23 de set de 2012

Capítulo Bônus

This is war



Escutem a música This Is War – 30 Seconds To Mars enquanto leem. Quando acabar, repita.

O dia não havia clareado, mas ele já estava de pé.
Estava vestido elegantemente em sua farda com diferentes tons de verde.
Ele colocou os dedos por trás do lábio inferior e rodou o fecho do piercing, retirando-o em seguida. Guardou-o em uma caixinha e o colocou no criado-mudo. Olhou-se novamente no espelho.
O cabelo recém cortado (mais curto, porém não totalmente) estava perfeitamente penteado. A farda realçava seus músculos definidos e os seus olhos, profundamente castanhos, estavam sem brilho.
Estaria ele fazendo a coisa certa?
Lutar pela sua nação sempre fora o certo para ele. Mas então, por que agora parecia tão errado?
Talvez por que antes ele não havia o que realmente deixar. Talvez por que antes ele não fizesse ninguém sofrer, a não ser, sua família. Mas estes o amariam incondicionalmente independente de suas escolhas.
Josh se sentia mal. Estava realizando seu sonho e promessa de adolescência, mas ainda assim, não havia bom sentimento nele.
Uma lágrima pesada ameaçou cair de seu olho, mas ele a repreendeu com o polegar antes que ela alcançasse a bochecha. Respirou fundo, arrumou sua postura e, sem forçar sorriso, saiu da frente do espelho.
Pegou sua pequena mala que estava por cima da cama e saiu do quarto, fechando a porta.
O sol ainda não havia dado sua existência naquele canto dos Estados Unidos, mas a família Farro estava acordada, reunida na sala de estar, quando Josh chegou já pronto para ir.
Abraçou a mãe e os dois irmãos ali presentes.
Zac desistiu de tentar fazê-lo não ir, e por isso, apenas o desejou boa sorte. Numa hora dessas, Josh precisava de uma palavra confortante — palavra essa, que nenhum de seus amigos havia dito.
Entrou no carro, no banco do passageiro e sua mãe o levou até a rodoviária de Brentwood, onde o ônibus da mesma cor de sua farda já o esperava. Não só a ele, mas também os outros rapazes que escolheram o mesmo destino.
Deu um último beijo na mãe e depois de receber a sua benção, entrou no ônibus, que se dirigia a Louisville, para preparar por dois meses os rapazes jovens.
Lá eles aprenderiam a viver com poucos suprimentos, atirar, e pensar como soldados que agora eram (pois haviam passado em todos os testes exigidos pelo exército americano).
Josh estava em direção a maior provação de sua vida. Seu corpo se deslocava para outro estado, mas sua mente continuava no Tenneessee. Continuava em Franklin. Continuava em Hayley.
— Ahn, oi. Eu posso me sentar aqui? O lugar tá vazio e o outro cara parece encrenca... — Um rapaz, pouco mais alto que ele, de olhos verdes, rosto moreno e vestido igual a ele o tirou de seus pensamentos. Josh se afastou para a janela e deu um meio sorriso.
O rapaz se sentou.
— Sou Nathaniel Vanderburg. — Ele se apresentou. — Mas me chame de Nate.
— Joshua Farro, me chame de Josh. — Ele disse. — Tenho um irmão que se chama Nate.
— Se me permite dizer, Josh, seu irmão tem um belo nome. — Ele disse, arrancando uma risada de Josh. — Mas e aí, preparado?
Josh demorou um pouco para responder.
— Sim... estou.
— Legal. Estou determinado a lutar pelo meu país. Morrer se for preciso. Mas.. sendo sincero, acho difícil eu passar da preparação. — Nate disse rindo.
— Você é forte. Creio que passe. — Josh disse. — Eu... bem, estava determinado assim como você... até algumas semanas atrás.
— Hm... aposto que tem a ver com mulher. — Nate disse e Josh se surpreendeu.
— É... — Ele disse rindo. — Pior que é.
Josh passou quase toda a viagem de ônibus conversando com seu novo amigo. Descobriu que ele não tinha parentes próximos e morava de favor com a tia, decidindo por isso, alistar-se. Era judeu e boxeador (o que explicava os músculos evidentes nos braços) e tão patriota quanto esperado. Seu pai havia morrido na guerra.
Josh contou em partes sua vida para ele. Contou de Hayley também. Sobre sua infância e adolescência juntos, e como a deixou. Disse também que ainda a amava, e que iria amar para sempre.
Percebendo que Josh não se sentia bem, Nate o animou com suas brincadeiras.
Em algumas horas eles chegaram a Louisville. O pelotão saiu em fila indiana e foram indicados a irem preencher alguns formulários, receber alguns instrumentos e é claro, cortar o cabelo.
Depois de todas as coisas feitas, os soldados foram para os seus dormitórios. Nate aceitou dividí-lo com Josh de bom grado. Faziam poucas horas que se conheciam, mas já eram amigos.
Passaram a noite jogando alguns jogos que Nate havia trazido para se entreter (baralho, damas, banco imobiliário...) e conversando sobre suas vidas. Até que por volta das 10 da noite decidiram dormir, afinal, as 6 da manhã do dia seguinte, deveriam estar prontos para o primeiro dia de treinamento.
Deitou-se em sua cama com o colchão duro e se embrulhou com o cobertor.
Seu pensamento foi direto para ela.
A voz de Hayley cantando Until Tomorrow começou a ecoar em sua cabeça. Breathe (Until Tomorrow), aliás. Afinal, eles tinham combinado de deixar os dois nomes na música, para acabar com a discursão e se beijarem.

“— Me sinto uma idiota por dizer isso... mas acho que de um jeito muito estranho... eu amo você.”

As lembranças daquela noite corriam como um raio em sua cabeça. Não só daquela noite, mas de todas as outras que ele pode tê-la em seus braços.
E junto com a sensação de ternura que o envolvia, veio a culpa. E aquele sentimento de estar fazendo a coisa errada.
Josh apertou os olhos e relaxou o corpo. Agora não tem mais volta.
Com Hayley no pensamento, adormeceu.
Foi acordado às 5h30 da manhã por Nate e se vestiu rapidamente. No banheiro, jogou um pouco de água gelada no rosto, tentando acordar de vez.
Pontualmente as 6h00 da manhã, todos os novatos (e alguns “veteranos”, que na verdade estavam ali a pouco mais de um mês) estavam alinhados.
O general chegou. Tinha óculos escuros no rosto. O tirou e olhou os soldados, que mantiam firme o olhar no horizonte.
— Sentido! — Ele gritou. Os soldados, num movimento brusco, colaram os braços ao lado de seus corpos, mantendo uma postura perfeita. — Sou o General Jonhson. Vocês, vermes, estão aqui para treinamento antes de servirem a Pátria na guerra. No treinamento vocês vão aprender a sobreviver em guerra. Passarão maus bocados aqui, meninas. — Ele disse rindo. Os soldados continuavam em posição de sentido. — Se saírem por aquele portão sem ser expulsos, desistindo, ou num caixão, será para servir à América.
O General passou perto de todos os rapazes devagar e parou em Josh.
— Nome. — Ele disse.
— Joshua Farro, Senhor! — Josh gritou.
— O que é esse buraco no seu lábio, Joshua? — Ele perguntou calmo.
Josh engoliu seco.
— Responda! — Ele gritou no rosto de Josh.
— É um furo de um piercing, Senhor! — Josh respondeu.
O General Jonhson deu uma gargalhada gostosa, como se Josh tivesse contado uma piada. Logo depois voltou a sua face carrancuda.
— Um brinco no lábio, Joshua?
— Sim, Senhor!
— Você não acha isso muito gay?
— Não, Senhor!
— E vocês, vermes, não acham que é viadisse ter um brinco no lábio? — Ele disse e todos os soldados responderam “Sim, Senhor!” em uníssono. Todos, menos um.
— Eu não acho, Senhor! — Nate respondeu, com o olhar ainda no horizonte.
— Seu nome.
— Nathaniel Vanderburg, Senhor!
— Você está me contextando, Nathaniel?
— Não, Senhor! Apenas discordo que um piercing seja sinônimo de homossexualismo, Senhor!
Jonhson deu um meio sorriso sarcástico.
— 500 FLEXÕES, AGORA! AS DUAS MENINAS! — Ele gritou, referindo-se a Josh e Nate. Os dois deitaram imediatamente no chão e passaram a fazer as flexões.
— Você e você. — Jonhson apontou para dois soldados.
— Sim, Senhor! — Os rapazes responderam em uníssono.
— Coloquem um pé nas costas deles.
— Sim, Senhor! — Os soldados engoliram seco e cumpriram a ordem do General, enquanto os outros assitiam a cena e concluíam duas coisas:
A primeira é que esses dois meses seriam mais longos e difíceis do que eles imaginavam.
A segunda é que... bem, o General é um filho da mãe.
Com o passar dos dias o General foi tão mau como esperado. Josh e Nate combinaram de não desistir, apesar de tudo. Muitas foram as vezes que Josh e Nate foram obrigados a trabalharem dobrado para comer. Os soldados que se aproximassem deles eram igualmente punidos, o que fez praticamente todo o pelotão excluir os dois jovens.
Ao final de cada dia, naturalmente, os dois estavam acabados. Mas mesmo assim Nate conseguia animar a Josh com suas piadas e imitações (perfeitas, devo dizer) do General Jonhson. Josh se deu conta de que sem Nate, a vida dele ali seria um inferno completo.
Mas eles não desistiram. Cumpriam cada exigência desumana de Jonhson com a cabeça erguida, e mostravam todo o profissionalismo e a vontade de cumprir a meta. Isso irritava o General, mas intrigava também. Geralmente, quando ele queria um homem fora de seu pelotão, conseguia. Mas esses dois estavam firmes e fortes, ali, trabalhando.
O bom de tudo isso, é que como os dois tinham uma rotina muito mais dura do que as dos demais soldados, ganhavam mais massa e músculos.
Ao final dos dois meses de trabalho, os braços de Josh tinham aumentado um terço de tamanho. As costas estavam muito melhor desenhadas e seu peito, então, nem é necessário dizer. Sua barriga tinha um tanquinho perfeito. Nate, por sua vez, mudara mais no peito e barriga do que nos braços (afinal ele já os exercitava de maneira absurda no boxe).
E enfim, chegou a hora de partir para Israel. Josh e Nate estavam felizes por fazerem parte da metade dos homens que passariam, mesmo tendo sido muito difícil e humilhante estar ali. Foi uma provação.
Eles estavam no dormitório, arrumando as malas. Ao terminar a dele, Josh foi até o amigo. Ele segurava uma foto antiga de um homem em farda, com a mão no peito esquerdo e um sorriso verdadeiro nos lábios.
— É seu pai? — Josh perguntou. Não sabia que Nate havia trazido fotos consigo.
— É. — Ele disse sorrindo. — Vou finalmente honrá-lo.
— Com certeza. — Josh sorriu.
— Posso te pedir um favor, Josh? — Ele perguntou, olhando finalmente nos olhos de Josh.
— Claro que sim.
— Se... — ele pigarreou, balançando a cabeça negativamente em seguida. — Se acontecer algo comigo... Se eu não voltar...
— Ei, pare com isso. É lógico que você vai voltar. Nós vamos voltar.
— Josh, estamos indo para uma guerra.
— Eu sei. Mas... prefiro pensar que vai dar tudo certo.
— Mesmo assim. Se eu não voltar... eu quero que você entregue esse caderno... — Ele colocou a mão dentro da sua bolsa, retirando um pequeno livro preto de dentro dela. — ...para a minha sobrinha... Ela foi a única que me implorou para eu não vir... Eu tenho escrito todos os dias nele, para poder entregar a ela caso eu não volte. Você é a única pessoa que pode fazer isso por mim.
— Mas... você nunca me disse nada disso...
— Não achei necessário. — Ele disse rindo. — Enfim, só faça isso, caso acontecer alguma coisa.
— Eu não vou precisar. Vai dar tudo certo. Vamos lutar, defender nossa Pátria e voltar para casa.
Nate riu.
— Gosto do seu otimismo.
— É a convivência. — Josh disse e os dois riram, um pouco antes de começarem a trocar socos (não eram fortes de verdade. É só uma brincadeira que Nate fazia. O esporte fazia falta na vida dele).
Após tudo pronto, eles pegaram suas malas, colocaram seus chapéus militares (que haviam ganhado após terminar o treinamento. E sim, eles tiveram que ser entregados pelo General Jonhson!) e saíram do dormitório em direção à grande pista, onde o avião militar já os esperava.
Acomodaram-se nas poltronas e o vôo tomou início. Agora sim, eles estavam indo em direção à guerra.
Josh passou praticamente toda a viagem pensando em sua família, em Hayley, e na carta que ele havia escrito um dia antes. Agora ele não receberia mais cartas. Era a última.
Se lembrava de cada palavra que havia usado.

“Oi mãe. Belle, Zac, Nate.
Bem, você perguntou como estou indo e devo dizer que estou indo bem. Apesar da rotina dura de trabalho e treinamento e de uma indiferença que o General tem contra mim, sinto que vou conseguir terminar o treinamento com êxito. Aliás, amanhã acaba, então...
Fiz um amigo! Ele me ajudou durante todo o tempo e eu já o considero como um irmão. Inclusive, ele tem o mesmo nome de um irmão meu. Se chama Nate. Espero um dia apresentá-lo a você, Zac, Nate (seu chará) e Belle.
Como eu dizia, estou indo bem aqui no treinamento. A única coisa que me incomoda são vocês... a distância e a saudade estão me matando.
Devo dizer que a culpa também, mãe.
Toda noite (toda noite mesmo) eu sonho com Hayley. E se o treinamento não fosse extremamente duro e desgastante, eu pensaria nela cada segundo do meu dia. Sinto-me mal por deixá-la.
Não vou perguntar como ela está. Você não poderá me responder tão cedo, afinal, daqui a dois dias estarei indo rumo a Israel. Mas... se a encontrar... diga a ela que eu quero que ela seja feliz. Diga à ela que eu me desculpo por quebrar todas as promessas que fiz. Me desculpo por a ter feito sofrer. E.. diga que eu ainda a amo. Mais do que tudo. E que... sempre vou amar.
Bem, mãe, é isso. Dê um beijo em todo mundo.
Eu amo vocês.
Josh.”

Suspirou.
Josh se sentia extremamamente mal por ter deixado Hayley.
As boas lembranças deles dois juntos vinham a memória como um raio, sem ele ao menos deixar. Vinham nas piores e melhores horas.
Hayley estava com ele em todos os momentos.
Sempre que se lembrava dela uma onde de ternura o envovia. É como se ela estivesse ali dando força a ele. A culpa vinha quando as lembranças ruins o envadiam. Essas, as das brigas feias. Como a vez que eles discutiram por telefone pela primeira vez... A vez em que ele a viu se agarrando com Van, a mando de Jenna... e principalmente, quando ela descobriu que ele estaria onde estava agora.
Por isso Josh tentava suprir apenas as boas lembranças, ficando assim, feliz quase todo o tempo. E sim, Nate o havia ajudado muito naqueles dois longos e difíceis meses de treinamento. Mas Josh sabia de que se ele não se lembrasse de Hayley sorrindo, ou cantando, ou pulando no palco, ele não teria saído do primeiro dia no treinamento. Ela era a sua força.
E Josh prometeu, então, que voltaria para ela. Independente do que acontecesse. E essa promessa ele iria cumprir.
Após chegarem em Israel, Josh, Nate, e todo o pelotão não demoraram muito para conhecer o que realmente era uma guerra. Mesmo que a rotina no treinamento tivesse sido absurdamente ruim, nada se comparava àquele lugar.
Eles chegaram e foram levados a algumas casas improvisadas em madeira e palha, onde haviam redes e camas mal-feitas para dormirem.
Em outro saguão, havia o lugar onde os feridos da guerra ficavam. Era triste de se ver tudo aquilo. Doentes por alguma bactéria, em alguns casos, enloquecidos por problemas psicológicos, e, na maioria dos casos, atingidos por bala, ou pior, bomba. A maioria dos que ali entravam, morriam, por falta de recursos. Os que ainda podiam lutar, lutavam. Os que não tivessem mais condições, eram levados de volta a América. O que era frustrante para eles.
O lugar inteiro parecia uma pequena cidade povoada de soldados e cadetes. Nas “ruas” alguns soldados marchavam, levantando a poeira fofa do chão. Outros, andavam tranquilamente (porém, ainda com a escopeta presa ao traje). E apesar de parecer uma pequena cidade, era bem afastada da civilização daquele país.
Se fossem atacados pelos soldados israelitas, eles saberiam muito antes. Haviam homens disfarçados e informantes que os avisariam de todo e qualquer ataque. Por isso, a “cidade americana” que ficava em Israel, era de certa forma segura.
Josh e Nate, por serem muito fortes e corajosos, foram convocados a lutar na linha de frente. Atirando, dirigindo tanques de guerra, enfrentando homens israelitas. Assim como o pai de Nate.
Eles ficavam o dia inteiro lutando, se escondendo, pensando e agindo. Atirando. Matando. Honrando o país. E à noite, dormiam, enquando eram substituídos por outros soldados.
Os dias e meses foram passando. Os dois amigos continuavam na guerra, lutando. Muitos do pelotão deles haviam morrido. Eles continuavam lá. Durante dois anos.
Era aniversário de Nate nesse dia. 10 de Janeiro. Eles estavam atrás do tanque de Guerra, com armas potentes nas mãos, atirando nos inimigos.
Até que os olhos verdes de Nate avistam dois olhos escondidos entre a mata, a no máximo, 5 metros deles.
Uma onda de medo invadiu Nate quando ele viu a ponta da arma apontando para Josh. Nate gritou. E então, foi como se a cena ficasse em câmera lenta.
Nate gritando o nome do amigo, Josh olha para ele e Nate se joga a sua frente. Uma explosão.
E Nate cai por cima de Josh.
O soldado some entre a mata.
Nate começa a cuspir sangue.
Josh o olha e ele estava sangrando no peito esquerdo. O tiro à queima roupa havia passado pelo seu colete e perfurado seu coração. Nate estava morrendo.
Josh colocou uma mão no ferimento do amigo.
— Nate, man, não morre, eu vou buscar ajuda, não morre... por favor.
— Josh... — Ele sussurrou, depois de cuspir um pouco de sangue. — Fica, eu não vou sobreviver...
As lágrimas começaram a escorrer pelo rosto de Josh.
— Não morre, irmão... não morre...
— Josh... não desiste... — Ele disse devagar. — ...luta... ganha... e volta pra Hayley... Não deixa ela... Volta pra ela...
— Eu vou fazer isso, cara. Eu vou... — Josh disse chorando, com a mão ainda sobre ele.
— Entrega o caderno pra Marrie... entrega... — Ele pediu.
— Eu vou, não se preocupa...
— Eu te amo, cara... Você é capaz...
— Você é capaz, Nate... Você... Não morre, por favor...
— Eu honrei meu pai, Josh... não ganhei a guerra, mas estou morrendo por alguém que merece viver... Não se esquece dos teus princípios... e fica bem vivo pra ela... Volta pra ela, Josh... Não desista dela... — Nate disse sorrindo. Logo depois tossiu, cuspindo mais sangue.
A cabeça dele caiu para o lado.
E o seu olhar ficou vago.
Nate Vanderburg havia morrido.
Josh gritou. Gritou como nunca havia gritado na vida. Gritou alto. E decidiu agir.
Pegou a arma do amigo e a sua própria e saiu de trás do tanque, avançando em direção ao inimigo e acertando os que também estavam em atrás de um tanque. Josh foi até o canto inimigo e atirou em um por um. Vingando o amigo.
Gritou outra vez antes de sair dali. As lágrimas ainda escorriam por sua face. E então, só aí, ele percebeu que seu antebraço esquerdo sangrava. Não ligou.
Voltou a onde estava e chorou mais um pouco ao lado do amigo morto. Até que os outros soldados chegaram e o arrancaram de cima de Nate.
O corpo de Nate foi pego e levado para os Estados Unidos. Josh ficou na enfermaria. Aquele lugar triste e sem vida, onde os feridos ficavam.
Pediu uma caneta e um papel. E então, passou a trabalhar em seus planos de guerra.
Ele passava dias e noites inteiras trabalhando naquilo. Queria ser útil de verdade.
Era muito provável que os “maiores” nem sequer olhassem suas idéias, mas, mesmo assim, ele as fez.
Quando seu braço ficou bom, semanas depois, ele voltou para o campo de batalha.
Era simplesmente o soldado que mais se arriscava. O que dava mais “prejuízo” ao inimigo. Não tinha medo de morrer, literalmente. Não estava nem aí, e assim, aniquilava qualquer israelita que chegasse a sua frente.
Josh havia se transformado depois da morte de Nate.
Ele não era mais Josh Farro, o guitarrista, que era sensível e insensível muitas vezes.
Agora ele era Joshua Farro. O soldado de guerra, que faria de tudo para eliminar o inimigo e sair vitorioso.

Um aviso para as pessoas. As boas, e as más.
Isto é uma guerra.

Para o soldado. O civil. O mártir. A vítima.
Isto é uma guerra.

É o momento da verdade e o momento para mentir,
É o momento para viver e o momento para morrer,
O momento para lutar, o momento para lutar,
Para lutar, para lutar, para lutar!

Pela direita, pela esquerda. Nós vamos lutar até a morte.
Até o fim da Terra. É um admirável mundo novo, do último até o primeiro.

Pela direita, pela esquerda. Nós vamos lutar até a morte.
Até o fim da Terra. É um admirável mundo novo, é admirável mundo novo.


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