23 de set de 2012

Capítulo 20

No need to think. Not now.



— PERFEITO! — disse a professora, batendo palmas o máximo que pôde, puxando todos os alunos com ela. Em especial, Nate e Julia, é claro, que estavam um tanto animados com aquela cena. — Parabéns, lindos! Ficou absolutamente fofo! Ai, meu Deus.
Após separar seus lábios dos de Sophie, Luke se levantou e deu a mão para a colega de peça que segurou e se levantou em seguida. Sophie estava levemente corada com o turbilhão de elogios que Linda Lauren despejava sobre ela e Luke, mas essa não era a razão principal pela vermelhidão em seu rosto. Nate e Julia tinham visto aquilo, e com certeza voltariam com aquela história de juntá-la com Luke.
Mas para falar sério, aqueles cinco segundos que sua boca esteve presa à boca dele pareciam ter feito tudo valido a pena. Tudo bem, eles estavam interpretando, e ela era Bella enquanto beijava Edward. Mas...
Ela não conseguia parar de pensar o quanto era gostoso beijar Luke.
Ainda assim, tentava ao máximo evitar o contato visual com seu irmão e sua melhor amiga/cunhada. Mas digamos apenas que isso se tornou totalmente impossível quando a professora mandou-a se sentar enquanto Nate faria uma cena com Luke e Max. Sem ter pra onde fugir, Sophie se sentou ao lado de Julia, que na verdade apenas ria.
E assim ela ficou por uns bons dois minutos, sem olhar para Sophie, mas com um sorriso enorme estampado na cara. A garota de cabelos vermelhos se confundiu, mas decidiu não opinar.
— Eu sei — disse Julia de repente, no pé do ouvido de Soph.
— Sabe o quê? — ela perguntou de volta, olhando confusa para Juzy. Mesmo que ela já tivesse uma idéia do quê.
— Você sabe — ela retrucou, olhando e sorrindo marotamente para Soph.
— Sei do quê?
— Sabe do que eu sei — ela ainda mantinha o sorriso sacana na cara.
— Eu não sei do que você sabe — Soph deu de ombros.
— Claro que sabe — Julia a fez olhar para ela. — Você sabe muito bem.
— Não sei — ela rolou os olhos.
— Você sabe — Julia abriu o meio sorriso. — Sabe que eu estou falando do seu caso com o Luke Davis.
Foi aí que o sangue de Sophie parou de correr nas veias por um segundo, deixando-a totalmente gelada.
— Está sabendo errado — ela respondeu, tentando manter a calma. — Não tenho um caso com ninguém! Eu estava interpretando.
— Ah, vamos lá — Julia revirou os olhos. — Mesmo que aquilo tenha sido uma demonstração muito boa do amor de vocês dois, você sabe que eu não estou falando disso.
— Você está ficando doida.
— Você sabe muito bem que eu estou falando da floresta — Julia deixou seu sorriso maroto abrir.
— Professora, posso ir ao banheiro? — Sophie disse, tentando fugir da amiga, e recebendo apenas um aceno de mão da professora. Levantou-se e saiu andando, respirando mais facilmente por ter fugido daquilo.
— Você não vai fugir de mim! — ela bufou ao escutar a voz de Julia atrás dela. — Já estou suspensa mesmo, não vou hesitar em sair da sala sem permissão.
— Não estou fugindo — Soph disse, abrindo a porta do banheiro feminino e olhando-se no espelho.
— Está sim, por que não quer assumir que deu uns pegas no Luke enquanto “se perdia” no matinho — Julia riu logo após, e Sophie passou uma mão pelo rosto. — Eu e Nate falamos com o Dan.
— Dan. — Soph sibilou com raiva. — Não acredite em tudo que o Dan diz, você já devia ter aprendido a lição.
— Qual é, Soph, assuma. Aquele beijo que você deu no Luke ali no palco não foi o primeiro de muitos anos. Assuma que vocês se agarraram naquela floresta.
— Não! — Sophie bufou, sentindo o rosto esquentar.
— Ah, pelo amor de Deus! — Julia bufou também. — O cara chegou contigo quase pelado, molhado, com você nos braços. Vocês pegaram uma chuva, ele salvou a sua vida, digo novamente: estava sem camisa, seminu, com você encostando nos músculos peitorais dele, e ainda por cima, ele exigiu cuidar de você até o hospital. Agora, você quer mentir pra mim, a sua melhor amiga?!
— OK! — Sophie bufou. — Pare de falar dos músculos dele, ok?
— Então assuma — Julia revirou os olhos.
— Sim, nós nos beijamos naquela maldita floresta. Está feliz?
— Claro que não — Julia disse, sorrindo. — Quero saber os detalhes.
Sophie suspirou, passando a mão pelo rosto novamente.
— Passamos o tempo inteiro discutindo — ela começou e Julia sorriu em triunfo. — Quando percebemos que tínhamos nos perdido só ficou pior. A gente discutiu muito, mesmo, até chegar num ponto mais... profundo, digamos assim.
— Como assim?
— Eu toquei no assunto da ficada dele com a colega do Dan — Soph torceu os lábios. — Daí ele começou a me culpar sobre um monte de coisas e eu disse que não era bem assim e que ele estava agindo como se fosse o único que tivesse sentimentos.
— Uau — Julia disse, ainda sorrindo. — E aí?
— Então nós achamos a cachoeira — Soph se virou para o espelho, ajeitando a franja. — Eu escorreguei e caí. Eu só me lembro que tentei me mexer e bati a cabeça. Aí eu apaguei.
— Você desmaiou?
— Sim, por uns três ou quatro minutos — Soph riu. — Depois eu só me lembro de estar em uma caverna e ele tava lá, falando o meu nome e tentando me animar. Quando eu acordei ele me abraçou... E então... você sabe. — Ela gesticulou com a mão.
— Sei — Julia mordeu o lábio. — Aliás, tem uma coisa que eu não entendi.
— O quê? — Sophie se virou para a amiga e arqueou uma sobrancelha.
— Por que você tocou no assunto da ficada dele se você me disse que não estava nem aí? Quer dizer, você não tinha nada a ver com aquilo...
Soph engoliu seco.
Julia continuou:
— Por que se fosse a Stephy tudo bem, por que ela era a namorada dele e tudo mais... Mas você nem sequer tinha ficado com ele e...
Bosta!
Sophie praguejou mentalmente a capacidade de Julia de prestar atenção em tudo que ela dizia e ainda ter um invejável poder de dedução.
— Espera aí — ela disse, levantando as sobrancelhas e abrindo levemente a boca.
Era a expressão que ela fazia quando chegava a uma conclusão. A cara que ela fazia só quando tinha certeza de algo.
Sophie fechou os olhos, suspirando. Já era.
— Espera aí! — Julia disse novamente, agora rindo. — Como eu não pensei nisso antes?! — ela disse, virando-se e olhando nos olhos de Soph. — É claro, meu Deus! Você ficou com raiva daquele jeito não por que o Luke tinha ficado com uma garota, mas sim por que ele tinha ficado com uma garota pra tentar esquecer a namorada depois de você. — Ela ainda mantinha aquele olhar astuto para Sophie. — Você já tinha beijado Luke antes do matinho, então quando você viu ele ficando com outra garota, se sentiu só mais uma. É claro! Como eu não pensei nisso antes, sério? Ando muito devagar ultimamente! Caramba!
Sophie suspirou.
— Certo, parabéns. Vamos voltar para a aula.
— Nop! — disse Julia, impedindo-a de sair. — Você vai me contar como, quando e onde foi.
— A boca dele encostou na minha, há duas semanas atrás, na sala de detenção. Agora vamos — Sophie disse, tentando passar por Julia que agora, gritava de histeria.
— SALA DE DETENÇÃO?! — ela disse com a voz três oitavos acima do tom natural.
E foi aí que ela começou a gargalhar como nunca.
— Você não pode contar isso pra ninguém, ok? — Sophie disse, tentando fazer a voz se sobressair da risada aguda de Julia.
Ela se controlou, mas ainda ria um bocado.
— AI MEU DEUS! — ela voltou com força total, rindo e gritando histericamente. Suas bochechas já começavam a doer de tanto que ria. — VOCÊ AGARROU O LUKE NA ESCOLA! — ela levou uma mão à barriga.
— Julia, escuta! Ninguém pode saber disso, ok? Fala mais baixo.
— SAFADAAA! — Julia não conseguia parar de rir. — Ai, ai, ai meu Deus! Você agarrou Luke Noah Davis na escola. Meu Deus. Meu Deus. — disse ela, ainda tentando controlar a respiração.
— É sério, Juzy! — Soph disse. — Ninguém pode saber disso!
— Nate vai saber — ela disse, respirando devagar. — Ele é meu namorado e eu não consigo esconder nada dele.
— Julia, por favor... — Sophie passou os dedos pelos olhos, praguejando. Sua vida ficara bem mais difícil desde que sua melhor amiga decidiu se apaixonar pelo seu irmão mais novo.
— Nem me venha com por favor, sua safada — Julia voltou a rir. — Na escola. No matinho. Meu Deus, é muito amor. — E novamente, ela voltou a rir.
Sophie viu que não tinha o que fazer e então apenas arrastou a amiga de volta ao ginásio, onde o ensaio já estava quase no fim. Ela soube que não precisaria se preocupar com Luke assim que chegou e o viu conversar com Nate. Ou melhor, Nate se matando de rir enquanto ele passava uma mão pelo rosto.
A mesma coisa que havia acontecido com ela há pouco.
— O Nate... — Sophie começou a projetar a frase, mas Julia a impediu:
— Sim, ele sabe — Julia fez que não com a cabeça. — Descobrimos juntos.
Sophie praguejou todas as gerações de Dan enquanto Julia a arrastava para o lugar onde Nate e Luke conversavam. Ela não queria ir para lá, não queria ter de encarar Luke e Nate agora, depois do que passara com Julia. Olhou para todos os lugares do ginásio, tentando achar alguma coisa para fazer, qualquer coisa, que não fosse ficar perto daqueles três.
— E nem pense em fugir — Julia disse, apertando a mão em seu braço, parecendo ler os seus pensamentos.
— E falando nela, veja só quem chegou — Nate disse alto, assim que as meninas se aproximaram. Sophie bufou. Percebeu que Luke evitava o contato visual assim como ela e estava corado.
Assim como Sophie, ele também estava muito envergonhado com a situação. Agora que descobrira que Nate sabia do ocorrido em Brentwood... Tudo havia se complicado.
— Cale a boca, Nate — Sophie bufou, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha. Julia se sentou ao lado de Nate que passou a mão pela cintura da garota, puxando-a para si.
— Que foi? — ele se fez de ofendido, enquanto Soph se sentou ao lado de Luke (o único lugar vago). — Não falei nada! Só disse que você estava chegando, por que eu e o Luke estávamos falando de você, ora.
— Nate, por favor... — Luke disse baixo, ainda sem ter um contato visual com Sophie.
— Eu nem falei nada, man — Nate se virou para Julia. — Eu nem zoei vocês por terem se agarrado no matinho. Zoei, amor? — ele falou com a maior naturalidade do mundo, dirigindo a pergunta para Julia.
— Não vi você falando nada sobre eles terem se agarrado na floresta, babe — ela respondeu, no mesmo tom natural. Luke e Sophie finalmente se entreolharam, trocando a mesma expressão de “o-que-eu-fiz-para-merecer-isso?”. — Também não vi você zoando os dois por terem se agarrado na detenção. — Julia terminou com um sorriso angelical no rosto, como se tivesse dando a melhor das notícias para um felizardo.
— Detenção?! — Nate mantinha a mesma expressão, apenas com um pouco de surpresa. — Detenção, amor? Mas vejam só! Eles já tem uma história!
— Não é? — Julia concordou. — Dá um best-seller.
— Facilmente, não é mesmo? Como se chamaria? Algo tipo... “O Casal Apaixonado Que Se Agarra na Escola e no Matinho”?
— Sim, o título fica bem sugestivo assim — Julia levou uma mão ao queixo, fingindo-se pensativa.
— Certo! Parem! — Sophie falou um tanto mais alto. — Já chega!
E foi aí que Julia e Nate caíram na gargalhada. Sophie passou uma mão pelo rosto, respirando fundo, buscando calma e tentando inibir a vergonha.
— Qual é — Nate disse risonho, enquanto ainda tentava controlar as gargalhadas. — Cara, vocês não podem ficar sozinhos que se beijam! Assumam logo que se amam!
Luke olhou para Nate como se ele tivesse acabado de dizer que tinha visto uma barata falar ao telefone enquanto dançava tango. Incredulidade era pouco.
— Are you on crack? — ele disse, ainda olhando daquele modo para Nate.
E Sophie também o encarava da mesma forma.
— Com certeza está — ela concordou. — Não é só por que eu dei um beijo num cara que eu o amo, fala sério!
— Um? — Nate arqueou a sobrancelha, fazendo sua expressão esperta.
— Um, dois, três, ninguém tá contando. Tanto faz. — Sophie deu de ombros enquanto Julia já ria novamente.
— Ela tem razão — Luke ainda estava incrédulo. — Uma vez na vida, ela tem razão. Nós nos beijamos, e daí? Não significa que vamos nos casar. — E deu de ombros também.
— Vocês já se casaram uma vez — Nate deixou seu meio sorriso crescer.
— Meu Deus! — Sophie disse alto. — Nós éramos crianças!
— Mas tudo aponta para uma coisa, queridinhos: o amor. A infância fofinha, a atração, a música fofinha...
— Ah! Claro! A música fofinha! — Julia juntou as duas mãos, ainda sentindo as mãos de Nate apertarem sua cintura de lado. — Muito amor aquela música, cara.
— É a história de uma pessoa que viu uma estrela cadente — Sophie disse, bufando de raiva. — Me explica onde tá o amor.
— Emmett e Alice. Palco. Agora. — Linda disse, apontando para os dois que ainda riam.
— Estamos indo! — Nate disse, levantando-se.
— Mano — Julia disse, já andando em direção ao palco, sendo puxada pela mão por Nate —, vocês foram feitos um para o outro. Apenas! Então calem a boca e se amem livremente.
Logo depois eles já estavam no palco, e Luke e Sophie estavam mais do que envergonhados com a situação.
Nate e Julia deveriam ganhar um prêmio de pessoas mais próprias a deixar alguém constrangido.



[...]



Era incrível o quanto a mesmisse e a calma continuavam depois de tantos anos. A cidadezinha ainda era igual: com a mesma pracinha, a mesma sorveteria em frente a ela, o mesmo parque pequeno para as crianças, as mesmas escolas com os mesmos professores, apenas mais velhos. As mesmas ruas, a mesma tranqüilidade, o mesmo único shopping de apenas três andares. Mesmo depois de tantos anos, Hayley e Josh não puderam deixar de notar o quanto Franklin ainda era pacata e agradável.
No banco de trás, Sophie, Nate e Joe apenas olhavam a cidade tão pequena e tão arrumadinha com um sorriso discreto no rosto. Todos eles amavam ir à Franklin, tomar o melhor sorvete, matarem a saudade da avó e da tia... A tranqüilidade da cidade lhes faziam muito bem.
— Ainda não acredito que Isabelle vai se casar — Josh disse pela décima vez naquele dia, com as mãos ainda firmes no volante. — Não acredito.
Hayley gargalhou.
— Acredite — ela disse. — Três promoters desistiram desse casamento. Tive que subornar mais de uma vez a Amanda Benson para ela não fazer a mesma coisa.
— Três? — Josh disse, arqueando uma sobrancelha. — Certo, isso é típico de Isabelle.
— Estou louca pra conhecer esse Aaron Flynn — Hayley disse, rindo. — Deve ser corajoso.
— Ah, se deve. Foi difícil conviver dez anos da minha vida com ela sendo apenas a minha irmã caçula, imagine como esposa e adulta. — Josh fez que não com a cabeça. — Ele deve amar muito. Mesmo.
— Só eu acho a tia Belle a melhor tia do mundo? — Joseph se pronunciou, arrancando uma gargalhada de Nate que estava entretido no seu Playstation portátil.
— Claro. É você que ela mima, né? Se ela me desse dinheiro toda vez que me visse ela também ia ser a melhor tia do mundo pra mim — Nate se mexeu, apertando freqüentemente os botões do videogame.
— Você tá é com ciúme, Nathan — Joe riu e Nate bufou.
— Com esses olhinhos verdes aí você ganha o mundo, né, moleque — Nate sorria enquanto não desviava os olhos do videogame. — E não é ciúme.
— Claro que não — Joe ironizou, fazendo Nate bufar.

Atrás do carro de Josh, estava o carro de Jeremy, onde Luke dirigia. Katt tinha ficado na empresa, pois a sexta-feira é sempre muito corrida, mas logo à tarde ela estaria em Franklin.
E Luke só estava dirigindo por muita, muita, muita insistência, e só por que o pai estava junto. Sinceramente, ele não sabia para que servia sua carteira se seus pais mal o deixavam pegar no carro. Mas Luke conseguiu dirigir aquele carro com mesma velha desculpa: “Qual é, Pai, eu faço dezessete daqui a duas semanas!... Tá, Pai, tá bom, a mamãe não vai saber disso.”
E mais atrás, estava o carro de Alana. Apenas o pequeno Leonard estava no banco de trás, assim como Nate, brincando no seu videogame. Julia, como sempre, optara por ir na garupa da moto com o pai, que estava logo atrás.
Não demorou quase nada até eles chegarem até a casa da Sra. Farro. Franklin percorrida de carro, chega-se sempre em questão de segundos.
Assim que os três carros e a motocicleta cara de Jason foram avistados em frente àquela modesta casa da pequena cidade, logo se viu a figura de Isabelle, com um telefone pendurado na orelha, correndo pela porta.
— Joshua! — ela gritou, abraçando Josh que a tirou do chão com seu abraço forte.
Velhos hábitos nunca mudam.
— Olha a noiva aí — ele disse, fazendo-a rir.
— Pois é — ela disse, passando uma mão pelo cabelo. — NÃO, AMANDA! Caramba, você não pode fazer nada certo? Eu avisei que não queria rosas brancas... É CLARO QUE É PRA MUDAR! Meu Deus do Céu! — ela disse, brigando com a provável promoter no celular. — Oi, HayHay — Belle riu, abraçando a cunhada. — Cara, Hayles, eu te amo e tudo, mas nunca mais contrato a sua empresa pra nada, juro. Só se você própria vier me ajudar, por que, viu... — ela bufou. — Sim, Amanda, eu estou falando com a sua chefe aqui. Agora por favor, termine o problema com as rosas sem estragar tudo, certo?
Hayley olhou para Josh com um meio sorriso no rosto. Ele sorriu de volta, fazendo que não com a cabeça.
— Eu também te amo muito, Belle, e não me leve a mal, mas eu prefiro trabalhar para o próprio capeta do que pra você.
Isabelle riu, irônica.
— Que amor, o senso de humor não se vai com a idade. Lindo, não é? — ela revirou os olhos. — Onde estão os meus sobrinhos lindos?
— Tia! — Joe disse, abraçando-a. Ela abriu mais os braços para abraçar Nate e Sophie em seguida.
— Meu Pai, vocês estão enormes. — Ela disse, levantando-se e vendo as outras pessoas saírem dos carros, até ver a moto. — Oh, não! Aquele é...
— Jason Bynum — Jason tirou o capacete e entregou para Julia, que jogou de qualquer jeito no carro.
— Nossa, meu! — ela gritou, indo abraçar Jason. — Da última vez que eu te vi você era um baixista cabeludo e magricela!
— Que bom que se lembra de mim — Jason apertou os olhos, ironicamente, fazendo Alana rir ao seu lado. — Essa é a...
— Alana, oi — Isabelle abraçou a mulher morena também, rindo. — Cadê as crianças de vocês?
Nesse exato momento, Nate gritou de decepção.
— LEONARD! — ele disse, incrédulo. Sua mão estava coberta com uma gosma verde, aparentemente difícil de sair. — QUE NOJO, MEU!
— Corra — Julia disse devagar para o pequeno irmão que morria de rir. — Corra, Leonard. Já que você não escuta o que eu digo que vai te acontecer quando mexer com o meu namorado, é sério, corra.
— Quem é ele? — Isabelle disse, sentindo os olhos brilharem um bocado.
— Meu filho — Alana disse. — Leon, o que eu já te disse sobre usar vômito de dinossauro, hein?!
— Deixa eu adivinhar — Isabelle se meteu na bronca do menino mais novo. — Mingau frio e essência de kiwi com molho de churrasco pra dar cheiro ruim? — Ela se abaixou, para ficar do tamanho do menino de oito anos.
— Quase — ele molhou os lábios. — A essência é de abacate. E um pouco de alho, pro cheiro não sair. E uma pitadinha de pimenta, pra dar um toque especial.
— Ah, claro! Abacate, eu deveria saber — Isabelle ainda olhava com um meio sorriso para o garoto. — Leonard, você é dos meus.
— Eu chamo aquilo de vômito de dinossauro por que é um nome original e, sinceramente, se um dinossauro vomitasse teria esse aspecto — ele apontou para a mão de Nate. — E além do mais, eu só estava protegendo minha irmã — ele deu ombros.
— É a sua namorada, Nate? — ela se virou para o rapaz que ainda mantinha a mão no ar, com um ar de nojo. Ele apenas fez que sim com a cabeça. — Você ainda vai perder muito dinheiro pra ele. É sério, você não tem a mínima idéia do quanto eu consegui extorquir dos seus pais. Poderia estar aposentada se não tivesse uma pequena queda por sorvetes.
— Obrigado pelo aviso, tia — Nate disse irônico, ainda balançando a mão e logo depois entrando dentro da casa com Julia, para lavar a mão.
Alana deu ombros e desistiu. Já tentava tirar o vômito de dinossauro das mãos do filho desde que ele completara três anos de idade.
— Jeremiah! — ela gritou para Jeremy que abriu seu sorriso e a abraçou.
— Olá, noiva — ele disse.
— Luke! Caramba, moleque, você está enorme — ela riu. — Onde estão Taylor e Dakotah?
— Vem à tarde com a Katt — Jeremy respondeu. — Hoje é dia de vacina da pequena Claire.
— Ah, claro, o bebezinho. — Ela riu e seu telefone passou a tocar de novo, fazendo-a praguejar.
— Gente, vai entrando. Zac está fazendo churrasco com o Aaron e a mãe tá na cozinha, como sempre. Eu vou ver o que a Amanda quer dessa vez. Vou dizer uma coisa, viu, minha mãe inventa de fazer churrasco logo hoje, por favor. — Ela bufou, atendendo o telefone, enquanto todos entravam dentro da casa.
A Sra. Farro logo reconheceu Jason e conheceu todos os jovens que não conhecia, matando também a saudade dos netos e de Luke. Depois de Josh dar um bom abraço na mãe, ele seguiu para o quintal dos fundos, onde Zac queimava um bocado de carne. Jeremy e Jason já estavam lá, cada um com uma garrafa de heineken na mão.
— Ora, ora — Josh disse, aproximando-se. — Então esse é o cara? — ele arqueou uma sobrancelha, fazendo sua cara de mau.
Josh sabia que era especialista naquela expressão. Coisas que se aprendem quando se passam pelas piores experiências de vida num país diferente, lutando na guerra.
— Não! É ele! — O rapaz moreno de olhos negros e um tanto quanto musculoso apontou para Erich, que bebia uma Pepsi tranquilamente. Josh teve que rir.
— Sou Josh — ele disse, apertando a mão do rapaz. — A partir dessa noite, seu cunhado pesadelo.
— Aparentemente você se esqueceu do que acontece quando você se mete na minha vida pessoal, não é, Josh?! — ele escutou a voz feminina por trás e sorriu.
— Eu passei três anos numa guerra sob o pior dos treinamentos possíveis, já matei e já levei um tiro. Você não vai me dar medo, Belle.
— Sério? — ela apertou o olhar e colocou uma mão na cintura. — Me teste.
— Não mexe com essa mulher, meu velho — Aaron o olhou, completamente amedrontado. — Não mexe com essa mulher!
— Se você já sabe de todos os perigos que Isabelle traz à sociedade já está pronto para se casar com ela — Josh disse rindo e apertou a mão de Aaron. — Bem vindo à família, Aaron. Machuque-a e morra.
— Obrigado, e pretendo me manter bem vivo.
Josh riu junto aos rapazes e pegou uma heineken para tomar.
— Mas e aí, Aaron, o que faz da vida? — ele se sentou.
— Sou médico pediatra — ele disse, sorrido. — Trabalho no hospital público daqui.
— Você é daqui? Eu conhecia quase a garotada toda...
— Não, eu vim morar aqui com o meu irmão depois que a gente procurou uma casa em Nashville. Os alugueis estavam muito caros e compensava mais morar aqui, então... E além do mais, foi aqui que eu consegui emprego e tive o prazer de conhecer a sua irmã. — Ele disse sorrindo e deu um selinho estalado em Isabelle.
— A gente se conheceu enquanto tomava um suco — Isabelle disse. — Ele fala muito de mim mas é tão sacana quanto eu.
— Você é mais, Isabelle — ele disse, rindo. — Mas é, a gente se conheceu lá mesmo. Não fosse aquela lanchonete de suco de laranja enrolado, nós não estaríamos aqui.
— Destino, isso aí — Zac disse, enfiando-se na conversa.
O celular de Isabelle começou a gritar novamente. Aaron fez um gesto com as mãos para sair de perto e ela saiu praguejando, gritando com o telefone.
— Enfim — Aaron. — Cadê o resto das pessoas? Quero conhecer minha nova família!
Josh riu e levou o homem até dentro da casa, conhecendo assim seus filhos e seus amigos.
Como esperado, o almoço na casa da Sra. Farro foi bem agradável. Josh pôde notar o quão gentil era Aaron quando Joseph teve um escorregão enquanto corria com Leonard e Erich e machucou o joelho. Aaron retirou um kit de pronto-socorros e fez um curativo rápido, não deixando de conversar com o garoto e fazê-lo rir, contando histórias engraçadas ou pedindo para ele se entreter, esquecendo-se assim da dor.
A verdade é que todos gostaram do noivo de Belle. E ela também ficou feliz por isso.
Mas claro, não pôde demonstrar por que estava ocupada demais gritando com Amanda. E logo após o almoço ela foi para o salão de beleza, fazer cabelo e maquiagem.
Sophie reencontrou Marie assim que Nate, seu tio, entrou na casa da mãe dele com sua esposa. Descobriu que ela já havia feito sua matrícula para o próximo ano na escola de Sophie. Assim como Luke, ela faria o terceiro ano.
Este último, estava conversando com Zac, Jeremy, Taylor e Jason sobre música, com Nate (filho de Josh). Ele nem sequer via o tempo passar enquanto isso.
No final da tarde, todas as garotas (exceto a Sra. Farro e Isabelle) estavam no quarto que era de Josh, numa espécie de “multirão de beleza”. O cheiro de esmalte e química de cabelo estava exalando do quarto.
— Hayley! Seu celular! — gritou Dakotah, jogando o celular para a mulher que teve de largar a prancha de cerâmica que fazia ondas no cabelo de Alana. A pequena Claire dormia tranquilamente no quarto ao lado, que era de Zac.
— Alô? — ela atendeu. — Ah, oi, Amanda... Sim, eu entendo... Entendo... Mas, Amanda, você já trabalha conosco há dois anos!...Eu entendo que Isabelle... Amanda, veja bem. Apenas mais um dia. Você não pode se demitir agora, certo? Aguente apenas mais um dia... Sim, eu vou te promover, com toda a certeza!...Ok, agüente firme, hoje esse pesadelo acaba... Sim! Eu vivi boa parte da minha vida com ela, ela não é tão má. Certo. Sim, eu vou aumentar o seu salário... OK, tchau. Boa sorte. — Hayley desligou o telefone e viu que todos os olhares estavam curiosos para ela.
Então todas elas riram.
— Você está dizendo que Isabelle quase fez Amanda Benson se demitir?! — disse Katt, incrédula, enquanto alisava o cabelo de Marie.
— Para você ver! — Hayley disse e todas elas ainda riam. — Isabelle é terrível.
— Às vezes dá medo da tia Isabelle, é sério — disse Marie. — Ela quando quer é bem do mau.
— Você não sabe de nada, meu amorzinho — Hayley disse. — Aquela garota, com dez anos de idade, me trazia mais problemas do que tudo.
— Ei, mãe — Sophie, que estava no chão do quarto pintando as unhas de Julia com um esmalte claro chamou. — Tia Erica e tia McKayla, onde estão?
— Eu liguei pra elas ainda agora — Hayley disse, terminando uma mecha do cabelo de Alana. — McKayla está trabalhando à tarde no colégio e a Erica tá no salão com a Isabelle.
— Ah... saudade delas... Juzy! Fica quieta! — ela bufou, após errar uma unha da melhor amiga.
— Eu estou quieta! O problema não é meu se você não sabe pintar unhas, ora! — Julia bufou de volta.
— Certo, terminei aqui — Katt disse, sobre o cabelo de Marie. Katt adorava mexer nos cabelos das meninas por não poder fazer isso com o seu filho. Não ansiava por uma filha, mas admitia que ter uma menina adolescente em casa seria incrível.
— Obrigada, Katt — ela disse, mexendo no cabelo. — Soph, deixa eu cuidar disso, você está estragando a unha da menina toda.
— Pronto! Mais uma pra me criticar — ela bufou, entregando o esmalte para Marie que ria.
— Vê se você faz um milagre e ajeita isso aí, minha irmã — Julia disse, zoando mais de Sophie.
— Eu faço as suas unhas lá em casa e você não reclama, né, safada?! Deixa você. — Ela deu de ombros, fazendo as duas garotas rirem.
— Mas e aí, gente — Marie disse, começando a passar removedor no dedo indicador de Julia. — Tem pessoas legais no colégio de vocês?
— Bem, tudo depende, por que na verdade...
— Desculpa — Julia cortou Sophie. — Ela é meio lenta. Sim, tem caras bonitos lá.
Sophie fuzilou Julia com os olhos.
— Você vai apanhar e vai ser hoje, Bynum. — Marie riu um bocado do comentário nada ameaçador de Sophie. — Tem garotos bonitos, mas se lembre de que o que tem de vaca não é pouco não.
— Normal — Marie sorriu.
Ela era uma garota realmente bonita. Tinha cabelos castanhos (agora com ondas) que caíam até as costas, se vestia delicadamente, tinha os olhos castanhos chocolates que lembravam muito os de Josh (e de Nate), e duas covinhas se abriam em seu rosto quando ela sorria.
— Vocês tem namorado? — ela perguntou, puxando assunto. — Aliás, eu sei que a Julia namora o meu primo, certo?
— É — Julia concordou. — E se você disser que é besteira por que eu sou mais velha que ele a gente sai na porrada agora mesmo. — Ela sorriu quase que angelicalmente.
— Eu não ia dizer isso — Marie disse, rindo. — Ia perguntar o que há entre Soph e Luke. Quer dizer, pelo que me lembro, não existia ninguém no mundo mais chegado do que aqueles dois.
Sophie passou uma mão pelo rosto.
— Vou te falar, amiga — Julia logo se apressou. — Esses dois, não existe nada mais complicado. Juram aos quatro ventos que “se odeiam” mas vivem se agarrando por aí.
— Ah é?! — Marie voltou seu olhar malicioso para Sophie, que suspirou, praguejando Julia e sua incrível incapacidade de guardar uma informação para ela. — Então quer dizer que a Srta. Sophie Williams Farro anda dando uns beijos no Luke?
— O que tem isso, me diz? — ela bufou. — Foi apenas um momento de carência.
— Claro — Marie e Julia disseram ao mesmo tempo. — Carência, é claro.
Soph fez que não com a cabeça.
— COMO ASSIM?! — a porta se abriu de repente, fazendo todos pularem com o grito histérico de Isabelle. — É CLARO QUE VOCÊ TEM QUE LIGAR PARA TODOS OS TOCADORES DE ÓRGÃO DO MUNDO, AMANDA! COMO VOCÊ QUER PRODUZIR UM CASAMENTO SEM UMA MARCHA NUPCIAL?...EU NÃO DOU A MÍNIMA SE O CARA FICOU GRIPADO, QUEBROU A PERNA OU CONTRAIU AIDS! EU QUERO O MEU TOCADOR DE ÓRGÃO NA MINHA MARCHA NUPCIAL! — ela levou uma mão à testa, que já continha uma fina camada de base. Ela estava perfeitamente maquiada e seu cabelo estava divino. Infelizmente, o seu humor não. — Tá, Amanda, ok. Liga logo. — Ela desligou o telefone, sentando-se no tapete.
— Olá, gente — Erica disse, entrando logo em seguida e fazendo uns gestos com as mãos que dizia basicamente “não mexe que ela tá uma fera”.
— Qual foi o problema, tia? — Sophie se atreveu a perguntar.
— O tocador de órgão ficou doente! Agora eu preciso de outro tocador em cima da hora!
— Bem, eu não toco órgão, mas... Sou profissional no piano, então...
— É claro! — Um brilho acometeu os olhos castanhos cheios de fúria de Isabelle. — SOPHIE! MINHA SOBRINHA ESTUDOU UMA PORRADA DE ANOS NA INGLATERRA! MÚSICA, CERTO?
— Sim — Sophie sorriu, discretamente.
— Como não pensei nesse seu sotaquezinho inglês antes?! Graças a Deus eu tive a brilhante idéia de juntar os seus pais quando era criança, por que senão...
Hayley olhou para a filha e fez um sinal de que a tia era louca. Como se Sophie já não soubesse disso.
— Eu toco a tua marcha nupcial, tia, mas só com uma condição.
— Qualquer uma, meu amor — Isabelle riu. — O que é?
— Quero tocar uma música diferente da tradicional, tudo bem?
— Claro! — Isabelle disse. — Claro! Aquele infeliz daquele tocador de órgão ia tocar uma música clássica. Eu realmente detesto coisas tradicionais.
— Ok — Sophie sorriu.
— Amanda? — ela, novamente estava com o telefone no ouvido. — Tenho a solução para o seu problema. Arranjei uma pianista profissional. Sim, sim. Adivinha! Filha da sua chefe! Pois é, agora dê um jeito de substituir esse órgão aí pelo piano rapidinho, tá, fofa? E vê se faz direito, pelo amor de Deus... Ok, ok. Até lá. Boa sorte.
Então ela desligou, olhando para todas as garotas que terminavam de se embelezar.
— Hora do vestido — ela disse, e um brilho iluminou o olhar de todas as mulheres dali.




[...]



Luke riu da piada que Nate havia contado. Ambos estavam bem vestidos com seus ternos pretos. O cabelo levemente bagunçado de Luke apenas o deixava mais descolado, assim como o all star preto em seus pés. Ele estava realmente bonito, assim como o amigo ao seu lado, que brincava. Eles falavam bobagem enquanto iam até a cozinha para beber alguma coisa. Os outros homens estavam dando conselhos a Aaron, já que todos eram (ou foram) casados. As crianças jogavam videogame na sala de estar e as meninas estavam arrumando Isabelle.
Bem, pelo menos, boa parte delas. Pois assim que Luke adentrou a cozinha, viu Julia, Sophie e Marie rindo.
Enquanto Nate ia abraçar sua namorada, Luke ficou paralisado.
Sophie estava com os cabelos totalmente coloridos, com cachos nas pontas. Seu rosto estava iluminado pela maquiagem que havia passado... E ela estava vestida num vestido azul estampado justo, que valorizava todas as suas curvas e ainda lhe dava um ar mais belo. Sophie olhou em sua direção, fazendo com que os seus olhares se encontrassem e se prendessem um no outro. Ela sorriu.
E ele não teve como não sorrir também.
Ela estava... simplesmente... perfeita.
— Luke! Amigo! Tu não vai acreditar no que a prima acabou de me dizer — Nate disse, fazendo Luke voltar ao planeta terra.
— O quê? — ele disse, aproximando-se das meninas e de Nate.
— Soph vai tocar a marcha nupcial — ele riu. — O cara adoeceu e tia Belle endoidou, daí a Soph se candidatou.
Luke sorriu.
— Legal. Mas ela toca bem, vai arrasar — Luke sorriu.
— Obrigada, Davis — ela disse, fazendo-o rir também.
— Certo, não sou de segurar vela. Vou ver o vestido da tia Belle de novo — Marie disse, saindo, e Nate e Julia saíram em seguida, abraçados. Deixaram uma Sophie e um Luke naquela mesma situação constrangedora.
— Você... tá muito linda — Luke disse, coçando a nuca.
— Você também! Quer dizer, o all star... ficou perfeito.
— Valeu — Luke agradeceu, indo até a geladeira e pegando uma lata de refrigerante. — Quer dividir comigo?
— Claro — ela disse, torcendo os lábios. Luke pegou dois copos e abriu a latinha, despejando o líquido nos copos. — Obrigada — ela disse assim que Luke lhe entregou um copo.
— Você vai tocar a marcha nupcial tradicional mesmo?
Sophie sorriu de canto.
— Não — e tomou um gole de seu refri.
— Que música, então?
— Hmm... Não posso contar — ela disse, ainda rindo.
— Como assim?
— Não contei nem pra minha tia, vou contar pra você? — ela riu.
— Por que não quer me contar?
— Não vou dizer. — Sophie terminou seu refrigerante. — Droga, esqueci que tinha passado gloss.
Luke gargalhou.
— Garotas — e fez que não com a cabeça.
— Luke! Vamos pra igreja logo! Depois só entra a noiva e a minha mãe! — Jeremy gritou. — Ei, oi, Soph! — ele entrou na cozinha. — Você tá linda.
— Valeu, tio. Eu vou chamar todo mundo pra gente ir, ok?
— Ok, vai lá — Jeremy sorriu e Sophie subiu as escadas. Ele dirigiu o olhar sapeca para o filho.
— Nem vem — Luke levantou as mãos e saiu da sala, rindo.
Logo todos já estavam devidamente em seus carros. A limo de Isabelle já a esperava em frente a casa.
Seria um grande dia para ela, isso era fato.
E tão rápido como todos se arrumaram nos carros, chegaram à Igreja Católica mais antiga de Franklin. Ela estava linda e totalmente arrumada para o casamento de Isabelle.
Assim que saiu do carro, Hayley viu sua promoter, Amanda Benson, recebendo as pessoas. Assim que viu Hayley e Katt, Amanda as abraçou.
Deus sabe a dureza de dia que ela tivera.
— Nunca mais — Amanda disse, virando-se para Hayley. — Nunca mais eu aceito produzir uma festa de um parente de um chefe pra tentar me promover. Não vale a pena.
— Quantas vezes ela te fez chorar de raiva? — Katt perguntou, com um meio sorriso no rosto.
— Mais vezes do que eu gostaria de assumir — Amanda suspirou. Estava cansada. — Nunca tive um cliente tão terrível.
— Eu já — Hayley disse, lembrando-se do tanto que passou raiva com Josh. — Coisa de família.
— Vocês me devem — Amanda disse, brincando (provavelmente pela primeira vez no dia). — Entrem e se sentem, por favor.
Elas fizeram que sim com a cabeça e entraram. Sophie já estava lá dentro, atrás do piano, tirando solos. Hayley simplesmente se encantava com o jeito que a filha tocava. Ela fechava os olhos e sentia a música, como se fizesse parte dela. Ela mesma gostava de dizer que quando estava tocando, ela era a música.
Luke entrou logo depois com Jeremy e Aaron.
O noivo passou pela porta da igreja, olhou para um lado, olhou para outro e suspirou.
— Certo, onde está a corda? — ele disse, fazendo Zac e Nate rirem.
Pouco a pouco, a igreja foi enchendo. Os convidados chegavam em carros e a rua já estava lotada, de modo que só havia espaço para a limo de Belle, que chegaria à qualquer momento. A Sra. Farro já estava esperando em seu lugar. Sentia que não conseguiria ver sua única filha se casar assim, depois de tanto tempo. Mesmo que já tivesse acompanhado o casamento de seus três filhos mais velhos (e chorado em todos eles), ver sua menina se casar ainda era mais do que emocionante.
Aaron estava mais do que nervoso enquanto esperava pela noiva. Ele tinha toda a certeza de que estava fazendo a coisa certa, casando-se com a única que ele amou. Seus amigos nem sequer acreditaram quando ele disse estar se casando. Era algo quase impossível de se acontecer! Aaron Flynn casado! Ninguém acreditaria se não estivessem ali, vendo-o com aquele terno minuciosamente escolhido pela sua dama, olhando impaciente o relógio da igreja enquanto a esperava para finalmente chamá-la de esposa.
Com um aviso pelo bip que havia ganhado da promoter, Sophie foi a primeira a saber que a noiva já se preparava para entrar. E foi aí que ela deu a introdução à marcha nupcial que tanto queriam saber.
Todos se levantaram, sem reconhecer a música de início, olhando para a porta inicial da igreja, onde Isabelle já entrava irradiando luz e felicidade.
Até que Luke reconheceu a música que Sophie tocava. E então, ele foi o único, em toda a igreja, que invés de olhar para a noiva, olhou para a pianista.
Isso por que ela tocava a sua música.
Sophie estava tocando Adore.
Ela tocava da mesma maneira que tocava Oh Star, no outro dia. Seu corpo se movia conforme seus dedos e seus olhos estavam fechados, apenas se concentrando em sua música.
Então ela abriu os olhos e encarou Luke, com um sorriso extremamente maroto no rosto. Ele retribuiu, incrédulo, sem saber o que aquilo significava, mas ainda assim... Emocionado.
Após Nate entregar Belle a Aaron, Sophie parou, e o padre deu início a cerimônia.
Isabelle Farro estava se casando. Para a incredulidade de todos.



[...]



— 1...2...3! — Isabelle jogou o buquê o mais alto que pôde, e ele caiu nas mãos de McKayla.
Todos gritaram.
A festa de casamento já estava rolando a todo o vapor. O bolo já havia sido cortado e agora, só faltava mesmo o buquê. Que acabou caindo nas mãos da irmã caçula de Hayley.
O que era legal, por que ela tinha um namorado firme há cinco anos, desde que iniciou sua faculdade de pedagogia. McKayla tinha apenas vinte quatro anos e trabalhava e estudava. Dava aulas para crianças de cinco a seis anos e era competente no que fazia.
As amigas de Isabelle parabenizaram a garota, que logo depois foi ao encontro do seu namorado, enquanto a música rolava alta e todos se dirigiam à pista de dança, animados e meio alcoolizados. Já passava da meia noite e todas as crianças já haviam sido levadas para a casa, pois estavam com sono. Mas apenas Taylor e Dakotah que saíram da festa, pela filha bebê. Os outros adultos e jovens ainda curtiam a música eletrônica com animação.
— Dá licença, Soph — Nate disse à Sophie, que dançava num canto do grande salão junto à Julia. — Vou seqüestrar minha garota agora.
— Seu chato! — ela gritou, pela música alta. — Juzy!
— O que eu posso fazer? — Julia disse. — Eu amo esse chato e sou a garota dele mesmo.
— Ah, vai logo. Vocês se merecem. — Sophie tomou mais um gole da taça de champanhe que tomava.
Teve que insistir um bocado para sua mãe deixá-la beber álcool, ela assumia.
Jogando beijos irônicos no ar, Nate saiu puxando a namorada para o centro da pista de dança. Soph deu uma olhada nela. Seus pais estavam em um canto, conversando com Jeremy, Katt, Jason e Alana alguma espécie de assunto extremamente engraçado. Sophie sabia que Hayley e Katt estavam bebendo demais. Elas sempre faziam isso quando podiam, já que o trabalho era tão puxado que as impossibilitava de todo e qualquer tipo de diversão.
Isabelle e Aaron já não estavam mais na pista. Já devem ter ido para a noite de núpcias, pensou Sophie.
Marie conversava animadamente com um rapaz do trabalho de McKayla, e essa última, estava dançando e rindo com o seu namorado.
Decidiu não ir até ninguém, por isso, ficou ali, bebendo seu champanhe, que já estava no fim. Sabia que poderia abastecer o copo tranquilamente, já que Hayley não estava sóbria o suficiente para repreendê-la.
— Olá — ela viu a figura de Luke com duas taças na mão materializar-se em sua frente. — Trouxe pra você, menina insuportável.
Sophie gargalhou ao ouvir o seu velho apelido.
— Obrigada — ela disse, terminando a sua própria taça e pegando a das mãos de Luke. Ela percebeu que ele havia tirado sua gravata e sua camisa social estava com dois botões abertos. Seu rosto, risonho. — Você bebeu demais, não é?
— Não! — ele levantou as mãos no ar. — Só um pouquinho, poxa. — E então ele engoliu metade do líquido na taça de uma vez, fazendo-a rir.
Ela também estava risonha, admitia, era fraca com bebidas.
— Pouquinho, é?
— É! — ele concordou, gargalhando logo em seguida. A música eletrônica acabou, dando espaço para Do Ya – McFly. Luke terminou sua taça rapidamente e retirou a taça das mãos de Sophie. — Vamos dançar, eu sei que tu curte McFly.
Luke largou a taça no chão da pista e saiu arrastando Sophie pelas mãos até um lugar da pista onde havia uma grande aglomeração de gente. Os dois começaram a se mexer conforme a música, no meio de todo mundo. Eles dançavam, pulavam, riam. Luke fazia alguns passos esquisitos e Soph ria dele, ou ria de quando por acaso, alguns dos dois pisavam no pé de alguém. Eles também cantavam alto a letra da música, parecendo estar mais alcoolizados do que realmente estavam. Sophie não se lembrava de estar se divertindo tanto como naquela hora.
Depois que o terceiro casal reclamou dos dois, Luke pegou a mão de Sophie e a arrastou para fora do salão de festas. Eles riam como duas crianças, enquanto o fim da música ecoava já mais longe dos dois.
— Aquele cara — Sophie tentava dizer, entre risadas. — Ele vai te odiar pra sempre com aquela cotovelada que você deu nele.
Luke riu também, agora andando ao lado de Sophie pelo gramado que ficava depois do salão de festa. Era como uma espécie de casa de campo com um grande galpão, que agora, era o salão. Fora dele, os carros estavam estacionados e a grama estava verde e fresca.
— Vai nada! — Luke disse, ainda tentando se controlar. Seu corpo estava mais leve e ele se sentiu meio tonto. — Aquela mulher que vai te odiar pra sempre. A marca do seu salto vai ficar no pé dela por pelo menos uma semana!
Sophie deu um pequeno empurrão no ombro dele, rindo.
— Você tá bêbado, Luke — ela disse, rindo.
— Pelo menos eu tenho com que me embebedar! — Ele se virou pra ela. — Me explica, Sophie, quem se embebeda com três taças de espumante?
— Cala a boca! — ela gritou, ainda rindo.
— Não calo! — ele se colocou na frente dela e passou a andar de costas. — Você está tontinha.
— Não estou! — Sophie gritou, novamente. Mas o sorriso continuava em seu rosto. — E eu já mandei calar a boca.
— Sophie está bêbada... e a mãe dela vai dar uma surra nela por isso... — ele disse, cantando numa melodia totalmente sem nexo.
— Posso estar bêbada, mas estou sóbria o suficiente pra te bater.
— Tente — Luke disse, e depois disso saiu correndo pela grama verde. Sophie gargalhou, tirando os saltos com a ponta dos dedos e correndo o mais rápido que pôde atrás do rapaz de cabelos castanhos e que, naquela ocasião especificamente, estava mais do que lindo.
Luke corria rápido, mas depois que Sophie tirou seus saltos, ela foi mais rapidamente em direção ao rapaz. Ele tentava escapar, fazendo zigue-zague, e em uma dessas, Sophie tomou impulso e pulou em cima das costas dele, fazendo-o cair no chão.
Rindo, os dois se estiravam na grama.
— Não falei? — ela disse, ofegante, se deitando ao lado dele na grama verde e macia. Estava bem aparada, mas quando ela virava o rosto para Luke, não o enxergava com perfeição. — Estou sóbria o suficiente para te pegar numa corrida.
Luke ainda respirava fundo, gemendo de dor, mas ainda com o sorriso bobo no rosto.
— Você ferrou com as minhas costas, chata — Luke disse, rindo.
Sophie apenas riu alto e não respondeu. Seu olhar estava ereto e ela via a lua grande e brilhante como nunca havia visto antes.
— Olha o quanto a lua é mais bonita daqui — ela disse, apontando para a lua. — Ela é maior e se eu levantar minhas mãos — ela o fez —, parece que eu posso tocá-la.
Luke riu de canto.
— É uma das coisas que eu gosto em Franklin — disse ele, rindo. — As estrelas. Veja as estrelas... Elas são muitas, não é? — Luke deixou uma risada escapar. — Adoro o céu noturno de Franklin. Dá uma paz muito grande.
— É — Sophie concordou, relaxando o seu corpo e se deliciando com a sensação de ter a grama abaixo dele. Respirou fundo e fechou os olhos, sentindo o ar puro adentrar seu pulmão livremente. Dava para escutar a música ecoando lá longe. Sophie se sentiu em paz com o mundo, de olhos fechados, respirando o ar do campo, sabendo que por cima dela a lua brilhava forte e linda.
Até que ela sentiu uma respiração se misturar com a sua. Abriu os olhos lentamente e deu de cara com um Luke por cima dela. Ele levou o polegar a sua bochecha e começou a fazer um carinho bom por ali.
— Por que você tocou Adore? — ele perguntou com a voz perigosamente rouca e baixa. Sophie precisou inspirar forte o ar, para não se esquecer que ainda precisava respirar.
— Achei que você ia gostar — ela não soube onde achou a voz para responder.
Luke aprofundou seu toque, passando agora as mãos pela mandíbula e pescoço de Sophie.
Sophie não se agüentou e levou suas duas mãos aos ombros de Luke por dentro do blazer que ele usava, alisando delicadamente toda a extensão de seus ombros largos e o início de seus braços.
— Eu gostei — Luke disse, abaixando o rosto e passando o nariz pela sua bochecha. — Acho que fui o único que invés de olhar para a noiva, olhei para a pianista.
Sophie riu baixinho, colocando mais firmeza em seu carinho nos ombros e braços de Luke.
— E eu fui a única que invés de olhar para a entrada da noiva, olhou para o dono da música pra ver a sua reação.
Luke riu devagar e deixou um beijo pequeno e profundo na maçã de seu rosto, beijando da mesma forma a bochecha. Ele fez o caminho de beijinhos da bochecha até chegar ao canto de sua boca, e lá, ele deixou um beijo mais demorado. Sophie estava apenas com os olhos fechados, esperando a sua próxima ação, tentando controlar as batidas descontroladas de seu coração e a sua respiração totalmente desregulada. Isso sem dizer do arrepio totalmente involuntário que ia da ponta da cabeça até os dedos do pé que acontecia quando os lábios perfeitos, macios e bem moldados de Luke lhe beijavam a face. Ela estava ansiosa por causa dele. Estava ansiosa por ele.
Luke encostou seus lábios nos dela, ainda sem iniciar um beijo, apenas sentindo-os roçar. Abriu levemente a boca, contornando os lábios dela com a língua, e logo após, mordeu o lábio inferior dela com delicadeza, fazendo-a suspirar de leve. Sophie abriu um pouco a boca, buscando os lábios daquele garoto para si e iniciando de verdade aquele beijo que ela tanto esperava e ansiava. Aquele beijo que se fazia com tamanha naturalidade e ao mesmo tempo, tanta surpresa. Aquele beijo que fazia-a ir as nuvens e voltar, sem nem sair da grama que estava ao seu redor. Aquele beijo, com aquele rapaz, que sabia exatamente o que fazer e que movimentos usar, entrelaçando suas línguas perfeitamente e passeando suas mãos grandes e fortes pela sua cintura, fazendo-a se arrepiar por inteira. Aquele beijo tão certo e tão bom, que fazia-a ter certeza de que estava no lugar certo, na hora certa, com a pessoa certa. Aquele beijo que Sophie tanto adorava beijar. Ele não era nada urgente ou rápido, o que nem por isso estava ruim. Estava calmo e sereno, com os movimentos certos. As mãos de Sophie que já haviam corrido toda a extensão dos ombros de Luke agora se aprofundavam em sua nuca, enrolando-se em seus cabelos encaracolados, e passando delicadamente as unhas pela nuca de Luke.
Luke descia sua mão até a cintura dela, segurando-a firme, como se nunca mais quisesse soltá-la.
Quando seus pulmões pediram por ar, eles se separam com dificuldade, e Sophie prendeu o lábio inferior de Luke com uma pequena mordidinha. Ele sorriu, deixando-se descer mais uma vez e tomando os lábios daquela garota em mais um beijo molhado e com gosto de champanhe. Ela sorriu entre o beijo e aprofundou mais, empurrando o ombro de Luke para o chão e se recostando nele, ficando por cima. Ainda com as mãos por dentro do blazer ela o tirou rapidamente, sentindo os músculos de Luke se contraírem a cada toque dela. Eles sentiam cada célula do corpo se eletrizar conforme iam se beijando, aprofundando, entrelaçando suas línguas, sentindo o gosto um do outro. Enquanto eles estavam se beijando, estavam completos, calmos, em paz.
Não demorou muito para o ar ir embora novamente, e dessa vez, eles se afastaram, mas não totalmente. Sophie devagar recostou sua cabeça no peito de Luke, que ia freneticamente para cima e para baixo, ofegante. Ela estava igualmente sem ar, com a respiração desregulada, procurando se recuperar daqueles beijos tão perfeitos.
Sophie levou abraçou a cintura de Luke com a mão, por baixo do blaser. Ele recostou seu braço pelo corpo dela que ainda estava colado ao seu e deixou um beijo no topo da cabeça dela.
— O que estamos fazendo? — ela sussurrou, sentindo Luke apertar sua cintura com as mãos.
— Eu não sei — ele disse devagar, brincando com o cinto de seu vestido. — Mas... não vamos pensar nisso agora.
Sophie sorriu, apertando a mão em sua cintura.
— E no que vamos pensar? — ela disse, fechando os olhos para sentir melhor o seu perfume.
— Não precisamos pensar — Luke disse e Sophie se apoiou em seu peito, virando o rosto e encarando-o. — Não agora.
E foi com mais um sorriso trocado e mais um olhar brilhante que Sophie entendeu que realmente não precisava pensar naquela hora. Não quando Luke estava ali, sozinho com ela, e ela poderia ficar com ele o tempo que quisesse.
Eles não precisavam pensar. Não agora.

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