22 de set de 2012

Capítulo 11

Lions, lambs... and anger.



— Ótimo, rapaz! Eu não disse que você conseguiria? — A Professora Linda Lauren jogou os braços para cima, com um gritinho histérico. — Parabéns! Nate Farro... Emmett Cullen. Certo, pode se sentar.
Nate havia mostrado que sabia atuar. Mesmo numa peça que ele detestasse (ainda que agora não detestasse tanto, já que descobriu que seu personagem tem muito a ver com ele mesmo), ele estava indo muito bem. Com toda a sua desenvoltura, já havia dito todas as falas do roteiro perfeitamente, arrancando aplausos da professora extremamente esquisita.
— Ok, eu quero as Alice’s e Rosalie’s no palco, agora. — Ela ordenou, ajeitando os óculos fundo de garrafa no rosto, enquanto re-analisava uns papéis.
Nate foi em direção à Luke, enquanto ele estava apenas dando uma relida nas incríveis cinco importantíssimas falas de Jasper. Sintam a ironia.
Várias garotas loiras e entre elas, Julia, foram para o palco. Todos estavam no Ginásio do colégio. Elas disseram seus nomes e todas ficaram num canto, dando espaço para a primeira começar a recitar suas falas.
Luke amava o fato de estar no ginásio, por ele é enorme, e ele não era obrigado a ficar no mesmo lugar que aquela mesma criatura insuportável — vulgo, Sophie.
— E aí — Nate disse, sentando-se ao seu lado. — Fui muito mal?
— Você estava bem — Luke deu um tapa em suas costas. —, sabe, bem demais pra quem detesta.
— Não é tão péssimo como pensei que seria — ele deu de ombros —, e além do mais, minhas orelhas ainda estão intactas.
Luke riu, e eles ficaram a observar as meninas atuarem.
— Tomara que eu não demore muito aqui — Luke —, hoje eu e a Stephy completamos dois meses de namoro. Vou fazer uma surpresa pra ela. Sabe como as mulheres adoram essas coisas...
— Hum... sei. — Nate não se deu ao trabalho de olhá-lo. — Posso te falar uma verdade?
— Pode, ué.
— Não sei o que tu insiste com essa menina. — Ele fez que não com a cabeça e Luke bufou. — Sério, Luke... Eu sei de uma coisa sobre ela...
— Não foi ela que escreveu aquela carta. — Luke fechou a cara. Não precisava mais ouvir sobre essa carta.
— Não é sobre a carta que, aliás, ela escreveu sim. — Ele encarou-o. — É outra coisa.
— O quê, então? — Perguntou, com raiva, porém, meio curioso.
— Lembra daquela festa, de aniversário da Soph? Então. Antes de eu chegar na rodinha de amigas dela com o Dan, ela não estava lá. Jenny disse que ia procurá-la, porque ela estava demorando muito, e eu me ofereci pra ir com ela. Afinal, a casa era minha.
— E em que essa história me ajuda, Nate? Por favor.
— Eu acompanhei Jenny — Ele continuou, fingindo não ouvir as interrupções. — até lá fora, atrás daquela árvore grande. E o cara com quem ela estava se agarrando estava praticamente arrancando a roupa dela.
Luke sorriu, sarcástico.
— Sério, Nate, me diz o que...
— E aí, Luke — Ele continuou, cortando-o, novamente. —, ela discutiu com a Jenny e o cara, que era bem mais velho do que você. E depois voltou pra festa e curtiu normalmente. Jenny me disse nesse intervalo de tempo que ela não era uma pessoa confiável, e que ainda, dava pra praticamente quem quisesse.
Luke sabia bem o que Nate queria dizer com aquilo.
Mas... não podia ser. Não.
— Nate, olha, cala a boca. Se for assim, porque você não me disse isso assim que eu comecei a me envolver com ela?
— Por que tu deu um chute na minha irmã, seu idiota. — Ele bufou. — Lembra? E aí começou com essa história de “ódiozinho”. Você tinha que quebrar a cara sozinho, Luke.
Ele riu novamente.
— Como se eu não soubesse que você tá tentando juntar eu e a tua linda irmãzinha, né. Por favor, Nate. Eu odeio aquela menina, ok? E eu não ligo pro que a Stephany fez antes de eu a conhecer.
— Eu não terminei. — Ele revirou os olhos. — No dia que ela conheceu você ela estava namorando. E não era o cara grandão que tava praticamente comendo ela na frente da minha casa. Jenny me disse tudo antes de ficar sabendo que eu não tinha quinze anos.
— Não te ocorre o fato de a Jenny estar apenas mentindo?
— Claro que sim, né, Luke. Eu estava vendo coisa, quando vi a Stephy se agarrando com aquele cara. Eu estava tendo uma miragem. — Nate foi extremamente irônico. Luke já o estava irritando.
— E me diz, por que agora você tá me dizendo isso? — Perguntou, irado.
— Me enoja ver você falando todo apaixonadinho nessa menina. Sério, dá náuseas.
— Nate, quer saber? Cala a merda da boca. Eu não quero escutar mais nada disso.
Ele sorriu ironicamente e fez que não com a cabeça.
— Depois não diga que eu não te avisei. Mas só você não vê que essa sua namorada não serve pra você.
— O que serve ou não pra mim, sou eu que decido.
— Certo, Luke, você tá totalmente certo. — Nate bufou. — Quem decide é você, e quem se dana, meu amigo, é você também.
— Você não acabou de dizer que queria que eu me desse mal? — Luke riu. — Não foi você disse que eu tinha que quebrar a cara sozinho, porque tinha chutado a tua irmã? — Ele ainda estava com aquele sorriso nos lábios.
Nate apenas fez que não com a cabeça.
— Só não deixe de ser quem você é — Ele disse, olhando para o palco. — Só isso.
— Você está sendo ridículo. — Luke passou a olhar o palco também.
— Certo, agora, eu quero todos os Edward’s e Bella’s aqui — ordenou a professora —, rápido, pessoal! Temos pouco tempo!
Logo, um — um! — garoto entrou, seguido de cinco meninas.
— Apenas um Edward? — A professora apertou os lábios. — Certo, quero que as meninas atuem primeiro.
As cinco garotas atuaram, dentre elas, claro, estava Sophie.
A questão é que foi assustador: A garota que menos tinha chance, foi a que melhor atuou.
Digo, se fosse olhas para o grupo de Bella’s, é claro, a que menos teria chance seria a pequena garota de cabelos vermelhos.
Porém, foi ela, Sophie, que atuou melhor entre todas elas. E quando digo melhor, foi realmente melhor.
Linda levantou-se de sua cadeira após a interpretação de Sophie e foi abraçá-la — sim, bom a esse ponto! — e disse com clareza que a queria como Bella.
Sophie estranhou muito, mas ficou feliz com a idéia. Bella tinha diversas falas, mas a sua memória sempre foi boa. Agradeceu a professora e saiu do palco.
— Oh, meu Deus. — A professora refez sua face feliz, porém não tão no extremo, como estava há poucos minutos. — Onde está Edward? Venha, meu lindo, se apresente.
Entrou um garoto. Seu nome é Adam O’Donnel, e ele estava no nono ano. Bem, a única coisa que ele tinha de Edward eram os olhos verdes. Em geral, olhando para Adam, você não via o vampiro que fazia as garotas suspirarem.
— Pode começar — Linda tentou ignorar o fato de Adam ser extremamente pequeno para o que seria Edward, mas acalmou a si mesma com a idéia de que ele poderia atuar melhor.
Adam refez a postura e apertou as mãos. Estava nervoso.
— Bella, eu n-não conseguiria viver comigo mesmo se eu te ma-ma-machucasse. Você não sabe como isso me torturou. O pensamento de você rígida... — Adam olhou para cima, tentando lembrar-se.
— ...branca, fria... — A professora continuou.
— O pensamento de você rígida, branca, fria... nunca mais ver você... corada, é, corada, de novo... nunca mais ver esse...
— Flash. — Ela estava com os olhos pequenos de frustração.
— ...esse flash de intuição que passa nos seus olhos quando você desvenda... uma das... é...
— Pode se sentar. — Ela disse e colocou uma mão na cabeça.
Claramente, ela não havia ficado nem um pouco feliz com aquilo tudo. Seu único Edward não sabia atuar.
Passou os olhos pelo auditório.
— Você. — Ela apontou em direção ao que, dos garotos, parecia ser o melhor personagem principal. — Vem aqui.
— Mas eu não estudei as falas e...
— Você falou bem as falas de James! — Ela disse, com um sorriso no rosto. — Apenas leia, eu sei que você pode.
— Mas...
— Garoto, por favor. Nunca dê as costas à arte.
Ele bufou e se levantou, indo em direção ao palco do ginásio.
— Eu não tenho as falas.
— Pegue com o... Adam, não é? Pegue com ele.
Adam, meio aliviado — sim, ele estava aliviado —, entregou os papéis ao garoto.
— Apenas deixe o personagem fluir... — Ela se ajeitou na sua cadeira, bem em frente ao palco.
Ele suspirou e passou a ler.
— “Bella, eu não conseguiria viver comigo mesmo se eu te machucasse. Você não sabe como isso me torturou. O pensamento de você, rígida, branca, fria... nunca mais ver você ficar corada de novo, nunca mais ver esse flash de intuição que passa nos seus olhos quando você desvenda uma das minhas pretensões... isso seria insuportável. Você é a coisa mais importante pra mim agora. A coisa mais importante que eu já tive.” — Ele terminou sua leitura perfeita, sem interrupções e cheia de emoção.
Pela sua interpretação de James, não adiantaria ir mal. E, bem, ele é o tipo de cara que não sabe mentir.
— Isso foi lindo! Você será o Edward, meu amor! — Gritou Linda, de sua cadeira. De fato, todos já estavam estranhando a sua estranha mania de chamar os seus alunos por apelidos carinhosos.
E olha que ela não sabia o nome da maioria deles.
— Obrigado.
— Qual é o seu nome mesmo?
— Luke... Davis. — Ele coçou a nuca.
Lá no canto, uma pessoa, estava extremamente pasma com tudo o que havia acontecido nos últimos minutos. Não conseguia nem ao menos se mexer.
Como assim Luke seria Edward?
Como assim Luke seria o seu par?
E é claro, que outra pessoa, lá no auditório, achou que fosse morrer de tanto rir.
— Certo, Luke... — ela anotou em seus papéis. — Eu preciso ver Edward e Bella contracenando, agora!
Sophie, que mal conseguia se mexer, só ficou mais pasma.
E Julia, que já morria de rir, achou que fosse realmente perder todo o ar do pulmão e ir dessa para melhor. Certo, ela estava fazendo de tudo para deixar Sophie e Luke juntos, mas... o próprio destino se encarregava disso!
E isso era muito, muito engraçado.
— Soph Farro? Vem cá, lindinha! — Chamou a professora. — Vamos, do início. Vem, Sophie! — Ela a chamou outra vez e Sophie se aproximou de Luke lentamente.
Ele a fulminava com os olhos. Sophie retribuiu à altura e sussurrou:
 Não importa o que aconteça aqui, eu ainda odeio você.
— Igualmente.
— Certo. — Linda levantou-se, ficando de frente para eles. — Luke, quando você pronunciar o nome dela inteiro, não se esqueça de começar a brincar com o cabelo dela. Isso está mais baseado no livro do que no filme, você sabe.
Luke olhou para Sophie com desdém. Não queria brincar, ou fazer o que fosse com ela.
— Qual é o problema? — A professora notou que eles se olhavam como se a qualquer momento fossem retirar uma arma e começar um tiroteio.
— Eu a odeio. — Luke disse ao mesmo momento em que Sophie dizia:
— Eu o odeio.
A Professora olhou-os e passou a deslizar pelo palco. Sim, afinal, ela não anda.
— O teatro envolve vários atributos, entre eles, aprender a amar. É claro que isso é difícil para dois jovens que dizem se odiar, mas... bem, não no teatro. No teatro, você não é mais Luke Davis — ela apontou o dedo no peito de Luke, que estranhou. —, não agora. Você é Edward Cullen. E você, não é Sophie Farro, é Isabella Swan. Entenderam? Quero que vocês assumam seus personagens e façam a cena.
— Mas eu...
— Mas nada. — Linda Lauren provavelmente era a única pessoa no mundo que intimidava dando um sorriso sapeca. — Vamos. Ação!
Luke respirou fundo.
— Isabella — Luke aproximou-se de Sophie e brincou com uma mecha de seu cabelo ruivo estridente. Ela respirou fundo, tentando controlar as náuseas. —Bella, eu não conseguiria viver comigo mesmo se eu te machucasse. Você não sabe como isso me torturou. O pensamento de você, rígida, branca, fria... nunca mais ver você ficar corada de novo, nunca mais ver esse flash de intuição que passa nos seus olhos quando você desvenda uma das minhas pretensões... isso seria insuportável. Você é a coisa mais importante pra mim agora. A coisa mais importante que eu já tive.
— Pegue na mão dela. Você a ama, Edward. Você a ama! — A Professora disse alto, de sua cadeira. Luke a olhou como se dissesse “você não está ajudando”.
Pegou na mão de Sophie.
— Olhe para baixo, Bella. Você sabe que ele o está encarando. Mas você está insegura. Vamos, olhe para baixo.
A proximidade de Luke, realmente, não estava lhe fazendo nada bem. Muito, muito mal, aliás.
— Não será uma dificuldade não olhar pra essa sua cara idiota. — Ela sussurrou apenas para Luke ouvir e abaixou a cabeça, assumindo o personagem. Luke bufou e tentou incorporar Edward Cullen. Sophie começou a falar suas falas:
— Você sabe como eu me sinto, é claro. Muito mal. — Sophie disse, dizendo a última palavra como um sussurro para que apenas Luke pudesse ouvir. — Eu estou aqui... que, significa que eu preferia morrer do que ficar longe de você. Prefiro morrer ao estar aqui. — Ela mordeu o lábio inferior e fez uma careta, olhando nos olhos de Luke. — Eu sou uma idiota.
Ele sorriu de canto, como Edward faria.
— Você é uma idiota. Tipo, completa. — Ele entrou no joguinho de dizer as palavras mais baixas apenas para ela. Sophie sorriu com ele, para não perder a pose de Bella Swan. — E então, o leão se apaixona pelo cordeiro...
— Que cordeiro idiota. — Ela continuou sorrindo e o encarando, como se ele realmente fosse Edward Cullen. Mas era difícil saber se era o sorriso de felicidade de Bella, ou o sorriso irônico de Sophie.
— Que leão doentio e masoquista.
— E que merecia um tiro. — Ela completou muito baixo, e Luke sentiu ímpetos de acabar com tudo aquilo ali mesmo.
Mas não o fez.
Apenas, ainda incorporando Edward, olhou para o lado, encerrando a cena.
— Magnífico! — A professora levantou-se de sua cadeira para ir ao encontro dos atores. — Lindo! Vocês serão perfeitos como meu casal principal!
Luke e Sophie se entreolharam com enorme desprezo e sibilaram um “eu te odeio de verdade”.


— Agora — Lauren chamou a atenção dos alunos —, vamos reavaliar quem é que personagem aqui. Vamos lá: Luke Davis, Edward Cullen; Soph Farro, Bella Swan; Nate Farro, Emmett Cullen; Julia Bynum, Alice Cullen; Max Thomas, Jasper Cullen…
Ela continuou falando o nome dos alunos e seus devidos personagens. Julia já estava sentada ao lado de Sophie, que ainda custava a acreditar que teria de contracenar com o garoto mais idiota do mundo — em sua opinião.
— Que lindo! — Julia disse num risinho fino. Ainda não havia deixado de achar graça da situação. — Sério, awn.
— É o seguinte: — Sophie se virou para ela, já com raiva — Continue e morra. Certo? Não estou a fim de matar a minha melhor amiga hoje. Então, por favor, me poupe.
— Eita, tá toda irritadinha a menina. — Julia deu de ombros e Sophie a encarou com um olhar matador. — Ok, ok. Não falo mais nada... mas que é lindo, é.
— Cala a boca, Julia, caramba! — Sophie passou uma mão pelo cabelo vermelho.
— Calei, nossa.
— Podem sair agora, galerinha. Não se esqueçam de treinar muito as falas, ok? Nos vemos na segunda.
Sophie respirou fundo e saiu logo do ginásio, atravessando a calçada e indo em direção a entrada da escola — já que o ginásio era fora do colégio.
— Você senta comigo hoje na aula de música? Por favor... — Ela disse, praticamente suplicando a Julia.
— Não dá... — Julia viu que teria de inventar uma mentira. — eu combinei de sentar com o Nate para nós... bem, para que a gente possa fazer as tarefas juntos, sabe? Combinamos na última aula.
Sophie fingiu choro.
— Cara, se vocês não pararem com esse chove-não-molha será o meu fim. Sério, Julia, nunca mais eu faço uma coisa dessas só pra te ajudar. Nunca mais!
— Ah, qual é, Soph. — Ela revirou os olhos.
 Ah, qual é, Soph. — Ela repetiu as palavras ironicamente. — Você por acaso já disse pra ele que gosta dele? Jogou um charme ou sei lá? Qualquer coisa, Julia, pra acabar logo com isso. Não quer que eu me meta, né?
— Não, obrigada. Posso cuidar de mim mesma. — Ela revirou os olhos.
Detestava ter que mentir em relação a seus sentimentos por Nate para a melhor amiga.
Não, ela não gostava de Nate!
Tudo bem que ele era muito gostoso para um garoto de treze anos. E tudo bem que, mais de uma vez, ela se imaginou passando as unhas pelas suas costas largas. E tudo bem, ele era um belo lutador de boxe e isso a encantava. E tudo bem, ele era muito simpático e engraçado, e daria num namorado perfeito. E tudo bem que... ele era realmente muito gostoso para um garoto de treze anos.
Mas oras, isso não quer dizer que ela estivesse apaixonada por ele!...
...pelo menos era nisso que ela queria acreditar.
— Sério. Eu não agüento mais ter que aturar o Luke por causa de vocês.
Julia sorriu de canto e não respondeu. Por um segundo, tinha se esquecido dos reais motivos para levar Soph às aulas complementares.
Logo elas entraram na sala destinada a aula de teoria musical. O Professor Christopher já as esperava com a mesma cara de mal humor.
Luke e Nate já haviam chegado e estavam em suas devidas cadeiras. Sophie se sentou ao lado de Luke, respirando fundo.
Bastasse a proximidade dos dois, tendo que fingir que se amavam nessa aula de teatro, não?!
Não.
— E aí, como vão as coisas com a Soph? — Nate perguntou assim que Julia se sentou ao lado dele. Ela teve de morder o lábio inferior para impedir que qualquer um de seus pensamentos em relação a sua camiseta apertada de mangas — que destacava perfeitamente cada um dos seus bíceps e tríceps conseguidos com a malhação no boxe o proporcionava — saísse de sua boca. Não podia pensar aquilo alto, ah, não. Por isso, tentou desviar o olhar para o seu rosto, e novamente, se perdeu. Ah, aqueles lindos e profundos olhos castanhos, idênticos aos de seu pai, de repente fizeram seu coração bater mais forte dentro do peito. Nate tinha um olhar... hipnotizador, para dizer o mínimo. Mas isso ainda não queria dizer que ela estava apaixonada.
— Vão... — Ela voltou seus pensamentos ao que realmente importava. Ora, não podia simplesmente pensar nos olhos e braços de Nate dessa forma! E agora ela dizia a si mesma: Certo, coração, pode parar de bater assim. Você não vai sair daí. — ...não tão bem. Digo, ela tá relutante pra caramba. Mas sabe, a cada palavra que ela profere, mais eu me convenço de que ela tá apaixonada por esse menino. Enfim, e o Luke?
Nate, para ser sincero, escutou apenas metade das palavras que ela dizia. De repente, deixou de prestar atenção no que ela dizia e foi prestar atenção nela. Seu cabelo liso-ondulado estava preso, deixando alguns fios caírem pelo seu ombro. Sim, o seu cabelo era enorme, e mesmo que estivesse preso em um rabo-de-cavalo no lado esquerdo, ainda chegava até quase o meio de suas costas.
Isso sem dizer que, para uma garota de quatorze anos, ela era bem... digamos... mulher.
Nate levantou a cabeça para encará-la. Seus olhos verdes como os da mãe eram... bem, hipnotizantes, para dizer o mínimo.
Vamos, foco, Nate. Foco.
— O Luke... — Ele tentou voltar a si. — Tá um idiota apaixonado por aquela Stephy. — Nate fez uma careta. — Sério, tá nojento. E... ela é uma vadia, Juzy. Sem brincadeira.
— Com ele namorando fica tudo mais difícil... — Ela torceu os lábios.
— É, mas ele vai quebrar a cara em breve. — Nate suspirou — Uma garota daquelas sempre dá um jeito de machucar. Sabe, tipo, once a whore you’re nothing more. That will never change.
Julia gargalhou ao ver Nate citar Misery Business.
— Entendi — Ela abriu o caderno de partituras que havia comprado. — Só espero que ele não fique muito mal.
— É, eu também. Mas se bem que ele tá merecendo! Ele chegou a discutir comigo, hoje.
— Mas vocês tão numa boa, né?
— Sim, não consigo ficar com raiva dele por mais de dez minutos. Nunca. Exceto na terceira série, quando a Lily Matson...
— Calados! — o Sr. Chris ordenou aos alunos que ainda conversavam. Nate calou a boca e se virou para frente. Depois do silêncio ter se estendido por total na sala, ele continuou: — Eu li as redações de vocês e notei que o padrão musical dessa sala, é até... alto. — Os alunos arregalaram os olhos. Não esperavam ver o professor elogiando a turma tão cedo. — Digo, a maioria toca algum instrumento ou tem algum sonho envolvendo a música. E eu sempre costumo dizer que sem objetivo, não existe nada a se trabalhar para alcançar. Sendo que essa turma tem um objetivo, meu trabalho fica mais simples. — Ele pegou um pincel e desenhou uma figura no quadro-branco, acompanhado de algumas linhas. — Alguém pode me dizer o que é isso?
Apenas Sophie levantou a mão.
— Uma fusa dó sustenido, desenhado na clave de fá, o que o faz ser provavelmente tocado em tenor. Compasso 4/4.
O professor deixou o queixo cair levemente.
Não era algo tão difícil de se decifrar, claro.
Mas... para ele. Que era formado em música.
— Sim, é isso. — Respondeu, ainda um bocado surpreso. — Você já fez essa aula antes, Srta...
— Farro. — Ela lhe deu seu nome. — Sim, eu fiz. Estudei quatro anos na Laurent Louis, na Inglaterra. (N.A: Isto é uma fic. Esta escola não existe realmente, é totalmente fictícia.)
O Professor Christopher, que já estava de queixo caído, apenas deixou-o cair mais.
— Você é uma aluna da melhor escola de música do mundo e está na minha aula? — Pela primeira vez, os alunos o viram sorrindo.
— Bem, eu... — Ela sorriu, envergonhada. — ...apenas quis tentar... algo novo, menos puxado, mais divertido. Lá na LL, é tudo muito... rígido.
— Entendo. — O professor tentou voltar a sua expressão carrancuda, e teve êxito, enquanto explicava aos alunos a diferença entre uma figura musical e uma clave. Mas com certeza estava feliz por ter um aluno avançado em sua turma.
E... bem, foi bem difícil para Sophie e Luke continuarem sentados um do lado do outro. Ainda mais quando o professor pediu que as duplas fizessem uma partitura simples.
Mas logo a hora passou. E eles, finalmente, puderam sair daquela sala. Mas não antes de escutar o aviso do professor Chris:
— Quem souber tocar e tiver, traga o seu instrumento musical. Mesmo que isso aqui seja teoria, na próxima aula vamos ter um pouco de música.
Luke despediu-se rapidamente de Nate e seguiu o caminho até a floricultura em que havia encomendado um ramo de rosas. Não havia comentado sobre o aniversário de namoro com Stephy, mas sabia que ela provavelmente estaria irada com ele por isso.
Acontece que, desde o dia em que eles... avançaram no relacionamento, digamos assim, Luke se sentiu meio que na obrigação de fazê-la sentir-se única. Poderia, claro, ser apenas mais uma de suas manias. Mas... seu pai havia lhe ensinado muito cedo que se deve sempre valorizar as mulheres. Disse-lhe que é a lógica e a base de um relacionamento a dois.
E Luke aprendeu.
Por isso, agora que tinha tido peito para transar com ela, teria que ser um cara especial. Teria que fazê-la especial.
E é por isso também, que nesses últimos dois dias, ninguém fora tão atencioso e carinhoso quanto ele.
Pagou a moça da floricultura e foi em direção a casa de Stephy. Tinha como plano levá-la para jantar no restaurante mais caro da cidade e lhe entregar um colar que havia comprado um dia antes, e que estava bem guardado na segunda gaveta de seu criado-mudo. Mas para isso, precisava-a convidar com rosas e chocolates.
Jeremy também lhe ensinou que, se você quer fazer uma mulher feliz, lhe agrade com chocolate. Sempre.
Ele foi andando rapidamente até a casa perto da sua que já conhecia.
Mas é claro que ele não esperava ver o que viu assim que virou a rua. Ah, não esperava mesmo.
— Stephany? — Ele disse alto o suficiente para que Stephy largasse o pescoço do loiro com quem se agarrava.
Luke riu.
— Cara — ele se referiu ao loiro. —, some daqui. Antes que eu perca a cabeça.
O rapaz olhou para Stephy que fez que sim com a cabeça. Depois, sem dizer nada, pegou seu skate e saiu dali.
— Luke, eu...
— Pode explicar? Ah, sério? — Ele estava sendo mais irônico do que nunca. — Olha, não precisa. Não me venha com “ele me agarrou” por que eu vi uma mão sua dentro da camisa dele, do mesmo jeito daquele dia, lembra? E sabe, o incrível, é que eu me desdobrei pra te fazer especial por isso.
Os olhos dela se encheram de lágrimas.
— Mas Luke, não foi minha culpa! Eu amo...
— Ama. Olha, eu não quero escutar mais nada que venha de você. Pelo jeito, tava todo mundo certo. Você não passa de uma whore.
Luke pegou as rosas e o chocolate e entregou para ela.
— Faça bom proveito. Chama lá o tal loiro pra comer com você. — Ele disse com a voz cheia de mágoa e saiu em passos firmes daquela rua.
Não queria chorar. Não estava irado o suficiente para ir atrás e quebrar a cara do loiro.
Só estava... com o orgulho ferido.
Luke era um namorado ótimo! Ele tinha feito de tudo para fazê-la feliz! E Stephy ainda foi traí-lo?
Sentiu-se idiota por ter sido cego e não ter acreditado nas pessoas ao seu redor que insistiam que ela não prestava.
Estava com raiva. Raiva de tudo. Raiva de Stephy por tê-lo traído, raiva dele mesmo por ter acreditado nela quando, possivelmente, ela estivesse mentindo. Raiva do cara com quem ela estava se agarrando. Raiva, muita raiva.
De repente pensou em Jenny.
“Se você prefere acreditar em tudo o que a Stephy diz, o tempo vai te fazer quebrar a cara.”
Pensou que, talvez, Sophie não tivesse escrito a carta.
Mas mesmo com esse pensamento, não conseguiu se livrar da raiva de Sophie. Nem um pouquinho.
É, a raiva. Esse sentimento estava tomando conta de todo ele... Muita raiva. De tudo.

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