23 de set de 2012

Capítulo 35

I'm on my way to believing



Hayley fechou a porta atrás de si, respirando fundo e com dificuldade, quase fungando. Já fazia um tempo que ela havia parado de chorar, porém os sinais ainda continuavam em sua face. Seu rosto ainda estava vermelho e seus olhos, inchados.
Porém ela não se arrependia de ter chorado — mais especificamente, na frente de Sarah. Ela se arrependia, na verdade, de ter deixado as coisas chegarem onde haviam chegado. Sentia-se pequena e falha. Tudo o que ela mais temia tinha acontecido, e pior, ela não havia feito nada para arrumar.
E ela nem mesmo conseguia ver isso.
Foi preciso Sarah para abrir seus olhos e mostrar que a realidade estava bem pior do que a sua ilusão, que já era bem ruim.
Hayley deixou uma outra lágrima escapar de seus olhos verdes, que já denunciavam os primeiros sinais de envelhecimento. Suspirou, retirando os saltos do pé com a ponta dos dedos.
Andando descalça pela casa, ela foi em direção a cozinha para tomar um copo d’água. Lembrou-se de toda a conversa que teve com Sarah, então. Ela havia chego ainda bem cedo e, junto à Brendon, Hayley se divertiu como não se divertia há muito tempo. Até o momento em que elas ficaram sozinhas.
— Vamos lá, me conte — foi o que Sarah disse, pouco tempo atrás, sentando-se no sofá de sua casa. Ela e Brendon tinham uma casa em Nashville, para passarem as férias ou qualquer evento parecido. Brendon havia mandado os empregados deixarem tudo pronto para a sua chegada três dias antes. — Como você está?
Hayley suspirou e se sentou também.
— Estou indo — ela disse, torcendo os lábios. — Pedi o divórcio, mas ele não quer assinar.
Sarah assentiu com a cabeça. Ela já sabia de toda a história desde o começo, já que Hayley ligava frequentemente para ela. E Nate, mais cedo, havia dito parte da história também. Tudo se confirmou quando ela conversou também com Kathryn.
— E as crianças? — Sarah perguntou, olhando firmemente nos olhos de Hayley, porém não deixou ela responder. — Conversei com o Nate ainda agora, Hayles. Ele me contou que as coisas com eles estão... bem ruins.
Hayley suspirou.
— Eu sei — ela disse, abaixando a cabeça.
— Ele me disse que Joe está dormindo no quarto de Sophie por que tinha pesadelos, e que ele andava chorando muito, e... ele estava quase depressivo. — Sarah disse tudo calmamente, e Hayley olhou-a com uma pitada de surpresa nos olhos. — A namorada dele foi embora e Nate disse que está mal por isso, e por não conseguir ver o pai direito. Ele me disse que apesar de tudo isso acontecendo, não viu Sophie chorar nenhuma vez, por que ela tava se desdobrando para cuidar dos dois. Então ele disse que você tava muito ocupada no trabalho e duvidava que você soubesse de algo.
Hayley sentiu as lágrimas virem transbordarem em seus olhos. Olhou para baixo, e ao invés de responder, ela fungou.
— Olha, Hayles, eu te amo — Sarah disse, ainda com a voz mais calma possível. — E é por isso que eu vou dizer isso agora. Por que amiga não serve só pra curtir, e você sabe. Às vezes a gente tem que falar sério, ou dar um puxão de orelha. — Ela deu uma risada, e olhou no fundo dos olhos verdes chorosos da amiga com cautela. — Você está errando, Hayles... Lembra de quando seus pais se separaram?
Hayley apenas assentiu com a cabeça.
— Sua mãe fez o quê? Ela sofreu, se afastou de você, e depois arranjou um namorado. E aí você sofreu com isso. Sofreu por que ela não conversou contigo, se afastou, e tentou fingir que estava tudo bem quando não estava. Então você ficou com medo, e sofreu como ninguém. — Sarah fez uma pausa. — Claro que a situação agora é diferente, e talvez seja mais grave. Josh errou com você outra vez, e isso te machucou. Ainda machuca. Mas entenda que agora os atos dele não refletem apenas em você, mas também nos filhos de vocês. E Hayles, os teus atos também refletem neles. Por que você está fazendo praticamente o que a sua mãe fez.
— Eu... — Hayley disse, fungando. — Eu jamais... faria isso com eles, Sarinha...
— Não é sobre o Andrew que eu estou falando — Sarah falou calmamente outra vez. — Hayley, eu te conheço. Eu sei bem que se você estiver mal, você faz das tripas coração para não deixar as pessoas que você ama saberem disso. Eu convivi com você durante anos, lembra? Ou você acha que eu não sabia que aquelas risadas que você dava três meses depois do Josh ter ido pra guerra eram falsas? — Sarah suspirou. — Acontece, Hayles, que você não pode mais fazer isso. Por que ao contrário do que você pensa, isso só machuca mais aquelas pessoas que você ama. Eu sei que você ama seus filhos e sei que se você não está dando o devido apoio à eles, é por que você não quer que eles vejam que você sofre. Mas fazendo isso, se jogando no trabalho, fingindo estar ótima, você está fazendo com que eles pensem que não podem contar com a mãe. E isso é horrível, Hayles. Por que eles aprendem com isso. Afinal de contas, Nate me disse que não havia visto Sophie chorar nem uma vez. Com quem você acha que ela aprendeu?
Hayley soluçou alto, deixando todas as lágrimas saírem livremente de seus olhos. Sarah tinha razão! Ela tinha tanta razão!
Ainda com a cabeça baixa, chorando copiosamente, Hayley sentiu as mãos da amiga apertarem as suas e puxá-la para um abraço. Hayley afundou nos braços da melhor amiga, chorando tudo o que tinha para chorar, sabendo que aquelas palavras fortes eram extremamente necessárias para ela.
Hayley sabia que seus filhos sofriam com isso, mas achava que a melhor forma era mostrar à eles que ela estava bem com isso. Na verdade, ela sequer pensava. Apenas se jogava no trabalho para inibir a própria dor.
Josh a havia machucado, sim, havia, e muito.
Mas Soph, Nate e Joe não precisavam sentir isso na pele. Eles não podam sofrer tudo o que ela estava sofrendo. Era errado! Era justamente o que Hayley não queria que acontecesse! E era o que ela estava deixando acontecer.
Viu que estava sendo egoísta e odiou-se por isso. Odiou-se por não ser a mãe que sempre fora para seus filhos justamente quando eles mais precisaram. Odiou-se por minimizar a dor deles e apenas pensar na sua própria. Sentiu-se suja, pequena, egoísta, fraca.
— Você tem... razão — ela disse, com a voz completamente embargada pelo choro. Mas foi só isso que ela precisou dizer para que Sarah entendesse todos os seus pensamentos. Foi só isso que ela precisou falar para que Sarah entendesse, enfim, que ela estava arrependida e detestava o fato de tudo ter chegado onde chegou.
E por isso Sarah a apertou mais e afagou seus cabelos estridentes.
— Não chora, linda... — ela disse, segurando-se para não cair em prantos também. — Eu quero o melhor pra você, Hayles. Já disse isso não sei quantas vezes. E você sabe que seus filhos vão te ajudar nisso tanto quanto você vai ajudá-los. Mas pra isso você precisa... ser maternal do jeito que você sempre foi. — Sarah mexeu mais no cabelo da amiga, abraçando-a com força. — Vai tudo ficar bem. Você só precisa procurar força nas crianças.
Depois disso, Hayley ainda chorou mais um pouco até se separar da amiga e refletir sobre todos os seus atos desde que descobrira da existência da filha de Josh. Sentiu-se mais mal ainda quando se colocou no lugar de seus filhos e viu que eles provavelmente estavam sofrendo tanto quanto ela. Joe, que sempre fora tão sensível, devia estar acabado com o fato de não ter mais nenhum dos pais do lado dele; Nate, que sempre fora tão apegado tanto a Hayley quanto a Josh, devia estar se sentindo mais fraco do que nunca ao ver tudo desmoronar, e isso sem contar o fato de Julia ter ido embora. Isso o devia estar corroendo por dentro. Ele não havia perdido apenas os pais, mas também, o amor de sua vida; e Sophie, que por tantas vezes imitou Hayley e quis ser como ela, assumia a responsabilidade de lidar com os dois irmãos quebrados. Além de ver sua família desmoronando, ela tinha que ser forte e cuidar para que os seus irmãos não fizessem o mesmo.
E tudo isso por que Hayley estava ausente como mãe.
Agora, terminando de tomar o seu copo d’água, Hayley já não chorava mais. Pediu à Deus forças para ser a mulher que deveria ser de agora em diante. Cuidaria de seus filhos, acontecesse o que acontecesse. Sarah tinha razão, com certeza ela tinha toda a razão.
Sophie, Nate e Joe eram a sua força. E Hayley precisava deixar com que ela fosse a força deles também.
Por isso, guardando o copo no armário, ela respirou fundo e subiu as escadas. Tudo estava escuro e parecia em paz.
Abriu vagarosamente a porta do quarto de Nate e viu seu filho do meio estirado na cama, com o cobertor do outro lado do quarto. Dormia apenas com um short e o travesseiro estava no chão, porém ele estava encolhido de frio.
Hayley sorriu, lembrando de Nate quando tinha apenas quatro anos de idade e fazia a mesma coisa. Se mexia como ninguém quando estava dormindo e não conseguia se manter embrulhado ou com o travesseiro embaixo da cabeça. Mesmo dez anos depois, ele continuava com a mesma mania.
Ela foi até o canto do quarto e passou o cobertor por cima do filho, fazendo-o relaxar, ao sentir o calor segurar em seu corpo. Olhando para o relógio na mesa de cabeceira, ela viu que já eram 00h35 da manhã. Nate devia estar dormindo há um tempo.
Deixou um beijo no seu rosto e passou os dedos pelos seus cabelos, enquanto o via dormir como se ainda fosse uma criança. E vendo aquela cena, ela se sentiu revitalizada. Amava seu filho, seus filhos, mais do que tudo em sua vida. Se detestava por ter deixado eles sofrerem, mas a partir de agora, faria de tudo para reverter a situação. E ela conseguiria.
Saiu do quarto de Nate e fechou a porta com cuidado, quase sem fazer barulho. Foi até a próxima porta, onde era o quarto de Sophie. Porém, quando ela a abriu com tanto cuidado quanto a de Nate, o que viu foi uma verdadeira surpresa.
Sua filha não estava deitada sozinha, mas não estava com Joe.
Quem estava ao lado dela era... Luke.
Hayley deixou uma risada escapar e cobriu a boca em seguida. O abajur iluminava o quarto, e dava para ver claramente que Sophie estava alinhada aos braços de Luke, enquanto dormia mais que tranquilamente. Um meio sorriso brincava em seus lábios.
E ainda com o sorriso no rosto, Hayley deixou que as lágrimas saíssem de seus olhos também, e fechou a porta com cuidado.
Porém, as lágrimas que agora saíam dos olhos dela não eram de tristeza ou arrependimento. Elas estavam em seus olhos por... emoção. Por ver que sua filha mais velha já havia crescido tanto, e por ver que claramente, sua primeira vez havia sido com o único rapaz que ela um dia amou.
Sentiu-se feliz por isso. Por que mesmo sentindo tudo de ruim que o “amor” havia lhe dado com Josh, ela sentia que Sophie teria de tentar e ser feliz com Luke.
Simplesmente por que ela o amava.



[...]



Sophie sorriu a abriu os olhos vagarosamente. Jogou os braços para cima, espreguiçando-se e sentindo uma onda de felicidade invadi-la, enquanto se lembrava perfeitamente da noite que havia tido. O sorriso simplesmente não sumiria de seu rosto. Ela estava feliz e em paz.
E foi só aí que ela notou que ainda não havia amanhecido, pois a única luz que havia no quarto era produzida pelo abajur perto de sua cama. Notou também que Luke não estava ao seu lado na cama, mas estava sentado nela, olhando-a dormir.
Quando seus olhos encontraram os dela, ele sorriu também.
Então se impulsionou para frente e colocou a mão na bochecha de Sophie, dando nela um pequeno beijo, apenas para sentir o gosto de seus lábios. Deixou mais dois selinhos neles e se afastou, ainda mantendo contato visual.
Sophie sorriu e puxou o cobertor para o seu próprio corpo, pois só agora percebera que estava nua. Sentiu o seu rosto corar um bocado e torceu para que a luz do abajur não deixasse isso claro.
— Por que tá levantado? — ela deixou a voz sair mais rouca do que o comum.
Luke colocou a mão em sua coxa ainda coberta.
— Escutei uns barulhos, tua mãe deve ter chegado — ele sussurrou. — Então eu esperei os barulhos acabarem e ela deve estar dormindo agora. Preciso ir pra minha casa, que com sorte minha mãe não descobriu que passei metade da noite aqui.
— Ah — Sophie riu baixinho. — Não se preocupa, ela não vai descobrir.
— Com sorte... — Luke sorriu, ainda fazendo um carinho em sua perna. — Mas eu ando bem sortudo ultimamente, então, não tô preocupado.
— Hum — Sophie deu um meio sorriso, encarando seus olhos azuis que pareciam ainda mais bonitos à pouca luz. — Posso saber por que tá se considerando tão sortudo?
Luke colocou a mão no queixo, fingindo-se de pensativo.
— Ah, não sei... — ele disse, olhando para o nada. — Eu ter finalmente passado uma noite com a garota que eu sempre amei, talvez.
Sophie sorriu, encarando o rosto risonho de Luke e sentindo suas mãos suarem subitamente. Droga. Ele não tinha ideia do efeito que exercia sobre ela.
— Bobo — ela disse, dando uma risada logo depois.
Luke se aproximou dela e tocou seu rosto com a ponta dos dedos, fazendo um carinho delicado ali. Não conseguia tirar seus olhos dos dela, mantendo ainda o contato visual e sem conseguir parar de sorrir.
— Quando foi que eu me apaixonei tanto por você? — ele perguntou, ainda sorrindo bobamente.
— Assim que começamos a brigar — ela solucionou e ele riu, concordando.
— Você tem que parar com essa mania de ter a resposta sempre na ponta da língua, sabia? — ele se aproximou dela e deixou um selinho demorado em seus lábios. Colou suas testas logo depois.
— E você tem que parar com essa mania de querer que eu pare com a minha mania — Sophie sussurrou e os dois riram baixo, controlando-se para não acordar ninguém. Então ela novamente encontrou seus olhos azuis e penetrantes, tão perto dos seus, e não pensou duas vezes antes de puxar o rosto dele para perto do seu novamente, iniciando outro beijo apaixonante.
Apaixonante talvez não fosse o adjetivo certo a se dar aquele beijo. Talvez o certo seria denominá-lo de... apaixonado.
Por que era exatamente isso que tanto Sophie quanto Luke estavam. Apaixonados um pelo outro. E isso já vinha de muito, muito tempo.
Enquanto suas línguas se entrelaçavam com calma e facilidade, eles estavam completamente felizes, abstidos de qualquer problema ou preocupação. Sentindo o gosto da boca um do outro, eles sabiam que estavam onde deveriam estar. Sabiam que era assim que deveriam permanecer. Sabiam que o que sentiam naquela hora e que sempre sentiram era real.
Puro, incondicional, e real.
Mordendo o lábio de Sophie delicadamente, Luke deixou mais um selinho na boca daquela que amava e se separou de vez dela. Ainda com a mão em seu rosto, ele continuava seu carinho.
— Acho melhor eu ir embora mesmo, se não nunca vou sair daqui — ele disse e Sophie sorriu mais uma vez. — Você tranca a porta pra mim?
Sophie suspirou, ainda com o sorriso no rosto.
— Aham — ela disse, enquanto Luke tirava a mão de seu rosto e se levantava de vez. Sophie percebeu que ele ia calçar o tênis. — Você pode... — ela pigarreou —...pegar minha blusa?
Luke não se conteve e deixou uma risada sair de seus lábios.
Foi até o canto do quarto e pegou a camiseta que Sophie vestia, e depois pegou também a calça. Caminhou até a cama e deixou as roupas do lado dela.
— Pronto — ele disse, dando um sorriso sapeca. Sophie estava completamente corada, e o olhou com falsa raiva. Luke riu. — Tudo bem, eu me viro.
— Obrigada — ela riu, também, de nervosismo.
Luke se virou e ela vestiu rapidamente o sutiã e a camiseta. Não demorou trinta segundos para ela conseguir vestir-se por baixo também. Luke ainda estava de costas, mas com um sorriso enorme no rosto, achando graça de tudo aquilo.
— Pode virar — ela disse, fazendo que não com a cabeça e passando a mão pelo cabelo que devia estar horrivelmente despenteado.
Luke se virou e foi até ela, puxando-a pela cintura. Prendendo o corpo dela no seu, ele juntou suas testas também.
— Você fica linda demais quando tá com vergonha, sabia? — ele deu uma risada baixa.
— Cala a boca — ela disse, o rosto corando ainda mais. Beijou-lhe delicadamente quase do mesmo jeito que da outra vez, só que agora segurando firmemente sua nuca, enquanto ele segurava sua cintura com a mesma firmeza. Separou seus lábios dos dele querendo poder ficar lá para sempre.
Luke sorriu e não disse mais nada, apenas saiu do quarto pisando devagar. Sophie seguiu seu exemplo, andando descalça, quase não fazendo ruído nenhum.
Desceram as escadas bem devagar — afinal, a casa ainda estava escura — e Sophie foi até a sala de estar pegar a chave da casa em cima da estante, onde Hayley sempre deixava. Foi de encontro à Luke, que já estava de frente para a porta.
— Peguei — ela sussurrou, com a chave em mãos.
— Oba! — ele sussurrou ainda mais baixo que ela, colocando a mão para cima em comemoração. Sophie riu.
Com cuidado, selecionou a chave certa e a encaixou, girando-a e abrindo a porta logo depois. Enquanto sua pele se estremecia pelo vento frio do início de outono que havia entrado, Luke saiu para o lado de fora da casa. Foi aí que Sophie percebeu que os olhos dele conseguiam ser a coisa mais linda do mundo à luz da lua.
— Nos vemos amanhã, então? — ele perguntou, segurando sua bochecha.
Sophie sentiu a respiração desregular e os batimentos cardíacos aumentarem.
— Nos vemos ainda hoje. Já é madrugada. — Ela disse e Luke deu uma risada, mas não disse nada. Apenas se aproximou dela, estalou um selinho nos seus lábios carnudos e se afastou logo depois, deixando um beijo no ar enquanto seguia para a casa ao lado.
Sophie trancou a porta e sorriu para o nada, sentindo-se mais feliz impossível. Ela sabia que nem tudo estava arrumado, e que ainda haviam vários problemas para serem resolvidos. Sabia muito bem que sua vida estava longe de estar livre de preocupações. Mas mesmo assim ela tinha a sensação de paz dentro dela, tão grande que irradiava. Sentia que tudo estava bem, e o que não estava, iria ficar. E ela sabia que isso era unicamente por causa de Luke.
Insuportável e chato o quanto fosse, ele... tinha lhe trazido a felicidade de volta. Melhor ainda, tinha lhe trazido o amor de volta.
Sophie começou a subir as escadas, andando levemente. Ela realmente se sentia mais leve, como se assumir seus sentimentos e ter a noite que teve com Luke fosse o que ela realmente precisava. O sorriso insistia em permanecer em seu rosto, e Sophie sabia que ele não iria embora. Da mesma forma que sabia que muito provavelmente não conseguiria dormir, também.
Ao chegar no segundo andar da casa, ela decidiu checar se os seus irmãos estavam bem. Abriu a porta do quarto de Joe e o viu dormir tranquilamente, até um sorriso brincava em seus lábios.Nada de pesadelos. Tinha como tudo ficar mais perfeito?
Abriu a porta do quarto de Nate e estranhou ao ver que ele estava embrulhado. Nate é daqueles que dorme apenas com uma cueca e sempre se livra de todos os lençóis da cama enquanto dorme, pois ele mais parece um peixe fora d’água e não para de se mexer, mas agora, a coberta estava perfeitamente moldada por cima dele. Esquisito.
Então ela voltou para o seu quarto e fechou a porta com cuidado, jogando-se na cama logo depois. Sorriu ao sentir que o cheiro de Luke ainda estava impregnado em seu travesseiro e puxou a coberta para si, olhando o nada. Sua mente vagava por tudo o que havia passado com Luke, dando uma atenção especial a esta última noite. Caramba. Ela tinha perdido a virgindade com ele! E mesmo que nem em um milhão de anos ela pensasse que isso aconteceria ali, naquele momento, foi tudo tão... perfeito. Ainda que fosse impensado e no calor do momento, tinha sido realmente perfeito, e ela não se arrependia de nada. Nada.
Ainda sorrindo, Sophie se aninhou as cobertas, procurando dormir tranquilamente. Porém era só ela fechar os olhos para as cenas virem a sua cabeça como um déjà vu, fazendo com que ela desse outro sorriso bobo e se revirasse na cama outra vez. Era difícil dormir quando sua cabeça estava tão cheia.
Então ela desistiu. Ligou o abajur outra vez e se sentou na cama, pensando no que fazer para passar a noite. Suspirou e pegou o celular na mesa de cabeceira.
Quando o destravou e a foto de Dougie Poynter apareceu no plano de fundo, ela apertou o botão dos contatos. Que se dane.
O telefone chamou uma, duas, três, quatro, cinco vezes. Sophie estava quase desistindo quando escutou a voz sonolenta e irritada da amiga.
— Existe uma coisa — ela começou a dizer, irritadíssima —, que se chama fuso horário, e ela é uma maravilha, deixa eu te ensinar. Basicamente diz que as horas são diferentes de um lugar para outro, como por exemplo, de Nashville para Londres o fuso horário é de, veja só, cinco horas! E sabe pra quê o fuso horário existe? — Julia perguntou, com a voz totalmente embargada pelo sono, mas ainda assim mais irritada do que tudo. — PARA AS AMIGAS RETARDADAS NÃO LIGAREM ÀS CINCO E CINQUENTA DA MANHÃ!
Sophie riu.
— Desculpa — ela disse em voz baixa. — É só que aconteceu uma coisa, e eu precisava te contar, mesmo sabendo que você vai me zoar pro resto da vida por isso. Mas eu acho que não tô ligando muito agora.
— Você sabia que é proibido ter celular aqui? Imagina o que fariam comigo se descobrissem que eu deixo o meu escondido no quarto! Eu ia, sei lá, ser presa. — Julia ainda estava muito irritada. — ISSO SEM DIZER DO MEU SONO DE BELEZA! Por favor, Sophie, você está arruinando a minha vida.
— Para de ser dramática! — Sophie bufou. — É sério, eu... preciso compartilhar uma coisa.
 Aff — Julia bufou. — Tá, né. Já que interrompeu meu sono e me acordou mais cedo, vamos lá. Compartilhe.
— Hum... — Sophie mordeu o lábio inferior. — Certo. Digamos apenas que eu já sou uma mulher. — Ela decidiu usar a mesma frase que Julia usou quando foi falar sobre isso com ela.
Então ela teve que tirar o telefone do ouvido para não se ensurdecer com o grito que a amiga maluca deu.
— Você o quê? — Julia perguntou após dar o maior grito que Sophie já havia escutado por telefone. — Não, Susan, pode voltar a dormir, tá tudo bem — Sophie riu ao escutar Julia falando com sua provável colega de quarto. — É sério, vaca maior de todas, pode ir me explicando isso. Como assim você já é uma mulher? Tipo, como, com quem... LUKE! — e então, ela voltou a gritar.
Julia e seu invejável poder de dedução.
— Parabéns — Sophie deixou o sorriso aumentar em seus lábios.
— EU NÃO ACREDITO, VOCÊ TRANSOU COM O LUKE, É ISSO MESMO? — Julia parecia ter esquecido que ainda era cedo, e gritava a plenos pulmões. — Mas como assim, vocês nem são namorados nem nada! Ou são? Me conta tudo!
Sophie fez que não com a cabeça.
— Eu te falei que estava escrevendo uma música? — ela disse e escutou o “aham” de Julia. — Então. Ele tava doido pra poder ler essa música, e aí ele entrou no meu quarto escondido e leu. Eu peguei ele no flagra, e então a gente discutiu um pouquinho, e eu bati nele, daí ele segurou minha mão...
— AI! — Julia disse, rindo loucamente logo depois.
— E aí ele se aproximou e a gente quase se beijou, mas aí ele se afastou e disse que não podia.
— Mas é claro que podia! — Julia se manifestou do outro lado da linha, fazendo Sophie rir.
— Então eu... eu falei um monte de coisa — Sophie bufou enquanto Julia ainda surtava. — E... falei de tudo o que havia acontecido ultimamente, e do jeito que todo mundo parecia estar em conflito por não saber lidar com o que sentia.
— Inclusive você, oras. — Julia bufou.
— Inclusive eu — Soph concordou. — Então eu assumi.
— Assumiu o quê? Que você o ama?
Sophie sorriu.
— Algo assim. — Foi apenas isso que ela precisou dizer para Julia gritar mais uma vez, completamente surtada. — E então... aconteceu.
— Não acredito! — Julia disse, ainda rindo escandalosamente. — Eu sempre disse, não disse? Não disse sempre que você o amava? Que vocês iam acabar juntos? Eu sempre disse a mesma coisa! É tão bom estar certa.
Sophie riu.
— Que bom que você ficou feliz com a notícia — Sophie disse, revirando os olhos. — Estou feliz, também.
— Mas é claro que está! — Julia gritou. — Acho que te devo parabéns, então, certo?
— Me poupa, Juzy — Sophie revirou os olhos.
— Sophie Farro não é mais donzela... la la la la la... — Julia começou a cantar uma música sem qualquer tipo de melodia e Sophie sentiu o rosto corar.
— Sabe que eu posso simplesmente desligar esse telefone a hora que eu quiser, né?
— Tá, calma! — Julia ainda gritava. — Mas me diz aí, como foi? Doeu?
— Tchau, Juzy.
— PODE DESLIGAR, MAS DURMA SABENDO QUE EU SEMPRE TIVE RAZÃO SOBRE VOCÊ, SUA SAFADA! VOCÊ TRANSOU COM LUKE DAVIS E DISSE QUE AMAVA ELE, EXATAMENTE COMO NAS MINHAS PREVISÕES, PORTANTO, DE AGORA EM DIANTE VOCÊ PASSE A ACREDITAR QUANDO EU DISSER... — Sophie apertou o botão vermelho, desligando o telefone. Sorriu, deixando o silêncio reinar naquele lugar.
Deitou-se novamente na cama, lembrando da loucura da melhor amiga e, principalmente, de Luke. Realmente não conseguiria dormir se pensasse nele tanto assim. Não iria dormir nunca se a toda hora se lembrasse do seu beijo, ou do tanto que ele foi carinhoso com ela. Ou de como ele sorria quando dizia que a amava. Ou dos seus cabelos castanhos grandes e esquisitos. Ou do quão odioso ele consegue ser, mas ao mesmo tempo sendo tão amável.
É. Dormir não ia ser uma tarefa fácil essa noite.
Na casa ao lado, o garoto de olhos azuis brilhantes e cabelos castanhos pensava exatamente a mesma coisa.



[...]



A claridade fez com que Hayley abrisse seus olhos e passasse a mão pelo lado esquerdo da cama, procurando encontrar o marido dormindo pesado por ali. Josh sempre dormia pesado porém acordava a qualquer ruído, era incrível. Ele dizia que era uma coisa que havia aprendido no exército. Você não tem tempo para a insônia, por isso, quando é hora de dormir, dorme. Mas sempre preparado para ser acordado a qualquer momento e sair em batalha.
Entretanto, quando Hayley despertou, ela se lembrou que o lado esquerdo da cama estava vazio.
Suspirou e se sentou na cama, passando a mão pelos olhos inchados. Sua cabeça estava com uma ponta de dor, mas ela não tomaria remédio. A dor não era tão forte assim. Devia ser por que ela chorara muito no dia anterior, afinal, isso sempre acontecia: ela chorava e sua cabeça doía. Como se seu corpo a punisse por ser fraca a tal ponto.
Também era fraqueza procurar por Josh toda vez que acordava, pois só a fazia mais... triste, decepcionada. Não existia nada pior do que acordar pela manhã e, como sempre, procurar pelo marido que ela já não tinha mais. Era ridículo. Hayley não voltaria para Josh outra vez, não depois do que ele fez... E ela precisaria aprender a acordar sozinha. Josh não estaria mais ao seu lado. Não mais.
Então, de repente, só passou pela sua cabeça... que será que quando ele acorda, procura por ela também?
Hayley repreendeu-se mentalmente, xingando baixo. E o que importava se Josh pensasse ou não nela assim que acordasse? Oras! Ele havia escondido uma vida dela! Ele havia escondido o maior dos segredos! Havia abandonado sua filha mais velha, quando poderia simplesmente ter contado a Hayley e sido um pai presente para a tal menina! Ele havia errado feio dessa vez! Havia machucado! Então, e daí se ele procurasse por Hayley? Não importava.
Ela suspirou e colocou os pés no chão, procurando as sandálias e calçando-as. Olhou para o rádio-relógio que dizia que eram 10h25 da manhã. Arregalou levemente os olhos. Nossa! Ela havia dormido demais. Katt provavelmente já estaria louca na empresa.
Levantou-se para procurar seu celular e mandar um torpedo à amiga, quando um som melodioso atingiu seus ouvidos. Ela sabia que era alto, mas chegava em seu quarto como um som quase sem forças, procurando de todas as maneiras alcançá-la. O som era calmo, simples, limpo, e bem tocado.
O som vinha do piano na sala de estar lá embaixo.
E a música que estava sendo tocada parecia até mesmo comum, até o solo do piano se iniciar. Hayley sentiu seu corpo tremer da ponta da cabeça até os dedos dos pés, e não coordenou os movimentos que a seguiram até o fim das escadas de sua casa. Ela andava devagar, e só não estava paralisada por que seu corpo — seu corpo, não sua mente — estava em busca incessante até o ponto de início do som daquele piano. Aquele piano que estava tocando... The Only Exception.
Quando adentrou a sala de estar, Hayley viu o piano e uma jovem movendo seus dedos sobre suas teclas como se eles fossem um só. O cabelo dela estava pendurado em um coque e ela estava sentada por cima das próprias pernas, mexendo a cabeça, os ombros e a cintura conforme seus dedos dançavam por cima do teclado. E mesmo que baixo, Hayley pôde ouvir sua voz rouquinha cantarolar a música ao mesmo tempo em que seus dedos o faziam.



And my momma swore that she would never let herself forget… And that was the day that I promised,
I'd never sing of love if it does not exist. But darling…
You are the only exception… You are the only exception… You are the only exception…You are the only exception…



Ao escutar da boca e dos dedos da filha aquela frase que ela mesma escreveu para a sua própria mãe, Hayley sentiu os olhos encherem d’água. Mesmo que quase imperceptível, a voz de Sophie era tão pura que tocava-lhe mais fundo do que qualquer outra música já tocara. Seus pelos estavam todos eriçados e realmente faltava muito pouco para ela chorar. Afinal... tudo estava acontecendo outra vez.
Não com ela, mas sim com sua filha.
E ver Sophie tocando The Only Exception com a alma, entregando-se totalmente à melodia e a harmonia que a música lhe proporcionava fez com que o coração de Hayley se apertasse. E ao mesmo tempo em que seu coração se apertava de tristeza e culpa, também se enchia de felicidade.
Por que ela sabia que Sophie cantava aquela música não por estar triste com ela ou com Josh, mas sim por que... estava amando. E acreditava nisso.
E mesmo que isso fosse maravilhoso, para Hayley, também dava vontade de chorar.



I've got a tight grip on reality but I can't let go of what's in front of me here…
I know you're leaving, in the morning, when you wake up, leave me with some kind of proof it`s not a dream… Ohh…


Sophie fez uma alteração nos contratempos na parte da música antes do refrão, cantando levemente e com os olhos fechados. Hayley mordeu o lábio inferior e deixou um bocado de lágrimas lavarem-lhe o rosto. Estava tão emocionada que não conseguia descrever o que se passava por ela naquele momento. Era um misto de todos os sentimentos, desde tristeza até alegria, desde arrependimento até vontade de redenção. Tudo era tão intenso que ela simplesmente não conseguia controlar seu choro, suas lágrimas, que nada mais eram do que suas emoções aflorando pelos seus olhos.
Ainda assim, ela tratou de passar as mangas do moletom pelas bochechas, procurando secar o rosto. Então deixou um meio sorriso aparecer em sua face, enquanto Sophie que também mantinha um sorriso no rosto, cantava o resto da música com um pouco mais de impostação, mas ainda movendo o corpo junto com as mãos e sentindo a música como um verdadeiro musicista. Como alguém realmente apaixonado faria.



You are the only exception… You are the only exception… You are the only exception… You are the only exception…
You are the only exception… You are the only exception… You are the only exception… You are the only exception…
And I'm on my way to believing…
Oh… and I'm on… my way to believing.




Quando Sophie terminou de tocar, sorriu e estralou os dedos, como quase sempre fazia quando tocava. Depois, passou os dedos delicadamente pelas teclas sem proferir som, e fechou o compartimento do teclado com delicadeza. Então ela se virou para trás, vendo a figura da mãe completamente emocionada, encostada na parede que separava uma sala da outra.
Hayley passou uma mão por baixo dos olhos, limpando as lágrimas que ainda insistiam em cair.
— Mãe! — ela disse, ainda com um meio sorriso no rosto. Levantou-se rapidamente. — Ah, qual é. Você tá chorando? — Sophie foi em direção à Hayley e passou os braços pelos ombros da mãe, puxando-a para um abraço. Apertou-a o máximo que pôde. — Fala sério, mãe, você me prometeu que nunca mais ia chorar se me visse tocando. Por favor, né! Para de chorar.
Hayley sentiu a animação na voz inquieta da filha e deixou uma risada escapar de sua garganta, mesmo que seus olhos continuassem a transbordar.
— Sério, mãe — Sophie continuou. — Nunca mais toco nesta casa, também, vou te contar. Por favor, para de chorar!
Hayley riu outra vez e secou as lágrimas com os dedos.
— Não estou chorando, ok.
Sophie se separou do abraço da mãe só para olhá-la com a maior cara de incredulidade que existia.
— Você é a pior mentirosa que existe — Sophie disse, torcendo o lábio e fazendo Hayley dar uma risada abafada e secar as bochechas pela vigésima vez.
— Não é minha culpa... você toca muito bonitinho — ela disse, tentando se defender.
— Pronto, não toco nunca mais, também — Sophie cruzou os braços no peito, fingindo estar séria, para depois descruzá-los e dar uma risada. Deu outro abraço apertado na mãe, então. — Sério, não quero ver a Sra. chorando. Pare, vamos.
— Eu já parei! — Hayley se defendeu, mexendo no cabelo colorido da filha. Suspirou. — Eu... estava querendo falar com você.
Sophie se separou dela, olhando-a com curiosidade.
— Pode falar, mãe — ela disse com um sorriso no rosto.
Hayley levou Sophie até o sofá que ficava logo a frente delas e se acomodou por lá. Sophie ainda a olhava com uma felicidade irradiando dos olhos e o meio sorriso no rosto.
— Eu sei que eu tenho sido uma mãe ausente nas últimas semanas — Hayley foi dizendo, olhando nos olhos da filha. — Sei que não ajudei vocês como deveria... principalmente você, que deu o seu melhor com o Joe... E eu... achava que a melhor forma de ajudar vocês era deixar vocês saberem que eu não estava sofrendo com... toda essa situação. Mas eu estava errada. — Hayley suspirou e Sophie segurou sua mão, agora dando lugar a uma expressão compreensiva. — Seu pai errou com vocês, mas eu também cometi um erro irreparável quando deixei que vocês lidassem com isso sozinhos. Não era a minha intenção que vocês sofressem. Na verdade, isso era tudo o que eu menos queria... Mas... de agora em diante eu vou voltar a ser quem eu era, ok? Eu vou voltar a apoiar vocês como eu sempre apoiei. — Hayley fez uma pequena pausa e Soph assentiu com a cabeça, ainda com a expressão compreensiva e encorajadora no rosto. Apertou a mão da mãe. — Eu amo vocês mais do que tudo na minha vida, Soph... Me desculpa, tá? Me desculpa por ter sido egoísta do jeito que eu fui... Mas isso vai mudar, eu prometo.
— Mãe, mãe, calma — Sophie abraçou Hayley outra vez. — Como assim, pedir desculpa... tá tudo bem, mãe, sério, as coisas já estão se ajeitando... Você não precisa pedir desculpa, eu te entendo, ok? Eu te amo, por favor, você não precisa pedir desculpa nem nada. Você é minha mãe, cara, eu vou te amar para sempre — Sophie deu uma risada leve, mexendo no cabelo de Hayley. — Sério, olha, eu te amo e você vai parar de chorar agora.
Hayley deu um sorriso e se afastou da filha.
— Certo, certo — ela olhou para cima. — Parei de chorar.
— Bom assim — Sophie revirou os olhos, fazendo Hayley rir outra vez.
Elas ficaram uns bons segundos sem dizer nada, até Hayley formar um sorriso em seus lábios e puxar assunto:
— Tem um tempo que a gente não conversa, né? — ela disse. — Me conta como vão as coisas.
— Tá tudo bem — Sophie respondeu com um meio sorriso no rosto.
— Ahn... — Hayley assentiu com a cabeça. — E como está o Luke?
Sophie deixou seu sorriso aumentar e já ia responder para Hayley que ele estava bem, quando olhou nos olhos dela e viu que ela sorria maliciosamente.
Então Sophie arregalou os olhos levemente, desfazendo o sorriso.
— Você sabe — foi só o que ela disse para Hayley dar uma gargalhada.
— Fui ver como vocês estavam dormindo ontem. Embrulhei o Nate e ia fazer o mesmo com você, mas... — Hayley deixou a frase morrer. — Então... aconteceu, não é?
Sophie abaixou a cabeça, corando.
— Decidi parar de bobagem — ela disse, baixinho. — Eu o amo, mãe. Mesmo que ele seja realmente idiota às vezes. Foi por aquela idiotice que eu me apaixonei. Então... aconteceu. E... foi ótimo.
— Claro, explica o seu bom humor matinal — Hayley sorriu.
— SOPH! — as duas se viraram, vendo a figura desgrenhada de Joe aparecer, com as bochechas vermelhas. — Por que você não me acordou, meu? Hoje tinha aula de Ed. Física, ah, não!
Hayley olhou para Sophie e fez com os lábios “nós ainda precisamos conversar sobre isso”.
— Perdi a hora, desculpa — Sophie disse para Joe, que bufou. — Ah, Joe, qual é. Matar um dia de aula não vai te matar.
— Isso é mentalidade de quem não tem futuro, sabia? — Joseph olhou para ela com as mãos na cintura, ainda bufando.
— Ok, desculpa! — Sophie disse outra vez. — Eu não levanto na hora um dia e de repente virei uma sem futuro. Vê isso, mãe?
— Ele tem razão — Hayley deu de ombros e esticou os braços para acolher Joe em um abraço.
— Vai chegar mais tarde no trabalho, mãe? — Joe perguntou, ainda abraçando-a.
— Na verdade, tava pensando em não ir hoje.
— Ah, tudo bem — Joe riu.
— Vou te contar, é um complô — Sophie se fingiu de irritada, fazendo com que Joe e Hayley caíssem na gargalhada e a abraçassem os dois juntos, só para encher o saco.
Mas mesmo assim, aquelas coisas que deveriam ser supostamente irritantes, só conseguiam deixar aquela adolescente mais feliz e em paz com o mundo. Como se agora, tudo realmente estivesse melhorando.
Finalmente!

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