27 de out de 2013

[RESENHA] Tudo, menos "normal", de Nora Raleigh Baskin

Tudo Menos “Normal”
Título original: Anything but typical
Editora: Novo Século
Ano: 2012
 Páginas: 187




Jason Blake é um autista de doze anos vivendo em um mundo neurotípico, de “pessoas normais”. Para ele, quase sempre é apenas uma questão de tempo até que alguma coisa dê errado. Mas Jason acaba encontrando um pouco de compreensão quando cruza com Phoenixbird, uma garota que publica histórias no mesmo website que ele. Jason pode ser ele mesmo quando escreve, e imagina que Phoenixbird, cujo nome descobre ser Rebecca, pode se tornar sua primeira amiga de verdade. Mas tanto quanto ansioso por conhecê-la, Jason está apavorado com a possibilidade de que, quando isso acontecer, Rebecca não seja capaz de 
enxergá-lo como realmente é, indo além das aparências. 
 


Sarinha está aqui com uma resenha de um livro desconhecido de uma autora igualmente desconhecida? ISSO MESMO, QUERIDOS. É interessante a gente ter em mente de que comprar esse tipo de livro, deixando-se levar pela premissa pequena da sinopse na contra-capa, às vezes é uma boa pedida.
Foi assim com o Jason. Comprei-o em uma promoção. Um livro minúsculo. Eu o devoraria em poucas horas, correto?
Errado.
O legal de você comprar livros-surpresa, sem saber exatamente o que esperar deles e sem nutrir expectativas, é se surpreender com a beleza, sinceridade e sensibilidade que é dada em algumas obras.
Me apaixonei pelo Jason Blake, autista, 12 anos de idade.

"A coisa que as pessoas mais veem é o seu silêncio, porque alguns tipos de silêncio são, na verdade, bem visíveis." pág. 11


O Jason é autista, tem doze anos de idade, que está tentando viver no mundo de pessoas neurotípicas. Tentando, apenas. Ele só é compreendido quando está escrevendo histórias e postando-as em um site chamado Storyboard, que é o único site em que as pessoas podem postar histórias que não são fan fictions. As histórias do Jason são todas originais.
Nesse site, ele encontra uma garota de codinome Phoenixbird, e imagina que ela é a única menina que pode ser sua amiga de verdade. Não confie na sinopse do livro quando ela diz que o Jason está "ansioso" para conhecê-la. Ele não está. Ele simplesmente sabe que se ela conhecê-lo, vai notar que suas mãos estão sempre se mexendo para todos os lugares, e vai pensar que não falar muito significa não sentir muito.
A principal ideia da autora dentro da história foi mostrar como funciona a cabeça de um autista, mesmo que eu ache que um garoto autista de doze anos não pense e escreva as coisas que Jason pensa e escreve (conheço um com quase vinte que é incapaz de escrever um parágrafo inteiro e conciso, então, não sei, ou Jason é muito especial, ou o livro é mesmo meio fora de realidade). Mas, de certa forma, e com uma sensibilidade até mesmo um pouco semelhante à de R.J. Palacio em Extraordinário, ela consegue. Consegue transparecer os medos e as inseguranças de um menino que simplesmente não consegue se expressar corretamente.
E mesmo assim não é um livro de chorar. Na verdade, eu achei que a história foi muito crua, um choque de realidade puro, mesmo. A narrativa é muito, muito simples, mas mesmo assim carregada da rotina sensibilística do protagonista. É interessante que a gente perceba: se Tudo, Menos Normal fosse narrado em terceira pessoa, o  livro não teria suas 50 páginas. Ele é composto basicamente de pensamentos e sentimentos, uma vez que o Jason praticamente não fala com as pessoas (ainda que elas falem com ele, mesmo assim).
E uma das coisas que me encantou no livro é que, de certa forma, o Jason termina a história quase da mesma forma que começou. Como ele mesmo diz, a vida não tem finais felizes para sempre. "Na verdade, você realmente não sabe como terminar."
É um livro bonito, sem tirar nem pôr, e quando fui classificar, tive de dar as cinco estrelinhas. Não acho que a autora tenha pecado em nenhum momento. Ela tinha um objetivo com a história e o alcançou. Gostei disso, e gostei bastante.
Em questões de diagramação, o que me incomodou mesmo foi a fonte e a falta da vírgula na capa. Sério. POR QUE NÃO COLOCARAM A VÍRGULA NA CAPA? Sem a vírgula, muda TOTALMENTE o sentido da história. Fico pasma com essas coisas.
Mas para finalizar uma resenha com uma frase marcante e digna, deixa eu dizer só uma coisinha: se você gostou da história de Auggie, é possível e provável que vá gostar da história do Jason.
 


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