.
Logo o café ficou pronto e os três comeram, enquanto conversavam.
Depois disso Jason avisou estar saindo para trabalhar.
— Hm... você também vai trabalhar hoje, né? Pode me deixar no hotel? — Sarah perguntou para Hayley.
— Como assim hotel? — Jason. — Você vai dormir aqui, bonitinha.
Sarah riu.
— Eu até gostaria, mas não tem como. Acredita, a sua casa ficaria infestada de adolescentes histéricas e além do mais, eu já deixei o hotel pago.
— Ah, Sarah... — Hayley ficou triste. — Não pode mesmo fazer um esforço?
— Não... Mas não se preocupem, eu vou passar a semana inteira grudada em vocês. — Sarah brincou. — Mas e você, vai trabalhar agora, Hayles?
— Eu ia, mas na verdade, tudo o que eu tenho hoje é uma reunião com os Generais à tarde. Eu posso esperar um pouco. — Hayley brincou.
— Ah, é. Você tem que ir rever ele, né. — Jason disse impaciente e controlando-se para não demonstrar sua raiva novamente. E brigar novamente.
Hayley bufou e decidiu não responder.
Não queria começar mais uma discursão sobre aquilo. Não na frente de Sarah.
Sarah, por sua vez, decidiu calar-se também. Mesmo que a curiosidade dentro de si a dislacerasse por completo, ela conseguiu se conter com muito esforço.
Jason respirou fundo e se recompôs. Aproximou-se e deixou um beijo na testa de Hayley, despedindo-se em seguida.
Hayley colocou uma mão na cabeça e respirou fundo.
Acontece que a sua briga com Jason não havia terminado. Ele tentava se conter, mas era impossível. Toda vez que ele ficava sabendo, ou via Hayley trabalhando na festa, ou quando qualquer comentário era feito, ele explodia. Perdia o controle, dizia coisas sem sentido, era irônico, irritado.
Hayley parara de discutir para não prolongar a briga. E logo depois, ele voltava arrependido, pedia desculpas... E tudo começava outra vez.
Ela não estava agüentando mais aquela situação.
Mas só precisaria esperar pouco mais de um mês para a festa acontecer e tudo isso acabar. Então ela deixaria de ver Josh e sua vida com Jason seria feliz como antes. Decidiu ser forte e agüentar firme.
Quando o carro deu partida, Sarah não se conteve.
— Ok, me conta, por que essa tensão toda?
Hayley suspirou.
— Lembra da festa militar que eu disse que ia fazer?
— Sei... Sei, claro. A parada dos Generais.
— Então... Advinha quem é o militar que vai ser nomeado a General! — Hayley fez falsa empolgação.
Sarah gritou, surpresa.
— Meu Deeeeus! Eu não acredito, não acredito, não acredito!
— Eu também não acreditei, é sério.
— Mas... Nossa! Então é essa a maior novidade de todas?
— É.
— Você tem razão. Reencontrar Josh Farro é maior do que tudo. — Ela riu.
— O pior foi que eu não pude negar! Eu ia desisitr de tudo e largar, sabe, mas eu perderia meu emprego... minha carreira inteira... E droga! Ele já estragou demais a minha vida. Eu não vou deixar isso acontecer de novo.
— E o Jason?
— Ele soube e ficou muito enciumado. Na verdade, no começo ele era compreensivo, sabe? Mas de uns dias pra cá... Ele ficou agressivo... Chegou bêbado e exigiu que eu deixasse a festa... Depois pediu desculpa... E agora é assim. Ele fala merda, sai todo cheio de raiva, volta depois arrependido e pede desculpa. E aí começa tudo outra vez.
— Uh... é, que tenso.
— É...
— E como ele agiu?
— Quem?
— O Josh.
— Ele não é o mesmo, Sarah. É um tipo de homem frio e sarcástico. Ele mudou muito. E... diz que ainda me ama. Discutimos quase sempre que nos encontramos.
— Vocês discutiam toda vez antigamente...
— É diferente! — Ela disse mais alto do que desejara. — Naquela época não era sério! As discursões faziam parte do nosso relacionamento... Na verdade, eu amava odiar aquele idiota.
Um brilho involuntário surgiu nos olhos de Hayley.
— Talvez... hoje você apenas odeie amá-lo.
Hayley riu.
— Sarinha, presta atenção. — Ela olhou nos olhos da amiga. — Eu odeio o Coronel Farro, entendeu? Ele me fez sofrer pra caramba, e eu o odeio. Muito. E dessa vez é de verdade.
— Você que sabe, amiga. — Sarah disse apenas para não contrariar a amiga.
Mas era notável no rosto de Hayley que ela estava mentindo.
Não para Sarah.
Para si mesma.
Depois de mais alguns minutos conversando sobre Sarah e Brendon, Hayley concordou em levar Sarah para o hotel. Ela não iria com Katt nesse dia por que precisaria do carro para ir a instalação militar de Nashville, e nem ela, nem Alana, poderiam ir.
Assim que Sarah entrou no hotel Hayley seguiu para a empresa de promoções de festas. Fez os últimos ajustes enquanto isso e mostrou para Nicky seu projeto de cerimônia. Ele amou.

[...]

Hayley parou o carro no estacionamento. O seu era o único que tinha uma cor azul padrão. Todos os outros tinham diversas cores de verde.
Trancou o carro e começou a andar, até atravessar o enorme portão.
O lugar era muito amplo. Haviam várias “casas”, que ela julgou serem dormitórios. Haviam vários lugares com obstáculos e vários soldados enfileirados em alguns cantos do lugar.
Alguns homens corriam marchando pelos lugares. Outros pulavam uma espece de muro feito de corda. Alguns faziam flexões. E na frente de todos eles havia um homem em pé, gritando e dando ordens.
Também haviam homens andando livremente pelo lugar. Esses, pareciam se vestir melhor. Não marchavam, porém o caminhado deles eram perfeitamente compassados e bem-feitos.
Andou por alguns lugares e não encontrou quem procurava. Decidiu então perguntar para dois homens fardados, que pareciam não estar trabalhando. Eles estavam encostados em um dos dormitórios.
Ela pigarreou e os dois homens a olharam, sorrindo.
— Com licença. — Ela pediu.
— Pois não?
— Estou procurando o Coronel Farro... Sou da PartyPromover, responsável pela festa de nomeação militar dele.
— Ah, sei. O Generalzinho. — Um dos homens brincou. — É um rapaz incrível. Um dos melhores militares que eu já vi. Mesmo sendo muito novo.
Hayley riu por simpatia.
— E o Sr. sabe onde ele está?
— Não...
— Eu sei. — O outro rapaz cortou. — Ele está na arena... A Sra. segue e vira a direita e entre no terceiro pavilhão. Eu vi o treinando lá.
Ela sorriu.
— Obrigada. — Os dois homens levaram uma mão a cabeça e retiraram em seguida, cumprimentando-a de forma militar.
Hayley foi andando em direção ao lugar onde o homem a indicou.
Virou à direita e contou os pavilhões.
Ao entrar no terceiro, que tinha uma porta comparavelmente menor do que as demais, ela se surpreendeu com o que viu.
Havia um ringue azul, e alguns sacos de areia espalhados pelo lugar. Alguns colchonetes e cordas jogados pelo chão de cores estridentes. Mas não foi isso que prendeu imediatamente a sua atenção.
Havia um homem batendo com ferocidade num saco vermelho.
Ele estava de costas e alternava os socos dados no pobre saco de areia. Uma perna a frente, outra para trás. Ele usava apenas um short médio meio solto, mas que mesmo assim o realçava consideravelmente. Os músculos de suas coxas estavam contraídos, o que as deixava maiores. Alguns fios de suor escorriam pelas suas costas nuas super bem definidas e ouvia-se de longe sua respiração pesada que alternava com os socos.
Hayley não conseguiu falar. Continuou andando.
Ele ouviu o barulho de suas botas contra o chão de cimento queimado e se virou. Sorriu.
Os cabelos relativamente curtos estavam grudados ao seu rosto. Em seu olhar havia um brilho indescritível, capaz de penetrar a alma.
Seu peito... como havia mudado, Deus... Estava tão melhor, tão mais definido, tão mais forte... e as gotas de suor o realçavam de forma tão intensa...
E os seus belos braços, fortes e grandes, completavam perfeitamente o seu pacote de beleza masculina.
Josh passou uma mão pelos seu ombro enorme e bem definido.
— Está surpresa? — Perguntou, sarcástico.
Como se não soubesse a resposta.
— Não sabia que você havia começado a lutar. — Ela respondeu e, com grande esforço, deu de ombros, retirando o olhar do lindo corpo de Josh.
— Comecei assim que voltei de Israel. Um soldado, Nate, me ensinou o ofício do boxe. Eu aprendi com gosto e pratico como homenagem à ele. — Pela primeira vez, Josh não foi sarcástico. Em sua voz havia orgulho, lealdade.
— E ele é Coronel, assim como você? — Hayley perguntou, sem se conter.
Josh abaixou a cabeça.
— Ele foi baleado na guerra.
Hayley engoliu seco. Sentiu-se culpada.
— Me desculpe.
— Não é necessário. Na verdade, tudo o que eu sou hoje eu devo à duas pessoas. E Nate é uma delas. Ele me ajudou desde sempre, e deu a vida por mim. Ninguém faria o que ele fez. Ele se atirou e me protegeu da bala que teria me matado... Ele é o meu herói.
A visão do pesadelo que Hayley tivera seis anos antes passou pelos seus olhos como um raio.
Seu olhar ficou amedrontado.
— Ele... tinha olhos verdes?
— Tinha... Como você sabe? — Josh perguntou, surpreso.
— Foi palpite. — Ela deu de ombros, mudando de assunto. — Enfim, não posso perder tempo. Eu trouxe o modelo correto da cerimônia. Preciso conversar com os seus superiores, então, Coronel, seria bom se o Senhor vestisse uma roupa apresentável.
Josh sorriu de canto.
— Sim, Senhora! — Ele debochou e Hayley revirou os olhos.
Josh desenrolou a luva de sua mão e as jogou em um colchonete. Passou os dedos pelos cabelos e saiu em direção à um banheiro que ficava no canto esquerdo do lugar.
Hayley o viu saindo. Não pode deixar de olhar o movimento de suas pernas grossas se movimentando e suas costas perfeitamente alinhadas saírem de seu campo de visão.
Balançou a cabeça negativamente e passou uma mão sobre ela.
Ela não podia ter esses tipos de pensamentos em relação à Josh! Ela amava Jason! Odiava Josh!
E... tá, tudo bem. Ele pode ser um insuportável. Mas é um insuportável muito bom.
— Senhora Williams? — Uma voz grave a fez levar um susto. Virou-se e viu um homem de aparência de 50 anos, bem apessoado, vestido militarmente, assim como todos ali.
— Sim... General Shadows? — Ela perguntou e o homem fez que sim com a cabeça. Beijou sua mão.
— Fiquei sabendo pelos Tenente Linton que a Sra. já estaria aqui.
— Sim, o Tenente me ajudou em relação a minha localização. — Hayley sorriu simpaticamente.
— Bem, e como vai a festa?
— Está bem! Eu trouxe o planejamento completo da cerimônia.
— Estou ansioso para vê-lo. Todos falam muito bem da Sra.
— Apesar de ser minha primeira festa militar, estou dando o meu melhor para que saia impecável.
— Bom saber. — Shadows sorriu.
Nessa mesma hora, Josh saiu do banheiro, já recomposto e vestido com sua farda costumeira. Cumprimentou militarmente o General mais velho, que exibia seis estrelas brilhantes e douradas em suas ombreiras.
— Então, Sra. Williams, vamos à apresentação? — Josh perguntou, parecendo esquercer-se do que havia tido momentos antes.
Hayley sorriu e percebeu que ele a respeitaria, caso estivesse rodeado de superiores.
— Claro, Coronel Farro.
— Vamos. — Shadows disse.
Ele conduziu Josh e Hayley, que não trocaram sequer uma palavra durante o caminho, até um pavilhão onde alguns homens fardados os esperavam, sentados à uma mesa quadrada.
Hayley cumprientou a todos que a receberam com um sorriso simpático no rosto e foi até o canto da mesa. Levantou-se, enquanto os homens ficaram sentados.
Começou.
— Bem. A cerimônia começaria bem convencional. O Coronel chegaria, vestido adequadamente, em um jipe militar. Os fuzileiros, que estariam de fora do lado, perfeitamente sincronizados, atiraraiam para cima. Farro os cumprimentaria e marcharia devagar até dentro do salão, onde os senhores os estariam esperando. Cumprimentariam-se, e os senhores colocariam a ombreira militar, as estrelas e o crachá, já escrito “General Farro”. Teriam os discursos, e, se os Senhores quiserem, as fotos para a imprensa.
— Imprensa? — Josh manifestou-se.
— Sim, eu fiquei de saber se os senhores iriam querer imprensa na nomeação. Afinal, o Senhor Farro é o General mais novo do TN. Conseguiu em 8 anos o que um homem comum levaria muito mais para conseguir. Tenho muitas fontes e seria muito fácil conseguir imprensa para a festa.
Os homens se entreolharam.
— Não sei se é uma boa idéia. — Josh. — Não entrei para o exército pela fama. Não quero reconhecimento exagerado.
— Coronel, pense bem. — Shadows — Não seria melhor que o Senhor fosse reconhecido pela imprensa e incentivassem os nossos jovens a se alistar mais?
— Não, General. Acredito que todos os jovens tem seu direito de escolha. Eu não quero imprensa.
— Bem... então que assim seja. — Shadows.
— Ok, sem imprensa, então. — Hayley anotou. — E quanto a idéia da cerimônia, está certa?
Os seis homens fizeram que sim com a cabeça. Hayley sorriu de canto.
Josh teria recusado e feito ela trabalhar dobrado se os seus oficiais não estivessem ali!
— Então... ok. Quando os discursos acabarem e tudo se resolver, vão iniciar-se os comes e bebes. Uma banda vai subir ao palco. E será aí que a festa terá o ar descontraído de uma festa comum. Será divertida e... chique, ao mesmo tempo. Haverão detalhes em dourado, prata e verde fosco e garçons vestidos adequadamente servindo champagne e petiscos especiais. A música será animada e, assim que a banda terminar sua apresentação, virá um DJ para tocar uma música mais animada, o que vai chamar os convidados para dançar. Contrataremos os melhores fotógrafos para marcar o dia tão importante.
Os homens aplaudiram Hayley, que sorriu.
— O Coronel está de acordo?
Josh sorriu de canto, orgulhoso.
— Totalmente. Parabéns, Sra. Williams.
Hayley ficou surpresa.
O que é isso agora?
Ele havia passado os últimos 15 dias criticando tudo e agora estava totalmente de acordo?
— Obrigada...? — Ela disse, ainda sem acreditar.
— E quando começarão os ensaios?
— Ah, sim. — Ela se recompôs — Daqui à três dias terá o primeiro ensaio. Quando ao resto, hoje mesmo tomarei providências para que se inicie o trabalho.
— Então, damos por encerrada nossa reunião? — Shadows.
— Sim, damos. — Hayley respondeu. Shadows apanhou sua mão e a beijou novamente, despedindo-se.
— Até qualquer dia, Sra. Williams.
— Até, General.
— Farro, acompanhe a moça até o seu carro. — Ordenou o homem. Hayley arregalou os olhos.
— Não, não preci-
— Sim, Senhor, Coronel. Será um prazer. — Josh respondeu sorrindo e virou-se, fazendo Hayley segui-lo sem poder argumentar.
— Então... como vai o seu casamento? — Josh perguntou limpando a garganta em seguida, quando os dois já estavam entrando no estacionamento.
— Ótimo.
Ele sorriu sonoramente.
— Não foi isso que me pareceu há uma semana atrás, quando faltei partir a cara do seu maridinho em duas partes por ele ter morrido de ciúmes de mim. Não fiz isso apenas por que ele estava bêbado demais.
Hayley sentiu o corpo gelar.
— Você viu o Jason há uma semana? No PUB?
— Sim, eu o encontrei lá. E ele ficou bem irritadinho comigo... — Josh sorriu de canto. — Sabe, Hayley, ele não é homem o suficiente pra você.
— Cale a sua boca, Josh. — Ela disse, irritada, e se colocou na frente dele. — Jason não se irrita por pouca coisa, se ele ficou com raiva, teve motivo. Aliás, o simples fato de olhar no teu rosto já é um grande motivo de sentir raiva. E outra, você não tem o direito de encostar um dedo sequer nele, entendeu? Ele é sim, o suficiente e ótimo pra mim, diferente de voc-, do Senhor. — Ela corrigiu rapidamente.
— Você se engana. Jason arranjou briga e se exaltou. Ele estava bêbado. E se engana de novo, fingindo que ele é o homem para você. É tudo uma mentira, Hayley, que você conta pra si mesma.
— Ah, fala sério! Você não sabe de nada da minha vida, Josh! Não sabe dos meus sentimentos! Eu amo o Jason, ele é o homem pra mim. E você fique quieto! Você não tem nada a ver com isso!
— Sim, eu tenho. Hayley, ele não é o suficiente pra você. Nem nunca vai ser. Sabe por que? Porque eu sou o homem pra você, Hayles, sempre fui. Você nasceu para mim.
Ela riu.
— Você já foi o garoto pra mim, Josh. Mas hoje o homem pra mim é o Jason. O homem que me ajudou quando eu mais precisei. O homem que nunca quebrou nenhuma promessa. — Ela afirmou com total certeza.
— Hayley... — Josh deu um passo para frente. — ...eu fui, sou, e sempre serei o homem pra você... Sou eu que te ama, lembra? Eu nunca esqueci você, mesmo depois que eu voltei da guerra e me disseram que você estava com a sua vida, feliz e tentando me esquecer... Eu nunca te esqueci porque esse coração que bate no meu peito bate por você... Enquanto eu atirava e lutava, você estava no meu pensamento, me dando força pra continuar... Nate sabia disso, e ele morreu para eu voltar e te ter... Eu assumo toda a minha culpa e todo dia, eu juro, todo dia eu me culpo por ter feito saírem lágrimas dos teus lindos olhos. Eu assumo que quebrei todas as promessas que fiz, assumo minha culpa. Mas... você nunca saiu de mim. Você sempre esteve comigo. Eu sonhava com você todo dia. Você está no meu pensamento constantemente, sempre. Me escuta e presta atenção: Eu sou seu. E você é minha, não importa com quem você esteja agora, você é minha. Eu amo você, de todo o meu coração... e eu... eu sei que você me ama também. — Ele aproximou perigosamente o seu rosto do dela.
Hayley estava pasma com todas as palavras dele e, por um momento, lembrou-se do Josh antigo.
Aquele Josh que ela havia aprendido a amar. Aquele Josh que compunha as músicas com ela. Aquele guitarrista cabeludo. A lembrança dele, ali, em sua frente, veio com toda a saudade.
Saudade dos seu jeito de respirar, do seu jeito de tocar, do seu jeito de falar e brigar, do seu beijo, do seu toque... de tudo. Ela estava imóvel.
Sentiu a respiração fresca dele bater contra os seus lábios.
Fechou os olhos.

“ — ... ele vai te tomar de mim... ele vai ficar contigo de novo...
— Eu achei que você confiasse em mim, Jason. Mas pelo jeito eu achei errado, né.
— EU CONFIO EM... EM VOCÊ! EU NÃO CONFIO NELE!”

Abriu os olhos.
Deu dois passos para trás.
Ela não podia fazer isso. Não podia. Prometera fieldade à Jason!
E... esse não era o Josh antigo. Esse era o Coronel! Não o Josh! Era o Coronel Farro. Ela não podia! Não devia!
Sentiu a cabeça esquentar.
— ME ESCUTA! — Ela gritou, desnorteada. Josh estava com o sembrante confuso. — EU NÃO AMO VOCÊ, OUVIU? EU ODEIO VOCÊ! — As lágrimas começaram a escorrer pelo seu rosto. — VOCÊ ME FEZ SOFRER MUITO MAIS DO QUE EU SOFRI COM A SEPARAÇÃO DOS MEUS PAIS! EU ME ENTREGUEI A VOCÊ DE CORPO E ALMA E VOCÊ ME DEIXOU! A MINHA VIDA VIROU UM INFERNO DEPOIS QUE VOCÊ FOI EMBORA! EU TIVE QUE FINGIR ESTAR BEM PRA NÃO MACHUCAR OS MEUS AMIGOS. EU SOFRI MUITO POR VOCÊ, JOSH. VOCÊ ME FEZ PARAR DE VISITAR O MEU PAI E AS MINHAS IRMÃS POR AVERSÃO AQUELA CIDADE! VOCÊ ME LARGOU, ME DEIXOU E NÃO LIGOU! EU NÃO AMO VOCÊ, ENTENDEU? ME DEIXA EM PAZ! — Ela gritou, colocou tudo pra fora, e com o rosto vermelho, entrou no carro.
Saiu dirigindo desesperadamente enquanto chorava.
A confusão tomou conta do corpo, cabeça e alma de Hayley.
Ela havia visto o Josh nos olhos do Coronel. Esse Josh, que ela tinha certeza que amava.
Mas ela também amava Jason!
As lágrimas escorriam pelo seu rosto e as lembranças a invadiam sem permissão.

“— Hayles, eu amo você!
— Ah Josh, eu também amo você!
— O que duas pessoas que se amam devem fazer?
— Minha mãe me disse, que quando duas pessoas se amam, elas se casam. Assim como ela e meu pai e o tio e a tia.
— Então vamos nos casar!”

“— Outro dia você disse que achava que me amava. Bem, eu descobri que tenho a certeza, de que de um jeito muito mais do que estranho eu amo você mais do que tudo. — ele abriu a caixinha, onde haviam dois colares de prata com pingentes com meio coração — Hayley, namora comigo?”

“— Sente. — ele pegou minha mão que estava entrelaçada à dele e colocou no peito esquerdo — Esse coração está batendo, ele está batendo por você. Hayley, o meu coração é seu.”

“— Tá tão na cara assim?
— O quê?
— Que eu gosto de você.
— É... muita gente já percebeu.
— Eu não vou desistir.”

“— Deus sabe como eu te amo. E Ele também sabe como eu odeio te ver assim: Triste... sem aquele brilho nos olhos... Hayley, eu te amo muito pra agüentar te ver triste. Acredita, isso tá acabando comigo.”

“...eu quero que você saiba, que pra qualquer coisa que você precise, é só me chamar que eu venho correndo. Conte comigo para qualquer coisa, Hayley. Qualquer coisa mesmo, tá?”

“— Eu já prometi que nunca vou te deixar. Por favor, me deixe ser o seu Romeu.”
“— Eu estar aqui com você alivia toda a ruindade do meu dia. Estar com você faz tudo valer a pena.

Ela dirigia e os seus olhos estavam vermelhos.
Hayley não sabia mais o que fazer...
Ignorou os sinais vermelhos e foi até o único lugar naquela cidade a procura da única pessoa que saberia o que dizer.
Entrou na recepção do hotel e todos a olharam estranho pelos seus olhos inchados que ainda choravam. Pela recepcionista, que também a olhou estranho, ela soube o número do quarto de Sarah.
Subiu pelo elevador até lá e tocou a campainha. Quando Sarah abriu a porta e encontrou a amiga naquele estado, soube de duas coisas:
Isso tudo era por causa de Josh.
Ela precisava, mais do que tudo, de um abraço.
Hayley afundou nos braços da amiga que a acolheu. Elas entraram no quarto sem se separar e Sarah continuou abraçada a Hayley durante um tempo, em pé.
Hayley chorava e fungava. Colocava tudo para fora. Tudo o que ela havia guardado durante tantos anos. Toda a saudade de Josh. Toda a culpa por mentir para Jason.
— Hey... calma... vai ficar tudo bem, amiga. — Sarah dizia baixinho, enquanto Hayley chorava mais.
Ela se afastou e passou os braços pelos olhos, borrando ainda mais sua maquiagem.
Sarah a fez se sentar na cama e tomar um grande copo d’água.
Depois de tomar todo o líquido do copo, ainda soluçando, mas já mais calma, Hayley disse:
— Obrigada... por estar aqui... agora.
Sarah sorriu.
— Algo me disse que eu precisava vir pra cá hoje... que bom que eu estava certa. — Ela disse calma. — Mas... agora... quer me contar o que aconteceu?
Ela fez que sim com a cabeça e começou a narrar.
Contou absolutamente tudo. Desde vê-lo treinando e desejá-lo até a declaração e o quase beijo.
— Eu... eu não entendo, Sarah... — Ela já chorava novamente, só que apenas as lágrimas escorriam de seus olhos. — Eu o odeio, mas... Sinto tanta saudade... tanta... E ele falou exatamente o que o Josh de alguns anos atrás diria...
— Hayley, ele é o Josh, apesar de tudo. Você tem que perceber que ninguém muda da água pro vinho. Ninguém. Mesmo que ele tenha mudado fisicamente e tudo mais, ele continua com a essência de sempre... A essência do seu amiguinho de infância e do seu namorado continua nele.
Ela chorou mais.
— Eu não deveria sentir nada disso... Ele me deixou, Sarah, me largou... Você lembra, né? Lembra o tanto que eu sofri por isso... ele me fez largar tudo... Eu tive que fugir por causa dele... E eu ainda sinto saudade! Eu sou uma idiota.
— Olha pra mim. Você não é idiota, ok? — Sarah disse séria. — Você só não deixou de amar o seu primeiro cara, Hayley!
— Eu não amo ele! Eu odeio ele!
— Você tem que parar de mentir para si mesma. Isso não te ajuda em nada.
— É verdade! Eu não o amo!
— Então você odeia o Josh?
— Sim.
— E ama o Jason?
— Sim!
— Então me responde uma coisa: Se o Josh não tivesse ido pra guerra. Se ele estivesse aqui com você agora, e não o Jason, você mentiria e se recusaria de ter um filho dele?
Hayley se calou.
Ela pensou bem e soube que se Josh estivesse com ela, ela nunca se recusaria a ter um filho com ele como ela faz com Jason.
Queria mentir.
Mas não podia mentir para Sarah. Era impossível.
Abaixou a cabeça.
— Não minta para você mesma, Hayley. O que você sente pelo Jason não é um amor de verdade. É uma gratidão, amizade, carência... Mas amor não é. Minha amiga, eu sei como é isso. Eu já senti isso na pele, lembra? Eu achava que amava, mas era só uma amizade. Uma grande amizade.
As lágrimas no rosto de Hayley tomaram mais força e Sarah se viu obrigada a abraçá-la novamente.
— Eu não posso voltar para o Josh... eu vou sofrer de novo... eu prefiro o Jason, Sarah... Prefiro ficar com ele e ser feliz como eu era antes.
Sarah suspirou e mexeu em seu cabelo.
— Você que sabe o que é melhor pra você, linda... E eu só quero o seu bem. Se é melhor pra você ficar com o Jason, eu quero que você fique com ele. Saiba que eu sempre estarei aqui pra te escutar, ok?
— Obrigada, Sarinha. — Ela disse entre soluços.

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