23 de set de 2012

Capítulo 55

Keep a straight face



Com as melhores lembranças possíveis ainda em sua mente, Josh abriu os olhos.
Jogou os braços para o alto, espreguiçando-se.
Olhou para todo lado e não a viu. Suspirou. Ela havia ido.
Sentou-se no tapete felpudo e encontrou um papel dobrado em cima dela. Estava escrito bem grande “I’M SORRY” no lado superior da folha. Josh pegou a folha e a olhou. Tinha medo de abrir e ver o que estava escrito. Em geral, ele já tinha uma idéia.
Suspirou e abriu a carta.
Estava escrita em caligrafia rápida e mal-feita. Algumas bolinhas onduladas haviam manchado a folha, e ele notou que eram lágrimas secas. Em algumas partes o traço da caneta estava tão forte que parecia atravessar a folha.
Josh começou a ler.
Cada palavra machucava-o de forma forte.
— Você está errada, Hayley. — Ele disse sentido, quando terminou de ler. — Você não vai ser totalmente feliz sem mim, nunca.
Ele abaixou a cabeça e deixou uma, apenas uma lágrima escapar.
Era a primeira vez que ele chorava desde... a morte de Nate.
Ficou estático, sem conseguir se mexer.
Hayley estava errada em pensar daquela forma! Ele não queria nunca mais a fazer sofrer! Estava disposto a dar sua vida para fazê-la feliz. Queria-a para sempre! Queria cumprir todas as promessas que ele havia feito.
Se sentia arrasado, sabendo que a aquela noite que ele tivera com ela, poderia ser a última.
E agora, o que fazer?
Ela havia implorado para ele não procurá-la.
Mas ela o amava! Tinha dito isso!
Estava confuso e arrasado. Ainda estava sentado em seu tapete, no meio de sua sala devastada, quando a campainha de sua casa toca.
Seria ela?
Procurou sua calça e a vestiu com desespero e rapidez. Correu até a porta e a abriu, ofegante.
— Ei, mano. — Zac sorriu. Josh suspirou, triste.
Seria bom demais para ser verdade.
— Oi Zac.
— Estava passando e decidi vir aqui.
— Entra aí. — Josh abriu espaço para Zac passar. Ele foi falando algo sem nexo, que Josh simplesmente não escutava. Estava muito decepcionado para conversar, seja lá sobre o que for.
— Então eu achei um biscoito diferente e... Jesus! O que aconteceu aqui? — Zac cortou seu próprio assunto ao adentrar a sala do irmão.
— Hayley.
— Ela jogou uma bomba atômica aqui? — Zac riu e diante do rosto de “não teve graça” de Josh, se calou. — Sério... o que aconteceu?
— Isso. — Josh entregou a carta a Zac e esperou alguns segundos, até ele terminar de ler.
— Você está me dizendo que vocês destruíram a sua casa transando?
— Na verdade...
— Poupe-me dos detalhes. Responda apenas sim ou não.
— Sim.
— Wow. — Zac deu uma risadinha, olhando em volta. — Que medo.
— Zac! — Josh o repreendeu. Não estava para as palhaçadas do irmão.
— Ah, claro, na carta ela pede pra você nunca mais procurá-la. Estamos diante de uma má situação e eu não devo fazer piadas.
— Exatamente. — Josh bufou e se sentou no sofá.
— Mas e aí, o que você vai fazer? Depois, é claro, de re-mobiliar a sua casa? — Zac fez que ia se sentar ao seu lado.
— Sem graça. Eu ainda...
— Peraí, vocês não fizeram nesse lugar do sofá não, né? — Zac olhou para o irmão e continuou em pé, sem se sentar no sofá.
— Não. — Josh revirou os olhos.
— Que bom. — Zac se sentou.
— Acabaram as piadas?
— Mas eu... ok, acabaram.
— Obrigado.
— Mas é sério. O que você vai fazer?
— Não sei. Não sei mesmo. Se tem uma coisa que eu não quero é fazê-la sofrer. E ela não quer me ver... Eu a amo, ela me ama, mas não me quer... Eu sei lá, Zac.
— Bem, cara... Mesmo quando ela te odiava, ela te amava, e até anteontem ela dizia que te odiava mais do que tudo... Mas vocês sempre ficaram juntos no final. E o destino sempre deu seu jeito de fazer vocês ficarem outra vez. Como quando vocês se esbarraram, ou na escola, ou mais recentemente, por causa da festa. Tudo vai se acertar, não se preocupa.
— E se não se acertar dessa vez, Zac? — Josh desabafou. — E se dessa vez ela simplesmente não quiser mais me ver? E se agora ela quiser viver sem mim, definitivamente? Eu não quero fazer ela sofrer mais por minha causa...
— Josh, presta atenção. Vocês sempre vão querer um ao outro, não importa o que aconteça. E você mesmo não disse que quer ajudar ela? Ficar com ela pra sempre?
— Sim, eu disse e é isso que eu quero fazer. Mas sempre que a gente começa a namorar ou a ficar acontece algo ruim que acaba separando nós dois... E se eu fizer algo de mal pra ela mesmo sem querer?
— Se eu conheço meu irmão, eu sei que ele não vai fazer nada disso. E o empecilho de vocês ficarem juntos naquela época se chamava Jenna Rice. Hoje ela tá casada com aquele fazendeiro rico e burro, então, não tem problema.
— Eu não estou falando da Jenna, que se dane ela. Estou dizendo agora do Jason. De mim.
— Josh, se eu me lembro bem, vocês eram feitos um pro outro, desde pequenos... e isso não vai mudar.
— Eu sei! E eu já disse isso pra ela! Desde que eu me entendo por gente eu a amo. E ela traiu aquele idiota do Bynum ontem, Zac...
— Tecnicamente, você se casou com ela antes, então não foi traição. — Zac disse e Josh, finalmente riu. — Estou dizendo, tudo vai se acertar como sempre se acertou... E mesmo que você não precise mais procurá-la, ela ainda é a sua promoter. E daqui a menos de duas semanas a sua festa acontece, General.
Josh sorriu um pouco e pensou.
— Você tem razão, Zac. Ainda tem a festa. E você não vai acreditar na idéia que eu tive agora.
— Hm... Esse é o meu irmãozão. Me diz aí.

*****

3 dias depois

— Ah, não. Só pode ser brincadeira... — Sarah dizia, com um brilho nos olhos. — ...Você gosta de Phineas e Ferb?
Luke abriu um sorriso.
— Claro! É o melhor desenho do mundo inteeeiro!
— É verdade! Encontrei alguém que me entende! Oh Deus, como eu amo essa criança. Vamos cantar, Luke: São três meses de férias, que passam depressa, curtir é a prioridade...
Sarah e seu mais novo amiguinho cantavam a música da abertura do desenho enquanto Jeremy e Hayley assistiam a cena.
— Essa é a coisa mais estranha que já aconteceu na minha vida. — Jeremy disse.
— O quê? — Katt disse, entrando na sala. — O fato de a sua namorada de adolescente ter a mesma idade mental do seu filho? — Ela riu.
Katt e Sarah haviam se tornado amigas.
Estranho?
Vocês nem imaginam como isso aconteceu.
Nisso tudo, Sarah voltou a falar com Jeremy e finalmente conheceu seu pequeno filho. O qual, agora, estava apaixonada.
Estava cedo e Hayley havia passado com Sarah na casa de Katt. Brendon estava desfalecido em seu sofá e Spencer... Esse só Deus sabia onde tinha se metido.
Sarah havia decidido ficar na casa dela até... tudo se resolver, digamos assim. E Brendon havia ido falar com Sarah na noite passada, mas acabou dormindo por lá.
— É só que é difícil acreditar que uma mulher de vinte e seis anos está cantando a música tema de um desenho animado com o meu filho de menos de dois aninhos de idade.
— Você fala como se a Sarah fosse a pessoa mais madura do mundo. — Hayley riu.
Jeremy suspirou.
— Você tem razão.
— E nós precisamos trabalhar, né Hayles?
— Sim, precisamos. — Hayley concordou com Katt. — Sarinha, amor, vamos voltar pra casa para você tentar reanimar o seu noivo?
— Já vou, Hayley. Eu quero saber o que acontece com a Candence depois que um esquilo entra na calça dela. — Ela realmente parecia interessada na narrativa do menino.
— Hm... ok, né. — Hayley disse confusa.
— Ahn... a porta tava aberta... fui entrando. — A voz masculina fez as três pessoas olharem para trás.
Jason estava lá.
— Que isso, cara. Você é de casa. — Jeremy.
— Valeu, amigo. Ahn... Hayley, podemos conversar? — Ele sorriu de canto.
— Claro. — Ela concordou. — Vamos lá... em casa. — Disse devagar, achando estranho tudo aquilo.
Jason a seguiu. Ela abriu a porta da frente e os dois deram com a figura de Brendon com uma camiseta branca e um short curto. Estava com as pernas para cima do sofá e a cabeça pendurada.
Jason riu.
— Só um minuto... tenho que acordar essa coisa. — Hayley foi até ele e começou a balançá-lo. Depois de muito trabalho árduo para tal, Brendon acordou.
Caiu no chão e se levantou rapidamente.
— Eu tô bem! Estou bem... Ai! — Ele passou a mão pelo cotovelo. — Hey Jason! Hm... que sono.
— Você já está dormindo aí há 10 horas, como pode estar com sono?
— Sei lá...
— O banheiro é por ali.
— Ahn, é. Tchau. — Ele bocejou e saiu da sala.
Hayley desfez a feição engraçada ao olhar Jason. Deu lugar a uma mais... preocupada, triste... culpada.
— Estava preocupada com você.
— Eu estava bem, não se preocupe. Só vim... deixar as coisas esclarecidas entre a gente.
Hayley suspirou.
— Olha, Jason, eu...
— Antes — ele a interrompeu. —, antes que você comece a se culpar, por favor, me escute. — Suspirou. — Eu não te odeio, Hayley.
Ela sorriu nervosa.
— Não?
— Não. — Ele sorriu. Estava sereno. — Eu... fui burro de esperar ter com você o mesmo que você teve com o Josh e não me interrompa, por favor. Você o ama desde pequena, e querer que você me amasse do jeito que você ama ele, era mais do que bobo da minha parte. Os momentos que eu passei com você nos últimos anos foram os melhores da minha vida, acredite. Mas... não fomos feitos um para o outro... E você só ficou comigo porque foi o mais fácil pra você... Infelizmente eu só fui perceber isso depois de tudo acontecer. Aconteceram... algumas coisas... E eu pensei melhor tudo o que aconteceu nos últimos tempos... Eu fui egoísta te pedindo um filho... Eu era inseguro. Eu queria o bebê justamente para que você não me deixasse. — Ele sorriu de canto. — Enfim... Eu sofri, errei, mas aprendi. A questão é que eu não sou o seu Romeu, querida Julieta. — Ele brincou e Hayley sorriu, sem mostrar os dentes.
— Eu sinto muito. Nunca foi minha intenção te fazer sofrer...
— Eu acredito em você. Mas... eu estou conformado. — Ele suspirou. — Vou começar uma vida nova, Hayley. Vendi minhas partes da empresa para o Jeremy e o Taylor ontem e... vou viajar... conhecer o mundo... ver gente nova... vou viver. Eu vou ser feliz e... eu espero que você faça o mesmo.
Ela sorriu e não respondeu.
— Hayley, eu já te aconselhei isso antes... Faz muito tempo, mas eu me lembro bem quando disse pra você voltar pro Josh. Sabe... ontem eu estava mexendo numas coisas antigas... Eu achei isso aqui. — Ele tirou um CD do casaco e entregou à ela. — É da nossa apresentação em Franklin. Veja só em My Heart, Hayley. A letra é a coisa mais bonita que existe. E... vocês... se amam. Mesmo brigando toda hora, vocês se amam... então... Segue seu caminho, Hayley. Eu quero que você seja feliz, e vocês dois, juntos, são felizes.
— Não. — Ela discordou. — Você foi meu instrumento de felicidade, Jason... sem você eu não vou ser feliz como antes... Ele... ok, é verdade, eu amo ele, mas isso não quer dizer que eu vá ser feliz com ele...
— Você só ficou comigo, linda, porque era mais fácil. Por que você sabia que eu não te faria sofrer. Mas as vezes o caminho mais difícil não é o pior. E muitas vezes, no fim do caminho mais difícil que se encontra a felicidade.
Ela olhou pra baixo.
— Me desculpa. Me perdoa, Jason, por tudo que eu te fiz. Eu errei muito com você e você não merecia... Me desculpa por mentir pra você, me desculpa por trair você... Me desculpa por todo o mal que eu te fiz, por favor.
Jason se aproximou dela e a abraçou, deixando um beijo na sua testa.
— Tá tudo bem... Isso foi uma provação pra mim também. Eu precisava aprender... Me lembrar de quem eu era... Eu estava esquecendo disso. — Eles se separaram. — Não precisa se desculpar. — Ele a olhou, ainda com serenidade. — Eu... posso pegar minhas coisas? Amanhã eu vou pra Londres.
— Londres? — Ela riu de canto.
— Sim. Descobri que adoro sotaque britânico, e bem... Purê de batatas com torta parece bem gostoso.
Eles riram.
— Tomara que você encontre alguém legal pra te fazer feliz como você merece. — Hayley disse.
— O mesmo pra você. Felicidades, Julliet. — Ele estendeu a mão.
— Felicidades, Romeo. — Ela apertou a mão dele e logo após ele subiu as escadas, em direção ao seu quarto.
Hayley respirou fundo, enquanto sentava-se.
Uma grande culpa e dor saíra de seu peito com aquela conversa com Jason.
Ele voltara a ser o Jason de antes. Voltara a ser o amigo, compreensivo, engraçado, Jason.
Levantou-se. Precisava trabalhar.
Foi até a casa de Kathryn andando e adentrou o lugar. Sarah ainda escutava a história que o garotinho de um ano e oito meses contava alegremente e Jeremy já havia ido trabalhar.
— Vamos? — Hayley perguntou a Katt.
— Assim que as crianças pararem de brincar. — Katt disse, rindo e andando em direção as duas crianças. — Sarah, ele tem que ir pra creche...
— Ahn... — Ela ficou visivelmente triste. — Faz o seguinte, deixa ele matar um dia de aula. Eu cuido dele direitinho, juro. — Sarah praticamente implorava a mãe do garoto.
— É, mamãe, deixa a tia Sarah cuidar de mim...
Katt olhou para os dois rostos pidões e concordou.
— Ok. Então, filhote, eu vou trabalhar. Dá um beijo na mãe. — Ela abaixou e recebeu um abraço e um beijo verdadeiro do menininho. Despediu-se de Sarah e saiu com Hayley pela porta da frente.
— Me conta, me conta. — Katt disse à Hayley, que riu.
— Tudo certo. — Ela continuou sorrindo.
— Como assim?
— Conversamos civilizadamente. Eu me desculpei, ele se desculpou... colocamos tudo em pratos limpos e agora, cada um pro seu lado. Como era pra ser. — Ela suspirou.
— Ele não está triste?
— Não... quer dizer, ele não parecia triste... parecia conformado... Ele disse que estava bem, e que queria uma vida nova... Vendeu a parte dele na empresa e vai viajar pelo mundo, ou algo assim.
— Bom pra ele.
— Ele disse que quer ser feliz. Eu estou feliz com isso, de verdade. Estava me sentindo péssima por ter feito o que eu fiz com ele.
— Que bom que tudo se resolveu da melhor forma.
— É o que eu diga. — Ela suspirou.
— E agora, o que você vai fazer?
— Como assim?
— Hayley, você ama aquele cara. E ele provou de todo jeito que te ama também.
— Mas eu pedi pra ele não me procurar, Katt. Eu não quero ele mais na minha vida, porque por mais que eu o ame, ele me trás sofrimento. Eu só não agüento mais, entende?
— Acho que sim...
— Eu estou contente. Estou realizada. Jason vai viver a vida dele e eu vou continuar trabalhando e tendo amigos maravilhosos. I'm content with loneliness.
— Ainda acho que você deveria reconsiderar, amiga. Agora você é solteira. E vocês foram feitos um para o outro.
— Estou bem do jeito que estou, Katt. Só vou fazer a festa, porque eu me comprometi a isso. Quanto ao resto... vou deixar acontecer.
Kathryn suspirou.
Falar com ela não adiantaria. Ela continuava mentindo para si mesma. De que estava contente sem ele. Estava feliz do jeito que estava.
Decidiu não falar mais nada. Mas isso não quer dizer que ela decidiu não fazer nada.

[...]

— ALANA! — Gritava o “homem”. — ALANA, PIRUA!
— Nicky, oi, aqui! — Ela respondeu, com medo.
Quando Nicky Mitchell se referia a uma de suas funcionárias como “pirua”, significava que a coisa havia ficado feia.
— Onde a senhorita estava na sexta-feira? EU LIGUEI PRA VOCÊ O DIA INTEIRO! — Ele batia o pé no chão enquanto falava.
— Tive que cuidar de um amigo.
— Tomara que ele seja da companhia de eletricidade, porque se isso acontecer de novo, a senhorita não terá como pagar a conta, ouviu? Eu precisei de você e tive que pedir pra uma promoter de Louisville pra cá porque a senhorita não estava aqui. Então, please baby, não suma outra vez. Pro seu próprio bem.
— Me desculpe, Nicky, mas eu não tive escolha. — Ela suspirou.
— Ok, não gosto de revirar o passado. Isso é só um aviso. Não suma outra vez.
— Não vai acontecer de novo.
— Ótimo.
— Mas pra quê você precisou de mim, mesmo?
— Agora não dá pra falar. Só não comente nada com a Hayley. Nada mesmo, ok?
Alana estranhou.
— Certo... não vou falar.
— Bom. Agora volte ao trabalho.
Alana assentiu e voltou ao seu lugar, na mesa entre Katt e Hayley.
— E aí, ele bateu em você? — Hayley brincou.
— Por pouco. — Ela riu.
— NICHOOOOLE! Preciso de você, RIGHT NOW!
— Ele tá de TPM hoje ou o quê? — Hayley disse, levantando-se. — Me desejem sorte.
— Boa sorte, amiga. — Katt disse e Hayley saiu.
Alana suspirou e colocou uma mão na cabeça.
— Ih... o que foi? — Katt perguntou, arrastando sua cadeira para a mesa da amiga e ficando perto dela.
— Nada. Estou ótima, ué.
Katt riu.
— Amorzinho, eu te conheço tem quase dez anos. Não minta pra mim. Me diz, o que houve? Você não está bem, e por mais que tente se fazer de feliz, eu estou vendo que não está. O que aconteceu?
Alana respirou fundo.
— Jason. — Começou. — Estava voltando do cinema quando encontrei ele bebendo no PUB, na quinta. Ele ficou sabendo da traição da Hayley e foi beber. Eu peguei ele e levei pra minha casa. Ele dormiu e tomou banho lá...
— Por isso você não veio na sexta.
— É...
— Mas... por que a tristeza?
— Eu perdi o controle. — Ela olhou pra cima, impedindo qualquer lágrima de cair. — Nós conversamos... muito, sabe... Eu não agüentei e beijei ele... E aí nós... — Ela suspirou.
— Ai, meu Deus. Não me diga que vocês...
— Sim. — Ela a interrompeu. — E quando acabou... ele me pediu desculpa e disse que não queria que a nossa amizade acabasse. — Uma lágrima caiu. — Amizade, Kathryn. Eu nunca vou ser mais nada do que isso pra ele.
— Por favor, não me diz que você não disse pra ele dos seus sentimentos.
— Como eu ia dizer? — Ela elevou um oitavo da voz. — “Você é a minha melhor amiga e eu não quero estragar isso.” Como eu ia dizer, “droga, eu te amo! Eu não sou sua amiga! Eu não quero ser a sua amiga!”? Eu iria afastá-lo, Kathryn! Ele ia sumir e não iria querer me ver, nunca mais! Você entende isso?
— Caramba, Ally, você que não entende! Não passa pela sua cabeça que se ele transou contigo é porque ele também sente algo por você? É do Jason que a gente tá falando, amiga, não é de qualquer outro homem. Ele é doce e sensível, ele não fica com qualquer uma, e se ele disse que não quer estragar a amizade, é porque ele não quer te perder. — Katt deixou a última parte com muita ênfase.
— Ele passou hoje de manhã lá em casa... — Ela já deixava algumas lágrimas caírem. — Disse que vai embora do país... — Ela mordeu o lábio inferior. — Você acha que se ele não quisesse me perder ele estaria fugindo de mim? Acha, Katt? Ele vai embora, pra outros países, vai viajar e esquecer aquela tarde, vai me esquecer.
— Você realmente não entende, né? Ele esqueceu a Hayley em menos de quatro dias, Alana. Entende isso? Eu achei estranho mas agora tudo faz sentido. Ele quer você, mas não quer que você se afaste. Ele está fugindo de você porque sabe que se você ficar com ele durante mais tempo, ele não vai se controlar. — Katt fez que não com a cabeça. — Você ama ele. E agora ele está solteiro. Então, você vai limpar essas lágrimas agora, sair dessa droga dessa empresa, chegar e dizer pra ele “eu te amo”, ouviu?
— Mas e se não for assim, Katt? E se ele realmente só quiser ser meu amigo?
— Ele vai embora amanhã. Me diz o que você tem a perder?
Alana pensou um pouco.
Mas teve os seus pensamentos barrados por uma voz feminina.
— Por que você está chorando, Ally? — Hayley perguntou, sentando-se ao lado das amigas. — Eu percebi que você não estava bem, mas não sabia que o problema era tão grande...
Katt olhou para Ally, que abaixou a cabeça.
— Hayley, temos uma coisa pra te contar.
Ela levantou as sobrancelhas.

[...]

— Você está me dizendo, Kathryn Camsey Davis, que Alana é apaixonada pelo Jason? OMG. — Hayley estava incrédula.
— I’m sorry. — Alana disse num fio de voz, ainda chorando.
— Desculpar? — Hayley riu. — Desculpar por quê? Minha linda, o que você está fazendo aqui?
— Hayles... eu não tenho como ir... Não tenho como dizer...
— Sim, você tem. — Hayley respondeu. — Jason é um ótimo cara, que merece uma ótima garota. Ally, você é a garota que ele merece. Gente, se eu soubesse disso antes não tinha ficado tão mal. — Hayley olhou para o lado. — Alana, amor, deixa eu te falar uma coisa: É muito melhor você se arrepender de algo que você fez, do que se arrepender de algo que você não fez... Vai lá, fala com ele.
— Hayley tem razão. Por mais que ela não siga os próprios conselhos, ela tem razão.
— Cala a boca. — Hayley bufou. — Você não tem nada a perder. E as chances de ganhar ficam muito maiores se você tentar.
Alana limpou as lágrimas com um dos braços.
— Vocês estão certas. Mas se eu sair agora o Nicky vai me matar.
— E quem disse que ele precisa ficar sabendo? Fica tranqüila, eu e Hayles cuidamos disso.
Ally riu e saiu correndo do quinto andar do prédio.
Hayley suspirou, feliz.
— Não acredito que a Alana gostava do Jason e eu não sabia disso.
— Não podia te dizer. Você era a esposa dele. — Katt deu de ombros.
— Eles ficam tão lindos juntos, se for olhar bem...
— Assim como uma certa promoter e um certo Coronel.
— Katt, já falamos sobre isso, por favor.
— Tá certo. Não digo mais nada. — Ela riu e olhou para a porta de entrada do 5º andar. — Falando no diabo...
Hayley olhou para onde Katt olhava e viu Josh adentrando o lugar, acompanhado de um outro oficial.
— Oh, Deus.
Ele veio até a mesa de Hayley.
— Precisamos conversar.
— Josh, eu deixei explicado na carta que...
— Eu não quero mais o outro salão. — Ele disse, parecendo indiferente ao resto.
— Ahn... Como?
— Você tinha razão. O primeiro salão é muito melhor. Tem a área onde vai acontecer a cerimônia e outra área para a festa, e realmente é melhor para os meus planos.
Ela sorriu de canto.
— Ahn... certo, ok. Que... ótimo.
— E mande um convite para as suas irmãs e o seu pai, em Franklin. Quero todos na nomeação. Inclusive, Kathryn — Ele se virou para ela. —, você e a sua família. O seu bebê também.
Katt sorriu.
— Estaremos lá.
— Era só isso, Hayley. Agora preciso saber onde está o Sr. Mitchell. — Josh passou os olhos pelo lugar. — Katt, pode me mostrar?
— Claro que sim.
— Mas... — Hayley interferiu. — Pra quê mesmo, que quer ver o Nicky?
— Ah, por causa do nosso Aaron, aqui. — Ele bateu nos ombros do rapaz. — Terá uma festa militar. Está sendo promovido a Coronel e vai me substituir com o pelotão.
— Exatamente. — O rapaz concordou.
— Katt? — Josh voltou a ela, que sorriu, e saiu com Josh e Aaron em direção ao elevador. Indo para o sexto andar falar com Mitchell.
Hayley achou aquilo tudo estranho. Josh... não havia dito nada... em relação aos dois...
Deu de ombros e voltou ao seu computador. Decidiu mandar um e-mail a Erica, para que ela já pudesse avisar a família da festa, que seria dali a 6 dias.

*****

Alana chegou ao hotel em seu Honda. Suspirou.
Era agora ou nunca. Tudo ou nada.
A hora da verdade.
Saiu do carro já estacionado e entrou. Foi direto em direção a recepcionista.
— Jason Bynum. Sabe qual é o quarto dele? — Ela perguntou enquanto mexia os dedos.
Estava nervosa. Muito nervosa.
— 402. Quem eu devo avisá-lo que está aqui?
— Alana. Alana Smith. — Ela respondeu. — Diz que é urgente.
— Um segundo. — A recepcionista colocou o telefone no ouvido. — Sr. Bynum? Alana Smith está aqui para vê-lo e diz que é urgente... Certo, mandarei. Obrigada. — Ela desligou o interfone. — Décimo quinto andar, quarto quatrocentos e dois. Pode subir. — Ela voltou os olhos para o computador.
— Obrigada. — Alana saiu correndo em direção ao elevador e apertou três vezes o botão de número quinze.
Suas pernas tremiam tanto que pareciam que iam fraquejar a qualquer hora. Seu coração batia tão rápido que parecia sair pela boca.
Não se lembrava da última vez que estivera tão nervosa.
A música que era para ser relaxante, apenas a deixava mais nervosa. Não havia ninguém no elevador e ela continuava mexendo os dedos um no outro.
Depois de longos 45 segundos, o elevador dá um bip e as portas se abrem. Ela sai andando rapidamente.
Anda pouco até achar o número do quarto. Respirou fundo. Esperou cinco segundos e bateu na porta.
Logo ela se abriu.
— Ally! — Jason a abraçou. Ele havia acabado de sair do banho (notava-se pelos cabelos ainda molhados) e o cheiro de sabonete com o seu maravilhoso perfume fez seu coração pular dentro de seu peito. Estava tão nervosa que temia desmaiar. Jason a soltou. — O que é tão urgente? Entra.
Ela adentrou a suíte.
— Então? — Jason fechou a porta.
— Não quero que vá. — Ela disse de uma vez, de costas para ele.
— Como assim?
Ela se virou e passou a fitá-lo.
— Não vai, Jason. Não vai embora. Por favor, não vá.
— Mas... Ally, eu... Não posso ficar aqui... Ainda não estou pronto para conviver com a Hayley, você já sabe...
— Mas eu não estou pronta para viver aqui sem você. — Ela disse, segurando-se para não chorar.
Jason sorriu.
— Como assim?
— Que droga, Jason! Eu não quero ser sua amiga! Eu não quero ser só uma amiga pra você! Eu não sou só isso! Eu amo você, ouviu? Eu não posso viver aqui sem você! Eu não vou ser feliz se você não estiver comigo, porque eu preciso de você pra mim... Eu preciso...
— Ally...
— Eu sei que você me quer só como sua amiga, mas eu não quero. Nunca quis! Quando nós estivemos juntos foi a tarde mais perfeita da minha vida...
— Ally... — Jason tentava falar, mas ela continuava.
— Por favor, Jason, não me deixa, não vai embora... Eu amo você e...
— Ally. — Ele sorria.
— Por que você está sorrindo? — Ele sorriu mais. — Droga, Jason, eu estou te dizendo pra ficar, implorando e quase chorando e você está... — Ela não conseguiu terminar a frase, pois Jason se aproximou e tomou sua boca com um beijo calmo e doce.
Suas línguas se entrelaçavam devagar e eles aproveitavam todo o momento. Sentiram que poderiam ficar a vida inteira ali, se beijando. Experimentavam agora, o amor que há tempos estava em seus corações. No caso de Jason, oculto pela vontade de ter outra mulher. Agora tudo parecia claro e limpo.
Ele amava Hayley. Como uma amiga... quase uma irmã.
Mas amava Alana como mulher. Queria Alana como mulher. E o melhor, ela também o queria como homem.
Quando os pulmões pediram por ar, eles se separaram, mas deixaram suas testas ainda coladas.
— Estava com medo. Quando ficamos juntos eu achei que havia me aproveitado de você... achei que tinha ficado com você pela dor que a Hayley havia me causado... Mas você não saiu da minha mente. A sua voz, o seu sorriso, o seu beijo... tudo ficou guardado em mim. E eu percebi que se continuasse a te ver freqüentemente, quebraria a cara assim como fiz com a Hayley. Mas agora... que você disse que me ama... Tudo muda. — Ele sorriu e selou seus lábios mais uma vez. — Eu te amo, Alana. — Ele disse baixinho e ela sorriu. Sorriu como nunca havia sorrido na vida. — Faz pouco tempo que descobri, mas eu te amo.
— Então fica. — Ela pediu outra vez e selou seus lábios novamente.
— Não posso... eu já disse... — Ele a beijou. — Vem comigo.
— O quê?
— Vem viajar comigo. Londres vai ser muito mais bonita com você. — Ele riu. — Vem comigo, Ally. Vem ser feliz comigo.
— Mas... eu tenho meu emprego...
— Eu tenho muito dinheiro na conta. — Ele sorriu. — Não vai faltar... e eu vou comprar o que você precisar e quiser... Sabe, a gravadora é a maior de Nashville, e eu tinha um terço. Vem comigo, Ally, e eu prometo que vou te fazer a mulher mais feliz desse mundo.
Alana sorriu.
Isso era um sim.

*****

6 dias depois

Eram sete horas da manhã, mas a garota de cabelos avermelhados já estava de pé.
O trabalho no salão de festa estava a todo vapor. Hayley estava no comando de tudo.
E fazia isso muito bem, por sinal.
Josh havia feito questão de chamar toda a sua família e todos os seus amigos para a festa. Christie e Scott iriam com Marcus (filho de Scott). Hayley gostava de Marcus, não gostava de Melanie. Vocês se lembram porque.
Erica, McKayla, Jessica e Joey já estavam hospedados em sua casa. Fazia alguns meses que ela não revia as irmãs e ficou maravilhada. Erica, havia se tornado uma bela adolescente, que agora tinha 16 anos. E McKayla, uma pré-adolescente de 11 anos, era muito esperta e inteligente.
Nada comparado a Isabelle na idade dela, por exemplo.
Mas Isabelle sempre fora uma exceção para tudo.
McKayla lembrava muito Hayley quando era pequena e realmente parecia ela. Era voltada para a música (já tocava piano) e já tinha dito a mãe que queria pintar o cabelo de laranja quando crescesse.
Erica e Belle continuavam melhores amigas.
E ah, sim, Erica estava namorando com um rapaz. Diferente de Belle, que nunca na vida havia tido um namorado sério.
E falando nela, também estaria na nomeação do irmão. Tanto ela quanto Zac e Nate. Nate levaria sua mulher e sua filhinha. Ele havia se casado há pouco tempo, para a surpresa de Hayley.
Jeremy, Katt, Sarah, Brendon, Spencer, Taylor, Dakotah... todos estariam lá.
Com a exceção de Alana e Jason. Bem, esses estavam curtindo a vida em London.
Com todas essas pessoas na nomeação, Hayley viu que tinha de dar o seu melhor. Nicky disse que a enviaria uma estagiária para ajudá-la no dia. Só que ela ainda não havia chegado.
Ela também havia conversado com Rachel Taylor e Trevor Kelly, os componentes da banda He Is We. Com o empresário deles e com eles, ela combinou de eles estarem lá pela tarde, para passarem o som. Alguns membros de turnê, não-oficiais, dariam o apoio necessário a banda.
O DJ também já estava contratado e os fotógrafos também.
Se não fosse convidada, ela chamaria Dakotah, que era uma ótima fotógrafa. Mas como fazia parte da lista de convidados, ela teve de chamar outros de confiança.
A única coisa que não deu certo foi o vestido que Hayley havia encomendado. Era azul e lindo, mas, misteriosamente, ele havia sumido. Felizmente ela achou outro, branco, mais lindo ainda. E deu sorte de tê-lo achado em cima da hora.
De fato, tudo estava nos conformes para a festa de hoje à noite. Mas isso não quer dizer que Hayley sabia de tudo o que aconteceria nessa festa. Ah, como ela estava enganada ao pensar isso...

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