22 de set de 2012

Capítulo 31

I've never been happier



Pov. Hayley

“Sabe quando tudo finalmente parece estar dando certo?
Voltar para Franklin foi simplesmente a melhor coisa que já me aconteceu. Fiz amigos. Vi minhas irmãs. Reencontrei Josh...
É incrível o modo que o destino gosta de pregar peças na nossa vida. Sim, o destino. Consigo finalmente acreditar nele. Então, me fazer voltar a Franklin, rever Josh como mauricinho, odiá-lo e depois amá-lo... Digo, quando eu era uma criança, esse provavelmente seria o meu primeiro e único desejo. Mas... se eu não tivesse ido embora, será que tudo estaria bem assim?
Será que eu e Josh ainda nos falaríamos?
Será que eu conheceria Jeremy, Sarah, Taylor, Dakotah?
Será que eu estaria feliz, como agora?
Quer saber? Provavelmente não. Com a vida você aprende que muitas das coisas ruins acontecem para bens. É... parece ditado de avó, né?! “Há males que vem para bem”. Mas é a mais pura verdade. Acontece que se eu não tivesse ido para L.A., eu não teria minhas irmãs, não teria meus amigos, não teria meu piano, e muito provavelmente, não teria Josh. E hoje, eu termino meu dia feliz. Finalmente, verdadeiramente feliz.
Obrigada, vida, por me pregar peças. Obrigada, destino, por colocar pessoas tão legais na minha vida.
Apenas, obrigada.
Hayley.”

Fechei o caderninho.
Sim, eu voltei a escrever nele. Depois de 4 anos eu voltei a escrever meus sentimentos. Um costume que tinha desde que aprendi a escrever e parei por não acreditar no amor.
Bem... eu estou a caminho de acreditar.
Abaixei o olhar e vi o pingente pousado sobre meu pescoço.
Isso deve ter custado um horror.
O peguei e beijei em cima da letra “J” que estava gravada em cima.
Ouvi batidas na porta. Gritei um “entra”
— Tudo bem filha? — minha mãe disse entrando e se sentando na cama.
Sorri.
— Sim, tudo bem.
— Como foi o aniversário do Zac? Deu tudo certo?
— Deu sim, ele não desconfiou. Eu levei ele até o shopping, vimos o filme, voltamos, então a Paramore cantou parabéns... e o Josh me pediu em namoro.
— Sério?
Puxei a correntinha e ela levou uma mão à boca.
— Ele compôs uma música pra mim, mãe. E depois disse um monte de coisas lindas, no meio de todo mundo, e me pediu em namoro. Devo ter ficado com uma cara de boba impagável.
— Ahn, filha, que bom! — ela me abraçou — Vocês sempre foram muito apegados, desde pequenos. Serão felizes para sempre!
Gargalhei.
— Minha vida não é um conto de fadas, mãe. Nunca foi.
— Acredito no amor de vocês. Hayley, vocês se casaram quando eram pequenos. E eu sei que você ainda guarda aquela coisinha de papel que vocês disseram ser alianças.
Comecei a rir.
— Lembro de quando a gente foi oficializar o namoro. A gente se beijou e depois gritou “Eca!” e gargalhou. Acho que eu só fui feliz como naquela época... hoje.
— Você não me contou dessa história de beijo!
— Josh não teve coragem. — rimos.
— Bem... eu vou sair, Hayley.
— Volta hoje?
— Acho que sim.
Meu sorriso foi suavizado, lógico. Essa história de minha mãe sair com Scott à noite ainda não me deixava feliz.
Ela me deu um beijo na testa e foi saindo. Bateu a porta.
Logo depois a maçaneta foi rodada e a porta abriu. Minha mãe colocou a cabeça pra dentro do quarto e disse:
— Filha?
— Que foi?
— Usa camisinha, tá?
— Mãe!?!?
Ela riu.
— Beijo, tchau.
Ok... isso foi estranho. Minha mãe, falando assim...
Mãe + Namoro = Mãe estranha.
Mãe estranha + Filha de cabelos coloridos = Confusão Estranha.
Puxei meu Bob e me aconcheguei entre as cobertas.

“— Outro dia você disse que achava que me amava. Bem, eu descobri que tenho a certeza, de que de um jeito muito mais do que estranho eu amo você mais do que tudo. Hayley, namora comigo?”

Sorri ao lembrar.
E com a mais perfeita das imagens, eu adormeci.

[...]

Acordei com o celular vibrando. SMS.

“E aí, menina comprometida :9
Belle me disse que queria fazer algo diferente hoje... pensei em você chamar suas irmãs e nós 5 irmos tomar um sorvete, ou coisa assim...
Topas?
Beijo ;*
E antes que eu me esqueça,
Leve dinheiro.
Mentira, essa não é a ultima frase. Haha, te enganei, né?
Antes que eu me esqueça,
Eu te amo. 
Enviado dia 05/06, 09:48a.m. por Josh, o Gato

Sorri.
Esse idiota tem o dom de me fazer sorrir desse jeito.
Josh, o Gato? Quem...?
O bobão deve ter pegado meu celular quando eu não estava olhando ontem. Oh, meu Deus.

“Oi, menino comprometido :3
Já vou falar com as meninas, elas com certeza topam. Então, tudo bem. Passo aí daqui a pouco.
Beijo ;*
E antes que eu me esqueça...
Você vai pagar meu sorvete :D
Não, essa não é a ultima frase.
Antes que eu me esqueça...
Te amo, Josh, o Bobo. ♥”

Fui até o banheiro e fiz minha higiene matinal, me vesti e me maquiei. Desci as escadas e minha mãe estava fazendo algo no fogão.
— Onde vai?
— Sair com Erica, Mckayla, Isabelle e Josh. Vamos tomar um sorvete ou algo assim. As meninas gostam.
— Hum...
Ia pegar o cereal quando minha mãe o tira da minha mão.
— Vai comer essa porcaria quando eu estou fazendo Waffles?
— Waffles?
— É.
Oh meu Deus. Todos se escondam!
Minha mãe é tão boa na cozinha quanto... quanto... quanto eu.
Ela colocou um no meu prato e colocou o melado ao lado.
Engoli seco e provei.
E por mais incrível que pareça... estava ótimo.
— Onde aprendeu a...?
— ...fazer Waffles? Scott me ensinou.
— Meu Deus! Esse cara além de psicólogo é cozinheiro?
— Ele sabe muita coisa.
— Duvido que Josh saiba fritar um ovo.
Ela riu.
— Ontem nós cozinhamos juntos. — minha mãe disse.
— Que coisa estranha.
— Não é estranho... é romântico.
— Não mesmo. — Arregalei os olhos. Fala sério, né.
Terminei e limpei a boca com um guardanapo.
— Vou mesmo agora.
Fui até a minha mãe e a beijei na bochecha. Peguei minha chave, meu dinheiro e saí.
Em frente a casa de Sarah, ela e Jeremy se agarravam. Quando eles se separaram me viram passando e me chamaram.
— Mas olha se não é a mais nova garota comprometida de Franklin! — disse Jeremy.
— Olha se não é o casal que acha bonito se agarrar na rua. — rolei os olhos — Vocês nunca ouviram o ditado?
— Que ditado?
— “Nunca namore no portão. O amor pode ser cego, mas o seu vizinho não”.
Rimos.
— Eu nunca vi isso.
— É a mais pura verdade.
— Vai pra onde? — Jeremy.
— Casa do meu pai.
— Ahn... seu pai... sei. — Sarah.
— Cala a boca! — eu disse.
Me despedi deles e eles entraram para dentro da casa de Sarah. Segui andando.
Quase chegando na casa do meu pai, eu a avisto. Sim, a vaca.
Ela estava com um olho roxo e vários machucados pequenos pelo rosto. Havia um curativo em cima da sobrancelha. Fingi que não a vi. Ela me olhava com raiva. Quando eu estava virando a rua, ela grita:
— Willams! Eu vou me vingar!
Frouxa. Não teve coragem de dizer isso na minha cara quando eu estava perto. Medrosa.
Levantei o dedo do meio e o mostrei pra ela. Que se dane.
Cheguei na casa do meu pai e Mckayla me recebeu como sempre. Fiquei lá até a hora do almoço (por insistência de Jessica) e deixei as meninas se arrumando enquanto eu iria à casa de Josh.
Não demoraria muito e Mckayla faria 5 anos. Mais uma festinha, oba!
Cheguei até a casa dele e toquei a campainha. Belle atendeu.
— Hayles! Você demorou. Já são quase uma da tarde!
— Meu pai me fez ficar lá na casa deles.
— Hmm... Entra, Josh tá se arrumando no quarto.
— Ok.
Entrei e a pequena (que não era tão pequena assim. Tinha 9 anos e era pouco mais baixa do que eu) me conduziu até o quarto de Josh. Ela foi até o seu próprio quarto e eu bati na porta de Josh. Ele gritou um “tá aberta” e eu empurrei.
Ele estava com uma calça jeans meio folgada, que mostrava boa parte de sua cueca. A camisa verde xadrez estava na cama. Ele estava passando um perfume. Seu cabelo estava molhado e despenteado.
Josh estava perfeito.
— Oi? — Ele disse me olhando confuso.
— Oi. — Sorri. Fui até ele e o abracei, o beijando profundamente.
Deus, como ele é forte! Muito mais sem a camisa, digo... os braços dele são enormes! E as costas, então...
Ele passou a mão pela minha cintura e me apertou contra ele. Não havia muita distancia entre nós. Nossas línguas se entrelaçavam perfeitamente. Por falta de ar, nossas bocas se separaram, mas nossas testas continuavam coladas, enquanto ele continuava a apertar meu corpo contra o dele.
— Eu te amo, minha namorada. Minha Hayley.
Sorri.
— Eu também te amo, meu namorado. Meu Josh.
Nos beijamos novamente. Eu sentia o calor do seu corpo sendo transferido para o meu.
Até que um roçar de garganta e umas batidinhas na porta nos forçam a nos separar. Belle estava recostada na porta, batendo o pé.
— Vamos sair ou vocês vão ficar de agarração a vida toda? Pelo amor de Deus, eu juro que vou me arrepender de ter juntado vocês dois!
Eu olhei para Josh. Ele assentiu com a cabeça. Nós olhamos para Belle que estava irritada na porta, e resmungando.
— Ô Josh...
— Que foi?
— Acho que ela quer um beijo.
Ele fez que sim e sorriu. Belle nos olhou com horror e tentou fugir. Nós a alcançamos e a beijamos na bochecha (cada um de um lado). Ela se soltou e saiu limpando as bochechas. Eu e Josh gargalhamos.
Josh terminou de se vestir e nós saímos em direção a casa do meu pai. Chegando lá, Josh pegou Mckayla no colo e nós fomos caminhando.
Na sorveteria, cada um pegou o sorvete que queria.
Depois de muito sorvete, brincadeiras e bagunça, nós decidimos ir até o parque. Erica e Isabelle foram brincar no escorregador enquanto Mckayla se divertia no balanço. Eu e Josh nos sentamos na sombra de uma árvore. Eu estava recostada nele.
E sinceramente? Eu poderia viver assim.
Estávamos no total silencio. Apenas escutando a respiração um do outro e as vozes das crianças que brincavam ao fundo. Uma mão dele estava entrelaçada a minha e a outra mexia no meu cabelo.
— Sabe Hayley — ele começou —, acho que eu nunca me senti tão feliz assim. Agora, com minha irmã brincando com as amigas, e você comigo.
Eu sorri.
— Sente. — ele pegou minha mão que estava entrelaçada à dele e colocou no peito esquerdo — Esse coração está batendo, ele está batendo por você. Hayley, o meu coração é seu.
Me virei e o beijei. Estava me segurando para não deixar as lágrimas rolarem.
Ele tem esse dom de me fazer chorar. De felicidade.
— This heart, it beatsbeats for only youMy heart is yours... — ele começou a cantarolar.
— Isso é lindo.
— Dá uma música, né?
— Uma ótima música. — eu ri o beijei novamente.
Ficamos assim por um bom tempo, até voltarmos a mesma posição.
Perto das cinco horas nós fomos pegar as meninas que brincavam sem parar. As levamos para casa.
Fui até a casa de Josh com ele e Belle. Belle entrou e Josh disse que me acompanharia até a minha casa.
Vocês por acaso notaram que passamos o dia inteiro sem discutir nenhuma vez?
Eu notei.
— A gente não brigou hoje. — Comentei.
— Pois é...
— Vamos brigar?
— Como é?
— É mais legal ficar com você quando a gente discute.
— Você é louca.
— Talvez. — Eu disse e parei na frente dele. — Só um pouco por você.
Ele riu e nós nos beijamos novamente. Na rua.
É doideira, eu sei.
Seguimos de mãos dadas até a minha casa. Entrei e ele foi embora.
Em casa, eu tomei banho e dormi cedo. Primeiro, por que eu estava cansada. Segundo, por que amanhã acaba minha mordomia. Tenho que ir para a escola.

[...]

Acordei com o celular gritando. Cocei os olhos e fui até o banheiro. Fiz minha higiene, coloquei a lendária blusinha com jeans e all star, passei um lápis, peguei minha mochila e fui tomar café.
— Não tem Waffles hoje? — Perguntei a minha mãe. Ela riu.
— Hoje não.
Comi o cereal, escovei os dentes e saí. Josh estava do lado de fora, com o celular tocando uma música no alto-falante.
Ele sorriu ao me ver.
— Oi. — eu disse depois de beijá-lo. — Stop and Stare? Hm. Legal, eu gosto.
Não sabia que Josh gostava de OneRepublic.
— Eu gosto bastante de OneRepublic...
— Hum...
Fomos caminhando até o colégio. Caminhando e conversando sobre música. Descobri que Josh gostava de OneRepublic, Jimmy Ear World (que eu adoro), Green Day... só banda boa.
Encontramos a galera na entrada da escola. O sinal tocou e nós entramos.
Josh entrou na primeira sala (aula de matemática) e eu fui em direção a aula de História, até que vejo uma cena um tanto estranha: Jenna conversando com Jason Bynum.
Pobre garoto. Já foi para o lado negro da força.
Entrei na sala sem falar com nenhum deles. O tom de Jason era bem preocupado, como se estivesse dando uma bronca. Não liguei e sentei.
Ele se sentou ao meu lado logo após.
— Oi. Tudo bom? — Ele perguntou.
— Sim, tudo ótimo.
— Você fez falta... sabe, o tempo que ficou suspensa. Tava quase indo pra sua casa te ver...
— Ahn... Jason, eu e Josh estamos namorando e ele sente um baita ciúme de você... tudo bem você ser meu amigo, mas tenta não fazer esse tipo de coisa... me deixa desconfortável.
Eu sei que não seria legal falar assim com o menino.
Mas é melhor prevenir do que remediar, certo?
— Tá tão na cara assim?
— O quê?
— Que eu gosto de você.
— É... muita gente já percebeu.
— Eu não vou desistir.
— Eu sinto muito, mas estou namorando agora.
— Tudo bem... acredita, eu gosto muito de você, a ponto de aceitar que você namore outro. Me despreze. Eu só... não quero perder o contato com você. Seja minha amiga, eu te juro, que nunca vou fazer nada que você não queira.
— Podemos ser amigos, é claro. — Eu sorri e apertamos as mãos.
— Jason?
— Sim.
— Posso te dar um conselho de amiga?
— Pode, claro.
— Não se mete com a Jenna... ela não presta. Ela é falsa, mau caráter, acredita...
— Eu sei o que ela é. Só estava falando com ela sobre... o... ér... o trabalho de Inglês.
— Ahn. Mas sério, não vá para o lado negro da força.
Ele riu.
— Prefiro o lado vermelho da força. — ele disse e brincou com o meu cabelo.

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