19 de ago de 2013

[RESENHA] Bom-Crioulo, de Adolfo Caminha

Título: Bom-Crioulo 
Editora: Escala
Ano: 1895
Páginas: 81
Skoob



Amaro, o personagem principal, é um escravo foragido que anseia ser dono de seu próprio destino. É aceito como marinheiro, o que lhe permite realizar o seu sonho de liberdade e que, associado ao seu físico imponententemente muscular, "sem um osso à vista", claramente mais possante que o dos outros marujos, o transforma em alguém voluntarioso e benevolente, de tal forma que recebe a alcunha "Bom Crioulo". A disciplina da Marinha de Guerra parece-lhe suave quando comparada com a das fazendas de café, onde era escravo, e o Bom Crioulo só vai senti-la duramente quando conhece Aleixo, um belo grumete adolescente louro, de olhos azuis, por quem se apaixona. Amaro deixa de ser o marinheiro submisso. Envolve-se em brigas para defender o seu amado, embebeda-se, é castigado. Mas o que obtêm em troca de Aleixo é mais gratidão que amor.



Hey gente, eu sou a Izabela e esse é meu primeiro post no (con). Eu resolvi falar um pouco de literatura clássica e - rufem os tambores - GAY!! I mean, não são muitos livros com essas características, principalmente nacionais, então, sem mais delongas, vamos falar de Bom-Crioulo.
Ao pensar em um livro nacional, de 1895, e que fundou o naturalismo no Brasil, a primeira palavra que vem a nossa mente certamente é: BORING. Mas o Bom-Crioulo quebra todos os nossos preconceitos contra livros nacionais antigos (sim, eu tinha um pouco de preconceito com livros nacionais, principalmente os antigos.) e nos deixa chocados do começo ao fim da história.
O livro narra à vida de Amaro, mais conhecido como Bom-Crioulo, um escravo fugido que foi trabalhar como marinheiro. Para Amaro a vida de marinheiro é deliciosa, principalmente comparada à vida de escravo, ele se dá bem com os comandantes e os colegas; seu trabalho, apesar de braçal, não lhe exige tanto esforço e ele tem comida e dormitório no navio. Mas tudo muda quando Bom-Crioulo é mandando ao sul, lá ele conhece, e salva, um jovem chamado Aleixo. Esse jovem, que tem apenas 15 anos e que, como o autor faz questão de frisar o tempo todo, é muito belo, cativa Amaro de uma maneira inesperada.
Amaro e Aleixo se tornam muito amigos, apesar de todas as diferenças: de raça, idade e jeito, e a partir dessa amizade nasce um amor. Mas vamos lembrar que o livro se passa no ano de 1895, então agora não é a parte em que eles se casam no navio e a tripulação fala que sempre torceu por eles, pelo contrário, Bom-Crioulo começa a adotar um comportamento agressivo e ríspido para fugir desse sentimento e Aleixo, com toda sua inocência, se encontra perdido em um mar de sentimentos. Confesso que me apeguei mais a Amaro, que tem um amor obsessivo, do que a Aleixo, que se mostra frio durante toda a obra.
O livro narra tudo de uma forma bem crua e em momento nenhum te deixa cansado da leitura, são 81 páginas em um ritmo que te motiva a não parar de ler até acabar. E o final, e que final, consegue te deixar sem fôlego durante um bom tempo, e te fazer relê-lo para conseguir acreditar no que acontece com nossos protagonistas.  O livro que escandalizou a época e que até hoje é reprovado por muitos, tem muitos fãs e se você procurar mais a fundo vai achar até pessoas fazendo cosplay de Amaro e Aleixo (é meio bizarro, mas é legal conferir.). Sem contar que o livro te ajuda a acostumar com a linguagem da época e, apesar de seu caráter naturalista, fala do amor de um homem para com outro como algo normal e não como uma doença. Eu achei uma leitura válida, bem emocionante e gostosa. Para ler só é preciso ter a mente aberta, um pouquinho de paciência e um coraçãozinho forte que aguente emoções.



4 comentários:

  1. Que resenha mais fofa, meu Deus! O livro parece ser a coisa mais incrível! Um livro de 1>8<95 com essa temática... imagino que tenha causado a maior polêmica na época! Mas deve ser legal ver como a sociedade em geral responde a esse assunto (e comparar as reações da época às reações de agora!), para além de que imagino como o livro deve estar repleto de emoções :) Um livro naturalista! Eu já não me lembro corretamente da definição do conceito, PORÉM sei que é a coisa mais legal :3333
    Iza, você se mostrou mais diva que tudo abrindo com essa riqueza brasileira :) Beijão <3

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  2. Sua resenha ficou muito amor, ok <3 Um livro tão antigo e tão polêmico, mas cara! um livro clássico BRASILEIRO gay é <33 concordo com você que literatura brasileira clássica em sua maioria é muito entediante, mas acredito que esse é uma exceção *U* além de ser super curto, não é? >< Enfim, beijoss.

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  3. Lu linda <3 Primeiramente, desculpa a demora pra responder. E owwn, obrigada <3 O livro é bem curto mesmo, vale a pena ler, até pra dar uma estudada no naturalismo em geral. Beijos Lu, você é um amorzinho <3

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  4. Soooofs <3 Você é a coisa mais incrível do mundo, e obrigada meu amor. Eu queria muito ver como o livro afetou o país na época de perto e tudo, mas já dá pra gente imaginar. Naturalismo é uma das melhores fases literárias -q Você é a diva aqui, dear Sofia. Obrigadinha, te amo <3

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