23 de set de 2012

Capítulo 50

A bad night and a funny kid



Hayley secava o cabelo com uma toalha. Havia acabado de tomar banho. Tentou nele esquecer a desagradável tarde que ela havia passado.
Ela odiava o fato de ser obrigada a trabalhar com Josh. Bom, pelo menos, agora ela poderia colocar o seu projeto em prática e só o veria nos ensaios da nomeação (que seriam 2) e no dia em questão. A verdade é que essa tão esperada promoção estava sendo mais difícil do que parecera.
Ela pegou a toalha molhada e a largou em cima da cama, saindo do quarto com o cabelo desgrenhado e úmido. Foi até a cozinha comer alguma coisa.
Achou um pote de sorvete de morango e sorriu. Pegou uma colher e encheu uma tigela até o topo.
Ia colocar a primeira colherada na boca quando o interfone tocou. Bufou e re-colocou a colher na tigela. Colocou a tigela no balcão e foi em direção à porta. A abriu e sorriu.
Kathryn e o pequeno Luke estavam lá. Jeremy esperava dentro do carro na calçada.
— Tia Hayley! — O pequeno garoto abriu um dos braços — já que o outro estava ocupado segurando uma pelúcia verde — e Hayley o pegou no colo.
— Oi amor. — Ela disse. Katt sorriu.
— Oi Hayley. — Ela pegou uma pequena mala e entregou para Hayley, que a pegou com uma mão, enquanto a outra segurava o garoto que estava se segurando ao seu pescoço. — Aqui tem todas as fraldas, mamadeira, a chupeta e os brinquedos que ele possa sentir falta.
— Hm... ok. — Hayley riu. — Luke, vamos descer? — Ela disse, colocando o menino no chão.
— Então, amanhã cedo eu venho buscar ele, ok?
— Certo. Divirta-se. — Hayley disse e Katt sorriu, dando meia volta e indo em direção ao carro.
Ela fechou a porta e passou os olhos pelo corredor. Onde estava a criança?
— Luke? — Ela gritou. Ele não respondeu.
Andou até a sala e não viu o garoto.
— LUKE? — Gritou mais alto. Nada.
Foi até a cozinha e nada dele. Passou os olhos por toda ela.
— Luke? — Gritou pela terceira vez. E foi aí que ela percebeu que sua tigela de sorvete também havia sumido do balcão. Ela riu, andou até o outro lado do balcão e lá encontrou um garotinho pequeno com a boca completamente suja e um bicho de pelúcia estranho jogado no chão.
— Oi tia Hayley! — Ele disse e sorriu largamente.
— Seu danado! — Ela disse e Luke passou a língua pelos lábios, lambendo os restos de sorvete derretido que se espalhavam por toda a sua bochecha.
— Não foi minha culpa! — Ele disse como se não tivesse feito nada de errado.
— Por que você pegou o sorvete, Luke?
— Não fui eu que tomei o sorvete, tia! — Ele disse sério e Hayley riu. Luke colocou as mãos no chão e se levantou com certa dificuldade.
— Então quem foi?
— Foi o Perry! — Ele disse e apontou para a pelúcia verde.
Só agora Hayley notou que era um animal... estranho. E tinha um chapéu na cabeça.
— Ele é o Perry?
— Sim. Todo mundo acha que ele é só um ornitorrinco, mas ele também é agente secreto!
— Ah, isso é um ornitorrinco. — Ela riu, confusa.
— É! Ele é um agente secreto e comeu o sorvete da tia. É verdade! — Ele disse e sorriu. Luke pegou a pelúcia do chão e o olhou sério. — Você é um ornitorrinco feio, Perry! Não pode comer o sorvete dos outros! — Ele dizia isso com o dedo no rosto do bicho, advertindo-o. — Se você fizer isso de novo eu e a tia vamos te colocar de castigo, ouviu? Isso não se faz!
Hayley gargalhava diante da esperteza do menino tentando colocar a culpa em um bicho de pelúcia sem vida.
— Não seja mau com ele, Luke. — Hayley disse e pegou a pelúcia dos braços do menino que tinha o rosto melado. — Ele só comeu o sorvete por que é uma coisa muito gostosa. Eu também adoro sorvete. Foi você que comeu, Perry?
— Ele não fala, tia. Ele só faz um barulho estranho tipo... grrr — Luke tentou imitar um barulho e Hayley riu.
— Então, você comeu o sorvete, Perry? — Ela perguntou e Luke virou o rosto, fazendo um grunido parecido com o que ele havia feito antes, para dizer que havia sido o ornitorrinco de pelúcia.
— Então, veja, já que você foi muito honesto e disse a verdade, eu vou te dar mais sorvete, tá? Por que os bichinhos bonitinhos tem que dizer a verdade, e quem diz a verdade merece um prêmio. Não é mesmo, Luke? — Ela disse e o menino estava com a cabeça baixa.
Com certeza estava arrependido de ter mentido.
— Eu vou ganhar sorvete também? — Ele perguntou baixinho.
— Ahn, Luke, eu só tenho o suficiente pro Perry. — Hayley estava sendo má. Mas era necessário para ele aprender a dizer a verdade.
— Tia... — Ele andou até ela e começou a mexer com sua perna. — ...não foi o Perry que comeu o seu sorvete... fui eu. — Ele disse baixinho e abaixou a cabeça.
— Então não foi o Perry? — Ela disse e ele fez que não com a cabeça.
— Não... eu não queria que você brigasse comigo... — Ele disse com voz melosa, parecendo querer chorar.
— Mas você não sabe que é feio mentir?
— Sei... mas eu não queria que você brigasse comigo... — Ele disse outra vez. — Me desculpa. — Ele disse e então começou a chorar.
Hayley se abaixou e pegou Luke no colo, que a abraçou e chorou alto.
— Não chora, Luke, vai... — Ela disse e ele passou as mãos pelos olhos encharcados. — Vamos fazer um trato?
Ainda fazendo um biquinho ele fez que sim com a cabeça.
— Se você prometer falar só a verdade daqui pra frente, nós dois vamos tomar sorvete e você vai me contar mais sobre o Perry, ok?
Ele sorriu, ainda com os olhinhos vermelhos.
— Tá bom! Mas eu não menti quando disse que ele era agente secreto, tia.
— Ok, ok. Promete pra mim que você nunca mais vai mentir.
— Eu prometo que nunca mais vou mentir pra tia.
— Isso. Muito bem. — Ela disse e beijou o menino no rosto. Ele sorriu. — Vamos lavar a boca e tomar mais sorvete.
— E depois podemos ver Phineas e Ferb?
Hayley olhou confusa para o garoto.
— Tem um DVD deles na minha bolsinha! Eu pedi pra mamãe colocar!
— Tá... claro, podemos ver o seu desenho.
— O Perry é do Phineas e do Ferb! — Ele disse e então Hayley finalmente conseguiu assimilar alguma coisa.
Era tudo um desenho animado.
— Tá certo. Vamos.
Depois dela lavar a boca do menino e colocar um pouco de sorvete em outra tigela, ela o levou para a sala e colocou o DVD tão querido de Luke.
Haviam 7 episódios do chamado Phineas e Ferb no DVD. O que a surpreendeu é que todas as músicas dos episódios, Luke sabia cantar. Ele começava a cantar as músicas e vez ou outra se levantava para dançá-las. E isso a divertia.
E ah, ela finalmente entendeu a origem de Perry, o Ornitorrinco. Ele era o mascote dos garotos super inteligentes que faziam qualquer coisa — qualquer coisa mesmo! — em uma tarde, e era um agente secreto dos animais.
Depois de quase uma hora e meia de desenho, o DVD acabou. Luke estava sonolento.
— Quer dormir? — Ela perguntou para ele.
— Uhum. — Ele assentiu. — Ô tia...
— Que foi?
— Frita um pouco de leite na mamadeira pra mim beber antes de dormir?
Hayley sorriu.
— Fritar leite?
— É. Eu não gosto de leite frio.
— Ah. — Hayley gargalhou baixo. Ele queria que ela esquentasse o leite. — Tá certo.
Ela pegou Luke no colo e o levou para a sua cama, acomodando-o.
Foi até a cozinha e esquentou um pouco de leite no microondas, colocando na mamadeira de Luke logo depois.
Voltou até o quarto e ele a esperava com ansiedade. Perry, o Ornitorrinco, estava acomodado em seus braços.
— Pronto.
— Obrigado, titia. — Ele disse pegando a mamadeira e colocando na boca. Logo depois ele tirou. — Ô tia?
— Que foi?
— O papai sempre canta pra eu dormir... você pode cantar?
— Ahn... claro. Que música?
— My Heart. — Ele disse sorrindo.
Hayley engoliu seco. My Heart seria... a My Heart?
— Acho que não conheço essa.
— Ahn. — Ele fez biquinho. — This heart, it beats, beats for only you... Não conhece?
É. My Heart, definitivamente era My Heart.
— Sim.
— Então canta, vai!
Hayley respirou fundo.
— I am finding out that maybe I was wrong… That I've fallen down and I can't do this alone. Stay with me, this is what I need, please? Sing us a song and we'll sing it back to you. We could sing our own but what would it be without you?
Quando Hayley chegou a segunda parte da música a respiração de Luke já havia ficado pesada. Ele havia adormecido.
Cada palavra pronunciada daquela música fazia ela lembrar Josh. Não o Josh de agora, o militar, que a magoou.
O Josh antigo, chato, insuportável... fofo, sensível, lindo, que a conhecia e entedia melhor do que qualquer pessoa.
O Josh que compunha pra ela e com ela.
O Josh que ela amou. E... que ainda ama.
Hayley deixou Luke em seu quarto e foi para a sala.
As lembranças invadiam sua cabeça sem permissão. As lembranças de quando eles se beijaram na casa do pai dela, da declaração linda no aniversário do Zac, das tardes de sorvete com as suas irmãs, de quando ele ficou com ela na hora difícil dela vendo sua mãe se envolver com outra cara, da primeira vez dos dois, dos ciúmes bobos e discursões diárias, de quando ele a levou para o parque de diversão e subornou um vendedor de ursinhos, das férias dos dois em L.A... Tudo, tudo vinha à tona na sua cabeça agora.
Ela o amava tanto...
Mas não podia amá-lo agora! Josh agora estava muito mais insuportável do que o normal. E ele não ligou para ela quando foi pra guerra! Ele a havia abandonado!
Ela amava sim, o Josh de antes.
Mas o Coronel Farro definitivamente não é o Josh de antes. E esse, ela odiava.
E então ela finalmente pensou em Jason. Onde ele estaria?
Já passava das oito horas da noite e ele ainda não havia chegado. O que era estranho, pois ele saia do trabalho, no máximo, às seis.
Com os garotos ele não estava, pois Jeremy havia levado Katt para sair. E mesmo que ele fosse ir ficar na casa de um deles, ele sempre a avisava. Até mesmo quando ela tinha festa à noite para fazer.
Se preocupou. Pegou o telefone da casa e discou o número dele.
Não atendeu.
Ela ligou para Taylor.
— Ei T.
— Oi Hayles. Tudo bom?
— É... sim, mais ou menos. Quer dizer, você sabe onde está o Jason?
— Não, Hayles... Ele saiu mais cedo, umas 2h30 depois que a gente saiu do PUB.
— Vocês foram para o PUB?
— Ah... sim... Zac e Josh apareceram lá no trabalho e nós todos fomos para o PUB. Aí ele disse que não queria mais trabalhar e eu e Jeremy voltamos para o trabalho, aí eu não vi mais ele.. Porquê?
— Ele não está em casa... achei que ele estava contigo... Ai meu Deus, o que aconteceu?
— Não sei... você já ligou pra ele?
— É lógico, né T.
— Ok... É, eu não sei o que fazer.
— Tá, tudo bem... só me avisa se você tiver notícias dele, tá?
— Ok.
Ela se sentou e passou a mão pelo rosto.
Jason nunca se atrasava. E nunca saía sem avisar. Onde estaria?

Nashville TN, PUB, algumas horas antes...

Ele se levantou e sentiu a cabeça girar. Sentou-se novamente.
É, talvez tivesse exagerado.
Mas era coisa demais para Jason absorver. Por mais que ele tentasse — e Deus sabia como ele tentava! — não sentir ciúmes, confiar, não se sentir inseguro... ele não conseguia se tranqüilizar. E também pudera, afinal, a mulher que ele amva estava trabalhando para o seu antigo amor.
E ele se sentia mal, muito mal.
Jason sabia que não podia competir com Josh. Ele sabia que Josh era o amor de Hayley desde a infância, na adolescência e pra eles voltarem um para o outro, agora era só questão de tempo.
Isso o atormentava de forma rápida e insuportável. Ele lutava contra si mesmo para não demonstrar. Ele lutava contra si mesmo para não ser insensível. Mas parecia que tudo nele queria se sobressair ao senso de justiça.
Hayley havia passado a semana inteira trabalhando na festa de Josh. Inteira. E não só na empresa, mas em casa também. Ela dizia que estava fazendo isso porque queria acabar mais rápido.
Mas a verdade é que ela nunca havia levado tanto trabalho pra casa. Nem nunca tinha se recusado a ficar com ele para trabalhar.
Ela estava ficando diferente pouco à pouco, e Jason sabia que era por Josh. E claro, isso não contribuía nem um pouco para a sua luta interior.
Ter visto Josh algumas horas antes fora demais para ele. Isso porque mesmo pra um idiota (como Hayley gentilmente o denominava), ele era o tipo de homem que toda mulher queria. E isso sem dizer dos pesadelos de Hayley.
Se ela havia sonhado com o exato momento em que Josh aniquilava seus inimigos, eles teriam uma ligação muito forte, afinal. Mais forte do que qualquer coisa que ele já havia tido com Hayley.
E não, isso não é lógico. Mas havia outra explicação?
Por isso ele estava bebendo. Não queria pensar nisso. Não queria fazer Hayley largar o emprego por conta de um ciúme. Não queria criar problemas.
Mas as lembranças de Hayley e Josh juntos queimavam em sua cabeça como um insêndio.
Já eram quase seis da tarde. Ele não havia voltado para casa. Decidiu ir, e continuar lutando contra si mesmo para não demonstrar a ninguém seu medo, sua fraqueza, sua insegurança, seu ciúme.
Porém quando ele foi pagar seus chopps (e algumas doses de wisky), viu um homem fardado entrar no bar.
É claro, era Josh.
Decidiu não falar nada. Não puxar assunto, afinal, Josh sabia muito bem que ele não ia com a cara dele, e eles eram rivais desde sempre. Da última vez, sem ser essa tarde, que eles se “falaram”, houveram socos. Ele não queria ser educado com Josh.
Mas quando Josh notou que ele ia sair, o chamou.
— Ei, Jason, já vai?
— Sim, preciso ir pra casa.
— Fica mais uns minutos, só quero falar um pouco contigo. — Josh estava mais sério do que nunca. Na sua voz não havia nem sequer um rastro de simpatia.
Ele parecia estar falando com outro militar.
Jason não pode deixar de notar o quanto a farda o havia mudado. Sua postura estava muito mais bem feita e sem o piercing, ele parecia outra pessoa.
Frio, Jason se sentou ao seu lado numa mesa. Josh chamou a garçonete e pediu dois chopps, pagando-os na mesma hora. Não adiantou a insistência de Jason para pagar o seu próprio.
— Ok, então, o que quer falar comigo? — Jason perguntou.
— Pensei que você estivesse aqui e decidi te procurar... A questão é que hoje, na minha reunião com Hayley que eu suponho que você saiba que eu tive, eu fiquei sabendo que vocês são... — Josh pigarreou — ...casados. — Disse por fim, com um pouco de despreso na voz.
Pouco, mas o suficiente para Jason se indignar.
— E daí? — Ele perguntou contendo-se ao máximo para não insultá-lo.
— Só achei estranho que você tenha deixado ela fazer minha festa sabendo que... eu sou eu. E também fiquei surpreso quando soube que ela tinha ficado contigo.
— Primeiro: a Hayley tem a vida dela e eu não interfiro nisso, mas caso você queira, eu posso sim, pedir pra ela largar isso de vez. E segundo: qual é, Josh. Todo mundo sabe que eu sempre a amei. Quando ela passou a me amar também, ficamos juntos. Por que a surpresa? Você esperava que ela sofresse e esperasse por você o resto da vida? Por favor.
— Não, eu só nunca pensei que ela pudesse ficar com você.
— Olha Josh, na época que vocês estavam juntos, eu respeitei você. — Ele começou e Josh fez que sim com a cabeça — Eu nunca cheguei a fazer com ela nada que ela não quisesse, eu fui amigo dela e em alguns casos, até seu. Eu respeitava o seu relacionamento com ela sem interferir. Então, eu te peço, tenha um pouco de respeito a mim e a ela, e tente não interferir na nossa vida.
— Eu sei disso.
— Só peço que você seja decente o suficiente agora, já que você não cumpriu com decência nenhuma das promessas que você fez naquela época.
Josh sorriu de canto com deboche.
— Você está bêbado, Bynum. Se controle.
— Estou bem sóbrio ainda, Farro. — Ele disse no mesmo tom. — E não estou mentindo.
— Eu não tive escolha. Se tive que ir naquela época é por que eu me comprometi antes.
— De qualquer forma! Ninguém abandona o amor da vida pra ir correr um risco de vida. Você é um egoísta, Farro! Você nunca amou ela de verdade! O que você sentiu por ela nunca foi amor. Eu a amo.
— Cale a boca! — Josh também se exaltou e se levantou. Jason fez o mesmo.
Ele podia falar de tudo. Das promessas não cumpridas, da guerra, da interferição.
Mas ele não podia ousar dizer que ele não a amava.
— EU NÃO ESTOU MENTINDO! SABE POR QUE? SE VOCÊ A AMASSE ESTARIA COM ELA AGORA! — Jason praticamente cuspiu as palavras no rosto de Josh. — QUEM AMA CUIDA. QUEM AMA NÃO MACHUCA! VOCÊ NÃO A AMAVA E NUNCA AMOU! VOCÊ SÓ AMA A SI MESMO.
— CALA A MERDA DA BOCA, DESGRAÇADO! — Josh gritou. — VOCÊ PODE USAR A MERDA DA SUA BOCA PRA FALAR QUALQUER COISA, MAS NÃO SE ATREVA A DIZER QUE EU NÃO A AMEI! EU A AMEI, E AMO, MAIS DO QUE QUALQUER COISA QUE JÁ EXISTIU NA MINHA VIDA! VOCÊ FICA CALADO, POR QUE VOCÊ NÃO TEM O DIREITO DE MENCIONAR QUALQUER SENTIMENTO MEU!
Jason gargalhou debochadamente. Seu rosto estava vermelho de raiva.
— Então quer dizer que você ainda a ama? — Ele disse relativamente baixo e logo após voltou a gritar — VOCÊ. NÃO. A. AMA. VOCÊ FEZ ELA DERRAMAR MUITAS LÁGRIMAS POR VOCÊ, VOCÊ FEZ ELA SOFRER MAIS DO QUE TUDO! VOCÊ FEZ ELA PRATICAMENTE ENTRAR EM DEPRESSÃO! SE VOCÊ AMASSE TERIA FICADO COM ELA! EU ENXUGUEI AS LÁGRIMAS DELA, JOSH! EU ESCUTEI ELA SE LAMENTAR E DIZER QUE AINDA TE AMAVA! EU FUI O AMIGO QUE A AJUDOU! EU, JOSH, NÃO VOCÊ! EU A AMO DE VERDADE.
— Eu vou fazer você calar a desgraça da boca agora. — Josh disse mais baixo e tirou a cadeira da frente, para ir em direção à Jason.
Mas antes que ele pudesse bater no músico apareceram, alguns seguranças do PUB que se colocaram entre os dois.
— Sem brigas aqui dentro. — Eles disseram e um deles segurou Josh.
Ele respirou fundo.
— Não vou brigar. — Josh disse devagar. Sua recuperação havia sido praticamente instantânea.
Outra coisa que ele aprendera a controlar no exército é o psicológico. Se Jason não tivesse dito que Josh nunca havia amado Hayley, ele provavelmente nunca teria se exaltado. Mas aquele era seu ponto fraco.
Jason estava com a respiração pesada e a cabeça girando. O efeito da bebida e da raiva latejavam em sua cabeça.
Viu Josh sair do PUB em passos firmes e se sentou na mesa, passando uma das mãos pela cabeça.
Decidiu não ir embora. Pediu mais uma dose de wisky.
Jason detestava beber. Aliás, detestava os efeitos da bebida. Mas ele já estava nisso mesmo. Não queria voltar pra casa e sua cabeça estava quente. Estava cheio de raiva de Josh e isso intensificou sua vontade de beber para tentar se livrar de um pouco da raiva.
Não viu as horas passarem.
E sua raiva também não ficou menor.
Se destraiu um pouco com a música ao vivo que houve naquela noite, por uma banda que tocou alguns covers em acústico. Mas não o suficiente.
Josh ainda a queria. Ele deixou isso muito claro. E se Josh estava determinado a ter Hayley, ele provavelmente conseguiria. Jason não podia deixar isso acontecer.
Perto das nove da noite, ele pagou a conta e voltou para casa num táxi.
Quando entrou com dificuldade pela porta encontrou Hayley com alguns papéis a sua volta e um telefone no ouvido.
— Jason! Ah meu Deus! — Ela gritou e o abraçou. Sentiu o cheiro de álcool e foi aí que ela percebeu que ele estava bêbado.
— A gente... precisa conversar... — Ele disse compassado, com a voz embargada.
— O que deu em você?! Como você sai de casa assim e fica bêbado desse jeito?! Você quase me matou de preocupação! Caramba, Jason!
— Hayley... olha pra mim.
— O que foi? — Ela disse, indignada.
— Você me ama?
— É claro, droga! Mas o que isso tem a ver, Jason? Caramba, como você faz isso? O que aconteceu pra você beber assim?
— Olha pra mim. — Jason estava com a voz muito embargada. A preocupação na face de Hayley era tão grande que havia se transformado em raiva. — Eu quero que você largue a festa do Josh. — Com dificuldade ele disse tudo sem gaguejar.
Hayley abriu a boca sem acreditar no que estava ouvindo.
— Jason, o que deu em você, droga? Você se entope de bebida e depois vem com essa?
— Eu te... Olha, eu te proíbo de fazer essa festa.
— Quer saber de uma coisa? Vai tomar um banho frio.
— EU NÃO PRECISO DE UM BANHO! — Ele gritou. — Eu preciso de você pra mim! Só pra mim! Eu não vou deixar ele te pegar de novo!
— Você está sendo ridículo! E pára de gritar, inferno! O Luke tá dormindo lá em cima. — Ela disse praticamente sussurrando.
— Me promete que você vai largar a festa.
— Jason, eu não posso! Ela já está toda pronta! Eu já assinei um contrato, que se eu discumprir, vou ter que pagar uma multa! Se eu largar essa festa eu vou ter que deixar o meu emprego!
— Qual é, Hayley. Eu tenho minha própria empresa! Dinheiro nunca vai ser o problema pra gente.
— Escuta aqui, eu sempre tive minha vida e o meu dinheiro antes mesmo da gente ficar junto e você sabe disso. Eu vou fazer a droga da festa e você vai tomar um banho frio e tentar amenizar um pouco do álcool no seu sangue.
— Você... — ele cambaleou — Você não vai fazer essa festa!
— Fala baixo, droga! Por que você não quer que eu faça essa festa, afinal? Você concordou!
— Por que ele vai te tomar de mim... ele vai ficar contigo de novo...
Hayley indignou-se.
— Eu achei que você confiasse em mim, Jason. Mas pelo jeito eu achei errado, né.
— EU CONFIO EM... EM VOCÊ! EU NÃO CONFIO NELE!
— Para de gritar, inferno! Cala a boca e vem.
Hayley o pegou pelo braço e o arrastou até o banheiro que ficava na suíte de hóspedes. Com muita dificuldade conseguiu fazê-lo tomar um banho frio. Ele vomitou, fez barulho, exigiu que Hayley não fizesse a festa.
Depois que, na marra, ele vestiu uma roupa e dormiu no quarto de hóspedes, Hayley se sentou no sofá da sala.
Ela estava triste.
Jason nunca havia ficado daquela forma. Nunca havia sido insensível com ela. Nunca “proibiu” Hayley de fazer nada. Nunca demonstrou não confiar nela. Nunca bebeu tanto.
Estava sendo completamente diferente do Jason que ela conhecera e aprendera a amar. Onde estaria o Jason que era a sua fortaleza?
As lágrimas começaram a brotar nos seus olhos e escorrer pelas suas bochechas.
Tudo estava virando de cabeça para baixo.
Se Jason continuasse exigindo coisas, proibindo ela de fazer isso ou aquilo, ela não agüentaria viver com ele.
E como seria sua vida sem ele?
Era sempre Jason que a ajudava quando ela ficava triste. Era sempre ele que a defendia. Era sempre ele que a abraçava e fazia ela esquecer de todos os seus problemas. Era sempre ele que a amava de verdade.
Sem ele, ela perderia sua força.
Mas ela simplesmente não podia abandonar a sua vida por conta de um ciúme bobo de Jason. Ela odiava Josh! Ela deixou isso tão claro! Por que esse ciúme agora? Justo agora?
Passou as mãos pelos olhos, limpando as lágrimas. Decidiu ir dormir e esperar até a manhã para saber se Jason já havia desistido dessa idéia idiota de querer mandar nela. Afinal, ele estava bêbado.
Escovou os dentes e passou bastante água pelo rosto. Foi até o seu quarto e Luke dormia angelicalmente.
Deitou-se ao lado do menino e depois de alguns minutos, adormeceu.

[...]

— Tia Hayley? Tia Hayley?
Hayley abriu vagarosamente os olhos enquanto uma pequena mão fazia carinho em sua bochecha.
— Titia... acorda...
— Ahn, bom dia, Luke. — Ela disse com voz sonolenta e o menino sorriu.
— Tô com fome! — Ele disse e se sentou na cama.
— Ah, ok, vamos... comer. — Ela se sentou na cama e jogou os braços para o alto, espriguiçando-se. Pegou a criança no colo e o levou para o banheiro.
Hayley escovou os dentes de Luke, trocou sua fralda e o trocou de roupa. Escovou rapidamente os seus dentes e amarrou o cabelo num coque, sem pentear.
Logo depois, ela, Luke e Perry desceram as escadas.
— Eu quero mingau, tia! — Luke disse pela terceira vez.
— Não sei se tenho aqui.
— Tem na minha bolsa!
— Ah, ok. Vamos ver se eu consigo fazer.
Hayley abriu a bolsa do menino e pegou o mingau de aveia. Colocou uma panela com leite no fogo e misturou bem com a aveia.
Pouco depois o mingau já estava na tigelinha de Luke. Ela pegou um pouco de cereal na sua tigela e se sentou à mesa da cozinha com o menino.
Comia e se divertia com Luke quando escutou passos adentrarem a cozinha. A figura de Jason recebendo fortemente os efeitos da ressaca apareceu.
— Tio Jasy! — Luke disse, vendo o rapaz entrar. Jason sorriu verdadeiramente. Luke transimitia uma inocência e uma energia positiva mais do que revigorante.
— Ei, Luke. — Jason foi até ele e o abraçou. Os braços curtos do menino passaram pelo seu pescoço.
Hayley sorriu.
— Tio, porque o seu olho tá tão grande? Você tava chorando?
— Não... eu só dormi demais. — Ele disse, ainda rindo.
— Que estranho... Quer mingau? A tia que fez. — Luke levantou a colher de mingau para Jason, que comeu.
— Hm... tá gostoso, né? — Hayley riu.
— Está. — Luke concordou, colocando uma colher na sua boca. Depois sorriu.
Jason se sentou e colocou uma mão sobre a perna de Hayley.
— Me desculpa. — Ele disse devagar.
Hayley colocou sua mão sobre a dele.
— Eu sei que não é fácil pra você me ver trabalhando com o meu ex namorado, mas eu não posso largar o meu emprego. Confie em mim, Jason, eu sou fiel a você. E eu odeio ele, garanto isso. Trabalhar com ele está sendo um pesadelo. Por favor, não faça o que você fez ontem novamente...
Jason olhou pra baixo e respirou fundo.
— Nunca gostei de Josh, você sabe. Mas... eu... Eu não vou interferir na sua vida. Eu vou me controlar.
Hayley sorriu e pegou seu queixo com uma mão.
— Obrigada. — Ela disse e o puxou para um beijo.
— Eca! — Luke gritou e Hayley sentiu algo pegajoso em sua bochecha. Passou a mão na bochecha e ela estava cheia de mingau de aveia.
— Você jogou mingau em mim?
Luke sorriu.
— Não pode mentir pra tia, né?
— Não.
— Joguei. — Ele disse e gargalhou. Jason e Hayley também riram, contagiados pela risada fina do menino.
Nessa mesma hora o interfone tocou.
— Sua mãe chegou. — Hayley disse e o menino saiu da cadeira gritando “Mamãe! Mamãe!”.
— Ele é um lindo, não é? — Hayley.
— É sim. Mal posso esperar para quando tivermos o nosso. — Jason a beijou na bochecha e ela sentiu uma onda de culpa passar pelo seu corpo.
Sorriu falsamente. Não queria demonstrar para Jason sua culpa.
Afinal, ela estava fazendo uma coisa boa não querendo ter um filho.
E sua sexta-feira havia sido ruim demais para estragar também o sábado. Por que, sinceramente, ter que aturar Josh e discutir com Jason bêbado havia sido demais para um apenas dia.
Mas com fé em Deus, os próximos dias seriam melhores do que ontem.
Ou não.

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