22 de set de 2012

Capítulo 28

In a strange way, I think I love you



Pov. Josh

Era chato ver Hayley daquele jeito.
Cara, me sinto um idiota por pensar besteira dela.
Logo ela se acalmou e me contou direito o que aconteceu.
— E é isso Josh. Puxa! Eu... eu não quero tudo de novo!
— Olha Hayles, eu sei que você tá triste e com medo... mas sei lá, esse cara pode ser legal.
— Josh, não tem nem 2 meses que a gente voltou pra Franklin.
— Mas... hm... você não disse que eles eram amigos na adolescência?
— É...
— Então... nós éramos amigos quando crianças... na verdade, chegamos até a nos casar. — Ri, e ela riu também.
Era gostoso vê-la rindo. Era gostoso fazê-la rir, mesmo depois de tudo.
— Eu sei Josh... mas o Andrew era tão horrível, que eu... eu não consigo imaginar um cara com a minha mãe... eu sinto muito, mas ela simplesmente não sabe escolher. O meu pai, que foi com certeza o melhor dela, a traiu. O Andrew, meu Deus! Não tem nem como dizer... Eu não consigo pensar em um cara legal com a minha mãe.
— Acho que você precisa conhecer o cara antes...
— É... talvez você tenha razão.
— E de qualquer forma, se ele fizer alguma coisa, qualquer coisa contra você, você sabe, ele morre.
Ela riu denovo.
— Tô falando sério.
Ela veio até mim e me abraçou novamente. A apertei contra mim.
Logo depois meu celular vibrou. Era minha mãe.
Desliguei.
— Hayley... preciso ir... minha mãe tá me ligando...
Ela fez uma cara triste.
— Josh, por favor... eu... eu não quero ficar sozinha... fica comigo, por favor... só hoje, só essa noite. Eu não quero ver minha mãe... pelo menos, não hoje. Por favor, não vai.
Beijei o topo de sua cabeça.
— Ok, eu fico.
Ela quase sorriu e me deu um selinho. Ela se deitou na cama rosa e eu peguei o cobertor. Estendi no ar e pousei sobre ela. Ele cobriu o corpo inteiro. Ela tirou o cobertor da cabeça e me olhou com falsa raiva. Aqueles olhos verdes e inchados de tanto chorar, finalmente demonstravam alguma felicidade. Deitei do lado dela, e ela recostou a cabeça no meu peito.
— I climb, I slip, I fall, reaching for your hands, but I lay here all alone. Sweating all your blood...
— Você não está se deitando sozinha. — Disse ao ouvir-la cantarolar.
— Eu sei. Quando você disse que ia embora eu pensei nessa melodia.
— Quer... tentar? — perguntei.
— Ahn... tá... acho que vai me fazer relaxar.
Hayley se levantou e pegou um caderninho que prendia nele uma caneta. Ela escreveu um trechinho junto com outro.
If I could find out how, to make you listen now. Because I'm starving for you here”
— Hm... olha: With my undying love.
— Amor imortal?
— Não ficou legal?
— Ficou. — Ela sorriu. — And I... I... I will... breathe for love tomorrow... 
— ‘Cause there’s not hope for today.

— Incrível! — Ela disse escrevendo.
É ótimo o jeito que ela esqueceu do problema com a mãe.
A verdade é que quando você faz o que ama... tudo fica melhor. Você se esquece dos problemas... e aflições.
Foi rápido. Não demorou vinte minutos e terminamos a música-sem-nome.
— Breathe seria um nome legal.
— Acho que Until Tomorrow é mais apropriado. — sugeri.
— Não. Breathe é melhor.
— Hayles, sua teimosa. Se estamos falando sobre esperar até amanhã — dei ênfase — para amar, é apropriado que o nome seja Until Tomorrow!
— Josh, seu bobão. Se estamos falando para respirar — deu ênfase — até amanhã para amar, é apropriado que o nome seja Breathe, cabeçudo!
— Vamos ficar nisso o resto da noite, então, vamos deixar com os dois títulos. Tá bom pra você?
— Não... Breathe tinha que ser o único nome.
— Hayley eu tô tentando não discutir e resolver a situação...
— Tá. Tá. Tá certo. — Ela disse fazendo bico.
A peguei pela cintura e a beijei. Quando nos separamos, não desgrudamos as testas. Ela sussurrou:
— Me sinto uma idiota por dizer isso... mas acho que de um jeito muito estranho... eu amo você.
Meu sorriso largo foi inevitável. Senti como se tivessem 1000 borboletas no meu estômago. Borboletas? Deus, que coisa gay. Mas é sério.
Não consegui dizer nada, apenas a puxei pra outro beijo.
Tudo estava em perfeita transição, até que os nossos pulmões já imploravam por ar, e nós nos desgrudamos.
Ela me ama. Ela me ama. Ela me ama. Ela me... dá pra parar de pensar nisso? Obrigado.
Deitamos denovo na cama do mesmo jeito que antes. Eu meio sentado e ela deitada com a cabeça apoiada no meu peito. Deitei minha mão em sua cintura.
— Eu também amo você. — Sussurrei. Ela provavelmente não ouviu. Estava cansada. Provavelmente quase dormindo. Comecei a cantar.

Lifehouse – You And Me
Que dia é hoje
E de que mês?
Esse relógio nunca pareceu tão vivo
Eu não consigo prosseguir e não consigo voltar
Tenho perdido tempo demais
Porque somos eu e você e todas as pessoas
Com nada a fazer, nada a perder
E somos eu e você, e todas as pessoas e
Eu não sei porque não consigo tirar meus olhos de você
Todas as coisas que quero dizer
Não estão saindo direito
Estou tropeçando nas palavras você deixou minha mente girando
Eu não sei onde ir a partir daqui
Porque somos eu e você e todas as pessoas
Com nada a fazer, nada a provar
E somos eu e você, e todas as pessoas e
Eu não sei porque não consigo tirar meus olhos de você
Existe algo sobre você agora
Que não consigo compreender completamente
Tudo o que ela faz é bonito
Tudo o que ela faz é certo
Porque somos eu e você e todas as pessoas
Com nada a fazer, nada a perder
E somos eu e você, e todas as pessoas e
Eu não sei porque não consigo tirar meus olhos de você
Porque somos eu e você e todas as pessoas
Com nada a fazer, nada a provar
E somos eu e você, e todas as pessoas e
Eu não sei porque não consigo tirar meus olhos de você
Que dia é hoje
e em que mês?
Este relógio nunca pareceu tão vivo...

Olhei para ela. Seus olhos estavam fechados e a respiração pesada.
Missão cumprida. Ela havia dormido. E não estava mais tão triste.
Saí devagar debaixo dela e ela se agarrou ao travesseiro. Peguei a canetinha e escrevi no papel:

“4 de junho, na minha casa. Aniversário surpresa do Zac. Está mais do que convidada.
Fique bem, te vejo amanhã.
Josh”

Eu devia ter acrescentado o “eu te amo”... é, eu deveria. Mas... eu vou fazer isso de outro jeito.
Vou fazer direito.

[...]

Acordei com o despertador. 1 dollar para quem adivinhar o nome dele.
— BELLE, SUA PESTE! — Gritei. Meu rosto estava completamente branco coberto por... espuma de barbear.
Tenho que confessar, ela se supera a cada dia que passa.
— Isso é sua recompensa por ter chegado em casa tarde ontem. Mamãe até disse que eu podia. — Ela disse entre soluços de risos e saiu do quarto.
Vou ser castigado por isso até o fim dos tempos. Beijo aí.
Me arrumei, tomei café e fui para a casa de Hayley.
Decidi não tocar a campainha. Apenas me recostei e esperei ela sair.
Ela sempre se atrasa mesmo.
Logo depois ela saiu com a mochila nas costas. Me viu e sorriu.
— Eu vi o recadinho que você deixou — se aproximou e me beijou—, então quer dizer que o Zachary vai fazer aniversário?
— É... 15 anos. Bichinho tá ficando velho.
Rimos.
Saímos andando até escutarmos uma voz do fundo da rua.
A doida da Sarah gritando.
“Eeeeeeeei, pombinhos, esperem aí!”
Sarah veio correndo até nós e nos cumprimentou.
— Agora é todo dia, é? — Ela disse se referindo a eu ir buscar a Hayley. — Que lindo. Já pediu ela em namoro, Josh?
Olha, ela poderia ser um pouquinho menos direta.
— Ér...
— Sarah, ficou sabendo que eu estou em uma banda? — Hayley cortou imediatamente o assunto. Acho que ela percebeu que eu não conseguiria responder... pelo menos, não agora.
— Séério?
— Estamos, na verdade. — eu disse.
— Ah é? Como é o nome? Quem mais tá nela?
— O nome é... ahn...
— Paramore, Josh.
— É. Paramore. Estamos eu, ela e Zac.
— O Zac toca alguma coisa? — Ela perguntou estupefata.
— Sim, bateria.
— Puxa, que maneiro! Eu gostaria de entrar em uma banda. Meu loirinho que sabe tocar.
— Jeremy? — eu disse.
— Josh, ela por acaso tem outro loirinho?
— Sei lá, meu. Não duvido nada vindo de Sarah... é... como é teu sobrenome mesmo?
— Ahn, deixa pra lá essa parte do sobrenome. E EI! Eu só tenho um loirinho ok?
— Ok, ok. — eu disse em voz alta, cheguei ao ouvido de Hayley e sussurrei: — qual é o sobrenome dela?
Hayley começou a rir.
— Não consigo dizer.
— Meu sobrenome é Orzechowski, Josh. — Ela disse bufando.
— Uau. Quer dizer, é legal, assim... tipo, romeno e... é maneiro.
— É Russo. Você não tá ajudando.
— Calei.
E nós três rimos. Fomos conversando até a escola.
Chegando na frente do colégio ela viu Jeremy e foi ao seu encontro.
— E aí. — comecei a falar com Hayley — Você tá bem?
— Sim, sim. To bem melhor. Brigada, ontem você me ajudou muito. Eu... ainda tô com medo. Não quero que minha mãe volte a namorar... quando eu tava saindo ela disse que queria conversar comigo, sem falta, depois da aula...
— Entendo. Mas não se preocupa não, ninguém nunca vai fazer nada a você, ok? — A beijei.
E o beijo foi interrompido pelo maravilhoso som do sinal da escola. Espero que tenham entendido a ironia.
Dei um selinho rápido nela e ela foi pra sua aula. Jason estava indo pra sala com sua mochila. Nossos olhares se encontraram. Ele me olhou com raiva, e eu retribuí a altura.
Ok. Isso é o começo de uma rivalidade.
Sentei no fundo perto de Taylor. Aula de literatura. Não preciso nem dizer que nós passamos a aula inteira conversando, né?
Comentei sobre a banda, e ele disse que tocava guitarra. Combinamos de ele entrar se Hayley e Zac concordarem. Mas é lógico que eles concordariam. Convidei ele pro aniversário do Zac também.
Depois da aula de literatura, e da aula de biologia, finalmente, chegou o intervalo.
Fui para o refeitório, e tive uma surpresa ao chegar lá.
Acreditem, foi bem difícil tirar as mãos da Hayley do pescoço de Jenna.

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