22 de set de 2012

Capítulo 2

Would you go all the way?




— Mas Luke, como vamos nos casar? Somos crianças! — Sophie declarou sorrindo gostosamente.
O rapazinho se colocou em sua frente e a olhou profundamente nos olhos.
— Você me ama, certo? — Ele perguntou com um meio sorriso no rosto e ela fez que sim com a cabeça. — Eu te amo também, Soph. E eu prometo pra você que vou te amar até o fim. A gente se casa agora de mentira e aí, quando formos maiores... nos casamos de verdade.
Sophie, ainda com o sorriso sapeca no rosto, colocou uma mão ao queixo, pensando.
— É... acho que pode dar certo. — Concordou. Luke sorriu, feliz por convencer Sophie.
— Então vamos nos casar?
— Tá. — Ela sorriu, feliz.




Luke fez que não com a cabeça, tentando livrar-se da lembrança de seu casamento com a menina dos seus sonhos.
A festa já estava a quase todo o vapor. As portas agora só se abriam para os novos convidados chegando, e a música que tocava era alta e animada. Brad, com um fone de ouvido, se mexia com a música e vez ou outra sorria vendo os adolescentes dançando em meio a sala.
Já era para Sophie ter descido. Mas ela sempre se atrasa.
Luke engoliu a coca-cola que estava na lata e voltou sua atenção para aquelas pessoas. Ele estava sentado no palanque. Dan e Nate estavam conversando com algumas garotas do primeiro ano. Luke sorriu ao ver que Nate era o que parecia mais à vontade com as meninas ali.
Ele era forte, por ser boxeador desde os cinco anos de idade. E quando queria ser carinhoso, atencioso, ele era. Luke realmente não acreditava que aquele rapaz tinha apenas treze anos. Ele conhecia garotos de treze anos de idade que tinham como vida jogar videogame e... jogar videogame. Nate era tão mais... maduro.
Mais maduro até do que Luke, aos treze.
Mesmo pagando de valentão e brigão, ele era cuidadoso e atencioso, e tinha as melhores notas de sua sala. Talvez por que quisesse ir para o colégio militar — seu maior sonho, ele era dedicado também.
Parou de pensar um pouco no pequeno amigo e novamente, olhou para as escadas. Nada dela.
Suspirou. Decidiu pegar mais um pouco de refrigerante.
Levantou-se e foi até o freezer que estava do lado da mesa de doces (que alguns gulosos já atacavam). Abriu e pegou a primeira lata de coca-cola que viu. Sentiu o líquido gelado atravessar sua garganta, refrescando-o.
— Ei cara. — Dan gritou, por conta da música alta. — Vem cá, tem uma mina do primeiro ano que quer falar contigo.
— Não tô afim. — Luke gritou de volta.
— Só vem comigo, tá? Não precisa ficar com ela, é que a melhor amiga dela me quer. Enrola ela um pouquinho. Por favor, faz isso, por mim, velho.
— Não vai dar.
— Luke. — Dan agarrou seus ombros. — Eu sei que você gosta da Sophie, ok? Mas isso não quer dizer que tu não pode seguir com a vida. Só enrola a menina, ela não vai tentar te agarrar!
Luke engoliu seco. Não sabia que Dan sabia.
— Tá, quem é ela? — Ele bufou.
— É assim que se fala, maninho. — Dan deu dois tapas no ombro do amigo e o guiou até um grupo de três garotas.
— Ei, amores. — Dan sorriu. — Esse é o meu amigo, Luke.
— Olá. — Ele sorriu, sendo simpático.
— Irmão, essas são Jess — Ele apontou para uma garota morena de sorriso largo. Luke sabia que era essa que Dan queria. —, Jenny — Ele apontou para uma garota mais branca (não dava para ver direito com o flash de luz), e Luke notou que ela tinha uma mecha de cabelo rosa em meio o cabelo castanho —, e essa é Stephy. — Ele apontou para uma garota que tinha os cabelos loiros e olhos verdes. Luke entendeu pela feição de Dan que era Stephy que ele tinha que separar de Dan.
— Oi meninas. — Ele sorriu, dando um beijo no rosto de cada uma.
— Olá, Luke.
Daniel olhou para ele e entortou a cabeça rapidamente, como se quisesse dizer “Vamos!”.
— Hey, Stephy, quer um refri? — Ele disse sorrindo.
— Claro.
Ele pegou na mão da garota e a arrastou para longe de Nate e Dan.
Pobre Stephy, ficaria de vela se não fosse Luke.
Ele a levou para a mesa de doces e viu Nate se afastar aos poucos com Jenny.
— Então... — Ela começou. — Luke, não é?
— Sim. — Ele disse, tomando um gole de sua coca. — Stephy, certo?
— Sim, de Stephany. — Ela sorriu. — Você tá em que ano? Não me lembro de ter visto você no colégio...
— Estou no segundo... E bem, é que eu sou meio geek. — Ele disse sorrindo e ela gargalhou fraquinho.
— Geek’s me atraem. — Disse consideravelmente baixo. O suficiente para Luke não entender, por causa da música.
— O que você é da Sophie? — Ele perguntou.
— Nada, na verdade... Ela estuda na minha turma de geografia... Mas ela fala mais com a Jenny, sabe? Eu vim com ela.
— Ah. Jenny vai ser cunhada da Sophie hoje. — Luke disse rindo e apontando para Nate.
— O quê? Nate é irmão dela?
— É.
— Mas eles não se parecem!
— Parecem sim. Na luz você vê... Os olhos são idênticos.
— Puxa! — Ela sorriu. — Mas... a Sophie não tá fazendo quinze anos?
— Está.
— Então como o irmão dela fez quinze anos semana passada?
— Ele só tem treze. Desculpa.
Luke gargalhou e Stephy o olhou.
— Tá zoando com a minha cara. Aquele garoto nunca que tem treze anos!
— Tem. — Ele tomou mais um gole da coca.
— Mano, que baita merda. — Stephy disse meio triste e Luke riu do jeito dela de falar. — Jenny vai enlouquecer. Ela tem a maior coisa com ficar com garotos mais velhos, sabe?
— Que pena. — Luke gargalhou, fazendo a loira rir também.
— E você, de onde conhece a Sophie?
— Nossos pais são amigos desde adolescentes.
— Sério?
— Sim. — Ele sorriu. — Minha mãe trabalha na mesma companhia que a mãe dela e o meu pai estudou com os pais dela na escola, sabe? Eles inclusive fizeram uma banda quando adolescentes.
— Que incrível!
— Sim. E a música é a melhor que eu já ouvi.
— Sério?
— Aham.
— Qualquer dia você me mostra então. Aqui não vai dar pra escutar nada mesmo... — Ela sorriu.
— Pois é.
— Mas aí, vocês cresceram juntos? — Ela perguntou.
— Sim, é. Éramos amigos até ela ir pra Inglaterra...
— Ah! Por isso ela tem o sotaque britânico!
— Exatamente. Foram cinco anos lá. — Ele sorria, para ser simpático.
— Entendo; Mas cara, ainda não acredito que o Nate tem treze anos.
Luke gargalhou e olhou para Dan. Ele estava — finalmente! — beijando a Jess.
Viu eles se separarem e ela morder o lábio inferior. Pronto, missão cumprida.
— Então... Stephy... foi bom te conhecer. — Ele sorriu novamente. — Eu vou ver se acho meu pai, ok?
— Ah... ok. — Ela ficou visivelmente desapontada. — Posso pegar seu telefone?
Luke torceu o lábio.
— Claro, anote aí.
Depois de dar seu telefone para Stephany, Luke tentou sair daquele canto.
Não que a loirinha fosse chata, porque não, não era. Mas... Ela não era Sophie. Apenas isso. E Luke entendeu que Stephy queria mais do que ser apenas uma amiga dele.
Foi até a cozinha e seus pais, juntos com seus tios — ele os tratava carinhosamente dessa forma —, estavam conversando e bebendo. Era bem mais interessante para eles do que ficar na boate com aquele bando de adolescentes.
— Ei, Luke. — Jeremy riu e colocou uma mão no ombro do filho.
— Que isso aí, rapaz? — Taylor perguntou, referindo-se a bebida que estava em sua lata.
— Refri, tio. — Ele sorriu, respondendo Taylor.
— Hum... acho bom, hein.
— Tia Hayley, cadê a Soph? A festa tá rolando e nada dela...
— Estou aqui, apressadinho. — Luke escutou a voz doce dela e se virou.
Sophie estava divinamente vestida e Luke teve certeza que seus olhos brilharam ao vê-la. Ela estava com um vestido tomara-que-caia azul, com poucos detalhes que ia até os joelhos. Usava um salto. Seu cabelo agora completamente avermelhado dava toda a personalidade aquela roupa e aquele estilo de Sophie.
Tudo bem, ela ficava linda com seu all star e seu jeans. Mas agora ela estava... perfeita. Aos olhos dele.
— Tá todo mundo te esperando na sala, atrasadinha. — Luke brincou e Sophie foi até ele, dando-lhe um soco fraco no ombro e logo após abraçando-o.
Deus, como o cheiro dela era... viciante. Apenas isso.
— Vamos lá, seu chato.
Luke pegou na mão dela enquanto eles se dirigiam até a sala.
— Pronto para cantar pra mim? — Ela brincou e Luke sorriu.
— Na verdade não, mas... tudo bem.
— Essa camiseta ficou ótima em você. — Ela disse o olhando. — Tenho ótimo gosto para presentes.
— É, tem. Você está linda.
Sophie corou levemente. Nada que pudesse deixar muito claro.
— Obrigada. — Respondeu num fio de voz. Eles entraram na sala. — Aquela beijando o Nate é a Jenny?
— É. — Luke gargalhou.
— Ai meu Pai, ela vai se matar quando descobrir que ele não tem quinze anos.
— É, vai. — Luke ainda sorria.
— Hm... — Sophie juntou as mãos e fez uma cara maliciosa. — ...Que legal!
Luke a viu seguir em direção ao irmão e sua companheira de geografia.
— Ei, Soph, parabéns! — Jenny disse abraçando a colega. — Deixei seu presente na porta...
— Nem se preocupe, Jenny; E AÍ MANINHO, COMO VOCÊ TÁ? — Ela disse tão alto que Luke pode escutar e rir de canto.
— Oi Soph. — Nate a olhou como se implorasse para ela não continuar.
— Ei, espere, vocês são irmãos?
— Somos. Ele é o melhor irmão mais novo do mundo, sabe? MEU MANINHO DE TREZE ANOS É O MELHOR DO MUNDO!
— Treze? — Jenny olhou Nate, indignada.
— É, ué. — Sophie disse sorrindo e Nate levou uma mão ao rosto. — Enfim! Divirtam-se, ok? Vou falar com os outros convidados.
Sophie voltou para Luke, que sorria ao ver Nate tentando se explicar.
— Você é má.
— Qual seria a graça de ser irmã se eu não pudesse ferrar com a vida deles um pouquinho? — Ela riu.
— Não sei, não tenho irmãos.
— Triste, Luke. — Ela riu. — Enfim, quando você vai tocar pra mim?
— Logo; — Ele garantiu, sorrindo. — Sabe, depois que eu tocar eu quero falar contigo... a sós.
— Hm, sobre o quê?
— Você vai saber. — Ele mordeu o lábio inferior, olhando para baixo.
— Vai me deixar curiosa? — Ela disse e o olhou com falsa indignação. Luke gargalhou.
— Pois é, né.
— Chato. — Ela bufou, fingindo estar com raiva e rindo em seguida. — Bem, eu... tenho que falar com os outros convidados. Mas arrase, viu?
— Sim, senhora.
Luke viu Sophie andar por cada centímetro daquela sala e falar com cada ser que ali estava.
A festa continuou bem animada e pouco menos de duas horas depois, as luzes se acenderam.
Era hora de bater os parabéns para aniversariante.
E a hora que Luke cantaria para ela.
Hayley apareceu com uma taça de champanhe na mão. Seus cabelos alaranjados estavam presos num coque. Os outros adultos (e crianças menores) também entraram na sala e os convidados adolescentes se concentraram na frente do palanque e da mesa do bolo.
Sophie foi para trás da mesa e as pessoas começaram a bater palmas e cantar. Ela sorria freneticamente enquanto batia palmas também.
Logo a música cessou.
— Viva Soph! — Gritaram quase todas as pessoas.
 Yeear! Obrigada, pessoal! — Ela disse alto, para todos escutarem. — Bem, eu quero agradecer em primeiro lugar a minha mãe e minha Tia Katt que organizaram essa festa pra mim. O meu pai e os meus tios também. — Ela apontou para eles. — Quero agradecer o Brad, que trouxe todas as músicas legais e todo o equipamento pra gente e não cobrou, êê! E... cara, todo mundo que veio aqui, eu agradeço sinceramente. Eu sou nova na escola, mas já conheci um monte de pessoas legais e... muito obrigada por estarem aqui comemorando comigo os meus quinze anos... sério, obrigada. — As pessoas bateram palmas. — Ei, espera, cadê o Luke?! Ele vai cantar pra nós! Luke respirou. Era essa a hora.
Devagar, ele subiu no palanque e algumas pessoas gritaram. Ele acenou.
— Olha ele lá! — Sophie disse novamente. Ele, que já estava corado, ficou mais. — Sério, gente. Esse menino é talentoso, viu.
— Vamos lá, Lukeeee! — Ouviu-se o grito de Dan e algumas risadas.
— Valeu Dan. — Luke murmurou no microfone. Pegou seu violão e passou a correia pelo ombro novamente. Sentou-se na pequena cadeira. — Bem, hum... a música que eu vou cantar, eu mesmo compus... Então, relevem se não tiver ficado boa. — Ele riu nervosamente e algumas pessoas o acompanharam, encorajando-o. — Essa se chama Adore.


Eu não pretendo correr.
Mas toda vez que você chega perto, eu me sinto mais vivo do que nunca.




Ele cantou cada verso com sua voz suave olhando para aniversariante. Ficou claro, muito claro que a música era para ela. As notas do violão ecoavam nas caixas de som e o acústico era ótimo. Algumas pessoas começaram a se mexer conforme o som lento.



E eu acho que isso é demais... Talvez nós sejamos muito jovens, e eu ainda não sei o que é real.
Mas eu sei que eu nunca...

Quis nada tanto assim...
Eu nunca quis ninguém tanto assim...




Luke não sabia onde havia conseguido forças e coragem para encarar Sophie daquela forma. Ela mantinha uma expressão amável. Sorriu.
Luke sorriu também, encarando aquele sorriso como forças para continuar. Quebrou o contato visual por um segundo para olhar o braço do violão. Apertou as cordas e preparou-se para o refrão.


Se eu deixar você me amar, ser o único a adorar,
Você passaria por tudo?
Seria aquele que eu estou procurando.
Se eu deixar você me amar, ser aquele a adorar,
Você passaria por tudo?
Seria aquele que eu estou procurando.




Jeremy, que assistia a tudo, sorria sem conseguir parar.
A música que seu filho compusera para Sophie era tão... perfeita. Isso. Perfeita.
Josh, que também assistia, sorria de canto. Ele notou na hora as intenções de Luke e, por mais estranho que pareça, não ligou. Não achou ruim. Para susto do próprio Josh.
Ele sabia que uma hora a filha teria de namorar. E lhe agradava a idéia de ser um garoto que ele conhecia desde quase nascido e sabia que era um bom rapaz.
Katt e Hayley estavam mais bobas do que nunca a assistir aquilo. Tudo o que conseguia passar pela cabeça das duas era algo como “awn, que lindo!”.
Já Luke, nem sequer prestava atenção nos pais e sogros tios. Para ele havia apenas Sophie ali, assistindo a tudo com as mãos coladas uma na outra, com um sorriso incrivelmente doce e lindo.



Me ajude a voltar para baixo, de altas nuvens do céu.
Você sabe que estou sufocando. Mas eu culpo esta cidade.
Por que eu nego?
As coisas que queimam por dentro, tão profundas, eu mal respiro...
Mas você só vê um sorriso.




Ele cantou essa parte com um sorriso no rosto. Era verdade.
Um simples toque, um abraço, um sorriso, um olhar. Um simples ato dela o fazia ir para as nuvens. Mas ela não via isso dentro dele. Ele só representava isso com um sorriso.
A música que ele compusera algumas semanas antes era mais do que certa. Era exatamente isso que ele sentia. E esperava que ela percebesse isso.



E eu não quero que isso se vá.
Realmente eu só quero saber...

Se eu deixar você me amar, ser o único a adorar,
Você passaria por tudo?
Seria aquele que eu estou procurando.
Se eu deixar você me amar, ser aquele a adorar,
Você passaria por tudo?
Seria aquele que eu estou procurando.




Luke prestou mais atenção no violão e fez seu básico solo, ainda com algumas cordas soltas tocando. As pessoas da platéia batiam palmas.
Todos riam e curtiam.
Apenas uma delas não. Apenas uma estava encolhida em seu canto com um semblante amargo no rosto.
Apenas Stephany.
Luke se preparou e deixou um toque apenas surgir. Cantou suavemente a última parte do refrão, ainda sorrindo, e olhando para ela.



Se eu deixar você me amar, ser o único a adorar,
Você passaria por tudo?
Seria aquele que eu estou procurando.
Se eu deixar você me amar, ser aquele a adorar,
Você passaria por tudo?
Seria aquele que eu estou procurando.




Sophie puxou aplausos e todos foram com ela. Ela colocou as mãos em volta da boca e gritou.
Como ele cantava bem, Deus.
— Obrigado, pessoal. — Luke disse sorrindo, enquanto ainda escutava os aplausos, assovios e gritos das pessoas.
Desceu do palanque feliz. Sophie havia sido a primeira a puxar os aplausos e além do mais, sorrira pra ele o tempo inteiro.
— Oi, galera! — Luke escutou uma voz ecoar nas caixas de som e olhou para trás. Brad estava no microfone, com o bendito notebook nos braços. — Bela apresentação do nosso astro aqui, hein! Luke Davis! — Todos aplaudiram novamente e Luke sorriu. — Bem... fugindo um pouco do assunto, eu vou me apresentar. Pra quem não me conhece, meu nome é Brad Phillips. Eu estou sendo o DJ aqui, nessa festa maravilhosa, de uma garota mais maravilhosa ainda. Parabéns, linda. — Brad disse e jogou um beijo no ar para Sophie, que ainda sorria. — Eu... quero passar um slide. O slide mais importante da minha vida. — Brad disse isso e foi até o seu lugar costumeiro. De lá abaixou parte das luzes, fazendo do pano branco que havia ao fundo, um telão.
Logo ele ganhou cor. Uma música começou a tocar.
Sophie, no exato momento reconheceu The Heart Never Lies – McFly. Sorriu furtivamente.
Algumas fotos dela começaram a aparecer no telão. E logo depois, palavras.




“Querida Sophie.
Primeiramente: Eu sou idiota.
Hehe, é pois é. Já tem quase um mês que quero fazer isso mas não tive coragem. Estou recorrendo ao único meio que me deixa realmente... solto, digamos assim. Olá! Sou um geek do basquete. Haha ;)
Deixando de lado minha idiotice, vou aproveitar para te dar feliz aniversário!
E te dizer o quanto você se tornou importante pra mim nesses últimos meses que você entrou na minha vida.
Bem... Presta atenção na letra da sua música favorita...
Eu sei que agora não estou do seu lado. Mas olhe nos meus olhos, Sophie, eu não estou olhando pro telão.
Estou olhando pra você.
Você pode ver? Você pode sentir?
Eu amo você.
o coração nunca mente, né? (:
Por isso, agora...
Eu quero te fazer uma pergunta...
Na frente de todos os nossos amigos e até do seus pais!
Soph, namora comigo?”




Quando a última frase do slide apareceu no telão todos gritaram. Com apenas uma exceção.
A música acabou e as luzes novamente foram acesas. Brad pegou o microfone que estava em sua mesa de som.
— O que me diz? — Ele sorriu marotamente. Sophie retribuiu a altura.
Olhou para a mãe, que estava em sua frente. Esperava alguma autorização, mesmo que dada em um olhar.
Hayley torceu os lábios. Não queria que a filha não aceitasse por conta dela.
Mas Hayley não sabia se Sophie sentia o mesmo que Luke sentia por ela.
— Você é maluco. — Ela respondeu sorrindo, dando uma risada nervosa e aguda em seguida.
— Eu sei. — Ele saiu da sua mesa de som e caminhou até ela. — Sou maluco por você.
— Cuidado, rapaz. — Josh praticamente bufou essas palavras e Brad sentiu um arrepio correr o corpo. Sophie gargalhou.
— Com todo o respeito, Senhor. — Ele disse quase gaguejando.
— Sim. — Ela disse sorrindo.
— Sim? — Ele abriu seu maior sorriso. Sophie assentiu com a cabeça e ele pegou suas mãos, beijando-a calmamente.
Luke abaixou a cabeça e tentou esconder uma pequena lágrima fugitiva. O violão ainda estava em suas costas e todos a sua volta gritavam. Ninguém veria que ele estava chorando. Ninguém havia notado que ele estava triste com tudo aquilo.
A dor em seu peito o consumiu por inteiro. Ele conseguiu conter o nó na garganta e tentou não olhar para o pai. Sabia que Jeremy o estaria olhando de longe, com pena.
Ele detestava aquele olhar. Detestava ser o coitadinho.
E... droga! Por que ela havia aceitado aquele pedido de Brad?! Por que ela fizera isso?! Ela havia percebido que Adore era pra ela, não?! Então por que diabos estava com o cara errado agora?!
Luke não conseguia entender. Só sabia que aquilo estava errado. E que, agora, Sophie deveria estar nos braços dele.
Sentiu uma mão quente em seu ombro, como se quisesse consolá-lo.
Olhou para o lado e viu Stephy o olhando.
Mas ela não o olhava com o olhar de pena. Era... algo como “força, garoto, estou aqui”. Era um olhar que o ajudava.
Luke pegou na mão dela em seu ombro e a apertou, como se quisesse passar sua dor para ela. Tentou dar um sorriso de agradecimento para ela, mas tudo o que conseguiu foi um meio sorriso falso.
Stephy sorriu, ainda o olhando daquela forma, e sem nada dizer, saiu dali.
Luke passou uma mão pelo rosto. Isso não podia estar acontecendo. Não podia.
Ele a amava... mais do que tudo o que já havia amado em sua vida. Ele sabia que era uma coisa antiga, e também sabia que ele era jovem, mas... Ela era... tudo pra ele. Sempre fora. Não houve um só dia de sua vida em que Sophie não tivesse passado pelo seu pensamento. Ele a queria mais do que tudo. Droga! Eles haviam trocado o primeiro beijo! Ela prometeu amar ele para sempre! Não deveria estar nos braços de Brad agora! Não podia!
Brad não era o cara certo. Sophie não havia feito a escolha certa.
E agora Luke estava sofrendo por isso.

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