23 de set de 2012

Capítulo 23

Finish what had not started 



Luke fechou a porta atrás de si e deixou as mãos passarem fortemente pelo rosto, como se com aquele gesto ele pudesse apenas retirar toda a confusão e atordoamento de sua cabeça e — por que não? — coração.
A manhã de sábado já denunciava o finzinho do outono. As folhas começavam a cair das árvores, que na última primavera, estavam vigorosas e belas, em cores vivas e estonteantes. O céu estava ensolarado, mas sem estar muito quente, deixando o clima razoavelmente agradável. Em geral, Luke gostava muito daquela sensação de tempo.
Quando sua cabeça não rodava a mil em pensamentos, é claro.
A verdade é que aquele garoto prestes há fazer dezessete anos, estava mais do que confuso sobre tudo. A confusão que já se apossara dele desde o início da semana havia tomado proporções arrasadoras, fazendo com que ele tivesse de pensar mais e mais sobre um bocado de coisas. Por exemplo, o que estava certo e o que estava errado em suas últimas “relações” amorosas. Na realidade, era exatamente isso que o confundia.
Por que, agora, Luke tinha medo de ter julgado errado toda a situação. Com Stephy, para ser mais preciso.
Desde a sua última — na verdade, única — conversa com Andy, seu mundo havia virado de cabeça para baixo e ele não sabia em que acreditar. Em quem acreditar, na verdade: nos seus olhos ou nos últimos fatos.
Sim, afinal, eram fatos. Ora, por que diabos Andy teria ido até a casa de Luke e dito todas aquelas coisas se não fosse verdade? Não havia uma razão! Afinal, ele estava indo embora da cidade, não é? Por que, então, ele diria aquilo a Luke, sendo que não havia uma vantagem para ele mesmo?
Na última noite de sexta, assim que Luke perguntou o que Andy queria com ele, o rapaz loiro e um tanto descolado enfiou as mãos nos bolsos da calça frouxa, sentando-se de modo folgado no sofá.
— Preciso te dizer uma coisa — disse ele, encarando Luke friamente, que arqueou uma sobrancelha, desconfiado.
— Estou ouvindo — respondeu Luke, sentando-se à sua frente, numa poltrona.
— Há uns cinco meses atrás — ele começou, jogando uma perna por cima da outra —, eu comecei a andar com o Bill. Bem, a gente andava de skate junto, até o momento em que ele me chamou para beber alguma coisa na casa dele. E aí eu vi a irmã dele — ele parou por um momento, para umedecer os lábios. — Me aproximei, claro, e mesmo que ela meio que me esnobasse, eu continuei tentando. Até o dia em que eu consegui ficar com ela... E aí a gente começou a namorar. Mas na moral, só durou uns dois meses até a gente começar a brigar e ela terminar comigo. — Andy mexeu um pouco no cabelo loiro, encarando Luke que estava suspirando. Não queria saber daquela história! Mas decidiu não interromper Andy. — Eu disse “quer saber? Que se dane, existe um monte de gatas por aí”. Mas aí ela começou a namorar você, e eu fiquei com um pouco de raiva. Tu sabe como é, ela ficou mais bonita, e daí começou a namorar um cara todo certinho, que estuda em escolinha de rico, filhinho de mamãe, que toca violão e fala bonitinho, e não sei o quê... — Luke revirou os olhos, demonstrando para Andy que realmente estava farto daquilo e estava a ponto de enxotar o rapaz para fora. — E aí eu decidi que ia recuperar ela, né — Andy deu um meio sorriso. — Então eu tentei me reaproximar, mas aí ela começou a ignorar totalmente, mano... E daí eu fiquei com mais raiva. E eu não sou o tipo de cara que simplesmente aceita um chute, tipo...
— Aonde você quer chegar com isso? — Luke o cortou, mais do que impaciente. A história já o dava ânsias, e ele queria pensar o menos possível em Stephy. Por que Andy estava ali, é uma coisa que Luke não sabia. Mas não tinha certeza de que queria descobrir.
— Eu vou chegar em algum lugar, fica frio — disse Andy. — Encurtando a história, eu fiquei meio que obcecado e comecei a persegui-la, e naquele dia que tu pegou eu e ela ficando na frente da casa dela, eu... Eu fiquei com ela meio que a força, ok? — ele fez gestos com as mãos, como se não se aprovasse suas próprias ações. — Foi errado, eu sei, mas ela passou a mexer comigo de um jeito que tu não tem noção — ele tentou inutilmente se explicar. — E aí ela terminou contigo por isso e eu achei que eu finalmente ia voltar a ter ela pra mim, mas daí ela começou a me odiar. De verdade, ela chegou a me bater, me jogar coisas, várias vezes.
Luke fechou os olhos por mais de um segundo, tentando digerir aquilo. Tudo estava claro, Andy estava assumindo que havia ficado com Stephy a força. Mas... isso era mais. Significava que...
Stephy havia dito a verdade todo este tempo?
Luke só conseguiu dar um sorriso debochado.
— E o que você quer me contando isso? — ele disse. — Quer dizer, o que você quer que eu faça?
— Quero que você deixe de ser idiota — Andy bufou. — A mina não te traiu. Eu a agarrei, só naquela vez, por que eu não estava me agüentando mais. Ela estava lá, na minha frente, pedindo mais uma vez para que eu deixasse ela em paz, mas eu só conseguia ver o quanto ela ficava gata naquela roupa... Eu não me agüentei e a puxei pra mim. E depois vocês terminaram por isso. A questão é que eu não vou poder ficar com ela de qualquer maneira... — Andy pegou o skate que estava pousado no chão e passou a brincar com uma das rodas. — Meu pai tá se mudando pra San Diego e eu tô indo junto. Mas depois de ver o quanto ela tá sofrendo, eu achei que era justo que eu viesse falar contigo.
Luke continuava com o mesmo sorriso debochado, recusando-se a acreditar em qualquer palavra.
— Sai da minha casa, ok? — ele disse, mostrando a porta a frente.
— Não antes de você desfazer esse sorriso idiota e ver que eu tô certo — Andy disse bufando. — Se eu não vou poder ficar aqui, eu quero que a gatinha seja feliz. E tu é o cara que ela sempre curtiu. Ok, eu errei em ter ficado com ela a força, mas... Mano, ela é uma garota única. — Ele disse, encarando Luke. — Ela é... inteligente, e engraçada, e bonita, meiga, tem personalidade... Não existe outra igual a ela. E ela sofre por ter terminado contigo, essa é a verdade. Então, faz o seguinte: deixa de ser burro e aproveita. Tá escrito nessa tua carinha aí que você também curte ela.
Luke coçou a cabeça e se levantou, ainda mostrando a porta e abrindo a boca para mandar Andy embora.
— Eu conheço a saída, playboy — cortou Andy, dando um sorriso. — Eu não sou de dar conselho, falou? Então segue isso que eu tô te dizendo. É o melhor que tu pode fazer.
Após isso, Luke ficou perturbado. E se... e se fosse verdade? E se Andy realmente tivesse ficado com Stephy a força? E se...
E se Luke tivesse errado em ter terminado com ela?
E se o que eles sentissem um pelo outro fosse real?
Luke pensou tanto sobre isso que mal conseguiu dormir aquela noite. Sentia sua cabeça latejar de tanto pensar, de tanto refletir sobre aquilo, sobre tudo. Sentia medo de ter julgado mal Stephy, sentia medo de ter feito tudo errado para com ela.
Depois de dormir apenas três horas, atordoadas por sonhos confusos que incluíam Stephy, Andy e Bill, ele finalmente decidiu despertar e sair daquele quarto. Era cedo, sua mãe estava saindo para o trabalho junto ao seu pai. Luke geralmente nunca os pegava saindo para trabalhar, especialmente num sábado de outono. Mas aquela conversa com Andy havia mexido com todos os seus nervos. Luke não conseguiu comer, tentou se distrair, jogar videogame, ver algum filme, mas nada parecia dar certo.
Até que, farto daquela duvida corroendo seu ser, Luke apenas bufou e pegou as chaves em cima do balcão, trancando a casa e indo o mais rápido possível para a casa da garota que ficava há três ruas acima dele.
Quem atendeu a porta foi Bill, mas antes que ele pudesse enxotá-lo Luke para fora, uma Stephany vestida em short e moletom maior do que ela, com os cabelos loiros caídos pelos olhos pediu para o irmão que a deixasse cuidar da situação e levou Luke até o seu quarto.
Luke não sabia como começar. Passou a mão pelos olhos. Tinha certeza de que eles estavam inchados pela falta de sono, seu cabelo e roupas estavam amassados, ele provavelmente estava mais pálido do que nunca. Mas não ligou.
— Hum... Aconteceu alguma coisa? — perguntou Stephy, colocando as delicadas mãos nos bolsos do moletom enorme.
Luke respirou fundo, para depois encará-la tristemente.
— Nós não tivemos uma conversa decente desde... Desde o que aconteceu — ele disse, ainda olhando-a profundamente nos olhos.
Stephy deu um sorriso, obviamente sem vontade.
— Não é necessário — ela disse. — Eu já disse que...
— Andy esteve lá em casa ontem — Luke a cortou.
Stephy mordeu o lábio inferior, se sentando por cima dós pés na cama.
— Sério que você quer conversar agora? — ela ainda estava com o sorriso falso na cara. — O que o Andy fez? Foi na sua casa e disse que eu não prestava? Que eu era amante dele? Que, na verdade, eu sou uma vadia que fica com todo mundo? Que era pra você se afastar de mim por que eu não sou uma pessoa decente? — Mesmo que aquele sorriso não saísse de seu rosto, seus olhos já brilhavam. Ela estava prestes a desabar.
— Não — Luke suspirou.
— Mas é isso que você acha de mim, não é? — ela o encarou com aqueles olhos azuis enormes e cheios de mágoa. — Não é, Luke?
— Você me deu motivos — ao contrário de Stephy, a voz de Luke saía fria e sem emoção, na defensiva, como se nem ele próprio tivesse certeza do que dizia.
— Não foi minha culpa — agora, ela estava chorando. — Não foi minha culpa.
— Mesmo que não tenha sido! — Luke disse em tom um pouco mais alto, sentindo o sentimento ficar a flor da pele. — Mesmo que não tenha sido, Stephy! Você não é o tipo de pessoa que eu pensei que você era!
Stephy limpa as lágrimas, encarando-o intensamente.
— Por que você acha que eu fiz tudo aquilo, Luke? — ela tira a franja do rosto, que já estava grudando nas lágrimas, num ato nervoso. — Por que você acha que eu sentia tanto ciúme? Por que você acha que eu tentei ser a garota perfeita pra você?
— Não sei — foi só o que ele conseguiu responder.
— Por que eu te amo, droga! — ela quase gritou, controlando-se para não soluçar. — Eu te amo, ok? Eu te amo, e eu te amei! Eu te amei por muito, muito tempo! Desde a primeira vez! — ela tentava inutilmente limpar as lágrimas, enquanto deixava aquelas palavras saírem. Aquelas palavras que tanto ela guardou para si, que não podia dizê-las para ele. — Sabe o quanto eu precisei lutar contra mim mesma pra conseguir falar com você? Eu te amei desde a primeira vez que te vi! Desde o primeiro dia de aula naquele ensino médio! Droga, Luke, desde sempre eu olhava pra você, eu me imaginava com você, eu... — ela deixou a frase morrer, sentindo a garganta se fechar mais e mais. Tentou se controlar, controlar seus soluços, limpar suas lágrimas com a manga de seu moletom. Respirou fundo e continuou: — Quando me passava pela cabeça a idéia de te perder, eu... eu simplesmente perdia a cabeça. Por que você veio, você era meu, eu era sua, e você... era tudo, tudo pra mim. E tudo era tão perfeito quando eu estava com você! Você acreditava em mim, acreditava que eu não era uma pessoa sem perspectivas, acreditava que eu não era uma inútil! Melhor, você me fez acreditar nisso também! E você foi o único! Nem a minha própria mãe crê que eu tenha algo pra oferecer. — As lágrimas já haviam voltado com toda a força. — Você não tem idéia de quantas vezes eu sonhei com os nossos momentos, você não tem idéia de quantas vezes eu quis sentir o teu calor, embrenhar meus dedos nesses teus cabelos, olhar dentro dos teus olhos... você não tem idéia de quantas vezes eu quis te amar de novo — ela soluçou. — Eu daria tudo, Luke, tudo pra poder te ter outra vez.
Luke estava imóvel, pasmo, digerindo tudo aquilo. Estava tocado por tudo que ela lhe dizia, sentia o estômago revirar, a compaixão o abater. Sentia um aperto no coração a cada lágrima e palavra sofrida que saía de sua boca. Tentava, como tentava ser forte.
Olhou-a, controlando o choro, e sentiu vontade de chorar também. Uma grande vontade de chorar.
Mas tudo o que ele fez foi abaixar o olhar e perguntar, com voz vazia:
— E por que todas aquelas implicâncias? Com Julia, por exemplo, que não tinha nada a ver?
— Medo — ela disse, olhando-o com os olhos vermelhos e inchados. — Medo absoluto de te perder.
— Você escreveu aquela carta? — Luke sentiu que precisava perguntar aquilo. Sua voz já estava rouca, a vontade de chorar ficava mais e mais forte dentro dele.
— Não — ela respondeu, passando uma mão pelos olhos.
Luke deu dois passos, um para frente e outro para trás, bagunçando os cabelos e procurando as palavras certas para dizer tudo aquilo que passava pela sua cabeça.
— Stephy, olha, eu... Eu vou ser sincero com você — ele fixou-se em sua frente. Ela continuava sentada na cama, e ele em pé, mas seus olhos estavam grudados um no outro. — O que eu tive com você... o que nós tivemos... Não foi apenas mais um namoro. Foi forte, foi intenso, foi consumidor. Eu percebi isso apenas quando terminamos.
— O que nós tivemos foi a melhor coisa que já me aconteceu... — ela disse num fio de voz. Luke continuou:
— E eu... Eu estava confuso quando começamos a ficar. Eu estava chateado, machucado, magoado. Mas... você me fez tão bem. Eu aprendi a te respeitar, e a te gostar de um jeito mágico e profundo. Eu aprendi a... amar você. Mesmo. — Ele passou, novamente, as mãos pelos cabelos. — Você foi a primeira garota com quem eu estive. Isso não se esquece assim.
— Mas...? — ela disse, quase sabendo a resposta.
— Mas... Eu não sei se vou conseguir confiar em você outra vez. — Luke finalizou, fazendo-a soltar mais um soluço e depois encará-lo, ali, em sua frente.
Ela se levantou, ficando na mesma altura que ele. Seu cheiro inundou suas narinas, seus olhos pareciam mais azuis do que o normal.
Stephy não conseguiu se controlar.
E quando deu por si, já havia aproximado seus lábios aos dele num gesto rápido e completamente desesperado.
Luke foi pego de surpresa, mesmo que a proximidade da garota já o fizesse pensar naquilo. Sentir os lábios macios e a língua quente de Stephy era como se fosse uma droga que ele voltasse a ter. Sua boca estava salgada pelas lágrimas. Aquele beijo estava cheio de mágoa, tristeza, arrependimento e confusão.
Confusão.
Quando Luke a pegou pela cintura e delicadamente a afastou, as lágrimas do rosto de Stephy começaram a rolar livremente pelos seus olhos.
Luke sentiu seus olhos se marejarem, finalmente, também. Mas não deixou as lágrimas saírem.
— Eu preciso pensar — ele disse. — Preciso pensar sobre tudo isso. É difícil pra mim... eu... eu estou confuso, eu não sei o que fazer... Eu preciso pensar.
Stephy limpou as lágrimas com as mangas quase encharcadas de seu moletom.
— Tá bem — ela suspira. — Só me diz quando você estiver pronto pra decidir, tá?
— Ok — ele diz, virando-se para a porta do quarto e abrindo-a. Estava pronto para fechá-la.
— E Luke — ele virou o rosto para Stephy, que agora, tentava sorrir. — Eu te amo.
Luke abaixou a cabeça e deu um sorriso sem humor.
— Eu também — murmurou tão baixo que ele próprio mau pode ouvir sua própria voz e fechou a porta com força, descendo os degraus daquela casa o mais rápido que pôde e saindo finalmente dali.
Agora, Luke estava mais do que confuso enquanto andava atordoado de volta para sua casa. Precisava pensar, mas sua cabeça latejava, doía, parecia que ia explodir. Estava calor, mas ele sentia o corpo inteiro se arrepiar com os calafrios, as pernas bambearem, as lágrimas ameaçarem sair de seus olhos.
Claro que o que ele tivera com Stephy era forte e intenso! Claro que ele a amara, do jeito dele, na época!
Mas... Ele estava quase convencido de que ele poderia ainda estar com ela se estivesse acreditado em suas palavras, e não em seus olhos.
A questão é que tudo parecia tão convincente... Ela realmente parecia estar gostando de beijar Andy naquela hora. Ela parecia... estar beijando de volta. Parecia estar realmente traindo Luke.
Ele pensou mais um pouco, revendo aquele momento terrível em sua cabeça. Não tinha mais certeza de que Stephy estava tão atracada a Andy. Ele sentiu muita raiva na hora. Raiva dela, dele, do mundo.
Agora Luke não sabia o que fazer.
Sua mãe e seus amigos jamais aprovariam se ele... bem, se ele decidisse dar outra chance à Stephy.
Mas eles não a conheciam como Luke conhecia, essa era a verdade.
E então, quando Luke abriu a porta de sua casa, como num raio, outra garota veio a sua mente.
Sophie.
O que ela pensaria se Luke voltasse para Stephy?
Luke não... ele não amava Sophie. Não mais, pelo menos. Estava mais para odiar do que para amar. Mas... eles tinham uma... uma espécie de química, uma atração arrebatadora, da qual nenhum dos dois podia controlar. E — às vezes — era bom ficar perto de Sophie. Era bom sentir a pressão dos lábios dela sobre os seus. Era bom ouvir sua voz e seu piano. Era bom sentir o calor dela, o seu sorriso. Era bom... discutir com ela!
Luke foi até a cozinha e se forçou a comer um pedaço de bolo que Jeremy havia comprado. Jogou água fria no rosto e depois, se afundou no sofá da sala de estar, que ficava mais perto da cozinha. Colocou a cabeça numa almofada, sentindo tudo vir à tona. Toda a sua confusão, tudo o que havia nele vir de uma vez, fazendo de sua mente uma verdadeira bagunça.
Então o cansaço venceu e, de uma maneira que nem o próprio Luke pôde entender, ele apagou no sofá de sua casa.



[...]



Após duas batidas na porta, Sophie viu a face de Nate entrar em seu campo de visão. Estranhou.
— Não vou jogar videogame com você — ela disse, sem nem mesmo esperar o que ele tinha para dizer. Nate riu, entrando de vez no quarto e sentando-se em sua cama. Sophie estava, aparentemente, arrumando o guarda-roupa, já que sua cama estava repleta de peças de roupa.
— Se você não sabe, eu tenho um irmão também. Pra que iria querer que você jogasse comigo? — Nate fez questão de desarrumar mais as roupas que já estavam separadas pela cama de Sophie.
— O que você quer? — Sophie revirou os olhos, batendo em Nate com uma blusa para ele sair de cima das roupas dobradas.
— Conversar com você — Nate se sentou mais perto dela, implicando-a.
— Sobre?
— Sobre você. — Nate riu novamente, fazendo Sophie revirar os olhos outra vez. — Como vai você?
— Bem — ela o encarou estranhamente, como se perguntasse qual era o problema dele.
— Não vai me perguntar como eu estou?
— Estou tentando entender qual é o seu problema — Sophie deu uma risadinha, dobrando a camiseta que havia usado para bater no irmão.
— Você é uma grossa, sabia? — ele disse, recebendo outro golpe com a camiseta depois.
— Tchau, Nate — Sophie apontou para a porta, fazendo Nate rir.
— Como andam as coisas com você e o Luke? — ele perguntou, de repente, após rir.
Então é isso, pensou Sophie.
— Normais. Combinamos de deixar rolar, você sabe — ela disse, prestando mais atenção na dobra das roupas do que em responder aquela pergunta.
— Não foi isso que eu quis dizer — Nate revirou os olhos. — Eu quero dizer, como vão as coisas aqui em relação ao Luke — ele disse, apontando para o coração de Sophie. Ela bufou.
— Nate, vai embora — novamente, ela apontou a saída.
— Por quê? — ele riu de canto. — Por que não quer assumir?
— Assumir o quê, meu Deus! — ela disse, encarando o irmão. — Vocês que inventam. Eu e Luke apenas ficamos de vez em quando, só! Eu mais odeio ele do que qualquer coisa.
— Claro, claro — Nate fez que entendia, utilizando de toda a sua ironia. — Certamente, todas as pessoas que eu conheço que dizem odiar um ao outro trocam amassos sempre que ficam sozinhos. Isso é super normal.
— Nate, sai — Sophie apontou para a porta mais uma vez.
— A quem você quer enganar? — ele a olhou nos olhos. Sophie detestava quando Nate fazia aquilo, por que seus olhos castanhos pareciam que iam perfurar sua alma. — Ah, não, espera. Eu já sei. Você quer enganar a você mesma.
— Não estou enganando ninguém, caramba — ela bufou, dobrando um short de modo nervoso. — Não gosto do Luke, ok? Sim, a gente fica às vezes, mas só por que... não dá pra controlar. É uma atração forte demais. Mas isso não significa que eu goste dele. Por que ele ainda é um idiota, chato, besta, insuportável, prepotente, metido a playboy-
— Que te faz bem, ótimo músico, e que você adora. — Ele terminou a frase, fazendo Sophie bufar mais uma vez. — Soph, não se engane. Tá tão claro que vocês se amam!
Dessa vez, ela deu um riso sarcástico.
— Sai, Nate — disse novamente mostrando a porta.
— Vai me dizer que você não sentiu ciúme nenhum quando o viu conversando com a Stephy esses últimos dias?
— Vou — Sophie bufou, dobrando a roupa.
— Eu digo que é mentira — Nate riu. — Assim como quando o Luke disse que não sentiu ciúmes por causa sua e do Brad.
— Entenda, Nate — ela se voltou pra ele. — Eu não tenho absolutamente nada com o Brad. Agora, o Luke, ao contrário, namorou não sei quanto tempo com aquela vadia, e ela ainda traiu ele! Não entendo como ele consegue conversar e rir com ela.
— E isso não é ciúme? — Nate gargalhou, fazendo Soph bufar e o mandar ir embora mais uma vez. Em vão, é claro.
— Não, não é — ela estava irritada. — Só acho que é idiotice dele.
— Ou, é ciúme.
— Nate, sério, sai — ela revirou os olhos.
— Uma hora, Sophie, você vai ter que parar de enganar a si mesma e assumir que sente algo bem maior pelo cara que você anda “ficando”. Vocês foram feitos um para o outro, cara.
— Tchau, Nate — ela se levantou, pegando o irmão pelo braço e o levando até a porta. — Tchau.
— Você não assume pra mim por que não consegue assumir pra si mesma! Você o ama!
— Tchau! — então ela fechou a porta, trancando-a.
Sentou-se novamente em sua cama, sentindo aquele maldito frio na barriga — o mesmo que ela andara sentindo depois da noite da festa de casamento de Isabelle, e a lua, a bebida, e Luke — se apossar de si, um pouco mais vorazmente. Ultimamente, era toda vez em que ela pensava em Luke que aquele maldito friozinho — gostoso, ela havia de admitir — aparecia, revirando seu estômago, fazendo-a arrepiar-se involuntariamente, e às vezes, até seu coração batia mais rápido.
Ela se tratou de se conter rapidamente ao notar que seus lábios tinham se curvado em um sorriso, de modo que ela nem mesmo havia percebido. Não estou apaixonada! Gritou ela para si mesma em seu pensamento, retirando qualquer pensamento daquela forma dela. Nate estava errado! Aquilo não era ciúme, e esse maldito frio na barriga era...
Tá, ela não sabia o que era. Mas ela não estava se apaixonando. Não por Luke. Não mais uma vez por Luke.
De alguma forma, ela sabia que se isso acontecesse, ela iria sofrer muito.
Então, novamente, com aqueles pensamentos na cabeça, decidiu: aquilo que sentia por Luke não era paixão, amor, ou qualquer outra coisa assim. Afinal, ela conseguia se irritar com ele muito rapidamente, também. Ora! Ela ainda se lembrava da discussão que eles tiveram em frente à farmácia! Ela realmente queria socá-lo naquela hora, tamanha era a raiva!
Como ainda podia se deixar sorrisinhos se apresentarem em sua face?
Não. Isso era tudo. Não podia acontecer. Luke era um idiota — um idiota lindo — e ela o odiava.
Repetindo isso para si mesma, ela voltou a dobrar as roupas.



[...]



Jeremy adentrou sua casa com duas pizzas na mão. Sabia que Luke provavelmente estaria com fome, já que estava na hora do almoço, e ele havia achado uma pizzaria aberta. Pensou em levá-las para casa, já que não queria cozinhar e não havia muito o que se comer.
Largou as caixas pelo balcão e abriu a primeira.
— Ei, cara, eu trouxe pizza! Vem comer! — ele gritou o mais alto que pôde, de onde com certeza Luke ouviria em qualquer canto da casa que estivesse. Mas ele não respondeu. — Luke! — Novamente, ele não obteve resposta.
Jeremy estranhou totalmente esse fato. Luke não poderia ter saído para comer, poderia? Sim, provavelmente, mas ele geralmente ligava para saber se Jeremy almoçaria em casa.
Jeremy saiu da cozinha e então viu o filho adormecido no sofá, com os braços para fora e o rosto apoiado na almofada. Rindo de canto, ele foi até lá e mexeu no filho, que levantou num pulo.
— Bem que eu estranhei o fato de você ter acordado cedo — ele riu. — Trouxe pizza pro almoço.
— Não quero comer, pai — Luke disse, mexendo no cabelo. Realmente não tinha o mínimo de apetite.
— Não quer comer pizza? — Jeremy o encarou, arqueando uma sobrancelha.
— Estou sem fome. — Ele disse, coçando os olhos e bufando.
Jeremy entendeu na hora: havia algo de errado com o filho.
Sentou-se no sofá e deu um pequeno tapa em sua perna.
— E aí, o que houve? — Jeremy perguntou, fazendo Luke suspirar.
— Deixa, pai. Não é nada — ele disse, virando-se e ligando a TV com o controle que estava jogado pelo sofá.
— Qual é, Luke. Você vai mentir pro seu pai agora? — Jeremy retirou o controle de suas mãos e desligou o aparelho. — O que tá havendo?
Luke deu um sorriso e disse, tentando parecer despreocupado:
— Garotas, você sabe — e fez um gesto com a mão, para logo depois tentar pegar o controle da mão do pai.
— Seria bom se você fosse mais específico. Garotas? — ele deu ênfase no plural.
— Stephy — disse Luke, torcendo os lábios.
— Ah — Jeremy deixou um bocado de ar sair do pulmão ao escutar o nome dela. — O que ela fez?
— Não é o que ela fez — Luke disse. — É o que ela pode não ter feito.
E então, as palavras simplesmente saíram de Luke. Contou tudo, absolutamente tudo. Desde as implicâncias do início do namoro, aos sentimentos esquisitos que sentia, o que aconteceu com Sophie, a conversa com Andy e logo depois, com Stephy, para finalizar com aquele beijo inesperado.
Jeremy apenas escutou tudo quieto, com atenção, esperando para que Luke terminasse. Ele já sabia que Luke havia ficado algumas vezes com Sophie, apenas não esperava que fossem tantas. Também se surpreendeu quando Luke o falou de Andy. Sabia que o garoto passava por um problema grande.
— E agora eu não sei o que fazer — Luke disse, coçando a cabeça. — Pensei um monte, pai. Mas... ainda não me parece totalmente certo voltar para a Stephy. Mas... sabe, esse beijo que a gente deu hoje, e a conversa foi tão libertadora e esclarecedora... Tá tudo confuso dentro de mim. Por que eu sei que eu gosto dela. Muito, mesmo. Mas... ainda me parece errado, o meu orgulho ainda tá ferido.
— Deixa eu te perguntar uma coisa, Luke — Jeremy começou, depois que o filho terminou. Luke fez que sim com a cabeça. — E quanto a Sophie? Quer dizer, você a amava, não amava?
— Sim, amava — Luke respondeu. — Aquele amor de criança, sabe, pai? Amor... de amigo. Eu acho. Por que depois que eu vi o quanto ela cresceu, eu vi o quanto ela ficou chata e insuportável, e grossa, e boba. Mas ela é bonita. É só atração, o que há entre a gente.
— Você não acha que seria ruim para ela se você voltasse para a Stephy?
— Sim, seria — Luke suspirou. — Ela detestaria.
— Mesmo assim, você quer voltar pra ela?
— Eu não sei! — Luke disse mais alto do que queria. — Eu gosto dela, muito, muito mesmo. Mas... eu estou confuso, eu não sei o que fazer, a vontade é grande, mas... me parece errado.
Jeremy suspirou e encarou o filho com compaixão.
— Sabe, cara — ele disse, arrancando uma risada de canto do filho. — Isso é uma escolha sua, sabe? Por que por mais difícil que seja de acreditar, eu não sou perfeito. — Luke riu. Jeremy era mesmo o melhor pai do mundo, fazendo piada uma hora dessas! — Eu não posso te dizer tudo o que é certo e o que é errado nesse mundo. Não posso te indicar qual seria a melhor escolha pra resolver essa situação, por que, cara, é a sua vida. Entende? É claro que os seus amigos e a sua mãe não vão gostar nada se você voltar com essa menina, mas... Sabe, se ela te faz feliz, se você acredita nela... você tem que seguir o seu coração.
— Eu sempre faço isso — Luke disse. — E sempre me ferro.
Jeremy riu.
— Luke, ninguém consegue andar de bicicleta de primeira. Antes, a gente leva muita queda, muito tombo, até aprender e se dar bem. É a mesma coisa com o amor... Você vai cair muitas vezes, e vai se machucar também. Mas uma hora você vai conseguir.
Luke riu.
— Hora legal pra você começar com as suas filosofias, pai — Jeremy riu junto a Luke depois disso.
— É a verdade.
— Eu vou pensar nisso. — Luke deu um pequeno sorriso de encorajamento. — Vamos comer aquela pizza, deve estar esfriando. — As palavras acabaram de sair da boca de Luke quando tocaram a campainha. Jeremy foi atender enquanto Luke foi até a cozinha.
Retirou um pedaço pequeno de pizza e encheu dois copos de refrigerante.
— Oba, pizza! — Luke riu quase que instantaneamente ao ouvir a voz do melhor amigo ecoar. Típico de Dan aparecer na hora do almoço.
— Seu melhor amigo veio almoçar, Luke — Jeremy disse, pegando um pedaço de pizza e enfiando-o na boca.
— Na verdade, eu vim perguntar se seria possível, já que minha mãe decidiu pegar dois turnos no hospital — Dan disse, servindo-se.
O celular de Jeremy começou a tocar. Ele olhou pelo visor.
— Ei, garotos, eu vou precisar atender. É sobre um contrato importante que estamos pra assinar...
— Tranquilo, pai, vai atender — Luke diz, tomando um gole de seu copo de coca-cola.
Jeremy subiu rapidamente as escadas, com o celular preso ao ouvido.
— Essa pizza tá ótima — Dan disse e Luke riu.
— Que tipo de comida pra você não é ótima? — e fez que não com a cabeça.
— Se ferra, Luke — Dan revirou os olhos. — Cara, você não tem noção do que aconteceu ontem. Eu...
— Não estou a fim de escutar suas aventuras amorosas hoje, Dan, na moral — Luke cortou Dan, por que realmente não estava no clima. Stephy (e Sophie) continuavam enchendo sua mente.
— Ih... — Dan disse, deixando o pedaço de pizza em cima do prato. — Aí tem problema. O que aconteceu?
Luke deu um meio sorriso.
— Stephy. — Disse apenas.
Dan não pegou de volta sua pizza.
— Ah, meu — ele fez que não com a cabeça. — Não me vem com esse olhar. Não vem dizer que você tá pensando em voltar pra ela.
— Aconteceu um monte de coisa nesses últimos dois dias que você não tem idéia.
— Então pode começar a contar, né? — Dan pegou sua pizza e deu outra mordida.
Então Luke contou, desde a parte em que Andy havia aparecido, até ele ter ido à casa de Stephy e o beijo. Finalizou com sua dúvida em relação a ela.
— Mano, você tá louco... — Dan comentou, fazendo que não com a cabeça, reprovando totalmente. — Ela te traiu, sabe? Traição não se aceita assim, e depois volta.
— A questão é que eu não sei se ela realmente me traiu. Eu não sei o que fazer! Eu ainda gosto dela!
— Seguinte, tem duas escolhas que você pode fazer agora: a certa e a errada. E eu sinto dizer, bro, mas a Stephy não é a certa.
— Mas e se não tiver sido culpa dela?
— Cara! Eu sei como é ficar com uma menina sem ela querer! Ela te empurra, ela não corresponde, te dá um tapa na hora! A menina que diz que não quer corresponde, Luke. E quem não corresponde, não enfia a mão pra dentro da camiseta do cara. Se Stephy estava correspondendo, isso é traição.
Luke suspirou, sentando-se em um banco. Ele sabia que Dan tinha razão. Mesmo com isso tudo, as mãos dela estavam claramente por dentro da camiseta de Andy, assim como estiveram por dentro da camiseta de Luke, dias atrás.
— Olha — Dan disse, levando uma mão ao ombro do amigo. — Eu sei que é difícil, e como teu amigo eu vou te apoiar em qualquer escolha que você faça. Mas a Stephy é do tipo de garota que se fica.
— Mesmo que ela tenha me traído de verdade — Luke recomeçou —, a questão é que se eu estivesse namorando a Stephy no dia em que eu e Sophie ficamos na detenção, eu teria beijado ela mesmo assim.
— Teria? — Dan arqueou uma sobrancelha.
— Teria! — Luke passou uma mão pelos cabeços. — Eu não consigo resistir! É uma droga de uma atração forte demais. Eu a odeio, mas ela é bonita, o que eu posso fazer?
— Entendo — Dan disse. — Essa coisa de atração. A questão aqui, é que a Stephy está te enganando. Luke, se você voltar com ela, quem te garante que ela não vai fazer a mesma coisacontigo no futuro? É muito, muito capaz! E outra: você nunca mais vai conseguir ficar numa boa com ela, por que qualquer coisa que ela fizer você vai achar que está sendo chifrado. Vai ser uma perseguição enorme, esse namoro, e só vai te trazer mais sofrimento e mais dor de cabeça.
Luke, novamente, não soube o que dizer. Dan tinha razão, tinha muita razão. Luke sabia que jamais confiaria em Stephy de novo.
Seria um inferno.
— Você tem razão — ele disse, por fim. Pegou seu pedaço de pizza que já estava frio e comeu, engolindo-o sem vontade assim mesmo. Dan fez que sim com a cabeça.
— Sim... Só estou dizendo que não vale a pena insistir em uma coisa que já deu errado. — Dan deu mais um gole de seu refrigerante.



— Por que você acha que eu fiz tudo aquilo, Luke? — ela tira a franja do rosto, que já estava grudando nas lágrimas, num ato nervoso. — Por que você acha que eu sentia tanto ciúme? Por que você acha que eu tentei ser a garota perfeita pra você?
— Não sei — foi só o que ele conseguiu responder.
— Por que eu te amo, droga!



— A questão é que é difícil — Luke recomeçou. — Ela parecia estar sendo tão sincera... E quando nós nos beijamos, eu... Eu senti tudo de novo, sabe? Eu senti saudade da época em que estar com ela era o mesmo que rir... eu senti uma saudade enorme da época que a gente namorava. Saudade, vontade, tristeza, felicidade, tudo, tudo veio de uma vez.
Dan revirou os olhos levemente, para depois encarar o amigo.
— E o que você vai fazer? — ele arqueou uma sobrancelha.
— Eu não sei — era só o que Luke conseguia dizer.
— Ah, fala sério, Luke! Você tem que decidir, droga! Ou fica com a menina ou segue com a vida!
— Mas eu não sei o que fazer, ok? — ele respondeu no mesmo tom. — Eu gosto dela, mas não sei se consigo confiar outra vez! Eu...
As palavras de Luke foram interrompidas pelo som da campainha tocando. Luke passou a mão pelo rosto e Dan disse que ia atender.
Luke voltou a pensar sobre aquilo. Perguntou a si mesmo se ele teria a mesma felicidade daquela época caso voltasse com Stephy. Será que tudo seria como antes? Será que ele se sentiria bem como antes? Será que tudo seria descontraído como antes? Será que ele iria sentir mais ciúmes do que antes?
Ele não sabia, não sabia de nada.
— Luke... vem cá — ele escutou a voz de Dan chamando-o para a sala. Quando se aproximava, Dan voltou a falar: — Não tinha ninguém na porta, mas deixaram essa pasta...
Luke levou o olhar para a mão do amigo. Havia um envelope de papel. Luke ficou curioso para saber o que havia dentro, então Dan o abriu quando ele se aproximou.
— O que é isso? — Luke perguntou.
— É uma redação — Dan disse, começando a ler. — É uma redação da Soph.
Luke apertou os olhos, retirando o papel das mãos do amigo. Por dentro da redação, havia outro pedaço de papel. Luke reconheceu na hora: Era um rascunho daquele mesmo bilhete que ele recebera de Sophie. A diferença era que o bilhete estava rasurado e a letra não estava tão parecida. Na redação, haviam algumas palavras circuladas de lápis, e na outra folha, essas palavras em outra ordem faziam o bilhete.
— Que merda é essa? — ele disse, olhando tudo aquilo com mais atenção.
Dan abriu o envelope, encontrando um bilhete amarelo menor dentro dele.
— Olha isso — Dan disse, fazendo Luke virar a atenção para o bilhete amarelo.



“Aqui está a redação que eu disse que tinha. Vi quando você saiu da casa dela hoje pela manhã e achei que seria justo que você realmente descobrisse quem Stephy é.
Não faça tudo errado novamente, Luke, você é um cara legal. Ela não merece você. Você não merece sofrer mais por causa dela.
Fique bem.
Jenny.”



— Ela disse que não tinha escrito a carta — Luke abaixou o olhar, entregando os papéis a Dan. Ele sentiu toda a sensação de traição florar em seu peito novamente, como se ele acabasse de ver aquela cena de Stephy e Andy. Sentia-se mal. Havia sido enganado outra vez! Pela mesma pessoa!
— Foi mal, cara — Dan disse, largando os papeis pela mesa de centro. — Não fica mal.
— Não estou mal — Luke disse, levantando-se. — Ela é quem todos dizem que é. Eu já deveria ter percebido isso. Você tinha razão. Mais uma vez, você tinha razão — ele disse, fazendo Dan dar uma pequena risada.
Dan tinha razão.
Não valia a pena.



[...]



A segunda feira chegou nublada. Logo começaria o inverno, e o outono parecia estar se preparando para isso. O frio fez com que todos os estudantes que precisavam acordar cedo fossem agasalhados para a aula.
Sophie adentrou sua primeira aula junto a Julia. Geografia.
Como sempre, o Sr. Marshwell distribuiu os livros junto aos mapas necessários. Julia já ia se sentar ao lado de Sophie, prevendo que o professor pediria duplas, quando ele disse para os alunos fazerem trios.
Julia colocou sua carteira ao lado de Sophie.
— Quem vai ser a terceira pessoa? — ela perguntou, fazendo Sophie dar uma risadinha. Julia passou os olhos pela sala, até pousá-los na garota de cabelos castanhos e uma mecha verde logo atrás. Levantou a mão e fez o gesto, chamando-a para se sentar a elas.
Jenny sorriu do jeito louco da colega e levantou sua cadeira, indo em direção as meninas. Ela sempre se dera bem com Sophie e fizera amizade com Julia no acampamento. De modo que ela era a pessoa mais indicada naquela sala para poder fazer aquele bendito trabalho com elas.
— Oi, Jenn — disse Sophie, assim que ela se sentou.
— Adorei a moitinha que tu fez no cabelo, sério, ficou maneiro — Julia arrancou uma risada delas com a piada.
— Moitinha? — Jenny disse, ainda rindo.
— Sim, sabe? Essa coisa verde aí, essa moitinha.
— Cansei do rosa — Jenny deu uma risada, sentando-se e agradecendo quando o Sr. Marshwell entregou o mapa e o livro para elas.
Sophie não pôde deixar de pensar em como ele parecia inabalado mesmo com a notícia de que seria pai. Admirou seu jeito profissional ao dar aulas.
— Seu cabelo tá lindo, não liga pra essa aí — Sophie disse, fazendo Julia lhe dar um pequeno tapa no ombro.
— Obrigada — Jenny fez que não com a cabeça, enquanto ria da loucura daquelas duas.
— Acabou a conversa! — fez o professor, voltando ao seu lugar habitual na frente da turma. — Vocês vão fazer os exercícios das páginas 245 e 247. O mapa vai auxiliar vocês neles. Pra entregar hoje, hein.
Depois disso, os alunos ficaram mais silenciosos, apenas conversando baixo sobre o trabalho (e outras coisas, é claro). As três meninas combinaram de dividir as tarefas: Jenny copiava, enquanto Julia e Sophie procuravam as respostas.
Não demorou muito para elas terminarem. Ainda faltavam vários minutos para o fim da primeira aula, e elas haviam se dedicado ao trabalho (com a exceção de Julia que parecia sempre apta a soltar uma piadinha). Foi Sophie que se levantou para entregá-lo ao professor.
Assim que voltou, Julia e Jenny estavam rindo por alguma coisa. Provavelmente alguma outra piadinha de Julia.
— Legal, qual é a graça? — Soph disse, sentando-se.
— Sua melhor amiga estava me dizendo o quão mais gostosa você é com um short — Jenny respondeu, fazendo Julia rir mais, pronta para receber os tapas de Sophie.
— Se você não fosse namorada do meu irmão, eu juro, sinceramente, que eu duvidaria da sua sexualidade — Sophie revirou os olhos. Jenny parecia que ia morrer de rir.
— Vocês não prestam — ela disse, fazendo as outras rirem.
— Ei! As meninas aí! Tudo bem, já terminaram, mas poderiam conversar mais baixo? — Sr. Marshwell chamou a atenção delas mais uma vez.
— Desculpa aí, fessor, foi mal — Julia disse, fazendo Jenny reprimir outra risada. — Sério — Julia recomeçou baixinho —, ajudaria muito a minha queda por ele se ele não fosse tão chato.
Sophie fez que não com a cabeça. Ela mal sabia!
— Não é nada não, mas eu acho que ele tá de casinho com a professora Lilian — disse Jenny, fazendo Sophie reprimir uma risada. — Só acho.
— É um casal fofo — disse Julia.
— Assim como você e Nate — Sophie disse rindo.
— Ou você e Luke — Julia revidou com um sorriso glorioso nos lábios, fazendo Sophie fechar a cara no mesmo momento. Jenny deu uma pequena risada.
— Gente, deixa eu fazer uma pergunta...
— Não vou pagar o seu lanche — Julia fingiu responder normalmente enquanto limpava uma unha com a própria unha. Jenny riu e negou com a cabeça.
— Não é isso — ela se explicou. — Eu ia perguntar qual é o lance entre Luke e Sophie.
Enquanto Julia fazia um “aaah...!”, Sophie respirou fundo. Era só o que faltava, mais uma! Já não bastava Nate que insistia que ela estava apaixonada, quando ela repetia para si mesma que não estava? Não bastava aquela raiva crescente que permanecia em si quando ela o via com Stephy? Não bastava? Jenny tinha mesmo que tocar naquele assunto?
Poxa vida.
— Bem, eles se a-
— Estamos ficando, apenas — Sophie cortou Julia, antes que ela dissesse algo idiota. — Deixando rolar, sabe?
— Ah — Jenny apertou os lábios.
— Por quê? — Julia perguntou.
— Bem... eu não sei se é certo contar — ela deu uma risadinha. — Sabe, deixa pra lá.
— Agora você vai dizer — Julia disse em voz intimidadora.
— Sério, esquece.
— Diz — Sophie que insistiu dessa vez.
— Eu... — ela pensou em negar novamente, mas o olhar matador de Julia a fez engolir seco e, num sorriso, continuar. — Certo, posso confiar em vocês. — Ela disse. — Tipo, no sábado eu fui lá na casa da Stephy, por que ela é minha prima, e tinha um dinheiro que o Bill, o irmão dela, tinha pego emprestado com a minha mãe. Daí ela me mandou pegar e eu fui lá. E então...



Pov. Jenny


Bill atendeu a porta, como sempre, e do jeito desarrumado dele me levou até a cozinha para que pudesse pegar o dinheiro que estava jogado por cima da mesa.
— Diz pra tia que eu agradeci de novo — ele disse, dando uma mexida naquele cabelo grande e esquisito.
— Tudo bem — concordei, dobrando as notas e enfiando-as no bolso da calça que usava. — E você, tá bem?
— Tô sim — ele respondeu, indo até a geladeira e pegando uma caixa de suco de laranja. — Vou participar de uma competição de skate mês que vem.
— Que maneiro — eu disse, enquanto ele servia o suco para nós dois. — Tomara que você ganhe.
— Duvido. É coisa de profissional. Minha esperança é conseguir um patrocinador.
— Boa sorte — desejei.
Minhas conversas com Bill nunca foram exatamente amigáveis. Conversávamos educadamente, mas nada muito íntimo. Não como foi com Stephy... há bastante tempo atrás.
De repente, eu escutei passos rápidos e virei meu rosto em direção as escadas. Luke Davis desceu-as de três em três degraus, pulando, o mais rápido que conseguia e apenas saiu dali.
Estranhei. O que Luke estava fazendo lá em cima? Aqui?


— Luke, na casa da Stephy? — Julia interrompeu, arqueando as duas sobrancelhas em surpresa.
— O que você esperava? Eles estavam amiguinhos, né — Soph não pôde deixar de comentar sarcasticamente. Foi mais forte do que ela.
— Sim, pois é... — Jenny respondeu. — Eu não entendi na hora.



— Aquele é o Luke? — perguntei a Bill, que parecia alheio a tudo, enquanto bebericava seu suco de laranja.
— Yep — disse ele. — Ele tá conversando com a Tephy tem mais de meia hora, já.
— Wow — exclamei, meio pasma. Não era normal, isso tudo. Quer dizer, Luke havia terminado com ela e pelo que eu sabia, andava ficando com Soph Farro. Por que estaria lá, em cima, com Stephy?
Minha cabeça rodava procurando respostas até que Stephy me apareceu nas escadas, porém desceu apenas dois degraus. Pude notar que seus olhos estavam inchados, o que queria dizer claramente que ela estava chorando. Porém um sorriso brincava em seus lábios.
— Dear Jenny! — ela disse, olhando-me do alto da escada. — O que trás vossa presença até aqui? — isso foi o suficiente para que ela soltasse uma gargalhada.
— A prima veio pegar o dinheiro da mãe dela — Bill respondeu.
— O que você aconteceu lá em cima, com o Luke? — perguntei, sem rodeios. Não estava para as brincadeiras de Stephy.
Mas ela apenas deixou seu sorriso aumentar em sua face, para depois me encarar, ainda sorrindo de um modo malicioso.
— Tem certeza de que não sabe?



— Que. Vadia. — Julia disse compassadamente, com a boca aberta de surpresa.
Sophie nem comentava mais. Estava paralisada por causa da história. Luke passara meia hora sozinho no quarto de Stephy, ela apareceu chorando e depois... insinuando coisas?
Era demais para ela não sair do estado de surpresa.
— Pois é — Jenny disse, dando um meio sorriso. — Você não tem idéia.
— Mas você acha... — Julia recomeçou. — Que eles tenham... você sabe...
— Não sei — Jenny torceu os lábios. — Não sei se eles chegaram a transar, sabe? Com certeza isso já aconteceu, por que a Stephy fez questão de me dizer isso mais de uma vez... Mas eu não sei se aconteceu no sábado. Pelo menos um beijo rolou.
Sophie sentiu o estômago revirar e a ânsia de vômito crescer. Agora sim, ela estava sem nenhum tipo de ação. Não havia como descrever o que ela sentia. Era um misto de raiva, com surpresa e um mal-estar.
— Você acha que ele vai voltar com aquela vadia? — Julia.
— Ah, não — Jenny riu. — Só se ele for muito burro.
Jenny decidiu não dizer que tinha a prova contra Stephy o tempo todo para Sophie e Julia, por que provavelmente as duas ficariam com raiva daquilo. Ficar calada era o melhor remédio.
— Cara... — exclamou Julia, sem saber o que dizer.
— Eu achei que ele estivesse num relacionamento com a Soph, sei lá... por isso estranhei quando vi ele lá.
— Não estamos num relacionamento — Sophie disse, seca. — E ele é um idiota, é o tipo de coisa de que se esperaria dele.
— Oh, God — Jenny disse, levando uma mão a boca. — Você está apaixonada por ele!
— Era só o que me faltava — Sophie disse, bufando. Não precisava escutar aquilo mais uma vez, não naquela hora.
— Desculpa! — Jenny disse novamente. — Se eu soubesse eu não teria dito.
— Cala a boca, caramba! — ela realmente estava perdendo a paciência. — Que se dane, ok?
Julia torceu os lábios, fazendo um pequeno gesto para que Jenny se calasse. Puxou outro assunto qualquer, fazendo piadinhas a parte, tentando distrair as duas amigas. Mas Sophie simplesmente não estava para brincadeiras. Não mais.
Sentia a raiva tomar conta de si completamente. Sentia aquele maldito frio na barriga se tornar algo que fazia seu estômago revirar de desgosto. Sentia seu peito se apertar. A mente vagava por todo o desgosto que estava sentindo por Luke naquele momento. Não era ódio, ela sabia que não era.
Era decepção.
Mas agora, por que ela estava decepcionada? Por Luke ter visitado Stephy e feito sabe-se-lá-o-que em seu quarto? Ou por ele ter tirado sua virgindade com ela? Ter pensado em começar alguma coisa com Stephy quando estava com Sophie, mesmo que sem compromisso.
Não era certo! Mesmo que eles não se suportassem por vezes, era justo que Sophie soubesse de uma coisa dessas! Era certo!
Felizmente, o sinal tocou e Sophie não foi para a próxima aula, de matemática. Estava enjoada e decepcionada demais para simplesmente assistir uma aula. Sua raiva era tão grande que não seria difícil ela mandar o professor à merda. O melhor a fazer era simplesmente não assistir a aula.
Julia e Jenny estavam em classes diferentes e não iam nem notar o seu sumiço. Ela apenas precisava se livrar do mundo por um tempo. Deixar a cabeça pairar.
Com a mochila nos ombros, ela se dirigiu até o ginásio. Estava vazio, mas como sempre, o portão estava apenas encostado, já que o zelador só o trancava ao final do dia. Sophie foi até a fila de cadeiras mais alta e apoiou os pés no encosto das mais baixas. Arrancou os fones de ouvido da mochila e os enfiou em sua orelha, deixando-os no volume máximo enquanto gritava Paramore.
Com certeza, We Are Broken não era exatamente uma escolha sábia para aquele momento. Mas mesmo assim, ela fechou os olhos e deixou que a voz de sua mãe ecoasse por todo o seu cérebro, enquanto tentava conciliar
seus pensamentos e sua raiva.



Eu estou do lado de fora, e eu estive esperando pelo sol. Com meus olhos bem abertos, eu vi mundos que não se encaixam. Minha boca está seca, com palavras que eu não consigo verbalizar. Me diga por que... nós vivemos assim.



De repente, de seus olhos, começaram a brotar algumas lágrimas. Ela não sabia exatamente para que elas estavam ali, saindo, fazendo-a fungar. Não sabia por que estava chorando. Só estava. Depois de muito tempo.
E tudo passava pela sua cabeça enquanto as lágrimas insistiam em rolar. Infelizmente, a maior parte desse tudo, envolvia Luke.
Sophie fechou seus olhos ferozmente, forçando-se a não ver mais nada e apenas sentir aquela música. Talvez fosse isso. Talvez fosse a música que fizesse com que ela se sentisse daquela forma.



Me mantenha salva, dentro dos seus braços que são como torres. Torres sobre mim, yeah.



Sophie escutou o pré-refrão da música, sentindo uma pontada de tristeza. Lembrou-se de quando ela havia batido a cabeça na cachoeira e Luke fez de tudo para que ela ficasse bem. Lembrou-se daquele beijo.
Eles só estavam... deixando rolar!
Mas, sabe, de repente... tudo parecia tão mais importante. Sophie não entendia o que se passava dentro dela. Não sabia se queria entender, também. Para quê entender, se a conclusão que ela chegasse não seria nada satisfatória?
— Pelo jeito não fui só eu que teve a idéia de fugir das aulas por um tempinho — Sophie abriu os olhos rapidamente, dando de cara com Luke em sua frente. A música estava tão alta que ela não o havia visto chegando? Claramente, ele havia dito bem alto aquela frase. — Abaixa o fone, estou escutando We Are Broken daqui. — Então ele deu uma pequena risadinha.
Ela bufou, retirando o fone do celular e fazendo a música ecoar pelo lugar todo. Luke deixou sua mochila em outra cadeira e se sentou igual a ela, apoiando os pés na outra cadeira. Começou a fazer a batida da música tamborilando os dedos uns nos outros. Não parecia feliz.
— Você andou chorando — ele disse, devagar.
Só aí Sophie notou que as lágrimas de seu rosto ainda não haviam secado. Limpou-se rapidamente.
— Acontece quando se escuta We Are Broken enquanto se pensa um pouco.
— Entendo — ele mordeu um lábio, encarando o chão.
Sophie respirou fundo, engolindo qualquer nó que insistisse em se formar em sua garganta.
— O que há com você e a Stephy? — perguntou de uma vez, com a voz meio rouca, e segurando o choro como jamais fizera.



Pois nós estamos quebrados. O que nós devemos fazer para restaurar nossa inocência e toda a promessa que adorávamos? Nos dê a vida novamente... Pois nós só queremos estar completos.



Luke respirou fundo.
— Nada — respondeu apenas. Sophie olhou para cima, impedindo as lágrimas teimosas de rolarem.
— Jenny me contou — ela disse, devagar. — Vocês transaram?
— Não — Luke respondeu, um tanto surpreso. — Eu...
— Apenas se beijaram — Sophie disse, completando.
— É uma longa história — Luke disse com a voz um tanto rouca também. Não por chorar. Apenas por se sentir mal por ter de explicar aquilo.
— Aposto que é — Sophie disse, mordendo seu lábio inferior. — Mas não acho que queira saber.



Tranque as portas. Pois eu gostaria de capturar essa voz que veio até mim essa noite, assim, todos terão uma escolha. E sob luzes vermelhas, eu irei mostrar a mim mesma que não foi forjado.
Nós estamos em guerra.
Nós vivemos assim.




— Ela quase me convenceu — Luke mexeu em suas próprias mãos. — Quase me convenceu de que ela não era culpada. Ela fez alguns sentimentos antigos reaparecerem. Eu apenas fiquei confuso.
— Sei — ela disse, suspirando. — Sabe, Luke... Eu não acho que isso possa dar certo.
Luke virou-se para encará-la.
— O que? — perguntou.
— Isso que estamos fazendo — ela disse. — Eu sou mais, sabe? E eu me sinto como se estivesse atrasando nós dois. Eu não quero mais, eu... — ela deixou a frase morrer. — Não vai dar certo.
— O que não vai dar certo? Nós? — ele perguntou, encarando-a.
— Não existe um nós. — Ela respondeu, desistindo e deixando as lágrimas bobas correrem por suas bochechas. — O que temos, ou tínhamos é apenas...
— Atração e carência idiotas — Luke tirou os pés do encosto da cadeira e o apoiou no chão, pisando com força.
— É — concordou. — Atração e carência idiotas. — Ela repetiu, suspirando. — O melhor a fazer é terminar por aqui.
— Vamos terminar o quê? — Luke deu um sorriso completamente sem humor. — Terminar algo que não existe?
— Terminar algo que sequer começou — ela mordeu os lábio mais uma vez, passando as mãos pelos olhos e secando seu rosto.
Luke apoiou a cabeça nos joelhos e depois assentiu com a cabeça, suspirando.
Sophie se forçou a impedir que as lágrimas tomassem conta de si novamente e levantou, pegando sua mochila e celular e seguindo para fora do ginásio.
E ali, terminava algo que sequer havia começado.


Nós só queríamos estar completos...

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