8 de ago de 2013

Laranjas não cortadas


Um dia desses, eu estava no intervalo do colégio, sentada no chão, esperando o tempo passar e conversando com esse cara, amigão meu. O resto do grupo estava incomumente disperso pelos corredores, ao redor dos novos 'casalzinhos' que formaram-se nessas últimas férias. Cenário típico, eu me admirava do amor jovem pairando no ar, quando esse meu amigo anunciou, num suspiro:
"Acho que sou uma laranja não cortada."
Achei divertido a declaração súbita, ri um bocadinho. Perguntei:
"Por quê?"
"Não acho que exista a 'minha metade da laranja' por aí. Sou uma laranja inteira, completa."
Outra vez de sorriso no rosto, concordei com ele e lhe dei um abraço, chegando à conclusão de que aquela era uma das metáforas mais geniais e, ao mesmo tempo, mais pessimistas que eu já ouvira em toda a minha breve vida. Passei o resto do dia pensando naquilo ali, tentando chegar a uma opinião concreta sobre todo esse rolo que é Encontrar Alguém Especial, sobre a minha má sorte no "amor" e sobre a possibilidade de eu não ser metade de ninguém, senão minha própria.
Vamos lá, se faça de difícil. Diga que não quer encontrar ninguém. Diga que, lá no fundo do seu coração, você não tem um calorzinho que anseia por outra pessoa (inexistente até o momento, é claro) que possa te confortar e te gostar do jeito que você pretende gostar dela. Diga! Diga para mim que você é uma laranja não cortada, que você não espera acordar ao lado de alguém, que você não quer amar (e ser amado) de janeiro a janeiro. Diz, vai. Pode dizer.
Sinto muito, querido, mas eu não vou acreditar.
Porque depois de rememorar aquele momento umas mil vezes na minha cabeça, eu cheguei à conclusão de que esse meu amigo e eu nada mais somos do que dois idiotas solitários e orgulhosos, que preferem acreditar que estão completos do jeito que estão, quando, na realidade, têm interiores gritam como garotinhas em apuros para serem amparados.
Não que eu goste disso, é claro.
Mas a vida ensina que é mais fácil você assumir as coisas e aprender a lidar com elas do que negá-las e deixá-las tomarem conta de você nos momentos solitários.  Então, poxa, tudo bem, eu sou mesmo uma romântica excêntrica e incorrigível e vou sempre cair na lábia do 'amorzinho'. E, sabe? Talvez eu até possa ser uma laranja inteira, intocada. 
Mas isso não vai me impedir de acreditar que, em algum lugar desse mundinho, exista outra laranja não cortada, solitária, que precise de uma companheira para passar a vida.


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