22 de set de 2012

Capítulo 18

Kissses, jeaulousy and an evil brother



Pov. Hayley


Josh me colocou na raiz da árvore e me beijou.
Eu... não hesitei. Como hesitar?
Nosso beijo estava calmo e sereno. Os seus lábios quentes e macios dançavam com os meus. Eu estava completamente confortada junto a ele. Minha dor intensa no pé era insignificante comparada ao prazer daquele momento. Daquele beijo... aquele beijo de Josh.
O beijo não ficou mais atiçado, nem mais urgente. Estava perfeito. De fato, nunca me senti tão bem.
Eu não estava beijando o Josh mauricinho idiota... estava beijando o Josh legal, compreensivo e amigão, que conheci a muitos anos. Esse Josh, é com quem eu estou ficando agora.
Eu não sei quanto tempo esse Josh vai encarnar no corpo dele. Não sei ao certo quando ele vai voltar a ser idiota. Mas pra falar a verdade, não sei nem se sairemos daqui! Se por acaso, não sairmos, sei que vou aproveitar os últimos momentos da minha vida. E bem, isso é uma coisa boa. Não é? Eu acho que sim.
Malditos pulmões. Esses precisam de oxigênio para manter o corpo em funcionamento. Por questões de sobrevivência, seus lábios se separaram dos meus. Mas nossas testas continuavam coladas. Eu sentia o frescor de seu hálito, sentia sua respiração falhar, notei que seu coração estava tão descompassado como o meu. Abaixei os olhos e vi seu peito molhado pela chuva. Mordi o lábio inferior. Levantei novamente os olhos e me dei com os dele. Seus grandes olhos castanhos me fitavam como se quisessem me falar alguma coisa.
— Hayley, eu...
— Shh. — Eu coloquei meu dedo sobre os seus lábios. — Por favor, não fale. Deixa esse momento durar... o máximo possível. Por favor. Me... beija.
Ele sorriu de canto e me beijou novamente. Sua mão passeava pelas minhas costas, eu segurava firmemente sua nuca.
Não sei ao certo quanto tempo o beijei. Fomos forçados a nos desunir pela respiração novamente. Só que dessa vez ele nada disse, e nem voltou a me beijar. Apenas sentou-se ao meu lado. Recostei minha cabeça sobre o ombro dele e fiquei vendo as nuvens negras sumindo aos poucos.
— Lembra Hayles... — Ele disse. — daquela vez que seu dente caiu? — Eu dei uma risadinha.
— Lembro sim. Você ficou preocupado demais.
— Pois é... eu me senti mais ou menos que nem naquele dia agora.
— Por causa do meu pé?
— É... não gosto de te ver machucada. — Nos rimos.
— Lembra de quando Zac nasceu? Nossa! Eu fiquei encantada, cara. Eu tinha uns 4 aninhos, sei lá.
— Sim. E você pediu pra segurar ele, e então, quando finalmente pode segurá-lo, ele te presenteou com vômito. — Rimos. — Sua cara de nojo foi engraçada, Hayles!
— Imagino... Zac nunca foi muito hospitaleiro.
— Não...
— Lembra que toda vez você tinha que sair as 5, e você sempre ficava meia hora mais tarde? Cara, você sempre foi mestra em convencer sua mãe.
— Não era tão difícil... — Eu disse. — Só precisava de um rostinho de anjo e uma vozinha manhosa. Só. — Rimos.
— Lembra de um Natal, que Nate nos contou umas histórias de terror na madrugada e você não conseguiu dormir?
— Sim, eu lembro. Nunca gostei de lobisomens. — Ele gargalhou, e parou, rapidamente. Parei de rir também.
— Lembra... — Ele começou. — De quando... nos casamos?
— Sim... — eu disse — Como esquecer?
— Pois é...
— Um segredo:
— O quê?
— Ainda tenho minha aliança, hehe. — Eu disse.
— Eu joguei a minha fora no dia que você foi embora... — Ele abaixou a cabeça.
— Não vamos falar disso. — Pedi e novamente recostei minha cabeça sobre ele. Ficamos um tempo sem falar nada. Apenas olhando o tempo. O sol já aparecia, dando mais beleza ao lugar.
— Acha que vão encontrar a gente? — Ele perguntou tentando mudar de assunto.
— Não sei... — Disse fitando o nada. — Sabe Josh, você devia me deixar aqui e procurar ajuda. Eu não vou conseguir andar, só tô te atrapalhando.
— O quê?! Nem pensar. Eu não vou te deixar aqui, sozinha, na mata, sem proteção. Sem chance; E cala a boca, você não tá atrapalhando ninguém.
Josh deve ser a única pessoa que usa de sua grosseria pra ser agradável.
Já devia fazer umas três horas que nos afastamos. Então, já devem ser umas quatro da tarde.
Josh tinha trazido uma Ruffles grande na sua mochila. Foi a única coisa que não se molhou completamente. O resto, tudo, estava encharcado. E nem preciso dizer do trabalho né? A chuva ferrou com tudo!
— Ouviu isso? — Ele disse.
— O quê? — Eu disse colocando uma batatinha na boca.
— Shh...
“Josh!” “Hayley!” “Hayley!”
Vozes muito fracas ecoavam floresta adentro. Josh me olhou, eu o olhei.
— AQUI! ESTAMOS AQUI! — Eu e Josh começamos a gritar. Em menos de 3 minutos uns homens de vermelho vieram até nós. Bombeiros. Ótimo, sairei daqui.
— Joshua Farro e Hayley Williams? — Perguntou um deles. Era alto e forte, parecia jovem. 25 anos no máximo. Moreno e tinha olhos verdes... de fato, lindo.
— Sim. — Ele disse. — Nos afastamos sem querer do grupo. Ela tá machucada. Acho que quebrou ou trincou o tornozelo. Eu imobilizei da melhor forma que consegui. — Josh disse nem um pouco amigável.
— Ok garoto, vocês não estão muito longe do começo da floresta. Deram sorte. Hayley, consegue andar? — Ele se virou e disse pra mim. Sorri e disse:
— Consigo, mas...
— Ela ainda sente dor. — Josh me interrompeu. O olhei.
— É. — Concordei ainda rindo.
— Tudo bem. — Ele veio até mim e me pegou no colo. Depois me colocou no chão e me ajudou a ficar “em pé”. Um de meus braços ficou sobre seu pescoço.
— Oi, eu posso fazer isso, sabia? — Josh disse inquieto.
— É o meu trabalho, garoto.
— Meu nome é Josh. E eu sei que é seu trabalho, só quero ajudar. Eu cuidei dela até agora, e posso cuidar mais. — Josh disse bufando e antes que o bombeiro pudesse falar alguma coisa ele tirou meu braço do pescoço dele e o colocou no seu, me ajudando a andar.
— Tá bem, Josh. — Ele disse e revirou os olhos. — Vamos por aqui.
O rapaz e outro homem de vermelho foram tirando os galhos do caminho de Josh, e consequentemente, do meu.
— Você não tem vergonha não, é? — Josh disse baixinho.
— O quê?
— Olha o jeito que você olhou pro senhor-bonitão, Hayley! Ficou secando e flertando com o cara! Qual é, toma jeito menina!
Eu ri.
— Tá rindo de quê? — Ele perguntou com raiva.
— Nada não. — Eu disse ainda rindo.
Josh fazendo ciuminho. Que legal!
Ele fez bico e continuou a me ajudar.
— Vocês estão bem aí? — Disse o moreno bonito olhando direto pra mim.
— Estamos ótimos. — Josh disse e me pegou no colo.
— Ei, qual é o teu problema, garoto?
— Você vai forçar mais seu tornozelo se continuar andando.
— Mas eu nem tava com ele no chão!
— Mas se colocar ele no chão você vai se machucar feio, então é melhor ficar no colo mesmo.
Confesso que eu não estava realmente achando ruim. Afinal, ele ainda estava sem camisa.
— Ok, estamos perto. — Disse o cara sem se virar pra nós.
— Josh, me põe no chão. Você não pode me levar no colo desse jeito. O povo vai falar merda. — Eu disse.
— Eu não vou te entregar pra aquele pedófilo! Tô nem aí pro povo da escola.
Ah, que ótimo! Sarah vai encanar em mim o resto da minha vida. Perfeito mesmo! Aff.
Em pouco tempo eu vi a estrada. Chegamos e todos estavam apreensivos. Minha mãe estava xingando a professora Carmit quando me viu chegar, e correu pra me ver.
— Ai, Hayley, meu amor! Tudo bem, o que houve aqui? Você se machucou? — Josh me colocou no chão e eu me apoiei nele.
— Só torci o pé, mãe. Tá um pouco inchado, mas Josh imobilizou e agora tá melhor.
— Ah, esses irresponsáveis! Como que deixam dois adolescentes sozinhos numa mata fechada?! — Minha mãe disse alto e a professora dos infernos, digo, Carmit, bufou. Eu ri.
— Esquenta não, mãe. Já tá tudo bem.
— Obrigada Josh, mesmo. Vamos pro hospital, Hayley.
— Mas o quê? Não. Não precisa, eu...
— Ô tia, ela precisa sim ir pro hospital. Eu fiz uma massagem pra aliviar os músculos mas ela ainda sente dor. Acho que ela quebrou o pé.
— Hayley, vamos.
— Mas mãe...
— Vamos logo. — Ótimo. Eu amo hospitais. Notaram a ironia? Que bom.
— Posso ir também? — Josh disse.
— Nate está ali, Josh. Ele quer falar com você antes. Depois você pode ir pro hospital se quiser.
— Ahn, tudo bem. — Ele sorriu e foi ao encontro de Nate.
Entrei no carro com a minha mãe e fomos pro hospital. Lá a médica me disse que eu tinha trincado, e não quebrado o pé. Foi colocado um gesso. Depois voltei pra casa com a minha mãe. Nota: Nunca vi minha mãe ameaçar processar alguém tantas vezes!
Jantamos pizza e eu voltei pro meu quarto.
Estava me arrumando pra dormir quando meu celular toca. Zac.
— Zac!
— Ei, Hayles!
— Tudo bem?
— Sim, sim. Hein Hayley, Josh tá perguntando se seu pé tá melhor. — Depois que ele disse isso, eu escutei alguns gritos e o áudio foi mexido, como se estivessem batendo no pobre Zac.
— Diz pro cabeçudo que meu pé tá melhor sim. Colocou um gesso, e nem tá doendo mais. E ele? Ficou resfriado?
— Ficou um pouco.
— Ah tá. Melhoras pra ele.
— Ok, ele mandou pra você também. E ah, Hayley, ele disse que você beija muito bem! — Arregalei os olhos. Não acredito que esse idiota contou pro Zac!
— Hayles?
— Ér... eu — O telefone deu mais um mexido daqueles.
— Hayley! Oi, é o Josh.
— Seu imbecil! Eu não acredito que você contou pro Zac! Ah, seu idiota! Eu sabia que você não era confiável, Josh. Eu sabia. E eu que pensei que você tinha ficado legal de novo. Me enganei, né? Profundamente. Ah, quer saber, vai se danar Josh.
E desliguei.
Que idiota, meu!
Mais idiota fui eu, que pensei que ele não era mais um idiota. Ah, que ódio.

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