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17 de dez. de 2012

Capítulo 1


ᡶ 
Fique comigo 


Oi, bebês lindos :3
PAOSKAÇ~POKAS MEU DEUS, MEU DEUS, eu tenho que falar sobre coisas. Coisas como: essa fic e o que elas tão fazendo com vocês POASKPAOKS
POR QUE DE BOA, EU TAVA COM UM POUQUINHO (...pouquinho) DE RECEIO DE POSTAR A RENASCER. Embora muitas pessoas estivessem ansiosas e tudo mais por ela, sabe, muitas outras viraram par mim e disseram "olha, Sarinha, não curto história e não sei nada sobre 2ªGM. Não vou gostar da Renascer".
E agora tá surtando.
E SABE, ISSO É MUITO FELIZ POR QUE.... era isso que eu queria fazer. Abusar do meu "poder" sobre vocês e fazer vocês gostarem de uma coisa incomum, mas... sei lá, enfim. Gerar comoção. Eu queria gerar comoção. E gerei.
Confesso que nada me deixou mais feliz do que os comentários de vocês no capítulo passado. O modo como vocês ficaram surpresos e tomados e ♥ é exatamente como me sinto ao escrever isso aqui. That's what I wanted.
Obrigada por estarem comigo.
ANYWAY! Hoje (17/12), como vocês sabem, É ANIVERSÁRIO DO NOSSO QUERIDO GUITARRISTA TAYLOR YORK!!!! Por um bom acaso, também é nesse capítulo que vocês vão conhecer o Soldado Taylor York.
Prontos para mais uma viagem? 




A respiração calma, o frescor do sonho na mente, lentamente seus olhos foram se abrindo. A primeiro momento, a cor marrom preponderando, a falta de captação dos detalhes, ruídos tristes sendo pegos vagamente pelos seus ouvidos. Sentiu o ar entrando e saindo dos pulmões enquanto a Terra voltava a ter cor, e ele tomava conhecimento de onde estava. Sentiu a boca levemente seca e o estômago vazio. Sentiu um leve calor na nuca. Sentiu uma pouco incômoda dor nos pés. Sentiu que os olhos queriam voltar a se fechar, e quase cedeu à vontade, não fosse a imagem que repentinamente surgiu a sua frente.
Joshua sorriu, seu coração se aquecendo de repente. Ali estava ela. Seu anjo. O anjo que ele se lembrava tão bem, de seus sonhos mais confusos, porém, tranquilos.
Não era apenas um delírio desesperado. Ela existia.
— Você é real — sua voz saiu rouca e desigual por falta de uso. O rosto dela, da mesma forma que ele se lembrava, ganhou certa cor. Sua boca esboçou um sorriso e seus olhos verdes encararam-no enquanto, sem muitas cerimônias, ela passou as mãos pela cintura dele, forçando-o a se sentar. — Achei estar delirando.
Ela não abandonou seu sorriso calmo e bonito, os dentes pouco separados, as maçãs do rosto belas e proporcionais, levemente coradas de um tom rosado.
— De fato, estava — disse ela, virando-se por um segundo para segurar um copo de alumínio portando um líquido que Joshua pensou ser água. — Chamou-me de anjo mais de uma vez da última vez que esteve consciente.
Sem saber bem como isso foi acontecer, os lábios do soldado portaram um sorriso bonito, fazendo a enfermeira perder-se por um segundo. Joshua sequer se lembrava da última vez que sorrira. Porém, com ela, sentia-se à vontade. Sem dor, sem decepção, sem angústia, sem sede de vingança. A simples presença dela lhe dava paz.
Paz o suficiente para sorrir.
— Não menti — disse ele, desfazendo lentamente o sorriso, para que ela entendesse de fato que ele não a estava cortejando (ao menos, não ainda). Honestamente, achava-a um anjo. Mesmo que isso a fizesse corar e negar levemente com a cabeça, como fazia agora. — Posso... saber o seu nome?
Com um novo sorriso nos lábios, ela encolheu os ombros, como se não visse problema em apresentar-se.
— Hayley — disse, finalmente. Com cuidado levou o copo de alumínio até os lábios secos de Joshua, que bebeu o líquido, sentindo-o molhá-lo inteiro por dentro. Não percebeu que estava com tanta sede. — Será que eu posso saber o nome do soldado que insiste em chamar-me de anjo?
Joshua mordeu um de seus lábios e encarou-a nos olhos mais uma vez. Hayley. Então era esse o nome dela. Fatidicamente, Joshua não pôde deixar de pensar, o nome combinava com ela. Combinava com seu sorriso cativante e seus olhos verdes. Combinava com seu cabelo louro, levemente solto pelos ombros, e combinava com seu corpo pequeno e bonito. Hayley. Combinava perfeitamente com um anjo.
— Sou Joshua — disse ele, finalmente respondendo à pergunta da moça. Ainda com o sorriso nos lábios rosados, ela assentiu com a cabeça, como se estivesse pensando exatamente a mesma coisa que Joshua pensara há pouco tempo sobre o nome dela.
Parando de encará-lo por um momento, Hayley virou-se para a mesma mesinha onde portava o copo em que Joshua acabara de beber água. Segurou uma pequena tigela também de alumínio e olhou para ele, mais séria.
— Consegue alimentar-se sozinho, soldado? — perguntou ela, fazendo Joshua franzir o cenho. Ele respirou fundo, dando-se conta naquele momento que não sentia mais frio. Não sentia mais dor. Não sentia mais a ânsia de vômito. Não sentia mais nenhum sintoma da maldita doença.
Levantou suas mãos, dando-se conta da força que retomara ao corpo, e esticou-as para o alto o máximo que pôde. Espreguiçou-se, finalmente, e sentou-se melhor na maca. Olhou para Hayley, que o assistia pacientemente, e sem motivo, sorriu.
— Creio que sim, anjo — disse ele, numa brincadeira que fê-la sorrir e corar mais uma vez. Hayley negou com a cabeça, como se discordasse daquilo, e sentou-se de frente para a maca de Joshua. Agora ele podia ver claramente os seus olhos verdes esmeralda, brilhantes, espelhando sua alma. Céus, como ela era linda.
— Pois bem — disse Hayley, entregando-lhe a tigela posteriormente. — Como não sabemos como anda seu organismo, fizemos uma simples sopa de grãos. Deve matar sua fome. Está com fome, soldado?
Joshua assentiu com a cabeça, segurando a tigela e tomando friamente a primeira colherada. De fato, não era a sopa mais gostosa que ele já tomara, mas acalmava seu estômago que se revirava de fome.
 — Isso é ótimo — disse ela novamente, tomando o gesto de Joshua como um sim. — É mais do que ótimo.
O soldado encarou a moça, vendo os olhos dela brilharem, sem entender o motivo.
— Por quê? — perguntou ele, então. Viu Hayley sorrir abertamente.
— Josh, você está bem — disse ela, sorrindo. — Dormiu por três dias seguidos desde a última vez que conversamos. Não sente mais dor, está comendo bem, está bebendo água. Olhe para você mesmo. Está mais corado, mais disposto, mais forte. Está sorrindo. E, pelo que vejo... — lentamente, as mãos macias de Hayley tocaram a testa de Joshua, afastando o cabelo liso — ...você não está mais com febre. Você... curou-se, Josh. Você conseguiu curar-se.
Lentamente, Joshua foi entendendo todos os motivos. Sim, era verdade, ele se sentia imensuravelmente melhor. Seria capaz de sair andando calmamente se quisesse, sentia fome, não se sentia tão fraco, podia ver que engordara — mesmo que ela houvesse lhe dito que ele dormira por três dias seguidos. Não sentia mais frio, ou dor. Na realidade, nem sequer se sentia angustiado.
Sua cura não havia sido apenas física, mas também emocional. Joshua soube, então, que não conseguira curar-se. Ela o havia feito.
Ela o salvara.
— Josh — ecoou ele, com um sorriso no rosto, sem encará-la. — Apenas meu pai costumava chamar-me pelo apelido. — Hayley levou as mãos à boca, como se achasse ter feito uma besteira. Abriu a boca para desculpar-se, Joshua sabia, mas ele fez questão de interrompê-la: — Posso dizer-lhe, senhorita, que não fui eu que me curei. Se estou curado da doença maligna, a culpa é sua. Você curou-me. Posso me lembrar. Você é minha cura — ele encarou-a veemente, notando que ela não sabia o que fazer ou dizer. — Você me prometeu que eu ficaria bem, e fiquei — Joshua lembrou-a, de modo que um sorriso mínimo nascesse no rosto da mulher. — E, por favor, chame-me de Josh. Adoro meu apelido quando são pronunciados pelos seus lábios.
O rosto de Hayley conseguia ser ainda mais lindo quando claramente ela não sabia o que dizer, e corava. Sua respiração ficara mais aparente, e foi então que Joshua sentiu uma grande vontade de tocá-la. Tudo nela era tão perfeito e angelical que ele queria tê-la junto a ele, sempre.
— Céus! — exclamou ela de repente, deixando-se levar por uma risada nervosa. Seu rosto conseguiu ficar ainda mais corado, de modo que Joshua sorriu também, sem entender seu súbito comportamento. — Detesto isso!
— O quê? — ele pegou-se perguntando, sem retirar o sorriso do rosto. Hayley, por sua vez, aliviou o seu para o olhar no fundo dos olhos dele.
— Essa sensação de que... — ela fechou os olhos por um segundo, procurando as palavras certas para terminar sua frase — essa sensação de que já conheço você. Ou de que, por algum motivo, deveria conhecer você.
Josh sorriu com a declaração.
— Sinto o mesmo — disse ele, preferindo inibir a vontade de dizer-lhe que sentia muito mais. Sentia como se ela fosse sua salvação, sua razão para viver, o anjo que Deus enviara para sua vida.
— Não sei o que fazer — declarou ela mais uma vez, olhando para baixo e encolhendo os ombros. — Nesses últimos dias, em que você esteve dormindo, só te acordávamos para alimentar-te e dar-te de beber. E mesmo que estivesse ainda meio inconsciente, você sempre pedia por mim. Você não se lembra disso, lembra-se, Josh?
Em verdade, Josh negou com a cabeça. Tudo o que lembrava-se era da primeira vez que a viu e de sonhos em que seu rosto era o ponto principal. Fatidicamente, não lembrava-se de pedir por Hayley quando supostamente era acordado.
— Não sei o que fazer — repetiu ela, novamente, encolhendo os ombros e dando um sorriso sem humor. Parecia em conflito consigo mesma, por algum motivo que Joshua não sabia dizer, mas precisou levar sua mão à dela. Apertou-a delicadamente, fazendo-a olhá-lo nos olhos. Um calor subiu pelos seus braços até inundar todo o seu corpo.
— Fique comigo — implorou ele, dando-lhe também uma contrapartida à sua declaração desesperada. Hayley encarou-o, surpresa, antes de esboçar um sorriso mínimo e apertar sua mão de volta.
— Tenho outros doentes para cuidar — sussurrou ela, quase imperceptivelmente.
— Precisa cuidar de mim primeiro.
— Você já está bem — contrapôs ela, encarando-o furtivamente.
Joshua esboçou um sorriso quase sapeca.
— Não, não estou — disse ele, dando ombros. — Não consigo alimentar-me sozinho.



[...]




— Não consigo acreditar. Tem certeza de suas fontes, Howard?
O soldado esboçou um largo sorriso sincero após retirar o cigarro dos lábios.
— Sim, Senhor. Eu mesmo o vi — afirmou ele, puxando mais uma tragada para os pulmões e soltando a fumaça no ar. O prazer do cigarro já se apoderava dele com toda a voracidade, sobretudo quando havia mais de três dias que Jonathan Howard não sabia o que era fumar. Assim como muitos outros soldados, ele tinha que contar com a sorte para satisfazer algumas de suas paixões. — Também não acreditava, e não pude deixar de vê-lo. É como um milagre. Ele está corado, forte. Até mesmo come bem.
Incomodado com a fumaça do cigarro de um de seus melhores artilheiros de tanques de guerra, o Sargento Davis tossiu fraco. Não entendia como seus homens deixavam-se vencer pelos vícios jovens, mas não era isso que agora o deixava pasmo.
Howard havia acabado de contar-lhe nada menos que um milagre. Farro se curara da doença tropical, aparentemente sem nenhuma droga ou cuidado especial. Curara-se sozinho.
Era inacreditável.
Davis deixou-se dar uma risada despreocupada, quase feliz, e coçou sua barba loura. De todos os soldados que estava perdendo para a doença, Farro era de longe o mais valioso. Eminente, forte, destemido, útil, e tinha profunda habilidade e parceria com suas armas. Sua habilidade bélica era invejável, provavelmente adquirida ao longo da vida com o pai.
— Não poderia me dar notícia melhor, Howard — disse o sargento, recostando-se em sua cadeira empoleirada. A sala de Jeremy não era muito melhor do que o dormitório dos soldados, na realidade. Apenas um lugar separado para que ele pudesse tomar decisões importantes e fazer reuniões com os homens em que mais confiava e os demais sargentos responsáveis pela operação. O lugar era rústico, erguido em lonas verdes e finas tábuas de madeira, e tinha como iluminação apenas a luz do sol que entrava pela fresta na lona que era o teto, ou se fosse necessário, as duas lamparinas que se encontravam na mesa de Jeremy. Não tinha cheiro, assim como tudo naquele lugar quente e seco. Uma das maiores saudades do sargento era poder sentir o nariz gelado numa manhã de inverno, ou o cheiro da terra molhada numa chuva de outono.
Naquele lugar não havia estações do ano. Era sempre verão.
— Estão dizendo que Joshua se curou por que não estava doente de fato, mas eu discordo, Senhor — Jon jogou mais um bocado de fumaça no ar e segurou o pito entre os dedos, encarando seu sargento com os olhos verdes e tranquilos. — Cheguei a vê-lo definhar, e posso garantir, ele estava tão moribundo quanto os demais homens. Receio que a súbita cura dele se deu a sua vontade de vingar o pai. Joshua precisa lutar.
Jeremy coçou sua barba, refletindo as palavras de seu artilheiro e amigo. De certa forma, até mesmo fazia sentido que Farro curasse a si mesmo pela sede vingança e luta. Uma das coisas que o pai do sargento sempre dizia era que a doença só pega um homem se ele se entregar a ela.
Talvez Farro fosse a prova viva das filosofias do pai de Jeremy.
— Temo que a cura de Joshua tenha se dado por isso — disse o sargento, ainda pensativo. — A vingança pode fazer um bom soldado, mas faz um mau homem.
— Uma verdade dita — concordou Howard. — Muitos soldados que aqui estão alistados querem vingança por suas famílias ou seu país, Senhor. É uma realidade.
Davis assentiu com a cabeça, concordando tristemente.
— Mal posso esperar para que esse pesadelo acabe — confessou ele para o artilheiro. Suspirou, sabendo que o dia seria longo e que teria muito trabalho pela frente. — Eu agradeço a consideração em vir me contar as boas novas, meu caro. Vou até a enfermaria para ver Farro assim que me for possível.
— Sim, Senhor — disse Howard, dando uma última tragada em seu cigarro. Uma pequena continência, logo o artilheiro estava fora da tenda do sargento, e precisou apertar os olhos para não cegar-se com o sol escaldante que fazia naquela manhã. Como sempre, viu poeira subindo enquanto um pelotão inglês partia escoltado de três tanques. Jon suspirou, sabendo que logo mais era ele que estaria em um daqueles tanques, manejando seus canhões, correndo risco de vida.
Howard detestava aquela guerra e mal podia esperar para tudo acabar. Quando decidiu que se alistaria, meses atrás, pensou que seria uma maneira de ganhar um dinheiro fácil e ter alguma emoção na vida. Não sabia o quanto estava enganado. Não sabia no que estava se metendo. Gostaria de voltar para New Jersey, aconselhar seus amigos a não se alistarem jamais, abraçar seus pais e sua irmã mais nova. Gostaria de não estar ali, com a garganta seca, sentindo a pele suar sob o sol escaldante do norte da África. Gostaria de não ter o perigo da morte a todo segundo. Gostaria de não estar nessa guerra.
Provavelmente, porém, Jonathan era um dos poucos que pensavam assim. Em seu dormitório, havia o mais variado grupo de homens brutos e patriotas, que não se importavam em dar suas vidas pelo país e passavam quase toda a noite falando bobagens, jogando cartas e dividindo cigarros. No dia seguinte, saíam pela linha de frente até o campo de batalha, armados, em bandos, e sentiam prazer em atirar nos soldados alemães e matá-los friamente. Sem se dar conta de que, mesmo nazistas, muito provavelmente aqueles homens tinham uma família para sustentar.
Hipócrita. Howard cuspiu no chão, enojado de si mesmo, enquanto fazia novamente o caminho até enfermaria. Quando se alistou, após o ataque em Pearl Harbor, achou estar fazendo o certo. Cem dólares no bolso, uma vida de glória por lutar na guerra contra os homens que queriam o definho da América. Estava tão errado. Fizera tantos amigos e os vira morrer, deixando mulher e filhos sozinhos em suas casas. Estava matando. Todo dia. Acabava com centenas de famílias toda vez que mirava seu canhão e gritava fogo. Destruía vidas.
E isso era apenas tão errado para ele. Por que, então, todos o ensinavam como se fosse o certo?
— Ei, amigo! — Jon suspirou e abriu um sorriso, reconhecendo de imediato a voz de York. Virou-se, encontrando o homem com seu chapéu bege virado para o lado e um sorriso no canto dos lábios. Taylor devia ser o único fuzileiro naval no mundo inteiro que conseguia manter-se sempre de alto astral. Era um milagre que não estivesse carregando seu violão velho, encordoado em nylon. — Está indo ver o Farro?
Howard esperou Taylor chegar até ele, em passos rápidos, para apertar sua mão.
— Estou, sim — disse o artilheiro. — Vi-o na tarde anterior, mas não pudemos conversar bem. Pensei em visitá-lo agora, antes de deitar-me um pouco.
— Sairemos em poucas horas — Taylor colocou uma mão no quadril, respirando fundo o ar seco africano. Howard sabia que o rapaz também não era um fã das guerras, mas Taylor tinha seus próprios motivos para estar lutando. Era pelo menos dois anos mais velho que Jon, de vinte e um anos. — Pretendia ver Joshua também. Algo não está certo nessa súbita cura de nosso amigo. Além disso, ainda não tive a oportunidade de visitá-lo.
Jon conhecia aquele sorriso de canto de Taylor. Provavelmente já chegara aos seus ouvidos que Farro havia sido curado por uma moça. Honestamente, Jonathan não acreditava que Joshua havia curado a si mesmo por ter apaixonado-se por uma das moças enfermeiras, mas sabia que Taylor acreditava mais no amor do que em qualquer outra coisa. Notava-se facilmente pelas músicas que ele costumava tocar em seu violão, durante a noite.
— Pois então vamos juntos — disse Howard, já com um sorriso estampado em seu rosto, pondo-se a andar na direção da enfermaria. Havia alguma coisa no astral de Taylor que conseguia contagiá-lo. Contagiava a todos.
Jon gostaria de ser assim. Talvez não se sentisse tão mal por estar na guerra se o fosse.
— Ouviu os boatos? Dizem que Joshua se curou por que apaixonou-se por uma das enfermeiras — Taylor pôs-se a falar, e Jonathan sorriu e assentiu com a cabeça. Ora, os boatos sobre a cura de Joshua era o novo assunto ápice da conversa dos soldados. Sinceramente, eles podiam tudo inventar.
— Ouvi boatos de que ele sequer estava doente, ou de que o espírito do pai curou-o para que ele pudesse vingá-lo — Howard comentou, fazendo que não com a cabeça. — Não se pode acreditar em tudo o que esses homens dizem, Taylor. Boatos são boatos.
York sorriu.
— Um dos homens está enamorado de uma enfermeira também, e ela lhe disse que Joshua costuma chamar a tal moça de anjo — disse ele, com o tom de voz convencido. Howard sorriu. O amigo definitivamente acreditava naquela história.
Bem, nada melhor que um pouco de magia para uma terra tão desprovida de boas emoções.
— Não me parece do feitio de Joshua — disse Howard, entretanto. Ora, ele bem conhecia Farro, e sabia que ele era um homem fechado e puramente vidrado em suas batalhas. Quase nunca o vira sorrir. Apenas quando Taylor conseguia fazer uma piada verdadeiramente boa.
— Homens podem mudar por amor, meu caro — contrapôs o fuzileiro. — Sou um exemplo vivo disso. Toda a felicidade que tenho dentro do peito é por minha amada e minha linda filha. Antes disso, acha que eu era como sou hoje? Era apenas um molecote.
Howard sorriu. Honestamente, ainda via Taylor como um molecote.
— Não discordo disso, mas você há de concordar que as histórias chegam distorcidas aos nossos ouvidos. A cada boca, uma nova versão — disse ele, consciente de que mesmo soldados podem deixar-se levar pelo espírito da fofoca. Sobretudo em uma situação como essa.
— Acho que teremos de escutar as palavras de nosso querido Farro.
— É a única maneira para que eu acredite em uma história como essa.
Com sorrisos nos rostos, os soldados seguiram paralelamente durante mais alguns minutos até estarem novamente na enfermaria. A posição do sol denunciava que faltava no máximo uma hora para o meio-dia. Assim que o pelotão inglês voltasse, outros homens partiriam para a luta quase interminável, e dentre eles, Taylor e Jonathan. Porém agora suas mentes estavam ocupadas com o estado de Farro.
Logo foi avistada a tenda que era uma das enfermarias, pouco maior que as demais tendas comuns. Era possível escutar o lamento dos doentes e machucados que recebiam os cuidados precários das enfermeiras ou apenas esperavam a hora de sua morte. Tanto Jonathan quanto Taylor, e todos os demais soldados, sabiam da existência da grande vala situada a alguns metros das tendas. Foi cavada assim que a operação começou e lá eram jogados todos os corpos dos soldados que morriam nas enfermarias. Quando Joshua contraiu a doença, poucas semanas antes, aterrorizou a Taylor e Jon saber que seu corpo estaria amontoado em meio a tantos outros, enquanto sua alma frustrada sofria por não vingar o pai.
Agora, milagrosamente, ele estava curado. Curou-se de uma doença que nenhum outro soldado conseguira escapar anteriormente, aparentemente sem nenhuma droga, nenhum tratamento, nenhuma ciência. Todos comentavam esse fato compreensivamente, uma vez que a cura de Joshua queria dizer que os outros soldados também poderiam se curar. E curados, poderiam lutar.
— Odeio esse lugar — Jon escutou a voz de Taylor comentar assim que eles chegaram perto da enfermaria em que Joshua estaria. Ele saíra da outra tenda, de moribundos apenas pela doença tropical, e agora estava em uma tenda onde ficavam apenas os homens que tinham ferimentos mais leves. Ou que estavam ficando loucos.
Infelizmente, acontecia com frequência. Às vezes o psicológico dos soldados era menor do que a maldade e frieza que os cercava.
— Eu também — Howard pegou-se concordando quando passou pelas macas, homens lamentando, enfermeiras tentando alimentá-los. A tenda cheirava a doença. O sofrimento era tão forte que parecia engoli-lo aos poucos, eminente, prepotente. O homem engoliu em seco algumas vezes, desejando não estar ali.
— Sabe onde está Joshua?
— Sim, sei — Jon apontou para o fim da tenda. — Logo ali. Vamos.
Seguiram, ambos incomodados, até o fim da tenda que parecia maior do que todas as outras. Howard notou que mesmo Taylor retirara seu sorriso do rosto, e isso apenas acontecia quando o amigo estava enfiado em uma trincheira, portando uma arma, fazendo o que mais detestava na vida.
Mesmo que, lá no fundo, Howard achasse que Taylor nunca atirara para matar.
Ao chegar à precária maca de Joshua, Howard suspirou em reprovação ao ver que o amigo dormia tranquilamente. Parecia não ter nenhuma preocupação ou medo, descansando como se estivesse em sua própria casa, mais do que calmamente. Jon nunca vira ninguém dormir dessa maneira desde que entrara na guerra.
— Parece corado — Taylor comentou. — Mais forte do que da última vez que o vi. Realmente se curou.
Jon assentiu com a cabeça.
— Sim, ele está bem — disse ele. — Me confessou ontem, no pouco tempo que conversamos, que não aguenta mais ficar nessa maca. Está maluco para voltar à atividade.
— Me parece uma atitude digna de Joshua — uma sombra de sorriso passou pelo rosto de Taylor. Jonathan engoliu em seco mais uma vez, o gosto do cigarro na boca, uma vontade indefinível de ingerir alguma cafeína tomando-se por sua garganta. Tossiu fraco, sabendo que Taylor aproximara-se do soldado adormecido por que estava pronto para acordá-lo.
— Com licença, Soldados — uma voz doce ecoou, fazendo-os parar. — O Soldado Farro precisa de descanso, não podem acordá-lo.
Taylor e Jonathan viraram-se abruptamente, dando-se com a figura de uma mulher que trajava o uniforme de enfermeira. Cabelos louros, olhos verdes, rosto que apesar de tudo demonstrava autoridade. Mesmo que não fosse alta, os rapazes poderiam dizer que ela tinha minimamente dezenove anos.
— Ele estava muito bem ontem à noite, quando vim visitá-lo — Howard contrapôs a ordem da enfermeira, decidido a falar com Joshua antes de partir. Taylor muito provavelmente não aceitaria um não como resposta, também.
— Ainda está em observação, por isso, precisa descansar — a mulher encarou-os, como se estivesse dando a última palavra. Taylor suspirou.
— Só gostaríamos de falar com ele pouco antes de partimos para a batalha — disse o mais velho, já com o sorriso de volta ao rosto.
— Não vai ser possível — disse ela, novamente, inalcançável, inabalável. — Voltem mais tardiamente, quando ele estiver acordado.
— Tudo bem — Taylor respirou fundo, fingindo-se dar por vencido. — Voltaremos mais tarde, caso sobrevivamos ao duro e cruel ataque alemão — lamentou-se ele.
Jonathan quase sorriu ao notar que a mulher deixara seus lábios se curvarem, segurando a vontade de dar uma risada.
— Bela tentativa, soldado — disse ela, já sorrindo. Taylor deu de ombros, como se dissesse que precisava tentar. — Aviso a Joshua que os soldados...
— Howard e York — disse Jon, completando a frase da moça.
— Howard e York — repetiu ela. — Digo a ele que os soldados passaram para vê-lo. Muito provavelmente Josh não ficará mais do que alguns dias aqui.
Jon e Taylor se encararam por um segundo, tendo certeza de que a enfermeira dissera mesmo o apelido do soldado Farro. Ela realmente dissera, não dissera? O sorriso de Taylor deu toda a certeza que Jonathan precisava.
— Tudo bem, muito obrigado, enfermeira...
— Hayley.
— Hayley — Taylor repetiu o nome da moça, e Jonathan teve certeza de que o amigo se convencera de que se existia um “anjo”, ali estava ele.










oooooooi :3

Curtiram? Mereço comentário?
Para quem ficou confuso sobre o Soldado Howard e não se lembra de onde ele vem, ELE NÃO É UM PERSONAGEM ORIGINAL. Acontece que eu sempre quis enfiar o Jon em alguma história e BAAAM OPORTUNIDADE SURGIU. Enfim.
Jon Howard é o guitarrista de turnê da Paramore. Aqui, artilheiro de tanque de guerra. BEIJOS PROS QUE NÃO SABIAM QUE PRECISA-SE DE PELO MENOS TRÊS PESSOAS PRA QUE UM TANQUE DE GUERRA ANDE. 
#CoisasQueAprendoEstudandoParaEscreverRenascer
Acho que se o governo revisasse meu histórico eu seria presa ou stuff.
Novamente, preciso dizer o quão... o quão... putz, o quão... incrível é escrever Joshay nessa fic? Eu quero morrer de fofura quando invento essas coisas. Por favor ;-; tão apx, tão apx <3 Eles têm uma ligação tão... ai. Ai, Sarah. Por favor, Sarah. Ai, ai, Sarah. 
Gente, cês viram o trailerzinho que eu fiz? *U* Eu já to com esse projeto há milênios, etc, mas só ontem tive a paciencia de juntar tudo de verdade. A qualidade ficou péssima, so sorry, por que VOCÊS SABEM O QUANTO É DIFÍCIL FAZER FIC TRAILER DE BANDAS, PUTA QUE PARIU? PRO INFERNO! JOSH QUANDO APARECE NOS VÍDEOS, OU TÁ COM POKERFACE OU FAZENDO PALHAÇADA. HAYLES APENAS SORRINDO/DANÇANDO/BRINCANDO/JOGANDO/PESCANDO. CARAMBA. ELES NUNCA FICAM TRISTES????????????????????
Se ficam, nunca filmam. Plmdds. 
Enfim, eu fiz, se vocês quiserem dar uma olhadinha vai ser +qd+. Se quiserem compartilhar pros amg vai ser +qd+ tb <3 


E, ah! Sigam o blog no twitter: @contextuando
Acho que é isso. Comentem pra mim?
Muito amor,
Sarinha <3 



14 de dez. de 2012

Capítulo 1

▒ Well, this is a promise. 



Oi! Estamos aqui, agora, e vocês estão prestes a ler uma coisa extremamente boba. Anyway, o que seria da vida sem a bobeira?
POASKPAOSKAPSOK vamos lá. Sex and Stuff, na tradução literal, é algo como "sexo e essas coisas". O "stuff" no inglês dá uma ideia de que é vago, de que segue, de que não é tão importante. Portanto, aí está a alma do título da fic. Apesar dos personagens transarem de vez enquanto, a ideia é que isso não tenha assim tanta importancia e não influam na vida deles.
TÁ, VCS SABEM QUE ELES VÃO SER AMIGUINHOS COLORIDOS, mas não esperem que isso acontecerá aqui nesse chap. Assim, tipo, eu sou bem apressada e não tenho problemas pra esperar, mas é necessário arrumar a bagunça. Mesmo sem hentai, garanto um capítulo gostoso de ler.
Que mais? Bem, eu inspirei parte dessa fic nos filmes "Ele Não Está Tão A Fim De Você" e "Amizade Colorida", portanto, se vocês acharem alguma coisinha parecida com eles, não me julguem. Claro que não vai ter nada plágio, mas eles são uma inspiração, parte da base. Conseguem entender?
Acho que no básico é isso. Boa leitura *U*





“Maldita dopamina”, ela pensou ao mesmo tempo em que as palavras “a desgraça da minha cerveja vai esquentar” passaram pela mente dele. Sem que percebessem, ambos deixaram-se suspirar, irritados pela demora na fila e pelo rumo que suas vidas amorosas haviam tomado.
Ora, quem nunca teve o coração partido? Todos os indivíduos que aguardavam impacientemente sua vez de pagar as mercadorias naquela fila de supermercado, algum dia, ficaram dizimados e estraçalhados por esse sentimento infeliz e inescrupuloso chamado amor. A diferença dessas pessoas para Zachary Farro e Dalilah White era, simplesmente, que suas decepções não eram tão recentes.
 — Mas que porcaria de fila que não anda! — nosso principal, Zac, gritou, sem saber que seu cérebro liberava adrenalina em suas veias para que ele pudesse ficar irritado. Com o peito arfando e pensamentos impacientes correndo a mente, o homem não estava se importando se seria um pé no saco.
Sua ex-namorada estava transando com seu chefe após uma semana do término e ele ainda tinha que pegar uma fila quilométrica de supermercado para pagar umas porcarias de cervejas! Tudo não estava ruim o suficiente?
— Só por que meu dia estava ótimo — bufou Dalilah, enfiada em seu moletom cinza de Harvard — uma das boas lembranças que tinha da faculdade de Estudos Literários —, o cabelo castanho claro amarrado em um rabo de cavalo malfeito por que ela tivera preguiça de pentear, os olhos castanhos-sem-graça sem uma gota de lápis de olho, que geralmente lhe dava um ar menos adolescente. Mesmo aos vinte e três anos, ela ainda escutava frases como “achei que você tinha dezesseis!”.
Imbecis cegos. Eram ótimos para dizer que ela tinha dez anos a menos do que o normal, ou analisá-la de pé a cabeça e dizer belas orações como: “você engordou”. Ela revirou os olhos. Que se dane a dieta. Depois do que passara, ela enfrentaria a fila quilométrica e comeria as porcarias de suas barras de chocolate enquanto via pela milésima vez as adaptações dos romances de Nicholas Sparks ou O Morro dos Ventos Uivantes do ano de 1939. Na opinião de Lila, a melhor das adaptações do clássico.
— Só o seu, por que o meu ‘tá uma merda — Zac disse para a garota a sua frente, que carregava uma cestinha azul com sorvete de creme e umas cinco barras de Hersheys.
Dalilah precisou revirar os olhos. Estava cercada de idiotas.
— Foi ironia — murmurou ela, querendo sentar aquele homem esquisito em sua sala de aula e explicar-lhe todas as figuras de linguagem que existiam. Que ser não conseguia entender sarcasmo?
Zac, por sua vez, pensou em responder, mas decidiu ignorar e dirigir um dar de ombros para a mulher, embora ela estivesse a sua frente. Preocupou-se com suas Heinekens e passou a ponta dos dedos lentamente pela primeira garrafa, que já entrara em processo de condensação. O calor de seus dedos deixou uma marca na garrafa e ele notou que ela já não estava suficientemente gelada.
Dor de cotovelo e cerveja quente. Que beleza. Agora só faltava o filme pornô de péssima qualidade.
— Vamos andar logo com isso aí, por favor! Eu ‘tô com pressa! — gritou ele de novo, irritado e ferido. Escutou um punhado de palavrões das pessoas que esperavam na fila assim como ele. Pôde ver o caixa revirando os olhos.
— Talvez se você calasse a boca, a fila andasse mais rápido — disse novamente a garota a sua frente, provocando-o. Zac abriu a boca em indignação.
— Talvez se você cuidasse da sua vida, seu dia passaria de ótimo a maravilhoso! — retrucou ele, fazendo a garota virar-se e encará-lo como se ele houvesse acabado de xingar sua mãe de vadia.
— Ah, mas meu dia com certeza passaria de ótimo a maravilhoso se você não estivesse aqui! — contrapôs ela, a voz entoada com toda a ironia que tinha dentro de si.
Claro que tudo o que Dalilah precisava para hoje era uma discussão com um homem. Quer saber? Ótimo. Ela estava querendo mandar alguém à merda mesmo.
— Consigo notar pela sua compra. O que tem para hoje além de sorvete e chocolate? Filme romântico imbecil e choro compulsivo por que seu príncipe encantado não te quer?
Oh, agora ele havia tocado em um ponto delicado. Dalilah sentiu o sangue ser substituído por ácido nas veias, queimando seu corpo de um modo imensurável. Quase desejou em voz alta que aquele homem fosse tomar naquele lugar.
— Parabéns pelo palpite. Mas e você? O que será que tem para hoje além de encher a cara de cerveja? Filme pornô com a versão vadia da sua ex-namorada e diversãozinha com a sua mão?
Zac desfez o meio sorriso que anteriormente pairava em seu rosto. Mas que filha da mãe! O que aquela mulher pensava que era para falar com ele daquele jeito? Mal o conhecia! Desgraçada!
— Oh, baby, me desculpe se magoei seus sentimentos. Sei que as mulheres carentes têm uma necessidade esquisita de inibir a falta de sexo com carboidratos — disse ele, dando ombros, não ligando para os risinhos que três senhoras deixavam-se dar enquanto prestigiavam a discussão em primeira mão. Antes que a mulher voltasse a falar alguma coisa, Zac bufou: — Essa desgraça de fila não vai andar?! Eu vou ter que sair correndo sem pagar!
Mas ao invés de fulminá-lo com os olhos ou xingá-lo de todos os palavrões existentes, Zac viu a mulher dar uma risada gostosa.
— Sabe, você podia ser menos escandaloso. Mulheres não gostam de homens que chamam mais atenção que elas próprias.
Zac também deixou-se rir.
— E homens não gostam de mulheres gordas.
O.K. Agora ele estava oficialmente morto.
— Antes gorda do que com cirrose — ela fulminou-o com os olhos, desejando mais do que nunca ter visão de raio laser e fritar a testa daquele maldito homem idiota.



[...]


— Isso é interessante. Estranho, porém, interessante.
— É gostoso.
— É... peculiar.
— Para de falar difícil.
Dalilah sorriu, deslizando a língua pelos lábios enquanto o sabor de cevada, chocolate e baunilha dominavam seu paladar. A brincadeira já estava deixando-a tonta, mas a estranha mistura era peculiarmente deliciosa. Não queria parar.
— Estou na minha casa — contrapôs ela, focando sua atenção no Zac Efron que aparecia lindamente na sua tevê antiga de vinte e nove polegadas —, posso falar o que bem quiser.
— Alguém já te disse que você é uma chata?
— Você. Umas oito mil vezes — ela segurou o pote de sorvete de creme, colocou meio pedacinho de Hersheys e enfiou na boca, regando tudo com um gole quente de Heineken. Zac Efron gritava e nadava. Para ela, Logan estava salvando o pequeno Ben, filho de Beth. Para ele, o cara do High School Musical milagrosamente não estava jogando basquete.
— Só estou aqui há duas horas e meia. Não tive tempo para te chamar de chata oito mil vezes — disse ele, enfiando uma colher de sorvete na boca e regando-a a cerveja, como Dalilah fazia. — Não por falta de oportunidade, é claro.
Dalilah revirou os olhos. Não entendia como conseguia aturar a presença de Zac (não o Efron) ali ao lado dela, falando o filme inteiro. Ela iria ter de romper o trato, desse jeito.
— Cale a boca, vamos ver o resto — disse ela, terminando sua Heineken e levantando-se de seu sofá cama para colocar a garrafa na mesa de centro, já abarrotada de porcarias. — Está quase no fim.
Zac revirou os olhos, como se estivesse morrendo de tédio.
— Quantas vezes você já viu esse filme, pelo amor de Deus? — perguntou ele, recostando-se o máximo que podia no sofá cama de Dalilah. Arrependeu-se de tê-lo feito, pois sua cabeça bateu justamente na parte não acolchoada do móvel. A madeira dura fez sua cabeça doer com vontade.
— Nenhuma. Li o livro — disse ela, tranquilamente. — Tecnicamente, o cachorro deveria estar aí. Mas o livro é sempre melhor que o filme. É muito difícil adaptar uma obra para o cinema por que o tempo disponibilizado é de apenas um minuto por página.
Zac assentiu com a cabeça, mas na realidade não ouvira uma palavra.
— Muito interessante — disse ele, bocejando.
Lila revirou os olhos para Zac, enquanto tentava abrir a todo custo uma nova garrafa de Heineken. Tecnicamente, estava indo muito contra sua dieta, comendo porcarias e entupindo-se de álcool em seguida. Mas não se importava, não hoje. Não naquela hora.
Não depois do que passara essa tarde.
Ela suspirou, o filme passando a sua frente, ignorando os comentários de Zac sobre sua total falta de capacidade de abrir uma garrafa de cerveja. A Heineken foi arrancada de suas mãos e um segundo depois voltou aberta para elas.
— Você não pode usar os dentes para abrir uma garrafa — alertou Dalilah para Zac, fazendo-o rir enquanto tomava metade de uma garrafa em um só gole. — Vai quebrá-los.
— Você tem que parar de se preocupar com coisas pequenas — disse Zac, mais do que entediado.
— Cala a boca e assita o filme.
— Você que começou a falar! — Zac protestou, sem entender aquela mulher. Sem entender por que ela entupira a mesa de centro com protetores de copo para não marcar. Sem entender a graça que ela via naquele filme idiota. Sem entender como ela, sendo inteligente pra caramba, conseguia deixar-se enganar por um cara qualquer. Sem entender, sobretudo, por que gostava dela!
Ao vê-la na fila do supermercado, Zac jurou que fosse odiá-la para sempre, mas Dalilah se mostrou mais legal do que qualquer amigo que ele já teve — mesmo que ele a tenha chamado de gorda. Quer dizer, Zac sabia por experiência própria que uma mulher prefere ser chamada de qualquer coisa — qualquer coisa — ao ser chamada de gorda. Sabia bem que esse era o Calcanhar de Aquiles de qualquer garota, e usara isso a favor dele na discussão.
Mas quando Zac finalmente conseguiu pagar sua cerveja e andou impacientemente até a sua porcaria de carro, descobriu que seus pneus estavam furados. Todos os quatro. E a mesma faca que os cortara, fizera um lindo risco na lateral.
Vândalos malditos.
A questão é que seu carro não era o único a ter sido vandalizado. Além de seu Ford azul horroroso, Zac pôde ver mais um carro com os vidros quebrados, lataria arranhada e os pneus murchos. Um Chevrolet Cabriolet antigo, vermelho e sujo, e uma mulher tão desesperada quanto ele.
Foi a primeira vez que viu Dalilah xingar de verdade. Suspeitava que seria a última.
Zac já sabia onde teria sido seu erro. É claro que devia ter pago os dois dólares para o menino que se oferecera para olhar o carro, mas, oras, ele nunca confiara nisso! Quer dizer, se aparecesse um bandido armado tentando roubar o carro, o que um adolescente de treze anos conseguiria fazer além de sair correndo com as moedas no bolso?
Ferrar os carros dos pães-duros. Muito justo. Moleques filhos de uma vaca.
Dalilah quase perdera a cabeça, e ambos estavam tão cheios de raiva que, de um jeito estranho, apoiaram-se um no outro para xingar os adolescentes que haviam estragado seus carros. Ligaram para o guincho, sentaram-se na calçada, e quando Zac deu por si já estava contando sua vida a ela. Mesmo sendo a garota mais chata que Zac já conhecera... gostara dela.
Sabia que ela se tornaria sua amiga mesmo antes do guincho chegar e levar ambos os carros. Quando isso aconteceu, ambos já estavam a par de suas péssimas vidas amorosas. Nesse mesmo dia, tanto Zac quando Dalilah tiveram o coração estraçalhado, embora no caso dela isso já estivesse acontecendo há um tempo. Não queriam ficar sozinhos, curtindo suas dores. Por isso fizeram um trato de juntar os planos para a noite.
Um filme meloso, um filme pornográfico. Sorvete e chocolate, cerveja. Manter-se acordado até tarde, falar bobagens, quebrar umas regras. Só para não ficar na fossa.
— Ok — ela disse, segurando o controle do DVD —, acabou.
Zac coçou o queixo, ainda digerindo aquele filme nada a ver.
— Mano! — ele exclamou, visivelmente irritado, fazendo Dalilah revirar os olhos. Já esperava sua crítica. — O cara acabou de morrer e eles decidem se agarrar, assim? Cadê as condolências? E, fala sério, por que o cara tinha que morrer? Ele era o que deixava o filme interessante.
Dalilah revirou os olhos mais uma vez.
— Tudo bem, o final não foi bem articulado. O livro é diferente. Mas, pelo amor de Deus, Zac, isso é uma adaptação do Nicholas Sparks. Alguém tem que morrer — disse ela, séria, como se estivesse defendendo o ideal mais importante do mundo.
— E daí? O que esse cara sabe?
— O suficiente para vender doze milhões de cópias de um romance — Dalilah dispensou o sorvete e deu um gole da cerveja, fazendo uma careta em seguida. Urgh. Amargo demais.
— É por isso que ele é rico, vocês não entendem? — Zac virou-se para ela, encarando-a. Lila sabia que com “vocês” ele queria dizer “toda a raça feminina”. — Ele escreve o que vocês querem ler. Escreve de acordo com o mercado, entende? Mulheres gostam de chorar, e de homens perfeitos e completamente fieis, devotos, inteligentes, eficientes e gostosões, de preferência que já atuaram em uma modinha adolescente! Elas querem acreditar que vai aparecer um cara desses para elas. E por isso compram essas porcarias.
Dalilah fulminou-o com os olhos, pronta para virar sua mão no rosto de Zac.
Nunca — disse ela, devagar — insulte as obras de Sparks na minha frente.
— Ah, Lila, por favor! — Zac começou a se mexer, inquietamente. — Aquilo não existe! Entendeu? Não existe. Eu passei a minha vida inteira cercado de homens, e de todos os meus amigos, eu nunca vi um único que fosse ao menos parecido com o protagonista desse filme idiota. Você tem que tirar essa imagem da sua cabeça. Homens perfeitos não existem.
Dalilah suspirou, mais um gole de cerveja rasgando sua garganta em seguida.
— Ou se existem, são casados — lamentou automaticamente, já se arrependendo imediatamente. A imagem de Anthony se fez em sua cabeça, inevitavelmente, e ela precisou abaixar os olhos para não começar a chorar mais uma vez.
Não existem — disse Zac. — Se esse professorzinho de história fosse perfeito, Lila, não teria levado o caso com você adiante. Por que isso já o faz imperfeito para a esposa dele, não acha?
Ela sabia que Zac tinha razão. Sabia que todo mundo tinha razão. Evidentemente, deveria ter sido forte e fugido desde o início. Mas estava apaixonada por Anthony e não conseguiu controlar a si mesma. Deixou-se levar, logo ela, Dalilah White, que tantas vezes discutira com sua irmã sobre o mesmo erro. Foi a outra do relacionamento, mesmo sabendo que Anthony tinha esposa e até mesmo um filho pequeno.
Detestava-se por seu coração imbecil. Ao menos, agora, tudo estava resolvido — mesmo que da maneira difícil. Tony terminara tudo, sua esposa descobrira. Demitira-se do emprego, e Dalilah também pensava em fazer o mesmo; num colégio de Ensino Médio, a fofoca correria mais rápido do que a cola no meio da prova de matemática.
Aos vinte e três anos, Lila era uma recém-formada de Harvard, gastava mais da metade de seu salário com livros e escrevia romances desde os quatorze anos. Sonhava publicar um livro, e tinha uma gaveta cheia só de cartas de recusa.
Desde o envolvimento com Anthony Darcy, professor de história da escola onde ela trabalhava dando aulas de literatura e espanhol, Dalilah não conseguira escrever sequer uma página. Tudo estava uma verdadeira droga.
Exceto, talvez, por ter conhecido Zac no supermercado hoje. Por mais bobo, chato e insuportável que fosse, ela... gostava dele? Bem, sim. Apesar dos pesares, ele era um bom amigo.
Mesmo que ela só o conhecesse há quatro horas.
— Você tem razão, tudo bem, mas não são só as mulheres que esperam um homem perfeito — disse ela, relutante. — Se não fosse por isso você não tinha se apaixonado por aquela vadia, Zac. Vocês, homens, idealizam uma mulher gostosa que queira sexo a toda hora e que... seja muda. Isso não existe também, se quer saber.
Zac negou veemente com a cabeça, indicando que a nova amiga estava redondamente errada.
— Podemos sonhar com uma mulher assim, mas isso só acontece até os quinze anos. Depois ficamos mais maduros e precisamos de alguém que possa... ser legal, sabe.
— Sei — Lila fingiu que acreditou. — E você se apaixonou pela Kelly por que, mesmo?
Zac torceu os lábios.
— Ela era divertida, sabe — ele deu de ombros, sem querer falar sobre isso. Já não bastava Taylor, Jeremy e Josh, que sempre o enchiam o saco por estar saindo com Kelly, na época. Dalilah tinha razão em parte. Kelly, além de ser imensuravelmente gostosa, parecia gostar dele. Nunca faltara sequer uma apresentação de sua banda desconhecida, a Paramore, sempre dizia o quanto ele mandava bem na bateria. Curtiam as mesmas coisas. E o sexo era maravilhoso.
Mas seus melhores amigos avisaram mais de uma vez que ela não era o tipo de mulher para se apaixonar. Zac estava cego demais para ouvi-los, era verdade. Nem sequer se importou com o fato de Kelly ser a garçonete noturna do PUB e boate em que Zac era bar tender desde os vinte e um anos. Não se importou com sua índole ruim, sua vontade esquisita de encurtar o uniforme, ou que o valor das gorjetas que ela recebia era mais ou menos o quádruplo do dele.
— Está mentindo — Dalilah acusou-o. — Se apaixonou por ela por que ela era uma vadia, gostosa, fazia bem pro seu ego.
— Se conhece tão bem os homens, como ainda consegue se machucar por causa deles?
— Digo o mesmo pra você! — ela levantou a voz, irritada. Mas não estava irritada com Zac. Nem com o fato de ele estar apaixonado por uma vadia. Estava irritada com a droga do coração, que impunha sentimentos idiotas que faziam com que o cérebro não funcionasse com clareza. Dalilah sabia como os homens eram. Mesmo assim, acreditava que um deles poderia ser diferente, embora todas as evidências de que isso era impossível estivessem ali, na sua frente. Infelizmente, Zac vivia na mesma situação. — Você só precisa parar de se apaixonar por vadias, e vai se dar bem — disse ela, com um meio sorriso no rosto, dando um pequeno empurrão no ombro do amigo.
— E você só precisa parar de achar que os homens são perfeitos. Apaixone-se por um cara comum. Aí tudo vai dar certo — disse ele, sorrindo também.
Dalilah assentiu com a cabeça, concordando com o novo amigo.
— Ok. Vou fazer isso, prometo. Nada de criar expectativas com um homem perfeito — disse ela, assumindo um compromisso consigo mesma. — Você tem que prometer também.
Zac sorriu, revirando os olhos.
— Certo. Prometo que, quando ver uma mulher gostosa demais me dando mole, sobretudo se ela for garçonete do turno da madrugada, ela não vai ser decente o bastante para namorar comigo por mais de meio mês sem me trair com meu chefe idiota.
Dalilah riu, estendendo a mão para o amigo.
— Você foi meio específico demais, mas tudo bem — disse ela. — É uma promessa. 




E aí? Curtiram? AUEHAUEHAE
Escrever esse capítulo foi super comédia. Essa fic é um amor e +qd+ eu amo tudo nela. Vocês notaram que a linguagem continua informal, porém, com um toque peculiar de... mundo real, eu diria. Quer dizer, citando as marcas, os carros, a tevê da Lila, vandalismo, pornografia, etc. PAOSKPOASK EU CONSEGUI ABRANGER MUITA COISA QUE VC VÊ NO DIA-A-DIA NESSE CAPÍTULO. Quem tá apaixonado pelos principais como eu?
Como vocês podem ver, Lila e Zac estão amiguinhos, porém apenas isso. Claro que isso mudará. Aguardem as proximas att *U*
Acho que... não tenho muito mais para falar OASPOASKO favor comentar pra mim, bebês! Vocês são o que me movem, e quero saber o que acham de ver uma fic com Zac de principal.
Muito amorzinho,
Sarinha <3

P.S.: Não vou dizer o nome do filme que eles estavam assistindo por que dei um spoiler do capeta.

13 de dez. de 2012

Capítulo 1

Arrepiante...


Hey, lindos! Como vão? 
Bem, estamos aqui nesta Trucker! Essa ideia doida que vocês, mais doidos do que eu, estão se dando ao trabalho de ler. PAOSKAS
Não vou falar muito aqui também ASOPKASPOAKS Bem, só apresentando tudo para vocês, a fic tem que fazer jus ao enredo e etc. Vocês viram na sinopse. Nenhum dos personagens aqui são santinhos, e isso provavelmente vai fugir de todo o contexto normal de uma fic de Paramore comum. Trucker não é comum.
Trucker significa "Caminhoneiro", para quem não sabe. Então tenham uma ideia OPASKPAOKS 
Outra coisa! Esse cap ficou grande. 5000 palavras. Não era pra ter ficado tão grande, mas ao fim dele vcs vão entender o porque de eu não ter dividido em dois. Anyway. Novamente eu digo, não fiquem surpresos pela falta de formalidade na narrativa -- remember, a Renascer além de ser fic de época, é em terceira pessoa. A Trucker vai ser a primeira fic que já escrevi na vida COMPLETAMENTE pov. Hayley.
É isso.
Have fun! :3



E aqui estou eu, com uma mala na mão, com fome, calor e dor, morrendo enquanto caminho em direção ao nada. Minha mãe sempre me disse que um dia meu mau-humor me mataria.
Quem diria que seria hoje, hein?
Sinceramente, que tipo de macumba existia nas mães para que tudo de ruim que elas dissessem acontecesse? A minha, por exemplo, era mestra em lançar suas más premonições em relação a minha vida. “Você vai pegar chuva hoje, se não levar a capa”. Acontecia! “Você vai quebrar esse copo”. Quebrava! “Se comer queijo, vai ficar com dor de barriga”.
Urgh.
— Ei, gata, quer uma carona?
Apoiei a mala no all star que já devia ter jogado fora há pelo menos quatro anos e analisei o perfil do senhor que havia acabado de parar seu caminhão para mim. Estava usando um chapéu enorme de vaqueiro, comum para aquelas bandas do Tennessee, e sua barriga era tão grande que eu duvido que ele consiga enxergar seus próprios pés quando está ereto. No retrovisor do carro, não havia nenhum crucifixo, sapinho de pelúcia ou foto da família. Arregalei os olhos quando vi uma mulher sem sutiã na foto desgastada no painel do carro.
Tenso. Se é pra morrer, não estou a fim de fazê-lo estuprada por um caminhoneiro que fede a cigarro.
— Não, Senhor — disse eu, engrossando a voz o máximo que podia. Minha mãe sempre disse que minhas calças e esse “piercing ridículo” me fazia parecer um moleque de rua. Isso sem contar as tatuagens.
“Acentue o positivo e elimine o negativo”, era o que eu tinha tatuado da primeira vez, no meu antebraço. Mas minha mãe levou isso como se eu tivesse escrito “sou adepta à doutrina do satanás”.
Já citei que ela é meio religiosa? Pois é.
— Tem certeza, gatinha? Você parece perdida — a voz esganiçada do caminhoneiro voltou a ecoar e eu quis vomitar. Tentei me manter digna diante da situação.
— Não estou. Acabei de ligar para o meu pai, que já está vindo com a viatura — eu dei de ombros e cuspi no chão. Eca. Tomara que isso pareça tão nojento para ele quanto parecia para mim. — Por que, como ele está trabalhando, vai me buscar no carro da polícia federal mesmo.
Não sei se foi minha mentira deslavada ou meu cuspe no chão, mas o cara pareceu me avaliar durante um segundo antes de dizer “não esquenta” e sair dirigindo seu caminhão idiota que transportava... algo ensacado.
Eu tenho para mim que ele não me achou suficientemente gostosa para valer um dia na cadeia, levando em consideração que eu sou uma roqueira baixinha de cabelo laranja, tenho piercing no nariz e uso uma simpática blusa do Iron Maiden no meio do sertão americano. E, claro, também sou supostamente filha de um policial.
Às vezes a má educação, a capacidade de mentir e a aparência estranha são a diferença entre ser morta de fome ou ser morta por um caminhoneiro pervertido.
Agora, estava de volta à estrada, sozinha. Meus pés estavam me matando. Aquele all star que em alguma época de sua vida foi vermelho estava cobrando sua falta de aposentadoria no meu calcanhar e no meu dedo mindinho. O calo que devia haver neles agora iria transformar meus pés branquelos em uma aberração. Ah, tudo bem, eles já são lindos mesmo, não é?
Quero socar alguma coisa que não seja minha mala. Meus dedos já estão doendo do tanto que a esmurrei desde que me vi sozinha nesta viagem. Por que meus pais não puderam me ter em uma cidade grande? Seria tão incrível. Mas, não, vamos conceber a Hayley no pior estado dos Estados Unidos! Mississippi, uhu! E quando for embora, que papai vá para o Tennessee! Legal! Cidade grande para quê, se podemos continuar caipiras por toda a eternidade?
Juro que deve ser essa a linha de pensamento deles.
Mas tudo bem, entre Mississippi e Tennessee, eu fico com o Tennessee (não que minha mãe tenha me expulsado de casa nem nada, que isso). Obviamente eu não queria ter de fazer o deslocamento de um estado para outro a pé. Porcaria de frota de ônibus. Se meu pai fosse um advogado, eu faria com que ele processasse todos os que não podiam me processar por danos físicos e morais!
Deixe-me contar a história desde o início.
Meu nome é Hayley Williams, e eu tenho dezessete anos. Vivi minha vida inteira em Meridian – Mississippi, parte dessa vida com meu pai, mas a grande maioria com apenas a minha mãe, Cristi. Isso por que quando eu tinha cerca de quatro anos, papai pulou a cerca com a secretária do consultório dele, e desde então os dois vivem felizes na cidadezinha pacata (só que não) de Franklin, o coraçãozinho do Tennessee. Li na Wikipédia que a cidade foi nomeada de Franklin por causa do Benjamin Franklin. Isso seria muito legal, se conhecimento histórico fosse útil para mim em alguma coisa.
Enfim, minha mãe, por sua vez, ficou fula com meu pai, com o resto do mundo e da vida. Só há três anos que ela foi se casar novamente, e o cara é tão passivo que eu acho que a maior aventura da vida dele foi uma equação do segundo grau. Sei que ele é professor de inglês em um cursinho, o nome dele é Michael, e ele só não consegue ser mais branco do que eu. É alto e curvado de um jeito estranho. Mesmo tendo vivido na mesma casa que o sujeito durante quase três anos e meio, acho que só ouvi a voz dele umas dez vezes. Não que fizesse diferença pra mim, é claro.
Achei bom que Mike fosse do tipo quieto e tudo o mais, por que é menos uma pessoa para que eu me estressasse. Digamos apenas que eu não tenho um pavio longo. Na realidade, não sei nem se tenho pavio. Devo ser uma daquelas dinamites com defeito que assim que você acende, bum! Explode. Chad, meu último namorado, me apelidou de panelinha de pressão.
Bastante apropriado. Chad era muito legal, se quer saber. Conseguiu me apelidar de uma maneira que não me fez odiá-lo ou chutá-lo aonde dói (não que eu nunca tenha batido nele). A maior parte dos meus amigos tem uma cicatriz causada por mim.
Infelizmente, tive que terminar com Chad para poder vir ao Tennessee. Minha mãe decidiu, depois de dezessete anos tentando me criar, que eu não tinha mais jeito. “Vá morar na casa do seu pai”, disse ela, semana passada. Aceitei prontamente a proposta e deixei-a viver sozinha com Mike.
Só que para isso, tive de deixar um bocado de amigos lá em Meridian. Eles não entenderam que minha vontade de morar em outra cidade com meu pai (que eu só vejo uma semana por verão) era mais forte do que minha vontade de ficar no Mississippi e sair à noite para lugar nenhum. Chad ficou bem chateado. Cortou meu coração vê-lo tão triste.
Mesmo assim, terminamos e eu decidi vir para o Tennessee. Isso por que meu pai é simplesmente demais. Ele é um daqueles caras que está sempre de bom humor, e impõe suas regras de um jeito que não sufoca. Nunca reclamou das minhas tatuagens ou do meu piercing, mesmo que não concordasse com eles. Além disso, acho que a culpa de eu nunca ter tido sequer uma cárie foi dele. Às vezes ele me liga só para saber se eu fui ao dentista para fazer a lavagem com flúor.
A obsessão do meu pai com a minha saúde bucal tem uma explicação. Ele é o melhor cirurgião dentista que Franklin já viu.
Aposto que você está surpreso por ele não ser um policial federal.
Claro que tem outros motivos que me levam a querer vir à Franklin. Como por exemplo, minha irmã, McKayla. Ela tem apenas quatro anos de idade e consegue ser a criança mais linda que esse mundo já viu, apesar de eu achar que ela não se lembra de mim, por que eu só a vejo uma vez por ano. Enfim. Ficar perto dela enquanto ela cresce é um dos motivos de eu estar aqui.
Gosto de crianças. Na realidade, eu gosto muito de crianças. Como minha mãe não gostava muito de me dar dinheiro para os shows, a guitarra ou as tattoos, eu tinha de trabalhar para consegui-lo. Fui babá de três famílias, ganhando duzentos dólares por mês de cada uma. Dava para me sustentar tranquilamente, e por algum motivo, minha paciência não se esgota tão facilmente se eu estiver lidando com um ser que seja menor que eu.
Mas não existem muitos seres menores do que eu por aí.
Por isso, quando eu peguei o ônibus que sairia de Philadelphia (sim, eu tive que pegar um ônibus de Meridian até Philadelphia!) e iria até Nashville, achei que minha viagem de oito horas seria tranquila. Colocaria fones de ouvido e fecharia os olhos até que acabasse.
Só que não. Meu celular, que era o único meio de escutar música que eu tinha, foi brutalmente quebrado quando travou. E é impossível dormir quando tem um pai idiota negando biscoito pra uma criança de dois em dois minutos ao seu lado.
E então, quando parei em um posto de gasolina para comprar Doritos em uma conveniência e fazer xixi em um banheiro que não estava coberto de vômito — me lembre de nunca mais pegar ônibus de viagem na vida —, percebi que meu belíssimo transporte barato havia partido sem mim. Minhas duas malas estavam jogadas no chão.
Sinceramente, não sei por que fizeram isso. Não sei por que me deixaram fora do ônibus.
Talvez o fato de eu ter batido no motorista tenha influenciado em alguma coisa. Xingá-lo também pode não ter sido uma atitude inteligente. Discutido com o resto dos passageiros também não. Quem sabe... eu não deveria ter dado o biscoito para a criança depois de gritar com o pai dela.
Vendo minhas malas do lado de fora da loja de conveniências podre, decidi que não iria ficar ali esperando. Uma espécie de bar, que tocava música de pior qualidade, estava lotado de homens bêbados que me encaravam de um modo no mínimo assustador. Decidi que não queria ficar para saber o que eles estavam pensando.
Com ódio, saí em direção à estrada, seguindo as placas verdes. Já tem mais ou menos meia hora que eu passei por uma placa que dizia “Pulaski” com seta para a esquerda, e “Franklin” com uma seta para cima. Estou andando, sem saber a quantos quilômetros estou de Franklin, na esperança de achar alguém não ameaçador que me leve em segurança até a querida cidade do meu pai.
Dois caminhões já ofereceram essa carona, mas os dois motoristas pareciam velhos pervertidos e fedidos. Não, obrigada. Quero me manter viva. Sem os pés, mas viva.
Percebi que um caminhão estava vindo lá de longe, no mesmo sentido que eu estava caminhando. Também carregava alguma coisa, como de costume, e a frente dele era cinza. Respirei fundo, pedindo ajuda a Deus, e joguei o polegar esquerdo para o lado. Era a primeira vez que eu de fato pedia por carona. Sem chance de contar a história do policial agora.
Havia duas pessoas nesse caminhão, eu percebi quando ele se aproximou. Abaixei o polegar e vi que ele diminuía a velocidade, até parar no acostamento, bem perto de mim. Vi que o motorista era um senhor de cabelos curtos e pretos, no máximo cinquenta anos, e ele usava um boné para esconder uma provável calvície. Em compensação, tinha um sorriso quase simpático. Também vi o crucifixo e a foto de um monte de crianças no retrovisor.
Mas meus olhos não pararam nesse senhor, e sim no garoto que o acompanhava. Usava um chapéu de couro com um pingente, uma cruz. Seu peito estava coberto com uma camiseta xadrez fina, azulada, parecendo meio moderna demais para um caminhoneiro. Notei que a calça que ele usava era... apertada. Mas em seus pés, estavam all stars tão desgastados quanto os meus.
O quê? All stars?! Que espécie de caminhoneiro era esse?
— Para onde está indo, mocinha? — a voz amigável do senhor ecoou, retirando-me do transe enquanto secava descaradamente o carinha que estava à minha frente.
— Hum... — tentei pronunciar alguma coisa, minha cabeça enevoada por pensamentos inapropriados. Céus, que coxas. — Tennessee, Senhor.
Não conseguia olhar o rosto do menino, pois ele quase o escondia com o chapéu e eu estava meio ocupada secando o corpo dele. Mas vi que ele esboçou um sorriso.
— Já estamos no Tennessee, mocinha — disse novamente o senhor. — Quero saber para que cidade quer carona. Nós estamos indo para Franklin, logo mais a frente, podemos te deixar em algum lugar?
Com um esforço tremendo, levei meus olhos ao senhor. Ele esboçava um meio sorriso para mim, como se soubesse o que eu estava fazendo. Apoiei o peso do corpo num pé e noutro.
— Franklin? — peguei-me dizendo as palavras do homem. Sorri instantaneamente. — Eu teria que estar em Franklin. Quer dizer, é onde eu precisaria estar, caso o ônibus... Enfim.
O senhor sorriu para mim outra vez, parecendo, desta vez, mais simpático do que sacana. Mesmo que ainda me olhasse como se soubesse que eu estava toda atrapalhada por que o garoto que se sentava ao lado dele era descomunalmente gostoso. Pelo amor de Deus.
— O que aconteceu com o seu ônibus? — perguntou ele, arqueando uma sobrancelha.
Dei de ombros, como se não fosse nada demais.
— Me deixaram — disse bem tranquilamente. O senhor sorriu, acompanhado do rapaz de coxas grossas. Menino, olhe para mim, deixe eu ver seu rosto.
— Deixaram? Por quê? — perguntou, novamente, o motorista do caminhão. Olhei para ele e torci os lábios.
— Não sei! — disse eu, suspirando. — Quando saí da conveniência do posto de gasolina, só vi minhas malas no chão. Justo eu, que tanto preciso estar em Franklin ao fim do dia!
Um pouco de dramatização nunca é demais em medidas desesperadas. Meus pés não aguentavam mais o peso do meu corpo e o caminhoneiro parecia ser um cara legal que me levaria para Franklin em segurança. Claro que eu corria riscos, mas também correria se ficasse sozinha aqui nesse asfalto.
— Certo — disse o senhor, novamente, com seu sorriso no rosto. — Estou levando meu filho para casa, e você pode subir. O assento é grande, é só você se apertar com ele aí, conseguimos ir em segurança. Josh, você pode colocar as malas dela lá atrás?
Uh, Josh. Pegue minhas malas, Josh.
— Claro — disse ele, ecoando sua voz pela primeira vez, me fazendo estremecer por dentro. Puxa vida, Josh. Que voz. Ele arrumou o chapéu em sua cabeça e levantou o rosto, mostrando seu meio sorriso para mim. Deus do Céu, que homem é este que fizeste? Ah, esses olhos. Os olhos de Josh eram castanhos e me encaravam de um jeito... ok, sem adjetivos para descrever esse olhar. Mas foi inevitável olhar para o sorriso dele. Com aquele lábio e aquele piercing no inferior.
Espera, piercing no lábio? Um chapéu de cowboy? All Star? Camisa xadrez e calça apertada? Que tipo de garoto é esse?
Não importa. Josh me cumprimentou com a cabeça e pulou do caminhão, fazendo com que eu notasse que ele é bem mais alto do que eu, o que não é anormal. O cabelo dele, liso, estava no meio de seu pescoço. Se ele não fosse um caminhoneiro, diria que Josh fazia alguma espécie de tratamento capilar. Os fios pareciam completamente comportados e bonitos.
Ele agarrou minhas malas pretas e cheia de adesivos e eu vi os músculos das suas costas se contraírem enquanto ele jogava-as no caminhão. Voltou até mim, sorriu, e sussurrou algo como “primeiro as damas”.
Oh, Josh. Que espécie de caminhoneiro é você?
O caminhão é alto, e eu percebi que é necessário uma habilidade para subir nele. Segurei no banco e tentei me impulsionar para cima, mas vou dizer uma coisa: não é fácil quando você já não tem mais energias por estar morrendo de fome.
De repente, senti mãos na minha cintura e eu fui erguida. Sentei-me no assento — que de fato era grande, comparado a um carro, ou àquele ônibus nojento — e afastei-me o máximo para que Josh se sentasse ao meu lado. Quando vi seu rosto, sorri para ele.
— Obrigada pela ajuda — disse eu, na voz mais meiga que tinha. O que saiu como um murmúrio esganiçado e estranho.
Parabéns, Hayley. Nota dez pra você.
Recebi outro meio sorriso como resposta, e vi que involuntariamente, Josh mordeu o piercing em seu lábio. Oh... eu gostaria de fazer isso.
Tudo bem, tudo bem. Hora de se controlar. Sobretudo quando Josh não faz o meu tipo de cara. Mesmo esquisito, ele ainda é um caipira. Ele pode ter esses all stars e o piercing, as coxas e tudo mais, mas... ainda é um caminhoneiro. Não passa nem perto dos últimos quatro caras que namorei em Meridian.
Percebi que não me importava com isso assim que o caminhão começou a andar e meu corpo foi levemente prensado com o dele. Suas mãos seguraram minha cintura levemente e eu me peguei prendendo o ar, enquanto um arrepio avassalador correu todo o meu corpo.
Puta merda.
— Então... qual é o seu nome, garotinha? — ainda sofrendo, virei o rosto para o senhor quando o caminhão começou a andar. Meus pés me agradeciam por estarem suspensos.
— Hayley — disse, respirando fundo e sorrindo, só para ser simpática. Veja só, não é tão difícil ser legal. — Mas não me chame de garotinha, por favor. Eu tenho dezessete anos. Chega de encher o saco por causa da minha cara de criança.
Escutei a risada de Josh atrás de mim. Uhu, meus pelos estão arrepiados. De novo.
— Fique feliz enquanto tem cara de criança, Criança — disse o senhor, só para me irritar. Fiz que não com a cabeça, um sorriso brincando no meu rosto. — Quando ficar velha vai fazer de tudo para voltar a ter essa cara de criança.
— Não, não vou — neguei de imediato. — Quando ficar velha vou apenas fazer algo para manter a cara de adulta, mas sem espichar toda a minha pele como minha tia avó fez. Aquilo é estranho. E vou fazer algum tratamento para crescer, também — eu meio que dei de ombros com cautela, para não machucar o Josh. A sensação da pele dele tão perto da minha era algo bem legal. Seria mais incrível ainda se a camiseta dele não fosse de mangas longas.
— Como pegar a cabeça e os pés, e começar a puxar até esticar? — o senhor fez piada e eu ri disso. Olhei para ele e assenti com a cabeça.
— Claro, se funcionar — disse, novamente dando ombros. Josh continuava rindo.
— Esse é o tipo de tratamento que minha filhinha, Belle, adoraria fazer. Ninguém é mais maluco para crescer do que ela — o homem disse, dirigindo sem muita dificuldade. Percebi que os olhos castanhos dele, parecidos demais com os do Josh, começaram a brilhar. — Ela só tem quatro aninhos.
— Deve ser uma fofura — disse eu, já começando a ficar babona também. Não me leve a mal, fico assim sempre que uma criança é citada no assunto. — Mas é supernormal, toda criança é assim.
— Belle é muito esperta — disse o homem.
— Esperta... — a voz de Josh ecoou, e eu agradeci por virar o meu rosto e encontrar o dele, tão perto do meu. Ele havia feito a barba ainda essa manhã. Cheirava bem. Bem demais. — Talvez. Para mim ela só é hiperativa demais, sabe.
Ah, Josh, essa sua voz. Esses seus lábios quando se movem. Esse seu pescoço.
— Só são você e Belle de irmãos? — perguntei a ele, só para escutar sua voz novamente. Josh sorriu.
— Ah, não. A família Farro é um pouco mais extensa — disse ele, como se aquilo fosse quase uma piada.
— Além de Josh e Belle, tenho mais três — disse o Sr. Farro, pelo que eu pude concluir. Deixei minhas sobrancelhas se arquearem e minha boca se entreabrir. — Nate, o primogênito, tem vinte anos. Josh tem dezoito, Zac tem quinze, Jon tem cinco e Isabelle, quatro.
— Família grande — comentei, com um sorriso. Tanto Josh quanto o Sr. Farro sorriram. — E só o Sr. trabalha com o caminhão?
— Não me chame de Senhor, menina — disse ele, sorrindo. — Pode me chamar de Rick. E, sim, apenas eu trabalho com o caminhão por que, como você disse, minha família é grande e eu tenho que dar um jeito de sustentá-la. Nate faz faculdade na capital, então quase nunca sai comigo. Como estamos no verão, pude trazer meus garotos para o trabalho. Zac veio no início, e agora, Josh veio comigo. Na realidade, Josh viaja comigo sempre que pode desde os treze anos de idade.
Eu sorri para Josh e para Rick.
— Ele dirige bem? — perguntei para Rick em tom de gozação.
— Sim, dirige muito bem — disse Rick, sabendo que não conseguiria falar nada contra Josh. — Me ajuda muito. Nós revezamos o volante e, assim, conseguimos entregar bem antes do prazo. E, nas estradas, tempo é dinheiro.
Assenti com a cabeça tranquilamente, concordando, mesmo que não soubesse nada sobre estradas. Minha mãe é contadora, meu pai é dentista, e não acho que a vida de Michael seja mais interessante como professor de inglês.
— O único problema de Josh são as músicas que ele escuta — disse Rick, fazendo-me rir e Josh dar de ombros. E que ombros.
— Não tem nada de errado com as músicas que escuto, pai — a voz de Josh voltou a ecoar. Tentei não olhar para a boca dele. Tentei.
— Que tipo de música você escuta, Josh? — perguntei, novamente fazendo minha voz sair esganiçada. Pigarreei.
— Rock — disse ele, mordendo o piercing. Mordendo o piercing. — O bom rock. Algumas bandas antigas, outras mais novas, desde que façam uma boa música.
Uh, Josh Gostoso Farro tem um gosto musical. Bom saber. Muito bom saber.
— Mas e você, Hayley? — Josh voltou o rosto para mim, os olhos penetrando minha alma, os dentes mordendo aquele maldito piercing. Prendi a respiração sem perceber. — Não falou nada sobre você. Por que está indo para Franklin?
Me perdoe, querido, mas se você não parar de morder esse piercing, eu não vou conseguir sequer lembrar o meu nome. Quanto menos dizer o porquê de estar indo para Franklin.
— Vou morar com o meu pai — consegui achar as palavras para dizer. — Sempre passo uma semana do verão aqui, e minha mãe achou melhor que eu passasse os últimos anos da minha adolescência com ele.
Na realidade, ela simplesmente desistiu de mim e achou que eu fosse uma perdida na vida, fora do caminho que Deus traçou para mim. Josh não precisava saber disso.
— Quem é o seu pai? Eu conheço quase todos os caras daquela cidade... — disse Rick, os olhos grudados na estrada, tranquilos.
— Joey Williams — disse eu, torcendo os lábios. Rick nem sequer se esforçou para se lembrar.
— Ah! — exclamou ele. — O dentista!
— Isso — eu disse, sorrindo.
— Ele vai precisar me fazer um desconto no aparelho do Zachary depois de saber que eu dei carona para a menina dele — Rick disse com um sorriso no rosto, claramente brincando com a situação, e eu deixei-me sorrir também. Olhei para minhas próprias mãos e esfreguei uma na outra, só para que não notassem que meu subconsciente estava secando as pernas maravilhosamente torneadas de Josh. Quase perguntei se ele jogava futebol ou vôlei, mas achei melhor calar minha boca.
Perguntas idiotas previnem explicações constrangedoras.
Felizmente (ou infelizmente, dependendo do ponto de vista), não estávamos muito longe de Franklin. Rick Farro me contou que, apesar de cada vez mais populosa, Franklin não era uma cidade extensa e muito boa de andar — o que foi bom saber, uma vez que quando passo uma semana aqui, geralmente só saio para onde meu pai me leva. Nunca aprendi o caminho de uma rua à outra, por exemplo. De qualquer maneira, ele me assegurou de que eu não me perderia por lá.
Logo passamos pela placa de boas vindas à cidade, e foi aí que percebi que não sabia o endereço do meu pai. Na realidade, ele disse que me pegaria na rodoviária às 17h, quando saísse do consultório. Feliz, vi que no relógio ainda constava 16h40. Se eu chegasse em casa a tempo, poderia avisar Cate — minha madrasta — para ligar e dizer que eu já havia chegado. Agora só precisava saber como chegar lá.
Droga. Podia estar com o meu celular.
— Vou deixar Josh na casa dele e levar o caminhão para a garagem do outro lado da cidade. Onde podemos te deixar?
Estava tão absorta nos meus pensamentos que não percebi que Rick falava comigo. Ainda meio zonza com a proximidade do corpo de Josh em relação ao meu — não consegui me acostumar —, virei meu rosto e torci os lábios.
— Poderia me deixar na casa do meu pai? — perguntei inocentemente, torcendo que Rick não percebesse que eu não tinha ideia de onde ela ficava.
— Ah, claro. Te deixo na avenida do parque, onde vou deixar Josh, e você desce a rua — disse ele. Respirei fundo, me dando conta de que ele achou que eu sabia exatamente onde a casa do meu pai ficava, como eu queria. Mas não me ajudando da forma que eu precisava.
— Que rua? — perguntei, sorrindo, tentando ser minimamente fofa. — É que meu pai ficou de me pegar na rodoviária às 17h, por isso não sei como chegar lá.
Pronto, não havia sido tão difícil.
Rick sorriu.
— Somos quase vizinhos, Criança — disse ele, tranquilamente. — Moramos a duas ruas de distancia. Josh pode te levar até a sua casa.
— Claro que posso — disse Josh ao meu lado, fazendo com que eu sentisse seu hálito no pé da orelha. Droga. Sua voz estava com uma pitada de malícia escondida ou isso tudo era impressão minha?
Tentei sorrir, tonta demais.
— Legal, obrigada — disse, virando o rosto e encontrando os olhos de Josh me encarando. Eram castanhos, vivos, penetrantes. Pareciam ir além de mim, maliciosos, sombrios, malvados. Estremeci mesmo sem querer.
Subitamente a ideia de ficar sozinha com Josh fez meu estômago se revirar de ansiedade.
De fato, Rick só precisou andar com seu caminhão vazio por mais quatro minutos até eu perceber que ele parava. Despediu-se de mim enquanto Josh abria a porta e saltava para fora, e eu retribuí com um sorriso, agradecendo a carona. Acho que em toda a minha vida, eu nunca havia sido tão simpática.
Me virei pronta para saltar do caminhão, mas Josh me esperava com um sorriso quase safado no rosto — ou talvez eu estava vendo coisas demais. Estendeu uma mão pra mim, e a instrução era clara: se precisou de ajuda pra subir, vai precisar de ajuda para descer.
Normalmente, eu o mandaria para o inferno e daria um jeito de descer, mas por algum motivo não queria discutir com ele. Não por ele querer me tocar. Por que, posso garantir, o toque de Josh é algo bem legal de se sentir.
Por isso agarrei sua mão e quando saltei, minha queda foi quase amortecida pela outra mão que ele passara pela minha cintura. Senti meu rosto enrubescendo e agradeci enquanto me dirigia para a caçamba do caminhão, onde minhas malas estavam guardadas. Arrastei-as até o chão, fazendo-as cair, e logo o caminhão de Rick não estava mais a nossa frente.
Dei uma volta completa, trezentos e sessenta graus, procurando ver algo que achasse familiar. Via uma espécie de praça, muitas árvores, balanços e um escorregador, algumas crianças brincando. Provavelmente o parquinho ao qual Rick se referiu.
— Perdida, baby? — perguntou Josh, o mesmo sorriso nos lábios.
Baby! Ok, o que mais me incomodava naquele garoto era não saber o que ele estava pensando. Era mistério demais. A coisa toda do chapéu e do all star, esse olhar “porque-você-ainda-está-vestida?” e esse sorriso malicioso. Coisa demais para a minha cabeça. Não sabia se ele estava caçoando de mim ou me cantando.
Sinto que terei muitos problemas com essa cidade.
— Totalmente perdida — assumi, dando ombros. Não iria demonstrar que estava a fim dele. Segurei a alça de uma das malas e comecei a arrastar, enquanto Josh pegava a outra e carregava-a tranquilamente.
Tranquilamente. Sem nenhuma dificuldade. A mala mais pesada!
Meu Deus.
— Sua casa fica por ali — ele apontou ao norte, uma rua larga, casas coloniais com quintais enormes e verdes. Parecia uma cena de filme. — A minha fica para lá — ele apontou para o fim do parque, um quarteirão depois, uma rua que eu não conseguia ver mas suspeitava que era igual a minha. — Vamos?
Assenti, e começamos a andar um do lado do outro pelos quintais das pessoas.
— Está em que ano? — Josh me perguntou e eu demorei até perceber que ele falava de escola.
— Vou começar o terceiro depois desse verão — disse eu. — E você?
— Também vou começar o terceiro — disse ele, jogando a cabeça para trás. Seu chapéu com pingente de cruz caiu para trás, preso agora pelo pescoço, mostrando seu cabelo liso grande e pouco bagunçado. Seu rosto moreno era mais bonito ao sol. — Espero que peguemos as mesmas aulas.
Sua voz tinha um tom gozado e malicioso ao mesmo tempo em que me fazia estremecer por dentro. Como lidar com isso?
— Tomara, cowboy — disse eu, abusando de meu tom malicioso também. Há! Nesse jogo jogam dois.
A brincadeira fez seu sorriso safado se tornar uma risada.
— Gostei do apelido, baby — disse ele, os dedos correndo pelos fios lisos e aparentemente grudados pelo suor.
Comecei a reconhecer a rua. Conseguia ver a casa do meu pai a poucos passos de onde estávamos.
— Só você — disse no automático, e não me arrependi. Baby não é um apelido que eu goste de receber. Mas algo me dizia lá dentro que Josh nunca mais me chamaria de outro nome.
Tive que parar o passo de repente. Em meio aos meus pensamentos, nem percebi que Josh se jogara a minha frente sem nenhum aviso. Agora seus olhos me devoravam, intensos. Engoli em seco quando ele retirou minha mão da mala lentamente, segurando-a com cautela, massageando o polegar na palma.
— Não gosta de baby, baby? — perguntou ele, aproximando seus lábios do meu rosto. Caramba. Estava completamente perdida e sem reação.
Isso nunca havia acontecido antes.
— Não gosto, não — disse eu. Estava tentando manter minha dignidade, mas tinha total consciência de que minha expressão corporal devia estar dizendo algo como “me possua agora” a ele. Entretanto, não conseguia me afastar. Não conseguia sair daqueles braços.
— Que pena... — sussurrou ele, a mão forte correndo pela minha cintura. Autocontrole, Hayley! Isso não deveria estar acontecendo! — Vamos ter que achar algo que você goste, baby.
 Sem que eu tivesse tempo para pensar em sua frase, de repente, os lábios de Josh estavam grudados nos meus. E sentindo o gosto de seu hálito contrastando com seu piercing gelado e delicioso, percebi que talvez ter xingado o motorista do ônibus talvez não tenha sido uma ideia tão ruim assim.


E aí, deram umas risadas? AEHUAEUHAE
Adoro essa fic! Hayley é minha personagem mais foda, vcs puderam ver s2s2 isso por que ela ainda não deu um ataque de nervos. Nota-se que ela é meio irritada com tudo.
Isso quando Josh não está perto APOSKPOASK QUEM AMODOROU O JOSH LEVANTA A MÃO PFVR. Já que temos uma Hayley pervertida, por que não um Josh pior? Ora <3 
ASOKAOAKLSOPKPÃOS GENTE, DAQUI A CINCO DIAS É ANIVERSÁRIO DO TAYLOR E ETC. Tô pensando em fazer um especial (com a a participação ilustre de nossa Natsssss <3). E também vou att nesse dia, uma fanfic, que pode ser qualquer uma das três (Renascer, Trucker e Sex and Stuff, que virá hoje a noite). Por favor, escolham uma :3
E... também tô fazendo um Fic Trailer pra Renascer que sairá em breve.
E... não tenho mais novidades. Por favor comentem pra mim *U* 
LOVE YOU, babys. (paslka~pslã´spl pfvr josh <3) 
Muito amor,
Sarinha. <3