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16 de ago. de 2013

[RESENHA] Para Sempre, de Kim e Krickitt Carpenter

Título Original: The Vow
Editora: Novo Conceito
Ano: 2012
Páginas: 144
Skoob

A vida que Kim e Krickitt Carpenter conheciam mudou completamente no dia 24 de novembro de 1993, dois meses após o seu casamento, quando a traseira do seu carro foi atingida por uma caminhonete que transitava em alta velocidade. Um ferimento sério na cabeça deixou Krickitt em coma por várias semanas. Quando finalmente despertou, parte da sua memória estava comprometida e ela não conseguia se lembrar de seu marido. Ela não fazia a menor ideia de quem ele era. Essencialmente, a "Krickitt" com quem Kim havia se casado morreu no acidente, e naquele momento ele precisava reconquistar a mulher que amava.



De cinco estrelinhas, daria 4 para livro “em geral”. Para romance, daria 5. Para romance de superação, daria o infinito. Falando sério! Quantos livros de superação tipo biografia, envolvendo romance, realmente bons existem? Conheço bem poucos. Quando alguém começa contando o livro com “Aconteceu um acidente...” eu já desanimo. Não foi assim com Para Sempre.

Fazia um tempinho que eu queria lê-lo, e finalmente comprei  encontrando-o por 9,90 na Saraiva (10 reais, não dá pra acreditar). Eu peguei o livro na mão e em menos de um dia o li – não só pelo fato dele ser superbom, mas são apenas 144 páginas.
Quem não acredita em destino, em Deus, ou algo assim, em alguns momentos a história pode parecer forçada. Mas é linda de qualquer modo, e eu apoiaria você tentar ler...





“- Krickitt, quem é o seu marido?
Krickitt olhou para mim novamente, e voltou o olhar para o terapeuta. Eu tinha certeza que todos podiam ouvir meu coração batendo enquanto eu esperava, em meio ao silêncio e ao desespero, pela resposta da minha esposa.
- Não sou casada.” Pág.’s 8 e 74





Depois de ouvir essas palavras, você pode tentar se convencer que elas são mentiras. Que estão brincando com você. Que é um sonho. Que, sei lá, qualquer coisa pode vir em sua mente. Mas na mente de Kim, aquela é a sua esposa. E seria até seu fim. Para a maioria das pessoas, seria mais fácil se separar. Para Kim, não. Ele lutou, e lutou muito. Apesar de sua esposa estável, ele continuava a amando muito, de um jeito que poucos poderiam entender. Não vou desvalorizar Krickitt¹. Não como não amá-la! Gostei de sua personagem – dos dois jeitos, se você já leu o livro.


O amor dos dois, sem exageros, é muito lindo e verdadeiro – não elejo como casal preferido literário porque já tenho meu ship. Apesar do pouco tempo que se conhecem, é marcante, sabe?


O jeito que eles contam a história, em primeira pessoa, é leve e fácil. Não é divertida, mas é bonitinha. Sabe aquele blá-blá-blá e aqueles quilos de água com açúcar? Não tem também. Apesar de não ser aquele tipo de livro que te descreve e você se sente no papel, a história é muito boa, e você vai querer saber o que acontece a seguir. Então, de um jeito ou outro, você vai se prender no livro.

A edição é ótima. A capa, apesar de ser do filme, eu amei. Não tem como não ficar observando o olhar que Channing Tatum e Rachel McAdams se dão, além de óbvia beleza deles de causar inveja. Putz, olha essa química?


Momento spoiler: (que nem é tanto, mas é melhor não ler se não tiver lido ainda).

Só eu que me iludi totalmente com “E naquele momento ele precisava reconquistar a mulher que amava”? Eu jurava que ele ia passar o livro todo reconquistando ela, e etc., e isso passa em, tipo, quase um capítulo (apesar de mais coisas depois)? O livro é ótimo, mas ainda não entendi porque tinha cismado com isso.

  ¹ Que tem um apelido muito engraçado, aliás.

12 de jul. de 2013

[RESENHA] Charlotte Street, de Danny Wallace


Charlotte Street Título Original: Charlotte Street
Editora: Novo Conceito
Ano: 2012
Páginas: 400
Skoob



Tudo começa com uma garota... (porque sim, sempre há uma garota...) Jason Priestley acabou de vê-la. Eles partilharam de um momento incrível e rápido de profunda possibilidade, em algum lugar da Charlotte Street. E então, em um piscar de olhos, ela partiu deixando-o, acidentalmente, segurando sua câmera descartável, com o filme de fotos completo... E agora Jason — ex-professor, ex-namorado, escritor e herói relutante — se depara com um dilema. Deveria tentar seguir A Garota? E se ela for A garota? Mas aquilo significaria utilizar suas únicas pistas, que estão ainda intocáveis em seu poder... É engraçado como as coisas algumas situações se desenrolam...
Sabe quando você tem expectativas enormes para um livro e, quando vai lê-lo, ele corresponde exatamente a sua ideia de perfeição?
Pois é. Não foi o que aconteceu com Charlotte Street.
Tudo bem, eu estava esperando maravilhas do livro e fiquei surpresa com o quanto desgostei dele. Fiquei a um passo de abandoná-lo e só não o fiz porque uma amiga do ♥ que o tinha amado me disse para seguir até o fim. Tá, olha, não me arrependi. Mas mesmo assim, gostaria de saber onde estava me metendo.
Naaah.


Porque uma coisa que eu odeio com relação à esperança — o que desprezo nela, o que ninguém parece admitir sobre ela — é que, de repente, ter esperança é a rota mais fácil para escapar da desesperança. 


Jason Priestley não o ator de Barrados no Baile, e sim o ex-professor de trinta e dois anos que mora em cima de uma loja de videogames que fica entre uma agência de notícias polonesa e lugar que todo mundo pensa ser um bordel, mas não é estava passando pela Charlotte Street quando aconteceu. Ele viu essa garota e a ajudou com as malas para entrar em um táxi, e acabou com a câmera fotográfica descartável dela. Após enfrentar toda uma guerra interior sobre revelar ou não as fotos, ele e seu melhor amigo Dev o fazem. As fotos tornam-se pistas para que Jason possa, novamente, ver A Garota e entregar-lhe sua câmera (ou suas fotos, tanto faz).
Olhando assim, parece uma história interessante — e de fato é. De início. Mesmo que muito confusa e cansativa, a narrativa de Danny tem seu toque de humor, prático e necessário para todo chick-lit. A história se passa em Londres. Isso fica muito claro, principalmente pelo número de piadas regionalistas que o autor inclui no seu texto. E Londres é sempre um bom cenário. Além disso, praticamente todos os personagens (com a exceção do Jason) são, de certa forma, apaixonantes. Mesmo A Garota que você mal conhece.
E, ainda assim, eu o marquei com duas estrelinhas no Skoob, porque... honestamente, ele mereceu. Foi uma leitura extremamente chata. A narrativa de Danny é confusa, desgastante e, por vezes, eu me vi a ponto de largar o kindle e esquecer aquele arquivo para sempre. O autor nos transporta de uma cena para outra sem mais nem menos, por muitas vezes os diálogos não tem o menor sentido e Jason é o protagonista mais irritante e autodegradante da história.
Ele basicamente passa o livro inteiro se lamentando por ter perdido sua ex-mulher, embora a culpa toda fosse dele (você entende isso conforme for lendo). Ele se lamenta pelo que aconteceu no trabalho, na rua, em sua casa, com sua ex-mulher, com a própria Garota, o tempo inteiro. Aaaaaaarrrrrgh.
E mesmo que os personagens secundários valham a pena (como Dev, Abbey, Zoe, a própria Sarah), o fato de a história ser de fato narrada em primeira pessoa e essa primeira pessoa ser um porre, torna o livro ruim. Embora o que mais me chateou tenha sido a narrativa desflexível, que me fez muitas vezes reler o mesmo parágrafo para entender o que estava acontecendo.
Não recomendo, mas as opiniões em geral sobre esse livro são muito divergentes. Digo, eu não gostei, mas pode ser que você ame, como uma boa parte das pessoas que o leram. Vai saber...
Um ponto positivo que esqueci de citar: o final do livro. Não que eu tenha ficado muito satisfeita, mas posso dizer que o que honestamente valeu a pena nessa leitura toda, foi o último parágrafo do último capítulo.
Um ponto negativo que esqueci de citar: a tradução. Não sei o que passava na cabeça de quem traduziu esse livro, mas, gente, REAIS em LONDRES?! Quem de fato leria um livro chamado CHARLOTTE STREET sem saber que a moeda de LONDRES é a LIBRA?! Pelo amor de Deus!
Se eu leria outros livros de Wallace? Sim. Mas, dessa vez, esperando o pior.



27 de fev. de 2013

[Resenha] Morte e Vida de Charlie St. Cloud, de Ben Sherwood

Título Original: The death and life of Charlie St. Cloud
Editora: Novo Conceito
Ano: 2004
Páginas: 296
Skoob




Um coração dividido entre dois mundos. Em uma pacata vila de pescadores da Nova Inglaterra, Charlie St. Cloud cuida dos gramados e monumentos de um antigo cemitério onde seu irmão mais jovem, Sam, está enterrado. Após sobreviver ao acidente de carro que tirou a vida de seu irmão, Charlie recebe um dom extraordinário: ele consegue enxergar, conversar e até mesmo brincar com o espírito de Sam. É neste mundo místico que entra Tess Carroll, uma cativante mulher treinando para navegar sozinha ao redor do mundo em um veleiro. O destino faz com que seu barco seja apanhado por uma violenta tempestade, trazendo-a assim para a vida de Charlie. Sua bela e incomum ligação os leva a uma corrida contra o tempo e a uma escolha entre a vida e a morte, entre o passado e o futuro, entre apegar-se ou deixar o passado para trás – e a descoberta que milagres podem acontecer se nós simplesmente abrirmos nossos corações.


Acho que, desde que o filme saiu, eu venho querendo ler este livro. Minhas sinceras desculpas a quem ainda não assistiu a adaptação cinematográfica, mas eu honestamente achei muito linda, e quis logo de cara saber da onde tinha vindo tudo isso. Vocês sabem. O livro é sempre melhor.
Então, há umas duas semanas, eu fui à Livraria Leitura, no Pátio Brasil Shopping. Estava NA promoção. De trinta reais, caiu para vinte, e eu fui pagar, linda, leve e feliz, quando tive a melhor surpresa de sempre:
Eles erraram a etiqueta. O livro custava R$ 9,90.
Quase abracei o vendedor enquanto chorava em seu ombro (mas me controlei), e, como tinha trinta reais no bolso, ainda comprei Um Porto Seguro (do Nicholas Sparks, esse mesmo que vai sair filme ainda esse ano), e falarei sobre ele também em breve.
Por que agora é vez de Morte e vida de Charlie St. Cloud, o livro que inspirou o filme que me fez parar de ver Zac Efron como Troy, e que eu devorei em uma aula vaga de matemática e menos de uma tarde.


O que você faria se a vida lhe desse uma segunda chance?


Esse é um livro sobre perdas, milagres e segundas chances. Charlie St. Cloud é um milagre; ele voltou a vida depois de um acidente de carro. Não tinha mais pulso, ou batimentos cardíacos, e a morte estava quase certa quando o bombeiro o ressuscitou. Porém, antes de voltar a respirar, Charlie fez uma promessa ao seu irmão mais novo, Sam: ele nunca o abandonaria.
Sam, como vocês já devem imaginar, morreu. Mas Charlie foi abençoado com o dom de ver o espírito do irmão mais novo - e, consequentemente, de alguns outros mortos também -, e cumpriu sua promessa veementemente por treze anos. Todo dia, ao pôr do Sol, os irmãos St. Cloud encontravam-se na floresta para praticar arremessos de beisebol e comentar sobre o RedSox, dois fanáticos pelo time que eram. Charlie termina do ensino médio, é claro, forma-se e se torna um paramédico, mas prefere trabalhar no cemitério para ficar mais perto do irmão. No decorrer da história, ele tem 28 anos. Mas Sam está estacionado nos 12 desde o dia do acidente.
As coisas começam a mudar quando Tess Caroll, uma garota de gênio forte que tem sua própria empresa de velas (de barco, é claro), aparece repentinamente em seu cemitério, ao lado do túmulo do pai. Essa garota, incrível como é, planeja até mesmo fazer um tour pelo mundo sozinha no seu barco. Charlie, apaixonando-se, se vê preso a dois mundos, e é obrigado a escolher um deles.
Então o.k., vamos falar sobre opiniões. Pra mim, esse não é um livro cinco estrelinhas (classifiquei no Skoob como quatro), por que... não sei, simplesmente não é o melhor livro do mundo. Sem desmerecer, é claro, a escrita de Sherwood, por que eu posso garantir que a narrativa é simplesmente divina. Os detalhes da cidade, e termos técnicos relacionados a barcos, são inúmeros e você percebe que o autor pesquisou e se esforçou para fazer um bom romance. E, bem, fez. Embora por algum motivo não tenha conseguido me encantar completamente, e tudo o mais. Acho que meu gosto literário está ficando mais aguçado com o tempo.
O livro também remete muitas crenças (o autor conversou e leu livros médiuns antes de escrevê-lo, pelo que consta nos agradecimentos), muitas questões que você com certeza já pensou sobre, mas que por acaso pode não ter uma opinião formada; ou, já pensou tanto, que tem uma crença pronta e centrada dentro da mente. Caso você seja muito religioso, é aconselhável esquecer alguns parâmetros e mergulhar no texto, por alguns minutos. Ou você não aproveitará nada em absoluto.
Apesar dos pesares, Morte e vida de Charlie St. Cloud é mesmo "como um grande romance deve ser" (Nicholas Sparks), afinal, contém todos os fatores procurados pelas leitoras em massa desse estilo de romance: um herói sensato e sexy, bastante tragédia, drama, e um romance impassível, vulnerável e profundamente arrebatador (além de algumas cenas mais quentes, vale frisar). E, não vou negar, eu adoro esse tipo de romance que classificam como "água-com-açúcar" ou "mulherzinha" (termos banais e pejorativos, na minha opinião, mas alguém perguntou?). Este livro lembra muito o estilo e escrita de alguns outros do Nicholas Sparks, justamente pela densidade e dramaticidade da história toda. Gostei muito sim, por que é uma história bonita que envolve mais do que um simples romance não-tão-jovem, mas também um relacionamento entre irmãos que vai além do nosso mundo corpóreo. O ritmo de leitura é extremamente agradável, quer dizer, eu li 220 páginas em três horas. É um daqueles livros que não dá para cansar, e que você realmente pensa que sua vida depende de finalizar no mesmo dia.
Também é um pouco triste, e me arrancou algumas lágrimas, sim.
Mas no geral, foi uma boa leitura. A diagramação está muito boa, e é uma história bonita e muito bem escrita. E, vamos falar sério, não há nada melhor do que pegar um livro e devorá-lo sem vergonha nenhuma, não é?

P.S.: Vocês já sabem, já sabem. Eu tive que sublinhar algumas frases desse livro, à lápis, em que os personagens discutem sobre a validade da vida. É tudo bastante reflexivo, e eu gostei muito.
Mas vamos as palavras da vez:
"Sensato (ao mesmo tempo em que é insensato), esperançoso,  de certa forma libertador.
(Você sabe, onde eles dizem que há um tempo e uma época para cada atividade sobre a terra. Tempo para chorar e rir, para amar e odiar, para buscar e para desistir. - Ele fez outra pausa. - Confie em mim, Charlie. A Bíblia está errada. Não há época para cada coisa na vida de um homem. Não há um momento certo para cada atividade.)
A vida existe para se viver."

18 de fev. de 2013

[Resenha] O Céu Está Em Todo Lugar, de Jandy Nelson

The Sky Is Everywhere

Título Original: The Sky Is Everywhere
Editora: Novo Conceito
Ano: 2011
Páginas: 424


Lennie Walker, de dezessete anos de idade, gasta seu tempo de forma segura e feliz às sombras de sua irmã mais velha, Bailey. Mas quando Bailey morre abruptamente, Lennie é catapultada para o centro do palco de sua própria vida – e, apesar de sua inexistente história com os meninos, inesperadamente se encontra lutando para equilibrar dois. Toby era o namorado de Bailey, cujos sentimentos de tristeza Lennie também sente. Joe é o garoto novo da cidade, com um sorriso quase mágico. Um garoto a tira da tristeza, o outro se consola com ela. Mas os dois não podem colidir sem que o mundo de Lennie exploda…
Na verdade, não sei por que tive essa maravilhosa ideia de começar a resenhar os livros. A vontade que me dá quando abro esse arquivo é de começar a colocar tudo em CAPS LOCK, surtar tanto e dar tantos spoilers que a Polícia Federal apareceria aqui em casa para discutir o meu mau comportamento na Internet.
Mas vamos ser profissionais, né?
Esta obra é mais uma da lista "MEU DEUS!, DEPOIS DESSE FOLHETO QUE EU PRECISO DESSE LIVRO", assim como ocorreu com o Questões do Coração, da Emily Giffin (resenha aqui). Fiquei mais ou menos um ano querendo lê-lo, até que um dia, passeando pelo site da Saraiva, enfim, o achei por R$ 10 reais e chorei de emoção. Ele veio fazendo parte do meu presente de natal, e eu vou dizer a vocês o porquê de ter quase caído para trás quando o segurei em minhas mãos:
Capa dura. Papel pólen. Impressão colorida. Gravuras.
Beijos.
O LIVRO É LINDO! Desculpa, eu sei que eu deveria estar falando sobre o interior do livro em si, MAS MEU DEUS DO CÉU, GALERA! EU NUNCA VI UM LIVRO TÃO LINDO.
O.k., vamos falar sobre a história em si.
(Eu comprei mesmo um capa dura por dez reais, meu Deus, obrigada por me amar.)


"Eu deveria estar de luto, não me apaixonando..."

Lennon (sim! Por causa do cantor ilustre John Lennon) Walker é uma garota de dezessete anos comum. Tímida, loucamente apaixonada por livros (especialmente O Morro dos Ventos Uivantes) e por música. Leva uma vida comum para uma moradora do nordeste da Califórnia. Mora com a avó e o tio, toca clarinete para a banda da escola, trabalha meio período em uma lanchonete e tem uma melhor amiga (chamada Sarah!), e, assim como todas as garotas de seu colégio, fica encantada com a chegada do novo aluno, Joe Fontaine, um belo músico francês que se parece com Heathcliff. 
Apenas uma coisa diferencia Lennie dos demais: ela está de luto. 
A pessoa que mais significava para ela neste mundo, sua irmã Bailey, morreu enquanto ensaiava para o papel de Julieta, subitamente. Como uma dessas doenças que acomete a pessoa de repente e a leva desse mundo, sem nos dar uma chance de nos despedir.
Para a surpresa de Lennie, o mundo não para com o coração de Bailey, e ela se pega obrigada a seguir sua vida normalmente mesmo sem a sua irmã, a pessoa em que mais confiava, amava e acreditava. É claro que a tristeza acomete-a tão forte quanto deveria ser. Mas parecia que ninguém entendia o que ela passava.
Ninguém, a não ser Toby, o namorado de Bailey.
Espalhando seus poemas tristes e sentidos pela cidade, rabiscando seu exemplar de O Morro Dos Ventos Uivantes, e tão triste quando uma brisa fria, Lennie se vê enfiada em um arremedo de problemas e frustrações.
E mesmo assim se apaixona.
A história, em si, é uma coisa loucamente angustiante e perfeita e infiel e culposa e gostosa e malvada e sensível e linda. Por favor, perdoem as adições. Eram necessárias. Não conseguiria mostrar meu desespero (por que O céu está em todo lugar também é profundamente desesperador) se não adicionasse tantos "e's". Só quero que vocês entendam a imensidão dessa narrativa, desse enredo, a complexidade dos personagens e da tristeza acometida nesse livro.
Jandy Nelson, nerd suprema que é (poetiza fanática, formada em Brown, Cornell e Vermont, sintam a responsa), ensina nesse livro o quão complicado é... crescer. Sobretudo quando isso acontece no meio de uma tragédia, ainda que, de certa forma, todos nós vivamos nossos problemas e decepções. Não somos, enfim, muito diferentes de Lennie, a garota que escreve poemas em papéis de pirulito e copos descartáveis e os enterra ou esconde em cascos de árvore.
Digamos apenas que o livro intensifica tudo. Ao nível duzentos.
E quem diria que Lennie Walker só descobriu a si mesma depois de perder tudo?
Bom, essa história me fez rir e chorar, e eu amei demais. Não é só uma história de amor. É uma história de vida, de como aprender a viver com a dor inebriante da perda de um ente querido. Por muitas vezes você vai se surpreender com o nível de pensamentos que está formulando durante a leitura. Muitas vezes você vai ficar confuso, e não vai saber do que gostar, em quê acreditar.
Apenas bons livros fazem isso. 



"O mundo não é um lugar seguro" 


HOLE CRAP! Os poemas!
Esse livro é repleto de gravuras de poemas que Lennie simplesmente espalha pela cidade. Ela escreve onde bem entender e, então, joga por aí. No jardim de sua avó, na floresta, no banheiro da lanchonete onde trabalha, preso a uma árvore, enterrado, na sola de seu sapato... Não importa. Lennie escreve o que sente, mas, ao contrário da maioria dos poetas (ou talvez de todos eles), dá seus poemas de presente para o mundo do jeito mais improvável e sensível.
É claro que isso enevoa a história ainda mais. Tudo é muito tangível, gostoso. Ler  O céu está em todo lugar é como entrar em um novo mundo, viver e encarnar uma nova história, triste, sentida. É como colocar todos os seus sentimentos em uma cúpula e sacudir até doer. Seu espírito fica leve. E, mesmo triste, você se sente feliz.

"Eu pertenço a você
Meu coração é seu
Ouço sua alma em sua música"



P.S.: Como vocês sabem, minha mania feia de rabiscar livros não se foi. Dessa vez:
"Infiel, sensível, harmônico.
(Olho nos seus olhos sem tristeza e meu coração se escancara.
E, quando nos beijamos, do outro lado da porta, vejo que há o céu.)
Pisca. Pisca. Pisca."



15 de dez. de 2012

[Resenha] Questões do Coração, de Emily Giffin

Título Original: Heart Of The Matter
Editora: Novo Conceito
Ano: 2010
Páginas: 438
Skoob









Tessa Russo é mãe de duas crianças e esposa de um renomado cirurgião pediatra. Apesar dos avisos de sua mãe, Tessa recentemente abriu mão de sua carreira pra se focar na família e na busca da felicidade doméstica. Ela parece destinada a viver uma boa vida. Valerie Anderson é advogada e mãe solteira de Charlie que tem apenas 6 anos e nunca conheceu o pai. Depois de muitas decepções, ela desistiu do amor - e até mesmo das amizades - acreditando que é sempre mais seguro não ter muitas expectativas. Embora as duas mulheres vivam no mesmo subúrbio de Boston, elas tem muito pouco em comum além do amor pelos filhos. Mas numa noite, um trágico acidente faz suas vidas se encontrarem de um jeito inesperado. Em uma história alternativa e com vários pontos de vista, Emily Giffin nos emociona com um livro luminoso em que boas pessoas são pegas em circustâncias insustentáveis. Cada um sendo testado de maneiras que nunca pensaram ser possível. E cada um deles descobrindo o que realmente importa.
 



Sabem aqueles folhetos que vêm dentro dos livros lacrados, especialmente da editora Nova Conceito? Pois é.
Estava feliz com minha nova compra, Um Homem de Sorte, do Nicholas Sparks, e um folheto desses me veio de brinde. Questões do Coração, Emily Giffin, o primeiro capítulo. Li, curiosa, e ao fim do folheto, me dei conta de que não poderia morrer sem ler o resto da história.
Um mês depois estava com o livro em mãos, sem saber o que esperar da obra, afinal, não me deixei ler resenha alguma. Fui com a ideia de que, se estava na lista de best-sellers do Times (isso está bem explícito na capa), deveria ser lindo. E levando em consideração o primeiro capítulo, que não pode ser definido como menos que maravilhoso, deixei-me perder nas mais de quatrocentas páginas.
Valerie Anderson é uma advogada renomada, estudou em Harvard, e exerce sua profissão da melhor maneira que pode para dar ao filho, Charlie, uma vida plena. O homem que deu a vida à Charlie era um artista excêntrico, que acabou por abandoná-la grávida. Sem querer procurá-lo e com a ajuda de seu irmão homossexual, Jason, ela passa por todos os obstáculos para criar seu filho da melhor maneira que pode, com ou sem pai. Insegura e desacreditada no amor, Val é um exemplo claro de mãe coruja. Isso tudo se intensifica com um trágico acidente.
Tessa Russo é casada há sete anos na trama. Conheceu seu marido, Nick, pouco antes de encerrar seu primeiro matrimônio, ainda na época de sua faculdade. Encontrou em Nick o homem de seus sonhos. Além de ser charmoso, inteligente e um marido dedicado, era um pai maravilhoso, embora sua atuação como cirurgião plástico pediátrico tomasse muito mais do seu tempo do que ela gostaria. Tess, entretanto, tenta não se chatear em relação a isso. Mesmo quando Nick abandona seu jantar de aniversário de casamento para tratar de uma emergência.
É uma das poucas obras que são encontradas narrada em dois pontos de vista, embora um deles não seja em primeira pessoa. Valarie e Tessa são mulheres excepcionalmente... comuns, mesmo que sejam muito diferentes uma da outra. De cara, isso já me encantou. Ambas têm uma ligação maravilhosa de amor incondicional pelos seus filhos. Mas suas vidas se interligam da maneira errada.
Questões do Coração é aquela espécie de livro que te agarra, e te comove de todas as formas, te causa todos os efeitos da agonia de uma mãe, da consciência de uma mulher, da dor de uma traição. Giffin tem uma narrativa simples, pura e gostosa, perfeita para o romance tal qual ela se dedicou a escrever. O enredo é complexo, tal como os personagens, e isso provoca uma profunda confusão de sentimentos no leitor. 
Em outras palavras, o livro é tão real que dói. Ler Questões do Coração é como levar um tapa forte no rosto, ou receber um balde de água fria sobre a cabeça. Não existe um vilão, assim como a vida real. Todos erram, são humanos. Você, leitor, se pega errando com os personagens por que vê que, uma hora, deseja que ele erre, mesmo que seu subconsciente se dê conta das consequências.
Tudo muda quando os dois lados da moeda são visualizados. Emily me ensinou muito com seu romance. Amor, a traição, a angústia, a agonia, e principalmente o perdão. Questões que nós nos deparamos no dia-a-dia constantemente, emaranhadas em uma única obra. Ninguém está totalmente preparado para isso. Coração nenhum conseguirá responder a essas questões, e, no fundo, acho que é isso que Emily quis dizer com seu livro.
Existem livros que você devora, mas Questões do Coração devora você. Não garanto que você terminará sua leitura com a mesma linha de pensamento sobre muitas coisas. Prepare-se para despertar todos os seus sentidos maternais. Prepare-se para repensar seus conceitos.


"As pessoas que você ama são as mais difíceis de se manter por perto."