19 de fev. de 2013

[Resenha] As Vantagens de Ser Invisível, de Stephen Chbosky


As Vantagens de Ser InvisívelTítulo Original: The Perks Of Being A Wallflower
Editora: Rocco
Ano: 1999
Páginas: 223
Skoob



Ao mesmo tempo engraçado e atordoante, o livro reúne as cartas de Charlie, um adolescente de quem pouco se sabe - a não ser pelo que ele conta ao amigo nessas correspondências -, que vive entre a apatia e o entusiasmo, tateando territórios inexplorados, encurralado entre o desejo de viver a própria vida e ao mesmo tempo fugir dela.
As dificuldades do ambiente escolar, muitas vezes ameaçador, as descobertas dos primeiros encontros amorosos, os dramas familiares, as festas alucinantes e a eterna vontade de se sentir "infinito" ao lado dos amigos são temas que enchem de alegria e angústia a cabeça do protagonista em fase de amadurecimento. Stephen Chbosky capta com emoção esse vaivém dos sentidos e dos sentimentos e constrói uma narrativa vigorosa costurada pelas cartas de Charlie endereçadas a um amigo que não se sabe se real ou imaginário.
Íntimas, hilariantes, às vezes devastadoras, as cartas mostram um jovem em confronto com a sua própria história presente e futura, ora como um personagem invisível à espreita por trás das cortinas, ora como o protagonista que tem que assumir seu papel no palco da vida. Um jovem que não se sabe quem é ou onde mora. Mas que poderia ser qualquer um, em qualquer lugar do mundo.
Já vou avisando que isso não se parecerá com uma resenha comum (não que eu escreva qualquer coisa normal), justamente por que eu ainda não estou mentalmente e emocionalmente pronta para falar sobre esse livro. Mas vou fazê-lo mesmo assim. Ainda não sei se gostei ou não da obra de Chbosky, por que estou tão devastada. E ao mesmo tempo em que quero abraçar o livro, quero jogá-lo na parede e chorar.
Meu Deus.
Antes de começar a falar do livro em si, deixe-me fazer um apelo ao Deus Das Capas De Livros. Querido Deus Das Capas De Livros, por que após a adaptação da obra para o cinema, o Senhor, em sua glória, não faz com que as capas continuem as mesmas? Por quê tens de unificar o poster do cinema a capa de Seu livro? Não percebes o quanto me chateia?
Tudo bem, parei. Mas sério, isso me deixa triste. A capa antiga de As Vantagens de Ser Invisível era a coisa mais linda, e eu não encontrei-a para venda, por que após o lançamento do filme todas as capas mudaram drasticamente. Não que eu tenha ficado chateada agora ter uma foto da Emma Watson e do Logan Lerman.
Só gostaria que isso não acontecesse.


Sam batucava as mãos no volante. Patrick colocou o braço para fora do carro e fazia ondas no ar. E eu fiquei sentado entre os dois. Depois que a música terminou, eu disse uma coisa:
"Eu me sinto infinito" 
E Sam e Patrick olharam para mim e disseram que foi a melhor coisa que já tinham ouvido.

As vantagens de ser invisível, no início, pode ser meio confuso, mas não é difícil de pegar. O livro é contado em cartas. Isso mesmo, cartas. Portanto, se você gosta de historinhas bem contadas em seus capitulozinhos bem separados, pode esquecer. O tipo de narrativa é completamente diferente do que você está costumado a ver por aí. O que não ofusca o brilho ou os sentimentos que vão se desencadear em você durante a leitura.
Mas voltando. Charlie, quinze anos de idade, é o escritor dessas cartas, e ele sempre começa com a data de escrita, e "Querido Amigo". Então, narra como foi seus últimos dias à esse amigo, que como deixa clara a sinopse, não se sabe se é imaginário ou fatidicamente real. Muito embora Charlie narre toda a sua vida e seus sentimentos da forma mais íntima possível (muito mais íntima que um diário), ele prefere deixar tudo no anonimato, e muda o nome dos personagens (ou seja, seus familiares e amigos) em suas cartas. O amigo que recebe suas cartas aparentemente não sabe quem ele é, por que quase ninguém sabe mesmo, mas poderia conhecer seus irmãos (ambos muito populares) ou os amigos que Charlie vem a fazer ao longo dos dias. Na realidade, bem no início, ao se apresentar, Charlie deixa bem claro que não quer que seu amigo descubra quem ele é de verdade. E diz que não há nada de mau nisso. 
Mas não foi isso que me devastou, embora eu tenha uma teoria sobre "Quem É O Amigo Misterioso De Charlie".  Mas não falarei sobre isso, por que meu papel aqui é dizer o que achei do livro, e não debater seus valores filosóficos com pessoas que nem sequer o leram. No caso, vocês, queridos. Mas se, por acaso, após a leitura do livro, os senhores quiserem alguém para debater os valores filosóficos do mesmo, estarei sempre a postos. 
Enfim. O que me devastou de verdade é ver o modo em que a vida de um garoto de quinze anos pode mudar. É ver todos os dramas familiares, que não são poucos, todas as complicações, todas coisas terríveis que acontecem e acontecem o tempo todo, mas que nós não damos tanta importância como deveríamos. De alguma forma, o Charlie percebe tudo isso, e sente tudo isso, e conta tudo isso em suas cartas. Ele é mesmo um garoto excepcional, e se preocupa com tudo e com todos antes de preocupar-se consigo mesmo.
Mas acho que essa é uma coisa que o psiquiatra esqueceu de contar a ele.
Eu tenho de parar de achar que o Charlie é uma pessoa real, por que isso me devastaria mais ainda. Não que eu ache mesmo. Só entrei na história para valer.
Devorei esse livro em seis horas, dois dias seguidos. Escrevi a frase mais eloquente dele no meu pulso, e juro a vocês, que se um dia eu decidir tatuar algo no meu corpo, será "I feel infinite" no pulso. Por que é disso que o livro se trata, e é assim que eu me sinto para valer, eu acho. Ser um adolescente. Sentir, pensar, tudo com muita intensidade e com muita voracidade. Sentir-se jovem, saber que seu espírito quer se libertar. Escutar uma mesma música um milhão de vezes e sentir-se bem com isso. Não sei o que estou falando. Mas sei o que estou sentindo.
Eu me sinto infinita.
Como Charlie, Sam e Patrick se sentiram no carro.
Como você provavelmente deve se sentir também.
Acho que não disse a vocês o porquê de estar devastada, mas acabei de decidir que não vou falar também. Essa provavelmente está sendo minha resenha mais pessoal, e talvez eu nem devesse postá-la por falta de profissionalismo.
Mas eu ainda estou tão atordoada. Perguntei para uma pessoa (oi, Wes) se ela havia ficado como eu e descobri que sim.
Então, ou nós dois somos extremamente sentimentais, ou é isso que a obra de Chbosky vai causar em todos vocês. 
Por fim... não vou dizer que é uma leitura obrigatória. Não sei ainda se é o livro que mais odiei ou se é que mais amei. Talvez um pouco dos dois. Minha cabeça ainda dói de chorar, mas eu choro muito. Ainda sinto os efeitos de me sentir infinita, e acho que vou me sentir infinita para sempre, por que nunca vi graça em ser limitada. Se acham que podem lidar com o livro, leiam. Se não, deixem de fora. Só tenham cuidado com o equilíbrio mental que ronda suas mentes, por que ele pode se esvair a pó, independente da forma que você entrar na história.
E eu entrei de cabeça.


P.S.: Rabiscar livros rules. Vocês já sabem que faço isso.
Palavras da vez:
"Perturbador, sentimental, bonito.
(Eu me sinto infinito).
Eu realmente me sinto infinita agora." 

18 de fev. de 2013

[Resenha] O Céu Está Em Todo Lugar, de Jandy Nelson

The Sky Is Everywhere

Título Original: The Sky Is Everywhere
Editora: Novo Conceito
Ano: 2011
Páginas: 424


Lennie Walker, de dezessete anos de idade, gasta seu tempo de forma segura e feliz às sombras de sua irmã mais velha, Bailey. Mas quando Bailey morre abruptamente, Lennie é catapultada para o centro do palco de sua própria vida – e, apesar de sua inexistente história com os meninos, inesperadamente se encontra lutando para equilibrar dois. Toby era o namorado de Bailey, cujos sentimentos de tristeza Lennie também sente. Joe é o garoto novo da cidade, com um sorriso quase mágico. Um garoto a tira da tristeza, o outro se consola com ela. Mas os dois não podem colidir sem que o mundo de Lennie exploda…
Na verdade, não sei por que tive essa maravilhosa ideia de começar a resenhar os livros. A vontade que me dá quando abro esse arquivo é de começar a colocar tudo em CAPS LOCK, surtar tanto e dar tantos spoilers que a Polícia Federal apareceria aqui em casa para discutir o meu mau comportamento na Internet.
Mas vamos ser profissionais, né?
Esta obra é mais uma da lista "MEU DEUS!, DEPOIS DESSE FOLHETO QUE EU PRECISO DESSE LIVRO", assim como ocorreu com o Questões do Coração, da Emily Giffin (resenha aqui). Fiquei mais ou menos um ano querendo lê-lo, até que um dia, passeando pelo site da Saraiva, enfim, o achei por R$ 10 reais e chorei de emoção. Ele veio fazendo parte do meu presente de natal, e eu vou dizer a vocês o porquê de ter quase caído para trás quando o segurei em minhas mãos:
Capa dura. Papel pólen. Impressão colorida. Gravuras.
Beijos.
O LIVRO É LINDO! Desculpa, eu sei que eu deveria estar falando sobre o interior do livro em si, MAS MEU DEUS DO CÉU, GALERA! EU NUNCA VI UM LIVRO TÃO LINDO.
O.k., vamos falar sobre a história em si.
(Eu comprei mesmo um capa dura por dez reais, meu Deus, obrigada por me amar.)


"Eu deveria estar de luto, não me apaixonando..."

Lennon (sim! Por causa do cantor ilustre John Lennon) Walker é uma garota de dezessete anos comum. Tímida, loucamente apaixonada por livros (especialmente O Morro dos Ventos Uivantes) e por música. Leva uma vida comum para uma moradora do nordeste da Califórnia. Mora com a avó e o tio, toca clarinete para a banda da escola, trabalha meio período em uma lanchonete e tem uma melhor amiga (chamada Sarah!), e, assim como todas as garotas de seu colégio, fica encantada com a chegada do novo aluno, Joe Fontaine, um belo músico francês que se parece com Heathcliff. 
Apenas uma coisa diferencia Lennie dos demais: ela está de luto. 
A pessoa que mais significava para ela neste mundo, sua irmã Bailey, morreu enquanto ensaiava para o papel de Julieta, subitamente. Como uma dessas doenças que acomete a pessoa de repente e a leva desse mundo, sem nos dar uma chance de nos despedir.
Para a surpresa de Lennie, o mundo não para com o coração de Bailey, e ela se pega obrigada a seguir sua vida normalmente mesmo sem a sua irmã, a pessoa em que mais confiava, amava e acreditava. É claro que a tristeza acomete-a tão forte quanto deveria ser. Mas parecia que ninguém entendia o que ela passava.
Ninguém, a não ser Toby, o namorado de Bailey.
Espalhando seus poemas tristes e sentidos pela cidade, rabiscando seu exemplar de O Morro Dos Ventos Uivantes, e tão triste quando uma brisa fria, Lennie se vê enfiada em um arremedo de problemas e frustrações.
E mesmo assim se apaixona.
A história, em si, é uma coisa loucamente angustiante e perfeita e infiel e culposa e gostosa e malvada e sensível e linda. Por favor, perdoem as adições. Eram necessárias. Não conseguiria mostrar meu desespero (por que O céu está em todo lugar também é profundamente desesperador) se não adicionasse tantos "e's". Só quero que vocês entendam a imensidão dessa narrativa, desse enredo, a complexidade dos personagens e da tristeza acometida nesse livro.
Jandy Nelson, nerd suprema que é (poetiza fanática, formada em Brown, Cornell e Vermont, sintam a responsa), ensina nesse livro o quão complicado é... crescer. Sobretudo quando isso acontece no meio de uma tragédia, ainda que, de certa forma, todos nós vivamos nossos problemas e decepções. Não somos, enfim, muito diferentes de Lennie, a garota que escreve poemas em papéis de pirulito e copos descartáveis e os enterra ou esconde em cascos de árvore.
Digamos apenas que o livro intensifica tudo. Ao nível duzentos.
E quem diria que Lennie Walker só descobriu a si mesma depois de perder tudo?
Bom, essa história me fez rir e chorar, e eu amei demais. Não é só uma história de amor. É uma história de vida, de como aprender a viver com a dor inebriante da perda de um ente querido. Por muitas vezes você vai se surpreender com o nível de pensamentos que está formulando durante a leitura. Muitas vezes você vai ficar confuso, e não vai saber do que gostar, em quê acreditar.
Apenas bons livros fazem isso. 



"O mundo não é um lugar seguro" 


HOLE CRAP! Os poemas!
Esse livro é repleto de gravuras de poemas que Lennie simplesmente espalha pela cidade. Ela escreve onde bem entender e, então, joga por aí. No jardim de sua avó, na floresta, no banheiro da lanchonete onde trabalha, preso a uma árvore, enterrado, na sola de seu sapato... Não importa. Lennie escreve o que sente, mas, ao contrário da maioria dos poetas (ou talvez de todos eles), dá seus poemas de presente para o mundo do jeito mais improvável e sensível.
É claro que isso enevoa a história ainda mais. Tudo é muito tangível, gostoso. Ler  O céu está em todo lugar é como entrar em um novo mundo, viver e encarnar uma nova história, triste, sentida. É como colocar todos os seus sentimentos em uma cúpula e sacudir até doer. Seu espírito fica leve. E, mesmo triste, você se sente feliz.

"Eu pertenço a você
Meu coração é seu
Ouço sua alma em sua música"



P.S.: Como vocês sabem, minha mania feia de rabiscar livros não se foi. Dessa vez:
"Infiel, sensível, harmônico.
(Olho nos seus olhos sem tristeza e meu coração se escancara.
E, quando nos beijamos, do outro lado da porta, vejo que há o céu.)
Pisca. Pisca. Pisca."



17 de fev. de 2013

Capítulo 5


Violência




OI VCS
*u*
Como vão? ~PLASAOP como eu disse outra vez, eu sou super e completamente devota ao bem estar de vocês, de modo que QUERO SIM SABER COMO VÃO OS SENHORES ainda que vocês não queiram me contar.
Se estão bem, GREAT
Se não estão, espero que isso mude até que seu scroll chegue ao fim desta página.
Digam-me se mudou.
AÇSOKQÇ~POJAK~PQIKWOAS PRIMEIRAMENTE, TENHO ASSUNTOS PARA TRATAR, COMO:
Não, hoje não é sábado AND THATS OK. Vou mudar o dia. Por que eu não consigo fazer nada no sábado.
But let me tell you guys por que nao postei nada ontem, como de fato deveria.
EU ESTAVA CURTINDO SHOPS COM NATS. 
(para quem não sabe, Nats é uma leitora e mtmtmtmtmt amiga minha, que por acaso esteve em brasilia. Então eu arrastei mamai para o shops aqui não-tão-perto e nos encontramos e surtamos na livraria e comemos gordisses e ELA É TÃO LINDA E ok sdds <3)
sos
Por isso, depois de pegar três ônibus e andar mais de 1km e meio, eu cheguei meio morta "em casa", sabe. Meus pés estão me xingando até agora!
Mas valeu a pena.
THE POINT IS não deu pra terminar esse capítulo por esse motivo, entendem. Quanto eu to cansada a minha mente fala tipo:
"ESCREVER AGORA? sua vadia vc eh loka"
Então apenas dormi :3 e acordei hoje e CONSEGUI FINALIZAR O CAPÍTULOOOOOOOOOOOO YEEEEEEEEAAAA SÇOPQWÇSOAWISHQOUHWOK 
claro que eu consegui, estou postando aqui.
dã.
sarah bobona.
E EU SEI QUE DEVERIA TER POSTADO ANYWAY POR MOTIVOS DE CARNAVAL, mas de boa mesmo, meu carnaval foi péeeeeesssimo.
E eu não queria voltar a ter aulas.
Mas voltei.
hashtag chatiada
çPOAKSPOLASPÓLAS enfim
Perdi o ponto.
AH SIM ASÇOAKS~PAO~SAS bem, caso os senhores não tenham notado, EU FIZ UMA ENQUETE ALI:::::::::do lado.
Ali do lado.
Isso aí. Essa enquete do lado.
Que condiz exatamente em que fanfic o senhor quer ler.
O Senhor: MAS SARINHA PQ DIABOS VC FEIS ISSO
EU EXPLICO ASÇPOLK~QPAOSO acontece que eu sou uma pessoa inspirada.
uh
profundamente inspirada.
E às vezes, eu quero escrever, quero mesmo, preciso escrever, MAS NÃO SEI PARA QUEEEEEEEEEEE então, por favor, vote ali. Se tu quer a Renascer ou a Trucker semana que vem. Assim, quando eu estiver em dúvida em para que escrever, escreverei o que o senhor quiser.
Parei de falar assim. MAS É QUE PRONOMES DE TRATAMENTO SÃO TAO LEGAISSSSSSSS (não precisa me lembrar que "você" é um pronome de tratamento também, I KNOW THAT.)
cara por qUE TWO DOOR CINEMA CLUB É TÃO BOM
Um dia eu os enfio em alguma fic.
é bom demais sos
ok.
Foco.
About capítulo passado.
ÇOIASKÇSJOIAJ CARA ÇSOKQÇPOIJAÇSIJAS NOTEI QUE JOSH TARADO E O TAPA DA HAYLEY GEROU COMOÇÃO E FIQUEI FELIS 
por que cara ~pslqçpokwasoij 
Tá todo mundo maluco por esse Josh, cara.
sarinha falando como se ela também não
como eu disse, ele é um belo de um cafajeste, AND YOU KNOW e eu sei também que isso somado a um cara extremamente gostoso é PURA PERDIÇÃO. E tá. Esse meu Josh da Trucker é impossível de não amar e não querer na cama. Pois é.
Já tem gente com raiva da Hayles tb OAKSÇOK~PASOLA~SOL por que ela tá renegando o pobre Joshua e seu olhar comedor somado as maos espertas e tudo mais.
ÇASOKÇQOKSPQOIKPOAÃLS~PAOS POIS É. Eu dei uma porrada de spoiler sobre essa fic no twitter e enfim.
Sobre esse capítulo, eu achei a+ ÃPOSL~PASOLAS 
Mas vou deixar que vocês leiam e se surpreendam. 
Deem uma olhada no nome.
THATS IT
Um salve especial pra Larissa, que mesmo com o Disqus trollando ela, comentou duas vezes pra mim como uma linda *u* e um para a Renally também, que sempre lê e comenta pelo celular, ainda que isso seja um pé no saco.
Comentários são mt importantes e ajudam mt um autor, sabiam? Enquanto eu nao lanço meus livros (-q), vocês deviam comentar pra mim *u*
gotta go s2 vejo voces lá embaixooooooooooo








— Estou chocada. Não, eu estou perplexa. Conte mais.
Fiz um sinal para que Kathryn esperasse um segundo enquanto terminava de engolir meu hambúrguer com um gole de suco natural de laranja (eu visitei aquela máquina ao lado do meu armário, afinal). Como sempre, a comida estava muito boa. Não vou mentir: minha parte preferida da escola é o tempo que eles nos reservam para comermos.
Sim, eu sei o que você está pensando. Não, eu também não sei por que não sou gorda.
Enfim, enquanto eu comia minhas milhares de calorias regadas a muita mostarda, Jenna comia uma salada e tomava uma Coca Diet, Dakotah comia milhares de calorias como eu e Kathryn, por algum motivo, não comia, contei as meninas sobre o acontecido hoje pela manhã.
Quero dizer, o comentário discreto que Josh fez sobre minha bunda e meu tapa simpático que deixou a forma dos meus dedos em seu rosto.
Nada demais.
— Pois é — disse eu, mil anos luz depois, quando consegui engolir um pedaço de picles que ficou preso na minha garganta. Pelo menos não comecei a tossir e espirar suco de laranja pelo nariz, etc., por que eu acho que não seria nada legal para a minha reputação ainda a construir. — Não tem nada mais o que contar, foi isso. Ele deu em cima de mim e eu bati nele. Como faço noventa por cento das vezes em que dão em cima de mim.
Eu sei que não estava sendo exatamente sincera em relação a relevância do acontecido. Mas eu não iria ficar falando para Kathryn Camsey o que eu sentia naquele momento, por que ela não iria querer saber de qualquer maneira, e por que isso poderia ser fatal. Demorei muito pouco para descobrir que por baixo de seus vestidinhos justos, sexys e fofos, existe uma bela de uma vadia.
Mas uma vadia legalzinha, o.k., então continuarei sendo amiga dela.
Aprenda a ser fofa comigo.
— E o que ele disse depois que você bateu nele? Céus! Em todo o tempo que estive liderando o jornal do CHS, nunca soube de alguém que houvesse agredido Joshua Neil Farro de qualquer maneira — ela estava quase pulando de alegria. — Você entrou nessa escola para virar lenda, Williams! Diga, o que ele disse após o tapa?
— Digo se você prometer não publicar nada sobre isso — eu falei, mordendo meu hambúrguer gordo novamente depois de colocar mais mostarda. Já falei o quanto amo mostarda? Jura? Bem, fique sabendo que eu amo mostarda. Muito. E eu entendo que você sinta aquela aversão a ela, pela sua aparência, amarela e esquisita, e pelo seu cheiro diferente e tudo o mais. Mas, por favor, vença seu preconceito, por que é muito bom! Eu adoro o gosto picante e peculiar que ela dá a carne e tudo mais. É uma das coisas mais gostosas que existe nesse mundo. Poderia me casar e ter filhos com um pote de mostarda, se você quer saber. Então eu usaria meus filhos para temperar meus sanduíches.
— Só estou sendo sua amiga, não a editora-chefe do jornal — disse Kathryn, ficando emburrada.
E Dakotah deixou-se dar uma gargalhada sonora.
Até mesmo Jenna riu um pouquinho.
Continuei a comer minha mostarda.
— Tá, tudo bem, diz aí, Williams — Jenna deu um soco no meu ombro. Respirei fundo. Não devo arrebentar a cara dela, não devo arrebentar a cara dela, não devo arrebentar a cara dela... — Como o Farro reagiu?
Kathryn olhou para mim com os olhos brilhando pela expectativa. Notei as mãos de Dakotah tentando roubar meus sachês de mostarda e lhe dei um tapa. Ela me xingou de um nome feio e eu a xinguei de volta. Ora! Quem ela pensa que é para roubar minha mostarda assim na cara dura? Não importa se é minha vizinha e minha melhor amiga por enquanto. Aquela é minha mostarda! Minha. Mostarda.
Vociferei isso para Dakotah. Ela me chamou de louca, irritante, idiota, e me mostrou o dedo. Já estava quase arrancando seu pescoço quando Kathryn me tirou do transe:
— PAREM COM ISSO! — gritou ela, seus olhos castanhos duros. — Mas que droga! Vocês percebem que estão xingando as mães umas das outras por causa de dois sachês de mostarda vagabunda?!
Respirei fundo.
— Ela que começou — Dakotah deu de ombros, roubando minha mostarda aberta e despejando tudo por cima de seu sanduíche de frango antes que eu arrancasse todos os fios de cabelo de sua bela cabeça oval.
— Sua grande filha da...
— Parem! — Jenna disse, virando os olhos. — Eu quero saber o que houve com o Farro! Pelo amor de Deus, gente, vocês precisam procurar um psiquiatra muito em breve.
Dei de ombros. Quando for à casa de Dakotah, da próxima vez, roubarei o tubo de mostarda. Grande filha da mãe, essa melhor amiga que fui arranjar.
— É, Nichole, largue de ser chata e conta pra gente o que aconteceu depois que você quebrou a cara do Farro — finalmente Dakotah havia se pronunciado publicamente sobre meu encontro com o cowboy mais cobiçado do Centennial. — Ele te bateu de volta? Não, ele não faria isso. Aff, daria tudo para ter visto essa cena.
— Não, ele não me bateu de volta — disse eu, deixando um gole do suco natural atravessar minha garganta antes de olhar para Kathryn, a minha frente. — Ele, acreditem ou não, sorriu para mim e disse que eu era uma garota incrível.
Dakotah fez uma careta antes de fazer que não com a cabeça num gesto completamente desprezador.
— Você não bateu forte o bastante.
— Quer que eu reproduza o movimento na tua fuça?! — perguntei, virando-me para ela, oitavando minha voz para mostrar minha irritação. Sinceramente, essa guria estava precisando de uma surra bem dada! Pelo amor de Deus, nunca vi uma pessoa para ser tão chata. Vou bater nela ainda hoje se continuar desse jeito.
— Vamos ver se você é mulher o suficiente para isso! — ela vociferou de volta, bufando.
Levantei minha mão para virá-la em seu rosto.
— ESPEREM A MERDA DO SINAL BATER PARA VOCÊS SE ESTAPEAREM! — Jenna de novo. Ela bufou, levantando-se da mesa. — Williams, depois você me conta sobre o Farro. Vou ficar com o Kevin por que ele não é um retardado mental.
Olhei para ela expressando minha completa discórdia. Mas veja só! Você conhece as garotas há quatro dias e é isso o que elas fazem com você!
Tudo bem que minha amizade com as garotas foi meio instantânea, mas mesmo assim.
— Essa daí tá querendo levar uma surra também ou eu estou interpretando errado? — Dakotah perguntou ao meu lado, vendo Jenna se mover lindamente pelo salão antes de alcançar os braços geeks de seu namorado geek.
— Acho que você não está tendo nenhum problema de interpretação — disse eu, concordando, sem retirar meus olhos da Jenna Rice que ria do outro lado do refeitório, na mesa dos geeks.
— Vocês duas vão levar uma surra minha se não calarem a droga da boca — Kathryn vociferou, irritada com a habilidade de nos descontrolarmos. Ela também havia se descontrolado, para dizer a verdade. Acho que deve ser contagioso ou algo assim. — Williams, me conta direito essa história. Você deu um tapa no Farro e ele disse que te achava incrível? Isso não faz sentido.
— Exatamente! — disse eu, irritada. Para dizer a verdade, o acontecido hoje pela manhã com Josh Farro havia me deixado bastante confusa. Cem por cento das vezes que eu xingava e batia em um garoto, não importa como ele fosse, ele eventualmente me chamava de maluca e nunca mais se referiria a mim como um ser humano. Agora eu lhe pergunto: como raios com Josh Farro isso foi diferente?
Eu bati com força, juro para você. Meus dedos arderam durante vinte minutos, e eu estava com muita, muita raiva. Além disso, geralmente não bato fraco nas pessoas. Sou meio brigona, sabe? Então sempre que vou estapear, estapeio com vontade, com garra, com força, com determinação. O que desencadeia a dor profunda, não só em minha mão, mas também na face/pescoço/abdômen/ombros/costelas/glúteos das pessoas.
Com Josh Farro isso não aconteceu. Quer dizer, ele provavelmente deve ter sentido a dor. Mas gostou disso.
Deve ser algum tipo de sadomasoquista ou retardado mental, mesmo.
— Te juro que bati com muita força — disse eu para Kathryn. — Aí, ele olhou para mim, sorriu com aquela cara de idiota, e disse “e você não é mesmo uma garota incrível?” — fiz questão de imitar a voz do Josh com um tom bem mais fino e abobalhado. — Quer dizer, o quê?! Esse tal de Josh Farro só pode ser maluco. Você deveria escrever sobre doenças mentais nesse seu jornal.
Kathryn, depois de sorrir, deixou-se dar um dar de ombros despretensioso. Como se dissesse: “é, pois é, amiga, estou sabendo disso, mas já cansei de escrever sobre sadomasoquismo nesse Centennial Jornal.”
— Infelizmente, como eu te expliquei, Hayles — Dakotah milagrosamente me chamou pelo primeiro nome, após engolir seu sanduíche de frango grelhado —, o pessoal da trupe do Josh não é de desistir das garotas que querem. Veja o idiota do York, por exemplo.
Kathryn riu e bateu palmas.
— Meu maior sonho seria escrever uma fofoca sobre a tara irresistível de Taylor York pelas coxas da Dakotah. Oh, céus, eu iria fazer o jornal vender como nunca — seus olhos castanhos estavam brilhando.
Minha Nossa, não existe no mundo ninguém mais fofoqueiro que Kathryn Camsey.
— Meu maior sonho seria a escola inteira sabendo que Jeremy Davis costuma visitar seu quarto todas as noites de sextas-feiras.
E foi assim que Dakotah Rae calou a boca de Kathryn Camsey.
Vi que o ódio fosse espalhado entre minhas amigas enquanto ri e coloquei mais mostarda na última mordida de meu sanduíche.



[...]



Sentei-me no tapete, exausta, morta de cansaço. O livro infantil ainda estava em minhas mãos e eu ainda tinha os cabelos presos em Marias-chiquinhas para parecer com Jessie, a garotinha que encontra a passagem para um mundo encantado de fadas no jardim de sua avó. Precisei ler o livro até o meio para que Isabelle e Jonathan pudessem pegar no sono.
Já vi crianças com energia, mas essas aí deviam ganhar um prêmio.
Eu e minha mania de te deixar de fora das coisas que aconteceram ultimamente. Deixe-me contar como foi o meu dia.
Ontem à noite, só para começar, fui dormir depois das duas da manhã. Dakotah decidiu que passaria a noite de domingo na minha casa (o que foi legal, por que papai finalmente a conheceu e coisa e tal, nós brincamos um pouco com a McKayla e ela até me ajudou a colocá-la para dormir), mas infelizmente ela é do tipo de garota que não consegue dormir cedo. Por isso, passamos o tempo inteiro falando bobagens e rindo, nos batendo e rindo, ou assistindo Scary Movie e rindo. De qualquer maneira, foi uma noite bastante divertida, mas pouco produtiva para uma garota que precisava dormir. No caso, eu.
Fui para a escola parecendo um zumbi, e deixe-me dizer uma coisa sobre todas as explicações de álgebra que tivemos hoje: pode esquecer. Para mim é apenas um borrão perdido na memória. Sinceramente, não me lembro nem o nome da matéria, quanto mais a resposta dos exercícios que eu relutantemente anotei de qualquer maneira no caderno. Ao menos não encontrei Josh no decorrer de minhas aulas. Não sei o que faria se visse seu rosto mesquinho no bom humor em que me encontrava.
Tudo já estava bom demais, é claro, então eu também tive treino de vôlei. Mas como o armário que continha a rede estava trancado à chave e a treinadora não tinha autorização para abri-lo (!), passamos a aula toda jogando manchetes. Um jogo determinado pela treinadora: Quem deixasse a bola cair daria uma volta na quadra correndo.
Filha da mãe.
Deixei a bola cair mais vezes do que segurei, para dizer a verdade. Nas raras ocasiões em que minhas manchetes salvavam as jogadas, eu tinha de me arrebentar no chão ao fazer mergulho. Mas essas vezes eram raras. Muito raras. Portanto, eu passei basicamente a aula inteira correndo pela quadra na fila de outras garotas sem sorte que faziam o mesmo.
Ao chegar em casa completamente suada e em um estado deploravelmente triste — preferi não esperar que os chuveiros da escola desocupassem, pois não queria me atrasar —, tomei um banho rápido, sequei meu cabelo num trabalho completamente porco e vesti uma roupa qualquer. Nem passei maquiagem ou qualquer coisa assim, as olheiras que tomavam metade da minha cara não seriam retiradas nem com todo o corretivo desse mundo. Ainda estava morrendo de sono e querendo morrer, minhas pernas quase não se aguentavam mais, e eu nunca quis tanto não ver criança alguma.
Mas matar o primeiro dia de trabalho seria uma sacanagem sem tamanho. É pedir para ser despedida.
(Experiência própria.)
Por isso, mesmo morrendo de cansaço e de sono, fui cuidar dos pirralhos. Planejei algo bem simples, como, talvez, tocar um pouco de violão ou fazer sanduíches com geleia de uva. Assistir um filme. Ler um livro?
Mas descobri que Isabelle e Jonathan queriam simplesmente correr pela casa enquanto eu tentava manter os olhos neles e fazer com que eles não brigassem a cada trinta segundos.
Eu conseguia ouvir minhas próprias pernas me xingando.
Enfim, consegui fazê-los se sentar quando perguntei quem queria pipoca. Graças a Deus, a dona Beth deixou que eu usasse sua cozinha à vontade, por que acredite em mim quando eu digo que alimentar uma criança é a forma mais eficaz de mantê-la calma. A não ser que esse alimento seja muito bom ou muito ruim. Nesse caso, pode ser um suplício. Mas algo inofensivo como pipoca pode muito bem ocupar o meio termo.
Só que não foi uma ideia muito inteligente.
Isabelle e Jonathan não assistiram nem os primeiros dez minutos do filme que achei (Toy Story 3, no quarto do Zac), quando Jon descobriu que atirar pipocas nas pessoas pode ser muito divertido, engraçado, e pode deixar sua irmã louca da vida. Louca da vida a ponto de jogar pipoca nele de volta, xingá-lo, bater nele e mordê-lo com toda força existente em seu maxilar com poucos anos de vida que dão sustância aos seus dentes de leite.
Oh, meu Pai.
Resultado: tive de brigar com eles pela sexagésima vez, limpar a bagunça na sala de estar, dar-lhes um banho e constatar, feliz, que já estava na hora da soneca da tarde. Embora eu soubesse e de fato já esperasse que colocá-los na cama não seria nada fácil.
Mas não há nada que um copo de leite com achocolatado quente e um bom livro não possa fazer.
Então, uma hora e quarenta minutos depois do incidente com a pipoca, tudo o que eu queria fazer era cair na cama daquelas crianças e dormir com elas. Claramente não podia fazê-lo (seria muito chocante se eu dissesse que sabia disso por experiência própria?), portanto, saí na ponta dos pés para não acordá-los e nem me dei ao trabalho de deixar O Segredo Das Fadas na mesa de cabeceira da Isabelle. Larguei-o em qualquer lugar, exausta, e comecei a descer as escadas calmamente enquanto arrancava as presilhas do meu cabelo vermelho-tinta-guache.
Precisava de um copo d’água.
Também precisava lavar aquela louça (o trabalho de babá inclui limpar a sujeira de seus bebês).
Respirei fundo, fechando os olhos por um segundo. Ai, meu Deus. Quero morrer.
Usualmente, eu juro, adoro cuidar de crianças. Adoro a coisa toda. Adoro ter de correr para lá e para cá, adoro vestir roupas esquisitas para parecer com seus personagens preferidos enquanto conto uma história, adoro poder abraçá-los quando quiser, adoro ensiná-los alguma coisa sobre a vida. É legal perceber o quanto eles se afeiçoam a você e te tratam como se você fosse, sei lá, uma segunda mãe ou algo assim.
Mas hoje eu podia dizer que meu dia honestamente não tinha como ficar pior. Eu estava tão cansada e tão dolorida e tão de mau humor que seria capaz de bater na primeira pessoa com mais de doze anos que aparecesse na minha frente. Só queria que o relógio apontasse 20h para que eu pudesse voltar para casa e ir para a cama sem jantar.
Ainda com as presilhas na mão direita e tentando ajeitar meu cabelo, dirigi-me a cozinha para limpar tudo e ficar quieta durante um tempo. Amaria se aquelas crianças dormissem até a hora de eu ir embora, mas eu sabia lá no fundo que isso não aconteceria. Por volta das 18h30 eles acordariam, e eu lhes daria um banho, e talvez os deixaria entretidos com a televisão ou algo calmo. Espero.
Mas quando eu adentrei a cozinha de fato, segurei o grito que quis sair da garganta. Pisquei fortemente por um segundo para garantir de que não estava vendo coisas.
Para garantir que Josh Farro não estaria ali, só com uma calça jeans suja presa na cintura, na cozinha da mãe de Jon e Belle, tomando suco de laranja direto da garrafa. Para garantir que tudo o que se formava na minha cabeça agora não fizesse sentido algum.
Para garantir que agora, também assustado, ele não me encarasse como se tivesse ganhado na loteria.
— Olha só! — fez ele, surpreso, olhando para mim. Sorriu, mas não aquele meio sorriso safado de sempre. Dessa vez ele parecia divertido. Realmente aparentava achar a situação engraçada. — Veja só quem está na minha cozinha! Desse jeito vou começar a pensar que você está me seguindo, baby.
— O que você está fazendo aqui?! — foi o que saiu da minha boca. Eu sabia a resposta, entretanto. Agora o quebra-cabeça se montara e tudo fazia sentido.
Eu sou a garota mais idiota desse mundo.
— Eu moro aqui, baby — disse ele, divertindo-se para valer. O sorriso dele era colossal. Seus dedos, pintados de preto pela graxa, correram seu cabelo liso e o prendeu atrás da orelha. Odiei a mim mesma por notar o quão incrivelmente gostoso ele estava naquele momento. — Essa é a minha casa. Moro aqui com meus pais e três dos meus irmãos. A pergunta é: por que estou tendo a honra de te receber aqui? — ele largou a garrafa de suco em cima da pia e se aproximou perigosamente de mim novamente. Aí, como você já deve imaginar, meu coração decidiu que ia sair do corpo e minha pele começou a se arrepiar. Só o que sempre acontece quando ele chega perto de mim. Ainda mais quando não está usando a droga da camiseta e fica exibindo esse abdômen ainda meio sujo e tudo mais.
É claro que ele morava ali.
Josh era o irmão mais velho de Zac, Jonathan e Isabelle.
Seu pai me dissera no caminhão, dez dias atrás, que tinha uma família grande.
Eu e minha memória de merda.
— Eu trabalho aqui — foi o que minha boca idiota disse. Senti a fúria começando a se apoderar de mim, mas eu só sentia raiva de mim mesma. Como não fui imaginar isso? Se parar para pensar, Jon e Josh são idênticos. Todos eles têm os mesmos olhos. Obviamente, o salão de beleza dado à Dona Elizabeth não fora conseguido por ela sozinha, ou talvez até tenha sido, mas seria necessário um capital que aquela mulher não teria.
Mas que seu marido, dono da maior transportadora da cidade, certamente concederia de bom grado.
Mereço um tiro. Um tiro muito grande no meio da testa. Hayley idiota.
— Não, espera — disse Josh, juntando suas mãos sujas e dando um passo para trás em puro entusiasmo. Parecia que não acreditava naquilo de tão bom que era. — Você trabalha aqui?! — perguntou ele, seus olhos chocolate encontrando os meus e perfurando minha alma, como sempre. Só que dessa vez ele me perfurava com sua felicidade eminente, que cortava a minha frustração com uma faca. — Você é a nova babá das crianças?! — ele estava tirando suas próprias conclusões e indo muito melhor que eu nesse quesito. Se soubesse que trabalharia na casa de Josh Farro, evidentemente jamais estaria aqui. — Dude, acho que ganhei na loteria. Meu dia não consegue ficar melhor do que já está.
E lá estava ele de novo. Aquele olhar comedor que vocês já conhecem e que eu já descrevi algumas vezes. Agora a mão suja de graxa de Josh passava de novo pelo seu cabelo liso e baixo, seu peito se movia ferozmente, seus lábios moldavam o sorriso mais “quero-ter-você” já moldado, e seus olhos, como vocês já sabem, examinavam cada partícula do meu rosto e do meu corpo com uma parcela gigantesca de desejo.
Não me espantaria se ele tivesse uma ereção, só pela maneira que me olhava. Mas, ai, meu Deus, Hayley, vai para o inferno. Eu não iria checar! Inferno! Olha só no que eu fui pensar! O.k., unicórnios, bolas de gude, rosas, brilho labial, lápis de cor, pôneis...
Olhei. Droga.
Ai, caramba, que droga.
— Deixa eu esclarecer uma coisa — disse eu, tentando demonstrar toda a confiança que eu não tinha. A Confiança havia pegado a Vergonha Na Cara e fugido para Vegas. Neste momento, deviam estar sendo casadas por um juiz vestido de Elvis Presley. Mesmo assim, ainda havia alguma fúria dentro de mim, e combinei com a Fúria de se passar pela Confiança por alguns momentos, só para que eu pudesse afastar Josh Farro, seu corpo maravilhoso e seu olhar comedor do meu corpo e da minha mente. Agora ele dera um passo para trás e sibilara um “tudo bem”, sorrindo, divertido. — Não sabia que Isabelle e Jonathan eram seus irmãos, mas tudo bem. Eu estou aqui para cuidar deles. Apenas deles. Vou dedicar todo o meu tempo a isso. E, como já disse antes, é bom para você que saia de perto de mim e pare de me chamar desse apelido ridículo — e desfaça essa porra de ereção!, completei mentalmente e quis morrer.
Chocolate, cachorrinhos, leite em pó, sorvete de flocos...
— Baby, sinceramente, eu ainda estou meio confuso em relação a você — disse ele, rindo tanto que suas bochechas pareciam rasgar a qualquer momento. — Olha só, no primeiro dia que nos conhecemos, você obviamente me queria assim como eu te queria. Na verdade, pelo que eu vejo, você ainda quer. — Quis gritar para ele que não queria, mas Josh continuou antes de mim: — Então quando nos encontramos no colégio, você simplesmente passou a me dar foras de todos os tipos e até me deu um tapa no rosto. Quer dizer, por que isso? Não me lembro de ter feito nada de ruim para que você me ignorasse e até desprezasse dessa maneira.
Consegui sorrir sarcasticamente. Obrigada, Jesus.
— Digamos apenas que você não faz o meu tipo, Farro — disse eu, desprezando-o o máximo que conseguia. — Você é tudo que eu detesto em um cara. Metido a superior, quarterback, agarra qualquer coisa que use uma saia. Em Meridian eu costumava quebrar costelas de rapazes como você. Não pense que só por que, por acaso, você me pegou de surpresa e me beijou, será diferente. Não gosto de você. Você é um filho da mãe abusado, idiota e ridículo, e é por isso que eu quero que você saia de perto de mim.
Wow. Pronto. Coloquei tudo para fora. Parece que a Vergonha Na Cara resolveu voltar para casa.
— Nossa! — disse Josh, torcendo seus lábios e batendo palmas. Palmas. Ele sorria, ainda divertindo-se com tudo aquilo, mas agora mantendo uma pontinha de admiração. — Parabéns. Você simplesmente me descreveu. — Ele parou de bater palmas e passou a coçar o queixo. — A única coisa que não gostei é que você foi meio generalista demais, baby. Trabalhe nisso. Primeiramente, só te peguei de surpresa e te beijei por que, honestamente, você estava me deixando louco. Quanto a quebrar minhas costelas, espero que você me bata com um pouco menos de força. Sou mesmo um filho da mãe idiota, abusado e ridículo, mas só por que posso ser. É a razão pela qual eu trabalho. Está vendo isso? — ele mostrou suas mãos sujas de graxa. — Estou consertando motores de carros antigos para comprar meu próprio caminhão. Conserto esse tipo de coisa desde os oito anos de idade e, diferente do que você possa ter escutado, não vivo apenas da fortuna do meu pai. Quero construir a minha própria. — Agora ele estava meio sério, meio sorrindo, meio tirando sarro, meio chateado comigo. Não sabia o que ele queria exatamente. Como estava. — E eu vou construir. Sabe por quê? — ele me perguntou, aproximando-se de mim. — Por que eu sou, além de um filho da mãe, idiota, ridículo, abusado e metido a superior, o cara mais determinado que você já conheceu. Quando eu quero uma coisa, eu consigo. Simples assim. — Consegui dar alguns passos para trás, enquanto Josh só ficava mais e mais perto de mim. Minhas costelas bateram contra a pia. — Esse sou eu, Hayley. Mas essa que você acabou de descrever não é você. Eu posso não fazer o seu tipo, mas não diga que você não gosta de mim. Não diga que quer que eu saia de perto de você. Eu até acredito que seja tudo o que você deteste em um cara, mas não acredito quando você olha nos meus olhos e pede para que eu não te agarre nesse exato momento. — Josh segurou os dois lados da pia, me deixando presa em uma gaiola. Dos lados, seus braços fortes, meio sujos e contraídos. À frente, seus olhos, sua boca, seu peito definido, seus ombros largos. Tentei manter meus olhos nos seus, tentei não demonstrar o quão abalada e entregue eu estava naquele momento. — Não existe maldição, sabia? — ele sorriu para mim, aproximando seu rosto do meu, seus lábios tocando meu rosto. — É só determinação. Quando eu quero algo, eu consigo. Neste momento, baby, o que eu mais quero é você.
Os lábios de Josh, carnudos, provocantes, beijavam meu rosto. Ele sussurrou no meu ouvido que me queria outra vez. Fechei os olhos, tentando manter a calma. Fechei os olhos para que não perdesse a cabeça de vez. Fechei os olhos para que não sentisse nada enquanto ele deixava seus lábios alcançarem meu pescoço, atrevidos, maltratando.
Quando abri meus olhos, implorei para minha Fúria, Consciência e Vergonha Na Cara que ajudassem-me a não ceder. A Coragem veio junto, e eu interrompi os beijos atrevidos de Josh quando lhe dei um chute bem aonde dói. Josh desfez a gaiola enquanto se contorcia e eu lhe dei um outro tapa, forte e aberto, no meio de seu rosto. Ele deu um grito abafado, sofrendo pela dor que eu havia acabado de lhe causar.
Sorri. E agora, querido? Ainda sou uma garota incrível?
A adrenalina correndo pelas minhas veias, meu coração pulando, meus pulmões inflando vorazmente e minha consciência dizendo que eu fizera a coisa certa, abaixei-me até o ouvido de Josh e sussurrei:
— Saia. De. Perto. De. Mim. — minha voz saiu rouca, provocante, má. Gostei do efeito que causara. Gostei de ver seu rosto se contorcendo de dor e de algo muito parecido com raiva. — Vai ser melhor para você.
Dei de ombros, após, e saí da sala, triunfante. Na cozinha, ficou Josh Farro, inclinado para frente, sofrendo fisicamente por mim. E provavelmente considerando a possibilidade de não tentar me beijar novamente.




Hey y'all. 
OASKÇPOQKWÇSPO EU SEI QUE HASHTAG ABAPHEI COM ESSE CAPÍTULO. Principalmente esse final.
Tipo, a Arielle disse que com certeza eles iam se agarrar, e eu nao disse que ela estava errada.
ÇOPALKS~POLS~PAOPÃSOL~PAOSA mas ela estava.
Acontece que existe uma coisa que vocês ainda nao assimilaram sobre Hayley de Trucker: 
ela é maluca.
Ok?
Maluca. Tipo, doida mesmo POAKSÇOPQJWPA~SIH~PAIJS entendam que ela é muito explosiva, meio bipolar, muito raivosa, muito instável, muito irritada, e, acima de tudo, não sabe lidar com os seus sentimentos da maneira certa.
Por isso, meus amores, essa não vai ser a última vez que Josh vai apanhar dela.
Não nessa fic, ao menos ~PKASÇPQOJWÇIAHSPAJIS 
E EU ADORO ISSO ASLK~POAK~SLKAS~´AOL é. Adoro mesmo. Tipo hashtag amodoro mesmo.
Sei que vocês tão putos comigo por não ter feito beijo, mas, aguardem, que o que vocês querem já já acontecerá. Essa fic não é muito grande (ainda que seja maior que a Renascer), então não vai ter assim taaaaaaanta história pra contar. Não vai demorar demais para beijos hentais e afins, por que é uma short. :3
Daquelas que começam e acabam rapidinho, mas que marcam sua vida pra sempre.
-n
Comentem pra mim por motivos de eu amo vocês.
Os vejo no próximo domingo <3 fiquem de olho, essa semana vai ter uma porrada de resenhas e eu pretendo fazer um update hoje ou amanhã pra explicar melhor as situações das coisas e paradas.
Until next week.
Muito amorzinho,
Sarita :3

P.S.: Algumas pessoas têm reclamado do fato do Nyah! ter excluído fics como a Pulling Me Down e a Meu Melhor Amigo Colorido. Para o caso de vocês, lindos, quererem relê-las ou etc, vocês só precisam ir na ask, pedir a fic e mandar seu email. Enviarei o arquivo em DOC., sem problema nenhum.
Agora vou mesmo *u* Muito amor, 
eu. <3 


10 de fev. de 2013

Capítulo 4

Ardência




OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII <333333333333333333333333333
ÇSOKQÇPIWJAÇOHIJQÇOJA~IKPQOQÃ COMO ESTÃO VOCÊS?
Pfvr, abaixe esta faca e vamos conversar. EU SEI QUE NÃO TENHO ATUALIZADO ESSA FIC (e nem fic nenhuma) MAS EU QUERO QUE VOCÊS ME ESCUTEM ANTES DE COMEÇAREM A ME ESFAQUEAR E ETC
Se vocês me esfaquearem não vão ler hentai Joshay nunca nessa Trucker. HÁ!
(Daí eu chego no cap que tem a hentai e vcs me matam felizes e sexualmente satisfeitos -n)
Não pensem que tem hentai nesse capítulo.
Não tem.
Há.
juro, não quero morrer D:
Mas vamos conversar.
MINHAS AULAS COMEÇARAM, MANO. Tipo, eu mudei de escola por motivos de: se vocês acompanhavam a OAV2, me viram muuuuuuuuitas vezes falar sobre o quanto eu odiava minha escola por que era muito longe e por que os professores eram ruins e por que tinha muita vadia e etc etc etc.
(Se você não acompanhou, mil perdões. Eu costumo conversar muito com os meus leitores nas notinhas iniciais. Enfim. Caso não saiba, ano passado eu fiz o 1º série do EM numa escola PODRE. só isso.)
Aí eu saí de lá e fui para uma escola menos podre, porém, MAIS PERTO \O/ Enfim. A questão é que o ensino é um pouco mais puxado mesmo e eu tenho professores meio piradões. Além de não conhecer quase ninguém (a não ser de vista, né. E devo ter feito a pré escola com metade da minha sala). Mudanças meio que acabam com a inspiração de uma pessoa, entendem? Então escrever para esta fanfic se tornou um projeto complicado por que eu não sabia o que fazer.
E quando fazia, faltava paixão. Quer dizer... não sei se vocês notam, mas cada palavra que eu escrevo para cada fanfic é carregada de paixão. Para mim, pelo menos. Eu sou apaixonada por isso, galera. Sou apaixonada por escrever, por imaginar um enredo, por montar um personagem, por digitar essas coisas aparentemente bobas na velocidade da luz  (-n). Sou apaixonada por postar essas histórias. Sou tão apaixonada que quero viver disso.
Então imagina. Se, mesmo profundamente apaixonada do jeito que sou, as palavras saem sem paixão, eu não posto.
É simples assim. Fica ruim. Não consigo nem ler.
(É sério, eu sou a guria mais sentimental e romântica que vocês já conheceram).
Por isso não postei nada sábado passado. E nem esse sábado tb açpsok~pasoas mas na verdade foi por pura falta de tempo, explico isso depois.
Essas notas vão ficar grandes. Se fosse vocês, ia logo pro capítulo. É só pular a parte em vinho (ou seria vermelho escuro? D:).
ANYWAAAAAAAY, não é só a escola nova que me fez não postar.
É que estou escrevendo um livro.
Leitor: OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO: COMASSIM SARINHA CONTA PRA NÓS QUE QUE ISSO QUE HISTÓRIA É ESSA OMGOMGOMGOMGOMG
Acalme-se, leitor.
Eu estou escrevendo quatro livros na verdade, mas vamos falar só sobre o que eu tipo to apx nessa semana.
ÇASOKASPOKAS É UMA HISTÓRIA NACIONAL! Meu Deus, eu aaaaaamo histórias nacionais, e queria muito fazer uma. Então eu peguei os nomes e parte da personalidade de alguns oavlovers (para quem não sabe, são os fãs da minha fic mais famosa, a Odeio Amar Você) e estou fazendo um livro. Já escrevi o cap 4. 
É isso aí.
Quem quiser saber sobre a história pode ir no ask (http://ask.fm/SahMS) ou no tumblr (http://con-textuando.tumblr.com/ask) e perguntar, que eu responderei com muito gosto :3
Essa história tomou toda a minha vida <3 eu estou muito apaixonada por toda ela e escrevê-la está sendo uma coisa nova e muito gostosa e apaixonante e a+. 
Por isso eu negligenciei as fanfics. Estava escrevendo um livro. Chamado "Me Provoque", baseado na música Stall Me da Panic! at The Disco (por que Ingryd, minha principal, é mt fã de PATD).
E aí na minha playlist de músicas "Para escrever a Trucker" começa a tocar Panic! QUE COISA MAIS PLANEJADAMENTE AMOR.
(Sim, eu tenho uma playlist para escrever cada história minha. Quem quiser saber sobre elas: ask).
Aí eu falei pra todo mundo que postaria a Trucker (por que todo mundo tá apx por essa fic) ontem (sábado, 9/02), por que se você olhar ali do lado, vai ver que eu digo que todas as fanfics serão atualizadas ao sábados.
Bom, em algum lugar do mundo eu sei que ainda é sábado. Então vamos relevar (: ÇOASKÇQOPJWS~´AOL 
Estou abrindo uma exceção pq tão me enchendo mt o saco mesmo pela Trucker. Ontem não deu pra escrever por pura falta de tempo, e eu terminei hoje pela manhã e estou postando agora para vocês, ok?
Vamos falar sobre esse capítulo. 
Veja o nome. SÓ EU QUE TIPO A~SOLQ~PSKA~POL  AMEI ESSE NOME?
Mas não pensem besteiras.
E eu sei que quando eu falo para vocês não pensarem besteiras, é exatamente o que vocês fazem.
(Foster The People: s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2)
Esse capítulo ficou amorzinho, mas acho que vocês vão curtir mesmo é o final. Preparem seus corações para Zachary Farro.
Vou mandar um salve especial para o Guilherme que decidiu que iria voltar a ler minhas fics após ter me abandonado sem causa, motivo, razão ou circunstancia *u* Outro pra Arielle, que se diz ser a fã nº 1 da Trucker. Outro pra Kassia, que fez uma capa linda *u* mas eu não salvei e agora nao sei onde está G_G Outro pra Isabelle que apareceu do nada para me fazer feliz <3 E, sempre, para Nats, Iza, Lu, Mary, e a Vitória. Minha vida sem vocês não seria nada <3
Aproveitem o capítulo e sintam-se arder *u* vejo vocês lá embaixo.




Cortar a própria franja é uma arte, eu sempre costumo dizer. Não é um bicho de sete cabeças. Antes de você sair metendo a tesoura em tudo, é necessário que você faça uma série de cálculos mentais e, acima de tudo, tenha uma boa imaginação. Passei aproximadamente vinte minutos encarando-me no espelho, pensando de que maneira uma franja poderia ficar bem no meu rosto, a tesoura marcando os dedos da minha mão direita. Olhei, pensei, calculei, e por fim decidi cortá-la pouco acima da sobrancelha. Meu cabelo já estava todo tingido de vermelho-tinta-guache (é como eu gosto de chamar o mais vermelho dos vermelhos), por que, por sorte, eu havia trazido um tubo de tinta comigo. Quando precisar de novo, não sei como lidarei para comprá-la. Algo me diz que não se encontra esse tipo de artefatos em Franklin.
Certo! Tudo já estando devidamente decidido, pus a tesoura para trabalhar antes que me arrependesse. Com muito cuidado, puxei alguns fios — para que a franja não ficasse muito certinha, sabe, e desse aquele efeito repicado-puro-arraso. Modéstia a parte, eu sempre fui a rainha do corte repicado-puro-arraso, e não podia simplesmente abandonar meu posto. Você sabe que uma rainha sempre renova seu glamour.
Terminei rapidamente e escovei o cabelo com os utensílios de Cate — que eram muito melhores do que o que minha mãe me deixava usar, em Meridian. Quer dizer, se eu acionasse o sopro mais forte do secador de Cate, provavelmente sairia voando.
Uma vez limpa, cheirosa, de cabelos novos, apresentável e bonitinha (usava um vestidinho azul muitíssimo fofo), saí do único banheiro da casa de meu pai e dirigi-me à minha rua-quase-suburbana, em direção ao meu destino: uma casa três ruas acima. Da qual, se tudo desse certo, eu sairia empregada e teria com certeza dinheiro no fim do mês. Sendo babá, é claro.
Você provavelmente está se perguntando o que perdeu. Terei o maior prazer do mundo em contar.
Certamente você se lembra do meu primeiro dia de aula. Deve se recordar de Dakotah, Jenna e Katt, e provavelmente também tem guardado na memória quando fui tomar sorvete com minha irmãzinha e minha mais nova amiga. Também deve se rememorar de que, pela tarde, eu e minha irmãzinha fomos tomar sorvete com Dakotah e seu joelho esfolado no centro da cidade. Caso se lembre disso, irá lembrar ainda de um casal de crianças que brigava, enquanto seu irmão mais velho tentava separá-los a todo custo.
É aí que a história fica interessante. Estávamos nós duas, eu e McKayla, assistindo a cena, quando finalmente minha irmãzinha terminou de tomar seu Sunday. O garoto de quatorze/quinze anos separara os dentes das carnes de seus respectivos irmãos, mas agora a menorzinha fazia o maior escândalo do mundo, dizendo que “Jonathan havia mordido seu braço com muita força”. Todos os encaravam, enquanto o garoto, envergonhado, ordenava que a garotinha se calasse.
Não me pergunte por que, mas eu simplesmente pensei que aquele era o ponto ápice da minha paciência. Senti que precisava intervir. Pedi para que McKayla ficasse quietinha em seu canto e prometi que depois brincaríamos no parque, e assentindo, assim ela permaneceu. Posso me gabar para sempre do bom comportamento de minha irmãzinha?
Enfim. Dirigi-me até a mesa, e delicadamente, sugeri ao garoto que tentasse conversar calmamente com seus irmãos. Afinal, se ele, que era o responsável, estava visivelmente desesperado, imagine o estado que as crianças iriam ficar?
Expliquei isso a ele, mas o menino deu de ombros e disse que aquelas crianças eram as maiores pestes que ele já conhecera na vida, e que sua mãe o obrigara a levá-los para a sorveteria. Assenti com a cabeça e controlei meu impulso de dar um soco no estômago do rapaz.
Dirigi-me as crianças ao invés.
Disse que me chamava Hayley e que seria amiga deles, caso parassem de chorar. Expliquei que ainda havia muito sorvete naquela loja e que eu os ajudaria a tomar, juntamente de minha irmãzinha, então apontei para McKayla que acenou para nós (amo essa menina!). Prometi a eles que iríamos para o parque e compraríamos pipoca doce, um pacote para cada um. Mas se e somente se parassem de chorar e pedissem desculpas um ao outro.
Isabelle, a garotinha, reclamou. Chorou mais um bocado. Jonathan permanecia calado, com o semblante culpado, mas sem querer dar o braço a torcer. Conversei um pouco mais com cada um deles até que, relutantes, eles trocassem um abraço. Fiz cócegas neles para fazê-los rir e voltei minha atenção para o adolescente, que me encarava com o semblante mais surpreso de sempre. “Ei, quer ser a babá deles? Só precisa falar com a minha mãe”.
Apresentei as crianças à McKayla e levei-as, juntamente à Zac (o adolescente) para o parque, e balançamos as crianças até às cinco e meia da tarde. Voltei para casa e McKayla passou o resto do dia contando ao meu pai e à Kate sobre seus novos amigos e sua tarde “muito legal”. O velho Joey disse que não se oporia caso eu arranjasse o emprego, e só iria querer que eu deixasse o endereço e o telefone em casa. E, se fosse sair de casa, que ligasse para ele.
Papai queria saber sempre onde eu estava, e, diferentemente de como eu me sentia com minha mãe, não estava sendo sufocada. Ele confiava em mim. Seu tom de voz demonstrava claramente que ele simplesmente estava preocupado.
Então assenti prontamente e prometi sempre fazê-lo. Cumpriria isso.
Agora, depois de ligar para ele, estava atravessando os gramados perfeitos de meus vizinhos desconhecidos em direção à casa da qual Zac havia me explicado no outro dia. Infelizmente, eu não me lembrava da localização exata. Mas tive a perspicácia de anotar o telefone do garoto, portanto, não estava preocupada. Esperava que meu vestido azul e meu cabelo vermelho deixassem-me suficientemente meiga para a mãe daquelas três crianças. Não coloquei meu piercing. Aprendi da pior maneira que “pais + piercing no septo = babá desempregada”.
E a cruz na minha coxa estava coberta pela saia do vestido. Então eu estava bem por enquanto.
Quando cheguei à rua e vi todas aquelas casas perfeitamente parecidas, retirei o celular de minha bolsinha e disquei o número de Zac.
Hey, Hbomb — disse ele, todo saidinho.
Franzi o cenho, confusa.
— Explique-se.
Zac riu ao telefone.
Apenas um apelido que te arranjei, não fique brava. É uma graça. H de Hayley e Bomb de bomba. Não é exatamente o que você é?
Respirei fundo.
— Escute, Zac, não me dê mais motivos para te socar do que eu já tenho — disse eu, incomodada. Deixei claro para o garoto ontem à noite a coisa sobre minha paciência: só não se esgota como um pavio se eu estiver lidando com seres menores do que eu. Eu já havia me irritado muito com Zac na tarde anterior e hoje ainda mais, quando ele me ligou às sete e quinze da manhã para saber se eu iria mesmo a sua casa. Mesmo que ele houvesse me salvado de não perder o segundo dia de aula, eu ainda estava com vontade de bater nele. — Estou na rua que você me explicou. Qual é a sua casa?
A amarela cercadinha.
É claro que você imaginou que absolutamente todas as casas do quarteirão eram amarelas e cercadinhas. Juro que quando vir Zac na minha frente, vou feri-lo e torturá-lo até que ele implore pela morte. Infeliz miserável.
— Eu vou arrancar sua cabeça — ameacei.
Ele riu novamente. Simplesmente parece não ter medo da morte.
— Segura aí, Hbomb, estou indo te buscar.
Não demorou trinta segundos para que eu visse seu corpo em forma de bola aparecendo três casas a minha frente. Zac retirou o cabelo dos olhos e sorriu para mim, acenando como um maluco. Sem conseguir me controlar, acabei rindo também.
— Hbomb! — gritou ele, quando me aproximei. O que não fez o menor sentido, uma vez que eu poderia escutá-lo caso ele sussurrasse. — Você tá gata.
Mostrei o dedo do meio a ele, simpaticamente.
— Onde está sua mãe? Vim conversar com ela.
— Já foi para o salão — Zac esclareceu e eu assenti com a cabeça, achando-me na minha imensa falta de memória. Esqueci-me de que Zac havia me contado que sua mãe trabalhava em um salão de beleza no centro da cidade. — Falei que a encontraríamos por lá. Ela só quer conversar um pouquinho contigo, eu já falei do que você é capaz. De todos os filhos, acredite, é em mim que mamãe mais confia.
— Que sorte a minha — murmurei, fazendo com que Zac risse de um jeito familiar. Não sei exatamente o quê. Mas algo me era familiar, tanto nele quanto em seus irmãozinhos mais novos. O que me lembra... — Jon e Belle estão no salão de beleza com ela?
— Sim, senhora — respondeu Zac, pondo-se a andar. Acompanhei-o, batendo minhas sapatilhas fofas contra o paralelepípedo. — Não se preocupa. Mamãe vai te amar.

Não demorou nada para chegarmos até o centro da cidade. Uns cinco minutos no máximo. Zac foi me explicando toda a cidade no caminho, para o caso de eu precisar sair outra vez, e tentei guardar tudo no meu mapa mental da cidade de Franklin. Finalmente chegamos ao salão de beleza da mãe de Zac, que parecia muito grande e bem equipado, todo em tons de rosa. Fiquei curiosa e animada. Uma mulher havia construído tudo aquilo sozinha?
Zac entrou no salão de beleza completamente convencido, como se não fosse um garoto gordinho de quinze anos que tinha o cabelo maior que o cérebro. Cumprimentou a todos ali — inclusive os clientes e um cabeleireiro completamente gay — até, enfim, chegar a uma mulher de meia idade e dar-lhe um susto por trás. Sorrindo, beijou-lhe a bochecha.
— Zachary, menino! — gritou a mulher, assustada, irritada e feliz com a presença do filho ao mesmo tempo. Abraçou-o por alguns segundos até voltar-se para mim, sorrindo, simpática. — Você deve ser Hayley, sim? Zac me contou sobre você.
Sorri. A mãe de Zac parecia mesmo ser um amor de pessoa.
— Sim, sou a Hayley — disse eu, sem abandonar meu sorriso de entrevista de emprego. Ser simpática e a garota legal sempre cola bem para mães de crianças pequenas. Experiência própria. — Onde estão as crianças? — preocupar-se com a pirralhada também cola bem.
Mas aquilo não era de todo estratégia. Eu realmente queria saber onde estavam os pequeninos.
— Saíram com o irmão mais velho — disse a mãe de Zac, sorrindo para mim. Sorri de volta. O.k., acho que nunca sorri tanto assim na vida. Valeria a pena. — Podemos conversar por um minutinho, Hayley?
Assenti prontamente.
— Claro, tudo bem.
Não me ache bipolar (ainda que eu seja um pouco) por há cinco minutos querer matar Zac de porrada e agora estar distribuindo sorrisinhos para a mãe dele. Quer dizer, cada pessoa tem de mim exatamente o que merece. Além disso, realmente gostaria de ver Belle e Jon e me certificar de que eles não se bateram/estapearam/socaram/arranharam/empurraram/chutaram/morderam/puxaram/gritaram/maltrataram um ao outro. Fazer com que dois irmãos pequenos se gostem pode ser a coisa mais difícil do mundo, acredite. Tudo o que há entre eles nessa idade é ciúme, raiva, chateação. Ainda mais quando os dois não têm o mesmo sexo.
Acredite em mim. Aos quatorze anos eu cuidei de gêmeos de quatro anos. Landon e Lexie, embora fossem muito tranquilos, também costumavam me dar trabalho.
Mas eu não me importava muito. Deixe eu te dizer um segredo: acho que esse deve ser o meu único talento. Lidar com crianças, quero dizer. Provavelmente, quando terminar meu terceiro ano, eu consiga uma graduação em Pedagogia para ensiná-las a ler ou algo assim.
Enfim. A mãe de Zac pediu para que uma moça chamada Patricia cuidasse do cliente que ela atendia e, em seguida, falou para que eu a seguisse até uma sala longe de toda aquela química e loucura de salão de beleza. A espécie de maca me fazia acreditar que era a sala de depilação, mas eu não disse nada sobre isso. Decidi me manter fofa e meiga. Já conversei com mães de crianças em lugares muito menos propícios do que esse.
Mas Zac não estava sendo tão discreto quanto eu.
— Caramba, mãe, como eu nunca soube da existência desse lugar?! — perguntou ele, animadíssimo. Subiu em cima da espécie de maca e deitou-se sobre ela. — Oh, Beth, por favor, apare a grama aqui, colega. Hoje é meu aniversário de casamento e eu gostaria de presentear meu marido com...
— Zachary! — a mãe de Zac repreendeu-o antes que ele terminasse sua frase. Eu mordi meu lábio enquanto meus órgãos internos se comprimiam de vontade de rir. — Desça daí!
Zac deu uma gargalhada alta e desceu da maca, enquanto sua mãe fazia que não com a cabeça de tanto desgosto. Eu estava com tanta vontade de rir que já devia estar azul.
— Não ligue para o meu filho desnaturado, Hayley — disse ela, suspirando. — Ele tem um parafuso a menos no cérebro.
— Repare o quanto a dona Elizabeth me ama — disse Zac, piscando para mim.
Eu não entendia como tudo o que ele fazia conseguia ser tão cômico.
— Zac, se você não ficar quieto eu vou te colocar para fora — ela tentava ser dura, mas acabou rindo também. Acho que é impossível não rir perto daquele garoto idiota.
— Ok, parei — disse ele, fazendo uma expressão séria. — Entreviste a Hayley.
— Isso não é uma entrevista, apenas quero conhecê-la — a mãe de Zac, Elizabeth (pelo que eu concluíra), sorriu para mim. — Então, querida, de onde você vem? Não mora aqui há muito tempo, eu me lembraria de você.
Seus olhos estavam direcionados ao meu cabelo. Sorri, tentando ser simpática, para que ela não me julgasse apenas pela cor maluca do meu cabelo. Você se assustaria com o número de pessoas que fazem isso hoje em dia.
— Sou de Meridian, Mississippi, na verdade — fui me explicando. — Morava com a minha mãe, mas ela achou melhor que eu terminasse meu ensino médio aqui, então... mudei-me para a casa do meu pai. Dois quarteirões abaixo da sua.
Elizabeth assentiu com a cabeça.
— Quem é seu pai?
— Joey Williams — disse eu. O rosto da mãe de Zac se fechou por um segundo, como se o nome lhe fosse familiar, mas ela não conseguisse lembrar-se exatamente dele. — Dr. Williams, o dentista — esclareci, notando sua expressão.
— Ah, claro! — agora ela havia se lembrado. — Dr. Williams. Fizemos o aparelho do Zac com ele, é verdade.
— Por favor não me lembre dos piores anos da minha vida — Zac revirou os olhos. Bem que eu havia notado que seus dentes eram certinhos demais para um garoto.
Hoje em dia todas as crianças têm dentes tortos e tudo mais.
— Zac me disse que você fez Jon e Belle abraçarem um ao outro? — agora Elizabeth me encarava como se eu fosse uma alienígena.
Sorri.
— Não foi o abraço mais amistoso do mundo, mas é um início — expliquei. — Zac estava muito nervoso, sabe? Se o responsável não se mostra firme, a criança não será firme também. É como uma pirâmide. Desenvolver o afeto, mesmo que forçadamente, entre eles, pode ajudar.
A mãe de Zac me encarava com um brilho genuíno nos olhos, e eu soube que tinha acumulado pontos no meu ranking.
— Você já cuidou de crianças pequenas antes? — perguntou ela, o brilho ainda presente em seus olhos.
Assenti com a cabeça.
— Cuido de crianças desde os treze anos. Tenho dezessete — expliquei. — Quando saí de Meridian, cuidava de um garotinho e uma garotinha que tinham a relação muito parecida de Jon e Belle. Então pode-se dizer que eu sei como lidar com eles.
Elizabeth sorriu. Pontos.
— Você estuda?
Tive de controlar meu riso por que Zac imitava sua mãe, colocando uma mão na cintura e mexendo a franja de uma maneira muito feminina.
— Comecei o terceiro ano na Centennial High School — disse eu. — Depois vou ver se me graduo em Pedagogia. Se eu precisar trabalhar para me sustentar, que seja rodeada de crianças.
Sabia que estava mandando bem. Zac fazia coraçãozinho com a mão para mim, o que era um sinal claro de que sua mãe fora com a minha cara. Tudo o que eu dizia para ela era verdade, mas imagine minha voz mil vezes mais meiga do que o normal e você vai saber como exatamente eu estava me portando. Se Dakotah estivesse aqui, vomitaria na minha cara.
O que me lembra de passar na casa dela quando sair daqui.
— Você pode cuidar deles durante a noite? Quero dizer, você sai da escola às 14h — ela começou, meio preocupada no geral. Assenti com a cabeça. — Pode ficar de 14h até às 20h?
Torci meus lábios, assentindo com a cabeça.
— Não tem problema — disse, e não tinha mesmo. Era quase o mesmo horário em que eu cuidava de Landon e Lexie, em Meridian. Depois me dirigia para casa ou Chad me levava para o Darkness em seu carro. — Meu pai não vai se opor, eu acho. Mas, havendo qualquer problema, eu ligo.
Elizabeth sorriu para mim daquele jeito.
— Quando pode começar?
Got’cha!



[...]



— Então você arranjou um emprego cuidando de dois pirralhos? — Dakotah estava enjoada do meu instinto maternal.
Talvez por isso eu já a considerasse minha melhor amiga. Ela era enjoada de toda e qualquer coisa meramente humana. Às vezes eu achava que ela era um robô construído para andar de skate e fazer joias mirabolantes.
Eu havia dado uma olhada em seu catálogo. Um brinco mais estranho do que o outro. Deveria saber disso pelos seus anéis estranhos. Um deles parecia uma cobra que se enrolava por todo o dedo do meio. Ela havia me explicado que mostrar o dedo às pessoas é muito mais interessante se acompanhado do veneno de uma peçonhenta.
Dakotah Rae não era uma adolescente comum.
— Sim — dei de ombros, andando enquanto ela apoiava um pé no skate e se empurrava lentamente com o outro. Seu joelho esfolado estava enrolado por uma atadura. Eu o havia visto na noite anterior. Está realmente nojento, mas ela parece não se importar, de modo que passou a tarde anterior inteira na pista de manobras. — Gosto de cuidar de crianças, você sabe. Minha paciência não se esgota rápido se eu estiver lidando com seres menores do que eu.
Dakotah gargalhou.
— Não existem muitos seres menores do que você andando por aí.
Essa piada é minha.
— Você fala como se fosse muito alta — revirei os olhos, avistando o prédio do Centennial à nossa frente. Os alunos já estavam entrando.
Ela mostrou a língua para mim.
— Sou mais alta do que você.
Mostrei a língua para ela. Dakotah agarrou o skate com as mãos quando entramos no colégio e subimos as escadas em direção aos armários. Enquanto Dakotah, Kathryn, Jenna e Kevin (o namorado de Jenna, caso você não se lembre) tinham armários um do lado do outro, o meu ficou bastante afastado. Mas eu gostava dele. Era o antepenúltimo armário, perto dos bebedouros e de uma máquina de sucos naturais — eu nem sabia que existia esse tipo de máquinas, muito menos que era lícito ter uma dentro de uma escola de ensino médio.
Foi para lá que me dirigi quando me despedi de Dakotah. Minha primeira aula seria sociologia, e como não haviam me entregado uma apostila para essa aula em especial, coloquei um caderno e algumas canetas dentro da mochila. Fechei o armário e o tranquei — os armários do CHS não tinham combinação e eu me encarreguei de trazer meu próprio cadeado —, e então segui para um dos bebedouros. Não havia mais ninguém nos corredores e eu tinha a leve sensação de que chegaria atrasada na minha aula. Bem, não era minha culpa se o meu armário era afastado de tudo. Inclinei-me para o aparelho de metal e deixei a água entrar na minha boca.
— Linda vista daqui.
Congelei. A voz masculina ecoou atrás de mim, forte, imponente, e profundamente maliciosa. Quase pude ver o meio sorriso no rosto dele.
Josh Farro.
Merda.
Virei-me, limpando o rosto com as costas da mão.
— Você não tem nada melhor para fazer? — perguntei, a fúria crescendo dentro de mim. A vergonha também estava lá. Josh me encarava daquele jeito de sempre: os olhos presos nos meus olhos e no meu corpo, desejando cada partezinha dele e deixando isso muito claro. Suas mãos estavam pousadas nos bolsos da calça jeans gasta e apertada. Algo me dizia lá dentro que ele só não usava seu chapéu de couro por que a escola proibia qualquer tipo de bonés.
Ele se aproximou.
— Olha... — ele mordeu seu piercing no lábio, desviando seu olhar de mim por um segundo. — Eu até tenho. Mas passar por esse corredor e poder te ver desse ângulo é muito mais gratificante.
Bufei.
— Você é ridículo — cuspi, jogando a mochila nas costas e andando para longe dali.
Não queria olhar para aquele rosto antipático do Josh. A cada dia que se passava, sua presença me irritava mais. Você se engana se pensa que ele perdeu o interesse por mim desde que eu passei a desprezá-lo. Agora ele está praticamente me perseguindo.
Sempre com aquele seu olhar comedor. Sempre sorrindo para mim como se eu fosse dele, como se eu fosse ser dele a qualquer momento. Como se tudo isso fosse uma brincadeira. Como se ele soubesse quem eu era e que cederia aos seus encantos no momento em que ele estalasse os dedos. De todas as formas possíveis.
Eu odiava aquilo, e odiava ainda mais tê-lo beijado no outro dia. Gostaria de saber quem ele era antes de interessar-me.
A vida seria tão mais simples se as pessoas viessem com manual de instruções.
— Por que está me tratando assim, baby? — agora Josh estava me seguindo. Colocou-se na minha frente, o peito forte quase encostando no meu rosto. Parei de súbito, meu peito arfando, furioso, assustado, irritado. Meu coração decidiu que iria sair de seu lugar. Meus pelos colocaram-se todos em pé.
Deus. Ele me deixava tão alterada.
Não me chame assim — eu disse entre dentes. Estava com raiva, mas ao mesmo tempo não estava. Queria dar-lhe um soco ao mesmo tempo em que queria morder aquele piercing gelado. Queria odiá-lo. Mas queria-o acima disso.
Estava confusa. Irritada. Excitada. Completamente alterada. Não sabia bem o que queria fazer, mas sabia que o certo a se fazer era sair dali. Sair de seu cheiro de desodorante e graxa, sair de seus olhos chocolates penetrantes, sair de seu corpo forte e profundamente desejável. Sair de sua boca sacana, seu cabelo liso. Precisava sair de Josh Farro. O quanto antes.
— Vamos lá, baby, não faça assim — ele se aproximou mais. Senti seu hálito de bala de hortelã.
Mas no momento que sua mão tocou minha cintura eu não segurei minha raiva e minha confusão de sentimentos. Virei minha mão em seu rosto barbeado e bonito com toda a força que tinha. Senti a dor imediata, a adrenalina correndo nas veias. Ouvi Josh xingar enquanto massageava o maxilar.
Com a mão ardendo, dessa vez, eu me aproximei dele. Olhei-o com toda a raiva que tinha no corpo. Mas no fundo dos meus olhos, camuflada, lá estava a indecisão e o desejo. Rezei para que ele não os notasse.
— Não estou brincando com você, Josh — disse, apontando o dedo em seu rosto. Meus pulmões arfavam com ferocidade. — Saia de perto de mim. E não me chame de baby.
 Josh, ainda com a mão massageando seu maxilar — que a julgar pelo ardor na minha mão devia estar doendo para valer —, olhou para mim como se não acreditasse na minha coragem. Dessa vez, seus olhos não me devoravam; eles tentavam me decifrar. Tentavam saber que tipo de garota eu era, para ter cedido aos seus encantos e agora ter batido nele com tanta força. Seus olhos iam além da minha alma, vasculhando, tirando conclusões, fazendo anotações.
No momento em que Josh sorriu para mim, eu soube que seus olhos haviam descoberto minha personalidade.
— E não é que você é mesmo uma garota incrível?







*u*
Como falei muito ali em cima, aqui embaixo serei mais breve. PÕASKPÇ~JQOÇWHJASÇOPJQ APENAS UMA COISA QUE NUNCA DISSE A VOCÊS:
Eu me inspiro mt em muita gente para fazer esse Josh da Trucker. Ele é meio que a mistura dos meus principais mais amados de todos os tempos (de livros, é claro), encorpada naquele homem delícia que é o Joshua Neil Farro.
Coisa linda <3
(Josh é uma mistura de Patch (HushHush) com Paul (The Mediator) e Augustus Waters (A Culpa É das Estrelas). SÓ QUE MT MAIS CAFAJESTE).
Tipo, muito mais cafajeste. Não esperem que o Josh vai se tornar um príncipe e ficar romantico e mimiminhenhenhe pq ele não vai. Ele é um cafajeste. Um galinha. Desses que você não pode se relacionar.
Mas pode ler, então AÇSOIQJOAWSHOAUIJS YESSSSSSSSSSSSS <3
E quem não ama essa Hayley? E essa Dakotah? E ESSE ZAC??????????
Eu ri com esse Zac ok ~spk~qpowjpç~sihqpçjwas
E sra Beth Farro <333333333
(EU NÃO SEI O NOME DOS FARRO'S PAIS. Desculpe, não sei mesmo. Então aqui eles se chamam Richard e Beth mesmo. Tudo fictício etc).
E essa última cena mostra claramente a cafajestice de Joshua Farro. ÇOPASKÃPOSKASPOASÃS Por que, mano, tu tem que ser mt puto pra olhar pra bunda duma mina e dizer "bela vista, hein"
Enfim.
COMENTEM PARA MIM AÇSPOKQÇPWOKW~SOPKSA Sábado que vem eu vou ver se atualizo Trucker de novo. Ou Renascer. Ou, se vocês forem bonzinhos, atualizo as duas.
MUITO AMOR,
Sarinha ;3