13 de dez. de 2012

Capítulo 1

Arrepiante...


Hey, lindos! Como vão? 
Bem, estamos aqui nesta Trucker! Essa ideia doida que vocês, mais doidos do que eu, estão se dando ao trabalho de ler. PAOSKAS
Não vou falar muito aqui também ASOPKASPOAKS Bem, só apresentando tudo para vocês, a fic tem que fazer jus ao enredo e etc. Vocês viram na sinopse. Nenhum dos personagens aqui são santinhos, e isso provavelmente vai fugir de todo o contexto normal de uma fic de Paramore comum. Trucker não é comum.
Trucker significa "Caminhoneiro", para quem não sabe. Então tenham uma ideia OPASKPAOKS 
Outra coisa! Esse cap ficou grande. 5000 palavras. Não era pra ter ficado tão grande, mas ao fim dele vcs vão entender o porque de eu não ter dividido em dois. Anyway. Novamente eu digo, não fiquem surpresos pela falta de formalidade na narrativa -- remember, a Renascer além de ser fic de época, é em terceira pessoa. A Trucker vai ser a primeira fic que já escrevi na vida COMPLETAMENTE pov. Hayley.
É isso.
Have fun! :3



E aqui estou eu, com uma mala na mão, com fome, calor e dor, morrendo enquanto caminho em direção ao nada. Minha mãe sempre me disse que um dia meu mau-humor me mataria.
Quem diria que seria hoje, hein?
Sinceramente, que tipo de macumba existia nas mães para que tudo de ruim que elas dissessem acontecesse? A minha, por exemplo, era mestra em lançar suas más premonições em relação a minha vida. “Você vai pegar chuva hoje, se não levar a capa”. Acontecia! “Você vai quebrar esse copo”. Quebrava! “Se comer queijo, vai ficar com dor de barriga”.
Urgh.
— Ei, gata, quer uma carona?
Apoiei a mala no all star que já devia ter jogado fora há pelo menos quatro anos e analisei o perfil do senhor que havia acabado de parar seu caminhão para mim. Estava usando um chapéu enorme de vaqueiro, comum para aquelas bandas do Tennessee, e sua barriga era tão grande que eu duvido que ele consiga enxergar seus próprios pés quando está ereto. No retrovisor do carro, não havia nenhum crucifixo, sapinho de pelúcia ou foto da família. Arregalei os olhos quando vi uma mulher sem sutiã na foto desgastada no painel do carro.
Tenso. Se é pra morrer, não estou a fim de fazê-lo estuprada por um caminhoneiro que fede a cigarro.
— Não, Senhor — disse eu, engrossando a voz o máximo que podia. Minha mãe sempre disse que minhas calças e esse “piercing ridículo” me fazia parecer um moleque de rua. Isso sem contar as tatuagens.
“Acentue o positivo e elimine o negativo”, era o que eu tinha tatuado da primeira vez, no meu antebraço. Mas minha mãe levou isso como se eu tivesse escrito “sou adepta à doutrina do satanás”.
Já citei que ela é meio religiosa? Pois é.
— Tem certeza, gatinha? Você parece perdida — a voz esganiçada do caminhoneiro voltou a ecoar e eu quis vomitar. Tentei me manter digna diante da situação.
— Não estou. Acabei de ligar para o meu pai, que já está vindo com a viatura — eu dei de ombros e cuspi no chão. Eca. Tomara que isso pareça tão nojento para ele quanto parecia para mim. — Por que, como ele está trabalhando, vai me buscar no carro da polícia federal mesmo.
Não sei se foi minha mentira deslavada ou meu cuspe no chão, mas o cara pareceu me avaliar durante um segundo antes de dizer “não esquenta” e sair dirigindo seu caminhão idiota que transportava... algo ensacado.
Eu tenho para mim que ele não me achou suficientemente gostosa para valer um dia na cadeia, levando em consideração que eu sou uma roqueira baixinha de cabelo laranja, tenho piercing no nariz e uso uma simpática blusa do Iron Maiden no meio do sertão americano. E, claro, também sou supostamente filha de um policial.
Às vezes a má educação, a capacidade de mentir e a aparência estranha são a diferença entre ser morta de fome ou ser morta por um caminhoneiro pervertido.
Agora, estava de volta à estrada, sozinha. Meus pés estavam me matando. Aquele all star que em alguma época de sua vida foi vermelho estava cobrando sua falta de aposentadoria no meu calcanhar e no meu dedo mindinho. O calo que devia haver neles agora iria transformar meus pés branquelos em uma aberração. Ah, tudo bem, eles já são lindos mesmo, não é?
Quero socar alguma coisa que não seja minha mala. Meus dedos já estão doendo do tanto que a esmurrei desde que me vi sozinha nesta viagem. Por que meus pais não puderam me ter em uma cidade grande? Seria tão incrível. Mas, não, vamos conceber a Hayley no pior estado dos Estados Unidos! Mississippi, uhu! E quando for embora, que papai vá para o Tennessee! Legal! Cidade grande para quê, se podemos continuar caipiras por toda a eternidade?
Juro que deve ser essa a linha de pensamento deles.
Mas tudo bem, entre Mississippi e Tennessee, eu fico com o Tennessee (não que minha mãe tenha me expulsado de casa nem nada, que isso). Obviamente eu não queria ter de fazer o deslocamento de um estado para outro a pé. Porcaria de frota de ônibus. Se meu pai fosse um advogado, eu faria com que ele processasse todos os que não podiam me processar por danos físicos e morais!
Deixe-me contar a história desde o início.
Meu nome é Hayley Williams, e eu tenho dezessete anos. Vivi minha vida inteira em Meridian – Mississippi, parte dessa vida com meu pai, mas a grande maioria com apenas a minha mãe, Cristi. Isso por que quando eu tinha cerca de quatro anos, papai pulou a cerca com a secretária do consultório dele, e desde então os dois vivem felizes na cidadezinha pacata (só que não) de Franklin, o coraçãozinho do Tennessee. Li na Wikipédia que a cidade foi nomeada de Franklin por causa do Benjamin Franklin. Isso seria muito legal, se conhecimento histórico fosse útil para mim em alguma coisa.
Enfim, minha mãe, por sua vez, ficou fula com meu pai, com o resto do mundo e da vida. Só há três anos que ela foi se casar novamente, e o cara é tão passivo que eu acho que a maior aventura da vida dele foi uma equação do segundo grau. Sei que ele é professor de inglês em um cursinho, o nome dele é Michael, e ele só não consegue ser mais branco do que eu. É alto e curvado de um jeito estranho. Mesmo tendo vivido na mesma casa que o sujeito durante quase três anos e meio, acho que só ouvi a voz dele umas dez vezes. Não que fizesse diferença pra mim, é claro.
Achei bom que Mike fosse do tipo quieto e tudo o mais, por que é menos uma pessoa para que eu me estressasse. Digamos apenas que eu não tenho um pavio longo. Na realidade, não sei nem se tenho pavio. Devo ser uma daquelas dinamites com defeito que assim que você acende, bum! Explode. Chad, meu último namorado, me apelidou de panelinha de pressão.
Bastante apropriado. Chad era muito legal, se quer saber. Conseguiu me apelidar de uma maneira que não me fez odiá-lo ou chutá-lo aonde dói (não que eu nunca tenha batido nele). A maior parte dos meus amigos tem uma cicatriz causada por mim.
Infelizmente, tive que terminar com Chad para poder vir ao Tennessee. Minha mãe decidiu, depois de dezessete anos tentando me criar, que eu não tinha mais jeito. “Vá morar na casa do seu pai”, disse ela, semana passada. Aceitei prontamente a proposta e deixei-a viver sozinha com Mike.
Só que para isso, tive de deixar um bocado de amigos lá em Meridian. Eles não entenderam que minha vontade de morar em outra cidade com meu pai (que eu só vejo uma semana por verão) era mais forte do que minha vontade de ficar no Mississippi e sair à noite para lugar nenhum. Chad ficou bem chateado. Cortou meu coração vê-lo tão triste.
Mesmo assim, terminamos e eu decidi vir para o Tennessee. Isso por que meu pai é simplesmente demais. Ele é um daqueles caras que está sempre de bom humor, e impõe suas regras de um jeito que não sufoca. Nunca reclamou das minhas tatuagens ou do meu piercing, mesmo que não concordasse com eles. Além disso, acho que a culpa de eu nunca ter tido sequer uma cárie foi dele. Às vezes ele me liga só para saber se eu fui ao dentista para fazer a lavagem com flúor.
A obsessão do meu pai com a minha saúde bucal tem uma explicação. Ele é o melhor cirurgião dentista que Franklin já viu.
Aposto que você está surpreso por ele não ser um policial federal.
Claro que tem outros motivos que me levam a querer vir à Franklin. Como por exemplo, minha irmã, McKayla. Ela tem apenas quatro anos de idade e consegue ser a criança mais linda que esse mundo já viu, apesar de eu achar que ela não se lembra de mim, por que eu só a vejo uma vez por ano. Enfim. Ficar perto dela enquanto ela cresce é um dos motivos de eu estar aqui.
Gosto de crianças. Na realidade, eu gosto muito de crianças. Como minha mãe não gostava muito de me dar dinheiro para os shows, a guitarra ou as tattoos, eu tinha de trabalhar para consegui-lo. Fui babá de três famílias, ganhando duzentos dólares por mês de cada uma. Dava para me sustentar tranquilamente, e por algum motivo, minha paciência não se esgota tão facilmente se eu estiver lidando com um ser que seja menor que eu.
Mas não existem muitos seres menores do que eu por aí.
Por isso, quando eu peguei o ônibus que sairia de Philadelphia (sim, eu tive que pegar um ônibus de Meridian até Philadelphia!) e iria até Nashville, achei que minha viagem de oito horas seria tranquila. Colocaria fones de ouvido e fecharia os olhos até que acabasse.
Só que não. Meu celular, que era o único meio de escutar música que eu tinha, foi brutalmente quebrado quando travou. E é impossível dormir quando tem um pai idiota negando biscoito pra uma criança de dois em dois minutos ao seu lado.
E então, quando parei em um posto de gasolina para comprar Doritos em uma conveniência e fazer xixi em um banheiro que não estava coberto de vômito — me lembre de nunca mais pegar ônibus de viagem na vida —, percebi que meu belíssimo transporte barato havia partido sem mim. Minhas duas malas estavam jogadas no chão.
Sinceramente, não sei por que fizeram isso. Não sei por que me deixaram fora do ônibus.
Talvez o fato de eu ter batido no motorista tenha influenciado em alguma coisa. Xingá-lo também pode não ter sido uma atitude inteligente. Discutido com o resto dos passageiros também não. Quem sabe... eu não deveria ter dado o biscoito para a criança depois de gritar com o pai dela.
Vendo minhas malas do lado de fora da loja de conveniências podre, decidi que não iria ficar ali esperando. Uma espécie de bar, que tocava música de pior qualidade, estava lotado de homens bêbados que me encaravam de um modo no mínimo assustador. Decidi que não queria ficar para saber o que eles estavam pensando.
Com ódio, saí em direção à estrada, seguindo as placas verdes. Já tem mais ou menos meia hora que eu passei por uma placa que dizia “Pulaski” com seta para a esquerda, e “Franklin” com uma seta para cima. Estou andando, sem saber a quantos quilômetros estou de Franklin, na esperança de achar alguém não ameaçador que me leve em segurança até a querida cidade do meu pai.
Dois caminhões já ofereceram essa carona, mas os dois motoristas pareciam velhos pervertidos e fedidos. Não, obrigada. Quero me manter viva. Sem os pés, mas viva.
Percebi que um caminhão estava vindo lá de longe, no mesmo sentido que eu estava caminhando. Também carregava alguma coisa, como de costume, e a frente dele era cinza. Respirei fundo, pedindo ajuda a Deus, e joguei o polegar esquerdo para o lado. Era a primeira vez que eu de fato pedia por carona. Sem chance de contar a história do policial agora.
Havia duas pessoas nesse caminhão, eu percebi quando ele se aproximou. Abaixei o polegar e vi que ele diminuía a velocidade, até parar no acostamento, bem perto de mim. Vi que o motorista era um senhor de cabelos curtos e pretos, no máximo cinquenta anos, e ele usava um boné para esconder uma provável calvície. Em compensação, tinha um sorriso quase simpático. Também vi o crucifixo e a foto de um monte de crianças no retrovisor.
Mas meus olhos não pararam nesse senhor, e sim no garoto que o acompanhava. Usava um chapéu de couro com um pingente, uma cruz. Seu peito estava coberto com uma camiseta xadrez fina, azulada, parecendo meio moderna demais para um caminhoneiro. Notei que a calça que ele usava era... apertada. Mas em seus pés, estavam all stars tão desgastados quanto os meus.
O quê? All stars?! Que espécie de caminhoneiro era esse?
— Para onde está indo, mocinha? — a voz amigável do senhor ecoou, retirando-me do transe enquanto secava descaradamente o carinha que estava à minha frente.
— Hum... — tentei pronunciar alguma coisa, minha cabeça enevoada por pensamentos inapropriados. Céus, que coxas. — Tennessee, Senhor.
Não conseguia olhar o rosto do menino, pois ele quase o escondia com o chapéu e eu estava meio ocupada secando o corpo dele. Mas vi que ele esboçou um sorriso.
— Já estamos no Tennessee, mocinha — disse novamente o senhor. — Quero saber para que cidade quer carona. Nós estamos indo para Franklin, logo mais a frente, podemos te deixar em algum lugar?
Com um esforço tremendo, levei meus olhos ao senhor. Ele esboçava um meio sorriso para mim, como se soubesse o que eu estava fazendo. Apoiei o peso do corpo num pé e noutro.
— Franklin? — peguei-me dizendo as palavras do homem. Sorri instantaneamente. — Eu teria que estar em Franklin. Quer dizer, é onde eu precisaria estar, caso o ônibus... Enfim.
O senhor sorriu para mim outra vez, parecendo, desta vez, mais simpático do que sacana. Mesmo que ainda me olhasse como se soubesse que eu estava toda atrapalhada por que o garoto que se sentava ao lado dele era descomunalmente gostoso. Pelo amor de Deus.
— O que aconteceu com o seu ônibus? — perguntou ele, arqueando uma sobrancelha.
Dei de ombros, como se não fosse nada demais.
— Me deixaram — disse bem tranquilamente. O senhor sorriu, acompanhado do rapaz de coxas grossas. Menino, olhe para mim, deixe eu ver seu rosto.
— Deixaram? Por quê? — perguntou, novamente, o motorista do caminhão. Olhei para ele e torci os lábios.
— Não sei! — disse eu, suspirando. — Quando saí da conveniência do posto de gasolina, só vi minhas malas no chão. Justo eu, que tanto preciso estar em Franklin ao fim do dia!
Um pouco de dramatização nunca é demais em medidas desesperadas. Meus pés não aguentavam mais o peso do meu corpo e o caminhoneiro parecia ser um cara legal que me levaria para Franklin em segurança. Claro que eu corria riscos, mas também correria se ficasse sozinha aqui nesse asfalto.
— Certo — disse o senhor, novamente, com seu sorriso no rosto. — Estou levando meu filho para casa, e você pode subir. O assento é grande, é só você se apertar com ele aí, conseguimos ir em segurança. Josh, você pode colocar as malas dela lá atrás?
Uh, Josh. Pegue minhas malas, Josh.
— Claro — disse ele, ecoando sua voz pela primeira vez, me fazendo estremecer por dentro. Puxa vida, Josh. Que voz. Ele arrumou o chapéu em sua cabeça e levantou o rosto, mostrando seu meio sorriso para mim. Deus do Céu, que homem é este que fizeste? Ah, esses olhos. Os olhos de Josh eram castanhos e me encaravam de um jeito... ok, sem adjetivos para descrever esse olhar. Mas foi inevitável olhar para o sorriso dele. Com aquele lábio e aquele piercing no inferior.
Espera, piercing no lábio? Um chapéu de cowboy? All Star? Camisa xadrez e calça apertada? Que tipo de garoto é esse?
Não importa. Josh me cumprimentou com a cabeça e pulou do caminhão, fazendo com que eu notasse que ele é bem mais alto do que eu, o que não é anormal. O cabelo dele, liso, estava no meio de seu pescoço. Se ele não fosse um caminhoneiro, diria que Josh fazia alguma espécie de tratamento capilar. Os fios pareciam completamente comportados e bonitos.
Ele agarrou minhas malas pretas e cheia de adesivos e eu vi os músculos das suas costas se contraírem enquanto ele jogava-as no caminhão. Voltou até mim, sorriu, e sussurrou algo como “primeiro as damas”.
Oh, Josh. Que espécie de caminhoneiro é você?
O caminhão é alto, e eu percebi que é necessário uma habilidade para subir nele. Segurei no banco e tentei me impulsionar para cima, mas vou dizer uma coisa: não é fácil quando você já não tem mais energias por estar morrendo de fome.
De repente, senti mãos na minha cintura e eu fui erguida. Sentei-me no assento — que de fato era grande, comparado a um carro, ou àquele ônibus nojento — e afastei-me o máximo para que Josh se sentasse ao meu lado. Quando vi seu rosto, sorri para ele.
— Obrigada pela ajuda — disse eu, na voz mais meiga que tinha. O que saiu como um murmúrio esganiçado e estranho.
Parabéns, Hayley. Nota dez pra você.
Recebi outro meio sorriso como resposta, e vi que involuntariamente, Josh mordeu o piercing em seu lábio. Oh... eu gostaria de fazer isso.
Tudo bem, tudo bem. Hora de se controlar. Sobretudo quando Josh não faz o meu tipo de cara. Mesmo esquisito, ele ainda é um caipira. Ele pode ter esses all stars e o piercing, as coxas e tudo mais, mas... ainda é um caminhoneiro. Não passa nem perto dos últimos quatro caras que namorei em Meridian.
Percebi que não me importava com isso assim que o caminhão começou a andar e meu corpo foi levemente prensado com o dele. Suas mãos seguraram minha cintura levemente e eu me peguei prendendo o ar, enquanto um arrepio avassalador correu todo o meu corpo.
Puta merda.
— Então... qual é o seu nome, garotinha? — ainda sofrendo, virei o rosto para o senhor quando o caminhão começou a andar. Meus pés me agradeciam por estarem suspensos.
— Hayley — disse, respirando fundo e sorrindo, só para ser simpática. Veja só, não é tão difícil ser legal. — Mas não me chame de garotinha, por favor. Eu tenho dezessete anos. Chega de encher o saco por causa da minha cara de criança.
Escutei a risada de Josh atrás de mim. Uhu, meus pelos estão arrepiados. De novo.
— Fique feliz enquanto tem cara de criança, Criança — disse o senhor, só para me irritar. Fiz que não com a cabeça, um sorriso brincando no meu rosto. — Quando ficar velha vai fazer de tudo para voltar a ter essa cara de criança.
— Não, não vou — neguei de imediato. — Quando ficar velha vou apenas fazer algo para manter a cara de adulta, mas sem espichar toda a minha pele como minha tia avó fez. Aquilo é estranho. E vou fazer algum tratamento para crescer, também — eu meio que dei de ombros com cautela, para não machucar o Josh. A sensação da pele dele tão perto da minha era algo bem legal. Seria mais incrível ainda se a camiseta dele não fosse de mangas longas.
— Como pegar a cabeça e os pés, e começar a puxar até esticar? — o senhor fez piada e eu ri disso. Olhei para ele e assenti com a cabeça.
— Claro, se funcionar — disse, novamente dando ombros. Josh continuava rindo.
— Esse é o tipo de tratamento que minha filhinha, Belle, adoraria fazer. Ninguém é mais maluco para crescer do que ela — o homem disse, dirigindo sem muita dificuldade. Percebi que os olhos castanhos dele, parecidos demais com os do Josh, começaram a brilhar. — Ela só tem quatro aninhos.
— Deve ser uma fofura — disse eu, já começando a ficar babona também. Não me leve a mal, fico assim sempre que uma criança é citada no assunto. — Mas é supernormal, toda criança é assim.
— Belle é muito esperta — disse o homem.
— Esperta... — a voz de Josh ecoou, e eu agradeci por virar o meu rosto e encontrar o dele, tão perto do meu. Ele havia feito a barba ainda essa manhã. Cheirava bem. Bem demais. — Talvez. Para mim ela só é hiperativa demais, sabe.
Ah, Josh, essa sua voz. Esses seus lábios quando se movem. Esse seu pescoço.
— Só são você e Belle de irmãos? — perguntei a ele, só para escutar sua voz novamente. Josh sorriu.
— Ah, não. A família Farro é um pouco mais extensa — disse ele, como se aquilo fosse quase uma piada.
— Além de Josh e Belle, tenho mais três — disse o Sr. Farro, pelo que eu pude concluir. Deixei minhas sobrancelhas se arquearem e minha boca se entreabrir. — Nate, o primogênito, tem vinte anos. Josh tem dezoito, Zac tem quinze, Jon tem cinco e Isabelle, quatro.
— Família grande — comentei, com um sorriso. Tanto Josh quanto o Sr. Farro sorriram. — E só o Sr. trabalha com o caminhão?
— Não me chame de Senhor, menina — disse ele, sorrindo. — Pode me chamar de Rick. E, sim, apenas eu trabalho com o caminhão por que, como você disse, minha família é grande e eu tenho que dar um jeito de sustentá-la. Nate faz faculdade na capital, então quase nunca sai comigo. Como estamos no verão, pude trazer meus garotos para o trabalho. Zac veio no início, e agora, Josh veio comigo. Na realidade, Josh viaja comigo sempre que pode desde os treze anos de idade.
Eu sorri para Josh e para Rick.
— Ele dirige bem? — perguntei para Rick em tom de gozação.
— Sim, dirige muito bem — disse Rick, sabendo que não conseguiria falar nada contra Josh. — Me ajuda muito. Nós revezamos o volante e, assim, conseguimos entregar bem antes do prazo. E, nas estradas, tempo é dinheiro.
Assenti com a cabeça tranquilamente, concordando, mesmo que não soubesse nada sobre estradas. Minha mãe é contadora, meu pai é dentista, e não acho que a vida de Michael seja mais interessante como professor de inglês.
— O único problema de Josh são as músicas que ele escuta — disse Rick, fazendo-me rir e Josh dar de ombros. E que ombros.
— Não tem nada de errado com as músicas que escuto, pai — a voz de Josh voltou a ecoar. Tentei não olhar para a boca dele. Tentei.
— Que tipo de música você escuta, Josh? — perguntei, novamente fazendo minha voz sair esganiçada. Pigarreei.
— Rock — disse ele, mordendo o piercing. Mordendo o piercing. — O bom rock. Algumas bandas antigas, outras mais novas, desde que façam uma boa música.
Uh, Josh Gostoso Farro tem um gosto musical. Bom saber. Muito bom saber.
— Mas e você, Hayley? — Josh voltou o rosto para mim, os olhos penetrando minha alma, os dentes mordendo aquele maldito piercing. Prendi a respiração sem perceber. — Não falou nada sobre você. Por que está indo para Franklin?
Me perdoe, querido, mas se você não parar de morder esse piercing, eu não vou conseguir sequer lembrar o meu nome. Quanto menos dizer o porquê de estar indo para Franklin.
— Vou morar com o meu pai — consegui achar as palavras para dizer. — Sempre passo uma semana do verão aqui, e minha mãe achou melhor que eu passasse os últimos anos da minha adolescência com ele.
Na realidade, ela simplesmente desistiu de mim e achou que eu fosse uma perdida na vida, fora do caminho que Deus traçou para mim. Josh não precisava saber disso.
— Quem é o seu pai? Eu conheço quase todos os caras daquela cidade... — disse Rick, os olhos grudados na estrada, tranquilos.
— Joey Williams — disse eu, torcendo os lábios. Rick nem sequer se esforçou para se lembrar.
— Ah! — exclamou ele. — O dentista!
— Isso — eu disse, sorrindo.
— Ele vai precisar me fazer um desconto no aparelho do Zachary depois de saber que eu dei carona para a menina dele — Rick disse com um sorriso no rosto, claramente brincando com a situação, e eu deixei-me sorrir também. Olhei para minhas próprias mãos e esfreguei uma na outra, só para que não notassem que meu subconsciente estava secando as pernas maravilhosamente torneadas de Josh. Quase perguntei se ele jogava futebol ou vôlei, mas achei melhor calar minha boca.
Perguntas idiotas previnem explicações constrangedoras.
Felizmente (ou infelizmente, dependendo do ponto de vista), não estávamos muito longe de Franklin. Rick Farro me contou que, apesar de cada vez mais populosa, Franklin não era uma cidade extensa e muito boa de andar — o que foi bom saber, uma vez que quando passo uma semana aqui, geralmente só saio para onde meu pai me leva. Nunca aprendi o caminho de uma rua à outra, por exemplo. De qualquer maneira, ele me assegurou de que eu não me perderia por lá.
Logo passamos pela placa de boas vindas à cidade, e foi aí que percebi que não sabia o endereço do meu pai. Na realidade, ele disse que me pegaria na rodoviária às 17h, quando saísse do consultório. Feliz, vi que no relógio ainda constava 16h40. Se eu chegasse em casa a tempo, poderia avisar Cate — minha madrasta — para ligar e dizer que eu já havia chegado. Agora só precisava saber como chegar lá.
Droga. Podia estar com o meu celular.
— Vou deixar Josh na casa dele e levar o caminhão para a garagem do outro lado da cidade. Onde podemos te deixar?
Estava tão absorta nos meus pensamentos que não percebi que Rick falava comigo. Ainda meio zonza com a proximidade do corpo de Josh em relação ao meu — não consegui me acostumar —, virei meu rosto e torci os lábios.
— Poderia me deixar na casa do meu pai? — perguntei inocentemente, torcendo que Rick não percebesse que eu não tinha ideia de onde ela ficava.
— Ah, claro. Te deixo na avenida do parque, onde vou deixar Josh, e você desce a rua — disse ele. Respirei fundo, me dando conta de que ele achou que eu sabia exatamente onde a casa do meu pai ficava, como eu queria. Mas não me ajudando da forma que eu precisava.
— Que rua? — perguntei, sorrindo, tentando ser minimamente fofa. — É que meu pai ficou de me pegar na rodoviária às 17h, por isso não sei como chegar lá.
Pronto, não havia sido tão difícil.
Rick sorriu.
— Somos quase vizinhos, Criança — disse ele, tranquilamente. — Moramos a duas ruas de distancia. Josh pode te levar até a sua casa.
— Claro que posso — disse Josh ao meu lado, fazendo com que eu sentisse seu hálito no pé da orelha. Droga. Sua voz estava com uma pitada de malícia escondida ou isso tudo era impressão minha?
Tentei sorrir, tonta demais.
— Legal, obrigada — disse, virando o rosto e encontrando os olhos de Josh me encarando. Eram castanhos, vivos, penetrantes. Pareciam ir além de mim, maliciosos, sombrios, malvados. Estremeci mesmo sem querer.
Subitamente a ideia de ficar sozinha com Josh fez meu estômago se revirar de ansiedade.
De fato, Rick só precisou andar com seu caminhão vazio por mais quatro minutos até eu perceber que ele parava. Despediu-se de mim enquanto Josh abria a porta e saltava para fora, e eu retribuí com um sorriso, agradecendo a carona. Acho que em toda a minha vida, eu nunca havia sido tão simpática.
Me virei pronta para saltar do caminhão, mas Josh me esperava com um sorriso quase safado no rosto — ou talvez eu estava vendo coisas demais. Estendeu uma mão pra mim, e a instrução era clara: se precisou de ajuda pra subir, vai precisar de ajuda para descer.
Normalmente, eu o mandaria para o inferno e daria um jeito de descer, mas por algum motivo não queria discutir com ele. Não por ele querer me tocar. Por que, posso garantir, o toque de Josh é algo bem legal de se sentir.
Por isso agarrei sua mão e quando saltei, minha queda foi quase amortecida pela outra mão que ele passara pela minha cintura. Senti meu rosto enrubescendo e agradeci enquanto me dirigia para a caçamba do caminhão, onde minhas malas estavam guardadas. Arrastei-as até o chão, fazendo-as cair, e logo o caminhão de Rick não estava mais a nossa frente.
Dei uma volta completa, trezentos e sessenta graus, procurando ver algo que achasse familiar. Via uma espécie de praça, muitas árvores, balanços e um escorregador, algumas crianças brincando. Provavelmente o parquinho ao qual Rick se referiu.
— Perdida, baby? — perguntou Josh, o mesmo sorriso nos lábios.
Baby! Ok, o que mais me incomodava naquele garoto era não saber o que ele estava pensando. Era mistério demais. A coisa toda do chapéu e do all star, esse olhar “porque-você-ainda-está-vestida?” e esse sorriso malicioso. Coisa demais para a minha cabeça. Não sabia se ele estava caçoando de mim ou me cantando.
Sinto que terei muitos problemas com essa cidade.
— Totalmente perdida — assumi, dando ombros. Não iria demonstrar que estava a fim dele. Segurei a alça de uma das malas e comecei a arrastar, enquanto Josh pegava a outra e carregava-a tranquilamente.
Tranquilamente. Sem nenhuma dificuldade. A mala mais pesada!
Meu Deus.
— Sua casa fica por ali — ele apontou ao norte, uma rua larga, casas coloniais com quintais enormes e verdes. Parecia uma cena de filme. — A minha fica para lá — ele apontou para o fim do parque, um quarteirão depois, uma rua que eu não conseguia ver mas suspeitava que era igual a minha. — Vamos?
Assenti, e começamos a andar um do lado do outro pelos quintais das pessoas.
— Está em que ano? — Josh me perguntou e eu demorei até perceber que ele falava de escola.
— Vou começar o terceiro depois desse verão — disse eu. — E você?
— Também vou começar o terceiro — disse ele, jogando a cabeça para trás. Seu chapéu com pingente de cruz caiu para trás, preso agora pelo pescoço, mostrando seu cabelo liso grande e pouco bagunçado. Seu rosto moreno era mais bonito ao sol. — Espero que peguemos as mesmas aulas.
Sua voz tinha um tom gozado e malicioso ao mesmo tempo em que me fazia estremecer por dentro. Como lidar com isso?
— Tomara, cowboy — disse eu, abusando de meu tom malicioso também. Há! Nesse jogo jogam dois.
A brincadeira fez seu sorriso safado se tornar uma risada.
— Gostei do apelido, baby — disse ele, os dedos correndo pelos fios lisos e aparentemente grudados pelo suor.
Comecei a reconhecer a rua. Conseguia ver a casa do meu pai a poucos passos de onde estávamos.
— Só você — disse no automático, e não me arrependi. Baby não é um apelido que eu goste de receber. Mas algo me dizia lá dentro que Josh nunca mais me chamaria de outro nome.
Tive que parar o passo de repente. Em meio aos meus pensamentos, nem percebi que Josh se jogara a minha frente sem nenhum aviso. Agora seus olhos me devoravam, intensos. Engoli em seco quando ele retirou minha mão da mala lentamente, segurando-a com cautela, massageando o polegar na palma.
— Não gosta de baby, baby? — perguntou ele, aproximando seus lábios do meu rosto. Caramba. Estava completamente perdida e sem reação.
Isso nunca havia acontecido antes.
— Não gosto, não — disse eu. Estava tentando manter minha dignidade, mas tinha total consciência de que minha expressão corporal devia estar dizendo algo como “me possua agora” a ele. Entretanto, não conseguia me afastar. Não conseguia sair daqueles braços.
— Que pena... — sussurrou ele, a mão forte correndo pela minha cintura. Autocontrole, Hayley! Isso não deveria estar acontecendo! — Vamos ter que achar algo que você goste, baby.
 Sem que eu tivesse tempo para pensar em sua frase, de repente, os lábios de Josh estavam grudados nos meus. E sentindo o gosto de seu hálito contrastando com seu piercing gelado e delicioso, percebi que talvez ter xingado o motorista do ônibus talvez não tenha sido uma ideia tão ruim assim.


E aí, deram umas risadas? AEHUAEUHAE
Adoro essa fic! Hayley é minha personagem mais foda, vcs puderam ver s2s2 isso por que ela ainda não deu um ataque de nervos. Nota-se que ela é meio irritada com tudo.
Isso quando Josh não está perto APOSKPOASK QUEM AMODOROU O JOSH LEVANTA A MÃO PFVR. Já que temos uma Hayley pervertida, por que não um Josh pior? Ora <3 
ASOKAOAKLSOPKPÃOS GENTE, DAQUI A CINCO DIAS É ANIVERSÁRIO DO TAYLOR E ETC. Tô pensando em fazer um especial (com a a participação ilustre de nossa Natsssss <3). E também vou att nesse dia, uma fanfic, que pode ser qualquer uma das três (Renascer, Trucker e Sex and Stuff, que virá hoje a noite). Por favor, escolham uma :3
E... também tô fazendo um Fic Trailer pra Renascer que sairá em breve.
E... não tenho mais novidades. Por favor comentem pra mim *U* 
LOVE YOU, babys. (paslka~pslã´spl pfvr josh <3) 
Muito amor,
Sarinha. <3



Trucker

truckerrrrrr


Olá, bebês lindos! Prontos para outra viagem?
Fic nova, oba! Esta se chama Trucker, e eu curto muito ela. JÁ VOU AVISANDO PARA NÃO ESPERAREM UMA LINGUAGEM FORMAL E EXTREMAMENTE COLOQUIAL COMO ESTÃO VENDO EM RENASCER. Claro, a história da Renascer é mais... como posso dizer, densa? Talvez. Aqui tudo vai ser bem mais tranquilo e fácil. Espero que vocês deem algumas risadas conforme forem lendo.
Até mesmo por que a ideia da Trucker, meio louca, me veio enquanto eu estava na estrada. Vi uns caminhões, estava sem nada para fazer, e a cena me veio na cabeça OPASKPAOSK enfim! Esse Josh vai ser bem diferente dos Josh's que vocês estão acostumados a ver por aí.
Vamos lá? 

ESTA FANFICTION CONTÉM HENTAI! Favor não encher o saco nos comentários, se não gosta, não leia. Tudo muito simples. Paramore, Novel American e seus membros não me pertencem. Tudo aqui é meramente ficcional, não existe nenhuma ligação da fiction com as bandas em si. Isto é uma fanfiction, mas ainda é escrita por mim. Plágio é crime, e qualquer reprodução dessa história não será admitida, a menos que eu venha a concordar com isso.
Classificação: +16 (cada um sabe o que lê). 
Gêneros: Comédia, Romance, Hentai.


SINOPSE


Havia duas pessoas nesse caminhão, eu percebi quando ele se aproximou. Abaixei o polegar e vi que ele diminuía a velocidade, até parar no acostamento, bem perto de mim. Vi que o motorista era um senhor de cabelos curtos e pretos, no máximo cinquenta anos, e ele usava um boné para esconder uma provável calvície. Em compensação, tinha um sorriso quase simpático. Também vi o crucifixo e a foto de um monte de crianças no retrovisor.
Mas meus olhos não pararam nesse senhor, e sim no garoto que o acompanhava. Usava um chapéu de couro com um pingente, uma cruz. Seu peito estava coberto com uma camiseta xadrez fina, azulada, parecendo meio moderna demais para um caminhoneiro. Notei que a calça que ele usava era... apertada. Mas em seus pés, estavam all stars tão desgastados quanto os meus.
O quê? All stars?! Que espécie de caminhoneiro era esse?

Capítulo 1 — Arrepiante...
Capítulo 2 Infectada
Capítulo 3 Saber Lidar 
Capítulo 4 — Ardência
Capítulo 5 — Violência 
Capítulo 6 — Puxe-me
Capítulo 7 — Antibiótico
Capítulo 8 — Sanidade
Capítulo 9Tensão
Capítulo 10 Psicose
Capítulo 11 Brigas


11 de dez. de 2012

Prólogo

ᡶ Anjo, salve-me! 




Olá, amores. Aqui estamos com o prólogo fatídico dessa fanfic que amo tanto ♥  Seguinte, vamos às explicações básicas, não falarei uma Bíblia (vcs #chocadissimos). Eu estudei pra baralho para poder escrever essa fanfic, vou te contar. Não tem como você escrever uma fanfic de época quando não sabe nada da época em questão. Mesmo assim, posso vir a errar, e vocês podem me corrigir à vontade <3 Enfim, que mais? O ano é 1942, meses depois dos Estados Unidos entrarem no grupinho puro amor dos Aliados (só que não). Espero que com essa fic vocês aprendam um pouquinho de história. Esperem um amor avassalador. Colocar uma música dramática pode ajudar na lida desse prólogo.
Okay! É isso. Ponha seus olhos em ação, e... boa viagem ♥ 




Frio.
O homem gemeu, a dor correndo em suas veias acompanhadas pelo sangue, os olhos embaçados como se ele houvesse acordado naquele mesmo momento. Frio. Tomou conta dele como uma onda, banhando-o com a pior sensação que já sentira na vida. Ele podia ouvir sua respiração frenética e lenta, podia ver sua pele suando, podia sentir o cheiro de doença que exalava daquela tenda erguida às pressas. Mas acima de tudo isso, ele sentia frio. Um frio controlador e interminável, que tomava desde os dedos de seu pé aos fios do seu cabelo. Enquanto os piores sentimentos e sensações, podres e maltratados, apoderavam-se dele com toda a voracidade, o soldado perguntou a si mesmo se fora isso que seu pai sentira pouco antes de deixar este mundo.
Joshua sabia que iria morrer. Seu organismo provavelmente aguentaria aquele dia, quem sabe o próximo. Talvez ele se mantivesse vivo por uma semana. Entretanto, ele sabia, seu destino fora assinado no mesmo momento em que ele contraiu a maldita doença tropical, comum naquelas terras norte-africanas, mas desconhecida para o soldado americano e todos os seus conterrâneos que definhavam pouco a pouco na mesma tenda. Como ele.
Mais uma onda de frio banhou seu corpo, fazendo-o gemer e encolher-se dentro de sua coberta suja. Ele não era o único que gemia; mais de cem homens se encontravam no mesmo estado, recebendo os cuidados das únicas duas enfermeiras designadas a tratarem os doentes. Joshua sabia que todos os homens que ali estavam, morreriam. A doença maligna era cruel, não tinha escrúpulos ou preconceitos; atacava impiedosamente, corroendo e matando seu portador sem o menor vacilo, dia após dia, segundo após segundo. Além do frio imensurável, consequência da pior das febres, Joshua perdera todo o apetite e sabia que isso causaria, no fim, outras doenças piores que acabariam matando-o. Da mesma forma que matara tantos outros.
Por isso os três sargentos responsáveis por aquela missão, dois americanos e um inglês, jamais gastariam muita mão de obra com homens que de certeza morreriam. Para mais de cem homens, duas mulheres, que provavelmente não muito sabiam de enfermagem; apenas serviam seus respectivos países da melhor maneira que podiam. Joshua, o soldado, não culpava seus sargentos por disponibilizar tão pouco recurso para a maldita doença tropical que ele sequer sabia o nome e que se tornara uma epidemia desde que a operação começara, três meses atrás. Sabia que muitos homens eram bombardeados, baleados, esfaqueados ou explodidos nas batalhas. Sabia que, para eles, ainda havia alguma esperança de continuar lutando ou apenas sobreviver.
A situação era diferente para ele.
Céus, sua cabeça parecia explodir a qualquer momento, e o maldito frio não ia embora. Respirando com dificuldade, mais um gemido saindo dos lábios, Joshua desejou verdadeiramente morrer de uma vez. Não aguentava mais. Não conseguia pregar seus olhos, não conseguia colocar nada em sua boca. Tudo o que fazia era gemer, cada vez mais, de pura dor e puro sofrimento. Somando isso à profunda frustração e dor emocional, o soldado suspirou, sabendo que não se recuperaria.
Ele falhara.
Iria morrer.
Não defendendo seu país, mas como escravo de uma doença tropical. Jamais lutaria novamente em uma batalha. Jamais colocaria para fora toda a sua raiva.
Jamais vingaria a morte de seu pai.
Pela centésima vez, Joshua engoliu o nó que fechava gradativamente em sua garganta, acusando-o de tudo que havia dado errado. Lembrando-o do olhar vazio de sua mãe, inconsolada por perder um marido e, quase consequentemente, um filho. Lembrando-o do sorriso sincero de seu pai, que sempre fora o mesmo desde que Joshua podia se lembrar, apesar das dificuldades que vivera na sua vida. Lembrando-o de quando ouviu no rádio sobre o bombardeamento em Pearl Harbor e desesperou-se, em meio a tantos outros jovens, até chegar-lhe a notícia de que seu pai estava morto. Lembrando-o de sua promessa de morrer vingando a morte dele, na maldita Segunda Guerra, acabando e aniquilando todos os Nazistas e Japoneses que podia.
Um soldado da linha de frente, com uma quase ampla habilidade bélica. Um fuzileiro frio, que não tinha medo de matar ou morrer, munido da sede de vingança que queimava seu ser, e que de certo seria útil para sua pátria.
Agora morreria por ter sido infectado por uma doença maligna.
Nem mesmo a dor, nem mesmo o frio, nem mesmo a vontade de chorar, eram maiores do que a frustração que Joshua sentia por morrer sem cumprir nenhuma de suas malditas promessas. Malditas. Malditas promessas. Maldita doença. Malditas batalhas. Malditos Nazistas, maldito Eixo. Maldita tenda, maldita dor de cabeça. Maldita guerra.
Embora sua pele estivesse molhada de suor, mais uma onda de calafrios banhou seu corpo e fê-lo gemer com uma última súplica à morte. Joshua fechou os olhos, sem se importar com as duas únicas lágrimas que desceram pela sua face, e apertou os punhos com a pouca força que tinha. Sentiu seu próprio peito sujo subir e descer abruptamente, atordoado demais, assim como o resto do corpo e a mente do jovem homem de vinte e um anos. Sentiu sua cabeça martelar de dentro para fora como se fosse explodir-se em mil pedaços. Sentiu a náusea apoderar-se de seu estômago como se dele fosse dona. Sentiu o coração sangrar, frustrado e exausto, dolorido e sem esperanças, entregando-se àquele destino terrível. Com mais uma lágrima descendo no rosto, Joshua mergulhou na maldita dor e lá permaneceu, encolhido, esperando que ela o afogasse.
— Perdoa-me, meu pai — murmurou ele, tão baixo que quase não pôde escutar sua própria voz doente. — Receio não vingar-te como prometi. Perdoa-me por ceder. Perdoa-me por ser fraco. Perdoa-me.
As lágrimas queimando seu rosto, Joshua tossiu, provocando a dor que se espalhava e domava seu corpo jovem sem piedade. Seus olhos continuavam fechados, submersos na escuridão, na dor, no sofrimento.
Só se abriram novamente quando ele sentiu mãos delicadas tocarem seu rosto.
Um anjo. Foi o primeiro pensamento que se fez no pensamento do jovem, quando ele deixou os olhos castanhos chocolate se prenderem na figura que estava à sua frente. Entreabriu sua boca e por um segundo esqueceu-se de sua dor, seu cansaço, sua frustração. Esqueceu-se de tudo o que era, enquanto, fascinado, via os belos traços dela, do anjo, que agora o olhava como se estivesse momentaneamente paralisada. Seus olhos, verdes e profundos, agora dilatados, encaravam-no com mais intensidade do que outros olhos jamais fizeram. Sua pele, branca e delicada. Sua boca, rosada e bem delineada, parecia querer pronunciar palavras que estavam presas.
Ela suspirou e abriu a boca mais algumas vezes, tentando dizer algo.
— Pierre... — por fim, foi essa a palavra que o soldado pôde ouvi-la dizer, atordoada demais para retirar as mãos de seu cabelo molhado de suor. Mais uma onda de calafrios banhou seu corpo, inoportunamente, e Joshua fechou os olhos para gemer e tossir. Voltou a encontrá-la, tão linda, tão angelical, tão profundamente espantada, posteriormente.
Mas ele também estava espantado. Não conseguia acreditar que alguém tão incondicionalmente perfeito existiria. Ela era... um anjo. Um verdadeiro anjo.
Finalmente se mexendo, ela saiu da frente de Joshua por um segundo para virar-se e segurar um copo de alumínio, anteriormente apoiado em uma precária mesinha ao lado da maca. Voltou sua atenção para ele em seguida, novamente prendendo suas órbitas verdes e maravilhosas nos olhos dele. Passou os dedos brancos e macios delicadamente pela sua testa, como um milagre fazendo sua dor de cabeça desaparecer por inteiro. A mão dela correu pelo seu rosto, acariciando seu cabelo fino e liso, provavelmente maior do que o soldado se lembrava.
— Beba — disse ela, com muita cautela, pousando o copo de alumínio nos lábios do soldado. Sua voz soou firme, mas ao mesmo tempo, rouca e vacilante. Suave como uma pluma que acariciava-lhe a alma. Bela como a melhor das sopranos.
Ainda atordoado, fascinado, Joshua inclinou sua nuca para frente para que o líquido adentrasse sua garganta. A água estava quente, meio salobra, com um leve gosto de alumínio.
Mesmo assim foi o melhor gole d’água que Joshua já havia tomado.
— Isso — novamente ele escutou sua voz, enquanto ela pousava lentamente sua cabeça de volta na maca. Ainda corria os dedos lentamente pelos seus cabelos, os olhos verdes fascinados encarando cada traço de seu rosto, a áurea branca de seu uniforme e o louro acobreado de seu cabelo dando-lhe o tom certo de cores a um anjo. Um anjo perfeito.
Joshua desejou que ela não fosse embora. Desejou tê-la junto a ele até a hora de sua morte, quando chegasse. Desejou... que ela não o deixasse. Não agora.
— Eu agradeço — ele conseguiu dizer quando ela retirou o copo de alumínio de seus lábios e tentou, verdadeiramente, guardar todos os traços dela em sua memória. Desde seus olhos verdes ao seu corpo pequeno, o toque de sua pele macia que parecia operar milagres quando se chocava com a dele, os traços angelicais de seu rosto pálido. Sua voz misericordiosa. Seus lábios rosados. Agora ela novamente acariciava seu rosto, encarando-o com tanta intensidade que seu olhar parecia ir além dele, penetrar sua alma, conhecer todo o seu coração. A ponta de seus dedos passou pela sua bochecha coberta pela barba, continuando cautelosamente até o cabelo mais uma vez. Quando não olhava para seus olhos, ela parecia que choraria a qualquer momento. — Talvez... eu não esteja em condições apresentáveis, mas... gostaria de dizer que... a senhorita mais me parece um anjo.
Uma linha de admiração cruzou o rosto dela, de maneira simples e aparentemente pequena, mas para Joshua já era tudo o que precisava. Um comentário como esse em um dos bailes que costumava frequentar até poucos meses atrás deixaria uma moça corada. Entretanto, agora, ele apenas externava os mais íntimos de seus pensamentos.
Ela parecia um anjo. O mais belo dos anjos.
Lentamente, ele a viu abaixar-se até ficar no mesmo nível de altura dele. Seus olhos verdes encararam-no com a maior das voracidades e o pequeno aperto das mãos macias em seu rosto se tornou mais forte. Ela entreabriu os lábios, lentamente, e suspirou antes de dizer:
— Você ficará bem, Soldado — as palavras ecoaram pela sua garganta suavemente. Os dedos dela correram pelo cabelo de Joshua mais uma vez. — Posso prometer-te.
Foi a primeira vez, desde a contração da doença, que Joshua deixou-se acreditar que poderia sobreviver. Mesmo já estando quase morto.
Mas ela era seu anjo. Ela iria renascê-lo.





Eita! Chegamos ao fim deste prólogo!
Tá, também não falarei uma Bíblia aqui ASKAOPSKAOPSK tenho mais o que fazer, e não tenho muito a dizer. Enfim. Só faço uma pequena observação para dizer que a Doença Tropical tantas vezes citada também não é inventada. O nome dela é malária, e ela é comum em áreas tropicais, como o Norte da África e a Floresta Amazônica. PAOSKPAOKS E O QUE O JOSH SENTIU É MAIS OU MENOS O QUE UM DOENTE SENTE. Meu pai, nativo do Pará, já teve malária 1982719827127 vezes e me disse "você sente frio. Frio pra caralho. Quer se embrulhar. E morrer." Então dá pra ter uma ideia.
Não cheguei a conhecer meu avô paterno por causa dessa doença do cão. '-'
Enfim. A malária não era curável na época da 2ªGM por falta de recursos. Quando você vai prum lugar de um clima mais estável, sua situação melhora. Obviamente esses soldados não eram medicados.
E, mais uma vez, isso é fictício.
MAS POR FAVOR, DIGAM O QUE ACHARAM DESTE PRÓLOGO <3 GENTE, ESCREVER ELE FOI TIPO... S2 Eu não sei o que acontece com essa fic, mas eu começo a minha singela narrativa e me perco completamente. Meus sentimentos entram todos em convulsão. Sou apaixonada por essa ideia, por favor POAKSPAOSK 
Enfim, eu peço encarecidamente que comentem pra mim. Vocês ainda me movem. Ainda são tudo pra mim. Preciso saber se ainda estão comigo após o término da OAV <3
Nos próximos dias, aguardem postagens de fanfics mais alegres e atts dessa Renascer. Até mais.
Muito amor,
Sarinha. 


Renascer






Meu Deus, estou mesmo aqui? Estamos mesmo aqui? OMG! 
Beleza, nada de idiotice, Sarah u.u Seja profissional.
BEM VINDOS À RENASCER! MEU PROJETO MAIS BEM DETALHADO E ANTIGO! Essa fanfic, galera, é um esboço mais velho que OAV. Eu deixei de escrever a Renascer para escrever a OAV (Odeio Amar Você), na realidade. Obviamente eu sabia muito pouco sobre a Segunda Guerra Mundial, não tinha um nome para a fanfic e muito menos um shipper principal. Para além de que escrevia mal pra caramba.
Enfim, mais de dois anos depois, cá estou eu, Sarinha, apaixonada pela escrita e tudo o que a envolve e, ASSUMO, apaixonada pelo esboço sendo passado a limpo <3 
E, MEU DEUS, EU ME ESQUECI DE QUE VOCÊ PODE SER UM VISITANTE NOVO! Enfim, se não me conhece, meu nome é Sarah Malta e eu posto fanfics há dois anos (parte desse tempo com o "pseudônimo" Sarah Riot). Fiz um pequeno sucesso no Nyah! Fanfiction, onde minhas fanfics eram postadas, porém saí de lá desde as últimas regras. Agora estou aqui, no meu blog, postando tudo o que quero *U* Fique à vontade para me apelidar. E fique mais à vontade ainda para ler as partes burocráticas de se escrever uma fiction e sua sinopse, em seguida <3

Sem mais delongas...

ESTA FICTION CONTÉM CENAS IMPRÓPRIAS PARA MENORES DE 16 ANOS. Violência explícita, drogas, morte, sexo. Tenha cautela ao ler, caso não goste de algum desses fatores. Os fatos aqui descritos são meramente ficcionais. Apesar de terem existido diversas operações no Norte da África durante a Segunda Guerra Mundial, apenas uma delas teve o envolvimento dos Estados Unidos. Portanto, a operação e todas as batalhas são fictícias. Além disso, Renascer terá um pequeno toque sobrenatural que, obviamente, é surreal. Mas nem por isso deixará de ser bonito. Paramore, Novel American, Jon Howard e Jenna Rice não me pertencem. Embora eu tenha um plano para roubá-los. -sqn

Gêneros: Drama, romance, tragédia, deathfic. 
Classificação: +16

P.S.: Agradecimentos eternos à Sofia Brito pela capa maravilhosa <3 



FIC TRAILER





SINOPSE 



Meu pai era um bom homem. Justo, patriota, fiel e, acima de tudo, esforçava-se para educar-me da melhor maneira que podia e estar sempre disponível para minha mãe. Ensinou-me as coisas mais importantes da vida. Costumava estar sempre sorrindo, mesmo que a situação fosse a mais crítica possível. Estava sorrindo quando disse para minha mãe tranquilizar-se em relação a sua viagem à Pearl Harbor, Havaí, para reunir-se com outros militares de outros postos.
A cidade, entretanto, foi brutalmente atacada pelo exército japonês, dando à minha mãe uma razão para sua preocupação. Meu pai foi morto covardemente, acompanhado de vários outros pais de amigos meus, no mesmo dia em que completei vinte e um anos. Arrasado e sem uma parte de mim, senti-me na obrigação de alistar-me na guerra que meu país declarou contra o Japão e todos os demais países do Eixo.
Quando entrei na guerra, tinha certeza de que não voltaria para casa — morreria pelo país e para vingar a morte de meu pai, como me fora designado pela vida.
Mas eu não sabia que estava enganado — na realidade, já estava morto.
Ela trouxe-me de volta a vida. Ela me renasceu.




Prólogo 

 Anjo, salve- me!

Capítulo 1

Fique Comigo

Capítulo 2

Deveria ir? Deveria deixar? 

Capítulo 3

Só estou vivo se estiver contigo

Capítulo 4

Perco-me em teus lábios 

Tormenta, martírio, culpa