11 de dez de 2012

Prólogo

ᡶ Anjo, salve-me! 




Olá, amores. Aqui estamos com o prólogo fatídico dessa fanfic que amo tanto ♥  Seguinte, vamos às explicações básicas, não falarei uma Bíblia (vcs #chocadissimos). Eu estudei pra baralho para poder escrever essa fanfic, vou te contar. Não tem como você escrever uma fanfic de época quando não sabe nada da época em questão. Mesmo assim, posso vir a errar, e vocês podem me corrigir à vontade <3 Enfim, que mais? O ano é 1942, meses depois dos Estados Unidos entrarem no grupinho puro amor dos Aliados (só que não). Espero que com essa fic vocês aprendam um pouquinho de história. Esperem um amor avassalador. Colocar uma música dramática pode ajudar na lida desse prólogo.
Okay! É isso. Ponha seus olhos em ação, e... boa viagem ♥ 




Frio.
O homem gemeu, a dor correndo em suas veias acompanhadas pelo sangue, os olhos embaçados como se ele houvesse acordado naquele mesmo momento. Frio. Tomou conta dele como uma onda, banhando-o com a pior sensação que já sentira na vida. Ele podia ouvir sua respiração frenética e lenta, podia ver sua pele suando, podia sentir o cheiro de doença que exalava daquela tenda erguida às pressas. Mas acima de tudo isso, ele sentia frio. Um frio controlador e interminável, que tomava desde os dedos de seu pé aos fios do seu cabelo. Enquanto os piores sentimentos e sensações, podres e maltratados, apoderavam-se dele com toda a voracidade, o soldado perguntou a si mesmo se fora isso que seu pai sentira pouco antes de deixar este mundo.
Joshua sabia que iria morrer. Seu organismo provavelmente aguentaria aquele dia, quem sabe o próximo. Talvez ele se mantivesse vivo por uma semana. Entretanto, ele sabia, seu destino fora assinado no mesmo momento em que ele contraiu a maldita doença tropical, comum naquelas terras norte-africanas, mas desconhecida para o soldado americano e todos os seus conterrâneos que definhavam pouco a pouco na mesma tenda. Como ele.
Mais uma onda de frio banhou seu corpo, fazendo-o gemer e encolher-se dentro de sua coberta suja. Ele não era o único que gemia; mais de cem homens se encontravam no mesmo estado, recebendo os cuidados das únicas duas enfermeiras designadas a tratarem os doentes. Joshua sabia que todos os homens que ali estavam, morreriam. A doença maligna era cruel, não tinha escrúpulos ou preconceitos; atacava impiedosamente, corroendo e matando seu portador sem o menor vacilo, dia após dia, segundo após segundo. Além do frio imensurável, consequência da pior das febres, Joshua perdera todo o apetite e sabia que isso causaria, no fim, outras doenças piores que acabariam matando-o. Da mesma forma que matara tantos outros.
Por isso os três sargentos responsáveis por aquela missão, dois americanos e um inglês, jamais gastariam muita mão de obra com homens que de certeza morreriam. Para mais de cem homens, duas mulheres, que provavelmente não muito sabiam de enfermagem; apenas serviam seus respectivos países da melhor maneira que podiam. Joshua, o soldado, não culpava seus sargentos por disponibilizar tão pouco recurso para a maldita doença tropical que ele sequer sabia o nome e que se tornara uma epidemia desde que a operação começara, três meses atrás. Sabia que muitos homens eram bombardeados, baleados, esfaqueados ou explodidos nas batalhas. Sabia que, para eles, ainda havia alguma esperança de continuar lutando ou apenas sobreviver.
A situação era diferente para ele.
Céus, sua cabeça parecia explodir a qualquer momento, e o maldito frio não ia embora. Respirando com dificuldade, mais um gemido saindo dos lábios, Joshua desejou verdadeiramente morrer de uma vez. Não aguentava mais. Não conseguia pregar seus olhos, não conseguia colocar nada em sua boca. Tudo o que fazia era gemer, cada vez mais, de pura dor e puro sofrimento. Somando isso à profunda frustração e dor emocional, o soldado suspirou, sabendo que não se recuperaria.
Ele falhara.
Iria morrer.
Não defendendo seu país, mas como escravo de uma doença tropical. Jamais lutaria novamente em uma batalha. Jamais colocaria para fora toda a sua raiva.
Jamais vingaria a morte de seu pai.
Pela centésima vez, Joshua engoliu o nó que fechava gradativamente em sua garganta, acusando-o de tudo que havia dado errado. Lembrando-o do olhar vazio de sua mãe, inconsolada por perder um marido e, quase consequentemente, um filho. Lembrando-o do sorriso sincero de seu pai, que sempre fora o mesmo desde que Joshua podia se lembrar, apesar das dificuldades que vivera na sua vida. Lembrando-o de quando ouviu no rádio sobre o bombardeamento em Pearl Harbor e desesperou-se, em meio a tantos outros jovens, até chegar-lhe a notícia de que seu pai estava morto. Lembrando-o de sua promessa de morrer vingando a morte dele, na maldita Segunda Guerra, acabando e aniquilando todos os Nazistas e Japoneses que podia.
Um soldado da linha de frente, com uma quase ampla habilidade bélica. Um fuzileiro frio, que não tinha medo de matar ou morrer, munido da sede de vingança que queimava seu ser, e que de certo seria útil para sua pátria.
Agora morreria por ter sido infectado por uma doença maligna.
Nem mesmo a dor, nem mesmo o frio, nem mesmo a vontade de chorar, eram maiores do que a frustração que Joshua sentia por morrer sem cumprir nenhuma de suas malditas promessas. Malditas. Malditas promessas. Maldita doença. Malditas batalhas. Malditos Nazistas, maldito Eixo. Maldita tenda, maldita dor de cabeça. Maldita guerra.
Embora sua pele estivesse molhada de suor, mais uma onda de calafrios banhou seu corpo e fê-lo gemer com uma última súplica à morte. Joshua fechou os olhos, sem se importar com as duas únicas lágrimas que desceram pela sua face, e apertou os punhos com a pouca força que tinha. Sentiu seu próprio peito sujo subir e descer abruptamente, atordoado demais, assim como o resto do corpo e a mente do jovem homem de vinte e um anos. Sentiu sua cabeça martelar de dentro para fora como se fosse explodir-se em mil pedaços. Sentiu a náusea apoderar-se de seu estômago como se dele fosse dona. Sentiu o coração sangrar, frustrado e exausto, dolorido e sem esperanças, entregando-se àquele destino terrível. Com mais uma lágrima descendo no rosto, Joshua mergulhou na maldita dor e lá permaneceu, encolhido, esperando que ela o afogasse.
— Perdoa-me, meu pai — murmurou ele, tão baixo que quase não pôde escutar sua própria voz doente. — Receio não vingar-te como prometi. Perdoa-me por ceder. Perdoa-me por ser fraco. Perdoa-me.
As lágrimas queimando seu rosto, Joshua tossiu, provocando a dor que se espalhava e domava seu corpo jovem sem piedade. Seus olhos continuavam fechados, submersos na escuridão, na dor, no sofrimento.
Só se abriram novamente quando ele sentiu mãos delicadas tocarem seu rosto.
Um anjo. Foi o primeiro pensamento que se fez no pensamento do jovem, quando ele deixou os olhos castanhos chocolate se prenderem na figura que estava à sua frente. Entreabriu sua boca e por um segundo esqueceu-se de sua dor, seu cansaço, sua frustração. Esqueceu-se de tudo o que era, enquanto, fascinado, via os belos traços dela, do anjo, que agora o olhava como se estivesse momentaneamente paralisada. Seus olhos, verdes e profundos, agora dilatados, encaravam-no com mais intensidade do que outros olhos jamais fizeram. Sua pele, branca e delicada. Sua boca, rosada e bem delineada, parecia querer pronunciar palavras que estavam presas.
Ela suspirou e abriu a boca mais algumas vezes, tentando dizer algo.
— Pierre... — por fim, foi essa a palavra que o soldado pôde ouvi-la dizer, atordoada demais para retirar as mãos de seu cabelo molhado de suor. Mais uma onda de calafrios banhou seu corpo, inoportunamente, e Joshua fechou os olhos para gemer e tossir. Voltou a encontrá-la, tão linda, tão angelical, tão profundamente espantada, posteriormente.
Mas ele também estava espantado. Não conseguia acreditar que alguém tão incondicionalmente perfeito existiria. Ela era... um anjo. Um verdadeiro anjo.
Finalmente se mexendo, ela saiu da frente de Joshua por um segundo para virar-se e segurar um copo de alumínio, anteriormente apoiado em uma precária mesinha ao lado da maca. Voltou sua atenção para ele em seguida, novamente prendendo suas órbitas verdes e maravilhosas nos olhos dele. Passou os dedos brancos e macios delicadamente pela sua testa, como um milagre fazendo sua dor de cabeça desaparecer por inteiro. A mão dela correu pelo seu rosto, acariciando seu cabelo fino e liso, provavelmente maior do que o soldado se lembrava.
— Beba — disse ela, com muita cautela, pousando o copo de alumínio nos lábios do soldado. Sua voz soou firme, mas ao mesmo tempo, rouca e vacilante. Suave como uma pluma que acariciava-lhe a alma. Bela como a melhor das sopranos.
Ainda atordoado, fascinado, Joshua inclinou sua nuca para frente para que o líquido adentrasse sua garganta. A água estava quente, meio salobra, com um leve gosto de alumínio.
Mesmo assim foi o melhor gole d’água que Joshua já havia tomado.
— Isso — novamente ele escutou sua voz, enquanto ela pousava lentamente sua cabeça de volta na maca. Ainda corria os dedos lentamente pelos seus cabelos, os olhos verdes fascinados encarando cada traço de seu rosto, a áurea branca de seu uniforme e o louro acobreado de seu cabelo dando-lhe o tom certo de cores a um anjo. Um anjo perfeito.
Joshua desejou que ela não fosse embora. Desejou tê-la junto a ele até a hora de sua morte, quando chegasse. Desejou... que ela não o deixasse. Não agora.
— Eu agradeço — ele conseguiu dizer quando ela retirou o copo de alumínio de seus lábios e tentou, verdadeiramente, guardar todos os traços dela em sua memória. Desde seus olhos verdes ao seu corpo pequeno, o toque de sua pele macia que parecia operar milagres quando se chocava com a dele, os traços angelicais de seu rosto pálido. Sua voz misericordiosa. Seus lábios rosados. Agora ela novamente acariciava seu rosto, encarando-o com tanta intensidade que seu olhar parecia ir além dele, penetrar sua alma, conhecer todo o seu coração. A ponta de seus dedos passou pela sua bochecha coberta pela barba, continuando cautelosamente até o cabelo mais uma vez. Quando não olhava para seus olhos, ela parecia que choraria a qualquer momento. — Talvez... eu não esteja em condições apresentáveis, mas... gostaria de dizer que... a senhorita mais me parece um anjo.
Uma linha de admiração cruzou o rosto dela, de maneira simples e aparentemente pequena, mas para Joshua já era tudo o que precisava. Um comentário como esse em um dos bailes que costumava frequentar até poucos meses atrás deixaria uma moça corada. Entretanto, agora, ele apenas externava os mais íntimos de seus pensamentos.
Ela parecia um anjo. O mais belo dos anjos.
Lentamente, ele a viu abaixar-se até ficar no mesmo nível de altura dele. Seus olhos verdes encararam-no com a maior das voracidades e o pequeno aperto das mãos macias em seu rosto se tornou mais forte. Ela entreabriu os lábios, lentamente, e suspirou antes de dizer:
— Você ficará bem, Soldado — as palavras ecoaram pela sua garganta suavemente. Os dedos dela correram pelo cabelo de Joshua mais uma vez. — Posso prometer-te.
Foi a primeira vez, desde a contração da doença, que Joshua deixou-se acreditar que poderia sobreviver. Mesmo já estando quase morto.
Mas ela era seu anjo. Ela iria renascê-lo.





Eita! Chegamos ao fim deste prólogo!
Tá, também não falarei uma Bíblia aqui ASKAOPSKAOPSK tenho mais o que fazer, e não tenho muito a dizer. Enfim. Só faço uma pequena observação para dizer que a Doença Tropical tantas vezes citada também não é inventada. O nome dela é malária, e ela é comum em áreas tropicais, como o Norte da África e a Floresta Amazônica. PAOSKPAOKS E O QUE O JOSH SENTIU É MAIS OU MENOS O QUE UM DOENTE SENTE. Meu pai, nativo do Pará, já teve malária 1982719827127 vezes e me disse "você sente frio. Frio pra caralho. Quer se embrulhar. E morrer." Então dá pra ter uma ideia.
Não cheguei a conhecer meu avô paterno por causa dessa doença do cão. '-'
Enfim. A malária não era curável na época da 2ªGM por falta de recursos. Quando você vai prum lugar de um clima mais estável, sua situação melhora. Obviamente esses soldados não eram medicados.
E, mais uma vez, isso é fictício.
MAS POR FAVOR, DIGAM O QUE ACHARAM DESTE PRÓLOGO <3 GENTE, ESCREVER ELE FOI TIPO... S2 Eu não sei o que acontece com essa fic, mas eu começo a minha singela narrativa e me perco completamente. Meus sentimentos entram todos em convulsão. Sou apaixonada por essa ideia, por favor POAKSPAOSK 
Enfim, eu peço encarecidamente que comentem pra mim. Vocês ainda me movem. Ainda são tudo pra mim. Preciso saber se ainda estão comigo após o término da OAV <3
Nos próximos dias, aguardem postagens de fanfics mais alegres e atts dessa Renascer. Até mais.
Muito amor,
Sarinha. 

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