22 de set de 2012

Capítulo 17

Why do I deny? The things that burn inside, down deep, I'm barely breathing.



Saíram do ônibus na mesma correria que entraram. Caraca, pra que isso?
— Quem planejou esse programa de índio mesmo? — Perguntei pra Dak.
— Perguntei pro Sr. Mattinson ontem, ele disse que a idéia partiu da Sra. Carmit. Lembra? Professora de química.
— Ah, só podia ser essa professora nojenta maldita desgraçada do inferno! — Revirei os olhos e Dakotah riu.
— Pois é. — Ela concordou. Saímos do ônibus e fomos adentrando a floresta.
Os professores explicavam e os alunos coletavam as amostras pedidas. E, na real, parecia que eu estava fazendo meu trabalho sozinha. Dakotah parecia longe.
Coletava uma folha de uma mangueira quando ela começou a falar.
— Vamos falar com o Taylor? — Disse manhosa.
— Só depois que me ajudar aqui. — Eu disse.
— Ahn, Hayley, a gente faz isso depois. Vamos lá, falar com ele? — Nessa hora a menina doida começou a puxar meu braço. Deus, o que tá acontecendo com o mundo?
Ela praticamente me arrastou uns 3 metros até nós chegarmos perto do Taylor, e consequentemente, do Josh.


Pov. Narrador

— Oi Dakotah. — Taylor abriu um grande sorriso abobalhado na cara e disse pertinho de Dak.
— Oi Tay... — Ela disse com o mesmo sorriso idiota. Josh levou as mãos a cabeça, andou pra trás e voltou.
— Taylor, mano, vamos cara. A gente precisa acabar isso aqui. Bora? — Josh falava com Taylor que parecia não ligar, ou melhor, não ouvir.
— Ei Dak, você chegou em casa bem, ontem?
— Sim, e você? Chegou bem?
— Uhum.
Eles pareciam conversar qualquer tipo de assunto nada a ver. Hayley importunando Dakotah de um lado, Josh importunando Taylor de outro. Mas eles não ligavam.
— Dak? Dak? Vamos fazer o...
— Ai, Hayley, espera um pouquinho.
— Ok, eu desisto dessa merda! — Hayley disse irritada e saiu em passos firmes pra fazer o trabalho sozinha. Josh continuou lá, tentando tirar Taylor do transe.
Hayley conseguiu apenas 4 amostras para apresentar. Estava apenas no comecinho da floresta, e naquele lugar, tinha só pés de manga. Infelizmente pra ela.
Pegou um galho e saiu adentrando a floresta, procurando outros tipos de árvores.
Sem prestar atenção, ela trombou numa vassoura de chapinha, ou se preferirem, Jenna.
— Ai, menina, tá cega é? — Ela pergunta toda cheia de marra.
Hayley suspira.
— Não. Não estou cega. Estou fazendo meu trabalho, dá pra sair do meio?
— E você acha que manda em mim?
— Não. Se eu mandasse em você, você seria menos deplorável. Apenas quero fazer meu trabalho, dá pra sair?
— Menina, você não sabe com quem tá falando!
— Estou falando com uma vassoura loira de chapinha, agora dá licença?
— Olha garota, já tem tempo que eu tô querendo te dar uns tapas, continua assim que eu não vou me controlar!
Hayley agüentou demais. Sentiu o sangue ferver.
— Se quiser me bater, então venha. Bate. Mas depois que você for parar no hospital pelas inúmeras fraturas expostas, não reclame. Eu te conheço, Rice, sei o que você quer e faz. E você não vai ser a primeira vadia que eu bato.
Jenna suou frio. Não sabia brigar. Hayley a encarou.
— Qual é, Rice? Tá com medo?
— Medo? De você? Jamais!
— Pois então saia da frente!
Jenna virou-se, jogou o cabelo loiro e saiu em direção a lugar nenhum, fingindo ter algo mais importante pra fazer.
“Vadia frouxa.” Pensou Hayley. Balançou a cabeça negativamente e voltou a coletar.
Não havia mais ninguém por perto. Voltou a coletar. Quando foi andar até uma árvore que viu, ela tropeça numa pedra. Não caiu no chão porque foi segurada em fortes braços, esses, os de Josh.
— Me põe no chão!! — Ela gritou. Ele a largou e ela caiu.
Levantou-se rapidamente.
— Garoto imbecil.
— É assim que você fala com o cara que te livrou de uma queda?
— Você me derrubou de novo!
— Isso por que você não usou da sua educação. Se tivesse sido educadinha, não teria se machucado. — Ele falou em tom engraçado.
— Ok, mamãe, prometo me comportar. — Ela disse debochada e deu de ombros. — E ah. — Ela voltou. — Fala pra sua namoradinha não pisar no meu calo, senão ela vai apanhar tanto que vai precisar de 5 cirurgiões plásticos pra reconstituir a cara de vaca dela.
— Eu não namoro mais com ela.
— Que pena, vocês dois se mereciam. — Ele agarrou o braço dela.
— Nunca volte a falar isso. Jenna é uma menininha. Uma menininha mimada, boba e patricinha, e eu não gosto dela. — Ele disse isso muito perto do rosto de Hayley. Perigosamente perto.
Ela se afastou.
— E você, me solta garoto. — Ela disse e ele soltou seu braço. — Você é o quê, Josh? Um cara decidido, compreensivo e legal? Me poupe.
— Sei que não sou perfeito! Mas pelo menos eu assumo isso. Não sou a senhorita perfeitinha, rockeirinha, que merece mais respeito que você! Eu não sou orgulhoso, Hayley Nichole, não mais que você.
— Eu odeio você. — Ela disse sem argumentos.
— Eu também odeio você. — Ele disse e a encarou profundamente.
Voltaram a coletar suas folhinhas. Sempre que Hayley ia pra um lugar, Josh ia atrás dela e a importunava.
A frase “eu te odeio” nunca foi tão repetida!
Nisso, andando, trabalhando e brigando, Hayley percebeu um ponto bem importante...
— Onde estão os outros?
— Estão... ér... não sei. Ué. — Josh respondeu coçando a nuca.
— Ai Meu Deus! Você fez eu me perder, seu imbecil!
— Calma, garota. Só precisa ligar pro Taylor e... — Ele pega o celular. — Opa.
— O que aconteceu?
— Fora da área de cobertura.
— AAAAAAH! SEU IDIOTA, IDIOTA, IDIOTA, IDIOTA! A culpa é toda sua! Sua! Sua! E sua!
— Minha?! Foi você que esbarrou em mim e começou a falar merda!
— Eu?!
— É, você!
— Ai meu Deus. ALGUEM ME AJUDAAAAA! TEM ALGUEM AÍ? SOCORRO!
Hayley e Josh passaram a andar pelo mato gritando e pedindo ajuda. Tudo sem êxito, pois já tinham se distanciado muito dos seus colegas.
Uma mata fechada. Duas pessoas que se “odeiam”. Pior que isso? O céu estava fechando, e alguns começaram alguns trovões.
— Mas que merda é essa? Tava um calor infernal ainda pouco e agora vai chover? — Hayley disse. — Oh, não. Eu preciso sair dessa floresta.
— Maldito verão. — Josh disse bufando.
— E a culpa é sua! — Hayley falou pra Josh.
— Garota, olha, vai se ferrar, tá?
Ela se colocou na frente dele e apontou o dedo na sua cara.
— A não ser que você queira suas pernas quebradas, é melhor não falar comigo desse jeito.
— Você? Baixinha assim? Me machucar? Tá ok. — Ele disse rindo e continuou andando.
Ela estremeceu de raiva e quando deu por si, sua mão já tinha estalado no rosto dele.
— Ainda acho que eu não posso machucar você? — Hayley disse deixando um sorriso malicioso transparecer em seus lábios.
Ele virou o rosto e disse:
— Só isso? Nossa, que medo de você, pica-pau! — O tapa havia doído, mas ele queria ver o ódio na face de Hayley.
Nessa hora, gotas grossas e frias de chuva começaram a cair.
— Oh, droga! — Eles disseram e correram para debaixo de uma árvore. Se protegeram muito pouco, pois os grossos galhos da árvore não detinham as gotas de chuva que os deixaram ensopados.
Josh estava tremendo de frio. A malha de sua camiseta era pesada, e estava contribuindo pra que ele se molhasse e sentisse mais frio. Ele tirou a camiseta, ficando com o peitoral completamente a mostra.
Hayley passou a encará-lo... mas que... corpo!
Então, ele olhou pra Hayley. Prendeu completamente o olhar sobre ela.
— Que foi garoto, perdeu alguma coisa aqui? — Ela disse e ele não respondeu. Só continuava a olhá-la.
Ela olhou pra si mesma, e foi nessa hora, que ela percebeu que estava de blusa branca.
E o que acontece com blusas brancas quando elas se molham?
Exatamente. Ficam transparentes. E Josh, como bom heterossexual, não pode deixar de não olhar.
Hayley puxou o pequeno colete e — tentou — se esconder.
— Eu juro que te mato se você contar pra alguém. — Ela disse completamente envergonhada.
— Eu não vou falar. — Josh finalmente conseguiu formular uma frase. — Mas... puxa vida, hein Hayley? — Ele disse.
— Vai. Se. Danar. Josh. E põe a droga da camisa!
— Ela tava pesando, e... ah, eu não devo satisfação a você! — Ele disse sem tirar os olhos do busto de Hayley.
Ela se levantou da raiz da árvore pra dar outro tapa nele, mas se enrolou e tropeçou. Caiu com as mãos no chão. Josh a pegou no colo, ela gemia de dor.
Ele se sentou com ela na raiz da árvore.
— O que tá doendo? — Perguntou apreensivo.
— Meu... pé. — Ela disse gemendo. Ela tinha torcido o pé.
— Ok, senta aqui. — Ele disse e a colocou gentilmente na raiz da árvore. A chuva ainda caía forte. Ele pegou o pé dela com delicadeza.
— Olha, quando eu torcia o pé, minha mãe fazia uma massagem que dava uma melhora significativa. — Ele falava enquanto massageava o pé da moça. — Só relaxe, Hayles. Relaxa que já vai passar.
Hayley sentiu nas ultimas palavras de Josh, a mesma serenidade que sentira no Josh de 10 anos atrás. Em 10 anos, ele não repetia a palavra “Hayles”. E ele mesmo não pensou que seria tão fácil falá-la de novo. Ela estava incrédula no que ouvia e via, mas fez o que ele pediu. Recostou a cabeça no tronco da árvore e ele foi fazendo a massagem. Em pouco tempo, pouco tempo mesmo, o pé dela já não doía tanto. O alívio era intenso.
Ele voltou e se sentou ao lado dela.
— Melhorou? — Perguntou sorrindo.
— É... sim. Valeu Josh. — Ela sorriu de volta. — a tia sempre foi ótima com essas coisas de massagem...
— Taí. É verdade. Essa massagem alivia qualquer dor muscular. Então, isso é bom, por que aparentemente você não quebrou nenhum osso.
— Haha, virou médico é?
— Não... nem pensar. Não é algo que quero pra mim.
— E o que você quer fazer?
— Justiça.
— Quer ser policial?
— É... digamos que sim.
— Oh... a chuva tá maneirando.
— Ótimo. — Ele disse.
— Aai... — Ela soltou um gemido mais alto. O pé tinha aliviado, mas uma dor forte ainda havia.
— Oh não. A dor ainda é forte?
— Sim. Quando eu mecho. E essa posição tá ruim pra mim... aai...
Josh ficou preocupado. Ela poderia ter trincado ou até mesmo quebrado o tornozelo. Pegou sua camiseta e fez imobilizou o pé de Hayley. Então decidiu mudá-la de posição. Pegou-a no colo e a colocou em outra raiz. Seus rostos ficaram muito perto um do outro novamente. Perigosamente perto. Uma corrente elétrica passou pelo corpo de Josh. Seu coração batia descompassado. Então, sem lutar contra suas próprias vontades e sentimentos, deixou-se vencer e a beijou.

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