23 de set de 2012

Capítulo 37


Guilt, dating, pain, twist, feelins.



Enquanto o bebê com a ajuda do andador se movia de um lado para outro, Dakotah deixou um sorriso escapar. A pequena Claire ainda não tinha dois anos, e já conseguia andar sem a ajuda do brinquedo, mas ainda assim pedia frequentemente para que Dakotah ou Taylor a colocassem no andador para ela andar de um lado para outro e dar uma risada gostosa.
Ela também não falava direito, mas balbuciava quase todas as palavras, mesmo que de modo errado. Na verdade, a maioria das pessoas não entendia o que Claire dizia, mas Dakotah conseguia entender absolutamente tudo, provavelmente por ser mãe e ter uma ligação mais do que especial com aquela criança.
Nisso, ela deixou sua cabeça vagar, ainda com o pensamento de maternidade na cabeça. E de sua filha, seu pensamento foi até sua nova assistente. Danna FaithOu melhor: Danna Rice.
Dakotah sabia que a conhecia de algum lugar, assim que bateu os olhos na garota! A primeira coisa que pensou foi que já havia visto aqueles olhos, aquele formato de rosto, aquele sorriso... a menina — na verdade, mulher, pois ela já tinha vinte e um anos — pareceu-lhe estranhamente familiar. Mas deixando-se levar pelo talento e amabilidade da garota, ela pensou estar enganada e apenas decidiu deixar o assunto para lá. Até o dia em questão, quando Dakotah foi assinar sua carteira de trabalho e viu que o sobrenome que constava não era Faith. Ah, não.
Lá estava escrito “Danna Elizabeth Rice”.
Dakotah se lembrava de ter perguntado à ela:
— Então... Faith não é o seu nome real? — foi o que ela disse, intrigada.
— Ah, não... — ela respondeu, sorrindo de canto. — Faith é meu sobrenome artístico, mas ele já consta no cartório.
— Ah — Dakotah deu um sorriso de canto, e delicadamente, sem que Danna visse, decidiu deixar o olhar passar pelo lugar onde estava escrito o nome da mãe.
Teve de se controlar para não deixar o queixo cair e os olhos arregalarem quando viu que a mãe de Danna era Jenna. Jenna Rice.
Quando procurou o nome do pai, viu que ele estava em branco. A garota não tinha pai. Ou melhor, tinha.
Mas ele não a havia registrado para não complicar sua vida.
Então, de repente, Dakotah se lembrou de onde conhecia aqueles olhos familiares da menina. Eram os olhos de Josh. Dakotah tinha contratado a filha bastarda de Josh. Basicamente, a razão pela qual Hayley andara tão mal, e a família Farro estava se desestabilizando.
— Ei, babe — Taylor disse, adentrando a casa com um sorriso no rosto e um violão nas costas. Ela foi até a ele e lhe deu um selinho.
Taylor sorriu e foi pegar a filha no andador, que já balbuciava palavras como “papá! Papá chegou!” e tentava levar o brinquedo até o pai. Segurando-a no colo, ele brincou um pouco com ela e lhe deu um beijo no rosto, enquanto Claire passava os braços curtos pelo seu pescoço e mexia em seu cabelo cacheado.
Ele riu, virando-se para a esposa.
— Ela adora fazer isso — disse, virando a cabeça para a filha segurar mais o seu cabelo.
— É claro que adora — Dakotah disse. — Acho que ela ia amar ter nascido com o cabelo do papai, ao invés do cabelo loiro, liso e sem graça da mamãe.
— Ela tem é que adorar ter nascido linda e perfeita como a mamãe — Taylor disse, aproximando-se de Dakotah e lhe deixando outro selinho nos lábios. Sorriu, depois disso. — Então, como foi o seu dia?
— Ahn... ainda bem que perguntou. Preciso falar uma coisa com alguém, e esse alguém será você — Taylor riu, fazendo que sim com a cabeça e sentando-se no sofá, enquanto largava o violão encapado no tapete. — Lembra da minha nova assistente?
— A que te parecia familiar?
— Essa mesmo — Dakotah suspirou. — Taylor, o sobrenome dela é artístico. Ela não se chama Danna Faith.
— E qual é o problema? — Taylor perguntou, dizendo “ai” em seguida por que Claire havia puxado seu cabelo demais. — Muitos fotógrafos adotam um nome artístico, não é?
— Sim, é — Dakotah umedeceu os lábios. — A questão é que o nome dela de verdade é Danna Rice.
Taylor a encarou com a mesma face confusa, até dar espaço a uma de surpresa. Arqueou as duas sobrancelhas e abriu a boca, meio incrédulo.
— Ela é filha de Jenna Rice? — disse, então.
— Sim — Dakotah disse.
— Meu Deus! — Taylor disse, completamente pasmo. — Então... ela é a garota... a filha do Josh...
— Tenho certeza que sim — Dakotah suspirou.
— Nossa... — Taylor coçou a cabeça. — Você vai... contar pra alguém?
— Estou pensando sobre isso — Dakotah mordeu o lábio inferior. — A questão é que a garota não tem nada da Jenna, T. Ela é um amor. Ela é super talentosa e muito simpática, ela... Sei lá. Depois que eu soube da verdade e fui observá-la, eu encontrei um pouco dos meninos nela. Ela tem os olhos e a força do Nate, é meiga como o Joe, teimosa igual a Soph... Ela é um pouco do Josh, mas não totalmente nele. Mesmo assim eu não encontrei um pingo de maldade nela. Não como exalava a Jenna naquela época, e provavelmente, até hoje.
— Isso é bom... — Taylor comentou. — Só acho que Josh deveria procurá-la. Ela... merece um pai, mesmo que tardiamente. Se ela é uma garota boa como você diz... ele só tem a sentir orgulho dela.
— Pois é... — Dakotah torceu os lábios.
Taylor suspirou.
— Eu posso falar com ele sobre isso? Dizer que você contratou ela?
Dakotah pensou por alguns segundos, até assentir com a cabeça.
— É melhor que ele saiba primeiro — ela deu um meio sorriso, vendo a filha dizer algumas palavras que Taylor não entendeu, e passar os dedos fininhos pelas mexas de cabelo cacheado de Taylor.
Realmente não tinha como se imaginar sem sua filhinha. Amava-a mais do que tudo. Imaginou por um segundo como teria sido a vida de Danna, com a mãe que tivera e sem o pai.
Apesar de tudo, a garota parecia feliz quando foi trabalhar, e Dakotah sentia que era sincero. Talvez... as coisas estivessem dando certo para Danna.
Dakotah esperava sinceramente que sim. Apesar de mal conhecê-la, sabia que ela era uma boa garota.



[...]



Danna soltou o ar que nem tinha visto que segurara nos pulmões, sentindo o coração palpitar freneticamente. Não!, pensou ela. Não estrague tudo de novo.
— Vai mesmo impedir a sua própria mãe de entrar nisso que você chama de casa?
— Vai embora — ela repetiu, incapaz de encarar aquele olhar frio da mulher que lhe dera a luz. — Você não tem nada a ver com a minha vida.
— É aí que você se engana, querida — foi o que a mulher disse, o sorriso maldoso ainda no canto dos lábios cuidadosamente maquiados. Danna engoliu seco, tentando controlar seu nervosismo. — Eu sou sua mãe, lembra? Tenho tudo a ver com a sua vida. Inclusive essa “vidinha feliz” que você está levando agora — ela fez questão de fazer aspas com os dedos.
Danna respirou fundo, levantando o olhar e encarando aqueles olhos azuis que ela tanto odiava.
— Vai embora, Jenna. Você não é bem vinda aqui. — Ela disse, após juntar o máximo de coragem que pôde.
Jenna revirou os olhos.
— Como se eu me importasse — ela disse, dando de ombros e passando por Danna, adentrando o lugar de vez. Deixou uma risada escapar. — Então, filhinha... Onde está o latino que anda te comendo, hein? — ela se virou para Danna e deu uma risada quase escandalosa. — É, eu soube dos últimos acontecimentos. E tive que rir disso também. Quer dizer, dormindo com um cara para morar na casa dele, logo você, que tanto me criticou por isso?
Jenna ainda mantinha o olhar zombeteiro e maldoso quando Danna, ainda procurando manter a dignidade, disse-lhe:
— Eu não estou dormindo com ele. E mesmo se estivesse, você não tem nada a ver com isso. Agora sai.
— Ah, sim, eu tenho — Jenna ainda a encarava com o mesmo sorriso na cara. — Mas não vim falar sobre isso agora. Na verdade, vim apenas te dar um aviso.
— Eu não quero escutar! — Danna gritou sem nem perceber. A simples presença de Jenna fazia com que ela sentisse calafrios, ânsias e vontade de chorar. De tudo no mundo, o que ela menos queria, era ver aquela cobra ali. Por isso ela gritou, com toda a força, colocando para fora todo o seu sentimento de atordoamento: — Vai embora! Eu não quero ouvir!
— Não quer ouvir?! — Jenna gritou de volta, sumindo com o sorriso em milésimos de segundos, encarando Danna com a face dura. — Então você não quer saber como arruinou a vida do seu querido paizinho?!
Danna se calou e perdeu a dureza dos olhos, deixando o medo — aquele, que sempre estivera com ela — finalmente transparecer. Arruinou, era o que Jenna havia dito. Danna havia arruinado a vida de Josh?
— Agora você fica caladinha, né? — Jenna deixou seu sorriso reaparecer, feliz por ver a vulnerabilidade nos olhos de Danna. — Se calou por que sabe que é verdade, não é, Danna? Você arranca desgraça por onde passa.
Danna olhou para baixo, tentando controlar o nó na garganta. Droga. Jenna sabia exatamente que botões apertar para deixar Danna vulnerável e fraca, sabia exatamente que palavras dizer para deixá-la com aquela maldita vontade de chorar como uma criança. Mas o pior não era isso. O pior era saber que Jenna estava repetindo o que dizia sempre — aquele mesmo papo de que Danna era inútil e só trazia tristeza —, por que agora tinha um fundamento maior. Em sua vida “normal”, Danna havia quase se esquecido do mal que tinha feito para Joshua.
Ela havia realmente arruinado a vida dele?
Não era para isso acontecer! Ela não queria que nada disso acontecesse, nunca! Ela... só precisava ser ajudada. Uma vez na vida, só precisava de um apoio para não desmoronar, para não... se quebrar por inteiro.
— ...Ela não devia aparecer por lá — Danna disse baixo, encarando o nada, sentindo a garganta se fechar freneticamente. — Eu só precisava de ajuda.
— Ela quem? — Jenna fez como se não soubesse. — A Hayley? Ah, mas é claro que ela não devia aparecer por lá, e nem ia. Claro, não antes do bilhetinho anônimo que eu enviei... — ela terminou, dando uma risadinha ao fim da frase.
Danna abriu a boca em incredulidade, encarando com os olhos castanhos marejados àquela mulher. Sentiu o ódio e a raiva tomar conta do seu ser, enquanto encarava o sorriso falso de Jenna. Não limpou as duas lágrimas que escorreram pelo seu rosto.
— Você fez aquilo? — ela perguntou em voz baixa, mas ainda encarando a outra com raiva.
— Você é tão previsível, Danna... — Jenna parecia prestar mais atenção nas unhas do que no que realmente dizia. — Eu sabia que você ia ir procurar seu pai mais cedo ou mais tarde, por isso logo coloquei um detetive particular nas tuas costas. Não imaginava que ele teria tão pouco trabalho em descobrir quando aconteceria o encontro — ela deu uma ênfase particular. — Então, só precisei de caneta e papel.
— Por que você fez isso comigo?! — Danna perguntou, gritando, sentindo o mundo rodar e os olhos transbordarem.
Jenna desfez seu sorriso falso da cara e se aproximou bruscamente de Danna, dizendo em voz baixa e amedrontadora:
— Tenho que repetir quantas vezes? Você é isso, Danna. Inútil, imprestável. Arruinou a minha vida, portanto, eu não vou medir esforços para arruinar a sua também. — Jenna disse tudo aquilo com desdém, praticamente cuspindo palavra por palavra. Danna se detestou por deixar com que seus olhos mais uma vez transbordassem e sua garganta gritasse, esganiçada:
— MAS QUE TIPO DE CULPA EU TENHO, DROGA?!
Jenna, em total indiferença, apenas deu um passo para trás e soltou outra de suas risadas falsas e sem valor. Ia dizer alguma coisa, mas sua voz irritante foi interrompida pelo som da porta de madeira batendo e posteriormente, uma voz grave ecoando:
— O que está acontecendo aqui? — foi o que Hector disse quando adentrou a sua sala e encontrou Danna completamente desconcertada, e ao lado dela, uma mulher loira e bem maquiada que Hector jurava que já havia feito pelo menos uma plástica.
Não precisou pensar muito para descobrir quem era ela.
— Jenna. Vai embora. — Danna disse outra vez, respirando fundo, tentando inutilmente controlar as drogas das suas lágrimas. Detestava chorar, ainda mais na frente de alguém. Mais especificamente, na frente da pessoa que mais odiava e da que mais gostava.
— Jenna — Hector repetiu sílaba por sílaba, aproximando-se, sério. — Então você é a mãe dela?
— Sou — Jenna deu um sorriso falso. — E você é o cara que ela está enganando dessa vez?
— Escuta aqui, Jenna — Hector se aproximou de Jenna, respirando pesado, visivelmente irritado. — É melhor você ir embora agora.
— Não posso mais nem conversar com a minha filha? — ela arqueou uma sobrancelha, encarando Hector.
— Vou dizer o que você pode — ele a encarou de volta, ainda exalando irritação. — Você pode sair dessa casa tranquilamente ou pode preferir que eu te coloque para fora a força. A escolha é sua.
Jenna deu outra risada, como se Hector tivesse apenas contado uma piada.
— Tudo bem, tudo bem — ela levantou uma de suas mãos. — Eu vou embora. Mas antes, deixa eu te falar uma coisa, filha... — ela se virou para Danna, que ainda mantinha os olhos vermelhos. — Obrigada. — Ela disse, sílaba por sílaba, com um sorriso nos lábios. Hector bufou de raiva e Danna simplesmente não entendeu. — Obrigada por ter feito o que eu não consegui fazer durante a minha vida inteira! Você construiu destruir a vida do Josh, e melhor ainda, da Hayley. Conseguiu destruir a vida dela por completo e atingiu até mesmo os filhos dela. Sabia que o pirralho menor está depressivo?
— Certo, você escolheu — Hector disse rangendo os dentes.
— Por isso, filhinha, obrigada. Você conseguiu fazer em um minuto o que eu não consegui fazer em anos! — Jenna disse e deixou um grito agudo sair de sua garganta quando as mãos de Hector alcançaram seu braço, puxando-a para fora daquela sala. — Você é realmente bem melhor do que eu nisso.
Hector a puxou com força para fora enquanto Danna se deixava sentar no sofá, desatando em lágrimas.
Fora idiota de pensar que tudo finalmente ficaria melhor. Não, não havia com
o. Jenna tinha razão, afinal. Danna arrancava tristeza de onde passava, essa era uma verdade. Jenna havia dito que ela havia... destruído, arruinado... a vida de pessoas que não tinham nada a ver com a história, e Danna sabia que não era mentira. Estava, mais uma vez, fazendo com que pessoas inocentes sofressem. Mais uma vez, estava estragando a vida de pessoas que nem sequer conhecera direito.
Era isso que ela fazia. Estragava, destruía. Era isso que ela era.
Absorta em seus pensamentos e suas lágrimas, ela só notou que Hector voltara quando ele puxou sua cintura e a apertou contra si, deixando Danna encostar o rosto no seu pescoço, e posteriormente, apertar seus ombros como se aquele abraço pudesse protegê-la e sará-la de toda a dor, de toda a culpa, de todo o remorso.
Mas ela sabia que não podia.
Mesmo assim, chorou. Chorou no ombro de Hector, que com o coração na mão, afagou-lhe os cabelos e com a voz doce disse que não deixaria nada de ruim acontecê-la. Mas Danna sabia que seu perigo era ela mesma. Seu perigo era oferecer tristeza as pessoas.
— Ela... ela tem razão, Hector... — Danna começou a dizer com a voz embargada pelo choro, ainda sem soltá-lo. — Eu... arruinei tudo... foi tudo culpa minha, Hector... Ela é uma vadia, mas ela tem razão... ela tem tanta razão... É minha culpa...
Hector se separou de Danna e segurou seu rosto com as duas mãos, prendendo seu olhar quase desesperado no dela. E então disse, com toda a convicção do mundo:
— Você não é culpada, ouviu? — ele encarou Danna, ainda segurando suas bochechas, e deixando com que os olhos dela chorassem um pouco mais. — Você não é culpada, Danna, você nunca foi! Essa mulher não presta, você não pode acreditar nunca no que ela diz!
— Mas Hector... — ela começou, fungando, sentindo os olhos transbordarem ainda mais. — Eles eram tão... felizes juntos... E eu tenho certeza de que eu estraguei tudo. E se eles estiverem mesmo separados? E se o Joseph estiver mesmo em depressão? A culpa é toda minha! Se não fosse por mim isso não teria acontecido!
— A culpa não é sua, Danna, olha pra mim — Hector ainda segurava o rosto dela perto do dele, fazendo ou tentando fazer com que ela o olhasse. — Você não pode se colocar na frente de todo mundo! O teu pai te escondeu da família dele e de todo mundo! Se algo estiver desmoronando por lá, com certeza será por causa dele, e não a sua. Mas como você vai saber se é verdade? Não se pode acreditar no que aquela cobra diz! Estava claro que ela veio aqui só para te infernizar!
— Por que você faz isso?! Droga, Hector! — Danna gritou, deixando a voz um oitavo acima. Retirou as mãos dele de seu rosto e saiu de seus braços, chorando. Encarou-o com um misto de todas as emoções que podia sentir. — Por que você é tão legal comigo assim?! Droga! Eu não mereço isso, será que você não vê?! Eu não mereço toda essa bondade, Hector, caramba! Não dá pra perceber que ela tem razão, justamente por que a minha vontade agora era de voltar para aquela droga de boate e me drogar até cair de novo?! Hector, que droga! Para de se importar comigo, para de ser legal comigo, por que eu vou acabar destruindo você também! — ela gritou, sentindo as lágrimas escorrerem com toda a força, avassaladoras. — Eu vou destruir você! Eu não... posso destruir você...
Hector a olhou com os olhos quase desesperados, e novamente, segurou seu rosto com as mãos. Olhou-a no fundo do olhar, procurando, de alguma forma, acalmá-la.
— Eu não vou me afastar de você! — ele quase gritou, segurando o seu rosto, vendo-a chorar. — Você não pode voltar para aquele lugar e se drogar de novo... E para, caramba. Para de pensar que você não merece nada de bom nessa vida. Você não é isso, Danna, por favor...
— Eu sou sim! — ela gritou de volta. — Eu sou, mas você não percebe isso! E quando você perceber, vai se machucar também.
— Você não é! — ele disse, oficialmente descontrolado. — Danna, não sou só eu que percebo quem realmente você é. Você é solidária, é humilde, você tem um coração puro, você é divertida... Caramba! Todo mundo que te conhece vê isso! Inclusive o meu pai, que sabe de tudo o que você passou para chegar até aqui! — Hector respirou fundo, ainda mantendo o contato visual. — Jenna também percebeu isso e é por isso que ela tenta de derrubar sempre. Eu percebi isso no momento em que você abriu os olhos naquela cama! — Ele disse, acariciando sua bochecha, enquanto ela só parecia chorar ainda mais. Hector respirou fundo. — Você é uma pessoa incrível, pequena Danna... mas só você não vê isso.
Então ele a puxou, abraçando-a com toda a força, e Danna não pôde fazer outra coisa a não ser se deixar envolver por aqueles braços, despejando neles todas as suas lágrimas e tristezas.



[...]



Do you see what we’ve done? We’ve gone and made such fools of ourselves.
How did we get here? I used to know you so well… How did we get here? Well, I used to know you so well…
I think I know… I think I know…

There is something that I see in you, it might kill me. I want it to be true.
(Você vê o que nós temos feito? Vão nos fazer de bobos.
Como chegamos aqui? Eu costumava te conhecer tão bem... Como chegamos aqui? Bem, eu costumava te conhecer tão bem...
Eu acho que sei... Eu acho que sei...
Tem algo que eu vejo em você, isso pode me matar. Eu quero que seja verdade.)



Luke deixou o sorriso que estava em seu rosto aumentar o máximo que podia, enquanto Sophie abria seu olhos e apertava o botão “off” do teclado que havia levado para a casa dele. Colocou o cabelo atrás da orelha.
— Então... essa é a música misteriosa? — ele perguntou, brincando.
— Seria misteriosa se o Sr. Curioso não tivesse lido toda a letra sem a minha permissão — ela bufou, fingindo estar com raiva.
— Eu amei a música — ele interrompeu, fazendo-a sorrir. — Só pra constar.
— Compus ela antes de a gente ficar junto — ela disse —, era pra você odiar.
— Não tem como odiar algo que você escreve, por favor — ele deu de ombros.
— Você odiou Ignorance — ela deu um sorriso vitorioso, saindo da cadeira e indo em direção à cama, onde Luke estava sentado.
— Não odiei — ele disse. — Odiei a idéia da música por que ela era real. Odiei o fato de a sua primeira música ser tão agressiva e ser direcionada a mim. Odiei o fato de a música ser ótima. — Ele a encarou, com o meio sorriso ainda no rosto. — Odiei por que você escreveu. Eu odiei você.
— Ai — ela disse, encarando-o sapeca. — Essa doeu. Mas se quer saber, eu odiei você também.
— Sério? Eu nem sabia... — ele disse, engatinhando até ela.
— Sério — ela respondeu, enfiando as mãos no seu cabelo bagunçado e ridículo. — Ainda odeio, sabia?
— Ah, odeia? — ele perguntou provocante, deixando um beijo no seu maxilar e apertando sua cintura. — Eu te odeio também. Ah, como eu te odeio.
— Meu ódio por você é maior do que qualquer outra coisa que exista — ela disse, arranhando de leve sua nuca.
Luke deu uma risada sonora.
— Acho que já vi essa cena antes... — ele sussurrou ainda sorrindo e levou seus lábios até os dela, iniciando um beijo que ao mesmo tempo que era cheio de brincadeira, estava carregado de desejo e paixão. Luke sugou os lábios dela com precisão, fazendo com que um arrepio involuntário levantasse os pelos de sua nuca e ela arranhasse novamente a nuca dele, retribuindo o beijo à altura. Claro que isso também fez com que uma corrente elétrica passasse pelo corpo dele.
E Sophie se sentia feliz. Sentia realmente que tudo estava melhorando, e enquanto estava nos braços de Luke, não podia se imaginar mais de bem com o mundo. Aliás, podia sim, caso Julia estivesse na cidade e pudesse zoá-la ao vivo enquanto Sophie gastava alguns minutos falando sobre Luke e o que sentia.
De qualquer forma, agora, Sophie estava bem. Estava bem por que estava com Luke.
Ele terminou o beijo deixando alguns selinhos nos lábios dela, para depois se sentar novamente na cama e segurar seu violão. Quando Sophie chegara em sua casa, ele estava tentando compor alguma coisa. Ela ia ajudar, mas decidiu mostrar Decode antes.
— Então... por que você não foi pra escola hoje, mesmo? — ele perguntou, solando um ritmo qualquer no violão.
— Acordei tarde — ela disse. — Na verdade, eu não dormi a noite toda, então quando eram umas cinco da manhã eu peguei no sono e depois só acordei às nove. Perdi algo interessante?
— Se você estivesse no terceiro ano, sim — ele riu. — Mas eu acho que no seu caso, não. Por que a minha turma só estava decidindo umas coisas da formatura...
— Ah, é — Sophie revirou os olhos. — Você vai se formar depois desse ano e não hesita em esfregar isso na minha cara, que bonito.
Luke riu.
— Larga de ser invejosa, que coisa feia — ele disse revirando os olhos. — Só por que depois desse ano eu vou fazer dezoito, virar independente, trabalhar e começar uma universidade você fica com inveja. Isso não é uma coisa boa, na verdade, é algo bem ruim...
— Seu idiota — ela disse, batendo em seu braço e fazendo com que ele gargalhasse. — Pelo menos eu tenho um carro e você não.
Luke fechou a cara, fingindo estar irritado.
— Agora você magoou — disse, duro. Sophie deu uma risada. — Não é bonito ficar esfregando seu Nissan na cara de pessoas alheias.
— Claro que é bonito — ela disse, empinando o nariz. — Você começou, oras.
— Mas o seu argumento é inválido — Luke sorriu. — Como você se lembra, há quase dez anos atrás, nós entramos em matrimônio. Como minha esposa, o que é seu é meu. Portanto, eu tenho um carro.
Sophie gargalhou alto.
— Não lembro de a gente ter decidido que o casamento ia ser em comunhão de bens.
— Não tem problema, eu tenho uma solução — Luke riu. — Eu me divorcio de você e nós nos casamos de novo, dessa vez em comunhão de bens.
— E quem disse que eu vou querer me casar com você? — ela levantou uma sobrancelha.
Luke apenas riu.
— Você vai — respondeu com convicção.
— Quem disse? — ela desafiou.
Luke sorriu para o canto e, de repente, se aproximou dela, dando-lhe um beijo não-planejado. Sophie nem sequer pensou no que havia acontecido, apenas sentiu seu coração acelerar de um modo incalculável e um arrepio forte passar pela sua espinha, enquanto sentia os lábios e a língua de Luke beijarem-na com ardor. Retribuiu o beijo à altura, esquecendo totalmente a posição desafiadora.
Então Luke se afastou, do nada, mordendo o lábio inferior dela com ousadia. Deixou-lhe um outro selinho molhado e finalmente saiu de perto dela.
O peito de Sophie inflava freneticamente, e ela não estava totalmente certa do que havia acontecido. O arrepio ainda passava por ela enquanto seu coração palpitava a mais ou menos mil batimentos por minuto.
— Acredita em mim — Luke começou a dizer, encarando-a. — Você vai querer.
Sophie levantou um dedo.
— Não faça mais isso — disse, fazendo Luke rir alto.
— Também acho que já vi essa cena... — comentou, ainda com o sorriso no rosto.
Sophie acabou não se agüentando e rindo também.
— Enfim — ela disse. — Vou ligar para a Jenny depois e perguntar se perdi alguma coisa, já que alguém ao invés de me responder começou a esfregar a formatura na minha cara.
— Ih, começou — Luke fez que não com a cabeça. — Certo, eu acho que sei o que fazer pra tirar esse bico da sua cara.
— Bico? — ela abriu a boca em indignação. — Eu não faço bico!
— Claro que faz. Como uma típica menininha mimada pela mamãe — ele afinou a voz e Sophie fuzilou-o com os olhos.
— Eu. Não. Sou. Mimada. — Ela cerrou os dentes e ele riu.
— Claro que não — ironizou. — E o Perry não é o mamífero mais maneiro que existe. — Ele apontou para a pelúcia que estava em cima da estante.
— Cala a boca, ok? Eu não sou mimada — Sophie revirou os olhos. — E não faço bico!
— Acabou de fazer — Luke torceu os lábios.
— Mentiroso safado — Sophie bufou, batendo no ombro de Luke. Ele riu.
— De qualquer maneira, para retirar o biquinho do seu rosto... — ele começou e Sophie abriu a boca para retrucar, mas Luke levou um dedo a sua boca, impedindo-a de continuar. Sorriu e retirou o dedo, para depois sair da cama e se ajoelhar no chão do quarto. Segurou uma mão dela e pigarreou, fazendo-a rir. — Sophie Farro, menina mimadinha e insuportável, aceita ir comigo ao baile de formatura? — Sophie gargalhou e ele ainda segurava sua mão com delicadeza. Sorriu também, ainda olhando-a. — E responda logo por que meu joelho tá ficando dormente.
— Vou pensar no seu caso — ela disse, puxando a mão dele e fazendo-o deitar-se sobre ela, iniciando mais um beijo. Mais uma vez ela enfiou suas mãos em seus cabelos, enquanto Luke a segurava pela cintura com firmeza. Seus lábios se encontravam novamente com a mesma intimidade de sempre, mas ainda assim, dando um ar de primeira vez. A corrente elétrica e o arrepio estavam lá, assim como a inquietação no estômago e o aumento de batimentos cardíacos. Suas línguas se entrelaçavam delicadamente e seus corpos estavam colados, deixando o beijo mais estimulante do que já estava. Luke acariciava a cintura de Sophie enquanto ela embrenhava o máximo que podia seus dedos nos cabelos dele, arranhando de leve sua nuca vez ou outra.
Quando seus pulmões imploraram por ar, eles se separaram levemente, e Sophie o virou na cama, abraçando-o enquanto permanecia deitada na cama de Luke. Gostava de apoiar a cabeça no peito dele e sentir o seu pulmão inflar delicadamente. Gostava de quando ele colocava a mão em sua cintura e a abraçava de volta, só para senti-la junto dele. Eles não precisava fazer nada, apenas se abraçar e ficar juntos por um tempo. Dormir um pouco, talvez.
Sophie adorava isso. Era a melhor sensação do mundo.
— Sabe uma coisa que eu nunca fiz? — Sophie sussurrou com a voz rouca, passando a ponta dos dedos pelo peitoral de Luke.
— Pular de bang-jump? — ele fez uma piada e Soph riu, dando um pequeno tapa onde passava a ponta dos dedos anteriormente.
— Não, bobão — ela respondeu. — Eu... nunca cantei Adore.
Luke não respondeu e ela continuou:
— O que é estranho. Por que é uma das músicas que eu mais amo, mesmo que eu não tenha admitido isso pra ninguém.
— Você tocou ela no casamento da Isabelle — Luke comentou.
— Mas nunca cantei — ela torceu os lábios.
— Então canta pra mim — mesmo que ela não pudesse ver, Sophie soube que Luke esboçava um sorriso.
Ela se levantou delicadamente e apoiando os pulsos no peito dele, deixou um selinho demorado nos seus lábios, sentindo a mesma sensação boa que sempre tinha quando beijava Luke. Depois ela se levantou e foi em direção ao teclado que havia desligado. Ligou e colocou na opção “piano”.
— Se eu errar a letra você me ajuda, tá? — ela disse, se virando para trás.
Então ela começou a tocar a versão piano, solando devagar e bem feito aquela música que Luke compusera com tanta emoção. Quando sua voz rouca e afinada começou a ecoar, Luke simplesmente não pôde deixar de sorrir.
Sophie cantava com o coração, ele sempre soube disso. Ela pronunciava cada palavra com emoção, como se conseguisse finalmente entender o que Luke quis dizer quando compôs aquela música. Como se agora, ela soubesse o que ele queria dizer com “toda vez que você chega perto eu me sinto mais vivo do que nunca”. Como se agora ela compreendesse o que Luke queria dizer com ser o único por quem ela estava procurando. E melhor ainda: era como se agora, ela soubesse e sentisse o mesmo que Luke sentia quando escreveu aquela música.
Eu nunca quis ninguém tanto assim. Luke nunca quis ninguém da mesma forma que quis Sophie. Sophie nunca quis ninguém da mesma forma que quis Luke.
E agora, finalmente, eles eram um do outro.
Quando a última palavra foi pronunciada e a última nota arrancada do teclado, Sophie se virou para Luke, da mesma forma que da outra vez. Sorriu.
Luke não tinha o que dizer, estava pasmo. As palavras simplesmente fugiram de sua cabeça, e ele só conseguia pensar uma coisa que acabou dizendo:
— Você... é perfeita, cara — ele disse, ainda com o sorriso abobalhado no rosto.
Aquela música na voz de Sophie havia conseguido ser a coisa mais linda que Luke já havia escutado. Ela soube exatamente como afinar a voz, e... havia transformado Adore. Havia melhoradoAdore.
E Luke, agora, estava oficialmente emocionado.
— Não exagera — Sophie disse, rindo.
— Não estou — ele ainda estava com o sorriso bobo na cara. — A música ficou... tão melhor na sua voz, que... eu... estou sem palavras.
Sophie sentiu o rosto corar. Colocou o cabelo para trás da orelha.
— Você é muito bobo. Adore na sua voz fica muito melhor, mesmo que cantá-la seja... realmente incrível.
— Juro pra você que Adore fica melhor na sua voz — ele reforçou seu argumento.
— Claro que não.
— Olha, a música é minha e eu decido em que voz ela fica melhor — Luke levantou a mão, como se dissesse que aquele era o último argumento e ponto final. Sophie riu.
— A música pode ser sua, mas a opinião de que ela fica melhor na sua voz é minha — ela disse e saiu da cadeira do teclado mais uma vez, caminhando até a cama.
Luke a puxou para perto de si e a fez se sentar de frente para ele. Encarou-a, com um meio sorriso bobo no rosto e posicionou uma mão na nuca dela, mexendo com alguns fios de cabelo tingidos.
— Você é a garota mais teimosa que existe, sabia?
— Eu não sou teimosa — ela respondeu, com o mesmo sorriso no rosto. — Você é que teima em admitir que eu estou certa.
Ele riu.
— Eu amo você — disse, encarando-a com ainda mais intensidade. Mordeu o lábio inferior, abrindo o sorriso logo depois. Droga, ele a amavaEra a mais pura verdade!
Sophie levou sua mão até a nuca dele também.
— Eu amo você — repetiu o que ele havia dito, aproximando seus rostos, mas sem iniciar um beijo. Apenas colou suas testas, sentindo suas respirações se misturarem e a sensação de bem-estar tomar conta por inteiro.
Luke mexia seu polegar na bochecha de Sophie delicadamente, com os olhos fechados.
— Então... você aceita ir ao baile comigo? — ele sussurrou.
— Sim — ela respondeu de imediato, também sussurrando.
Luke aproximou seus lábios, mas sem iniciar um beijo verdadeiramente dito. Apenas provou dos seus lábios com delicadeza, roubando-lhe um selinho demorado e molhado, para depois continuar com a testa colada na dela e sentir suas respirações frenéticas se misturarem mais uma vez.
— Que bom — ele disse, dando um meio sorriso. — Aceita namorar comigo também?
Sophie deu um sorriso aberto e levou a outra mão até a nuca de Luke, acariciando sua bochecha assim como ele fazia com ela.
— Absolutamente sim — respondeu, ainda com o sorriso aberto no rosto, que só se desfez quando mais uma vez ela aproximou seus lábios, iniciando mais um beijo com aquele rapaz que ela tanto amava. E que, agora, namorava.



[...]



— Tem mesmo que ir agora? — Hayley perguntou.
— É — Sarah respondeu, torcendo os lábios. — Adam! O que eu te falei? Larga esse violão, você vai quebrar!
O garoto de olhos azuis e cabelo castanho escuro retirou as mãos pequenas do violão Gibson de Sophie, que estava por algum motivo jogado na sala de estar. Afinal, ela nunca deixava o instrumento dentro do quarto.
— Eu tava tocando, mamãe! — respondeu o menino de quatro anos, correndo até o sofá onde Sarah e Hayley estavam. — Tava tocando a música do papai!
— Você vai ter que crescer um pouco mais para tocar a música do papai — ela disse, rindo, e pegou a criança no colo. Deixou-lhe um beijo no rosto e se virou para Hayley. — Tenho que ir por que Brendon precisa resolver umas coisas da casa e disse que é melhor que eu vá para que depois eu não brigue com ele por escolher a decoração errada. E além do mais, Spencer está na nossa casa, e eu sinto medo. Tenho que estar sempre perto por que quando os dois se juntam, conseguem ser os seres mais bagunceiros e nojentos do mundo.
— Eu sei — Hayley disse, rindo. — Convivi anos com aqueles caras. Era bem pior quando Ryan e Jon se juntavam também.
Sarah riu.
— Nem me lembre da época de Ryan e Jon, meu Deus — ela disse, fazendo que não com a cabeça. — Falando nisso, eles disseram que vêm te visitar qualquer dia desses.
— Puxa, tem anos que eu não os vejo — Hayley torceu os lábios. Se lembrava bem da época em que Ryan e Jon brigaram feio com Brendon e Spencer. Ela ainda tentou fazer com que eles vissem ambos os lados, mas Ryan e Jon interpretaram errado e acabaram brigando com Hayley também.
Só fazia alguns anos que eles haviam feito as pazes.
— Eu os vi há um mês, mais ou menos — Sarah disse, levantando-se com Adam no colo. — Enfim, tenho que ir, gata — ela disse e riu.
— Certo, se cuide — Hayley começou a caminhar para fora de casa com Sarah.
— Você também — ela disse e colocou Adam no chão, segurando sua mãozinha. — E não esquece do que eu te falei.
Hayley sorriu e fez que não com a cabeça.
Sarah caminhou até o carro e prendeu Adam na cadeirinha de bebê, e abraçou Hayley antes de entrar no carro e sumir da vista dela.
Ainda sorrindo pela presença engraçada da amiga, Hayley fechou a porta e entrou dentro da casa. De fato, Sarah era quase um anjo na vida de Hayley. Depois da conversa que tiveram, há quatro dias atrás, Hayley havia mudado em relação aos filhos e via tudo melhorando por conta disso. Já não trabalhava tanto — conseguira até mesmo uma folga nessa sexta-feira, e tanto Joe quanto Nate pareciam mais felizes. Sophie, é claro, estava radiante como nunca estivera.
Hayley adorava ver a filha daquela forma. Apaixonada, quer dizer.
É claro que teve de lhe passar um sermão de duas horas sobre o que ela havia feito, assim que descobriu que Sophie não havia usado proteção. Elas foram ao médico e ele receitou uma pílula do dia seguinte para Sophie, e como ginecologista, também pagou outro sermão para a adolescente. Mas explicou para Hayley que as chances de se engravidar na primeira vez eram pequenas, e que Sophie tinha se descuidado mas não estava gestante.
Graças à Deus.
Mesmo assim, ela adorava ver Sophie feliz da forma que estava. Gostava também de lembrar da conversa que tivera com ela e Sophie jurava odiar Luke com todas as forças.
Claro que ela estava errada.
Assim como Hayley há anos atrás com Josh.
Josh. Hayley balbuciou que não com a cabeça, suspirando. Mais uma vez seu pensamento se direcionava à Josh. Mais uma vez.
E isso estava tão freqüente que Hayley já estava começando a se odiar por isso. O fato de Josh estar sempre em sua mente ou a forma que ele insistia em dizer que a amava quando eles precisavam se encontrar para acertar detalhes do divórcio que não estava nem perto de ser resolvido deixavam-na exausta. E também... tinha a saudade.
Por que mesmo que Hayley não admitisse para ninguém... ela sentia saudade. Droga, ela sentia tanta saudade!
Mas ela não deveria sentir. Era errado e era como assinar sua própria depressão. Não podia deixar-se dominar por esses sentimentos. Josh a havia magoado e magoaria mais se ela se juntasse à ele novamente. O certo, agora, era esquecer.
De uma vez por todas.
Respirou fundo mais uma vez, quando de repente a campainha de sua casa tocou. Sarah devia ter esquecido alguma coisa, como sempre. No dia anterior ela havia deixado o celular na casa de Hayley, então, não seria difícil ela ter esquecido alguma coisa importante.
Mas quando Hayley abriu a porta, arregalou levemente os olhos. Por que não, não era Sarah que estava em sua porta. Era outra pessoa bem diferente. Uma pessoa que Hayley não esperava rever... tão cedo.
— Me desculpe... — a garota foi dizendo, respirando fundo, como se fazer tudo aquilo fosse a coisa mais difícil que já fizera na vida. — Eu... Meu nome é Danna. Posso conversar com a Sra. por um momento?

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