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16 de nov. de 2013

[Livro X Filme] Jogos Vorazes: Em Chamas



Os fãs gringos sempre tiveram vantagem sobre nós quando o assunto era acesso sobre as coisas das quais gostamos. Os exemplos dessa afirmação são infindáveis. Os potterheads brasileiros, por exemplo, tiveram que esperar TRÊS INACABÁVEIS MESES para comprar o último livro da série em português. Os tributos, fãs de Jogos Vorazes, precisaram implorar às editoras brasileiras para fazer um lançamento decente e, enquanto isso, baixar as traduções em PDF do grupo After Dark no Orkut.
O brasileiro, meus amigos, é um sofredor árduo quando se trata de suportar as regalias que a fãbase gringa tem sobre ele.
BUT NOT THIS TIME.



Jogos Vorazes: Em Chamas estreou ANTES DO MUNDO TODO no Brasil. E eu, é claro, peguei o busu cozamigos em direção ao que seria o FILME MAIS FODA DO ANO.
Talvez eu esteja simplesmente exagerando.
Se você não acredita que a adaptação ficou assim legal: assista. Não, é claro, se você for gringo. Porque aí você vai ter que esperar mais uma semana (22 de novembro). Sorry, sweetheart.
A garota que vos fala, não podendo ser diferente, foi ver o filme na estreia. Ganhou um pôster bonitinho. Segurou a mão do amiguinho tão forte que quase arrancou, na hora do surto. Não pôde gritar porque não paravam de mandá-la calar a boca, mesmo que ela só sussurrasse algumas coisas como "ÇPASKOQHJWNRKEJDBLQIWUAEGBHDSÇOIQJKWSA AI MEU DEUS PEENISS!!!".
E ela, em consideração a vocês, contextuados do core, vai tentar não ser muito anti-profissional para escrever o LIVRO X FILME desse mês.
Com vocês: The Hunger Games: Catching Fire! And may the odds be ever in your favor!

AVISO: Esse artigo contém spoiler PRA CARAMBA.


Autor X Roteirista


Qualquer um que já tenha visto Clifford, O Gigante Cão Vermelho ou Clarissa Sabe Tudo já conheceu uma pitadinha do trabalho da nossa autora-meu-deus-um-reality-show-por-que-não-fazer-adolescentes-se-matando-na-tv? mais linda do mundo, Suzanne Collins. Isso porque, SIM, Suze já divou escrevendo roteiros para a Nickelodeon e essas eram as suas séries mais famosinhas.
(Embora ela não conste na Wikipédia como criadora do cachorro vermelho que mesmo tendo nascido como o menor de sua família vermelha, desafiou todas as leis animalescas do mundo e se tornou um gigante em poucas semanas. Isso porque ela não o criou. Só escreveu várias de suas aventuras.)
Aqui está Suze Collins, pessoal.
A cara da riqueza.
Acontece que Suze, que já tinha escrito outros milhares de livros infantis que vocês provavelmente vão se sentir tão tentados a ler quanto eu, de repente estava assistindo a um reality show e pensou, tipo, "por que não escrever uma distopia onde existem doze distritos e uma capital opressora que impõe o seu poder capturando um tributo de sexo feminino e um tributo de sexo masculino para lutarem até a morte em uma arena, televisionada para todo o país - que poderia muito bem se chamar Panem?". Como de idiota dona Collins não tem nem a cara, escreveu um young adult (que já tava super in por causa de Crepúsculo em 2008), conseguiu colocar um triângulo amoroso no meio de toda a política e voilá. Ficou rica. Famosa. Glamourosa. Lu-xo-sa. Sambando na cara dos haters.
A notícia de que Jogos Vorazes teria um filme veio logo depois do lançamento do último livro, se a moça que vos escreve não está enganada, e toda a fã-base de The Hunger Games ficou eufórica. No dia 23 de março de 2012, estávamos todos no cinema, vendo Jennifer Lawrence interpretando gostosamente Katniss Everdeen, Josh Hutcherson sendo fofo no corpo de Peeta Mellark, e o irmão do Thor sendo o Gale que não tem brilho nenhum no primeiro livro/filme e que ninguém ama.
"Eles desenharam um pênis."
Culpa sua ter um shipper tão chamativo.
(Nada contra o Liam Hemsworth, inclusive o acho extremamente legal, só que shippo Peeniss para a vida e esse artigo pode ser levemente inclinado a isso.) (Desculpem se prometi não ser anti-profissional.)
 O primeiro filme foi, para a alegria geral da população, bastante fiel ao livro. Além disso, conseguiu inovar, ultrapassando o ponto de vista único da Katniss e mostrando os jogos acontecendo por um meio geral. Sem falar que aquele close da cara do Gale no beijo Peeniss fez minha sala de cinema explodir em gargalhadas.
Portanto, quando a blogueira em questão dirigiu-se à parte mais ryca de Brasília na esperança de ver o segundo filme da quadrilogia, pode-se dizer que as expectativas estavam altas.
E FORAM SUPERADAS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!


Tô cabeluda de dizer para vocês que entendo que uma adaptação cinematográfica de uma obra literária dá trabalho de fazer. O tempo é muito pequeno, especialmente se o livro for grande. Precisa-se de diretores competentes. Fotografia competente. Atores competentes. Sonoplastia competente. ROTEIRISTA competente. E, acima de tudo isso, precisa-se de muito. dinheiro.
(140 milhões de verdinhas gringas foram gastas em Jogos Vorazes: Em Chamas. Pouquinho assim.)
Os roteiristas de Em Chamas chamam-se Simon Beaufoy, Michael Arndt e SUZANNE COLLINS. O que quer dizer, meus queridos, que não tem nada versus nada aqui mais não. O filme foi perfeitamente premeditado sob os parâmetros do livro. Existem cenas que têm as mesmas falas. Coisas que sabemos pelos pensamentos da Katniss e que foram reproduzidas em vídeo da forma mais inteligente que se poderia imaginar (todos sabemos, por exemplo, que a Katniss sente o hálito de sangue do presidente Snow. Sabe como eles reproduziram isso? O cara dá um gole no champanhe e o líquido volta vermelho. ARREPIOS, GALERA, ARREPIOS). As falhas que Gary Ross nos deixou no primeiro filme (tipo, adiós, Madge) são facilmente relevadas no segundo, apesar de ter dado ao espancamento do Gale menos espaço do que é dado no livro. MAS QUEM LIGA PARA O GALE?, o filme soube ser inovador, soube seguir os parâmetros livrísticos (rs), soube ser romântico (sério <3), soube ser ousado (só eu não esperava ver a Johanna pelada?)...
Ao diretor Francis Lawrence e aos roteiristas amorzinhos: PARABÉNS, CARAS. O filme soube ser incrível.

Personagens X Atores


Tá certo que todos fomos irremediavelmente ligados aos atores que nossas cabeças tinham cogitado aos nossos queridos amiguinhos literários. Confesso que queria muito que a Mila Kunis fosse escalada para Johanna Mason, por exemplo, o que eu percebi ao assistir esse filme que: FOI DOIDERA. O cast escolhido, meus caros, simplesmente sambou duas horas e vinte e três minutos de carnaval nas nossas faces.
Como ponto estético, é importante ressaltar que o Gale deveria, de acordo com o livro, ser parecido com a Katniss (pele morena, olhos e cabelos escuros, corpo forte, etcs). Também deveria ser assim com o Haymitch, aliás. Mas houve um cleaning no elenco do livro e as pessoas que deveriam ser morenas e sofridas tornaram-se magicamente loiras, lindas, divas e ricas, ao menos no primeiro filme. A miséria e revolta nos distritos ficou bem mais evidente em Em Chamas. Principalmente os figurantes. Sofridos, maltratados, com olhos de esperança, encostando os dedos aos lábios e assobiando o toque do Mockingjay. Gosto assim. 

  • Jennifer Gostosa Lawrence interpreta Katniss Everdeen novamente e mostra que não tem um oscar e mais um zilhão de prêmios por acaso. A gente sabe que a Jenn é uma das atrizes mais promissoras de róliúdi, oras, vivem falando disso o tempo todo. Em Jogos Vorazes: Em Chamas, ela simplesmente pisou em cima do meu coração com um salto agulha. Chorei 9017281368172 vezes. Acho que ela devia ganhar mil oscares só pelas olhadas de desespero que me faziam ficar com o coração na mão. Perfeita, perfeita mil vezes, não consigo achar defeitos nessa mulher. 
    Jennifer Lawrence as Katniss Everdeen. Approved.


  •  Josh Hutcherson interpreta Peeta Mellark e, gente!, esse menino!!! Convenhamos que o pequeno (rsrsrs) Joshua já é nosso xodozinho desde ABC do Amor e Ponte Para Terabítia. Nós o vimos no primeiro filme, todo fofinho, todo centrado, como o Peeta era, mesmo. Mas querem saber de uma coisa? A atuação desse moleque em Jogos Vorazes: Em Chamas obteve uma melhora significativa. Desde o momento de fúria dele ao jogar as bebidas do Haymitch fora, até os olhares de ela-não-me-ama... os beijos, OH, OS BEIJOS. As contracenas Josh+Jenn foram as coisas mais shippáveis e lindas DO MUNDO. Palmas?

    Josh Hutcherson as Peeta Mellark. Approved.


  • Liam cyrus irmão do thor Hemsworth interpreta Gale Hawthorne e PAUSA PARA OUTRA ATUAÇÃO DIVOSA. Tudo bem que o Gale não é meu personagem favorito da vida, mas eu ainda o amo lá no fundo, e o fato de ele ser interpretado por um dos irmãos Hemsworth influi um pouquinho nisso. Como foi anteriormente dito, o Gale do livro pouco bate fisicamente com o Gale do filme, mas o que falta em aparência, compensa em competência. Outro aprovado. Deus?

    Liam Hemsworth as Gale Hawthorne. Approved.
  • Woody Harrelson interpreta Haymitch Abernathy e, cara, se esse Woody se provou incrível no primeiro filme, não deixou nadinha a desejar no segundo. Mesmo sem ser moreno e com toda aquela cabeleira, não tem nada mais aconchegante do que ouvir um "stay alive" ou um "sweetheart" da boca deste homem.


    Woody Harrelson as Haymitch Abernathy. Approved.
     
  • Donald Sutherland interpreta President Snow. Sei lá, eu simplesmente admiro esse cara. Pouco antes de assistir ao primeiro filme, eu imaginava que seria impossível vê-lo em uma má figura, justamente porque um dos meus filmes favoritos da vida (Orgulho e Preconceito - 2005) o tem como a melhor figura paternal de sempre. Assim, eu olhava para o sorriso gostoso do Sr. Bennet e pensava "aw, como esse cara vai ser o pior homem do universo?".
    Ele conseguiu, caras. Ele conseguiu.
    Em Jogos Vorazes, foca-se mais no massacre na arena do que nas questões políticas distritais, de modo que Donald não tem tanto glamour. Mas nesse filme, temos vários takes de suas conversas com Plutarch Heavensbee (Philip Seymour Hoffman), vários discursos e aquela cena maravilinda do champanhe cheio de sangue. Sem falar nas cenas com a netinha dele.
    E eu juro que ele dá medo.

    Donald Sutherland as Presidente Snow. Approved.
  • Willow Shields interpreta Primrose Everdeen e eu só tenho uma palavra para descrever a atuação pequena, mas importante dessa criança: AWN.

    Willow Shields as Primrose Everdeen. Approved.
  • Sam Claflin interpreta Finnick Odair e, e aí, vocês querem um torrão de açúcar? Vamos falar sério aqui: quando Sam foi escalado para Finnick, a maior parte dos tributos xaropou. Disseram que ele era frio. Que não era bonito o suficiente. Que não atuava bem o suficiente. Reclamaram até cansar. E, bem, acho que não falo só por mim quando digo que esse cara não foi apenas sedutor como Finnick, mas mortífero também. Oh, yeah, eu quero um torrão de açúcar.

    Sam Claflin as Finnick Odair. Approved.

  • Jena Malone interpreta Johanna Mason e, MEU DEUS, GENTE, ESSA MENINA FOI A REVELAÇÃO MASTER DESSE FILME. Eu tinha meus motivos para não ter concordado com Jena à primeiro momento. A começar pelo rostinho dela. Pela palidez dela. Falando a verdade, não estava acreditando que a garota se sairia bem ao interpretar a minha provável personagem favorita do terceiro livro.
    Mas foi exatamente isso que ela fez.
    Jenny sambou nua na minha cara dentro daquele cinema. Conseguiu ser corajosa, sexy, ousada, irritante... tudo. Pode ser que o personagem simplesmente fosse maravilhoso e qualquer atriz suficientemente competente faria com que eu o amasse. Mas, falando sério? Gritei quando ela mandou a capital tomar no c* no programa de Caesar Flickerman.
Jena Malone as Johanna Mason. Approved. ESSA CENA S2


Tudo bem. Fui dar uma olhada na minha listinha de personagem e percebi que AINDA TEM MUITA GENTE, CARAMBA. Vamos combinar. São vinte e quatro tributos. Sem contar os outros personagens. Vai ficar chato falar de todos eles e, como eu percebi, não tenho de quem falar mal. Portanto, APLAUSOS A TODO O CAST, MEU POVO!!! Calaram a boca dos haters.




 Últimos Capítulos X Últimos Minutos


A maior parte das cenas do filme são idênticas aos do filme, só que ainda melhores. A névoa é mais espessa. A cara do Finnick ao perder a Mags, logo depois de receber um beijo dela. Os gaios tagaleras gritando as súplicas das pessoas que Katniss e Finnick amavam. Os beijos Peeniss. O plano de Beetee. O "fique abaixada, ok?" de Johanna após cortar o antebraço de Katniss. As mortes. O girar da cornucópia. O raio na grande árvore. Tudo, tudo.
PEENISS PEENISS PEENISS PEENISS PEENISS
PEENISS PEENISS PEENISS PEENISS PEENISS
PEENISS PEENISS PEENISS PEENISS PEENISS
Eles conseguiram melhorar. O companheirismo estabelecido pela Johanna e a Katniss inicia-se agora, mesmo, no segundo filme, e eu sei que eu vou morrer de chorar quando as duas treinarem juntas no quarto. O fim visto por um segundo ponto de vista. A forma como o "lembre-se de quem é o inimigo" é externada ao espectador, diferentemente de como Suze fez no livro, em que as palavras simplesmente vêm à mente de Katniss. A flecha no campo de força.
A queda do campo de força.
Chorei quando o campo de força caiu, o presidente Snow via que a transmissão havia acabado e Plutarch havia sumido. Chorei quando Katniss abriu os olhos e viu tudo cair, viu um aerodeslizador levantá-la, seus olhos brilhantes e distantes, o corpo sujo. Chorei porque aquela cena foi tão, tão linda, muito mais linda do que eu poderia imaginar, e eu sabia o que viria em seguida. O tapa na cara do Haymitch. Ela xingando-o de "son of a bitch" e  chamando-o de mentiroso até que desmaiasse por causa dos sedativos.
Gale.
"O distrito 12 não existe mais."
O filme acaba com um foco nos olhos da Katniss, lágrimas inundando-o. Mas depois elas param. E Katniss encara a câmera.
Então um tordo pega fogo, voa, e Atlas do Coldplay começa a tocar, enquanto as luzes do cinema se acendem e você não é mais ninguém.
Céus.


Considerações Finais


Podemos considerar, é claro, as cenas que foram cortadas. Poucas coisas das quais eu realmente senti falta. Como o relógio do Plutarch (que na realidade aparece, mas só numa versão especial para DVD), Katniss, Peeta e Haymitch treinando como carreiristas, a choradeira da equipe de preparação, a cena no terraço do prédio, os vestidinhos de mocinha inocente da Katniss, os vestidos de noiva, Madge...
E também as coisas que acrescentaram. Os xingamentos da Johanna e a cena em que ela segura a mão de Katniss, um beijo extra para o Gale (pelo menos isso, né?), o champanhe cheio de sangue do Snow...
Em geral, foi uma adaptação muito boa. Não só porque foi fiel e cara, não só porque uma das roteiristas foi a própria escritora dos livros, não só porque eu sou uma fã assumida de THG e sou suspeita para dizer.
Mas porque foi emocionante, arrepiante, aterrorizante.
E porque eu ganhei um pôster. Tipo, valeu totalmente os onze reais gastos.
Motivos para se ler o livro: apesar da narrativa meio lenta no início do livro, é uma continuação cheia de ação e genuinamente mais emocionante e revoltosa do que o primeiro da sequência; você quer um torrão de açúcar?; Katniss está mais confusa do que nunca; daqui a cem anos vão se retratar a The Hunger Games como um clássico e sério que você não quer ler os livros?
Motivos para se ver o filme: a fotografia maravilhosa; o desempenho de Jennifer Lawrence que vai te fazer chorar; a paranoia e a loucura de Katniss que fica evidente logo na primeira cena do filme; peeniss; Sam Claflin; quer um torrão de açúcar?; Jena Malone ficando nua; a cara da Jennifer Lawrence quando a Jena Malone fica nua; um monte de beijos esquisitos (Chaff e Katniss, Peeta e Finnick (que não é bem um beijo mas...), Mags e Finnick); Sam Claflin; a trilha sonora tá estupidamente incrível; já cheguei a mencionar o Sam Claflin?



19 de set. de 2013

[Resenha] Saga Jogos Vorazes, de Suzanne Collins



Título original: The Hunger Games
Editora: Rocco
Ano: 2011
Páginas: 397




Após o fim da América do Norte, uma nova nação chamada Panem surge. Formada por doze distritos, é comandada com mão de ferro pela Capital. Uma das formas com que demonstram seu poder sobre o resto do carente país é com Jogos Vorazes, uma competição anual transmitida ao vivo pela televisão, em que um garoto e uma garota de doze a dezoito anos de cada distrito são selecionados e obrigados a lutar até a morte! Para evitar que sua irmã seja a mais nova vítima do programa, Katniss se oferece para participar em seu lugar. Vinda do empobrecido distrito 12, ela sabe como sobreviver em um ambiente hostil. Peeta, um garoto que ajudou sua família no passado, também foi selecionado. Caso vença, terá fama e fortuna. Se perder, morre. Mas para ganhar a competição, será preciso muito mais do que habilidade. Até onde Katniss estará disposta a ir para ser vitoriosa nos Jogos Vorazes?



É quinta, e a vossa resenhista universitária residente está aqui para vocês! Não sentem já a animação crepitar no âmago do vosso ser? Sentem? Bom, então espero que realmente seja apenas animação, e não a faísca da rebelião (também conhecida por Katniss Everdeen).
Escolhi Jogos Vorazes para a resenha de hoje, porque:
a) é provavelmente minha segunda saga favorita (não tenho que dizer qual é a primeira, pois não?);
b) faltam cerca de dois meses para sair Em Chamas, a adaptação cinematográfica do segundo livro da saga;
c) você simplesmente tem que ler.
Isto é, se não o fez até agora (e você já deveria ter lido)! Todos sabemos que o fenômeno de Jogos Vorazes começou com o lançamento do primeiro filme da saga, onde Jennifer Lawrence dá vida à feroz protagonista Katniss Everdeen. O mais provável é que você já tenha até visto o filme… e amado, estou certa? E se ainda não se lançou à aventura literária com o livro que o inspirou, foi porque ainda não encontrou um exemplar perto de si.
Mas, meu querido, se esse é o caso, sugiro que não leia essa resenha. Ela enumerará todas as razões pelas quais você está errado em ainda não ter comprado a trilogia mais quente do momento – literalmente.

“E que a sorte esteja sempre a seu favor!”

1. O universo
Apesar de não ocorrer em nenhum tipo de universo alternativo, podemos considerar que a história se desenrola, sim, num universo um pouco diferente do nosso: o futuro. Na mente de Suzanne, o futuro do nosso planeta encontra-se arrasado e enegrecido por toda a poluição e destruição massiva a que nós, humanos, o iremos submeter nos próximos séculos. Cenário totalmente plausível, diria eu, sobretudo à luz dos últimos acontecimentos internacionais.
E no meio de todo o caos, o que acontece? O que sempre aconteceu ao longo da história da humanidade: uma ditadura. É geralmente assim que as populações lidam com os momentos mais difíceis. As crenças tornam-se mais fanáticas, as opiniões mais radicais, e faz falta uma mão pesada que dê um murro na mesa e controle as coisas.
Até demais.
E a forma como a tecnologia é incorporada – simplesmente genial! O espólio tecnológico pertence somente aos ricos e poderosos, e é forçado a existir nas mãos dos pobres só para servir o propósito de um Estado corrupto, sendo que famílias de distritos da periferia só possuem televisões para serem forçados a assistir ao sacrifício dos seus filhos. Acho que essa imagem do uso da tecnologia diz muito em relação ao ponto que Suzanne tentou passar com a história, porque, de certo modo, a pobreza e a fome coexistirem com aparelhos tecnológicos avançados coloca em destaque a horrível crueldade de toda a situação.

Pontuação: 

2. A escrita e o enredo
Nesse tópico, toda eu sou elogios! Suzanne fez um trabalho excelente, tanto a nível de escrita como de enredo.
A escrita é simples, direta, envolvente e apelativa. É realmente fácil imaginá-la saindo da “boca” de uma garota de 16 anos. Além disso, o jeito como a escrita e o enredo são coerentes torna a leitura extremamente prazerosa e viciante, já que ambos estão constantemente marcando um ritmo acelerado e imprevisível.
É certo que há momentos mais pausados – muitas vezes marcados pela angústia dos personagens, o que os torna ainda mais pesados –, mas de forma alguma acho que seria possível contar essa história sem recorrer a momentos desses. É imperativo que, numa narrativa como essa, o leitor possa sentir o desespero dos personagens juntamente com eles, e isso é impossível de fazer enquanto o ritmo se mantiver intenso.
Por outras palavras, só quando a vida começa a abrandar é que as pessoas são forçadas a lidar com os seus sentimentos, a realmente se entregar a eles. E quando a pessoa em questão é um personagem do livro, o leitor tem que sofrer junto. Por mais que custe.

Pontuação: 

3. Os personagens
Acho que, de tudo aquilo que tenho para falar sobre essa saga, esse tópico é o mais polêmico. Gale, Peeta, Katniss… todos eles têm tanto fãs incondicionais como haters incondicionais. Tem pessoas que amam a Prim, há pessoas que acham a Prim super chatinha; há pessoas que idolatram o Cinna (levanta a mão pro céu), há pessoas que não acham o Cinna tão especial assim; há pessoas que simplesmente amam a barbicha do Seneca, a malvadez do Snow, o instinto assassino do Cato, Haymitch bêbado, o gato (!)…
A lista continua interminavelmente. As poucas personagens que conseguem um consenso de todos os fãs provavelmente restringem-se a Rue e Finnick (spoiler: a gente ama os dois; mas se você discorda dessa opinião, deixe aí um comentário, para eu saber que estou errada).
Pessoalmente, eu tenho absolutamente zero contra personagens que inspiram reações tão diferentes nos fãs, sabe porquê? Por que isso quer dizer que eles estão bem construídos e que são realistas. Têm pontos bons e pontos maus, e dependendo do leitor e das coisas que ele mais valoriza, ele tanto pode prestar mais atenção às qualidades ou aos defeitos. E isso empresta à obra um carácter subjetivo que só a enriquece.
Porém, essa subjetividade não te dá carta branca para odiar todo o mundo. Use de seu senso comum e tente-se colocar no lugar dos personagens. Talvez vocês se tivessem saído pior no lugar deles (sim, pessoas que querem o Gale morto, eu estou olhando para vocês).

Pontuação: 

4. A temática
Meu Deus, a temática! Tinha como ela ter ficado mais clara? SPOILER ALERT: essa saga é sobre riqueza e pobreza, opressão e liberdade, conformismo e revolta, com um toque de amor à mistura. Desculpe arruinar a sua leitura, aposto que você nunca imaginou que fosse esse o tema. *alerta de ironia*
Claro que a temática não se restringe unicamente a esses pontos: também se fala imenso de amizade, laços familiares, solidariedade, ódio, fome de poder… Outros assuntos menores no contexto geral da história, mas que se enquadram totalmente nos temas principais e que dão um tom mais humano à narrativa.
Na minha opinião, um livro de YA (young adult – jovem adulto) que lida com temas tão profundos – e que ainda hoje estão em permanente discussão e são, muitas vezes, desrespeitados – samba na cara daqueles que julgam o gênero como fútil e romanceado. Não, minha gente, YA não é apenas sobre amores adolescentes (e por isso é que acho irritantes aqueles leitores que só falam do triângulo amoroso Gale-Katniss-Peeta… alô, gente? tem mais história que isso) e coleções de clichés, fáceis de decifrar e criticar. Esse YA, em particular, lida com temas absolutamente adultos e maduros, com dilemas éticos e morais, com sofrimentos e torturas horrendas… Mas acima de tudo, coloca em destaque a diferença que uma só pessoa, aparentemente impotente, pode fazer, apenas por acreditar que a vida humana é mais valiosa que qualquer espécie de poder.
Não me culpe por não ter mais palavras do que: genial.

Pontuação: 

5. Tópico surpresa: A verdade, nua e crua
Quando terminei de ler a saga, eu estava tocada e fragilizada ao ponto de achar horrível que uma pessoa se pudesse declarar fã da saga. Achava horrível que houvesse páginas no facebook fazendo piadas, que houvesse fanfictions sobre romances improvavéis, que houvesse fã-clubes e role-playing’s e surtos e fangirls. Achava impossível e inumano que, depois de tudo aquilo, de tudo o que tinha acontecido, as pessoas pudessem tratar aquela história como outra história qualquer.
Claro que eu estava errada, em parte. Devemos sempre celebrar aquilo que amamos – e surtar também é uma forma de festejo. Hoje em dia, eu própria faço a maioria das coisas referidas acima.
Mas o que me incomodava – o que eu odiava mesmo, pronto – era sentir que Suzanne tinha escrito toda essa obra, tido todo esse trabalho, e que, mesmo assim, o verdadeiro ponto que ela queria transmitir tinha passado ao lado da maioria dos leitores. Pense para você: você acha que uma história dessas poderia realmente acontecer? De verdade? E que você poderia fazer parte dela?

Bem, o certo é que já aconteceu. E que ainda hoje acontece. Há países que vivem em ditaduras tão revoltantes quanto a de Snow. A distribuição mundial da riqueza é simplesmente nojenta e repulsiva. Pessoas morrem, todos os dias, do mesmo jeito e pelas mesmas razões fundamentais que ceifaram tantas vidas ficcionais. Só que eram vidas reais, de pessoas reais. O que Suzanne fez foi tirar um mero retrato dessa faceta da realidade em que vivemos. Então compreendam por que me revoltava escutar pessoas falando que “não, isso é só um livro de ficção” ou “sim, tem a ver com a realidade por que os reality-shows podem eventualmente chegar ao ponto de assistirmos pessoas morrendo ao vivo”. Nós só não fazemos já isso, meus caros, por que preferimos virar a cara na outra direção, enquanto os poderosos colocam a vida e dignidade humanas no fundo da tabela de prioridades.
Pode chamar isso de consciência, eu tenho vontade de chamar de covardia.
E, se depois de ler essa trilogia, você ainda sonha com dinheiro e poder acima da honestidade e solidariedade humanas… ou você é doente ou precisa começar a prestar mais atenção à entrelinhas. E às próprias linhas. Está tudo lá.

Qualquer semelhança com a realidade está longe de ser pura coincidência.

Pontuação: 


Conclusão
Com a trilogia de Jogos Vorazes, Suzanne Collins apresentou-nos um trabalho realista, verdadeiro, complexo e, mesmo assim, sem qualquer intenção de ser pretensioso. A profundidade da obra surge dos temas com que ela lida, e não da forma como a autora os coloca – o que, na minha opinião, é profundidade feita do jeito certo.
Ela toma valores que são inerentes à nossa humanidade e coloca-os em perigo, ameaça-os, querendo que o leitor se insurja e se revolte juntamente com a protagonista. Porém, Katniss não é mais que uma mera adolescente, presa algures entre o peso da responsabilidade e a insegurança da juventude. Somos, então, levados através de suas fraquezas e dores, de seus momentos de glória, de júbilo, de felicidades e prazeres passageiros, de suas vitórias e conquistas, derrotas e fracassos, até ao centro daquilo em que ela e nós próprios acreditamos. Até ao centro do verdadeiro heroísmo e altruísmo, num sacrifício pela justiça e liberdade.
Uma saga a se ler e reler, com gosto e empenho pessoal. Por que depois de a ler, você não será mais o mesmo.

Pontuação final: