23 de set de 2012

Capítulo 19

Oh star, fall down on me



Sophie ajeitou os cabelos — agora com mechas laranjas e meio loiras — num coque frouxo e voltou a encarar o papel a sua frente, ignorando o hematoma na testa que ainda causava um bocado de dor.
Estava gostando do que escrevia. A melodia era calma, a letra igualmente. E além do mais, havia magia naquilo tudo. Ela estava fazendo em rimas o que pensava, sentia, queria escrever. Realmente estava gostando.
Certo, ela estava gostando. Isso não significa que ela queria mostrar para alguém.
E foi por isso que quando viu a porta do seu quarto abrindo sem aviso prévio, ela fechou rapidamente o caderno, ficando apenas com o violão em suas pernas.
— Oi, Maninha — Joe disse, jogando-se em sua cama e fazendo-a rir.
— Não tem escola, rapaz?
— Saí mais cedo — ele deu de ombros, sentando-se direito. Sophie pôde notar então que ele segurava um pequeno caderno.
— E o que traz a vossa excelência aqui? — ela brincou e Joe a encarou confuso por um segundo, mas decidiu não perguntar.
— Você já pode ser considerada uma adulta? — Nessa hora, ele pareceu sério. Soph pousou o violão do outro lado da sua cama de casal.
— Hum — resmungou. — Não.
Joseph suspirou.
— Eu ia falar isso com a mamãe, mas ela tá trabalhando, e o papai também... E eu não quero falar com a Rosa. Então faz o seguinte, finge que você é uma pessoa adulta.
— Por que eu preciso ser uma pessoa adulta? — Soph estava confusa, encarando o irmãozinho.
— Por que a minha professora disse que eu tinha que conversar sobre isso com um adulto — ele esclareceu.
— O que você fez?! — Soph apertou os olhos, fazendo Joe hesitar.
— Nada! Eu juro! Não fiz nada de errado! — ele se apressou em explicar. — Ela quer que eu fale com alguém sobre a minha redação!
— Ah — Soph suspirou. — O que tem ela?
— A professora tinha mandado a gente continuar uma história, sabe? — Soph fez que sim com a cabeça. — Então ela passou o trabalho pra casa sem dar uma margem máxima de palavras ou linhas... aí eu me empolguei.
— Se empolgou?
— É! — Joe sorria. — Eu escrevi doze páginas.
Soph arregalou os olhos e deixou o queixo cair.
— DOZE?! — ela olhou incrédula para o irmão, que ainda sorria inocentemente. — NEM EU ESCREVO TUDO ISSO!
— E os meninos da minha sala só escreveram, no máximo, uma e meia...
— Eu não duvido! — ela disse ainda um tanto alto.
— Ela mandou um bilhete — ele disse, estendendo um pedaço de papel para Sophie.



“Sr. e Sra. Farro,
Venho por meio deste bilhete dizer-lhes o quando fiquei admirada em relação ao talento de Joseph escrevendo. Não é de hoje que venho percebido que geralmente quando se trata de língua inglesa ele se destaca dos outros alunos, mas ultimamente, ele tem realmente me surpreendido. Mesmo sendo um tanto bagunceiro quando quer, ele continua tendo um talento para a escrita que deve ser reconhecido.
Como último feito, pedi aos alunos que continuassem uma história de, vejam só, um coelho que havia se perdido dos pais.
Enquanto a maioria me trouxe uma história em que o coelho apenas encontrava o caminho de volta para a casa e “vivia feliz para sempre”, Joseph surpreendeu. Ele detalhou delicadamente o processo de crescimento do coelho, escrevendo por tudo o que ele havia passado na vida, dando magia, humor e brilho à história, conseguindo no fim, uma moral que faria muitos adultos refletirem sobre a vida. Assim como eu.
De modo que após ler isto e ter certeza de que ele mesmo o escreveu, decidi contatá-los. Joseph é uma criança muito inteligente e realmente tem futuro como escritor.
Venham até a sala assim que puderem para podermos conversar melhor sobre seu filho.
Atenciosamente,
Mrs. Lautmore.”




— Caramba, Joe — Sophie ainda tinha os olhos arregalados.
— É mentira dela esse negócio de bagunceiro — ele revirou os olhos verdes, bufando.
Mas Sophie ainda ria.
— Mamãe vai morrer quando ler isso — ela gargalhou de leve, sentindo o orgulho do irmãozinho aumentar.
— Mas eu não sou bagunceiro, Soph!
— Não sobre isso, meu Deus! — ela fez que não com a cabeça. — Essa professora está te elogiando de todas as formas possíveis aqui, disse que tu tem futuro como escritor e tudo mais...
— Mas eu só me empolguei...
— Se empolgue mais vezes e garanta seu futuro — ela gargalhou. — J.K. Rowling decidiu que ia ser escritora com cinco anos de idade e hoje é uma das mulheres mais ricas da Inglaterra.
Joe gargalhou.
— Mamãe vai ficar orgulhosa quando ler isso, então? Achei que a professora queria me dar uma bronca.
— Ah, ela vai. Sra. Hayley Williams vai ficar uma coisa de orgulhosa — Soph riu. — E eu também, né? Meu irmãozinho é um escritor! Awn, vem cá.
Sophie puxou o garoto pelo braço para um abraço apertado, enquanto bagunçava seus cabelos loiros. Ele ria enquanto isso, e ela passou a distribuir beijos pelo seu rosto rosado, a força, enquanto ele passou a gritar.
Ele se afastou ofegante.
— Você me paga, ouviu? — ele disse, ameaçando a irmã que ria.
— Certo, certo. Claro que pago. — Ela sorriu, pegando o violão e colocando-o no colo novamente, fazendo a mesma seqüência simples de notas que havia usado para compor aquele pedacinho de música.
— Vou comer o bolo que a Rosa fez. Você quer? — ele disse, pegando o caderno e pulando da cama para o chão.
— Não, vou continuar tocando. Obrigada — ela mandou um beijo no ar pro irmão que saiu do quarto correndo.
Sophie fez que não com a cabeça, sorrindo, e retirou o caderno de músicas do cobertor novamente.
Escreveu mais um verso apenas quando, novamente, a porta de seu quarto foi aberta sem aviso prévio. Bufou. Estava pensando seriamente em colocar um adesivo “bata antes de entrar” bem grande na porta do seu quarto.
— E aí — Julia disse, pulando em sua cama.
— Bater na porta às vezes é legal, sabia? — ela bufou, colocando o violão de lado novamente.
— Não na porta da melhor amiga. E larga de ser chata, né, por favor. — Julia sorriu.
— Tu entra no meu quarto sem avisar, pula na minha cama e eu sou chata. Certo — ela suspirou.
— Não vai acreditar no que aconteceu — Julia a ignorou completamente e começou a falar.
— Tente contar — Sophie continuava sendo grossa, mas logo após as duas começaram a rir.
— Nate-
— Ah, claro, Nate — ela a cortou, rindo.
— Vai se catar, ok? — ela bufou. — Ele me pediu em namoro da forma mais fofa que eu já vi.
— Sério? — Soph sorriu. — Que amor! Agora somos cunhadas oficialmente!
— Cala a boca, Sophie — Julia jogou uma almofada em seu rosto. — Estou feliz, ok? Falei pra ele tudo o que tinha pra falar e agora eu... estou mais leve. E feliz. Muito feliz.
— Que bom — Soph riu, fazendo que não com a cabeça. — Bom mesmo.
Julia suspirou, rindo e pegando o violão de Sophie, fazendo alguns solinhos improvisados e lentos.
— Adoro esse violão. Ele é muito confortável de tocar...
— Meu Gibson — Sophie bufou e tirou o violão da amiga, que riu.
— Quando comprar meu Fender você vai ver, sua vaca — ela cruzou os braços, fingindo indignação e lhe mostrou a língua.
— Aham, tá bom — Soph fez que não com a cabeça. — Mas me conta aí, como é que foi que você começou a namorar o babaca do meu irmão?
Julia a encarou com os olhos apertados, reprovando claramente a frase.
— Ele apareceu na minha casa de manhazinha — o brilho de seus olhos voltaram como num passe de mágica. — Do nada ele abriu a minha porta e... eu não vi mais nada, só me dei conta quando estava completamente abraçada a ele.
— Que fofura — Soph comentou, rindo.
— E daí ele começou a puxar assunto e eu fui direta, dizendo tudo o que eu sentia, e logo ele disse pra mim também, Foi muito lindo... E meu Deus, não acredito que estou assim.
— Assim apaixonada? — Soph gargalhou.
— Assim idiota — ela esclareceu. — A questão é que eu precisava contar isso pra alguém e por isso vim correndo pra cá.
— Isso é normal, acredite — Sophie sorriu, tocando calmamente os mesmos acordes. — E eu estou feliz por você. E pelo Nate. Finalmente ele arranjou alguém que preste — ela gargalhou.
Julia ainda abriu a boca para falar mais alguma coisa, mas foi interrompida pela porta do quarto de Sophie sendo aberta.
— Cara, já provaram esse bolo? Está uma coisa — Dan disse, enfiando um pedaço de bolo de chocolate inteiro na boca.
— Você não deveria estar na aula? — Sophie perguntou, bufando.
A idéia do adesivo parecia muito viável agora. Mesmo.
— Saí mais cedo — ele esclareceu, sentando-se ao lado de Julia.
— Quero bolo — Julia disse, levantando-se. — Já volto.
Então ela saiu pela porta, fechando-a.
— E a testinha, Red Soph? Como vai?
— Melhor agora que posso escondê-la com a franja que minha mãe cortou — ela sorriu. — E você não pode mais me chamar desse apelido estranho. Meu cabelo também é laranja e louro, agora.
— Ainda está vermelho e você será pra sempre Red Soph. — Dan sorriu, terminando seu pedaço de bolo. — Mas diz aí, por que o Luke me evitou a aula toda? Já tenho uma idéia do que aconteceu.
— Não aconteceu nada — Sophie disse, largando o violão e levantando-se.
— Não adianta fugir, sabia? — Dan disse, seguindo-a.
— Não estou fugindo de nada. De repente apenas quero bolo — ela fechou a porta em Dan, que a segurou e a fechou em seguida.
— Tudo bem que ele não me contou... mas cara, o moleque sorriu a aula inteira e ainda não soube responder a resposta de um problema que eu sabia responder! Ele tava aéreo.
— E eu com isso? — ela fingiu indiferença, mesmo que gostasse de saber que Luke não estava prestando atenção na aula por causa do que passaram no dia anterior.
— Bem, eu apenas acho que vocês repetiram a dose de um do outro naquela floresta. É só uma teoria, claro. Mas vamos combinar, vocês ficaram um tempão perdidos e ele chegou contigo no colo. — Dan a olhou de forma maliciosa, acusando-a.
— Não aconteceu nada — ela repetiu, descendo as escadas de dois em dois degraus.
Dan deslizou pelo corrimão e pulou na frente dela, ainda a encarando com um sorriso sapeca no rosto.
— Não adianta mentir pra mim, Sophie Williams — ele riu. — Você ama aquele moleque e sabe disso. Mas de boa, vou deixar você pensando em como foi beijar o amor da sua vida enquanto vou pegar mais um pedaço de bolo.
Sophie bufou.
— Estarei beijando o amor da minha vida no momento em que eu beijar Dougie Poynter! — Dan riu, fazendo que não com a cabeça e ela bufou novamente.
Amar, vejam só. Agora apenas por que ela havia beijado Luke algumas vezes ela estaria amando-o?
Dan tinha problemas, era isso. Problemas.
E o pior é que ela não terminava aquela bendita música.



[...]



— Oh, finally. — Sophie se sentou ao piano, que ficava no canto da sala de estar, e tocou a introdução que havia imaginado desde o início do dia.
Dan havia ido para sua casa e Nate havia chegado do colégio. Agora estava em seu quarto com Julia fazendo algo que Sophie preferia não saber.
Ela se concentrou o máximo que pôde e fechou os olhos, deixando o ritmo fluir de seus dedos, que dançavam delicadamente pelas teclas, produzindo aquele som extremamente relaxante e lindo aos ouvidos de qualquer um. Então ela começou a cantar, deixando sua voz rouca e fina (um pouco mais do que a de sua mãe) ecoar junto com o som calmo das teclas do piano (que também era de sua mãe).
— Oh star… fall down on me. Let me make a wish upon you… Hold on… let me think, think of what I’m wishing for… Wait! Don’t go away. Just not yet. ‘Cause I through I had it… But I forget… — Ela terminou o solo da única parte da música que tinha até ali. Seus olhos ainda estavam fechados e ela apenas sentia o atrito das teclas com os seus dedos e a sua voz ecoar livremente em sua cabeça, junto com o som macio do piano.
— Uau — ela abriu os olhos, se virando rapidamente e vendo a figura de um Luke Davis parado, com as mãos nos bolsos da calça jeans. Ele estava visivelmente perplexo. — Eu... uau.
Sophie sentiu as bochechas esquentarem levemente.
— Eu só... estava... cantando qualquer coisa — ela disse devagar, passando a mão pela franja que tampava sua concussão.
— Eu gostei — Luke sorriu, fazendo-a sorrir também. Ele vestia uma camiseta preta um tanto apertada, sem estampa, e uma calça jeans cinza com rasgos no joelhos.
— Obrigada — ela agradeceu timidamente, voltando a atenção para o piano.
— Você... já terminou?
— O quê?
— A música — Luke ainda sorrindo se aproximou mais dela e do piano. — Você já terminou a música?
— Ah, não — ela negou, coçando a cabeça e sorrindo, mas ainda de costas para ele. — Ainda não.
— Precisa de ajuda? — Sophie se virou, olhando-o nos olhos azuis agora um tanto esperançosos.
— Claro, vem cá — ela se afastou um pouco, sentando-se no início do banco, e Luke se sentou ao seu lado. Ela soube que as batidas do seu coração aumentaram um bocado ao sentir a proximidade do corpo dele com o seu. Inalou o cheiro de seu perfume com certo gosto, enquanto pôde notar que ele havia cortado um bocado do cabelo, que antes, quase caía aos olhos.
— Ok... — ele disse, pegando o papel. — Canta pra mim outra vez — ele pediu, sorrindo para Sophie.
Ainda com a bochecha um tanto corada, ela novamente fechou os olhos e cantou.
Luke apenas observou. Observou o movimento perfeito que seus dedos faziam com as teclas do teclado, ou a beleza que era o som que saía de sua boca. Seus cílios grandes estavam perfeitamente curvados, e seus olhos fechados deixavam aquele momento ainda mais perfeito. Luke podia analisar o quanto ela era linda cantando sem que ela corasse. Desejou que ela continuasse com os olhos fechados por mais algum tempo.
Após ela terminar, abriu os olhos e o encarou, rindo.
— Não tá legal...
— Claro que tá — Luke discordou. — Tá muito linda... Vamos trabalhar, você me deixou inspirado.
Sophie gargalhou.
— Certo, vamos lá.
— Que tal a gente já começar um refrão? Algo tipo... Com licença — ele colocou os dedos sobre as teclas e começou a fazer a mesma melodia com outras notas —, algo tipo... And I won’t let you fall away... from me.
— Meu Deus! — Sophie ficou admirada, fazendo a mesma nota que Luke fez no piano, com mais perfeição (afinal, ela era uma pianista quase profissional). — Escreve aí, ficou perfeito.
Luke sorriu, escrevendo o verso, que Sophie cantou ao piano.
— And I won’t let you fall away... from me. You will never fade…
— You will never fade — Luke repetiu, sem cantar. — Cara, você tem o dom.
— Você mais, né — ela sorriu, fazendo a mesma melodia novamente.
— Eu amei o seu novo cabelo — Luke disse de repente, fazendo-a rir.
— Obrigada. Eu amei o seu também. — Ela riu, enquanto escrevia o que havia acabado de dizer. — O que acha de eu colocar um outro “from me” no segundo verso do refrão?
— Perfeito — ele concordou, olhando enquanto ela escrevia. — Mas sério? Ninguém nem tinha notado que eu tinha cortado o cabelo... Nem a minha própria mãe — ele riu.
— You will never fade away... from me... — ela cantou, sorrindo. — Eu sou um tanto quanto observadora, já devia saber disso.
— É, deveria — Luke coçou a nuca. — And now I let my dreams consume me…
— Legal — Sophie repetiu a frase dele. — And tell me what to think.
— But hold on... Hold on... — ele cantou devagarzinho, pegando a caneta de sua mão e escrevendo.
Sophie sorriu.
— Mano, você tem mesmo o dom — ela fez Luke rir.
— Você que tá escrevendo, ué — Luke riu, fazendo que não com a cabeça.
Ambos estavam inspirados, de modo que não foi preciso mais do que meia hora para a música ser terminada. Conforme eles escreviam, iam conversando sobre coisas alheias, e por vezes discutindo alguma opinião.
Mas sem brigar.
— Acho que tá pronta... — Sophie disse, sorrindo.
— Onde está o seu violão? — ele perguntou.
— Lá em cima, o quê...
— Espera aí — Luke saiu do banquinho e correu, subindo as escadas muito rapidamente.
Em menos de vinte segundos ele retornou, com um bocado mais de cuidado ao andar, segurando o Gibson de Sophie.
— Você precisa arrumar o seu quarto — ele disse, sorrindo.
— Ha, ha. Muito engraçado — Sophie revirou os olhos e Luke se sentou no tapete, firmando o violão nas pernas.
— Começa, vamos ver como fica ao som de dois instrumentos.
Ela suspirou.
— Certo.
— Foca apenas no solo, deixa que a base eu faço com o violão...
— Ok — Sophie concordou, deixando as mãos correrem pelas teclas macias do piano.



Oh estrela, caia em mim. Deixe-me fazer um desejo para você.
Aguente, deixe-me pensar.
Pensar no que estou desejando...

Espere! Não vá embora.
Ainda não...
Porque eu pensei que eu tinha, mas eu esqueci.

E eu não a deixarei cair longe de mim...
Você nunca vai desaparecer.
E eu não a deixarei cair longe de mim, você nunca vai desaparecer para mim.

E agora eu deixo meus sonhos me consumirem. E me diga o que pensar.
Mas agüente, agüente...
O que eu estou sonhando?

Espere! Não vá embora.
Ainda não...
Porque eu pensei que eu tinha, mas eu... esqueci.

E eu não a deixarei cair longe de mim...
Você nunca vai desaparecer.
E eu não a deixarei cair longe...
Você nunca vai desaparecer.

Oh, estrela... caia em mim.



Com a última tecla tocada, e o último som arrancado do violão, a música acabou, fazendo Luke aplaudir animado.
— Tenho que falar que adorei quando você aumentou o tom e cantou o último pré-refrão um oitavo acima. Sério, você é demais — ele disse, fazendo Sophie corar um bocado, enquanto ria.
— Obrigada — ela colocou uma mecha dos cabelos coloridos atrás da orelha. — Valeu por ter ajudado, sério. Suas músicas são sempre ótimas...
— Obrigado, não foi nada — ele começou a coçar a nuca, olhando para baixo. De repente os dois estavam envergonhados. — Você vai pra aula complementar, hoje?
— Ah — Sophie pegou o caderno e se sentou ao lado dele, no tapete. — Não sei... Ainda estou de atestado médico, mas me sinto bem.
— Ainda dói? — ele delicadamente mexeu em sua franja, afastando os fios do hematoma.
— Um bocado — ela riu. — Mas dá pra sobreviver.
Luke riu também, soltando a franja na testa e escorregando os dedos pelos fios recém-pintados de Sophie.
— Hoje a aula de teoria musical será prática — ele fez um trocadilho, fazendo Sophie rir, enquanto ainda mexiam em seu cabelo e couro cabeludo. — Um novo professor vai entrar e ele pediu que nós levássemos nossos instrumentos pra aula, mais uma vez. Passou avisando hoje, em todas as classes.
— Aula sem o nojento do Christopher? — Sophie estava realmente gostando do toque de Luke em sua cabeça. De verdade. — Então vai ser muito legal, espero.
— O cara parece ser maneiro — Luke disse, e mesmo contra a vontade, largou o cabelo de Soph. — Realmente gostei do seu cabelo assim. — Ele sorriu.
— Obrigada — ela olhou para baixo, sem conseguir encará-lo. — Que... que horas você vai pra aula?
Luke coçou a nuca, olhando-a, mas ela não o encarava.
— Faltando uns quinze minutos — ele disse, pegando o violão novamente.
— Acho que vou pra aula hoje — Soph sorriu, conseguindo coragem para encará-lo quando viu que ele tocava alguma coisa no violão.
— Eu passo aqui pra ir contigo e o Nate. Julia não pode, né? — Ele estava tocando o início de Oh Star no violão. Sophie pôde perceber.
— Sim, pode — ela respondeu. — Lauren conseguiu uma exceção para ela, por que estamos quase nas últimas semanas de ensaio. A peça vai ser apresentada na segunda semana de dezembro...
— Ah — Luke deixava os dedos dançarem livremente pelas cordas bem afinadas do instrumento. — Só espero não me dar mal nessa peça. Essa coisa de ser Edward Cullen dá um bocado de pressão.
Sophie riu.
— Você vai se sair bem, não se preocupa — ela sorriu. — Se não sair eu te dou uma força. Sou a Bella mesmo.
Luke riu, ainda tocando.
— Promete?
— Prometo. — Eles sorriram timidamente um para o outro.
A porta do quarto de Nate bateu e Julia pegou o travesseiro e apertou no rosto, gritando de histeria com toda a força que tinha.
— MEU JESUS FILHO DO SENHOR PRÍNCIPE DA PAZ! — ela disse após largar o travesseiro, ainda em tom alto.
— Você está comemorando ou rezando? — Nate brincou, mas ela nem se deu ao trabalho de responder, de tão feliz que estava.
— Você viu aquilo? CLIMA! Não acredito que vi aquilo! Aaah! — ela não conseguia parar de comemorar, e Nate estava igualmente elétrico.
— Cara, aquela musiquinha, meu Deus! — ele disse. — Você viu o jeito que ele fez carinho no cabelo dela?
— Claro que vi! — ela passou as mãos pelos cabelos longos. — Eu não acredito que nosso trabalho está finalmente dando resultado!
— Parabéns, amor — ele disse, fazendo-a rir mais. — Você é demais.
— Você também, meu Deus — ela ainda ria histericamente. Aproximou-se de Nate e lhe deu um beijo de comemoração.
— Agora me explica — Nate recomeçou —, o que aconteceu para que acontecesse isso? Eles faltavam se matar e de repente, tão escrevendo musica e pegando no cabelo um do outro?
— Eles se amam, Nate — Julia disse. — Mas eu tenho certeza que algo aconteceu na floresta... Tipo, ele salvou a vida dela... E além do mais, eles ficaram muito tempo perdidos. Isso sem dizer que ele chegou com ela no colo.
Nate passou uma mão pelo queixo.
— Você acha que eles podem ter se beijado por lá?
Julia deixou um meio sorriso surgir.
— Acho que sim — ela disse, pensando. — A questão é que eles são tão cabeças duras que nunca vão contar isso pra ninguém...
— Bem, o Luke costuma conversar com o Dan muito frequentemente — Nate sentou-se.
— Acha que o Dan pode saber de alguma coisa?
Nate arqueou a sobrancelha, pegando o celular do bolso e procurando Dan na lista de contatos.
— Só tem um jeito de descobrir — ele disse apertando o botão de chamada e esperando Dan atender o celular.
Não demorou para ele atender.
— Fala, pirralho!
— Se ferra, Dan — Nate bufou. — Tô te ligando por que quero saber de uma coisa.
— Não me lembro como se faz equações do primeiro grau.
— Não é isso, retardado — Nate revirou os olhos. — Quero saber algo sobre o Luke.
— Hum... o quê?
— Você acha que ele pode estar ficando com a minha irmã?
Nate pôde ouvir Dan rir do outro lado da linha.
— Não sei de nada, bro. Tenho que ir, certo? Falou aí — e então ele desligou.
— E aí? — Julia perguntou, olhando para Nate.
— O Luke com certeza contou pra ele. Sim, eles se agarraram. Absolutamente. — Nate colocou o celular no bolso novamente e Julia gargalhou.
— Eu sabia que essa história de ódio era mentira! — ela juntou as mãos e, de repente, desfez o rosto feliz. — Ei, espera. A vadia da sua irmã não me contou que tinha ficado com ele!
— Por favor, nada de raiva por conta de fofocas de melhores amigas agora — Nate levantou uma mão, sinalizando para Julia parar. — Temos coisas mais importantes para planejar.
— É — ela suspirou —, tu tem razão.
— A questão é: — Nate colocou um dedo nos lábios, pensando — como fazer com que eles se assumam?
— Sabe de uma? — ela sorriu, se aproximando de Nate e retirando o dedo de seu lábio, abraçando sua cintura por baixo da camisa e arranhando de leve ali. Ele sorriu. — Vamos pensar sobre isso nas aulas complementares. — Ela levou o rosto até o pescoço do rapaz e passou a beijá-lo delicadamente ali.
— Você que manda — Nate disse sorrindo e apertando a cintura da garota, logo depois iniciou outro beijo urgente com... a sua namorada, ora.



[...]



— Boa noite, boa noite! — o professor disse entrando na sala, onde todos já estavam devidamente sentados. Os alunos o encararam estranhamente.
— São três da tarde — um deles disse, ainda encarando o professor que sorria.
— Ah, é! Droga. Eu sempre me engano — ele fingiu estar enganado, levando uma mão a testa e fazendo os alunos rirem. — Mas tudo bem... esquece, finge que não viu. Tudo bem aí com vocês?
Os alunos riram novamente, respondendo que sim.
— Que bom, que bom. Eu estou bem, também — ele sorriu, apagando o quadro branco com um pano laranja. Após terminar ele virou para a turma. — Então pessoal, meu nome é Gregory Lincon, mas quem não quiser ficar de recuperação é melhor me chamar só de Greg — os alunos riram novamente. — Eu sou músico, formado pela New York University em instrumentos com cordoamento... O que mais vocês querem saber sobre mim? Ah, sim, eu sou lindo assim mesmo, não é maquiagem nem plástica. — Novamente, todos riram. — Mas agora é minha vez de conhecer vocês. Estou vendo que trouxeram uns instrumentos... então vamos começar pelos artistas, né?
Os alunos concordaram e Greg olhou para trás, apontando para o casal que estava com um violão.
— O militar — ele disse, referindo-se a Nate que usava uma camiseta de estampa do exército.
— Sim, Senhor! — Nate fez uma reverencia militar, fazendo o próprio Sr. Lincon rir.
— Olha só, engraçadinho ele! — ele tentou fazer uma cara de mau. — Vamos lá, militarzinho. Apresente-se.
— Nate Farro, e eu toco violão — ele disse ainda rindo.
— Nate, Nate, Nate... — ele andou devagar até o rapaz, que assim como toda a turma, ria baixo. — Toca pra gente, maninho. Manda ver.
Nate sorriu e retirou o violão da capa, fazendo que não com a cabeça. Levantou-se e apoiou a perna no assento, apoiando o violão na coxa logo após.
— O que devo cantar? — ele perguntou, depois de conferir que o violão estava afinado.
— Qualquer coisa que goste — Greg disse, olhando para o rapaz. — Uma música sua, do teu artista preferido... uma música que lembra uma pessoa que tu goste.
Nate pensou um pouco.
— Que música me lembra você, amor? — ele disse para Julia, que riu.
— Eu que sei?! — ela respondeu.
— Ahn, vocês namoram? Que amor! — Lincon disse, mostrando-se totalmente delicado. — Mudem de lugar, agora! — ele fez uma cara de mau e os alunos riram. — Brincadeira.
— Tá, já sei o que vou cantar. — Nate disse, começando a introdução de Always, P!ATC.
Nate cantou a musica até o meio muito calmamente, esforçando-se para não errar nada. Sua voz conseguia ser um pouco mais marcante que a de Josh, de modo que a sua versão de Always ficou realmente bonita.
Quando terminou, o professor Lincon puxou aplausos.
— O militarzinho manda bem! — ele disse. — Muito boa essa música. E nada de agradecimento agora, ouviu, Sra. Nate? — ele disse referendo-se a Julia que sorriu em submissão.
— Não se preocupa — ela riu.
— Quem vai cantar agora... O galã aí — ele apontou, caminhando até a mesa do rapaz. — Se apresente, bonitão.
Ele riu.
— Luke Davis — encarou o professor. — Toco violão também.
— Não vai me dizer que namora a menina que tá com o cabelo queimando também!
— Não! — Luke se apressou em responder, sorrindo. — Não. — Repetiu.
— Ihh... negou demais — o professor novamente fez os alunos rirem. — Toque teu violão pra nós, Lucas.
— É Luke — ele corrigiu.
— Vamos, Lucas, cante. — Luke bufou, rindo. Esse professor é muito palhaço.
— O que canto?
— Você compõe?
— Na verdade, um pou-
— Então cante uma musica sua. — Greg sorriu e Luke fez que não com a cabeça.
Sophie sentiu o coração acelerar quando reconheceu a introdução de Adore.
E é claro que ela não conseguiu se mexer quando a música começou de verdade. Ela não acreditava que Luke estava cantando aquilo de novo. Sentia sua peito apertado, pulando. Os arrepios involuntários já estavam a todo vapor.
Ela não conseguia parar de olhar Luke. Mas ele parecia fugir dos olhos dela, apenas muito concentrado no violão.
Porém ele não cantou a música toda. Foi apenas até o refrão e parou.
— Uau! Cara, você já faz uma novela mexicana com essa voz e esse olhinho azul, apenas — Greg disse, fazendo todos rirem.
Sophie apenas deu uma risada de canto, vendo logo após, Luke se sentar ao lado dela.
— Eu... — ela começou, juntando toda a coragem que tinha para pronunciar algo. Luke a olhou. — Eu... por que...
— Não sei por que cantei a Adore agora — ele riu, parando de olhá-la. — Eu só... senti vontade.
— Ah — ela murmurou, voltando sua atenção para as piadas do professor.
O restante da aula foi como o início. Lincon fez suas piadas, brincou, fez os alunos cantarem, cantou... E de tão divertida, fez uma hora de aula passar como um minuto.
Após serem dispensados, eles seguiram par a aula de teatro, que seria no ginásio. Eles ainda não ensaiariam com as roupas nem com o cenário. Ainda trabalhavam a peça por pedaços.
— Boa tarde, lindos! — Linda disse ao ver os alunos entrarem aos montes. Ao ver Sophie entrando, ela correu para abraçá-la, para a surpresa de todos.
— Ah! Eu não acredito! Você está bem, minha linda? — ela perguntou, ainda sem largar Sophie.
— Estou ótima, professora... — ela disse sem jeito, tentando se afastar.
— Eu soube do seu acidente! Estava preocupada de como faria sem a minha Bella aqui... O que houve com o seu cabelo? — ela cortou o próprio assunto mais do que rapidamente.
— Pintei — Soph apertou os olhos.
— Vou mesmo precisar te colocar uma peruca de cabelo castanho?
— Sim... — Sophie ainda encarava a professora de modo estranho, enquanto os outros três (Luke, Nate e Julia) riam discretamente.
— E você, Alice! — ela gritou para Julia. — Que história é essa de brigas?
— Foi um ato errado e impensado, Srta. Lauren. — Julia disse, parecendo um anjo ao falar. — Não me orgulho do que fiz.
É sério, Nate teve que se segurar muito para não gargalhar.
— Que bom. Lembre-se de que a violência nunca é a resposta — ela disse, deslizando até o pequeno palanque do ginásio. — Bem, meninos, vamos ensaiar?
Eles fizeram que sim com a cabeça e murmuraram alguma coisa. Todos os atores estavam sentados nos bancos e segurando os papeis de suas falas.
— Certo, vamos começar da única cena Beward que não fizemos... Luke, Soph, subam. A cena em que o Edward corre com Bella e depois a beija.
Luke arregalou os olhos.
— Achei que não íamos fazer essa cena! — ele disse, gaguejando.
— Eu t-também! — Sophie se manifestou no mesmo tom.
Linda apenas gargalhou.
— Vocês são os protagonistas, bebês. Realmente acharam que não se beijariam?
Luke e Sophie engoliram seco.
— Sim, eu realmente achei — ela murmurou baixo.
— Vamos! Subam!
Luke e Sophie subiram devagar até o palco, encarando o chão. Sim, eles já haviam se beijado antes, e tudo, mas... ninguém sabia.
Agora dar um beijo — mesmo que seja técnico — na frente de todo mundo era...
Desagradável, para dizer o mínimo.
Para eles, é claro.
Por que um Nate Farro e uma Julia Bynum estavam muito felizes com a notícia. Mesmo.
— Lembrem-se: a partir de agora, vocês não são mais Sophie e Luke. Vocês são Isabella Swan e Edward Cullen, certo?
Sophie e Luke fizeram que sim com a cabeça, concordando devagar.
— Quem é você agora, menina? — Lauren decidiu testá-los.
— Isabella Swan, filha de Charlie e Renné, e apaixonada por Edward — ela respondeu com o olhar mais fixo na professora.
— E você?
— Edward Cullen, vampiro, apaixonado por Bella — ele disse da mesma forma.
— Perfeito. Agora iniciem a cena, por favor.
Eles fizeram que sim com a cabeça.
— Descrevendo a cena: Edward pegou Bella e correu super rápido até a picape e Bella, da qual eles levaram horas para sair de perto. Bella fica enjoada e se senta no chão. Comecem.
Luke suspirou, olhando marotamente para Sophie agora que havia assumido o personagem. Antes pôde passar os olhos por Nate e vê-lo com o maior sorriso do mundo na face. Ele realmenteestava se divertindo.
— Coloque a cabeça entre os joelhos, pode ajudar. — Luke disse, assumindo o personagem.
Sophie o fez e logo após, Luke se sentou ao seu lado. Tirando as falas decoradas de Edward, Luke pôde perceber o quanto o perfume de Sophie estava gostoso.
Ela levantou a cabeça.
— Parece que não foi uma grande idéia — ele disse refletindo.
— Não, na verdade foi bem interessante — ela respondeu com mais firmeza, mas ainda com os olhos fechados. Estava se esforçando para parecer bem pálida e se esforçando mais ainda para não pensar no que viria a seguir.
Luke riu
— Mas você está branca feito um fantasma! Não, está branca feito eu! — ele brincou e Soph riu um bocado.
— Acho que devia ter fechado meus olhos.
— Se lembre disso da próxima vez.
— Próxima vez! — ela grunhiu, fazendo-o rir. — Exibido. — Murmurou.
Luke se colocou em sua frente, engolindo seco. Certo, isso não tinha nada a ver com o que aconteceu na sala de detenção ou na floresta, certo? Eles estavam interpretando! Isso! Interpretando!
Então por que seu coração martelava tão forte?
— Abra os olhos, Bella — ele teve de se esforçar um bocado para lembrar-se dessa frase. Isso por que era difícil lembrar uma fala quando o rosto tão bem desenhado, os cílios tão perfeitos, as bochechas tão rosadas de Sophie estavam ali, a sua frente. Sua boca carnuda ainda brilhava pelo gloss que passara antes de sair de casa.
E de repente, ele desejou que a hora do beijo chegasse mais rápido.
Ela os abriu, encarando-o agora com aquelas pérolas castanhas chocolate tão profundas.
— Fiquei pensando, enquanto estava correndo... — ele disse fraco, porém alto o suficiente para as pessoas ao redor escutarem.
— Em não bater em árvores, espero — ela sorriu, fazendo-o rir também.
— Bella, a bobinha — Luke aumentou o sorriso. — Correr é uma segunda natureza para mim, não é uma coisa na qual tenha que pensar.
— Exibido — ela murmurou novamente.
Luke tentou controlar a respiração e entrar de verdade no bendito personagem. Por mais que estivesse chamando-a de Bella e se comportando como Edward, não conseguia parar de imaginar como seria beijar Sophie novamente.
— Não — disse ele. — Estava pensando que há uma coisa que eu quero experimentar.
Luke com certo esforço para parar de suar frio e segurou o rosto dela com a mão esquerda. Hesitou um pouco, como Edward faria no livro. Mas a verdade é que aquela hesitação coube muito bem dada as circunstancias.
E depois ele se aproximou, tomando aqueles lábios macios, quentes e deliciosos para si num beijo rápido.
E de repente, não havia mais o mundo lá fora.
Eles não se importavam mais.

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