Mostrando postagens com marcador renascer. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador renascer. Mostrar todas as postagens

3 de mar. de 2013

Capítulo 5


ᡶ Tormenta, culpa, martírio ᡶ


OLÁAAAAAAAAAA *U*
Então, look, não vou falar uma Bíblia aqui por que já falei tudo o que precisava no capítulo da Trucker. SE VOCÊ NÃO LÊ TRUCKER, SO SORRYYYYY <3 mas falarei tudo o que preciso, ok?
Primeiramente: EU SEEEEEEEEEEEI QUE ERA PRA EU TER POSTADO ESSA FIC DOMINGO PASSADO, pois se vcs viram, eu mudei o dia de postagem pra domingo por que fica mais fácil para mim, agora que as aulas começaram e tudo mais. 
Mas não rolou de eu postar por que o word comeu o capítulo que eu tinha escrito.
Isso aí.
Acontece que eu fui formatar meu computador e fiz o backup e etc, mas por algum motivo desconhecido O QUE EU TINHA ESCRITO ANTES DA FORMATAÇÃO FOI PARA O INFERNO. Então, sem capítulo, eu fiquei com muita raiva e decidi não postar nada (:
De qualquer jeito, agora que eu reescrevi tudo, esse capítulo ficou curtinho. Mil perdões por isso.
Mas espero que vocês gostem.
Enfim, enfim, é isso ~ÇPAOS~QPOLSA <3 vejo vocês lá embaixo.


Ela pensou que se fechasse seus olhos e forçasse suas pálpebras de verdade, com força, talvez todos aqueles sentimentos fossem para longe dela. Pensou que se ela se esforçasse para expulsar tudo o que não deveria estar dentro de seu corpo — e coração —, ela poderia fazê-lo. Se ela se concentrasse, talvez, por um acaso, a culpa fosse embora de seu peito.
Não devo sentir culpa. Ela repetiu para si mesma pela centésima vez, e virou seu corpo para o outro lado, numa tentativa frustrada de conseguir qualquer descanso que fosse. Precisava dormir. Pregar os olhos por pelo menos alguns minutos antes do dia alvorecer, trazendo com ele o papel que Hayley deveria representar. Fingir, por mais um dia, ser uma cidadã inglesa e cuidar, novamente, de doentes “conterrâneos”. Ela não deveria se sentir culpada por isso, embora fosse esse o sentimento que oprimisse seu peito nesse momento. Hayley sabia que isso aconteceria.
Mas não sabia que iria acabar se apaixonando por um soldado americano.
Seus olhos foram pressionados com um pouco mais de força, sua visão ficando ainda mais escura — se é que isso era possível. Entretanto, mesmo que tudo o que enxergasse fosse escuridão, ela conseguiu ver o sorriso de Josh, luminoso e lindo, pouco antes de beijá-la. Viu, após, os olhos castanhos de Pierre pouco antes de partir, transmitindo-lhe toda a confiança e proteção de que Hayley precisava para viver. Por fim, viu o rosto de Jenna, furioso, enquanto discutia com a superintendente Watson. Sua face jovial e corajosa, a menina não tinha medo de mostrar seus verdadeiros sentimentos e valores, ainda que obtivesse tão poucos anos de vida.
Hayley, então, abriu os olhos, desejando dissipar sua imaginação traiçoeira, e encarou o pequeno relevo que conseguia discernir entre toda a escuridão. Era o que costumava ser a cama de sua colega adolescente, e até duas noites atrás, era possível ver o contorno de seu corpo pequeno.
Agora não mais. Nunca mais.
Embora a jovem de dezenove anos soubesse que não deveria se sentir culpada por que não era sua função, ela se sentia. O nó se apertou em sua garganta violentamente, dominador, acusador. Hayley sabia. Ela sabia que havia se afeiçoado à menina como se apaixonara pelo soldado.
Ambas as coisas não deveriam ter acontecido, mas aconteceram. Hayley não pôde evitar. Não pôde impedir-se de sentir.
Seu amor à pátria deveria ser maior do que tudo isso, mas por algum motivo... não era. Ela não criptografara hoje, nem fora ver Rudolph para lhe entregar as escrituras. Também não fora ver Josh. Mal conseguiu fazer seu “trabalho”. Sua cabeça, na realidade, estava no avião que partira nesse mesmo dia.
E, que, agora, já deveria ter sido bombardeado. Já deveria ter sido dizimado e morto. Assim como seus passageiros. Assim como todos os doentes tropicais e os pilotos americanos. Assim como a garotinha de treze anos que queria ser cursar medicina e cuidar de crianças órfãs.
Agora não poderia mais. Conhecer Hayley matara Jenna.
E, com o nó na garganta se desfazendo e desencadeando um choro sentido, Hayley soube que um dia, sua presença acabaria matando Josh também. 



[...]



Os olhos do homem se esgueiraram, o coração pulando do peito, abruptamente. Sua mente estava a mil. Seu corpo pedia descanso. Seus olhos ardiam. Sua pele suava, sem piedade, deixando-o completamente enlameado. Ao lado dele, outros homens, amedrontados e cansados, esgueiraram-se pelos sacos de areia, tomando o cuidado correto para não serem baleados.
Seus olhos ainda estavam atentos. Ele viu um braço sobre um dos sacos, a ponta de um capacete. Um bracelete. O símbolo nazista.
Meio segundo. Dois tiros. Um braço e uma cabeça perfurados. 
Ele se abaixou imediatamente, assistindo os sacos de areia se movimentarem, provavelmente sendo atacados por mais tiros daqueles alemães malditos. Com o peito arfando, a adrenalina correndo nas veias, ainda escutando os interruptos tiros dos mais de cinco mil homens que se espremiam naquele labirinto sem fim, Joshua se sentou ao chão. Seu corpo estava duro, paralisado de adrenalina, de fome, de exaustão, de medo, de nojo. Suas narinas já não se aguentavam com o mau cheiro. Homens mortos, ensanguentados, lamentos, podridão. Ratos do tamanho de gatos passavam pelas suas botas, fazendo com que sua espinha se arrepiasse por inteiro, alimentavam-se dos restos das latas e até mesmo de cadáveres. Ele olhou para o lado, o corpo tenso com o barulho dos tiros, aguentando o peso de sua farda — seria tolice dizer que ela pesava menos de trinta quilos. Avistou um homem em posição fetal, a cabeça entre os joelhos, chorando sentidamente. Murmurava sem parar, provavelmente coisas sem sentido. Sua mente cedera. Enlouquecera-se pela guerra.
Joshua nunca vira o inferno, mas estava convencido de que a guerra era pior. Nem mesmo o inferno poderia ser tão repleto de obscuridade, tristeza, maldade.
Retirou os olhos do louco e encostou sua garrafa suja de água nos lábios trêmulos. Já se fazia dois dias. Quase não havia mais suprimentos, mal conseguira comer, tinha certeza de que não dormira um segundo que fosse. Um gole quente rasgou sua garganta e ele novamente segurou sua metralhadora pesada, virando-se para os sacos de areia, tentando não se importar com a trincheira e todo o mau que ela lhe trazia. Precisava continuar lutando. Pelo seu país. Pelo seu pai. Por ela.
Assim que seus olhos se esgueiraram sobre o saco de areia mais uma vez, alguém atirou contra ele. Joshua se abaixou. Por um milésimo de segundo não havia sido baleado. Com a adrenalina correndo as veias, virou-se imediatamente e cruzou o fogo. Viu a cabeça do homem desaparecer e abaixou-se novamente, os tiros sendo diferidos contra seu saco de areia impiedosamente. Sentiu vontade de se levantar mais uma vez e atirar contra mais cinco alemães nojentos, sem medo e sem escrúpulos, como fizera algumas outras vezes. Seu interior clamava por aquele perigo, pela vontade de arriscar sua vida miserável num fogo cruzado e ajudar na guerra, vingar seu pai da maneira que deveria.
Aqueles alemães haviam começado a guerra. Por culpa deles, Wayne Farro estava morto.
E Joshua não hesitaria em arriscar sua própria vida em honra à vida de seu pai. Pelo menos, era assim que o jovem encarava a guerra antes de conhecê-la.
Agora ele sentia medo. Sentia medo de não vê-la novamente.
Foi por isso que ele não se ergueu de uma vez e ativou sua arma automática, abusando de sua boa mira e habilidade bélica para acertar o meio da testa daqueles soldados inúteis. Por que se ele fosse baleado, poderia morrer. E se morresse, nunca mais veria Hayley.
Ele não tinha mais noção de tempo. Não se dava conta da alvorada, não dormia ao pôr do Sol. Sentia-se fraco, pequeno, um escravo do medo e de tudo o que era de mau. A morte percorria-o, rodeava-o como nada jamais rodeara antes. Ela estava ao seu lado, em seus conterrâneos, caídos, aos seus pés. Estava acima dele, nas estrelas que vinham junto à Lua, recebendo todas as pobres almas que subiam, impiedosamente, vítimas de uma guerra insana. A morte estava em suas mãos. Pesava seus músculos dos antebraços e apoiava-se em seu ombro. Saía em fogo, a bala que se alojava no inimigo.
Joshua não queria morrer, mas sabia que era a morte. Sabia que a cada minuto que respirava, era um minuto mais próximo de seu fim. Ainda enquanto atirava, sentava-se no chão sujo, abria uma lata e tentava colocar água em seus lábios, ele sentia-se um grão de areia em meio a um deserto. Inútil, pequeno, sem valor. Sentia vontade de chorar por querer ser algo mais, por querer aproveitar o tempo que lhe fora dado. Sentia vontade de chorar por saber que o tempo que deram ao seu pai fora-lhe cruelmente retirado.
Então ele levantava-se, engolia as lágrimas, e atirava novamente, rezando para que um dia Deus pudesse perdoá-lo. Ou para que, um dia, ele obtivesse a chance de se redimir perante sua inferioridade.



[...]



Os soluços invadindo sua garganta, os olhos transbordando, os pulmões respirando o ar seco do deserto com toda a voracidade, Hayley não podia acreditar. O terror, dominador e indomável, antes corria em suas veias acompanhado do sangue. A hipótese quase certa da morte do único homem que um dia ela realmente necessitara estar morto era muito mais do que dolente. Saber que ele estava há quatro dias e três noites no maldito campo de guerra, lutando, em meio a tanta sujeira e tanta violência. Saber que a todo o momento, homens chegavam, mortos ou completamente ensanguentados, fugidos das trincheiras, mas não sabiam responder a ela se Josh ainda estava vivo. Saber que ele só precisava de uma simples perfuração para que não estivesse mais junto a ela. Saber que isso poderia ter acontecido. Talvez houvesse acontecido.
Fazia-a querer morrer também.
Hayley nunca se sentira tão dependente de alguém antes; nem mesmo em relação a Pierre, desde sempre seu anjo protetor. Passara os últimos dias com a garganta apertada, o estômago revirado. Passara as últimas sessenta horas dentro da tenda dos doentes tropicais, mas olhando a fila de homens que chegavam das trincheiras a cada cinco minutos. Tinha, tanto, a esperança de encontrar Josh por ali, em pé, sujo de terra, conversando com um de seus amigos, intacto, vivo. Olhava para cada rosto, cada homem, sem conseguir respirar pela perspectiva. Então, ao não vê-lo, seu coração murchava, sua garganta se fechava, o choro queria se desencadear. Doente, machucada, aflita, atormentada e angustiada, ela voltava para a tenda onde homens esperavam sua morte impassível. O estado em que alguns se encontravam fazia-a sentir-se ainda pior. Havia um tempo em que ela honestamente não se importava nem um pouco com a saúde, física ou mental, desses americanos e ingleses tortuosos. Para ela, mereciam sofrer, tinham o direito o de estar ali, no leito de morte, sofrendo, só pelo fato de fazerem parte da mesma nação que retirara o seu anjo protetor da sua vida. Não lutavam do lado certo. Deviam morrer, da forma mais dura possível.
Tudo estava tão sombrio agora. Suas preocupações e ideais estavam tão nebulosos, incertos. E ao mesmo tempo em que ela gostaria de voltar a ser o que era antes, enjoava-se da pessoa que um dia fora. No fundo de seu coração, Hayley só queria viver. A vida, a dor, o sorriso, o amor.
Mas sabia que isso seria impossível sem ele. Percebeu que, muito embora o conhecesse há muito pouco tempo, era como se seu coração o reconhecesse desde sempre. O gosto de seu beijo ainda rondava seus lábios, o cheiro de seu corpo ainda invadia seu olfato. Nada doía mais do que imaginar a hipótese de que aquela seria a última vez que ela os sentiria.
Por isso, agora, Hayley chorava. O alívio que invadia seu corpo era muito maior do que qualquer coisa que já sentira antes. Não podia acreditar que após dolorosos quatro dias, finalmente ela estava em seus braços. Finalmente sentia o corpo dele junto ao dela. Finalmente tocava seus cabelos finos, seus ombros fortes, mas ao mesmo tempo tão frágeis. Não podia acreditar que sentia sua respiração no pescoço, que sentia o calor de seu corpo, que sentia as mãos dele tocarem sua cintura com tanta força, como se ele precisasse dela tanto quanto ela precisava dele. Não podia acreditar que largara tudo o que estava fazendo na tenda dos doentes tropicais e saíra correndo para depois cair em seus braços, seu peito, seu abraço, nele em si. Não se importava se estava sendo indulgente, abraçando-o no meio da fila, atraindo os olhares de seus colegas enfermeiros e dos soldados que ali se encontravam. Não se importava nem mesmo se Rudolph assistiria a cena. Tudo o que precisava, naquele momento, era abraçá-lo, ter a certeza de que Josh estava ali, vivo, para ela. Abraçá-lo até que o calor do corpo dele jogasse fora a angústia, o medo, a tortura. Abraçá-lo até que ela se sentisse viva novamente.
— Estou aqui — sussurrou Joshua, os lábios secos beijando sua testa, as mãos calejadas apertando sua cintura. Hayley ainda soluçava baixinho em seu peito, segurava-o com toda a força possível. — Estou aqui, anjo. Estou aqui.
— Achei que... você havia sido morto... — disse ela, aliviada e desesperada ao mesmo tempo. — Eu estava tão... tão...
Exausto e ao mesmo tempo aliviado, Josh beijou sua testa novamente. Segurou seu queixo delicadamente, fazendo-a olhar para seu rosto mais bronzeado do que o normal, seus olhos castanhos e cansados, suas bochechas cobertas por pelos que insistiam em nascer.
— Estou aqui. Voltei para você. Vivi para você. — Disse ele, ainda com os olhos colados aos dela. Não aguentava vê-la daquela forma. — Acalme-se, anjo. Não irá livrar-se de mim assim tão facilmente.
Sem saber exatamente como, Hayley conseguiu sorrir. Abraçou-o novamente, com força, e escutou-o gemer de dor. Preocupada, afastou-se no mesmo momento.
— Está machucado? — perguntou.
Josh suspirou.
— Dolorido — esclareceu ele. — E exausto. Um morto-vivo. Cortei a mão esquerda com uma lata — ele lhe mostrou, mas Hayley não conseguiu ver exatamente onde estava o corte. A mão de Josh estava cheia de sangue seco e terra, muita terra. Sua pele nunca esteve tão morena, seus olhos, tão cansados. Hayley já havia visto casos piores do que aquele e sabia que ele precisava urgentemente de sono.
— Preciso voltar ao trabalho de qualquer maneira — ela mordeu os lábios. — Quando sentir-se melhor, me procure, sim?
Ela pôde vê-lo sorrir.
— Já estou melhor por te ver.
De fato, estava. Ainda que Joshua não houvesse dito a ela o real motivo de ter cortado a mão, o quanto sua pele ardia por conta do sol, ou o número de pessoas que vira morrer (e que matara). Estava feliz por finalmente ter saído da trincheira, mas odiava saber que estivera lá um dia. Odiava saber que necessitaria voltar para lá muito em breve. Simplesmente odiava.
O corte em sua mão só provava a ele o quanto aquele ódio era compreensível. Uma faca que cruzara sua palma quando ele tentou impedir um homem de se matar em meio a tanto ódio, sofrimento, podridão. Para poder enfiar a faca no próprio estômago, o homem precisou passar a lâmina na mão do soldado para que o deixasse fazer o que queria. Joshua ainda se lembrava da cena. Viu o rapaz, com lágrimas nos olhos, girar a faca em seu próprio abdômen, e puxá-la, aos berros. Apunhalou-se de novo. Gritou. E apunhalou-se de novo, antes de cair ao chão, cuspindo sangue enquanto implorava misericórdia à Virgem Maria. Com a mão jorrando sangue, o som dos tiros ressoando seus ouvidos, Joshua Farro assistiu seu conterrâneo morrer em alguns minutos. Sua faca alojada na barriga perfurada. Seus olhos, grandes e azuis, abertos, sofredores. Não o conhecia, mas o reconheceria em qualquer lugar. Aquele homem provavelmente abandonara mulher e filhos no momento em que retirou a própria vida para fugir da guerra.
Aquela imagem não sairia de sua mente tão cedo. Joshua sabia. Sentia que, se fechasse os olhos, o veria morrendo mais uma vez. Sentia que não havia sabão e água o suficiente para lavar a maldita lembrança de seu corpo. O sangue quente daquele homem estava impregnado nele. Para sempre.
Isso era a guerra. A mancha de sangue em sua alma, que jamais dispersaria, jamais iria embora. A morte. A maldade. O sofrimento.
Ver Hayley a sua frente, finalmente, fazia-o acreditar que ainda existia amor no mundo. Joshua queria acreditar. Queria acreditar que sairia dali, junto a ela, e eliminaria a mancha de morte e sangue fresco de sua alma sofredora. Mas não iria. Não enquanto se lembrasse do homem de olhos azuis apunhalando-se e morrendo. Não enquanto não perdoasse a si mesmo pelos tiros que diferira a tantas pessoas, ainda que fossem alemães nojentos. A mancha estava para sempre em seu espírito para sempre.
Joshua era a mancha.




ENTÃÃÃO.... isso ficou meio forte. ÇPAOSK~PQOASJÇPQIJKAWS
Justamente toda aquela parte da guerra e tudo mais, eu expliquei que ia ser complicado ):
MAS ENFIM, AMORES, fala sério. Eu ENTREGUEI O SEGREDO DA HAYLES DE BANDEJA NESSE CAPÍTULO, HEIN? AÇOSIQJWÇOAISHÇOQIWJSAOIJW já tem uns espertinhos que sabe o que tá acontecendo. E aí? Cê sabe? me conta nos comentários.
E.... tudo bem, eu não sei mesmo o que dizer mais, por que disse tudo na Trucker. ÃPSOQL~PSOKAS mas enfim.
Amo vocês. Comentem pra mim, sim? Esse capítulo foi muito difícil de escrever, ainda que seja tão..... pequeno. Desculpem por isso. Sério. Mas enfim. <3
Muito amor,
Ahniras <3



26 de jan. de 2013

Capítulo 4

ᡶ Perco-me em teus lábios ᡶ

 

 

 

No céu, as estrelas exibiam todo o seu esplendor, brilhantes e maravilhosas, dando um show de luz como bem fazia a Lua cheia, tão grande e linda que um homem com boa imaginação poderia alcançá-la com as mãos. Movido por um impulso jovial, ainda com as palavras do amigo ecoando em sua mente, o soldado encaminhava-se para um dos dormitórios acompanhado apenas de suas amigas estrelas. Um sorriso pairava levemente em seu rosto recém-barbeado, dando a quantidade de leveza, jovialidade e paixão para um belo homem de vinte e um anos.
Incomum, no meio de uma Guerra Mundial, estar tão feliz. Em um lugar onde predominava a violência e o ódio, no coração do rapaz tudo o que se encontrava era felicidade, leveza, vivacidade. Não sabia onde perdera tudo o que tinha de ruim no coração, mas substituíra por tudo o que havia de bom. Tudo o que ela lhe dava de bom.
— Vou contar-lhe uma novidade, meu amigo — havia dito Taylor, alguns minutos atrás, soltando o braço de seu violão encordoado em nylon para segurar no ombro de Joshua. — Você está apaixonado.
Recordando as palavras de seu amigo enquanto cantarolava uma das músicas que ele tocava há poucos minutos atrás, Josh pegou-se sorrindo mais uma vez. Obviamente, ele negara de todas as formas que estava apaixonado, e viu até mesmo Jon retirar o cigarro de sua boca para dar uma risada que baforou todo o ar ao seu redor.
— Não adianta negar, Farro — dissera o artilheiro, sem a camiseta e com os pés levantados para cima, o cabelo bagunçado e o cigarro no canto dos lábios enquanto ele falava. — Está amando. Uma moça não faria com um homem o que ela faz contigo, caso ele não estivesse apaixonado. Aceita teu rumo.
Taylor rira, o chapéu curto pairando no canto de sua cabeça e um sorriso despreocupado nos lábios. Como sempre, à noite, ele se livrara de toda a farda que usualmente utilizava. Dedilhou uma sinfonia qualquer em seu violão barato, apaixonadamente, e só retirou os dedos do instrumento para aceitar o cigarro que Jonathan acabara de partilhar com ele.
— Quando conheci minha Dakotah, estava indo para o cinema mudo, ver um clássico de Chaplin — disse ele, seus olhos verdes brilhando e encarando o teto, enquanto tragava o cigarro e baforava o ar. — Lembro de tê-la visto, sozinha, na sala. Sentei-me ao seu lado e, curioso, perguntei o porquê de ela não estar no cinema colorido, com som, assim como todos o faziam naquele momento. Ela olhou-me, então, e sorrindo disse-me que em sua opinião, a magia do cinema se encontrava em sua linguagem não-verbal, na música, na ausência de cores. Foi então que eu concordei e pensei, com um sorriso: é com essa garota que vou me casar.
Jonathan e Joshua já riam, principalmente no final, quando Jon decidiu dublar as palavras de Taylor, sempre as mesmas, quando ele contava-lhes a “história de quando conheceu sua amada”. Intimamente, Joshua concordava sobre a magia do cinema mudo, mas nunca dizia tal coisa por que sempre precisava rir da alma extremamente apaixonada de Taylor e da áurea que ela transmitia. Era simplesmente contagiante.
— Já sabemos, York. Depois você passou a ir à casa dela, e quando o pai da menina ameaçou-te com uma espingarda, passou a encontrá-la às escondidas, blábláblá. Casaram-se e tiveram uma filha, justamente como você previra naquele dia, no cinema — Jonathan continuou a história no automático, fazendo pouco dos sentimentos do amigo, mas sem exatamente desrespeitá-lo.
— Não entende onde quero chegar, não é, Howard? — o sorriso de Taylor era irreparável. Ele encarou Joshua. — O que estou querendo dizer, é que assim que vi minha garota, soube que ela era minha, e quando saí do cinema já estava completamente apaixonado. Mas não quis admitir isso de imediato, é claro. Assim como nosso amigo.
Joshua sorriu, negando com a cabeça enquanto sacudia a camiseta branca que iria vestir. Seus amigos conseguiam ser bem piores do que as mulheres amigas de sua mãe quando chegava a hora da fofoca. Chegavam a ser irritantemente chatos.
— Não estou apaixonado — disse ele, suspirando. — Adoro-a, não nego. Seus olhos e seu sorriso são os mais belos que eu jamais vi, e, céus, vocês a viram! Ela parece de fato um anjo! E, além de tudo isso, curou-me. Sei que curou. Ela me deixa vivo.
Taylor deixou-se dar uma gargalhada.
— Joshua, você basicamente acabou de dizer: “eu não estou apaixonado, mas eu a amo” — Taylor afinou sua voz para imitar o amigo, embora, na realidade, sua voz fosse bem menos grossa do que a de Joshua. Isso fez com que Jonathan risse outra vez antes de baforar seu tabaco. — Não pode negar, meu amigo, você está completamente apaixonado. Adora-a, quer tê-la, e céus, eu te conheci antes de contrair a doença! Não via sorriso nesta tua cara. Seus olhos costumavam a serem sombrios, malvados, mas agora estão assim: brilhantes, vivos. Essa garota não te curou apenas fisicamente, ela te curou emocionalmente. Não consegue ver?
Jonathan assentiu com a cabeça.
— Taylor tem toda razão.
Josh coçou sua cabeça, procurando na mente alguma maneira de fugir daquele assunto, mas sabia que não conseguiria. Já havia algum tempo que ele vinha pensando nessa possibilidade e, a cada dia que se passava, mais ele se convencia de que era real. Hayley era seu combustível para continuar vivo. Era sua alma, seu coração. Seu sorriso era tudo o que ele precisava para ter um dia feliz. Não se cansava nunca de imaginar seu olhar majestoso, sua boca delineada, tão linda. Poderia passar a eternidade sentindo-a perto dele, o choque de suas peles, seu rosto macio, suas mãos delicadas, sua cintura fina. Seus cabelos louros, perfeitos para emoldurar seu rosto angelical.
Oh, céus, não havia alternativa senão a de que seus amigos tolos estavam completamente corretos.
— Ela curou-me — Joshua concordou, assentindo com a cabeça. — Mas não posso apaixonar-me aqui. Por Deus, estamos em guerra!
— E daí?! — Taylor exaltou-se. — O amor vem quando menos esperamos, meu caro.
Joshua encarou-o.
— Como posso cortejá-la neste inferno de lugar?! Certamente não era difícil fazê-lo se estivéssemos na cidade, mas, Taylor, estamos em guerra. No meio de uma operação. No deserto norte-africano.
— Há várias maneiras de se cortejar uma moça, Joshua, não se faça de tolo — Taylor deu de ombros, os dedos novamente pousando nas cordas de seu violão. — Certamente você não irá arranjar uma floricultura por aqui, mas mulheres gostam de criatividade e espontaneidade.
— Dê cigarros a ela! — Jonathan gritou num impulso, fazendo com que os homens dessem uma risada sonora. Certamente a nicotina já fazia efeito no cérebro do rapaz.
— Ela não fuma, disso tenho certeza — Joshua respondeu a Jon, ainda com o sorriso em seu rosto. Virou-se para Taylor, certo de que não haveria como ser criativo e espontâneo em um lugar onde predominava as armas e a morte. — E como eu poderia ser criativo e espontâneo, Don Juan?
Taylor sorriu, como se estivesse lidando com amadores. Seus dedos novamente tocaram uma sinfonia lenta e romântica e ele olhou para o amigo tranquilamente, deixando as mãos trabalharem por si só.
— Ora, que tal um passeio à luz da lua?

Agora Josh encarava a Lua, grande, e pensava consigo mesmo que essa talvez fosse a única vantagem daquele lugar inescrupuloso. O céu, cinzento, era composto pela mais bonita constelação que ele já presenciara, embora nunca houvesse observado-a em outra ocasião. O ar estava frio, mas não gelado. Chegava a ser quase aconchegante. O silêncio era geral, exceto pelo som das botas de Josh contra o chão seco, mas refletindo sobre isso ele chegou à conclusão de que isso parecia aumentar a beleza da noite.
Parecia perfeito para um rapaz apaixonado que agora queria levar sua enfermeira para um passeio e, de alguma forma, cortejá-la.
Com certo nervosismo presente nele, Joshua chegou ao dormitório das enfermeiras. Ajeitou a farda sobre os ombros, eretos e mais fortes, e preparou seu melhor sorriso. Sabia, entretanto, que estava muito mais apresentável do que deveria estar quando era apenas um doente na lista de Hayley. Fizera a barba, tomara um belo banho, penteara o cabelo. Embora soubesse que os pelos de seu rosto deveriam estar muito maiores do que fatidicamente estavam — supôs que foi barbeado por ela própria, enquanto dormia —, Joshua nunca deixara a barba crescer e não seria agora que deixaria. Raspou o rosto com a própria navalha assim que saiu da enfermaria e foi juntar-se aos amigos em seu dormitório.
Também estava curioso para saber como era Hayley fora daquele mesmo traje igual de enfermagem. Por isso, antes que se arrependesse e desse meia volta, distribuiu três batidas singelas na porta improvisada do dormitório das meninas. Ouviu sussurros e, então, pôs-se a esperar. Como era evidente, o dormitório estava completamente escuro, mas ainda era possível que houvesse uma lamparina acesa, como faziam Taylor e Jonathan naquele momento.
Antes que Joshua pudesse pensar mais sobre isso, a porta foi aberta, revelando uma garota de no máximo quatorze anos de idade, a julgar por sua altura, seu corpo e seu rosto travesso. Em suas mãos, uma lamparina improvisada queimava o óleo. A garota pareceu encarar Joshua por quase um minuto inteiro até, de súbito, reconhecê-lo e esboçar um sorriso maroto.
— Hay? — ela proferiu, sem virar seu rosto. Os olhos continuavam presos em Joshua, quase sapecas, de modo que o deixou quase envergonhado. Mas ao invés disso ele dirigiu um sorriso de cumplicidade para a garota. — É para você.
— Como? — Josh pôde escutar o sussurro dela, vindo do canto esquerdo do dormitório enorme. Parecia de fato que elas eram as únicas moças acordadas àquela hora da noite.
A menina olhou para Josh e fez um sinal para que ele esperasse por um segundo, sem abandonar seu sorriso esperto. Saiu, então, quase saltitante, de modo que ele pôde inclusive escutar o som de seus pés.
“Seu namorado está aí” ele ouviu a menina sussurrar, acompanhada de um risinho. Sorriu ao escutar a voz atrevida e impertinente dela.
“O quê? Josh?” Hayley havia respondido, e algo dentro de Josh se animou ao saber que era dele que ela se lembrava quando mencionavam um namorado. Nunca havia perguntado, mas, é claro, seria bastante improvável que Hayley mantivesse um relacionamento com alguém.
Mesmo assim, a notícia fez com que o arrepio de ansiedade e nervosismo em seu corpo se tornasse mais forte. O homem quase se sentia um adolescente.
“Não sei se é esse o nome dele, mas é o rapaz de olhos bonitos que te faz sorrir feito boba” Joshua quase pôde ver a menina dando ombros. “Acho melhor você ir agora. Não se preocupe comigo, te acordarei antes de embarcar naquele avião. Saia antes que a megera te veja”, novamente, as palavras da garota. Josh supôs que seria ela a enfermeira que embarcaria ainda essa noite, junto a tantos outros soldados doentes. Céus. Tão nova.
Então, meio minuto depois, lá estava ela a sua frente. Ele perdeu sua voz e seu juízo quando visualizou-a, tão linda, angelical, perfeita, à luz da Lua e da lamparina que ela provavelmente pegara da adolescente. Era a primeira vez que Joshua via seu cabelo solto, liso, sobre os ombros nus. Em seu corpo, um vestido azul claro que ia até os joelhos. Joshua poderia passar uma vida inteira apenas contemplando sua beleza estonteante. Poderia passar o resto de seus dias sentindo-se tonto e bobo, suas pernas bambas, seu olhar fascinado. Poderia olhá-la para sempre, e não se cansaria, nunca. Ela seria tudo o que ele precisaria.
— Josh! O que faz aqui? — perguntou ela, surpresa e animada ao mesmo tempo. Seus olhos verdes esmeralda eram sempre lindos, mas à luz da Lua eles estavam hipnotizantes. Ela o encarava com fascínio, o sorriso no rosto aumentando cada vez mais.
— Vim te convidar para sair — disse ele, ereto e com a voz bem encorpada, como se houvesse treinado para aquilo uma centena de vezes. Um sorriso brincava no rosto, como aquele adolescente que convidava a primeira namorada para tomar um sorvete.
Isso fê-la sorrir de uma maneira que fez com que tudo valesse a pena.
— O que deu em você? — ela perguntara, sem conseguir arrancar o sorriso estupefato e perfeito de seu rosto. Não poderia estar mais surpresa.
Mas também não poderia estar mais feliz.
— Vim te convidar para sair, ora! — ele afirmou mais uma vez. — Está certo de que não há cinemas por aqui, ou praças, ou sorveterias, ou parques. Mas quem precisa disso com uma Lua desse tamanho nos presenteando com sua beleza?
Estava claro como a água que ela não esperava pela súbita aparição de Joshua, e muito menos esperava que ele a chamasse para caminhar à luz da Lua. Ainda assim, também era visível em seu rosto delicado como uma porcelana que nada a deixara mais incrivelmente feliz e animada.
— Acho que ninguém — respondeu ela, sem saber exatamente o que dizer. Estava dominada pelo fascínio do momento, pela Lua, pela beleza de Josh. Não retirara o sorriso tímido do rosto, entretanto. Nunca sentira nada parecido anteriormente.
— Pelo menos, não nós — disse ele, ainda com o sorriso pairando em seu rosto. Estendeu a ela seu braço, para que ela pudesse segurá-lo e sair da frente de seu dormitório. Com um sorriso pairando confuso no rosto, Hayley olhou de soslaio para dentro do dormitório e deixou-se rir tranquilamente. Provavelmente sua amiga adolescente sibilara algo engraçado.
— Não nós — concordou ela, fechando a porta atrás de si e segurando o braço de Joshua com toda a determinação que tinha.
Mentalmente, Josh agradeceu à Taylor pela brilhante ideia. Claramente Hayley havia gostado, embora parecesse extremamente perigoso e imprudente sair tarde da noite em, praticamente, um campo de guerra. Mas a vontade que eles tinham de ficarem sozinhos parecia ir além dessa periculosidade, desse medo. Como passaram, basicamente, os últimos dois dias sem mal se ver, poderiam desfrutar da companhia um do outro sem doente nenhum ao redor.
Só isso parecia bom demais.
Eles caminharam devagar até lugar nenhum, ela agarrada ao braço dele, observando a Lua com toda a tranquilidade que exalava de seu espírito. Não disseram nada por um tempo. Apenas sentiam seus corpos tão perto, suas respirações tranquilas, as batidas calmas de seus corações. Sentiam-se como se estivessem aonde deveriam estar. Sentiam-se completos, felizes, em paz. Com um sorriso no rosto, Hayley desejou que ele fizesse aquilo mais vezes, e apoiou seu rosto no braço dele muito calmamente.
— O que te deu para aparecer, assim, de repente? — perguntou ela, quebrando o silêncio, dando-se conta do quanto gostava de sentir Josh tão perto dela. Dando-se conta do quanto ele era forte, alto, e bonito. Dando-se conta de que não se importava com mais nada naquela hora senão eles mesmos. Dando-se conta de que ele fizera a barba, colocara sua farda, e dando-se conta de que ela provavelmente nunca se sentira tão atraída por homem nenhum em sua vida.
— Senti saudades — disse ele, o sorriso pairando no seu rosto bonito. Ela sorriu por vê-lo sorrir. — Não a vi hoje e nem ontem. Estava com abstinência do meu anjo.
Uma risada ecoou da garganta dela.
— Já pedi para parar de chamar-me assim — disse ela, a voz manhosa. — Não sou anjo nenhum.
— E eu já pedi para que me deixe continuar a chamá-la assim — retrucou ele, triunfante, com a voz quase tão manhosa quanto a dela. Isso fê-la rir. — Para mim, você é um anjo.
Joshua escutou-a sorrindo novamente, e sentiu que ela apertava seu braço com um pouco mais de força. Continuavam a andar, tranquilamente e devagar, embora já não estivessem perto das tendas. Sentiam um ao outro e observavam singelamente à Lua, esplendorosa, eminente, linda. Nada poderia estar mais perfeito.
— Bem, se quer saber, também senti tua falta. Foi terrivelmente estranho olhar para tua maca e ver outro homem instalado nela — ela disse, virando o rosto só para encarar seus olhos castanhos chocolate que penetravam sua alma e aqueciam seu coração. Ele a olhou de volta, encantado, e sorriu o sorriso mais bonito que Hayley conhecia. — Meus dias são tão piores sem você como meu paciente...
— É por isso que estou aqui — ele riu, a voz cheia de entusiasmo e pretensão. — Para trazer a melhora para os teus dias.
Novamente, uma risada saiu da garganta da jovem, feliz.
— Não posso negar isso. Você me faz bem... — ela deixou a frase ecoar, e Joshua notou que ela já segurava seu braço com as duas mãos. Não conseguia entender como se sentia tão em casa ao estar com ela.
— Você me faz muito mais do que bem... Desde a morte de meu pai, nunca me senti assim... tão vivo, tão em paz... — tão apaixonado, ele completou mentalmente, mas ao invés de dizer aquelas palavras apenas deixou-se dar uma risada despreocupada.
Ela comprimiu os lábios.
— Eu entendo... — disse ela, respirando fundo. — Também já perdi alguém que amava muito.
— Pierre? — perguntou ele, enfim encarando seu rosto que demonstrava certa dor. Viu que ela virou o rosto imediatamente, encarando-o com a mais profunda surpresa estampada nos olhos. Josh apressou-se em explicar-se: — Foi esse o nome que você disse quando nos vimos pela primeira vez. Estava doente, sentindo dor, mas me lembro de que foi essa a primeira palavra que saiu de sua boca.
Hayley lembrou-se imediatamente. Não tinha ideia de que ele havia escutado-a. Ninguém sabia de Pierre, senão ela própria, mas seu descuido fizera com que Josh compartilhasse de sua tristeza mais aguda.
— Sim, é ele — disse ela, engolindo em seco e retirando os olhos de Josh.
Notando que ela não dizia mais nada, o jovem perguntou:
— Ele era seu pai? Namorado? Irmão?
— Irmão — ela respondera imediatamente, antes que ele pudesse sugerir outro parentesco. Olhou para o chão, esperando que a dor a atingisse como sempre fazia quando lembrava-se de Pierre, mas dessa vez isso não aconteceu. — Nossos pais morreram quando eu ainda era muito nova para me lembrar de seus rostos, e ele cuidou de mim. Sempre cuidou. Crescemos juntos, em um orfanato, e ele sempre me tranquilizava e me fazia rir. Cuidou de mim até o último momento de sua vida, três anos atrás.
Josh assentiu com a cabeça, lentamente, procurando não invadir muito a sua privacidade.
— Sinto muito — disse ele, passando o polegar lentamente pela mão que apertava seu braço. Viu que ela esboçou um sorriso, talvez não feliz, mas ainda assim verdadeiro.
— Eu também. Mas... acho que ele ainda cuida de mim, de qualquer maneira — disse ela, quase tranquila. Fechou os olhos por um segundo, sentindo a brisa fria da noite tocar seu rosto com cautela. — Ele me lembra você. Só que você é mais bonito.
Joshua deixou-se rir, e uma risada ecoou da garganta dela também.
— Acha que ele gostaria de me conhecer?
Hayley parou de andar por um segundo, olhando bem no fundo dos olhos do soldado.
— Duvido — disse ela, sendo sincera e deixando-se rir em seguida.
— Bom, ainda assim, se quer saber, meu pai ficaria muito feliz em conhecê-la — Josh apressou-se em dizer, ainda com um sorriso no rosto. — Tenho certeza que ele lhe acharia tão encantadora como eu acho.
— Sabe o que eu acho, Josh? — perguntou ela, retoricamente, enquanto voltava a andar com o braço entrelaçado ao do rapaz. — Acho que está exagerando.
— Meu pai iria adorar tua modéstia.
Hayley deu outra risada, respirando fundo o ar frio de noite, sentindo um pequeno arrepio correr seu corpo deliberadamente. Mas não era de frio, ela sabia. Não era o frio que fazia com que sua pele se arrepiasse, e sim a proximidade do soldado Farro com ela, neste momento.
— Não entendo como posso me sentir tão ligada a ti se te conheço há tão pouco tempo — as palavras saíram livremente de sua boca, sem que ela tentasse repeli-las. Não se importava nem um pouco de dizer o que sentia para o homem que causava tais sentimentos. Seria uma profunda tolice.
— Talvez não tenhamos nos encontrado por acaso — disse ele, com um esboço de sorriso calmo moldado no rosto. — Talvez já nos conhecêssemos.
— De onde? — perguntou ela, com um sorriso, tendo certeza de que aquilo era impossível.
— De outras vidas... ou de nossos sonhos... — ele começou a listar as possibilidades, ouvindo a risada dela. — As possibilidades são incontáveis. Podemos acreditar no que quisermos.
Ela fez uma pausa, mordendo o lábio inferior. A hipótese que Josh sugeriu a ela era praticamente impossível, boba, disfuncional. Ainda assim, parecia tão esperançosa, bela, luminosa. Ela quis apegar-se a uma dessas teorias e aceitá-las como se fosse sua verdade.
“Podemos acreditar no que quisermos”. Céus, ele tinha toda razão.
— Talvez... tenhamos sido enviados para o bem um do outro — disse ela, sorrindo. — Acha possível?
Ele parou de andar para encará-la de frente, seus olhos luminosos pela lua e pela lamparina a óleo. Engoliu em seco, ainda abobado por vê-la tão linda, e assentiu com a cabeça.
— Acho completamente possível.
Olhando para seu rosto, o vento batendo lentamente contra seus cabelos soltos e despenteados, Hayley deu um meio sorriso. Não sabia como agir ou o que falar; sua atenção fora toda direcionada a ele, seu rosto bem moldado, seu queixo acentuado e barbeado. Seus lábios carnudos, chamativos, extremamente sedutores. Seus olhos marrons e perfeitos, resplandecentemente lindos. Suas sobrancelhas não tão grossas, não tão finas, seus cabelos lisos, seus ombros largos, seu corpo esbelto e absolutamente belo. Ela não tinha palavras ou ações por que estava perdida demais na beleza dele, e em como se sentia balançada e entregue, embora apenas suas mãos estivessem entrelaçadas. A forma como ele a olhava, tão apaixonante e encantadamente, como se ela fosse a mulher mais linda do mundo. Podia ver em seus olhos que ele a desejava, mas via, além disso, que ele adorava-a. Que acreditava veemente que ela era, de fato, o anjo de sua vida.
Seu coração não se segurava mais dentro do peito, e lentamente, ela sentiu a mão dele se desprender da sua para acariciar seu braço. Seus dedos corriam sua pele delicadamente, passando pelo antebraço, e pelo ombro, como se acariciassem uma peça de arte moldada em porcelana. Sentiu os dedos dele correrem o alto relevo da alça de seu vestido e alcançarem, enfim, seu pescoço, para depois tocarem seu rosto com paixão. Uma corrente elétrica passava pelo seu corpo, seus olhos não conseguiam sair dele. Não conseguiam sair dos belos traços que o compunham tão perfeitamente, o homem mais bonito que ela já conhecera.
Ele deu um passo para frente, ficando agora tão mais próximo. Hayley levantou seu rosto, ouvindo a respiração desregulada dele, e quando deu por si, já não conseguia mais controlar seus sentimentos, sua respiração, seu desejo, seus atos. Olhou para baixo, por um momento, tentando colocar os pensamentos em ordem, e quando novamente ergueu os olhos, o rosto dele já estava tão perto que ela podia sentir seu hálito cálido. Sentia o calor de seu corpo, exalando, dominando-a. Podia ver o seu nariz acentuado, sua pele barbeada, e o contorno de seus lábios rosados e profundamente sensuais. Conseguia inalar o seu cheiro característico, vicioso, afável. Fechou os olhos, sabendo, enfim, que se perderia nele, densamente, avassaladoramente.
Perdeu-se. Não importou-se. Passou as mãos pelo rosto dele, sentindo a pele barbeada pinicar contra os seus dedos finos, e manteve os olhos fechados quando suas testas se colaram, lentamente, fazendo suas respirações se misturarem. Seu peito já arfava, sua pele queimava, seu coração martelava com todo o pudor.
Uma chama acendeu-se dentro dela quando seus lábios se tocaram timidamente.
O choque de suas bocas foi tão intenso e profundo que eles precisaram de alguns segundos, apenas pressionando seus lábios, lenta e brandamente. Nunca, antes, em suas vidas, eles sentiram-se tão enternecidos. As mãos de Josh detinham o rosto dela com firmeza, porém delicadamente. Seus lábios se encontravam ternamente tocados contra os dela, num gesto lento e ainda assim profundamente apaixonado. Em seu coração, explodia todo o amor e felicidade que ele possuía, desesperadamente e sem limites. Dentro de seu corpo, sua alma, seu espírito, o que falava mais alto era a felicidade e a emoção que sentia por estar, enfim, beijando os lábios da moça mais linda e angelical que ele já conhecera. Em toda a sua vida, Joshua nunca se sentira tão emocionadamente bem.
Suas línguas se entrelaçaram vagarosamente e ela embrenhou os dedos nos cabelos lisos dele, perdida e profundamente realizada, enquanto sentia os lábios do homem mais maravilhoso que já conhecera juntarem-se com os seus. Sentiu como se não houvesse mais nada com que precisasse se preocupar, senão Josh e o beijo que ambos trocavam, apaixonadamente. Sentiu-se tão bem, tão entregue, que achou que poderia ficar ali durante a noite toda, e a vida toda. Sentiu que encontrara, de fato, seu lugar no mundo. Sentiu-se completa, feliz, emocionada, apaixonada. Sentiu que era ali que precisava estar, com ele, por que ele era seu combustível para viver.
Agora as mãos dele corriam sua cintura, unindo seus corpos. Hayley podia sentir o coração dele batendo, tão forte e rapidamente, como se quisesse sair do peito, assim como o dela. Ainda mantinha os dedos perdidos nos seus cabelos pretos, ainda sentia os lábios dele presos aos seus, suas línguas tocando-se sem pressa, como se o mundo fosse deles. Sentiu que se a Terra acabasse naquele momento, ela e Josh não seriam atingidos. Tudo o que existia, tudo o que importava, eram os dois e o quanto eles estavam apaixonados um pelo outro, embora se conhecessem há tão pouco tempo.
Sem conseguir se desprender dos lábios dele, cada vez mais entregue, cada vez mais envolvida pelo beijo calmo, desejando-o cada vez mais, ela sentiu seu corpo ser erguido do chão e abraçou o pescoço dele com o braço, embora seus pulmões implorassem cada vez mais impiedosamente por ar. Desprendeu seus lábios por um segundo e abriu seus olhos, encontrando os de Josh, castanhos e lindos, encarando-a como se ela acabasse de fazê-lo se sentir o homem mais feliz do mundo. Como se não importasse mais nada, só ela, e apenas ela. Como se, embora ele não a conhecesse há mais de duas semanas, era ela a mulher que ele queria para sempre. Como se ele acreditasse veemente que era ela o anjo de sua vida, feita para fazê-lo viver.
E olhando para aqueles olhos marrons, pela primeira vez, ela acreditou nisso também. Acreditou que era possível. Com um sorriso bonito, terno e realizado escapando pelos lábios latejantes, e ainda suspensa no ar pelos braços fortes de Josh, ela fechou os olhos antes de aproximar seus lábios de novo. Provou de seu sabor mais uma vez, e percebeu que jamais se cansaria disso, dele. Novamente suas línguas estavam entrelaçadas, unidas, explorando-se comovidamente. Novamente seus braços estavam em volta dele, novamente seus corpos estavam colados. Novamente Hayley percebeu que Josh era o homem mais significativo para ela.
Não importava o que dissessem. Hayley soube, naquele momento, presa em seus braços e no beijo de seus lábios rosados, que Josh fora enviado para ela. Não sabia por quem, ou por que, mas ele era dela. Fora mandado para ela. E estar ao seu lado, senti-lo, beijá-lo, ou apaixonar-se intensamente por ele, era inteiramente e completamente certo.




Oiii?AUEHAUEHAEUHHAE
Eu não coloquei notinhas iniciais por motivos de: não precisava. Mas enfim, como vão vocês, amores mios?
ÇAPSOKAÇ~PSOKALS ESSE CAPÍTULO, HEIN?! EU FALEI QUE IA TER ATUALIZAÇÃO NO SÁBADOOOOOOOO *U* CURTIRAM? I hope so.
Estão me pedindo muito pela Trucker, mas eu tenho de dizer que não tenho como postá-la hoje. Tenho trabalhado em vários projetos pararelos, e isso acabou me abstendo de escrever para esta fanfique que os senhores estão gostando tanto *U* DESCULPAAA!! Eu não tenho nada do próximo capítulo e ainda estou me sentindo mau em relação à Sex and Stuff. 
Mas semana que vem tem Trucker pra vocês. Pro-me-to,
AGORA VAMOS FALAR DESSA RENASCER? AWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWW MY HEART <3333333333
Geente, esse capítulo. Eu o escrevi há umas duas semanas mas ainda sou inteiramente apaixonada por ele por motivos de: OLHA ESSES DOIS! ELES SÃO O SHIPPER MAIS PERFEITOS QUE EU JÁ ESCREVI, OK? FORAM FEITOS UM PARA O OUTRO E MEU DEUS DO CÉU O AMOR A LUA TUDO TUDO TUDO MEU CORAÇÃO MEUS SENTIMENTOS MINHA EXISTENCIAAAAAAAAAAAAA </3
Não sei lidar.
E isso é por que eu que escrevo.
Sinto que vocês sentem também <3 E GENTE, SOBRE O SEGREDO DA HAYLEY: eu tô entregando ele de bandeja, sos. Tem gente que já sacou. Vamos pensarrrrrrrrrrr *U* eu acho que vou demorar mais uns capítulos para que ele seja inteiramente exposto. MAS DICAS ESTÃO ROLANDO E VOCÊS SÓ PRECISAM, Ó, SACAR.
Seus lindos.
Sobre esse Taylor: a p a i x o n a d a.
Sobre esse Jon: o mesmo do Taylor.
Sobre esse Josh: socorro, me dá esse homem.
Sobre essa Jenna: por um mundo onde eu possa abraçá-la para sempre, soc.
Sobre esse beijo: ÃPOSKQÇOPJ~PSIQ~BNEOABSÇIUQVEIAÇSVBIYQVULWSVAUVQUIVSAIHASÇOIJQMNJH,SB ,JX BJHAV SJGCVQGQUWHIASPOIAKPSOIAKSPAOSKAPOJQWASAOPSIKAS socorro, escrever isso foi tão bom.
Foi tão lindo ;'3 tão lindo.
tão lindo.
Comentem pra mim? ;-;
Muito amor para vocês,
Sarinha ;3



12 de jan. de 2013

Capítulo 3


ᡶ Só estou vivo se estiver contigo ᡶ





Oooooi bebês lindos *U* Como vão vocês?
Eu estou muito bem, obrigada. Com saudade de ter internet todo dia, mas sobrevivendo. AUEHAIEUAHEIUAHEIUAEH
Não farei outro update por que as coisas continuam na mesma pra mim. Mas, como prometi, babys, SÁBADO É DIA DE ATUALIZAÇÃO. Daí vai ser sempre assim a partir de agora. Sábado, att. Always. Não esqueçam isso. Escrevam em suas agendas e marquem em seus calendários. Sábado é dia de atualização das fanfics do (Con).
Hoje Sarinha escreveu para esta fic amor <3
Mas vamos falar sobre a atualização passada.
Gente, sem querer ser chata mas já sendo insuportável, kd vcs? ._. me sinto abandonada mimimi
Mas enfim. Quem comentou, eu percebi que gostaram muito do meu Pierre, embora ele nem tenha aparecido <3 açska~s´polps´pas e esta Hayleeeeeeeey *U*
Eu não escondi, nem nesse último cap e nem no Trailer, que ela tem um segredo. Enfim. Ando dando muitas pistas. Vamos ver se vocês acertam.
E o Josh é mesmo o mais romântico que eu fiz, por que a história toda envolve um universo densamente trágico. Dramático. E isso meio que eleva meu espírito românico e me faz escrever essas coisas. Pois é. PAÇOSLKÃSPÓLA~´SPL]S´PAÇS 
E PFVR ESTE JEREMY "SOU-UM-PAI-PARA-O-JOSHUA" É MEU JEREMY MAIS ÇPAKSLÇPOAJKAJKIEAOLS A~SÓLA~POKÕHJQWPOJÕKSAA~PJ ASOPKEPOAIK´POLAS SÉRIO <3 amo amo amo
Mas enfim, amores. Essa fic é forte, sabe, embora esteja no começo e vocês ainda nao percebam isso. Eu tenho que ficar estudando e ._. anyway. Vamos para a att <3 ela ficou maiorzinha do que as demais, mas vocês vão gostar. Como prometi, terá uma nova personagem que <3 ai. só que </3 por que nao posso dizer. Mas ai. Além disso, OLHEM SÓ O TÍTULO SUGESTIVO. af ãpso][s´ça´[sças ai 
OPÇASK~POL~´SLPASP vão ler <3 





Havia sangue em suas mãos.

Com a ânsia correndo o estômago, a moça praguejou a si mesma por aquilo em pensamento enquanto tentava lavar-se em uma bacia enorme, mas com pouca água. O estoque potável estava cada vez mais escasso, e honestamente, ela perguntava-se diariamente o que aconteceria com a operação quando não houvesse mais o que se beber, sobretudo naquele lugar inescrupuloso. Sem que pudesse perceber, ela comprimiu os lábios ao tentar retirar o sangue seco de suas unhas.
Detestava quando os pelotões voltavam das guerras. Precisava fazer os piores curativos, limpá-los, conter todas as suas hemorragias, enfaixar e passar o pouco remédio em feridas e cortes já antigos, sujos e empoeirados, inflamados, cheios de pus. Tudo isso só para mandar aqueles homens de volta para suas trincheiras e seus tanques eminentes, de modo que eles pudessem servir a pátria como verdadeiros cidadãos, matando seus inimigos sem qualquer peso na consciência. Então, após a guerra, se conseguissem, voltariam para casa, sem os dedos da mão ou com uma bala alojada na coxa, mas encheriam o peito de orgulho ao dizer para os filhos que contribuíram em uma guerra onde milhões de pessoas morreram sem qualquer motivo.
Porcos imundos. Ela detestava todos eles.
— Hayley, não te esquece de passar as ervas nos braços, pelo amor de Cristo! — a voz fina da garota seis anos mais nova que Hayley e a urgência que ela empregara na oração fez com que a mais velha desse uma risada quase descontraída.
— Não me esquecerei, não te preocupe — ela direcionou um olhar quase bem humorado para a menina, que assentiu com a cabeça enquanto sacudia as mãos para retirar os vestígios de água. Um absurdo que mesmo tão nova ela já era obrigada a ver tantas coisas, e lidava com elas de modo tão maduro.
De certa forma, Hayley se via nela.
— É bom que não o faça, por que do contrário, você sabe — a garota deu de ombros —, pegará a doença tropical como todos os outros. Aquelas ervas repelem os mosquitos!
— Deixa de ser tola, menina! — apontou a enfermeira Watson, com seu sotaque britânico acentuadíssimo e extremamente desagradável aos ouvidos das duas garotas ali presentes. Embora Hayley também tivesse um sotaque britânico e dissesse a todos que viera de Manchester, sua fala nunca fora tão acentuadamente irritante. A enfermeira Watson parecia fazer questão de enfatizar sua voz. — Estas suas porcarias mal repelem as muriçocas que me atormentam durante a noite!
Hayley não interferiu, mas viu os olhos azuis da garota queimarem. Entendia, entretanto. A enfermeira Watson, como superintendente, era a que ficava responsável por ditar todas as regras dentre as demais mulheres. Provavelmente a única que realmente trabalhou com medicina antes da guerra, conseguia ser mais desagradável do que um doente em seu pior estado.
— Pois bem, então! Não te darei mais as ervas e espero que os mosquitos comam-te viva, ou infectem-te da mesma forma que fez com todos aqueles homens que morrem na tenda que a senhora nunca arriou o pé! — a menina Jenna respondeu, o peito arfando e os olhos crepitando, com bravura, coragem, rebeldia, e um bocado de estupidez. Tinha apenas treze anos, e praguejar a superintendente jamais seria uma atitude sagaz, não importa o quanto ela estivesse correta.
— Cala a tua boca, criança, que você não está lidando com suas amiguinhas! Dou-te uma surra que nunca esquecerá! — a velha respondeu no mesmo tom, passando as mãos ainda sujas de sangue pelo avental branco.
Hayley fechou os olhos por um segundo e pediu a Deus para que aquela discussão acabasse. Simplesmente não queria colocar-se no meio das duas mulheres para aplacar uma briga. Céus, elas estavam em Guerra Mundial! Será que era pedir demais alguns minutos sem a profunda presença e convicção de violência?
— Pois dê-me! — provocou Jenna. — Dê-me, e quero ver como irá dar conta de cuidar de todos aqueles doentes infectados, se morre de medo do contágio! Quero ver quem, além de mim e Hayley, tem coragem de entrar naquela tenda e tratar os pobres moribundos como os seres humanos que são! Quero ver quem vai fazê-lo, senão eu mesma!
A enfermeira Watson aproximou-se de Jenna e encarou-a furtivamente, como se fosse matá-la com suas próprias mãos a qualquer momento. A menina, entretanto, não abaixou sua cabeça e retribuiu o olhar a altura, demonstrando com o rosto todo o sentimento de profundo desprezo que sentia por sua superior sem medo de ser castigada.
— Acha que é muito importante, não é, menina? — sussurrou a enfermeira Watson. — Pois deixe-me dar-lhe uma notícia: você não é. É apenas outra garotinha perdida, enviada a este fim de mundo para poder ajudar ao menos um pouco o seu país imundo. Terá sorte se sair viva daqui.
Mas a menina Jenna, ao invés de intimidar-se, esboçou um sorriso sarcástico.
— Honestamente, enfermeira, sem a ajuda ilustre de minhas ervas, quem em breve sairá morta dessa operação não serei eu — a hostilidade presente na calmaria do tom de voz de Jenna era assustador. — O nome da doença é malária, ela é transmitida por um mosquito, e a não ser que dê um jeito de mantê-los longe de sua pele, cedo ou tarde acabará tendo o mesmo destino de nossos conterrâneos: a vala.
— Jenna — Hayley decidiu interferir, já prevendo que a superintendente começasse a vociferar e xingar a menina de todos os palavrões possíveis e existentes. Sua voz saiu firme, limpa, sem escárnios, como uma repreensão bem colocada. A garota de treze anos calou-se, embora a superintendente houvesse saído dali xingando-a de tola e insolente.
— Mas nem todos os nossos conterrâneos acabaram na vala — como um milagre, agora o rosto da adolescente ganhara cor e leveza. Um sorriso nascera em seu belo rosto. — Não é, Hayley?
O abalo da frase de Jenna na jovem de dezenove anos foi muito maior do que ela deixou transparecer. Molhou as mãos mais uma vez e esfregou-as na pedra de sabão, trabalhando para que o sangue seco de dissipasse da parte de dentro de suas unhas.
— Não sei do que está falando, Jenna — sua voz, como sempre, saiu limpa e firme. Seus olhos concentravam-se na tarefa de limpar as mãos e não demonstravam o abalo emocional sempre presente nela quando Joshua era mencionado, ainda que implicitamente.
— Não sabe, não sabe... — a garota ecoou as palavras da colega com um sorriso bonito no rosto. — Certo, fingirei que acredito. Ei, escutou os boatos?
Hayley sorriu.
— O que mais escuto nessas terras são boatos, Jenna.
— Estes são diferentes! — ela aumentou o tom de voz, como se para dar total credibilidade aos seus argumentos. — Na realidade, estão confirmados. Vão levar os homens da doença tropical aos Estados Unidos. Parece que a cura espontânea de seu mais novo namorado lhes deu esperança, e um avião virá buscá-los disfarçadamente.
— Eu não tenho um namorado — Hayley se apressou a dizer, embora sua cabeça trabalhasse atentamente em outras informações às quais a adolescente acabara de confidenciar-lhe. — Tem certeza disto?
— Sim, ouvi a megera conversando com o Sargento Davis. Ele disse-lhe para providenciar uma enfermeira que cuide da estadia da viagem dos doentes, e como apenas eu e tu temos coragem de entrar naquela tenda... — a menina deixou a frase morrer, tendo consciência de que Hayley sabia o que aquilo queria dizer. Certamente não queria entrar em um avião, embora tivesse consciência de que não precisava preocupar-se com isso. Depois da discussão que a superintendente tivera com Jenna, era bem mais capaz que a menina se expusesse ao perigo. Não Hayley.
Não tinha tempo para sentir pena, entretanto. De certeza, era uma boa informação que lhe fora contada em primeira mão, sobretudo quando havia sido confirmada pela garota em que Hayley mais confiava dentre as enfermeiras. Não havia nenhum motivo aparente para Jenna mentir, e ela jamais o faria.
Por isso, quando elas terminaram de lavar suas mãos e Jenna se dirigiu à tenda dos doentes tropicais, Hayley disse-lhe que iria até o dormitório para espalhar as ervas sobre os braços. Mas ao invés disso, abriu seu caderno de couro preto, molhou sua pena preferida na tinta e pôs se a redigir a notícia com toda a destreza para qual foi treinada.



[...]



Desde sua cura, ele não sentira mais a dor martelar em sua cabeça, forte e implacável, como se uma marreta estivesse dentro de seu crânio e tentasse sair a todo custo, jogando-se com força contra sua testa. A enxaqueca era terrível, mas naquela época, simplesmente não passava. A única coisa que pudera curá-la foram as mãos de Hayley.
Agora, sentado em sua maca e aprendendo a ignorar os lamentos dos homens sangrentos que estavam por toda parte, a cabeça de Joshua doía de novo. A carta de sua mãe continuava com ele, ainda aberta, enquanto ele relia mais e mais vezes. Num intervalo de doze horas, já a havia lido pelo menos cinco dezenas de vezes, procurando naquelas palavras a resposta para sua decisão.
Deveria voltar?
Com um suspiro, o soldado afundou o rosto em suas mãos calejadas. Não sabia mais o que fazer. Adentrara a guerra com o objetivo único de morrer pelo país e vingar seu pai com toda a bravura e coragem que tinha dentro do peito. Sabia que nas poucas batalhas em que participara, Joshua o fizera. Sempre foi muito bom com as armas, e dentro daquelas trincheiras, atirava na linha de frente acompanhado do sargento de seu pelotão. Dizimara mais alemães do que podia se lembrar, mas também conseguira salvar a vida de alguns amigos. Antes de ser atingido pelos sintomas implacáveis da doença, preparava-se para mais uma batalha, sem nenhum peso na consciência ou medo da morte.
Mas agora algo mudara dentro de Joshua. Não se sentia mais o homem frio e voltado para guerra como era antes de ser infectado e curado. Não se sentia mais inútil. Era como se uma parte dele, a emocional, houvesse deliberadamente reaparecido depois de muito tempo. Como se uma parte dele houvesse renascido.
De certa forma, Joshua, agora, se sentia... vivo. E sabia que isso se intensificava quando estava ao lado dela, de seu anjo. Sabia que o renascimento de sentimentos como a saudade, a mágoa, a culpa, o amor, era culpa do aparecimento de Hayley em sua vida. E, agora, mais do que tudo, Joshua sentia medo de morrer.
A carta de sua mãe intensificara tudo. Ver sua caligrafia, itálica, com seu habitual risco fino, fê-lo lembrar-se e sentir uma falta tão grande da mulher, que quase não conseguia se aguentar. A saudade comprimia seu peito, e ele queria, como queria, ver seu rosto de novo.
A incerteza sempre fora o sentimento que ele mais detestara. Embora soubesse que prometera ficar na operação e vingar seu pai, agora se perguntava se era mesmo o que deveria fazer. Queria voltar, ver sua mãe, manter-se vivo, acima de tudo. Mas também queria ficar e lutar, como prometera, e ver o rosto de Hayley sempre que se dirigisse a enfermaria. Seu sorriso bonito, seus olhos verdes que aqueciam sua alma, seus cabelos louros e perfeitamente alinhados ao seu rosto. Seus lábios rosados e bem delineados, que Joshua esperava um dia pressionar contra os seus.
Não aguentaria ficar longe dela. Não mais.
E embora ele supusesse que, para um avião transportar doentes, era necessário uma enfermeira para acompanhar o trajeto, duvidava imensamente que Hayley fosse de fato a escolhida para tal. E se por acaso fosse, algo dizia dentro dele que ela não aceitaria a missão e continuaria na operação, ali mesmo, no norte da África.
Joshua estava dividido e não sabia que lado escolher, o que fazer. Queria e não queria voltar. Sentia falta de sua mãe, mas se fosse para os Estados Unidos, morreria de saudades de Hayley. Queria vingar o pai, mas não queria mais morrer. Queria continuar na guerra, mas ainda assim, queria mais do que tudo que aquela guerra acabasse.
Tudo parecia tão distante. Tão incerto. Sua cabeça martelou de dentro para fora novamente, implacável, lembrando-o de que ele tinha uma decisão a fazer, embora não conseguisse decidir com clareza. Ele deitou-se de uma vez e fechou os olhos com força, forçando seu cérebro a esvaziar-se e sua cabeça a parar de doer. Não conseguiu nenhum dos feitos, entretanto. As incertezas e pensamentos confusos continuavam lá, assim como a dor.
— Josh? Está dormindo?
Como um milagre, seu rosto ganhou um sorriso imediatamente. Ele poderia reconhecer aquela voz firme e majestosa em qualquer lugar do mundo.
— Estou — respondeu ele, bem-humoradamente, subitamente esquecendo-se de todos os seus problemas. Pôde escutar a risada dela também, e isso o aqueceu por dentro. — Estou em meu mais profundo sono e, nesse momento, estou sonhando com a mulher mais linda que já vi. Chama-se Hayley e parece-me um anjo.
Com um tapa singelo diferido pelo seu ombro, Joshua abriu os olhos e encontrou-a, linda, com um sorriso envergonhado perdido no rosto. Sentou-se na maca e segurou a sopa de grãos que ela o trazia, como sempre, todo dia naquela hora da tarde. Em verdade, já se sentia forte o suficiente para sair dali, mas simplesmente adorava a companhia de Hayley, mais do que tudo. Era só o que importava.
— Deixe de ser tolo e tome sua sopa, está bem? — disse ela, com o mais bonito dos sorrisos no rosto. Joshua assentiu com uma breve continência, fazendo-a rir mais uma vez. Não sabia como aquele homem tão sofrido conseguira transformar-se em um rapaz tão charmosamente bem-humorado. Não sabia, sobretudo, o que acontecia com ela para que gostasse tanto daquilo.
— Como foi seu dia? Não a vi ontem e nem hoje pela manhã — perguntou ele, de repente, enquanto começava a tomar sua sopa. Como vinham fazendo desde o dia que Joshua acordara, ela sentava-se ao lado dele e fingia ajudá-lo, enquanto ambos conversavam sobre assuntos cotidianos e similares. Não importava, na realidade. Simplesmente gostavam de desfrutar da companhia um do outro.
Hayley suspirou.
— Não pude vir por ter de cuidar dos novos feridos. Muitos homens chegaram ontem das trincheiras, ao mesmo momento em que mais deles eram enviados. Dois dias inteiros, Josh. Alguns deles traziam amigos nos braços, já mortos, na esperança de que nós pudéssemos trazê-lo de volta a vida. Outros, simplesmente estavam baleados. Um deles morreu na minha frente por ter sido atingido na garganta. Os casos mais simples, tiros de raspão nos ombros, na cabeça. Alguns deles perderam membros com as granadas. Muitos estão sendo enviados para a vala neste exato momento — ela simplesmente não conseguiu parar de falar, com os ombros encolhidos, o olhar triste baixo. Joshua sabia o quanto ela detestava tudo aquilo, como detestava tratar de doentes só para que eles voltassem para a guerra e morressem. Embora ela não admitisse, estava estampado em seus olhos o horror que sentia ao ver tanta gente morrer por um ideal para o qual ela não lutava e muito menos acreditava.
Quis abraçá-la, mas ao invés disso, apenas tocou sua mão pequena e apertou-a sentidamente. Notou que ela apertava de volta, massageando o polegar na palma da mão dele, com um meio sorriso no rosto. Parecia iluminada enquanto encarava suas mãos entrelaçadas.
— Por isso inventei qualquer desculpa e vim ver você — disse ela, enfim, sem olhar em seus olhos. Seu sorriso ficou maior. — Não sei o que acontece, apenas sei que você me faz bem.
Então ela o olhou, com aquelas suas órbitas verdes esmeralda, brilhantes e absolutamente lindas. Aquele seu rosto iluminado, aqueles lábios rosados e levemente secos. Angelicamente.
— Você sabe que é o que me faz vivo — retribuiu ele, com um sorriso no rosto, encarando-a furtivamente. Abriu a boca para dizer mais, porém foi interrompido por ela:
— Não chame-me de anjo novamente, por Deus — disse ela, sorrindo, envergonhada, adivinhando as próximas palavras dele.
— E por que não? — o sorriso não abandonara a face de Joshua.
Hayley olhou para baixo, torcendo seus lábios timidamente.
— Por que não é verdade, Josh — respondeu ela, em tom explicativo. — Não sou um anjo. Nunca fui, e não estou nem perto de ser.
— Eu digo que está enganada — ele deu de ombros, como se não se importasse com as palavras dela. — Pode não ser um anjo comum, mas é o meu anjo. Disso tenho toda certeza.
Hayley sacudiu a cabeça, vencida.
— É mesmo impossível contestar você — disse ela, resignada, sem forças para discutir com Joshua pela verdade. Detestava-se por não ser o anjo que ele pensava que ela era, e esperava que um dia ele percebesse isso sem que ela precisasse dizê-lo. — Não está tomando sua sopa, Josh. Trate de comer. Sairá daqui ainda hoje.
Joshua assentiu com a cabeça e soltou sua mão após apertá-la mais uma vez. Enfiou uma colherada garganta abaixo, forçando-se a engolir o líquido.
— Gostaria de não ir embora — lamentou ele, o rosto encarando a tigela.
Hayley sorriu.
— Por quê? Céus, você passou a última semana sentindo-se bem, enfurnado nesse lugar cheio de miséria, e quer ficar? — perguntou ela, sem conseguir entender como seria possível que o soldado dissesse uma coisa daquelas. Era apenas surreal.
Foi então que ele suspirou, e o humor anteriormente presente em sua face deu espaço a tristeza e a angústia. Hayley deixou seu próprio sorriso se dissipar ao perceber que Josh não estava bem.
— Ontem o sargento veio me visitar — começou ele, sem tocar sua sopa. — Disse-me que minha súbita cura deu-lhe esperanças, e disse-me que um avião estava vindo buscar os doentes para serem tratados na América. Porém... ele me pediu para ir junto. Deixou-me sozinho com meus pensamentos, com o direito de escolha, e com uma carta recém-chegada de minha mãe. E... agora... simplesmente não sei o que fazer.
O choque da notícia fez Hayley achar que fosse desmaiar. Viu o mundo rodar abruptamente, até que suas vistas ficassem completamente negras. Nada viu, nada escutou, durante o tempo que lhe pareceu uma eternidade. Sentiu o pânico nascer na boca de seu estômago e tomar todo o seu corpo, com força e deliberadamente, fazendo dela uma completa escrava. Tudo ainda estava escuro, seu corpo havia endurecido, e demorou uma eternidade para o mundo voltar a ter cor. Ela avistou os cabelos lisos e os olhos castanhos de Josh e sentiu vontade de chorar, o desespero domando-a por completo.
Suas mãos começaram a tremer. Josh estava pensando em embarcar naquele avião? Não! Josh não podia entrar naquele avião! Não podia, Deus, não podia entrar! Hayley estava estática, pasma, seus olhos pararam como se fossem pedras, e em sua mente apenas ecoava a culpa, o desespero. Seu coração pareceu parar por um segundo e, depois, passou a martelar com toda a força e velocidade dentro de seu peito. O pânico tomara conta de sua mente, seu corpo, e sua alma.
— Não vá! — suas palavras saíram mais altas e desesperadas do que ela calculara. Não se importou, entretanto. Josh não podia ir! Não podia entrar naquele avião, por nada nesse mundo! Não podia! — Por favor, Josh, por favor!
O soldado encarou a mulher com seus olhos agora confusos. Nunca a vira daquele jeito. O desespero em seu olhar, o pânico presente em sua voz vacilante. O rosto completamente pálido e sem cor, implorando-lhe, suplicando-lhe. Pegou Joshua completamente de surpresa, subitamente. O homem não esperava por aquilo.
— Ainda não decidi o que fazer, anjo — disse-lhe com a voz mais terna que tinha, os olhos encarando-a como se para tranquilizá-la. — Ainda não sei como sobreviver senão ao seu lado.
— Josh, por favor, por favor... — seu olhar suplicava, desesperado. Joshua viu-a se aproximar, deliberadamente, e suas mãos tocaram seu rosto de modo sentido. Como se ela precisasse senti-lo para saber que aquele momento era real, que ele realmente considerava a hipótese de deixá-la. — Não entre naquele avião, eu imploro! Não vá embora. Por favor, por favor... Eu não posso deixar-te ir... Não posso... Josh, por favor, não vá. Eu suplico. Não me deixe aqui...
Sua voz estava quase chorosa, desesperada, e seus olhos encaravam-no profundamente, com todo o pânico existente em seu interior. O medo era tão forte e desencorajador que contagiava-lhe, fazia com que ele tivesse o ímpeto de segurar o rosto dela também. Virou as pernas para o chão, ficando, então, de frente para Hayley.
Foi a primeira vez que ela o abraçou. Simplesmente jogou-se nos braços do rapaz, passando as mãos pelo ombro dele, sentidamente, sem parar de fungar e implorar para que ele ficasse. Segurava sua nuca como se nunca fosse deixá-lo. Apoiava seu corpo no dele num ímpeto desesperado de senti-lo, tão perto quanto possível, para que então não o deixasse ir. Não o deixasse embarcar naquele avião maldito. As lágrimas saíam de seus olhos sem que ela se importasse em secá-las, e as palavras que ecoavam de sua garganta eram as mesmas que verbalizavam o mesmo pedido incessante.
Hayley não aguentava a ideia de perder Josh. Embora o conhecesse há pouco tempo, ele acendia um sentimento novo e ao mesmo tempo familiar dentro dela. Como Pierre costumava fazer, porém, mais avassalador.
Se ele morresse, ela também morreria.
Joshua, sem pensar, passou as mãos pelo seu corpo pequeno e apertou a cintura dela contra si, sem se importar com o mundo a sua frente, enquanto ouvia-a implorar e chorar para que ele não fosse embora, não a deixasse, não entrasse naquele avião. Os apelos dela eram desesperados, tristes. Joshua apertava o corpo dela com força, sentindo-se como se houvesse encontrado seu lugar no mundo. Enquanto ela estava em seus braços, Joshua sabia, não conseguiria deixá-la ir.
— Por favor... — ela implorou mais uma vez, apoiando o rosto no ombro largo do soldado e apertando-o com toda a força que tinha no corpo. — Não sei mais o que será de mim sem você aqui, Josh. Não vou conseguir suportar que entre naquele avião e me deixe. Não faça isso, eu imploro. Fique. Por favor...
Em meio às suas súplicas, apertando o corpo dela contra o seu, Joshua percebeu que fatidicamente não poderia entrar naquele avião. Não conseguiria ir para os Estados Unidos com o fantasma dela em sua mente, com a saudade aterradora que cortaria seu coração em pedaços. Não conseguiria ir com esse choro, esses pedidos, pairando em sua mente a todo o momento. Não conseguiria deixá-la. Não conseguiria separar-se de seu anjo, da mulher que salvara sua vida, da única que fazia com que ele se sentisse vivo.
Joshua só era feliz ao lado dela.
— Está bem, está bem... — murmurou ele, enquanto ela continuava a implorar, sentidamente, desesperadamente. Apertou o corpo dela contra o seu, sentindo um arrepio corrê-lo todo, a emoção ameaçando transbordar de seus olhos. Levou os lábios, lentamente, até a testa dela e segurou seu rosto, encarando seus olhos vermelhos e sua face pálida, sem cor. Olhou-a com afinco. — Não me vou embora. Prometo a você, anjo. É ao teu lado que me sinto vivo, e é aqui que ficarei. Não entrarei naquele avião.
Os lábios dela estavam comprimidos, seus olhos ainda amedrontados. Joshua limpou uma lágrima que descia pelo seu rosto com o polegar, lentamente, e aproximou a boca de sua bochecha sem cor. Beijou-lhe a face, sentidamente, e sussurrou mais uma vez que ficaria com ela, afirmando a resposta de todas as suas perguntas e suas incertezas.
Quando ela o abraçou mais uma vez, completamente entregue a ele, Joshua soube que só se sentiria vivo ao lado de seu anjo. Se a deixasse, morreria.
E, agora, tudo o que ele desejava era manter-se vivo. 






Aaaaaaaaaaai <3 Essa fic acaba comigo. Nathalia ficou me dizendo ontem sobre ela ter um romance muito intenso por causa da época. Disse algo sobre ela ser perfeita. AP~LASPOLASPÓL EU FIQUEI MUITO FELIZ POR QUE ELA CAPTOU EXATAMENTE O QUE EU SENTIA, O QUE EU QUERO PASSAR COM ESSA FIC. Por que, cara, tá certo que isso tudo foge totalmente do normal, e é muito surreal, mas... eu amo tanto isso? <3 E eu sei lááá. Adoro essa fic por ser intensa assim.
Espero que vocês também.
GENTE, EU TO APX POR ESSA JENNA PSKA~´SPOLAS]´ÇPS~´PASLÁSPO EU FALEI QUE ELA IA SER FODA, NÃO FALEI? Não é comum ver uma Jenna foda nas fics, na realidade, mas essa é. <3 13 aninhos, desbocada <3 aaaaaaf. Adorei ela dms ;_;
E a Hayles <3 
E esse Joshua todo confuso. Ai socorro.
Não vou comentar sobre o desespero dos últimos parágrafos. Deixo vocês pensarem um pouquinho paç~sl´~psl]a´pçs]a´pslo~pól 
amooooooores, daí eu não sei se postarei mais alguma coisa ainda hoje, mas acho que não vou não. Semana que vem tem Trucker, ok? Até o próximo sábado.
Love you, guys.
Sarinha <3