26 de jan de 2013

Capítulo 4

Perco-me em teus lábios

 

 

 

No céu, as estrelas exibiam todo o seu esplendor, brilhantes e maravilhosas, dando um show de luz como bem fazia a Lua cheia, tão grande e linda que um homem com boa imaginação poderia alcançá-la com as mãos. Movido por um impulso jovial, ainda com as palavras do amigo ecoando em sua mente, o soldado encaminhava-se para um dos dormitórios acompanhado apenas de suas amigas estrelas. Um sorriso pairava levemente em seu rosto recém-barbeado, dando a quantidade de leveza, jovialidade e paixão para um belo homem de vinte e um anos.
Incomum, no meio de uma Guerra Mundial, estar tão feliz. Em um lugar onde predominava a violência e o ódio, no coração do rapaz tudo o que se encontrava era felicidade, leveza, vivacidade. Não sabia onde perdera tudo o que tinha de ruim no coração, mas substituíra por tudo o que havia de bom. Tudo o que ela lhe dava de bom.
— Vou contar-lhe uma novidade, meu amigo — havia dito Taylor, alguns minutos atrás, soltando o braço de seu violão encordoado em nylon para segurar no ombro de Joshua. — Você está apaixonado.
Recordando as palavras de seu amigo enquanto cantarolava uma das músicas que ele tocava há poucos minutos atrás, Josh pegou-se sorrindo mais uma vez. Obviamente, ele negara de todas as formas que estava apaixonado, e viu até mesmo Jon retirar o cigarro de sua boca para dar uma risada que baforou todo o ar ao seu redor.
— Não adianta negar, Farro — dissera o artilheiro, sem a camiseta e com os pés levantados para cima, o cabelo bagunçado e o cigarro no canto dos lábios enquanto ele falava. — Está amando. Uma moça não faria com um homem o que ela faz contigo, caso ele não estivesse apaixonado. Aceita teu rumo.
Taylor rira, o chapéu curto pairando no canto de sua cabeça e um sorriso despreocupado nos lábios. Como sempre, à noite, ele se livrara de toda a farda que usualmente utilizava. Dedilhou uma sinfonia qualquer em seu violão barato, apaixonadamente, e só retirou os dedos do instrumento para aceitar o cigarro que Jonathan acabara de partilhar com ele.
— Quando conheci minha Dakotah, estava indo para o cinema mudo, ver um clássico de Chaplin — disse ele, seus olhos verdes brilhando e encarando o teto, enquanto tragava o cigarro e baforava o ar. — Lembro de tê-la visto, sozinha, na sala. Sentei-me ao seu lado e, curioso, perguntei o porquê de ela não estar no cinema colorido, com som, assim como todos o faziam naquele momento. Ela olhou-me, então, e sorrindo disse-me que em sua opinião, a magia do cinema se encontrava em sua linguagem não-verbal, na música, na ausência de cores. Foi então que eu concordei e pensei, com um sorriso: é com essa garota que vou me casar.
Jonathan e Joshua já riam, principalmente no final, quando Jon decidiu dublar as palavras de Taylor, sempre as mesmas, quando ele contava-lhes a “história de quando conheceu sua amada”. Intimamente, Joshua concordava sobre a magia do cinema mudo, mas nunca dizia tal coisa por que sempre precisava rir da alma extremamente apaixonada de Taylor e da áurea que ela transmitia. Era simplesmente contagiante.
— Já sabemos, York. Depois você passou a ir à casa dela, e quando o pai da menina ameaçou-te com uma espingarda, passou a encontrá-la às escondidas, blábláblá. Casaram-se e tiveram uma filha, justamente como você previra naquele dia, no cinema — Jonathan continuou a história no automático, fazendo pouco dos sentimentos do amigo, mas sem exatamente desrespeitá-lo.
— Não entende onde quero chegar, não é, Howard? — o sorriso de Taylor era irreparável. Ele encarou Joshua. — O que estou querendo dizer, é que assim que vi minha garota, soube que ela era minha, e quando saí do cinema já estava completamente apaixonado. Mas não quis admitir isso de imediato, é claro. Assim como nosso amigo.
Joshua sorriu, negando com a cabeça enquanto sacudia a camiseta branca que iria vestir. Seus amigos conseguiam ser bem piores do que as mulheres amigas de sua mãe quando chegava a hora da fofoca. Chegavam a ser irritantemente chatos.
— Não estou apaixonado — disse ele, suspirando. — Adoro-a, não nego. Seus olhos e seu sorriso são os mais belos que eu jamais vi, e, céus, vocês a viram! Ela parece de fato um anjo! E, além de tudo isso, curou-me. Sei que curou. Ela me deixa vivo.
Taylor deixou-se dar uma gargalhada.
— Joshua, você basicamente acabou de dizer: “eu não estou apaixonado, mas eu a amo” — Taylor afinou sua voz para imitar o amigo, embora, na realidade, sua voz fosse bem menos grossa do que a de Joshua. Isso fez com que Jonathan risse outra vez antes de baforar seu tabaco. — Não pode negar, meu amigo, você está completamente apaixonado. Adora-a, quer tê-la, e céus, eu te conheci antes de contrair a doença! Não via sorriso nesta tua cara. Seus olhos costumavam a serem sombrios, malvados, mas agora estão assim: brilhantes, vivos. Essa garota não te curou apenas fisicamente, ela te curou emocionalmente. Não consegue ver?
Jonathan assentiu com a cabeça.
— Taylor tem toda razão.
Josh coçou sua cabeça, procurando na mente alguma maneira de fugir daquele assunto, mas sabia que não conseguiria. Já havia algum tempo que ele vinha pensando nessa possibilidade e, a cada dia que se passava, mais ele se convencia de que era real. Hayley era seu combustível para continuar vivo. Era sua alma, seu coração. Seu sorriso era tudo o que ele precisava para ter um dia feliz. Não se cansava nunca de imaginar seu olhar majestoso, sua boca delineada, tão linda. Poderia passar a eternidade sentindo-a perto dele, o choque de suas peles, seu rosto macio, suas mãos delicadas, sua cintura fina. Seus cabelos louros, perfeitos para emoldurar seu rosto angelical.
Oh, céus, não havia alternativa senão a de que seus amigos tolos estavam completamente corretos.
— Ela curou-me — Joshua concordou, assentindo com a cabeça. — Mas não posso apaixonar-me aqui. Por Deus, estamos em guerra!
— E daí?! — Taylor exaltou-se. — O amor vem quando menos esperamos, meu caro.
Joshua encarou-o.
— Como posso cortejá-la neste inferno de lugar?! Certamente não era difícil fazê-lo se estivéssemos na cidade, mas, Taylor, estamos em guerra. No meio de uma operação. No deserto norte-africano.
— Há várias maneiras de se cortejar uma moça, Joshua, não se faça de tolo — Taylor deu de ombros, os dedos novamente pousando nas cordas de seu violão. — Certamente você não irá arranjar uma floricultura por aqui, mas mulheres gostam de criatividade e espontaneidade.
— Dê cigarros a ela! — Jonathan gritou num impulso, fazendo com que os homens dessem uma risada sonora. Certamente a nicotina já fazia efeito no cérebro do rapaz.
— Ela não fuma, disso tenho certeza — Joshua respondeu a Jon, ainda com o sorriso em seu rosto. Virou-se para Taylor, certo de que não haveria como ser criativo e espontâneo em um lugar onde predominava as armas e a morte. — E como eu poderia ser criativo e espontâneo, Don Juan?
Taylor sorriu, como se estivesse lidando com amadores. Seus dedos novamente tocaram uma sinfonia lenta e romântica e ele olhou para o amigo tranquilamente, deixando as mãos trabalharem por si só.
— Ora, que tal um passeio à luz da lua?

Agora Josh encarava a Lua, grande, e pensava consigo mesmo que essa talvez fosse a única vantagem daquele lugar inescrupuloso. O céu, cinzento, era composto pela mais bonita constelação que ele já presenciara, embora nunca houvesse observado-a em outra ocasião. O ar estava frio, mas não gelado. Chegava a ser quase aconchegante. O silêncio era geral, exceto pelo som das botas de Josh contra o chão seco, mas refletindo sobre isso ele chegou à conclusão de que isso parecia aumentar a beleza da noite.
Parecia perfeito para um rapaz apaixonado que agora queria levar sua enfermeira para um passeio e, de alguma forma, cortejá-la.
Com certo nervosismo presente nele, Joshua chegou ao dormitório das enfermeiras. Ajeitou a farda sobre os ombros, eretos e mais fortes, e preparou seu melhor sorriso. Sabia, entretanto, que estava muito mais apresentável do que deveria estar quando era apenas um doente na lista de Hayley. Fizera a barba, tomara um belo banho, penteara o cabelo. Embora soubesse que os pelos de seu rosto deveriam estar muito maiores do que fatidicamente estavam — supôs que foi barbeado por ela própria, enquanto dormia —, Joshua nunca deixara a barba crescer e não seria agora que deixaria. Raspou o rosto com a própria navalha assim que saiu da enfermaria e foi juntar-se aos amigos em seu dormitório.
Também estava curioso para saber como era Hayley fora daquele mesmo traje igual de enfermagem. Por isso, antes que se arrependesse e desse meia volta, distribuiu três batidas singelas na porta improvisada do dormitório das meninas. Ouviu sussurros e, então, pôs-se a esperar. Como era evidente, o dormitório estava completamente escuro, mas ainda era possível que houvesse uma lamparina acesa, como faziam Taylor e Jonathan naquele momento.
Antes que Joshua pudesse pensar mais sobre isso, a porta foi aberta, revelando uma garota de no máximo quatorze anos de idade, a julgar por sua altura, seu corpo e seu rosto travesso. Em suas mãos, uma lamparina improvisada queimava o óleo. A garota pareceu encarar Joshua por quase um minuto inteiro até, de súbito, reconhecê-lo e esboçar um sorriso maroto.
— Hay? — ela proferiu, sem virar seu rosto. Os olhos continuavam presos em Joshua, quase sapecas, de modo que o deixou quase envergonhado. Mas ao invés disso ele dirigiu um sorriso de cumplicidade para a garota. — É para você.
— Como? — Josh pôde escutar o sussurro dela, vindo do canto esquerdo do dormitório enorme. Parecia de fato que elas eram as únicas moças acordadas àquela hora da noite.
A menina olhou para Josh e fez um sinal para que ele esperasse por um segundo, sem abandonar seu sorriso esperto. Saiu, então, quase saltitante, de modo que ele pôde inclusive escutar o som de seus pés.
“Seu namorado está aí” ele ouviu a menina sussurrar, acompanhada de um risinho. Sorriu ao escutar a voz atrevida e impertinente dela.
“O quê? Josh?” Hayley havia respondido, e algo dentro de Josh se animou ao saber que era dele que ela se lembrava quando mencionavam um namorado. Nunca havia perguntado, mas, é claro, seria bastante improvável que Hayley mantivesse um relacionamento com alguém.
Mesmo assim, a notícia fez com que o arrepio de ansiedade e nervosismo em seu corpo se tornasse mais forte. O homem quase se sentia um adolescente.
“Não sei se é esse o nome dele, mas é o rapaz de olhos bonitos que te faz sorrir feito boba” Joshua quase pôde ver a menina dando ombros. “Acho melhor você ir agora. Não se preocupe comigo, te acordarei antes de embarcar naquele avião. Saia antes que a megera te veja”, novamente, as palavras da garota. Josh supôs que seria ela a enfermeira que embarcaria ainda essa noite, junto a tantos outros soldados doentes. Céus. Tão nova.
Então, meio minuto depois, lá estava ela a sua frente. Ele perdeu sua voz e seu juízo quando visualizou-a, tão linda, angelical, perfeita, à luz da Lua e da lamparina que ela provavelmente pegara da adolescente. Era a primeira vez que Joshua via seu cabelo solto, liso, sobre os ombros nus. Em seu corpo, um vestido azul claro que ia até os joelhos. Joshua poderia passar uma vida inteira apenas contemplando sua beleza estonteante. Poderia passar o resto de seus dias sentindo-se tonto e bobo, suas pernas bambas, seu olhar fascinado. Poderia olhá-la para sempre, e não se cansaria, nunca. Ela seria tudo o que ele precisaria.
— Josh! O que faz aqui? — perguntou ela, surpresa e animada ao mesmo tempo. Seus olhos verdes esmeralda eram sempre lindos, mas à luz da Lua eles estavam hipnotizantes. Ela o encarava com fascínio, o sorriso no rosto aumentando cada vez mais.
— Vim te convidar para sair — disse ele, ereto e com a voz bem encorpada, como se houvesse treinado para aquilo uma centena de vezes. Um sorriso brincava no rosto, como aquele adolescente que convidava a primeira namorada para tomar um sorvete.
Isso fê-la sorrir de uma maneira que fez com que tudo valesse a pena.
— O que deu em você? — ela perguntara, sem conseguir arrancar o sorriso estupefato e perfeito de seu rosto. Não poderia estar mais surpresa.
Mas também não poderia estar mais feliz.
— Vim te convidar para sair, ora! — ele afirmou mais uma vez. — Está certo de que não há cinemas por aqui, ou praças, ou sorveterias, ou parques. Mas quem precisa disso com uma Lua desse tamanho nos presenteando com sua beleza?
Estava claro como a água que ela não esperava pela súbita aparição de Joshua, e muito menos esperava que ele a chamasse para caminhar à luz da Lua. Ainda assim, também era visível em seu rosto delicado como uma porcelana que nada a deixara mais incrivelmente feliz e animada.
— Acho que ninguém — respondeu ela, sem saber exatamente o que dizer. Estava dominada pelo fascínio do momento, pela Lua, pela beleza de Josh. Não retirara o sorriso tímido do rosto, entretanto. Nunca sentira nada parecido anteriormente.
— Pelo menos, não nós — disse ele, ainda com o sorriso pairando em seu rosto. Estendeu a ela seu braço, para que ela pudesse segurá-lo e sair da frente de seu dormitório. Com um sorriso pairando confuso no rosto, Hayley olhou de soslaio para dentro do dormitório e deixou-se rir tranquilamente. Provavelmente sua amiga adolescente sibilara algo engraçado.
— Não nós — concordou ela, fechando a porta atrás de si e segurando o braço de Joshua com toda a determinação que tinha.
Mentalmente, Josh agradeceu à Taylor pela brilhante ideia. Claramente Hayley havia gostado, embora parecesse extremamente perigoso e imprudente sair tarde da noite em, praticamente, um campo de guerra. Mas a vontade que eles tinham de ficarem sozinhos parecia ir além dessa periculosidade, desse medo. Como passaram, basicamente, os últimos dois dias sem mal se ver, poderiam desfrutar da companhia um do outro sem doente nenhum ao redor.
Só isso parecia bom demais.
Eles caminharam devagar até lugar nenhum, ela agarrada ao braço dele, observando a Lua com toda a tranquilidade que exalava de seu espírito. Não disseram nada por um tempo. Apenas sentiam seus corpos tão perto, suas respirações tranquilas, as batidas calmas de seus corações. Sentiam-se como se estivessem aonde deveriam estar. Sentiam-se completos, felizes, em paz. Com um sorriso no rosto, Hayley desejou que ele fizesse aquilo mais vezes, e apoiou seu rosto no braço dele muito calmamente.
— O que te deu para aparecer, assim, de repente? — perguntou ela, quebrando o silêncio, dando-se conta do quanto gostava de sentir Josh tão perto dela. Dando-se conta do quanto ele era forte, alto, e bonito. Dando-se conta de que não se importava com mais nada naquela hora senão eles mesmos. Dando-se conta de que ele fizera a barba, colocara sua farda, e dando-se conta de que ela provavelmente nunca se sentira tão atraída por homem nenhum em sua vida.
— Senti saudades — disse ele, o sorriso pairando no seu rosto bonito. Ela sorriu por vê-lo sorrir. — Não a vi hoje e nem ontem. Estava com abstinência do meu anjo.
Uma risada ecoou da garganta dela.
— Já pedi para parar de chamar-me assim — disse ela, a voz manhosa. — Não sou anjo nenhum.
— E eu já pedi para que me deixe continuar a chamá-la assim — retrucou ele, triunfante, com a voz quase tão manhosa quanto a dela. Isso fê-la rir. — Para mim, você é um anjo.
Joshua escutou-a sorrindo novamente, e sentiu que ela apertava seu braço com um pouco mais de força. Continuavam a andar, tranquilamente e devagar, embora já não estivessem perto das tendas. Sentiam um ao outro e observavam singelamente à Lua, esplendorosa, eminente, linda. Nada poderia estar mais perfeito.
— Bem, se quer saber, também senti tua falta. Foi terrivelmente estranho olhar para tua maca e ver outro homem instalado nela — ela disse, virando o rosto só para encarar seus olhos castanhos chocolate que penetravam sua alma e aqueciam seu coração. Ele a olhou de volta, encantado, e sorriu o sorriso mais bonito que Hayley conhecia. — Meus dias são tão piores sem você como meu paciente...
— É por isso que estou aqui — ele riu, a voz cheia de entusiasmo e pretensão. — Para trazer a melhora para os teus dias.
Novamente, uma risada saiu da garganta da jovem, feliz.
— Não posso negar isso. Você me faz bem... — ela deixou a frase ecoar, e Joshua notou que ela já segurava seu braço com as duas mãos. Não conseguia entender como se sentia tão em casa ao estar com ela.
— Você me faz muito mais do que bem... Desde a morte de meu pai, nunca me senti assim... tão vivo, tão em paz... — tão apaixonado, ele completou mentalmente, mas ao invés de dizer aquelas palavras apenas deixou-se dar uma risada despreocupada.
Ela comprimiu os lábios.
— Eu entendo... — disse ela, respirando fundo. — Também já perdi alguém que amava muito.
— Pierre? — perguntou ele, enfim encarando seu rosto que demonstrava certa dor. Viu que ela virou o rosto imediatamente, encarando-o com a mais profunda surpresa estampada nos olhos. Josh apressou-se em explicar-se: — Foi esse o nome que você disse quando nos vimos pela primeira vez. Estava doente, sentindo dor, mas me lembro de que foi essa a primeira palavra que saiu de sua boca.
Hayley lembrou-se imediatamente. Não tinha ideia de que ele havia escutado-a. Ninguém sabia de Pierre, senão ela própria, mas seu descuido fizera com que Josh compartilhasse de sua tristeza mais aguda.
— Sim, é ele — disse ela, engolindo em seco e retirando os olhos de Josh.
Notando que ela não dizia mais nada, o jovem perguntou:
— Ele era seu pai? Namorado? Irmão?
— Irmão — ela respondera imediatamente, antes que ele pudesse sugerir outro parentesco. Olhou para o chão, esperando que a dor a atingisse como sempre fazia quando lembrava-se de Pierre, mas dessa vez isso não aconteceu. — Nossos pais morreram quando eu ainda era muito nova para me lembrar de seus rostos, e ele cuidou de mim. Sempre cuidou. Crescemos juntos, em um orfanato, e ele sempre me tranquilizava e me fazia rir. Cuidou de mim até o último momento de sua vida, três anos atrás.
Josh assentiu com a cabeça, lentamente, procurando não invadir muito a sua privacidade.
— Sinto muito — disse ele, passando o polegar lentamente pela mão que apertava seu braço. Viu que ela esboçou um sorriso, talvez não feliz, mas ainda assim verdadeiro.
— Eu também. Mas... acho que ele ainda cuida de mim, de qualquer maneira — disse ela, quase tranquila. Fechou os olhos por um segundo, sentindo a brisa fria da noite tocar seu rosto com cautela. — Ele me lembra você. Só que você é mais bonito.
Joshua deixou-se rir, e uma risada ecoou da garganta dela também.
— Acha que ele gostaria de me conhecer?
Hayley parou de andar por um segundo, olhando bem no fundo dos olhos do soldado.
— Duvido — disse ela, sendo sincera e deixando-se rir em seguida.
— Bom, ainda assim, se quer saber, meu pai ficaria muito feliz em conhecê-la — Josh apressou-se em dizer, ainda com um sorriso no rosto. — Tenho certeza que ele lhe acharia tão encantadora como eu acho.
— Sabe o que eu acho, Josh? — perguntou ela, retoricamente, enquanto voltava a andar com o braço entrelaçado ao do rapaz. — Acho que está exagerando.
— Meu pai iria adorar tua modéstia.
Hayley deu outra risada, respirando fundo o ar frio de noite, sentindo um pequeno arrepio correr seu corpo deliberadamente. Mas não era de frio, ela sabia. Não era o frio que fazia com que sua pele se arrepiasse, e sim a proximidade do soldado Farro com ela, neste momento.
— Não entendo como posso me sentir tão ligada a ti se te conheço há tão pouco tempo — as palavras saíram livremente de sua boca, sem que ela tentasse repeli-las. Não se importava nem um pouco de dizer o que sentia para o homem que causava tais sentimentos. Seria uma profunda tolice.
— Talvez não tenhamos nos encontrado por acaso — disse ele, com um esboço de sorriso calmo moldado no rosto. — Talvez já nos conhecêssemos.
— De onde? — perguntou ela, com um sorriso, tendo certeza de que aquilo era impossível.
— De outras vidas... ou de nossos sonhos... — ele começou a listar as possibilidades, ouvindo a risada dela. — As possibilidades são incontáveis. Podemos acreditar no que quisermos.
Ela fez uma pausa, mordendo o lábio inferior. A hipótese que Josh sugeriu a ela era praticamente impossível, boba, disfuncional. Ainda assim, parecia tão esperançosa, bela, luminosa. Ela quis apegar-se a uma dessas teorias e aceitá-las como se fosse sua verdade.
“Podemos acreditar no que quisermos”. Céus, ele tinha toda razão.
— Talvez... tenhamos sido enviados para o bem um do outro — disse ela, sorrindo. — Acha possível?
Ele parou de andar para encará-la de frente, seus olhos luminosos pela lua e pela lamparina a óleo. Engoliu em seco, ainda abobado por vê-la tão linda, e assentiu com a cabeça.
— Acho completamente possível.
Olhando para seu rosto, o vento batendo lentamente contra seus cabelos soltos e despenteados, Hayley deu um meio sorriso. Não sabia como agir ou o que falar; sua atenção fora toda direcionada a ele, seu rosto bem moldado, seu queixo acentuado e barbeado. Seus lábios carnudos, chamativos, extremamente sedutores. Seus olhos marrons e perfeitos, resplandecentemente lindos. Suas sobrancelhas não tão grossas, não tão finas, seus cabelos lisos, seus ombros largos, seu corpo esbelto e absolutamente belo. Ela não tinha palavras ou ações por que estava perdida demais na beleza dele, e em como se sentia balançada e entregue, embora apenas suas mãos estivessem entrelaçadas. A forma como ele a olhava, tão apaixonante e encantadamente, como se ela fosse a mulher mais linda do mundo. Podia ver em seus olhos que ele a desejava, mas via, além disso, que ele adorava-a. Que acreditava veemente que ela era, de fato, o anjo de sua vida.
Seu coração não se segurava mais dentro do peito, e lentamente, ela sentiu a mão dele se desprender da sua para acariciar seu braço. Seus dedos corriam sua pele delicadamente, passando pelo antebraço, e pelo ombro, como se acariciassem uma peça de arte moldada em porcelana. Sentiu os dedos dele correrem o alto relevo da alça de seu vestido e alcançarem, enfim, seu pescoço, para depois tocarem seu rosto com paixão. Uma corrente elétrica passava pelo seu corpo, seus olhos não conseguiam sair dele. Não conseguiam sair dos belos traços que o compunham tão perfeitamente, o homem mais bonito que ela já conhecera.
Ele deu um passo para frente, ficando agora tão mais próximo. Hayley levantou seu rosto, ouvindo a respiração desregulada dele, e quando deu por si, já não conseguia mais controlar seus sentimentos, sua respiração, seu desejo, seus atos. Olhou para baixo, por um momento, tentando colocar os pensamentos em ordem, e quando novamente ergueu os olhos, o rosto dele já estava tão perto que ela podia sentir seu hálito cálido. Sentia o calor de seu corpo, exalando, dominando-a. Podia ver o seu nariz acentuado, sua pele barbeada, e o contorno de seus lábios rosados e profundamente sensuais. Conseguia inalar o seu cheiro característico, vicioso, afável. Fechou os olhos, sabendo, enfim, que se perderia nele, densamente, avassaladoramente.
Perdeu-se. Não importou-se. Passou as mãos pelo rosto dele, sentindo a pele barbeada pinicar contra os seus dedos finos, e manteve os olhos fechados quando suas testas se colaram, lentamente, fazendo suas respirações se misturarem. Seu peito já arfava, sua pele queimava, seu coração martelava com todo o pudor.
Uma chama acendeu-se dentro dela quando seus lábios se tocaram timidamente.
O choque de suas bocas foi tão intenso e profundo que eles precisaram de alguns segundos, apenas pressionando seus lábios, lenta e brandamente. Nunca, antes, em suas vidas, eles sentiram-se tão enternecidos. As mãos de Josh detinham o rosto dela com firmeza, porém delicadamente. Seus lábios se encontravam ternamente tocados contra os dela, num gesto lento e ainda assim profundamente apaixonado. Em seu coração, explodia todo o amor e felicidade que ele possuía, desesperadamente e sem limites. Dentro de seu corpo, sua alma, seu espírito, o que falava mais alto era a felicidade e a emoção que sentia por estar, enfim, beijando os lábios da moça mais linda e angelical que ele já conhecera. Em toda a sua vida, Joshua nunca se sentira tão emocionadamente bem.
Suas línguas se entrelaçaram vagarosamente e ela embrenhou os dedos nos cabelos lisos dele, perdida e profundamente realizada, enquanto sentia os lábios do homem mais maravilhoso que já conhecera juntarem-se com os seus. Sentiu como se não houvesse mais nada com que precisasse se preocupar, senão Josh e o beijo que ambos trocavam, apaixonadamente. Sentiu-se tão bem, tão entregue, que achou que poderia ficar ali durante a noite toda, e a vida toda. Sentiu que encontrara, de fato, seu lugar no mundo. Sentiu-se completa, feliz, emocionada, apaixonada. Sentiu que era ali que precisava estar, com ele, por que ele era seu combustível para viver.
Agora as mãos dele corriam sua cintura, unindo seus corpos. Hayley podia sentir o coração dele batendo, tão forte e rapidamente, como se quisesse sair do peito, assim como o dela. Ainda mantinha os dedos perdidos nos seus cabelos pretos, ainda sentia os lábios dele presos aos seus, suas línguas tocando-se sem pressa, como se o mundo fosse deles. Sentiu que se a Terra acabasse naquele momento, ela e Josh não seriam atingidos. Tudo o que existia, tudo o que importava, eram os dois e o quanto eles estavam apaixonados um pelo outro, embora se conhecessem há tão pouco tempo.
Sem conseguir se desprender dos lábios dele, cada vez mais entregue, cada vez mais envolvida pelo beijo calmo, desejando-o cada vez mais, ela sentiu seu corpo ser erguido do chão e abraçou o pescoço dele com o braço, embora seus pulmões implorassem cada vez mais impiedosamente por ar. Desprendeu seus lábios por um segundo e abriu seus olhos, encontrando os de Josh, castanhos e lindos, encarando-a como se ela acabasse de fazê-lo se sentir o homem mais feliz do mundo. Como se não importasse mais nada, só ela, e apenas ela. Como se, embora ele não a conhecesse há mais de duas semanas, era ela a mulher que ele queria para sempre. Como se ele acreditasse veemente que era ela o anjo de sua vida, feita para fazê-lo viver.
E olhando para aqueles olhos marrons, pela primeira vez, ela acreditou nisso também. Acreditou que era possível. Com um sorriso bonito, terno e realizado escapando pelos lábios latejantes, e ainda suspensa no ar pelos braços fortes de Josh, ela fechou os olhos antes de aproximar seus lábios de novo. Provou de seu sabor mais uma vez, e percebeu que jamais se cansaria disso, dele. Novamente suas línguas estavam entrelaçadas, unidas, explorando-se comovidamente. Novamente seus braços estavam em volta dele, novamente seus corpos estavam colados. Novamente Hayley percebeu que Josh era o homem mais significativo para ela.
Não importava o que dissessem. Hayley soube, naquele momento, presa em seus braços e no beijo de seus lábios rosados, que Josh fora enviado para ela. Não sabia por quem, ou por que, mas ele era dela. Fora mandado para ela. E estar ao seu lado, senti-lo, beijá-lo, ou apaixonar-se intensamente por ele, era inteiramente e completamente certo.




Oiii?AUEHAUEHAEUHHAE
Eu não coloquei notinhas iniciais por motivos de: não precisava. Mas enfim, como vão vocês, amores mios?
ÇAPSOKAÇ~PSOKALS ESSE CAPÍTULO, HEIN?! EU FALEI QUE IA TER ATUALIZAÇÃO NO SÁBADOOOOOOOO *U* CURTIRAM? I hope so.
Estão me pedindo muito pela Trucker, mas eu tenho de dizer que não tenho como postá-la hoje. Tenho trabalhado em vários projetos pararelos, e isso acabou me abstendo de escrever para esta fanfique que os senhores estão gostando tanto *U* DESCULPAAA!! Eu não tenho nada do próximo capítulo e ainda estou me sentindo mau em relação à Sex and Stuff. 
Mas semana que vem tem Trucker pra vocês. Pro-me-to,
AGORA VAMOS FALAR DESSA RENASCER? AWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWW MY HEART <3333333333
Geente, esse capítulo. Eu o escrevi há umas duas semanas mas ainda sou inteiramente apaixonada por ele por motivos de: OLHA ESSES DOIS! ELES SÃO O SHIPPER MAIS PERFEITOS QUE EU JÁ ESCREVI, OK? FORAM FEITOS UM PARA O OUTRO E MEU DEUS DO CÉU O AMOR A LUA TUDO TUDO TUDO MEU CORAÇÃO MEUS SENTIMENTOS MINHA EXISTENCIAAAAAAAAAAAAA </3
Não sei lidar.
E isso é por que eu que escrevo.
Sinto que vocês sentem também <3 E GENTE, SOBRE O SEGREDO DA HAYLEY: eu tô entregando ele de bandeja, sos. Tem gente que já sacou. Vamos pensarrrrrrrrrrr *U* eu acho que vou demorar mais uns capítulos para que ele seja inteiramente exposto. MAS DICAS ESTÃO ROLANDO E VOCÊS SÓ PRECISAM, Ó, SACAR.
Seus lindos.
Sobre esse Taylor: a p a i x o n a d a.
Sobre esse Jon: o mesmo do Taylor.
Sobre esse Josh: socorro, me dá esse homem.
Sobre essa Jenna: por um mundo onde eu possa abraçá-la para sempre, soc.
Sobre esse beijo: ÃPOSKQÇOPJ~PSIQ~BNEOABSÇIUQVEIAÇSVBIYQVULWSVAUVQUIVSAIHASÇOIJQMNJH,SB ,JX BJHAV SJGCVQGQUWHIASPOIAKPSOIAKSPAOSKAPOJQWASAOPSIKAS socorro, escrever isso foi tão bom.
Foi tão lindo ;'3 tão lindo.
tão lindo.
Comentem pra mim? ;-;
Muito amor para vocês,
Sarinha ;3




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3 comentários:

  1. q capitulo foi esse???? KONDHKSJSJSJJSJSJDJKSJJABSJJSH shippar joshay forever. essa hayley, esse josh, essa jenna, eles são apaixonantes *uuuuuuu* e EU AMO ESSE TAYLOR, QUERO ELE PARA MIM. deprimida por não saber o segredo da hayley, sou pessima em ser detetive, tia sarah.

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  2. Renally Vasconcelos27 de janeiro de 2013 22:57

    AI MEU CORAÇÃO! TIA O QUE FOI ISSO??? Deus vc não sabe o q eu surtei nesse beijo, aiii passeio a luz da lua! PFVR, beijo, lua, isso me mata! Deus SOCORROOOO! Acho q desconfio do segredo da Hay... Porém mt curiosa! Eu quero um Taylor de presente de aniversario, pfvr me dá tia?
    Te amo sua linda!

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  3. Esse Taylor jogando tudo na cara do Josh e esse Jon zoando com a história romântica do Tay.

    Mas eu admito que o tay foi bem astuto, gente, eu ainda estou in love com essa palavra.

    Ter a idéia de caminhar soba luz do luar num campo de guerra não é pra qualquer um, na verdade não era pra ninguém ter uma ideia tão absurda como a tal mas fazer o que afinal, o Tay é um inegável romancista.

    E essa Jenna, que menina mais ~pucha a alavanca de emergência porque não consegue pensar num adjetivo aceitável~ falando alto pro Josh ouvir toda a conversa que ele não deveria ouvir. Que menina astuta. Olha a palavrinha aí de novo.

    Mas agora vou te falar a coisa que mais marcou o chap pra mim, estamos em sei lá que ano,só sei que faz bastante tempo, na época em que um beijo na rua é sinal de promiscuidade.
    Hayley Promiscuos Williams
    Safadjenna.

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