17 de out. de 2013

[Resenha] Jane Eyre, de Charlotte Brontë

Título Original: Jane Eyre
Skoob












Jane Eyre é uma menina órfã que vive com sua tia, a sra. Reed, e seus primos, que sempre a maltratam. Até que, cansada do convívio forçado com a sobrinha de seu falecido esposo, a mulher envia Jane a um colégio para moças, onde ela cresce e se torna professora. Com o tempo, cresce nela a vontade de expandir seus horizontes. Ela põe um anúncio no jornal em busca de trabalho como governanta. O anúncio é respondido pela senhora Fairfax, e Jane parte do colégio para trabalhar em Thornfield Hall. Lá, ela conhece seu patrão, o sr. Rochester, um homem brusco e sombrio, por quem se apaixona. Mas um grande segredo do passado se interpõe entre eles.






Alô! É quinta feira e Sofia tem comentários literários para tecer. Seja bem vindo!
Para a resenha de hoje, vamos viajar para a Inglaterra Vitoriana e descobrir que, apesar de estarmos no século XIX, já existiam protagonistas femininas com uma coragem inexorável e uma força de vontade devastadora… tudo isso, enquanto usavam um corpete.

“Eu não sou nenhum pássaro; e nenhuma rede me prende; eu sou ser humano livre com uma vontade independente.”

1. O universo

Como já referi, a história de Jane Eyre, nossa heroína, desenrola-se na Inglaterra vitoriana, por volta de 1850’s. Claro que esse cenário vem com o seu próprio conjunto de regras – sobretudo sociais – e implicações na história. É do conhecimento geral que a ordem social de então era extremamente rígida (especialmente para quem já leu Jane Austen - mas não falemos de Jane nessa resenha, para evitar que Charlotte dê algumas voltas no seu caixão, visto que ela própria criticou o trabalho de Austen), o que vai em muito condicionar a forma de pensar de Eyre, e logo, também de agir - assim como condiciona as ações daqueles que a envolvem.
Talvez seja por isso que decisões que, nos nossos dias, nos parecem exageradas e irracionais, tenham toda a justificação para ser tomadas por Jane. Os princípios morais são outro fator que em muito influenciará a protagonista, e também eles se devem ao contexto histórico onde ela se encontra.
Para Charlotte Brontë, esta é a realidade em que ela habita, por isso aquilo que nos parece estranho ou ultrapassado por ser próprio dessa época, obviamente, não levanta quaisquer dúvidas para a autora. Fora isso, penso que é um retrato muito interessante da sociedade de então, e visto por olhos um pouco diferentes do habitual - os de Jane, que por vários motivos, se torna quase sempre marginal à sociedade.
Tudo isto, penso eu, só enriqueceu o trabalho de Brontë, que por si só, é um ótimo trabalho descritivo.

Pontuação:


2. A escrita e o enredo

A escrita é, como não poderia deixar de ser, caracteristicamente vitoriana, rica em descrições, detalhes, e referências a passagens de outras obras. Há um embelezamente estético que não passa despercebido a leitor algum, mas o fato é que a narrativa se torna apelativa e não propriamente pesada em adjetivos e descrições, como seria de esperar. Isto deve-se à capacidade de Brontë em contrabalançar com perícia a descrição e a ação - tudo isso, sem abandonar um certo tom de crítica social muito sutil -, mas também se deve, e em muito, ao enredo.
E o que tem de tão especial esse enredo? O que o torna tão bom é a sua complexidade e os seus enigmas, sendo que, muitas vezes, a ação se desenrola de formas inesperadas para o leitor. Existem mistérios e dúvidas que, durante muito tempo, ficam por responder, deixando até o leitor mais atento indeciso sobre o que pensar. As explicações acabam sempre por surgir, mas só depois de alguma tortura. Mas admitamos: que leitor comprometido não curte um pouquinho de tortura?

Pontuação:


3. Os personagens

Esta é uma obra com um elenco de personagens consideráveis - até porque é uma biografia, o que faz com seja incluídas todas as pessoas que, de um jeito ou de outro, foram importantes na vida de Jane. Mas também por ser uma biografia, há muitas personagens recorrentes - ou seja, que surgem uma e outra vez, e muitas vezes desaparecem por algum tempo só para voltar a surgir no futuro - e, claro, há um claro protagonismo dado a Jane. O palco é dela.
E ainda bem! Pessoalmente, eu adoro Jane. Como em toda a obra bem escrita, ela possui os seus defeitos - dificuldades em resistir calmamente à opressão; um temperamento ou muito manso, ou muito prepotente; uma submissão natural a caráteres mais fortes... -, mas o jeito como ela valoriza a humanidade nas pessoas, muito mais do que o seu aspecto; a importância que ela dá ao conhecimento e a disfrutar um bom livro; a necessidade que ela tem de ser amada e de, por sua vez, amar de volta; a força impetuosa com que ela persegue seus valores morais... Tudo isso me faz querer me identificar com ela, o que a torna, de longe, na minha personagem favorita. O que pode não acontecer com você - e, como eu já falei noutras resenhas, é uma das características que eu considero mais importantes quanto a construção de um personagem.
Os restantes personagens são extremamente diferentes entre si - e muitos deles possuem um caráter muito marcado - o que eu acho que demonstra ainda mais o brilhantismo de Brontë. Honestamente, para mim, são os personagens que fazem o livro valer a pena.

Pontuação:


4. A temática

Sendo uma biografia, Jane Eyre não tem uma única temática fortemente marcada. Porém, eu diria que o contraste entre o amor e os valores morais é o tema mais recorrente e, talvez até, importante de todo o livro. Em muitas situações, Jane é forçada a escolher entre ser apreciada, amada - ou simplesmente incluída socialmente - e seus valores morais e, no fundo, a própria pessoa que ela é. A minha apaixonada admiração por Jane começa com sua enorme força de vontade, que nunca a permite viver numa situação em que ela se sinta anulada como pessoa.
Em momentos críticos, ela sempre escolhe aquilo em que acredita e aquilo que ela quer acima de qualquer outra coisa. E o fato de ela o conseguir fazer talvez lhe dê esperança e coragem a si para fazer o mesmo. Sei que, comigo, foi isso o que aconteceu.

Pontuação:


5. Tópico surpresa: O vlog

"O vlog?", você pode estar-se perguntando, "mas que vlog?!". Bem, é certo que ele não foi criado por Brontë (well, duh), mas também é verdade que ele existe, e pretende se passar por algo que a própria Jane criaria.
À semelhança daquilo que Hank Green e Bernie Su fizeram com The Lizzie Bennet Diaries, Alyssa Hall (a própria atriz que interpreta Jane) e Nessa Aref criaram uma história virtual a ser contada principalmente através do formato de vlog (aqui está o site da história, intitulada "The Autobiography of Jane Eyre"). O legal é que se pretende que os personagens pareçam realmente existir (como o que aconteceu com a história de Lizzie), e que as interações virtuais entre o público e eles sejam o mais realistas possíveis.
Até agora, posso garantir que isso está acontecendo. A história está plausível, e tem sido uma aventura assistir, semana após semana, a como os escritores escolherão adaptar essa história tão antiga - e, pelos vistos, tão contemporânea.
O resultado foi um vlog criativo, apelativo, e muito, muito engraçado. Especialmente engraçado.
Assista por você mesmo ;)



Pontuação:


Conclusão

Ao nos trazer Jane Eyre, Charlotte Brontë provavelmente não considerou ter criado uma obra que resistiria às provações do tempo e que, século e meio depois, seria visto como um clássico, digno até de adaptações para formatos mais recentes da tipicamente humana narração de histórias. O fato, porém, é que eu, assim como muitos outros fãs, amo ler e reler essa história, e estou simplesmente deliciada com a chance que tenho agora de ver essa obra recontada numa webseries.
E se o nome de Brontë lhe pareceu familiar, é porque ela é irmã de Emily Brontë, a autora d'O Morro dos Ventos Uivantes, outro livro que se tornou um clássico. Tendo lido os dois, posso dizer que considero o trabalho de Charlotte muito mais interessante, complexo, realista e apelativo - mas essa é só minha opinião. Se gostou - ou odiou - O Morro dos Ventos Uivantes, minha sugestão é: leia Jane Eyre e compare. Nada como uma boa rivalidade entre irmãs para inspirar a criatividade ;)

Pontuação final:
 





Nota da revisora (Sarah Malta): o vlog The Autobiography Of Jane Eyre, até semana passada disponível apenas em inglês (para os que, como Sofia, têm as manhas de pegar um filme sem legenda e entendê-lo completamente), graças à Larissa Siriani (que também legendou The Lizzie Bennet Diaries), está agora está sendo esporadicamente legendado no canal dela no YouTube.
Dica de amiga? Faça um favor a si mesmo e assista. É de matar de tão bom que é.



16 de out. de 2013

Conheça: You Me At Six

Se vocês não conheciam You Me At Six, saberão agora o que estavam perdendo. É simplesmente uma das melhores bandas britânicas (na minha humilde opinião) da atualidade. Formada em 2004, a banda tem cinco integrantes e lançou recentemente o primeiro single do quarto álbum de estúdio, chamado Lived A Lie (o qual eu totalmente recomendo). Embora a banda não seja muito conhecida no Brasil, ela é bem conhecida na Europa e nos EUA (vamos culpar a Warped Tour e todos os festivais famosos que tem bandas hipsters que não são exibidos/divulgados/copiados no Brasil).
Assim como toda banda de rock, teremos screamos, riffs pesados e baterias marcantes em basicamente todas as músicas. Não que isso seja ruim, é só pra avisar que se você está esperando algo mais leve ou tranquilo, ESQUECE, not gonna happen. Outro aviso: a banda tem muitas músicas sobre término, traição e fossa. É tipo uma versão britânica do Fresno. E eu não estou nem aí se você quiser me xingar por essa comparação. Agora, sem mais delongas, vamos às músicas.

Stay With Me




Definitivamente, a música mais famosa da banda. Neste live, que contou com a participação de Hayley Williams, há uma espécie de conversa entre os intérpretes, como se eles estivessem expondo seu lado da história, ficou bem legal. Essa, com certeza, é uma das melhores músicas da banda.

Underdog




Não sei para quem foi feita essa música, mas, se fosse para mim, eu enfiaria minha cabeça na terra e não sairia nunca mais. Olha, uma pessoa aqui foi seriamente humilhada e eu tenho certeza que atualmente ela recebe tratamento psicológico, porque o esculacho foi forte.

Always Attract




A música menos fossa da banda, mas pera lá, isso não significa que ela não seja deprimente. Num dia ruim, dá pra chorar um rio com a voz de Josh Franceschi e o violão melancólico da canção. Emocionante e intensa, me arrisco a dizer que essa é uma das músicas mais bonitas já escutei.

E a gente fica por aqui, espero que vocês tenham gostado, beijos e até semana que vem!

12 de out. de 2013

Dica de sábado: Puncture, The Losers e Street Kings

Oi pessoal! Tô aqui hoje para indicar três filmes do (meu) Chris Evans pra vocês, à pedidos da Becca. Ela disse que nunca tinha visto indicações de filmes por aqui e que adoraria passar a noite dela vendo filmes do Evans, hahaha. Então aqui estou. 
Eu queria pedir desculpas também pelo tempinho sem vir aqui, mesmo que fosse pra falar de algum cantor. Tive uns probleminhas pessoais e precisei ficar sem escrever para cá. 
Enfim, espero que ninguém tenha assistido nenhum desses três filmes que separei. Bom, cada filme tem lá sua mensagem e estilo, então eu tentei escolher os melhores. Mas o problema de escolher os melhores foi: eu sou apaixonada pelo Chris Evans e acho que todos aqui já sabem disso, pois então, vejam só, foi difícil pra caramba escolher três. Eu posso até dizer que esses três são meus preferidos (juntamente com Capitão America e Os Vingadores). Tentei separar filmes com estilos bem diferentes. O Puncture é um tanto quanto dramático, The Losers meio que junta todos os estilos — ação, romance, suspense e comédia — e Street Kings é policial. 
Aqui vai a sinopse (e um bocado da minha opinião) de cada um:


Puncture (Código de Honra): Vicky (Vinessa Shaw) é uma enfermeira de um hospital em Houston cuja vida toma um rumo inesperado quando ela é acidentalmente picada por uma seringa usada. A agulha fora utilizada num paciente HIV soro-positivo e Vicky contrai AIDS. Jeffrey Danfort (Marshall Bell) é um amigo de Vicky que desenha equipamento hospitalar e ele está desenvolvendo uma seringa com ponta segura que poderia prevenir tais erros. Entretanto, enquanto Jeffrey tenta vender sua nova invenção à fabricantes farmacêuticos, ele descobre o quanto eles são governados pela corrupção. Ele resolve processar estas companhias contratando o serviço de Weiss & Dazinger, uma pequena firma de advocacia ansiosa por qualquer negócio. Mas enquanto Paul Danziger (Mark Kassen) depende de seu trabalho para sustentar sua esposa e filhos, Mike Weiss (Chris Evans) está mais preocupado em sustentar o seu vício pela cocaína, que está saindo de controle. Apesar de Mike ver o caso como uma chance de se provar, sua dependência é um obstáculo constante.





Eu, particularmente, adorei o filme e a mensagem que ele traz. Mike mesmo sendo um viciado, sabia exercer sua profissão muito bem e lutava por tudo aquilo que queria. Fazia algumas merdas, sim, fazia, muitas. Mas mesmo assim sempre foi um homem admirável, pelo menos na minha visão. O filme é baseado em fatos reais, o que mais me deixou embasbacada. Porque, oras, até a saúde estava (ou está, vai saber né?) sendo influenciada pela corrupção. Coisa horrível, pois é. Não vou comentar muito porque senão me descontrolo e conto tudo o que acontece. Enfim, acho digno vocês assistirem. Vale a pena e não é um filme tão longo assim. 



Nota: 9,5 (meu personagem favorito morre no filme, por isso não merece um 10 HAHAHAH)



The Losers (Os Perdedores): Clay (Jeffrey Dean Morgan), Jensen (Chris Evans), Roque (Idris Elba), Pooch (Columbus Short) e Cougar (Oscar Jaenada) são integrantes de uma unidade de elite das forças armadas dos Estados Unidos. Eles são enviados em missão na Bolívia, mas lá são traídos por um poderoso inimigo o qual apenas se sabe seu nome: Max (Jason Patric). Dados como mortos, eles planejam virar o jogo contando com a ajuda de Aisha (Zoe Saldana), uma bela e misteriosa mulher.





Acho que nunca vou conseguir descrever o quanto amo essa história. Para quem não sabe, The Losers é uma adaptação de uma história em quadrinhos. Quando vi que teria o filme, quase morri do coração. Quando assisti o filme, quase morri de novo. Sabem por quê? Porque o Evans simplesmente faz o meu personagem favorito. Ele não se contentou em ser meu ator favorito e meu marido mentalmente, teve que atuar, também, como meu personagem favorito de The Losers... Enfim! hahaha 

O filme vale bem a pena (assim como o quadrinho, super recomendo) assistir. Ele dá mil reviravoltas, surpreende e te anima, sem contar o fato que te faz dar altas gargalhadas. É simplesmente foda, juro! Assistam e se apaixonem pelos personagens, porque todos são incríveis. 


Nota: 10


Street Kings (Os Reis da Rua): Los Angeles. Tom Ludlow (Keanu Reeves) é um veterano policial que enfrenta problemas desde a morte de sua esposa. Quando descobre que seu colega de trabalho foi executado ele passa a combater o sistema que vigora na polícia local, o mesmo o qual fez parte e defendeu ao longo de toda sua carreira. Isto faz com que questione a lealdade de todos ao seu redor, incluindo a do capitão Jack Wander (Forest Whitaker), seu mentor.




Olhem, eu realmente não sei o que dizer sobre esse filme. Eu simplesmente o amo. Tem uns filmes (tipo London) que eu só amo por ter o Evans, outros que eu amo pelo contexto, a forma que o diretor levou esse contexto e o elenco. Esse é o típico filme que eu amo por tudo. Acho que filmes policiais são, definitivamente, meus favoritos (só perdendo – um pouco – pros filmes mentirosos, porque amo filmes mentirosos — tipo Carga Explosiva ou Velozes e Furiosos). Esse é outro filme que dá altas reviravoltas. Você passa o filme inteiro achando uma coisa e, no final, puf!, é simplesmente outra e você fica de queixo caído com a perfeição que conseguem fazer esse nó em nossas cabeças. Para quem gosta desse estilo, o filme é realmente incrível. Vale muito a pena! 

P.S.: Um ótimo motivo para ver o filme, também: Hugh Laurie (Dr. House) está no elenco!!!!!!! hahaha


Nota: 9 (personagens que eu adoro morrem, licença porque desconto ponto por isso HAHAHA).



Bom, é isso aí, gente. Espero que tenham gostado do post. Assistam os filmes e depois corram aqui nos comentários para dizer o que acharam, beleza?! Até o próximo sábado! <3





10 de out. de 2013

O lado bom da vida... real


Boa quinta-feira, meus lindos! Aposto que vocês se têm perguntado por onde eu tenho andado (ou não mesmo, mas eu vou falar de qualquer jeito). Vocês sabem que eu entrei há pouco tempo para a Universidade (ou então ficaram sabendo agora, yey!), e isso nem sempre me deixa com todo o tempo ou disposição para fazer uma daquelas resenhas mega trabalhadas que vocês sabem que eu amo escrever.
E foi por essa mesma razão que eu desisiti de escrever a resenha de Jane Eyre à última da hora, e resolvi vir falar um pouco aqui sobre uma outra coisa, muito presente e real para mim nesse momento: a frustração.

Não, isso não vai ser um post sobre como minha vida privilegiada de estudante universitária é terrível e trabalhosa, okay? Eu tenho mais escrúpulos do que isso, prometo. A questão é que a universidade sempre foi uma fantasia que eu alimentei – e como todas as fantasias, ela só tinha lados positivos. Vantagens. Regalias. Bom, bom, bom. Muito previsível, não é?
Porém, logo nos primeiros dias, eu percebi que não iria ser tudo como eu queria ou imaginava. Que nem todas as pessoas teriam mentes apaixonadas pelo conhecimento, como eu. Que não amariam ler tanto quanto eu. Que nem todos os professores seriam personalidades inspiradoras e modelos fantásticos de vida. Que as matérias nem seriam tão profundamente interessantes assim. Que a maior parte dos alunos – que eu achava que seriam exatamente como eu – está um pouco mais interessada em festas do que em debater inteligentemente sobre determinados assuntos…
O que eu estou tentando dizer é que, assim que eu parei de imaginar esse tipo de vida universitária, e passei realmente a vivê-la, o idealismo da perfeição foi totalmente quebrado pela realidade. E sim, a realidade vem inevitavelmente com uma série de frustrações que eu não antecipava.
Por outro lado, são essas mesmas frustrações que distinguem a realidade da fantasia. São elas que nos tiram do mundo dos sonhos e nos colocam num lugar muito mais interessante – porque igualmente desafiante. Essa fantasia de perfeição nunca poderá ser realmente sua, num sentido de experiência e vivência, porque você não a pode conquistar; ela não lhe traz nenhum desafio. A realidade, por outro lado, surge juntamente com um sem número de problemas que exigem sua criatividade, técnica, atenção e empenho para resolver. E isso acrescenta uma nova profundidade à situação, à experiência e – sim – também a você mesmo.

O que eu quero dizer com tudo isto é: não tenha medo da frustração. Não seja uma daquelas pessoas que diz que “a dificuldade não deveria existir; a vida deveria ser perfeita”. Porque você, enquanto ser racional, só está desenvolvendo as suas capacidades quando se entrega a essa realidade exigente e desafiadora. Aí sim, você luta por alcançar algo, e isso te faz crescer. As dificuldades estimulam o crescimento inteletual e pessoal, tornando-o numa pessoa melhor, mais compreensiva, mais crescida, mais madura, mais capaz… Se formos considerar, as dificuldades podem ser mais benéficas para a sua saúde que muita medicação que por aí circula!

Receito então, para essa semana, uma boa dose de desafios e de auto-confiança e criatividade para superá-los. E um olhar positivo, que se foque sobretudo no lado bom da vida. Porque mesmo com todas as dificuldades e desafios possíveis, ele sempre está, pronto a dar oi, só esperando que você o note ;)




9 de out. de 2013

Conheça: Esteban Tavares


Se você conhece Fresno (e eu acho que conhece), você definitivamente sabe que o ex-baixista da banda seguiu carreira solo como, nada mais, nada menos que, cantor. E sim, o Tavares canta bem. Não que a voz dele seja pica das galáxias, mas ele canta muito bem. E tem músicas muito boas. E eu realmente acho que vocês deveriam ouvir. E eu tenho que parar de escrever desse jeito, isso irrita.
Se você espera um som mais parecido com o Fresno, esquece, não é assim. Em 2012 o cantor lançou seu primeiro álbum solo, intitulado ¡Adiós, Esteban!, contendo 12 músicas. O cd parece uma música inteira, para ser sincera. Não que isso seja ruim, mas não deixa de ser uma peculiaridade (muito interessante, por sinal). É como se cada música te puxasse para a outra, num ciclo vicioso, e de repente, você não consegue parar de escutar o cd. Enfim, escutem vocês mesmos.

Canal 12




Músicas sobre término são especialidades da Fresno, verdade. Mas, como o Esteban era um dos compositores da banda, uma música ou outra seguirão esse estilo. Mas, sejamos honestos, a música é boa. Não tem como negar. Os instrumentos utilizados (gaita, piano, bateria, piano, baixo) e a forma que você consegue escutar a forma de cada um separadamente, mas como um conjunto (sim, confuso, mas dá para entender) é super legal.

Muito Além do Sofá




Essa, com certeza, é a minha favorita do álbum inteiro. Há uma espécie de diálogo entre Esteban e uma cantora (que, de acordo com minhas pesquisas, quem canta com ele é a atriz Carolinie Figueiredo, porém, não sei se a informação procede), que fica bastante harmonioso, até. Parte da letra é falada, e, depois, cantada. É bem interessante a forma que a conversa entre os dois rola, uma das melhores do cd.

Pianinho





“Mas Rebeca, como a música se chama Pianinho se no clipe o Esteban usa uma guitarra?” A resposta é simples: escute a versão de estúdio. Embora a pessoa que vos fala prefere a versão do clipe, a versão de estúdio é mais fiel ao nome. É uma música gostosa de se ouvir, ainda mais se você tá apaixonado.

That's all, folks! Perdoem o atraso, tive alguns problemas técnicos, mas já estou de volta! Vejo vocês na semana que vem, beijos!

4 de out. de 2013

[OPINIÃO] Marley e Eu, de John Grogan

Sinopse: John e Jenny eram jovens, apaixonados e estavam começando a sua vida juntos, sem grandes preocupações, até ao momento em que levaram para casa Marley, "um bola de pêlo amarelo em forma de cachorro", que, rapidamente, se transformou num labrador enorme e encorpado de 43 quilos. 

Era um cão como não havia outro nas redondezas: arrombava portas, esgadanhava paredes, babava nas visitas, comia roupa do varal alheio e abocanhava tudo a que pudesse. De nada lhe valeram os tranqüilizantes receitados pelo veterinário, nem a "escola de boas maneiras", de onde, aliás, foi expulso. Mas, acima de tudo, Marley tinha um coração puro e a sua lealdade era incondicional. Imperdível.






                                                                                                             

Estreando categoria nova, uhu. Hoje vou falar um pouquinho sobre minha opinião de Marley e Eu.

Eu ainda me lembro da cena que foi eu com meus oito anos, folhando a revista da Avon na casa da minha avó sem nada pra fazer – por que dessa vez meu primo não estava lá pra brincar comigo-, quando dou de cara com a foto de um livro com um cachorrinho muito fofo na capa, e ainda com o nome de Marley. Lá fui eu correndo pra minha mãe, que viu que eu iria obviamente gostar – sempre fui apaixonada por animais -, pelo simples fato de ser a história de um cachorro.

E dali mais ou menos um mês o livro chegou, e eu como lia livrinhos de infanto-juvenil de 150 páginas em média – Bat Pat era meu preferido -, fiquei meio assim com suas 300 páginas. Mas depois de terminar o que estava lendo e dizer pra minha mãe ler ele enquanto lia o outro – mesmo ela não gostando de cachorros, leu o livro de tanto que incomodei -, finalmente li o livro. E, meu Deus, nunca tinha lido um livro assim.

Eu posso ter tido a impressão errada, afinal eu era uma criança de oito anos que não tinha lido livros assim antes, mas ele era tão legal! O livro até hoje tem lugarzinho especial pra mim. O jeito que ele é narrado em primeira pessoa te prende com uma escrita leve e interessante.

A chance de você ter visto por aí uma história da vida de um cachorro como o Marley é algo realmente difícil de acontecer. Qualquer coisa do mundo pode acontecer com ele, e história engraçada é o que não vai faltar. Mas o melhor é que esse cachorrinho é realmente diferente e vai mudar a vida de seus donos, e vai fazer isso de uma forma especial. Além do amor especial que seus donos têm entre si, e por ele. Ele é o pior cão do mundo, mas é o melhor de certa forma também.

Esse livro literalmente é uma vida.


Um bom final de semana, e até sexta que vem!