23 de set de 2012

Capítulo 48

I hate you. And this time it's real.



Pov. Hayley

— Hayley? É... É você mesmo?
Empalideci.
— Vocês se conhecem? — Nicky.
É. Se o destino existe realmente, ele é um grandissíssimo filho da mãe. Por que sim, aquele Coronel, era o soldado que há 8 anos atrás me deixou por uma guerra.
Josh me olhava com um brilho enorme nos olhos. Como ele havia mudado, Deus...
Mas ainda é o Josh Farro que me deixou há 8 anos. O mesmo que me beijou e jurou que me faria feliz pra sempre. O mesmo que se foi e me deixou sofrendo por tanto tempo.
— Eu não vou fazer a festa. — Disse apenas e me virei.
Eu não o queria ver. Não queria.
Ele me fez sofrer durante muito tempo. Estar perto dele era o mesmo que sofrer outra vez. E quer saber de uma coisa? Já chega de sofrimento pra minha vida.
— Espera, Hayley, espera. — Ele pegou um braço meu e me puxou para trás. — Por favor, espera.
— Eu não quero esperar. Eu vou embora agora e nunca mais vou te ver, ok? Me solta. — Eu disse me soltando de suas mãos fortes e saí andando.
Escutei o barulho do sapato social de Nicky batendo contra o mármore.
— Hayley, se você sair por essa porta não precisa mais votar para o trabalho! — Ele gritou.
— Fine! Mas essa festa eu não faço. — Disse e continuei andando.
Até eu passar pela mesma garota que passei ainda por agora. Quando passei por ela, ela disse:
— Ora, ora. Se não é Hayley Nichole. — Ela disse e eu parei de andar. Me virei e a adolescente me olhava sorrindo sarcasticamente.
Fiquei confusa. Como ela sabia meu nome?
— Não acredito que depois de tanto tempo você ainda tem essa cor maluca de cabelo.
Ela viu meu rosto confuso e gargalhou novamente.
— Não creio! Não se lembra de mim? — Ela disse e eu fiz que não com a cabeça, ainda confusa. — Que vergonha esquecer da sua ex-cunhadinha, Hayles.
— ISABELLE?! — Disse um pouco mais alto do que eu queria.
— A própria. — Ela disse e passou uma mão pelos cabelos que caiam sobre os ombros.
— Oh, meu Deus! — Eu disse e a abracei.
Isabelle estava realmente enorme. Era mais alta do que eu, que estava de salto.
— Nossa, como você está linda! — Exclamei.
— É, eu sei. — Ela disse, rindo. — Enfim, o que está fazendo aqui? Vai produzir a festa do meu irmão? Ah, dude, isso é muito legal!
— Hm, Isabelle, é que...
— Oh, gente. É Hayley?! — Uma voz me interrompeu.
Virei-me e lá estava a Sra. Farro. Não havia mudado muito desde a última vez que eu a vi.
Abri a boca.
— É sim, mãe. Ela é a promoter da festa do Josh. — Isabelle disse.
— Não, eu...
— Oh, Hayley, que bom te ver! Eu nunca mais te vi! Você sumiu. — Ela disse e me puxou para um abraço. Retribuí. — Por que você sumiu?
Dei um meio sorriso e passei uma mão pela nuca.
— Bem... depois do que aconteceu, eu... precisei de um tempo pra mim. Nunca mais voltei em Franklin, na verdade. — Eu disse, meio sem jeito.
— Então você é promoter agora?
— Ah, sim. — Nicky disse, enfiando-se na conversa. — Está entre as mais competentes da minha companhia. Poderia organizar a festa do oscar com perfeição, se lhe oferecessem. — Ele disse, passando uma mão pelo meu braço.
— Ahn, não duvido! Sabe, eu confio a minha vida a essa menina. Saber que ela vai produzir a festa do Josh é um grande alívio. Eu tenho certeza que vai dar tudo certo. Hayley é muito talentosa e tudo o que ela se dedica a fazer fica perfeito.
— Hah, isso me lembrou uma coisa. — Isabelle. — Lembro muito bem de quando Hayley ia lá pra casa tocar com os amigos do Josh. Eles tinham um monte de músicas. A banda deles era até legal.
— Banda?! — Nicky disse com o maior sorriso do mundo no rosto.
Legal, agora ele usaria isso contra mim pro resto da vida. Sorri.
— É, mas eu não...
— É realmente perfeito que você produza a festa do meu maninho, Hayley.
— Com certeza! Ter você produzindo essa festa vai ser incrível. Você sabe que é como uma filha pra mim...
— Sim, eu sei, mas eu não...
— Sabe o que eu estava pensando? Convidar a sua mãe e o marido dela, os filhos dele... Seria incrível ver todo mundo junto outra vez.
A imagem de Melanie passou pela minha cabeça. Senti náuseas.
— Não! Eu não vou...
— Pois é, Hayley. Eu confio totalmente na sua competência. Sei que vou poder contar com você para deixar essa festa linda.
— É claro, Sra. Farro. Hayley vai deixar essa festa impecável, não é, Hayley? — Nicky me perguntou com um meio sorriso no rosto.
Abaixei o olhar.
— Claro. — Respondi num fio de voz.
As duas mulheres da família Farro sorriram e começaram a falar. Nicky chegou ao meu ouvido e sussurrou:
 Sabia que você não ia me decepcionar. — Sorri de canto, inibindo minha grande vontade de sair correndo dali. Nicky olhou para a esquerda onde Josh esperava conversando com algum militar. — Pois é, Hayley, vamos apresentar os seus projetos para o General Farro? Com licença, senhoritas.
Fiz que sim com a cabeça saí dali, indo em direção à onde ele estava. O outro militar saiu e ele ficou sozinho.
— Olha quem voltou. — Josh disse, sarcástico.
Revirei os olhos.
Abri a boca para responder, mas Nicky me deu uma cotovelada, reprimindo-me.
Me calei.
— Primeiro de tudo, nós o parabenizamos, General Farro.
— Ah, não. — Ele sorriu. — Ainda não fui nomeado a General. Por enquanto, ainda sou coronel.
— Claro. Bem, Hayley trouxe alguns projetos prontos de festa desse estilo para apresentar ao senhor. Hayley?
Pigarreei e abri a pasta que estava na minha mão.
— Espere, vamos nos sentar primeiro. — Josh disse e abriu espaço para Nicky passar. Ele foi e ficamos os dois andando atrás dele.
— Não acredito que finalmente te achei. — Ele sussurrou.
— Se você não quisesse ter me perdido não teria me deixado. Cala a boca, eu só estou fazendo isso por não ter escolha.
— Eu ainda amo você, Hayley.
— Que pena. Porque eu te odeio.
— Podemos nos sentar aqui, Coronel Farro? — Nicky perguntou olhando discretamente para a parte de baixo de Josh. Sorriu de canto.
Olhei-o com indignação.
— Sim, aqui está ótimo. — Ele respondeu, sem perceber.
Nicky fez que sim e nós nos sentamos ao balcão.
— Então, Coronel Farro — Enfatizei. Ele olhou pra baixo, não gostando da minha atitude. —, eu separei alguns projetos. A nossa companhia já promoveu e organizou várias nomeações militares, mas a sua não é uma nomeação qualquer, afinal, o Senhor é o General mais novo do Tennessee, e provavelmente, dos EUA.
Ele concordava com a cabeça a cada palavra que eu dizia.
Apresentei alguns salões e as minhas idéias para a festa.
Ao terminar, ele reprimiu os lábios e disse:
— Hum... os projetos são bons, Senhorita Williams. — Ele enfatizou, demonstrando que queria entrar no meu jogo.
— Senhora. — O reprimi.
Vi seu rosto ficar pálido. Ele pigarreou, tentando disfarçar o mal-estar.
— Senhora Williams, perdão. — Ele disse, suspirando algumas vezes. Olhou a mim e a Nicky com certa fúria. — Como eu dizia, os projetos são bons, mas não o suficiente pra mim. A Senhora pode preparar mais alguns, e eu terei o prazer de vê-los e decidir se serão bons para a minha festa. Nenhum desses me interessou.
Fechei a cara.
Eu trabalhei pra caramba nesses projetos e agora eles simplismente “não são o suficiente”? Eu nem almocei por causa deles!
— Claro, Coronel Farro. Farei os novos projetos. Podemos, ir, Nicky? — Disse com voz calma, lutando para não demonstrar minha raiva.
— Ok, ok, vamos. Até mais, Coronel.
— Até mais; Até mais, Hayley. — Ele disse e pegou minha mão, beijando-a em seguida.
Suspirei e tirei a minha mão.
Virei-me e me dirigi à saída, junto a Nicky.
Entrei no carro e respirei fundo. Que grande merda, viu.
— Tá ok. Agora você vai me contar tudo. — Nicky disse, assim que entrou no carro.
— Como assim?
— De onde você conhece o bofe, a irmã dele, a mãe dele e por que vocês estavam se tratando estranho?
— Conheço a mãe dele desde que nasci e a irmã dele eu conheço por ser filha da mãe dele. E... ele é meu amigo de infância. — Disse apenas e me afundei no banco do carro.
— Só isso?
— Namoramos quando éramos adolescentes, ok? Satisfeito? Tínhamos amigos, uma banda, e ele abandonou tudo pra ir guerrear. Por isso não nos falamos.
— Então ele é a razão por você ter recusado todas as outras festas militares?
— Sim. Eu o detesto e detesto tudo o que me lembra ele. Inclusive as músicas da banda.
Nicky suspirou e sorriu.
— Eu até tiraria você dessa festa pra te poupar.
— Sério?
— Sim, mas depois que ele te viu, disse que se você não fizesse a festa ele dispensaria os meus serviços. Ele quer por que quer você. E, sabe Hayley, eu não posso perder essa festa. E eu juro que vou te recompensar.
Abaixei a cabeça.
— Tudo bem, eu não ligo. Eu o odeio e vou fazer essa festa pelo meu emprego. Dane-se. Agora liga o carro, eu ainda tenho uma festa pra monitorar. — Nicky fez que sim com a cabeça e ligou o carro.
Começou a dirigir e, de repente, começou a rir.
— Qual é a graça?
— Você namorou com ele, né?
— Não responda uma pergunta com outra. — Revirei os olhos. — Sim, namorei. Porquê?
— Por um segundo eu não pude deixar de olhar o Coronelzinho aonde realmente interessa. E... OMG, hein?! — Ele disse e disparou a rir.
Revirei os olhos.
— Tudo bem, você pode odiar ele e tal. Mas eu daria um braço pra ter 5 minutos com ele. — Nicky disse e mordeu o lábio inferior.
— E o Brad Pitt? — Eu disse e ri.
— Ahn, bem, ele ainda será meu. É só que homens de farda me deixam assim mesmo.
— Você é muito depravado.
— Sou esperta, só.
Ótimo, ele já se colocou no feminino.
— Ele gosta de mulheres, tá? — Eu disse, depois de um pouco de silêncio.
— Aham. — Ele respondeu.
Fiz que não com a cabeça e deixei um riso escapar. Nicky é realmente louco.
Olhei o relógio. Eram 4 da tarde.
— Ei, me deixa em casa? Preciso arrumar umas coisas pra cerimônia dos McCarter. — Pedi.
— Claro.
E essa é outra coisa boa de se trabalhar como promoter. Não tem um expediente normal.
Assim que cheguei em casa, deixei-me cair no sofá macio. Minha cabeça latejava levemente.
É muita coisa pra um dia só, gente.
Primeiro, eu quase engravido.
Depois, Josh reaparece depois de 8 anos.
É realmente demais pra mim.
— Hayley, já tá em casa? — Ouvi a voz de Jason ecoar.
— Sim, amor. — Respondi. Ele chegou a sala e se sentou ao meu lado, deixando um beijo no topo da minha cabeça.
Acomodei-me em seu peito. Era realmente ótimo estar com Jason novamente. Ele passou um braço pela minha cintura e o seu cheiro me envolveu. Me senti bem. Assim como toda vez que eu sentia quando estava perto dele.
— Por que está aqui tão cedo, também? — Perguntei.
— Tive alguns problemas no trabalho. Uma bandinha que gravou com a gente outro dia não pagou, e agora, sumiram. Procuramos esses caras por todo canto, mas eles realmente sumiram. Tivemos que escutar uma “bronca” do representande da FBR. Estou cansado, não agüentava mais um segundo naquele lugar.
— É, parece que nossos foram igualmente ruins. — Eu disse.
— Eu estar aqui com você alivia toda a ruindade do meu dia. Estar com você faz tudo valer a pena. — Ele disse e eu sorri, sem olhá-lo. Me virei e coloquei uma mão em seu peito, passando a outra pela sua nuca. O tomei num beijo calmo e sereno. Senti uma onda de alegria e paz me envolver. Quando nos separamos, segundos depois, ele disse:
— Eu te amo.
— Também te amo. Muito mesmo. — Eu disse e lhe dei mais alguns selinhos, voltando para a outra posição logo depois.
— Sabe quem ligou? — Ele disse.
— Não, quem?
— Esqueci de te dizer. Assim que você saiu, a Sarah ligou. Ela disse que a Panic! at The Disco vai fazer uns shows por aqui e está com saudades. Vem daqui a um mês.
— Ah, que ótimo! — Exclamei.
Já fazia alguns meses que eu não via Sarah, e estava com saudade de toda a sua loucura.
— Sim.
— Estou morrendo de saudade daquela louca. — Eu disse e nós rimos.
— Lembra quando você foi promover a festa de 16 anos de uma fã do Panic! At The Disco e a menina viu você com a Sarah? — Jason me lembrou do fato.
— Sim. Perfeitamente. Nunca vi tantos palavrões saírem da boca de uma adolescente. — Respondi. — Mas sem preocupações. Não vou promover nada quando a Sarah vier.
— É melhor mesmo. — Ele disse rindo. — Mas... hm, você não me disse como foi o seu dia.
Engoli seco.
Deveria contar para Jason que Josh tinha voltado?
— Minha festa de hoje teve um problema com dois garçons.
— Tenso.
— E... — Suspirei.
— E...?
— Fui forçada a fazer uma festa militar. Se eu não fizer, perco o emprego. E o Nicky perde uma das maiores festas da nossa história.
— Mas você não teve como fazer nada? Ele sabe que você detesta festas assim! — Jason parecia meio irritado.
E isso só contribuiu pra me deixar mais inquieta.
— O dono da festa exigiu que fosse eu quem promovesse.
— Porque?
— Por que o dono da festa é o Josh. — Eu disse num fio de voz e Jason tirou minha cabeça do seu peito. Me sentei, ficando de frente pra ele.
— Você aceitou promover uma festa do Josh? Mesmo depois de tudo o que ele fez?
— Eu não tive escolha. A mãe dele apareceu lá e me colocou contra a parede, falando daquele jeito dela. Apareceu a Isabelle também, cara, você lembra dela. Eu... não tive escolha. Ou eu promovia, ou dava adeus pro meu emprego.
Jason forçou os lábios e olhou pro lado.
— Ei, olha, presta atenção. — Ele olhou pra mim. — Eu não sinto mais nada pelo Josh, ok? Aliás, tudo o que eu sinto por ele é raiva e rancor. Eu não gosto mais dele. É com você que eu estou e é você que eu amo hoje. O que houve comigo e com o Josh naquela época foi coisa de adolescente. Ele foi o meu primeiro amor, Jason. Mas é você que eu quero pra mim hoje. E eu só vou produzir a festa do Josh porque eu não tenho escolha. Eu o odeio, juro. E amo você.
Os olhos deles brilharam levemente e eu me aproximei, beijando-o devagar. Ele passou uma mão pelas minhas costas enquanto eu me debruçava em cima dele e brincava com seus lábios. Separamo-nos alguns segundos depois.
Ele me encarou e acariciou meu rosto com as costas da mão.
— Eu amo você. — Ele disse como se fosse a primeira vez que pronunciava aquelas palavras.
— Eu amo você também. Só você.
E era de verdade que eu dizia aquilo. Josh pra mim não passava de uma lembrança.
Eu não o amo. Eu o odeio. E dessa vez, é de verdade.

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