17 de jan. de 2013

[Resenha] Ainda Não Te Disse Nada, de Maurício Gomyde










"Ninguém mais escreve cartas hoje em dia", Marina pensava. Até que um dia uma caiu em suas mãos por engano e mudou o rumo de sua vida. Levou-a ao lugar que ela sempre sonhou. E a conhecer o amor do jeito que nunca imaginou, da forma mais improvável do mundo...









Sinceramente, eu não sabia o que esperar essa obra. Peguei-a emprestada de uma amiga que a comprou na Bienal do Livro de Brasília (créditos totais a Aliny Evelyn, senhoras e senhores), simplesmente por que conversamos e ela me contou que o livro era muito bom. Dividir experiências literárias faz parte da lista de coisas que amigos de verdade fazem. Sério.
Então, como sempre faço, li a sinopse e o prefácio do livro, no verso e nas orelhas. E então soube, automaticamente: eu iria me apaixonar.
É fácil gostar de um livro. Você o lê, gosta da narrativa, dos personagens, se perde por alguns momentos. Curte o enredo. Gosta do desfecho. Pensa um pouco sobre a obra, enfrenta uma ressaca literária pequena, algumas horas. Mas se apaixonar por um livro é genuinamente mais complexo que isto.
É quando você encontra coisas que não gosta, e ainda assim, percebe que aquele pode ser uma das leituras mais gostosas que teve. É quando você sente vontade de bater em certos personagens, não se adapta com a narrativa, não gosta de certas cenas descritas e quer chorar de desgosto por causa da complicação que cerca a vida da protagonista. E, ainda assim, com todos os contras, você percebe que aquela é uma das obras mais bonitas que já viu.
Me apaixonei por Ainda não te disse nada. Me apaixonei pelas palavras, por cada um dos capítulos, por cada carta, cada pedacinho do enredo. Me apaixonei de forma tão leve e gradativa que nem percebi que estava apaixonada; apenas questionei à mim mesma em certa altura e notei, dramaticamente, que estava. Ah, se estava.
No romance de Gomyde, Marina Albertini é uma garota de origem italiana que abandona o destino como comandante da padaria da família no interior para seguir o sonho na grande São Paulo: ser uma estilista famosa. No último ano de sua faculdade de moda, acompanhada de suas eternas amigas inseparáveis, Thaís e Francesca, ela está caminhando em direção ao que almeja, mas enquanto isso, precisa garantir seu sustento trabalhando em uma agência dos Correios. Sua amiga e colega de trabalho, a simpática Dona Jane, discutia com ela, certo dia, sobre como as pessoas não mandavam mais cartas. Até que um emaranhado de obras do destino violentamente sincronizadas faz com que uma caia em suas mãos e mude completamente o rumo de sua vida.
A simplicidade da narrativa de Maurício completa a complexidade de seu enredo. Marina, extremamente romântica (extremamente meeeesmo), toma decisões incertas e se envolve em uma história que aos poucos, nos envolve também. É possível sentir sua angústia e melancolia pelas palavras de Maurício, e, sobretudo, é possível compreendê-la, quando nem você mesmo entende como pode fazê-lo.
Isso faz algum sentido?
Não fazia para mim e pode não fazer para você, mas, a ler esta obra, certamente o que eu digo ficará mais claro. O romantismo predomina formosamente, a leveza é adicionada ao livro de uma forma gostosa e enevoante. O romance, descrito pela própria Marina como “amor à primeira leitura” (não tem como não amar isso), é delicado e surpreendentemente belo. Embora seja errado. Como eu, provavelmente você passará o livro quase todo angustiado por não conseguir “shippar” o casal principal. Quer dizer, você até quer, mas sabe que não deve, não pode, não é certo. Seus sentimentos vão se tornar completamente confusos. E eu suspeito que só esse tal de Maurício Gomyde consegue fazer uma proeza dessas.
Embora o livro seja muito romântico e fofo, também tem um forte toque de realidade. É mais ou menos como se você estivesse lendo o diário de uma amiga sua, caso ela descrevesse seus dias em terceira pessoa. É tudo muito substancial. Thaís e Fran são amigas tão verdadeiramente normais e lindas que dá vontade de colocá-las debaixo do braço e sair correndo. É sério.
Por isso eu digo: vale muito a pena a leitura do romance de meu conterrâneo brasiliense. Se por acaso achar o livro para vender por aí, compre. Peça pela internet. Compre o ebook. Não irá se arrepender. Ele vai te mostrar que, às vezes, a linha entre a fantasia e a realidade é bem tênue. E que não há nada de errado em um bocado de romantismo.



"Em se tratando do destino, nada é certo, nada é errado. Apenas é." (Pág. 222) 




15 de jan. de 2013

[Livro X Filme] O Diabo Veste Prada


O Diabo Veste Prada é um livro, e aqui estão listados os motivos para conferir os dois.


  

Aqui estamos nós com mais um best-seller do Times. Uma história que todos vocês já ouviram falar. Ora, vamos falar sério: O Diabo Veste Prada é um dos filmes preferidos da Fox Channel ou da Rede Globo para exibição em um fim de semana. Só no ano de 2012, eu devo tê-lo visto umas vinte vezes.
Isso por que o filme é bom demais. Se estiver dando na tevê, eu provavelmente estou assistindo.
Então, eis que me apareceu o livro, e eu pensei: “Caramba! Como não soube disso antes?”. Isso por que a maior parte dos filmes realmente bem produzidos são, de fato, adaptações. Eu que não havia me tocado.
Mas me pus a ler, e como todos os que viram um filme antes de lerem um livro, li comparando uma obra com a outra. Mas como toda adaptação, o diretor, o roteirista, e mais toda a equipe mudam muitos pontos do livro. Cortam uns, repõem outros. Todos nós sabemos que a adaptação de uma obra para o cinema é realmente muito difícil (o tempo disponibilizado é de um minuto por página!), mas, vamos ser honestos: existem coisas que não precisavam ser tão diferentes.
Ainda assim, não acho que o filme O Diabo Veste Prada seja pior (ou necessariamente melhor) do que o livro O Diabo Veste Prada. Por isso, vou falar um pouco das vantagens e desvantagens de ambos. Vamos dar início à primeira postagem da coluna Livro versus Filme no (Con).


AVISO: Este artigo contém spoilers.




AUTORA X ROTEIRISTA



Uma das coisas que eu amei ao pegar o livro para ler foi, de fato, a pessoa quem o escreveu. Lauren Weisberger, a autora (uma moça muito divertida, por sinal), antes de escrever O Diabo Veste Prada, trabalhou como assistente pessoal de Anna Wintour, a editora-chefe da Vogue dos Estados Unidos.
Quer dizer. Que. Legal.
Anna Wintour,
editora-chefa da Vogue USA
e o diabo em pessoa. Embora
ela negue isso para todo
mundo. (:
Não sou uma pessoa ligada em moda, e tal, mas eu sei o que é uma Vogue. E imagino a pobre da Lauren Weisberger trabalhando para uma britânica insuportavelmente inteligente e esnobe. Quer dizer, olha a foto dessa mulher Anna Wintour! Veja só a perversidade correndo pela sua face.
Eu até consigo me imaginar trabalhando para ela: “Sah-rah! Sah-rah!, vou precisar que o meu tailleur Chanel seja passado para esta noite. Isso é tudo.”
Ugh.

Então, voltando ao ponto principal, já é super legal a Lauren ter tido uma experiência parecida para então, escrever seu best-seller, e ficar rica, e tal. Por que isso, ao meu ver, deixou a Andrea Sachs (ou Andy, para os íntimos), muito mais real. O livro é narrado em primeira pessoa e garante muitas risadas. É uma leitura super fácil e gostosa, e esse é o tipo de coisa que eu consumo em massa.
Esta é Lauren Weisberger, a autora
superfunny de O Diabo Veste Prada.
Aparentemente, os cidadãos leitores americanos de 2003, também. Hoje o mundo é dos anjos, vampiros e afins. Em 2003, as pessoas liam sobre diabos obcecados por echarpes da Chanel.
Como eu estava dizendo, o livro de Weisberger é muito gostoso de ler. Mas, honestamente, não é tão gostoso quando o filme de Aline Brosh McKenna.

Aline Brosh McKenna, a mulher que
escreveu o roteiro, mas que quase não
leva crédito.
O enredo de cada obra é bastante diferente, e eu tenho que assumir que o filme é mil vezes mais interessante. Talvez seja a dramatização, ou talvez seja por motivos de Simon Baker. Tá, tudo bem, falando sério. O enredo do filme é mais bem colocado e fatidicamente mais dramático e, às vezes, até mais engraçado. A forma como Andy se volta totalmente ao mundo da moda não acontece no livro, e você se pega esperando por isso. O acidente que acontece com Emily (o que desencadeia sua não-ida para Paris), também não acontece no livro. Andrea não transa com o Christian Collinsworth (infelizmente...). Na verdade, a estadia dela em Paris, no livro, é mínima e insignificante. Além disso, toda aquela comoção com a cena em que Andy corre atrás do manuscrito do quinto livro de Harry Potter (que, em 2003, não tinha sido lançado), também não acontece no livro. Há uma cena, mas ela é resolvida em minutos pela própria Andy em seu escritório. Miranda não sacaneia com o Nigel para ficar com a Runway. Até mesmo por que, no livro, o Nigel só aparece duas vezes.

E se todas essas cenas são obras de Aline, e não de Lauren, os meus parabéns estão indo para Aline. Por que, embora o livro seja muito bom (e ele é mesmo!), no quesito enredo, o filme é melhor.



PERSONAGENS X ELENCO





Isso é comum para uma adaptação, vamos lá. Quantas vezes você não se decepcionou quando foi ver uma adaptação e viu que os personagens eram completamente diferentes do que te foram descritos no livro? Isso é rotina.
Embora O Diabo Veste Prada tenha pegado pesado com o elenco (só gente de primeira, né, por favor!), eles simplesmente ferraram com minha imaginação em alguns personagens em específicos. Em compensação, em relação a outros foi um tiro certeiro. Vamos falar só dos mais importantes.
·                    Anne Hathaway interpreta Andrea Sachs, e tudo o.k. É complicado não imaginar a Andy como a Anne, por que, vamos ser sinceros, ela fez um trabalho incrível no filme e assumiu totalmente o personagem que Lauren projetou e Aline adaptou. Durante a narrativa de O Diabo Veste Prada, você quase consegue ouvir a voz da dubladora da Anne na sua cabeça. Só não consegue imaginá-la fumando, mas não vamos julgar a atriz por não contrair um câncer de pulmão. No livro, Andy tem 1,80 de altura e pesa 57 quilos. Ainda assim é taxada de gorda obesa na Runway.
Quer dizer, eu tenho 1,69 e peso 57 quilos. Na Runway devo ser uma baleia orca grávida de mil crias.

Anne Hathaway as Andy Sachs. Approved.

·                    Meryl Streep interpreta Miranda Priestly, o Capiroto-Maluco-Por-Echarpes-Chanel. Outra coisa com o livro. Deveria se chamar “O Diabo Veste Chanel”, e não “Prada”, por que Miranda é maluca por echarpes Chanel. Falam isso toda hora! Mas, tá, “Prada” soa mais legal.
E embora a Meryl Streep seja... tipo, a Meryl Streep, e tenha sido uma Miranda Priestly maravilhosa no filme, POR QUE PINTARAM O CABELO DELA? A verdade é que a Miranda do livro é loira, e é descrita mais ou menos como, de fato, a Anna Wintour. Aquela que foi a chefe da Lauren e tudo mais, e que desencadeou o sucesso desse livro. Mas convenhamos: Meryl fez grande parte de seus filmes de cabelo loiro, e poderia ter feito esse também.
Contudo, acho que o cabelo branco lhe deu uma cara de malvada mais substancial. Quer dizer, vocês se lembram da Cruella. É a Meryl, poxa.

Meryl-Lenda-Streep as Miranda Priestly. Approved.


·                    Tracie Thoms interpreta a Lily, e tá, a Andy não menciona realmente como é a aparência de sua melhor amiga. Mas não se parecia nada com a Tracie, na minha cabeça. Mas tudo o.k. Relevemos.

Tracie Thoms as Lily. Semi-approved.


Não vou falar do Adrian Granier agora...


·                    Simon Baker interpreta Christian Collinsworth e, caramba, não poderia existir um ator melhor para ser esse Deus Grego da literatura. No livro, Chris é dado como um verdadeiro cavalheiro-cafajeste, com aquele sorriso que faz derreter, e a Andy fica atraidíssima por ele logo de cara. Simon foi o cara para interpretar esse escritor. Desempenhou seu papel com maestria e gerou bastante comoção, por motivos de “ser gostoso”. Mas não vamos entrar em detalhes ;-)

Simon Baker as Christian. Uh, super-approved.

·                    Emily Blunt interpreta Emily e novamente, tudo o.k. Foi uma bela escolha, na minha opinião, por que a Emily soube interpretar bem seu papel e fazer as caras de tédio e pena que são descritas tantas vezes na obra de Weisberger. Gostei bastante.


Emily Blunt as Emily. Approved. 

·                    Stanley Tucci interpreta Nigel. E então chegamos ao ápice. Honestamente, o que o David Frankel (diretor do filme, e também Marley & Eu) queria? Ele simplesmente acabou com meus miolos quando transformou completamente o Nigel.
Todos concordamos que Stanley Tucci é um ator divino. Eu lembro dele em Beethoven (infância...), ou em O Terminal (enquanto Tom Hanks tentava aprender a falar inglês). Ele se deu super bem em Capitão América: O Primeiro Vingador. E, sendo eu uma tributo, posso dizer que não houve melhor escolha para um Caesar Flickerman. Convenhamos: Stan é o cara.
Mas Nigel é totalmente diferente de Stanley pela obra de Lauren. Na realidade, o Nigel não tem brilho nenhum no livro; ele é todo substituído por outro gay obcecado por moda, o James (interpretado pelo Daniel Sunjata, escolha o.k.), que por sua vez é totalmente excluído no filme. Bem, para ser mais direta, Nigel é, no livro, um negro alto de mais de dois metros de altura, profundamente escandaloso (suas falas são todas em CAPS LOCK), que usa roupas apertadas demais, mandão, e que fala coisas como “meu bem” ou “meu amor”, gritando, o tempo todo. Tipo, me faz lembrar a Vera Verão.
Então me expliquem por que diabos o Stanley Tucci foi escolhido para desempenhar esse papel, caramba?!
Por mim, honestamente, dava-se o brilho correto ao James. Por que ele é uma graça.

Stanley Tucci as Nigel. Not approved.

Daniel Sunjata as James. Approved.



ALEX X ...NATE?





É isso aí! Mudaram o nome do namorado da Andy.
Andy, mudei de nome
mas ainda te amo
rsrsrsrs
E eu fico me perguntando o porquê da Aline ter feito isso (favor ver a parte em que eu digo sobre as adaptações não precisar ser tão diferente de suas obras originais). Por mais que eu procure, sério, não acho uma explicação plausível. Deixar uma personagem com o cabelo da Cruella ao invés do loiro, o.k., mas mudar um nome é inadmissível!
Pombas!
Não foi só isso que mudaram no Alex. No livro, ele é o namorado de Andy há um tempão. Três anos, creio. Ambos cursaram a Brown juntos (literatura, inclusive) e fizeram um tour pela Europa nas férias, mesmo que não morassem no mesmo apartamento (nenhum dos dois estava preparado para isso). Então, após se formar, ele se torna um professor no Brooklin, trabalhando com crianças muito marginalizadas, e ele fica bastante chateado com a Andy ao longo da história por que ela só tem tempo para trabalhar.

E este é Adrian, o Alex/Nate.  Tudo bem, aprovado, ele é lindo.
Mas não é o que eu esperava.
No filme, Alex não é o Alex. Ele se chama Nate. É interpretado por Adrian Granier (agora vamos falar dele!), que, o.k., é um rapaz de olhos e boca bastante bonitos e chamativos. Ele é cozinheiro. E gostoso. Fica puto com a Andy quando ela dá interesse demais ao emprego (de modos diferentes, por que, no livro, existe uma DR infinita e tudo mais). Então sai. E aí ela transa com o Christian Collinsworth.
Resumi todas as histórias, beijos para mim.



MARCAS X FIGURINO




Durante a leitura de O Diabo Veste Prada, você vai encontrar uma infinidade de marcas que — se você for da roça como eu — nunca ouviu falar. Prada, Chanel, Versace, Gucci, Giorgio Armani, Barney’s, Calvin Klein, Fendi, Michael Kors, Sacks, Roberto Cavalli, Chloé, Jimmy Choo, Bergdorf. Eu acho que o mais perto disso que cheguei foi quando minha mãe ganhou um frasco mínimo de um perfume da Gucci. Pois é.
Este é o momento em que você, ligada em moda, vem caminhando até Brasília e me enche porrada.
Mas é sério. Todas essas marcas são muito acentuadas no livro, e a adaptação não deixou nada a desejar em relação à moda em si. Quem ficou responsável pelo figurino foi a Patricia Field, que também era a figurinista do seriado Sex And The City (!). Ela disse em uma entrevista que o que os artigos que as marcas acima disponibilizaram para o figurino do filme passou de $1 milhão de dólares (!!!).
A direção do filme foi muito boa e a história bem contada. Além disso, todos se vestiram muito bem. Investiram bastante em O Diabo Veste Prada e fizeram dele um ótimo filme. A forma como Andy narra suas colegas de trabalho esqueléticas enfiadas em vestidos de mais de dez mil dólares é constantemente marcada no livro.



ÚLTIMOS CAPÍTULOS X ÚLTIMOS MINUTOS




Ambos muito bem feitos. Como eu já disse antes, tanto a obra de Lauren quanto a adaptação de Aline merecem aplausos. Mas, como era de se esperar para um livro de comédia romântica, o fim é bem mais conturbado e engraçado. O modo como Andy está envolvida no mundo Priestly e nega isso a si mesma o tempo todo chega a ser quase idêntico. Tanto a Andrea Sachs do livro quanto a do filme desistem da carreira em Runway quando Miranda Priestly, a megera-mor, a diaba, a tirana, a perfeccionista, impossível e completamente doida da sua chefe, diz: “você me lembra quando eu era da sua idade”.
Só que a Andy do livro é um pouco mais radical quando lida com isso. Quando ela percebe que, sim, aquele “você me lembra quando eu era da sua idade” pode ser real, e ela pode, sim, continuar a trabalhar na Runway e ir subindo de carreira, até, vinte anos depois, se tornar uma mulher elegantemente supérflua, fria, arrogante, durona e extremamente maluca para tratar sem nenhum humanismo suas assistentes pessoais e subordinados como Miranda fazia com ela, Andy simplesmente perde a cabeça.
E eu, uma mera leitora, honestamente, amei isso tudo.

Aqui uma pequena comparação às duas, a "real" e a "ficcional".
Incrível como elas podem ser más e como a Meryl atribuiu o personagem bem.


CONSIDERAÇÕES FINAIS



Em geral, não me arrependi nem um pouco de ter lido o livro ou visto o filme. Ambas são obras maravilhosas, conduzidas por mentes igualmente maravilhosas que transformaram a história em algo maravilhoso se prestigiar (saudades, coesão).
Motivos para ler o livro: a narrativa é deliciosa e a leitura muito fácil; o enredo é munido de um humor saudável e muito difícil de encontrar; embora seja narrado em primeira pessoa, Andy às vezes é uma chata, e isso a torna muito mais real do que a maioria dos personagens que existem nos livros; os personagens são todos uma graça, e o livro trata de problemas reais e suas consequências, como o alcoolismo, coisa que não tem no filme; e, além disso, O Diabo Veste Prada é aquele tipo de história que você simplesmente não pode deixar de prestigiar. É como se ela precisasse estar com você.
Motivos para se ver o filme: o enredo, apesar de diferente, é incrível; Anne Hathaway e Meryl Streep deram a vivacidade necessária para seus personagens; Simon Baker; a fotografia é incrível; a trilha sonora é maravilhosa; Simon Baker; o desespero passado pela Andy é praticamente tangível; as risadas que você vai dar serão constantes; já cheguei a mencionar o Simon Baker?


Uma pequena curiosidade: em uma festa, à meio do livro, Andy afirma ver Gisele Bundchen como a supermodelo que ela era na época — 2003 — e é ainda hoje. Mas, no filme, a Gisele interpreta Serena, uma colega de trabalho praticamente insignificante. Li uma crítica onde dizia que, neste filme, ela não decepcionaria e nem seria alvo de piadas como foi em Táxi. Mas achei o argumento de muito mau gosto, por que, na realidade, ela só tem uma fala! “Humm... Bonita.” Eu até sentiria pena dela, caso ela não fosse tão rica. E não tivesse um marido tão gato.







13 de jan. de 2013

Contextuadas do Mês: Mary e Luana





Oi, pessoas *U* Bem, hoje estou aqui para anunciar as Contextuadas do mês de janeiro. Pois é. Dezembro foi cheio de postagem, e, tivemos a coincidência de ter duas meninas que comentaram o mesmo número de postagem (!), então, entrevistei essas duas lindas <3 Acompanhem.



INFORMAÇÕES BÁSICAS:
Nome: Maria Claudia Timo Moura
Apelido: Mary
Idade: 17
Fanfic favorita: Odeio Amar Você 2
Facebook: https://www.facebook.com/mary.timo












INFORMAÇÕES BÁSICAS:
Nome: Luana Bartz de Sá
Apelido: Lu
Idade: 13
Fanfic favorita: Odeio Amar Você 
Twitter: @LuanaBartz_
Facebook:
https://www.facebook.com/luuh.bartz





Primeiramente, meninas, vocês são as contextuadas do mês por serem as "comentadoras" mais frequentes do blog. Muito obrigada e parabéns!

Mary: uhu!!!!!!!!

Lu: Nhaww, que felicidade. *u*


Como vocês descobriram a OAV?

Lu: Eu lia uma ou duas fanfics no Foforks, e a Carol sabia que eu curtia, e um dia ela me apresentou  a OAV no Nyah!. Me apaixonei de cara.

Mary: Eu comecei a ler uma fic, mas a autora parou de escrever no meio e ai eu fui procurando outras, descobri a OAV 2 e fiquei completamente viciada.

Defina sua fanfic preferida em uma palavra.

Lu: Perfeita.

Mary: Vício

Nesse último mês o (Con) recebeu uma montanha de fanfics novas. Qual é a que vocês estão gostando mais?

Mary: Trucker

Lu: Trucker também. O jeitinho da fanfic é vida.

Então definam a Trucker em uma palavra também POASKASOPASK

Lu: Apaixonante.

Mary: Perfeita

Lu: É uma fic que você lê e não ver o tempo passar, dá umas boas risadas e owna o tempo todo. Sem falar que é uma leitura leve e deliciosa. ((:

E aí, gente, vamos falar sério. Aquela prévia de "Now" pirou todos nós. Ansiosas para o quarto album?

Lu: Pirou? Ansiosa? Sarinha, eu estou prestes a ser internada!

Mary: Eu estou pirando muito, aquela prévia é simplesmente INCRÍVEL.

Conhecer a OAV influenciou de alguma forma o relacionamento de vocês com a banda, meninas?

Mary: Sim, e é estranho mas seria mais estranho se não tivesse influenciado.

Lu: Claro. Me tornei parawhore de verdade após ler OAV, pois cada pouco que lia me fazia ficar mais curiosa a respeito da banda. O que resultava em pesquisas e me deixava mais perto deles. E amá-los cada vez mais...

E em relação à vida? Quer dizer, muita gente diz que "fanfics iludem os adolescentes". Vocês concordam com isso? Ler a OAV ou qualquer outra fic do (Con) iludiu vocês em relação a alguma coisa?

Mary: Sim, eu pensei que teria chance com o Jeremy, na OAV 1 quando ele ficou carente rsrsrs. Eu acho que em alguns casos elas podem iludir pois fogem muito da realidade, mas com as suas eu não senti isso.
  
Lu: Nem um pouquinho! As fanfic do (Con) são cheias de realidade do dia a dia, o que a deixa ainda mais perfeitas. Por exemplo, separações! Quando você vê isso numa fic? E lá tem. Poxa, é muito real. E me ensinou a ter uma outra perspectiva sobre amor (se for falar disso, vai resultar num texto! rsrs).

Isso é tão bonito, Lu. E falando sobre amor, deixa eu perguntar: as meninas estão amando?

Mary: Sim.

Lu: Sim, suas fanfics divas!

Você sabe o que eu quis dizer, Luana Bartz de Sá.

Lu: Amando não, mas gostando. 

Falando no assunto, se pudessem se casar com um personagem qualquer, quem seria?

Lu: NATEEEEEEEEE!!!!!!!!!!!111!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Mary: Luke

AGORA UMA DIFÍCIL: melhor livro que já leram.

Mary: A Carne, de Júlio Ribeiro

Lu: Difícil? Srly? Isso é impossível.

Você tem que ter um que goste um pouquinho mais OPSKPAOSK

Lu: Eu amo todos de um jeito diferente.

Então não tem resposta.

Lu: Pode ser só na categoria Romance? Já que você escreve Romances...

Pode.

Lu: A Última Música, Nicholas Sparks. 

Um filme que na opinião de vocês, ninguém poderia morrer sem ver.

Mary: Centopeia Humana rsrsrs. Um amor para recordar.

*risos*

Lu: Snow White and the Huntsman.

Mary: o 2 pra ficar mais emocionante. Falando sério, eu acho que Um Amor Para Recordar foi o único filme que me fez chorar.

Nhaw :'3 uma música que parece que foi composta para vocês.

Mary: Turn it off, Paramore.

Lu: Mary está roubando minha música. FAS´PFASÇFÁSÇF´PKASF

A mesma pras duas? ASOPKASPOAKS

Mary: kkkkkkkkkk

Lu: é minha música preferida safpoksof

Mary: ela é nossa. s2

Beleza. Agora digam sua citação favorita e uma citação minha favorita. Minha, vocês entenderam. Que eu escrevi. Da OAV ou etc.

Lu: "And the worst part is/ Before it gets any better / We're headed for a cliff / And in the free fall / I will realize I'm better off / When I hit the bottom" e "(...) Mesmo sendo errado à sua maneira, ela a ama. A ama de uma maneira tão substancial e inimaginável que não conseguia viver sem isso. O amor existe, e o amor verdadeiro existe também. Cabe a nós acreditarmos nele, mas não acreditarmos que ele chegará em forma de um príncipe encantado em carruagem de ouro."


Mary: "O essencial é invisível aos olhos" e "Se ele for verdadeiro, você ama para sempre, toda a sua vida."

Meninaas! Muito obrigada por responderem as perguntas e, mais uma vez, obrigada por terem comentado. Sério.

Lu: Entenda o talento que tem, linda.

Mary: O prazer foi todo meu. Você merece cada comentário.

Lu: Sarits, você merece. Agradeço você por nos compartilhar suas perfeições.



Muito obrigada para Mary e Luana que foram superfofas e responderam tudinho, e sobretudo por terem comentado  frequentemente no blog.
Quer ser o Contextuado do Mês de Fevereiro? É só comentar o que você lê. Ajuda muito a autora  (:

12 de jan. de 2013

Capítulo 3


Só estou vivo se estiver contigo 





Oooooi bebês lindos *U* Como vão vocês?
Eu estou muito bem, obrigada. Com saudade de ter internet todo dia, mas sobrevivendo. AUEHAIEUAHEIUAHEIUAEH
Não farei outro update por que as coisas continuam na mesma pra mim. Mas, como prometi, babys, SÁBADO É DIA DE ATUALIZAÇÃO. Daí vai ser sempre assim a partir de agora. Sábado, att. Always. Não esqueçam isso. Escrevam em suas agendas e marquem em seus calendários. Sábado é dia de atualização das fanfics do (Con).
Hoje Sarinha escreveu para esta fic amor <3
Mas vamos falar sobre a atualização passada.
Gente, sem querer ser chata mas já sendo insuportável, kd vcs? ._. me sinto abandonada mimimi
Mas enfim. Quem comentou, eu percebi que gostaram muito do meu Pierre, embora ele nem tenha aparecido <3 açska~s´polps´pas e esta Hayleeeeeeeey *U*
Eu não escondi, nem nesse último cap e nem no Trailer, que ela tem um segredo. Enfim. Ando dando muitas pistas. Vamos ver se vocês acertam.
E o Josh é mesmo o mais romântico que eu fiz, por que a história toda envolve um universo densamente trágico. Dramático. E isso meio que eleva meu espírito românico e me faz escrever essas coisas. Pois é. PAÇOSLKÃSPÓLA~´SPL]S´PAÇS 
E PFVR ESTE JEREMY "SOU-UM-PAI-PARA-O-JOSHUA" É MEU JEREMY MAIS ÇPAKSLÇPOAJKAJKIEAOLS A~SÓLA~POKÕHJQWPOJÕKSAA~PJ ASOPKEPOAIK´POLAS SÉRIO <3 amo amo amo
Mas enfim, amores. Essa fic é forte, sabe, embora esteja no começo e vocês ainda nao percebam isso. Eu tenho que ficar estudando e ._. anyway. Vamos para a att <3 ela ficou maiorzinha do que as demais, mas vocês vão gostar. Como prometi, terá uma nova personagem que <3 ai. só que </3 por que nao posso dizer. Mas ai. Além disso, OLHEM SÓ O TÍTULO SUGESTIVO. af ãpso][s´ça´[sças ai 
OPÇASK~POL~´SLPASP vão ler <3 





Havia sangue em suas mãos.

Com a ânsia correndo o estômago, a moça praguejou a si mesma por aquilo em pensamento enquanto tentava lavar-se em uma bacia enorme, mas com pouca água. O estoque potável estava cada vez mais escasso, e honestamente, ela perguntava-se diariamente o que aconteceria com a operação quando não houvesse mais o que se beber, sobretudo naquele lugar inescrupuloso. Sem que pudesse perceber, ela comprimiu os lábios ao tentar retirar o sangue seco de suas unhas.
Detestava quando os pelotões voltavam das guerras. Precisava fazer os piores curativos, limpá-los, conter todas as suas hemorragias, enfaixar e passar o pouco remédio em feridas e cortes já antigos, sujos e empoeirados, inflamados, cheios de pus. Tudo isso só para mandar aqueles homens de volta para suas trincheiras e seus tanques eminentes, de modo que eles pudessem servir a pátria como verdadeiros cidadãos, matando seus inimigos sem qualquer peso na consciência. Então, após a guerra, se conseguissem, voltariam para casa, sem os dedos da mão ou com uma bala alojada na coxa, mas encheriam o peito de orgulho ao dizer para os filhos que contribuíram em uma guerra onde milhões de pessoas morreram sem qualquer motivo.
Porcos imundos. Ela detestava todos eles.
— Hayley, não te esquece de passar as ervas nos braços, pelo amor de Cristo! — a voz fina da garota seis anos mais nova que Hayley e a urgência que ela empregara na oração fez com que a mais velha desse uma risada quase descontraída.
— Não me esquecerei, não te preocupe — ela direcionou um olhar quase bem humorado para a menina, que assentiu com a cabeça enquanto sacudia as mãos para retirar os vestígios de água. Um absurdo que mesmo tão nova ela já era obrigada a ver tantas coisas, e lidava com elas de modo tão maduro.
De certa forma, Hayley se via nela.
— É bom que não o faça, por que do contrário, você sabe — a garota deu de ombros —, pegará a doença tropical como todos os outros. Aquelas ervas repelem os mosquitos!
— Deixa de ser tola, menina! — apontou a enfermeira Watson, com seu sotaque britânico acentuadíssimo e extremamente desagradável aos ouvidos das duas garotas ali presentes. Embora Hayley também tivesse um sotaque britânico e dissesse a todos que viera de Manchester, sua fala nunca fora tão acentuadamente irritante. A enfermeira Watson parecia fazer questão de enfatizar sua voz. — Estas suas porcarias mal repelem as muriçocas que me atormentam durante a noite!
Hayley não interferiu, mas viu os olhos azuis da garota queimarem. Entendia, entretanto. A enfermeira Watson, como superintendente, era a que ficava responsável por ditar todas as regras dentre as demais mulheres. Provavelmente a única que realmente trabalhou com medicina antes da guerra, conseguia ser mais desagradável do que um doente em seu pior estado.
— Pois bem, então! Não te darei mais as ervas e espero que os mosquitos comam-te viva, ou infectem-te da mesma forma que fez com todos aqueles homens que morrem na tenda que a senhora nunca arriou o pé! — a menina Jenna respondeu, o peito arfando e os olhos crepitando, com bravura, coragem, rebeldia, e um bocado de estupidez. Tinha apenas treze anos, e praguejar a superintendente jamais seria uma atitude sagaz, não importa o quanto ela estivesse correta.
— Cala a tua boca, criança, que você não está lidando com suas amiguinhas! Dou-te uma surra que nunca esquecerá! — a velha respondeu no mesmo tom, passando as mãos ainda sujas de sangue pelo avental branco.
Hayley fechou os olhos por um segundo e pediu a Deus para que aquela discussão acabasse. Simplesmente não queria colocar-se no meio das duas mulheres para aplacar uma briga. Céus, elas estavam em Guerra Mundial! Será que era pedir demais alguns minutos sem a profunda presença e convicção de violência?
— Pois dê-me! — provocou Jenna. — Dê-me, e quero ver como irá dar conta de cuidar de todos aqueles doentes infectados, se morre de medo do contágio! Quero ver quem, além de mim e Hayley, tem coragem de entrar naquela tenda e tratar os pobres moribundos como os seres humanos que são! Quero ver quem vai fazê-lo, senão eu mesma!
A enfermeira Watson aproximou-se de Jenna e encarou-a furtivamente, como se fosse matá-la com suas próprias mãos a qualquer momento. A menina, entretanto, não abaixou sua cabeça e retribuiu o olhar a altura, demonstrando com o rosto todo o sentimento de profundo desprezo que sentia por sua superior sem medo de ser castigada.
— Acha que é muito importante, não é, menina? — sussurrou a enfermeira Watson. — Pois deixe-me dar-lhe uma notícia: você não é. É apenas outra garotinha perdida, enviada a este fim de mundo para poder ajudar ao menos um pouco o seu país imundo. Terá sorte se sair viva daqui.
Mas a menina Jenna, ao invés de intimidar-se, esboçou um sorriso sarcástico.
— Honestamente, enfermeira, sem a ajuda ilustre de minhas ervas, quem em breve sairá morta dessa operação não serei eu — a hostilidade presente na calmaria do tom de voz de Jenna era assustador. — O nome da doença é malária, ela é transmitida por um mosquito, e a não ser que dê um jeito de mantê-los longe de sua pele, cedo ou tarde acabará tendo o mesmo destino de nossos conterrâneos: a vala.
— Jenna — Hayley decidiu interferir, já prevendo que a superintendente começasse a vociferar e xingar a menina de todos os palavrões possíveis e existentes. Sua voz saiu firme, limpa, sem escárnios, como uma repreensão bem colocada. A garota de treze anos calou-se, embora a superintendente houvesse saído dali xingando-a de tola e insolente.
— Mas nem todos os nossos conterrâneos acabaram na vala — como um milagre, agora o rosto da adolescente ganhara cor e leveza. Um sorriso nascera em seu belo rosto. — Não é, Hayley?
O abalo da frase de Jenna na jovem de dezenove anos foi muito maior do que ela deixou transparecer. Molhou as mãos mais uma vez e esfregou-as na pedra de sabão, trabalhando para que o sangue seco de dissipasse da parte de dentro de suas unhas.
— Não sei do que está falando, Jenna — sua voz, como sempre, saiu limpa e firme. Seus olhos concentravam-se na tarefa de limpar as mãos e não demonstravam o abalo emocional sempre presente nela quando Joshua era mencionado, ainda que implicitamente.
— Não sabe, não sabe... — a garota ecoou as palavras da colega com um sorriso bonito no rosto. — Certo, fingirei que acredito. Ei, escutou os boatos?
Hayley sorriu.
— O que mais escuto nessas terras são boatos, Jenna.
— Estes são diferentes! — ela aumentou o tom de voz, como se para dar total credibilidade aos seus argumentos. — Na realidade, estão confirmados. Vão levar os homens da doença tropical aos Estados Unidos. Parece que a cura espontânea de seu mais novo namorado lhes deu esperança, e um avião virá buscá-los disfarçadamente.
— Eu não tenho um namorado — Hayley se apressou a dizer, embora sua cabeça trabalhasse atentamente em outras informações às quais a adolescente acabara de confidenciar-lhe. — Tem certeza disto?
— Sim, ouvi a megera conversando com o Sargento Davis. Ele disse-lhe para providenciar uma enfermeira que cuide da estadia da viagem dos doentes, e como apenas eu e tu temos coragem de entrar naquela tenda... — a menina deixou a frase morrer, tendo consciência de que Hayley sabia o que aquilo queria dizer. Certamente não queria entrar em um avião, embora tivesse consciência de que não precisava preocupar-se com isso. Depois da discussão que a superintendente tivera com Jenna, era bem mais capaz que a menina se expusesse ao perigo. Não Hayley.
Não tinha tempo para sentir pena, entretanto. De certeza, era uma boa informação que lhe fora contada em primeira mão, sobretudo quando havia sido confirmada pela garota em que Hayley mais confiava dentre as enfermeiras. Não havia nenhum motivo aparente para Jenna mentir, e ela jamais o faria.
Por isso, quando elas terminaram de lavar suas mãos e Jenna se dirigiu à tenda dos doentes tropicais, Hayley disse-lhe que iria até o dormitório para espalhar as ervas sobre os braços. Mas ao invés disso, abriu seu caderno de couro preto, molhou sua pena preferida na tinta e pôs se a redigir a notícia com toda a destreza para qual foi treinada.



[...]



Desde sua cura, ele não sentira mais a dor martelar em sua cabeça, forte e implacável, como se uma marreta estivesse dentro de seu crânio e tentasse sair a todo custo, jogando-se com força contra sua testa. A enxaqueca era terrível, mas naquela época, simplesmente não passava. A única coisa que pudera curá-la foram as mãos de Hayley.
Agora, sentado em sua maca e aprendendo a ignorar os lamentos dos homens sangrentos que estavam por toda parte, a cabeça de Joshua doía de novo. A carta de sua mãe continuava com ele, ainda aberta, enquanto ele relia mais e mais vezes. Num intervalo de doze horas, já a havia lido pelo menos cinco dezenas de vezes, procurando naquelas palavras a resposta para sua decisão.
Deveria voltar?
Com um suspiro, o soldado afundou o rosto em suas mãos calejadas. Não sabia mais o que fazer. Adentrara a guerra com o objetivo único de morrer pelo país e vingar seu pai com toda a bravura e coragem que tinha dentro do peito. Sabia que nas poucas batalhas em que participara, Joshua o fizera. Sempre foi muito bom com as armas, e dentro daquelas trincheiras, atirava na linha de frente acompanhado do sargento de seu pelotão. Dizimara mais alemães do que podia se lembrar, mas também conseguira salvar a vida de alguns amigos. Antes de ser atingido pelos sintomas implacáveis da doença, preparava-se para mais uma batalha, sem nenhum peso na consciência ou medo da morte.
Mas agora algo mudara dentro de Joshua. Não se sentia mais o homem frio e voltado para guerra como era antes de ser infectado e curado. Não se sentia mais inútil. Era como se uma parte dele, a emocional, houvesse deliberadamente reaparecido depois de muito tempo. Como se uma parte dele houvesse renascido.
De certa forma, Joshua, agora, se sentia... vivo. E sabia que isso se intensificava quando estava ao lado dela, de seu anjo. Sabia que o renascimento de sentimentos como a saudade, a mágoa, a culpa, o amor, era culpa do aparecimento de Hayley em sua vida. E, agora, mais do que tudo, Joshua sentia medo de morrer.
A carta de sua mãe intensificara tudo. Ver sua caligrafia, itálica, com seu habitual risco fino, fê-lo lembrar-se e sentir uma falta tão grande da mulher, que quase não conseguia se aguentar. A saudade comprimia seu peito, e ele queria, como queria, ver seu rosto de novo.
A incerteza sempre fora o sentimento que ele mais detestara. Embora soubesse que prometera ficar na operação e vingar seu pai, agora se perguntava se era mesmo o que deveria fazer. Queria voltar, ver sua mãe, manter-se vivo, acima de tudo. Mas também queria ficar e lutar, como prometera, e ver o rosto de Hayley sempre que se dirigisse a enfermaria. Seu sorriso bonito, seus olhos verdes que aqueciam sua alma, seus cabelos louros e perfeitamente alinhados ao seu rosto. Seus lábios rosados e bem delineados, que Joshua esperava um dia pressionar contra os seus.
Não aguentaria ficar longe dela. Não mais.
E embora ele supusesse que, para um avião transportar doentes, era necessário uma enfermeira para acompanhar o trajeto, duvidava imensamente que Hayley fosse de fato a escolhida para tal. E se por acaso fosse, algo dizia dentro dele que ela não aceitaria a missão e continuaria na operação, ali mesmo, no norte da África.
Joshua estava dividido e não sabia que lado escolher, o que fazer. Queria e não queria voltar. Sentia falta de sua mãe, mas se fosse para os Estados Unidos, morreria de saudades de Hayley. Queria vingar o pai, mas não queria mais morrer. Queria continuar na guerra, mas ainda assim, queria mais do que tudo que aquela guerra acabasse.
Tudo parecia tão distante. Tão incerto. Sua cabeça martelou de dentro para fora novamente, implacável, lembrando-o de que ele tinha uma decisão a fazer, embora não conseguisse decidir com clareza. Ele deitou-se de uma vez e fechou os olhos com força, forçando seu cérebro a esvaziar-se e sua cabeça a parar de doer. Não conseguiu nenhum dos feitos, entretanto. As incertezas e pensamentos confusos continuavam lá, assim como a dor.
— Josh? Está dormindo?
Como um milagre, seu rosto ganhou um sorriso imediatamente. Ele poderia reconhecer aquela voz firme e majestosa em qualquer lugar do mundo.
— Estou — respondeu ele, bem-humoradamente, subitamente esquecendo-se de todos os seus problemas. Pôde escutar a risada dela também, e isso o aqueceu por dentro. — Estou em meu mais profundo sono e, nesse momento, estou sonhando com a mulher mais linda que já vi. Chama-se Hayley e parece-me um anjo.
Com um tapa singelo diferido pelo seu ombro, Joshua abriu os olhos e encontrou-a, linda, com um sorriso envergonhado perdido no rosto. Sentou-se na maca e segurou a sopa de grãos que ela o trazia, como sempre, todo dia naquela hora da tarde. Em verdade, já se sentia forte o suficiente para sair dali, mas simplesmente adorava a companhia de Hayley, mais do que tudo. Era só o que importava.
— Deixe de ser tolo e tome sua sopa, está bem? — disse ela, com o mais bonito dos sorrisos no rosto. Joshua assentiu com uma breve continência, fazendo-a rir mais uma vez. Não sabia como aquele homem tão sofrido conseguira transformar-se em um rapaz tão charmosamente bem-humorado. Não sabia, sobretudo, o que acontecia com ela para que gostasse tanto daquilo.
— Como foi seu dia? Não a vi ontem e nem hoje pela manhã — perguntou ele, de repente, enquanto começava a tomar sua sopa. Como vinham fazendo desde o dia que Joshua acordara, ela sentava-se ao lado dele e fingia ajudá-lo, enquanto ambos conversavam sobre assuntos cotidianos e similares. Não importava, na realidade. Simplesmente gostavam de desfrutar da companhia um do outro.
Hayley suspirou.
— Não pude vir por ter de cuidar dos novos feridos. Muitos homens chegaram ontem das trincheiras, ao mesmo momento em que mais deles eram enviados. Dois dias inteiros, Josh. Alguns deles traziam amigos nos braços, já mortos, na esperança de que nós pudéssemos trazê-lo de volta a vida. Outros, simplesmente estavam baleados. Um deles morreu na minha frente por ter sido atingido na garganta. Os casos mais simples, tiros de raspão nos ombros, na cabeça. Alguns deles perderam membros com as granadas. Muitos estão sendo enviados para a vala neste exato momento — ela simplesmente não conseguiu parar de falar, com os ombros encolhidos, o olhar triste baixo. Joshua sabia o quanto ela detestava tudo aquilo, como detestava tratar de doentes só para que eles voltassem para a guerra e morressem. Embora ela não admitisse, estava estampado em seus olhos o horror que sentia ao ver tanta gente morrer por um ideal para o qual ela não lutava e muito menos acreditava.
Quis abraçá-la, mas ao invés disso, apenas tocou sua mão pequena e apertou-a sentidamente. Notou que ela apertava de volta, massageando o polegar na palma da mão dele, com um meio sorriso no rosto. Parecia iluminada enquanto encarava suas mãos entrelaçadas.
— Por isso inventei qualquer desculpa e vim ver você — disse ela, enfim, sem olhar em seus olhos. Seu sorriso ficou maior. — Não sei o que acontece, apenas sei que você me faz bem.
Então ela o olhou, com aquelas suas órbitas verdes esmeralda, brilhantes e absolutamente lindas. Aquele seu rosto iluminado, aqueles lábios rosados e levemente secos. Angelicamente.
— Você sabe que é o que me faz vivo — retribuiu ele, com um sorriso no rosto, encarando-a furtivamente. Abriu a boca para dizer mais, porém foi interrompido por ela:
— Não chame-me de anjo novamente, por Deus — disse ela, sorrindo, envergonhada, adivinhando as próximas palavras dele.
— E por que não? — o sorriso não abandonara a face de Joshua.
Hayley olhou para baixo, torcendo seus lábios timidamente.
— Por que não é verdade, Josh — respondeu ela, em tom explicativo. — Não sou um anjo. Nunca fui, e não estou nem perto de ser.
— Eu digo que está enganada — ele deu de ombros, como se não se importasse com as palavras dela. — Pode não ser um anjo comum, mas é o meu anjo. Disso tenho toda certeza.
Hayley sacudiu a cabeça, vencida.
— É mesmo impossível contestar você — disse ela, resignada, sem forças para discutir com Joshua pela verdade. Detestava-se por não ser o anjo que ele pensava que ela era, e esperava que um dia ele percebesse isso sem que ela precisasse dizê-lo. — Não está tomando sua sopa, Josh. Trate de comer. Sairá daqui ainda hoje.
Joshua assentiu com a cabeça e soltou sua mão após apertá-la mais uma vez. Enfiou uma colherada garganta abaixo, forçando-se a engolir o líquido.
— Gostaria de não ir embora — lamentou ele, o rosto encarando a tigela.
Hayley sorriu.
— Por quê? Céus, você passou a última semana sentindo-se bem, enfurnado nesse lugar cheio de miséria, e quer ficar? — perguntou ela, sem conseguir entender como seria possível que o soldado dissesse uma coisa daquelas. Era apenas surreal.
Foi então que ele suspirou, e o humor anteriormente presente em sua face deu espaço a tristeza e a angústia. Hayley deixou seu próprio sorriso se dissipar ao perceber que Josh não estava bem.
— Ontem o sargento veio me visitar — começou ele, sem tocar sua sopa. — Disse-me que minha súbita cura deu-lhe esperanças, e disse-me que um avião estava vindo buscar os doentes para serem tratados na América. Porém... ele me pediu para ir junto. Deixou-me sozinho com meus pensamentos, com o direito de escolha, e com uma carta recém-chegada de minha mãe. E... agora... simplesmente não sei o que fazer.
O choque da notícia fez Hayley achar que fosse desmaiar. Viu o mundo rodar abruptamente, até que suas vistas ficassem completamente negras. Nada viu, nada escutou, durante o tempo que lhe pareceu uma eternidade. Sentiu o pânico nascer na boca de seu estômago e tomar todo o seu corpo, com força e deliberadamente, fazendo dela uma completa escrava. Tudo ainda estava escuro, seu corpo havia endurecido, e demorou uma eternidade para o mundo voltar a ter cor. Ela avistou os cabelos lisos e os olhos castanhos de Josh e sentiu vontade de chorar, o desespero domando-a por completo.
Suas mãos começaram a tremer. Josh estava pensando em embarcar naquele avião? Não! Josh não podia entrar naquele avião! Não podia, Deus, não podia entrar! Hayley estava estática, pasma, seus olhos pararam como se fossem pedras, e em sua mente apenas ecoava a culpa, o desespero. Seu coração pareceu parar por um segundo e, depois, passou a martelar com toda a força e velocidade dentro de seu peito. O pânico tomara conta de sua mente, seu corpo, e sua alma.
— Não vá! — suas palavras saíram mais altas e desesperadas do que ela calculara. Não se importou, entretanto. Josh não podia ir! Não podia entrar naquele avião, por nada nesse mundo! Não podia! — Por favor, Josh, por favor!
O soldado encarou a mulher com seus olhos agora confusos. Nunca a vira daquele jeito. O desespero em seu olhar, o pânico presente em sua voz vacilante. O rosto completamente pálido e sem cor, implorando-lhe, suplicando-lhe. Pegou Joshua completamente de surpresa, subitamente. O homem não esperava por aquilo.
— Ainda não decidi o que fazer, anjo — disse-lhe com a voz mais terna que tinha, os olhos encarando-a como se para tranquilizá-la. — Ainda não sei como sobreviver senão ao seu lado.
— Josh, por favor, por favor... — seu olhar suplicava, desesperado. Joshua viu-a se aproximar, deliberadamente, e suas mãos tocaram seu rosto de modo sentido. Como se ela precisasse senti-lo para saber que aquele momento era real, que ele realmente considerava a hipótese de deixá-la. — Não entre naquele avião, eu imploro! Não vá embora. Por favor, por favor... Eu não posso deixar-te ir... Não posso... Josh, por favor, não vá. Eu suplico. Não me deixe aqui...
Sua voz estava quase chorosa, desesperada, e seus olhos encaravam-no profundamente, com todo o pânico existente em seu interior. O medo era tão forte e desencorajador que contagiava-lhe, fazia com que ele tivesse o ímpeto de segurar o rosto dela também. Virou as pernas para o chão, ficando, então, de frente para Hayley.
Foi a primeira vez que ela o abraçou. Simplesmente jogou-se nos braços do rapaz, passando as mãos pelo ombro dele, sentidamente, sem parar de fungar e implorar para que ele ficasse. Segurava sua nuca como se nunca fosse deixá-lo. Apoiava seu corpo no dele num ímpeto desesperado de senti-lo, tão perto quanto possível, para que então não o deixasse ir. Não o deixasse embarcar naquele avião maldito. As lágrimas saíam de seus olhos sem que ela se importasse em secá-las, e as palavras que ecoavam de sua garganta eram as mesmas que verbalizavam o mesmo pedido incessante.
Hayley não aguentava a ideia de perder Josh. Embora o conhecesse há pouco tempo, ele acendia um sentimento novo e ao mesmo tempo familiar dentro dela. Como Pierre costumava fazer, porém, mais avassalador.
Se ele morresse, ela também morreria.
Joshua, sem pensar, passou as mãos pelo seu corpo pequeno e apertou a cintura dela contra si, sem se importar com o mundo a sua frente, enquanto ouvia-a implorar e chorar para que ele não fosse embora, não a deixasse, não entrasse naquele avião. Os apelos dela eram desesperados, tristes. Joshua apertava o corpo dela com força, sentindo-se como se houvesse encontrado seu lugar no mundo. Enquanto ela estava em seus braços, Joshua sabia, não conseguiria deixá-la ir.
— Por favor... — ela implorou mais uma vez, apoiando o rosto no ombro largo do soldado e apertando-o com toda a força que tinha no corpo. — Não sei mais o que será de mim sem você aqui, Josh. Não vou conseguir suportar que entre naquele avião e me deixe. Não faça isso, eu imploro. Fique. Por favor...
Em meio às suas súplicas, apertando o corpo dela contra o seu, Joshua percebeu que fatidicamente não poderia entrar naquele avião. Não conseguiria ir para os Estados Unidos com o fantasma dela em sua mente, com a saudade aterradora que cortaria seu coração em pedaços. Não conseguiria ir com esse choro, esses pedidos, pairando em sua mente a todo o momento. Não conseguiria deixá-la. Não conseguiria separar-se de seu anjo, da mulher que salvara sua vida, da única que fazia com que ele se sentisse vivo.
Joshua só era feliz ao lado dela.
— Está bem, está bem... — murmurou ele, enquanto ela continuava a implorar, sentidamente, desesperadamente. Apertou o corpo dela contra o seu, sentindo um arrepio corrê-lo todo, a emoção ameaçando transbordar de seus olhos. Levou os lábios, lentamente, até a testa dela e segurou seu rosto, encarando seus olhos vermelhos e sua face pálida, sem cor. Olhou-a com afinco. — Não me vou embora. Prometo a você, anjo. É ao teu lado que me sinto vivo, e é aqui que ficarei. Não entrarei naquele avião.
Os lábios dela estavam comprimidos, seus olhos ainda amedrontados. Joshua limpou uma lágrima que descia pelo seu rosto com o polegar, lentamente, e aproximou a boca de sua bochecha sem cor. Beijou-lhe a face, sentidamente, e sussurrou mais uma vez que ficaria com ela, afirmando a resposta de todas as suas perguntas e suas incertezas.
Quando ela o abraçou mais uma vez, completamente entregue a ele, Joshua soube que só se sentiria vivo ao lado de seu anjo. Se a deixasse, morreria.
E, agora, tudo o que ele desejava era manter-se vivo. 






Aaaaaaaaaaai <3 Essa fic acaba comigo. Nathalia ficou me dizendo ontem sobre ela ter um romance muito intenso por causa da época. Disse algo sobre ela ser perfeita. AP~LASPOLASPÓL EU FIQUEI MUITO FELIZ POR QUE ELA CAPTOU EXATAMENTE O QUE EU SENTIA, O QUE EU QUERO PASSAR COM ESSA FIC. Por que, cara, tá certo que isso tudo foge totalmente do normal, e é muito surreal, mas... eu amo tanto isso? <3 E eu sei lááá. Adoro essa fic por ser intensa assim.
Espero que vocês também.
GENTE, EU TO APX POR ESSA JENNA PSKA~´SPOLAS]´ÇPS~´PASLÁSPO EU FALEI QUE ELA IA SER FODA, NÃO FALEI? Não é comum ver uma Jenna foda nas fics, na realidade, mas essa é. <3 13 aninhos, desbocada <3 aaaaaaf. Adorei ela dms ;_;
E a Hayles <3 
E esse Joshua todo confuso. Ai socorro.
Não vou comentar sobre o desespero dos últimos parágrafos. Deixo vocês pensarem um pouquinho paç~sl´~psl]a´pçs]a´pslo~pól 
amooooooores, daí eu não sei se postarei mais alguma coisa ainda hoje, mas acho que não vou não. Semana que vem tem Trucker, ok? Até o próximo sábado.
Love you, guys.
Sarinha <3