8 de mar. de 2013

Volare




Bem, olá. Não, senhor, não é domingo, não é dia de postagem, e eu simplesmente estou aqui. Tive um ímpeto de postar esse projetinho e decidi que ia postar, por que vocês mereciam ler. E se vocês merecem ler, seria terrível de minha parte não postar.
Eu explico.
Em latim, "Volare" significa Voar. Por isso, preparem-se, por que vocês vão voar a partir do momento que lerem isso ou mais provável que não, mas me deixa ser misteriosa e foda. Enfim, Volare, então, passou a ser o nome do meu principal dessa história, o Gabriel.
Gabriel Volare. Um anjo recém caído.
É uma historinha antiga, ok? Tem uns quatro meses que escrevi isso. Mas, como já foi anteriormente mencionado, vocês são os melhores leitores do mundo e precisam saber disso.
Sim, é um projeto de livro. Não, eu não sei se vou escrevê-lo todo. Sim, se eu o fizer, você ficará sabendo. Não, não tem nada a ver com Paramore.
Prontos para voar? :3
P.S.: SOUBE AGORA QUE CAROLINA LINDA ESTÁ DE ANIVERSÁRIO!!!!!! Ninguém me conta das coisas, cara. Eu tenho que ser avisada.
PORTANTO, TOMA, CAROL, É SUA <3 (Inclusive a principal é sua quase-xará haha) 

Alguma coisa havia apitado dentro de seu cérebro — droga, ele não sabia distinguir o que era! Uma sensação forte, insólita, como uma pequena dor, um pequeno desconforto. Quase como se um pequeno fio de água gelada atravessasse sua cabeça, produzindo uma sensação que ele estava habituado a sentir durante a vida inteira, mas nunca com tanta intensidade. Agora, a sensação era muito mais forte, intensa, substancial. Clique. Clique. Ele precisava correr.
Se não houvesse caído, ele poderia facilmente voar até a rua onde ela se encontraria àquelas alturas da noite. Como sempre, é claro, ela deveria estar bebendo com um punhado de amigos. Madrugada de sexta-feira, início de sábado. Era óbvio que Caroline não hesitaria em jogar-se em uma balada. Então, após voar até uma boate ou festa qualquer e encontrá-la bêbada, ele se poria ao seu lado, sussurraria coisas em seu ouvido, diria para ela que era hora de parar e pegar um táxi para casa. E então a acompanharia até que ela o fizesse, e só iria embora quando ela se deixasse cair na cama e chorasse mais um pouco antes de cair no sono.
Mas agora Gabriel não poderia fazer isso. Estava, infelizmente, preso naquele maldito corpo humano. Caíra, errara, e agora pagava o preço. Entretanto, não sabia que o clique continuaria presente em sua mente, terrível, avisando-o do perigo que Caroline corria. Ela estava em perigo, com certeza estava. Gabe podia sentir.
Com o peso da gravidade sobre os ombros, sem as asas, e sem nenhum meio de transporte terreno, tudo o que lhe restou foi correr e confiar no que sobrara de seu instinto. É claro que ao cair, teoricamente ele teria se desvinculado das antigas responsabilidades, mas o que o garantiria que ela estava sendo protegida agora? Céus, Caroline era responsabilidade de Gabriel desde o segundo em que nasceu! Não a deixaria agora, mesmo que não fosse mais um ser celeste. Não a deixaria morrer depois de todo o seu trabalho árduo tentando mantê-la viva, sobretudo quando tudo o que ela tentava fazer segundo após segundo era se matar.
Menina maluca! Não prezava a droga de alma que Ele lhe dera? Não se importava com o corpo que Ele lhe confidenciara? Mas que droga! Ela tinha de passar noite após noite entupindo-se de álcool e outras drogas terrenas destrutivas, tinha de marcar todo o seu corpo, tinha de entregar-se à depressão mesmo com todo o trabalho dele para levantar a sua vida! Céus, ela não lhe dava uma chance! Sempre ia para o lado dos demônios, sempre deixava-se vencer por sua dor e suas más paixões. Custava escutar seus conselhos? Custava tentar se dar bem, ao menos uma vez?
Gabriel bufou, as pernas começando a doer e vacilar, a respiração ficando debilitada. Porcaria de corpo humano. Tão limitado, denso, parecia uma prisão para sua alma! Seus pulmões arfavam, exaustos, mas ele não poderia parar de correr. Ou então ela acabaria matando-se de vez, e de que valeria sua existência? De que valeria tudo pelo qual ele vivera e lutara? Nada!  
Se bem que, à uma hora dessas, Gabriel nada mais tinha senão aquele maldito corpo desprezível. Mesmo assim não deixaria Caroline fazer nenhuma burrada. Não deixaria por que ela era sua responsabilidade, estando ele caído ou não. Podia não ser mais um anjo da guarda, mas ainda era o anjo daquela garota estúpida. E a faria ir para o Céu, mesmo que isso custasse sua passagem para o Inferno.
Havia dezenas de lugares onde Caroline poderia estar numa sexta-feira à noite, e para melhorar, ele não conhecia nada daquela cidade de acordo com suas ruas humanas. Ainda assim, ele sabia onde ela estava. Havia alguma coisa dentro dele que lhe indicava a direção que deveria seguir, guiar suas pernas limitadas e já cansadas. Não sabia o porquê; era como um imã que atraísse violentamente anjo e protegido em situações de perigo. Isso deveria ter se dissipado com a Queda, mas por algum motivo ainda estava lá. E Gabe nada poderia fazer senão correr para salvá-la.
Uma nova rua, e lá estava ela. Gabriel parou por um segundo, vendo-a, finalmente, entornando uma garrafa de vodka enquanto algumas pessoas a aplaudiam. Não havia mais de cinco jovens, e embora sua visão limitada de humano não o deixasse visualizar, Gabe sabia que quatro anjos da guarda estariam ali ou lá em cima, desesperados, tentando aconselhá-los a fazer a coisa certa sem interferir na porcaria de seus livres-arbítrios. Uma tarefa muito difícil, justamente por que todos os seres humanos eram idiotas e cabeças-duras, incapazes de aceitar o melhor, e só ficavam piores com o passar dos anos.
Clique. Sua cabeça quase explodiu dessa vez, e ele viu Caroline quebrando a mesma garrafa que entornara no asfalto sujo, já cheio de cacos de vidro. Bêbada, gritou algo para os amigos sobre ir comprar mais. O rosto de Gabriel virou-se de súbito, vendo, é claro, a boate do outro lado da rua. Clique.
Gabe se pôs a correr.
Foi como se tudo houvesse acontecido em câmera lenta. As pernas do ex-anjo correram o mais rápido possível até onde a garota estava, já no meio da rua, e os faróis da caminhonete cegaram-lhe os olhos. Quando Gabe a alcançou, estava a quatro metros de distância do carro que tentava frear a todo custo, e sem que pudesse se dar conta do que estava fazendo, o anjo caído se jogou sobre o corpo da garota, tirando-os por centímetros da rota da caminhonete e salvando ambas as vidas.
Ai, a dor! Maldição. Gabe pegou-se praguejando pela milésima vez aquele corpo insignificantemente limitado, dolorosamente material. Devia ter quebrado alguma droga de um osso. Tudo nele doía. Podia ver algumas gotas de sangue saindo de seus cotovelos. Merda!
Ele se levantou. Gravidade! Mas que inferno, sua sensação corporal com certeza seria mil vezes melhor sem o peso que o jogava contra a crosta o tempo todo. Caroline continuava deitada, bêbada e assustada demais, e ele bufou antes de erguê-la. Agora ela o encarava, atônita e amedrontada, sem acreditar que sua vida fora salva tão abruptamente por um homem tão estranho.
— Você quase se matou! — Gabe gritou, pela primeira vez, o que sempre quis gritar para ela. Quer saber? Talvez essa fosse uma vantagem em estar encarnado no maldito corpo humano. Talvez essa fosse uma vantagem da matéria. Agora, ele podia simplesmente olhar nos olhos castanhos de Caroline, segurá-la pelos ombros e dizer, finalmente, tudo o que ele sempre quis dizer para ela em alto e bom som. Não como um conselho, como uma intuição que vem lá do fundo, ou como uma consciência pesada. Não. Agora ele poderia dizer como Gabriel Volare, uma pessoa, em seu corpo humano desprezível, para que ela pudesse escutar e lidar com isso. — Será que não vê isso? Será que não percebe que se não cuidar da droga do seu corpo, vai acabar morrendo?! Será que pra você parar de tentar se matar o tempo todo?!
Ah, a euforia, a adrenalina, o nervosismo. A fúria. Sentimentos causados pelo seu cérebro humano limitado. Gabriel gostou. Gostou de, pela primeira vez, ter levantado o tom da voz e gritado com alguém. Gostava do calor que se alastrava pelo seu corpo, junto com o sangue nas veias. Gostava da leve névoa que inibia o lado meramente racional de sua mente. Gostava da falta de controle de sua raiva. Gostava de perder o controle.
— Escute — ele abaixou o tom de voz deliberadamente, apertando com um pouco de mais força os braços de Caroline. Seus olhos estavam presos nele, atônitos e amedrontados, e ela nada dizia ou fazia. Estava pasma demais, assustada demais, para qualquer ação que fosse. — Você não tem um anjo da guarda. Por isso trate de parar com essas idiotices, ou então você vai morrer. E não pense que o lugar para o qual você vai se dirigir seja bom. Por que não será. — A voz de Gabe saiu mais sombria e rouca do que ele calculara, mas não se importou. Viu as pupilas de Caroline se dilatarem lentamente e ela engolir em seco, com medo. Parecia que começaria a chorar a qualquer momento.
— Quem diabos é você?
Gabriel estremeceu ao escutar a voz dela, tão presente. Pensou em dizer a verdade. Pensou em dizer que fora o anjo designado, vinte e um anos atrás, a cuidar de sua alma recém-fabricada e garantir que ela se dirigiria ao Céu após a vida terrena. Pensou em dizer que era, no mundo, o ser que mais a entendia e conhecia. Pensou em dizer que era aquele que salvara suas vidas dezenas e dezenas de vezes, ainda que nunca tão presencialmente. Pensou em falar que era o único que sabia que todo domingo, antes do mundo acordar, ela ia visitar o túmulo dos pais com um buquê único de rosas brancas. Pensou em dizer era quem salvara sua vida, naquela noite há sete anos.
Pensou em dizer. Mas nada disso saiu de sua boca.
— Não importa — disse ele, sem soltar o seu braço. — Você acabou de quase sofrer um acidente. Então vai tratar de pegar um táxi e ir para casa. Agora.
E então, antes que ela pudesse proferir qualquer palavra, Gabe virou-se e saiu andando na direção contrária, para longe dela, sentindo os olhares curiosos dos amigos de Caroline — dos quais ele conhecia detalhadamente. Sabia que ela o obedeceria e faria exatamente o que ele mandara. Passara vinte e um anos escutando-o, e só por que ele estava na Terra, não significava que ela ainda não o faria.
Gabriel ainda sentia a gravidade puxá-lo para baixo. Ainda sentia as pernas doerem pela corrida e pelo impacto. Seus cotovelos ardiam. Sangue corria em suas veias, e embora a noite estivesse fria, ele nunca se sentira tão aquecido. Virou a rua, abruptamente, escutando as batidas de seu coração e sentindo o ar queimar em seus pulmões. Sua garganta arranhava e sua boca produzia mais saliva do que o comum — isso devia ser o que os humanos chamavam de sede. Ele ainda sentia a névoa provocada pela irritação e pela euforia, sentimentos tão frívolos e carnais. Assim como Gabriel era agora.
Frívolo e carnal. Denso. Aprisionado.
Era só o primeiro dia de sua eternidade como um ser humano.


É isso aí... curtiram? AUEHAUEHAE
É uma parada um pouco diferente, esse meu conceito de anjo e tudo mais. Ainda estou trabalhando nisso para dizer a verdade. Como vocês viram, isso não foi uma oneshot de amor, por que o Gabe está meio chateado com o propósito de sua vida e etc.
Sobre os cliques: eles são o ponto ápice da história. Eles são vida, chão, ar, tudo -n
Sobre Gabe: imagine-o como quiser! Ainda não tenho uma imagem certinha dele, é claro. Nem da Caroline. Enfim. Também nem decidi se eles são brasileiros ou americanos. Imaginem o que preferirem, mesmo <3
E comentem pra mim? 
Muito amor,
Sarinha :3
P.S.: #HappyBDayCarolzinhaTeixeira

3 de mar. de 2013

Capítulo 5


ᡶ Tormenta, culpa, martírio 


OLÁAAAAAAAAAA *U*
Então, look, não vou falar uma Bíblia aqui por que já falei tudo o que precisava no capítulo da Trucker. SE VOCÊ NÃO LÊ TRUCKER, SO SORRYYYYY <3 mas falarei tudo o que preciso, ok?
Primeiramente: EU SEEEEEEEEEEEI QUE ERA PRA EU TER POSTADO ESSA FIC DOMINGO PASSADO, pois se vcs viram, eu mudei o dia de postagem pra domingo por que fica mais fácil para mim, agora que as aulas começaram e tudo mais. 
Mas não rolou de eu postar por que o word comeu o capítulo que eu tinha escrito.
Isso aí.
Acontece que eu fui formatar meu computador e fiz o backup e etc, mas por algum motivo desconhecido O QUE EU TINHA ESCRITO ANTES DA FORMATAÇÃO FOI PARA O INFERNO. Então, sem capítulo, eu fiquei com muita raiva e decidi não postar nada (:
De qualquer jeito, agora que eu reescrevi tudo, esse capítulo ficou curtinho. Mil perdões por isso.
Mas espero que vocês gostem.
Enfim, enfim, é isso ~ÇPAOS~QPOLSA <3 vejo vocês lá embaixo.


Ela pensou que se fechasse seus olhos e forçasse suas pálpebras de verdade, com força, talvez todos aqueles sentimentos fossem para longe dela. Pensou que se ela se esforçasse para expulsar tudo o que não deveria estar dentro de seu corpo — e coração —, ela poderia fazê-lo. Se ela se concentrasse, talvez, por um acaso, a culpa fosse embora de seu peito.
Não devo sentir culpa. Ela repetiu para si mesma pela centésima vez, e virou seu corpo para o outro lado, numa tentativa frustrada de conseguir qualquer descanso que fosse. Precisava dormir. Pregar os olhos por pelo menos alguns minutos antes do dia alvorecer, trazendo com ele o papel que Hayley deveria representar. Fingir, por mais um dia, ser uma cidadã inglesa e cuidar, novamente, de doentes “conterrâneos”. Ela não deveria se sentir culpada por isso, embora fosse esse o sentimento que oprimisse seu peito nesse momento. Hayley sabia que isso aconteceria.
Mas não sabia que iria acabar se apaixonando por um soldado americano.
Seus olhos foram pressionados com um pouco mais de força, sua visão ficando ainda mais escura — se é que isso era possível. Entretanto, mesmo que tudo o que enxergasse fosse escuridão, ela conseguiu ver o sorriso de Josh, luminoso e lindo, pouco antes de beijá-la. Viu, após, os olhos castanhos de Pierre pouco antes de partir, transmitindo-lhe toda a confiança e proteção de que Hayley precisava para viver. Por fim, viu o rosto de Jenna, furioso, enquanto discutia com a superintendente Watson. Sua face jovial e corajosa, a menina não tinha medo de mostrar seus verdadeiros sentimentos e valores, ainda que obtivesse tão poucos anos de vida.
Hayley, então, abriu os olhos, desejando dissipar sua imaginação traiçoeira, e encarou o pequeno relevo que conseguia discernir entre toda a escuridão. Era o que costumava ser a cama de sua colega adolescente, e até duas noites atrás, era possível ver o contorno de seu corpo pequeno.
Agora não mais. Nunca mais.
Embora a jovem de dezenove anos soubesse que não deveria se sentir culpada por que não era sua função, ela se sentia. O nó se apertou em sua garganta violentamente, dominador, acusador. Hayley sabia. Ela sabia que havia se afeiçoado à menina como se apaixonara pelo soldado.
Ambas as coisas não deveriam ter acontecido, mas aconteceram. Hayley não pôde evitar. Não pôde impedir-se de sentir.
Seu amor à pátria deveria ser maior do que tudo isso, mas por algum motivo... não era. Ela não criptografara hoje, nem fora ver Rudolph para lhe entregar as escrituras. Também não fora ver Josh. Mal conseguiu fazer seu “trabalho”. Sua cabeça, na realidade, estava no avião que partira nesse mesmo dia.
E, que, agora, já deveria ter sido bombardeado. Já deveria ter sido dizimado e morto. Assim como seus passageiros. Assim como todos os doentes tropicais e os pilotos americanos. Assim como a garotinha de treze anos que queria ser cursar medicina e cuidar de crianças órfãs.
Agora não poderia mais. Conhecer Hayley matara Jenna.
E, com o nó na garganta se desfazendo e desencadeando um choro sentido, Hayley soube que um dia, sua presença acabaria matando Josh também. 



[...]



Os olhos do homem se esgueiraram, o coração pulando do peito, abruptamente. Sua mente estava a mil. Seu corpo pedia descanso. Seus olhos ardiam. Sua pele suava, sem piedade, deixando-o completamente enlameado. Ao lado dele, outros homens, amedrontados e cansados, esgueiraram-se pelos sacos de areia, tomando o cuidado correto para não serem baleados.
Seus olhos ainda estavam atentos. Ele viu um braço sobre um dos sacos, a ponta de um capacete. Um bracelete. O símbolo nazista.
Meio segundo. Dois tiros. Um braço e uma cabeça perfurados. 
Ele se abaixou imediatamente, assistindo os sacos de areia se movimentarem, provavelmente sendo atacados por mais tiros daqueles alemães malditos. Com o peito arfando, a adrenalina correndo nas veias, ainda escutando os interruptos tiros dos mais de cinco mil homens que se espremiam naquele labirinto sem fim, Joshua se sentou ao chão. Seu corpo estava duro, paralisado de adrenalina, de fome, de exaustão, de medo, de nojo. Suas narinas já não se aguentavam com o mau cheiro. Homens mortos, ensanguentados, lamentos, podridão. Ratos do tamanho de gatos passavam pelas suas botas, fazendo com que sua espinha se arrepiasse por inteiro, alimentavam-se dos restos das latas e até mesmo de cadáveres. Ele olhou para o lado, o corpo tenso com o barulho dos tiros, aguentando o peso de sua farda — seria tolice dizer que ela pesava menos de trinta quilos. Avistou um homem em posição fetal, a cabeça entre os joelhos, chorando sentidamente. Murmurava sem parar, provavelmente coisas sem sentido. Sua mente cedera. Enlouquecera-se pela guerra.
Joshua nunca vira o inferno, mas estava convencido de que a guerra era pior. Nem mesmo o inferno poderia ser tão repleto de obscuridade, tristeza, maldade.
Retirou os olhos do louco e encostou sua garrafa suja de água nos lábios trêmulos. Já se fazia dois dias. Quase não havia mais suprimentos, mal conseguira comer, tinha certeza de que não dormira um segundo que fosse. Um gole quente rasgou sua garganta e ele novamente segurou sua metralhadora pesada, virando-se para os sacos de areia, tentando não se importar com a trincheira e todo o mau que ela lhe trazia. Precisava continuar lutando. Pelo seu país. Pelo seu pai. Por ela.
Assim que seus olhos se esgueiraram sobre o saco de areia mais uma vez, alguém atirou contra ele. Joshua se abaixou. Por um milésimo de segundo não havia sido baleado. Com a adrenalina correndo as veias, virou-se imediatamente e cruzou o fogo. Viu a cabeça do homem desaparecer e abaixou-se novamente, os tiros sendo diferidos contra seu saco de areia impiedosamente. Sentiu vontade de se levantar mais uma vez e atirar contra mais cinco alemães nojentos, sem medo e sem escrúpulos, como fizera algumas outras vezes. Seu interior clamava por aquele perigo, pela vontade de arriscar sua vida miserável num fogo cruzado e ajudar na guerra, vingar seu pai da maneira que deveria.
Aqueles alemães haviam começado a guerra. Por culpa deles, Wayne Farro estava morto.
E Joshua não hesitaria em arriscar sua própria vida em honra à vida de seu pai. Pelo menos, era assim que o jovem encarava a guerra antes de conhecê-la.
Agora ele sentia medo. Sentia medo de não vê-la novamente.
Foi por isso que ele não se ergueu de uma vez e ativou sua arma automática, abusando de sua boa mira e habilidade bélica para acertar o meio da testa daqueles soldados inúteis. Por que se ele fosse baleado, poderia morrer. E se morresse, nunca mais veria Hayley.
Ele não tinha mais noção de tempo. Não se dava conta da alvorada, não dormia ao pôr do Sol. Sentia-se fraco, pequeno, um escravo do medo e de tudo o que era de mau. A morte percorria-o, rodeava-o como nada jamais rodeara antes. Ela estava ao seu lado, em seus conterrâneos, caídos, aos seus pés. Estava acima dele, nas estrelas que vinham junto à Lua, recebendo todas as pobres almas que subiam, impiedosamente, vítimas de uma guerra insana. A morte estava em suas mãos. Pesava seus músculos dos antebraços e apoiava-se em seu ombro. Saía em fogo, a bala que se alojava no inimigo.
Joshua não queria morrer, mas sabia que era a morte. Sabia que a cada minuto que respirava, era um minuto mais próximo de seu fim. Ainda enquanto atirava, sentava-se no chão sujo, abria uma lata e tentava colocar água em seus lábios, ele sentia-se um grão de areia em meio a um deserto. Inútil, pequeno, sem valor. Sentia vontade de chorar por querer ser algo mais, por querer aproveitar o tempo que lhe fora dado. Sentia vontade de chorar por saber que o tempo que deram ao seu pai fora-lhe cruelmente retirado.
Então ele levantava-se, engolia as lágrimas, e atirava novamente, rezando para que um dia Deus pudesse perdoá-lo. Ou para que, um dia, ele obtivesse a chance de se redimir perante sua inferioridade.



[...]



Os soluços invadindo sua garganta, os olhos transbordando, os pulmões respirando o ar seco do deserto com toda a voracidade, Hayley não podia acreditar. O terror, dominador e indomável, antes corria em suas veias acompanhado do sangue. A hipótese quase certa da morte do único homem que um dia ela realmente necessitara estar morto era muito mais do que dolente. Saber que ele estava há quatro dias e três noites no maldito campo de guerra, lutando, em meio a tanta sujeira e tanta violência. Saber que a todo o momento, homens chegavam, mortos ou completamente ensanguentados, fugidos das trincheiras, mas não sabiam responder a ela se Josh ainda estava vivo. Saber que ele só precisava de uma simples perfuração para que não estivesse mais junto a ela. Saber que isso poderia ter acontecido. Talvez houvesse acontecido.
Fazia-a querer morrer também.
Hayley nunca se sentira tão dependente de alguém antes; nem mesmo em relação a Pierre, desde sempre seu anjo protetor. Passara os últimos dias com a garganta apertada, o estômago revirado. Passara as últimas sessenta horas dentro da tenda dos doentes tropicais, mas olhando a fila de homens que chegavam das trincheiras a cada cinco minutos. Tinha, tanto, a esperança de encontrar Josh por ali, em pé, sujo de terra, conversando com um de seus amigos, intacto, vivo. Olhava para cada rosto, cada homem, sem conseguir respirar pela perspectiva. Então, ao não vê-lo, seu coração murchava, sua garganta se fechava, o choro queria se desencadear. Doente, machucada, aflita, atormentada e angustiada, ela voltava para a tenda onde homens esperavam sua morte impassível. O estado em que alguns se encontravam fazia-a sentir-se ainda pior. Havia um tempo em que ela honestamente não se importava nem um pouco com a saúde, física ou mental, desses americanos e ingleses tortuosos. Para ela, mereciam sofrer, tinham o direito o de estar ali, no leito de morte, sofrendo, só pelo fato de fazerem parte da mesma nação que retirara o seu anjo protetor da sua vida. Não lutavam do lado certo. Deviam morrer, da forma mais dura possível.
Tudo estava tão sombrio agora. Suas preocupações e ideais estavam tão nebulosos, incertos. E ao mesmo tempo em que ela gostaria de voltar a ser o que era antes, enjoava-se da pessoa que um dia fora. No fundo de seu coração, Hayley só queria viver. A vida, a dor, o sorriso, o amor.
Mas sabia que isso seria impossível sem ele. Percebeu que, muito embora o conhecesse há muito pouco tempo, era como se seu coração o reconhecesse desde sempre. O gosto de seu beijo ainda rondava seus lábios, o cheiro de seu corpo ainda invadia seu olfato. Nada doía mais do que imaginar a hipótese de que aquela seria a última vez que ela os sentiria.
Por isso, agora, Hayley chorava. O alívio que invadia seu corpo era muito maior do que qualquer coisa que já sentira antes. Não podia acreditar que após dolorosos quatro dias, finalmente ela estava em seus braços. Finalmente sentia o corpo dele junto ao dela. Finalmente tocava seus cabelos finos, seus ombros fortes, mas ao mesmo tempo tão frágeis. Não podia acreditar que sentia sua respiração no pescoço, que sentia o calor de seu corpo, que sentia as mãos dele tocarem sua cintura com tanta força, como se ele precisasse dela tanto quanto ela precisava dele. Não podia acreditar que largara tudo o que estava fazendo na tenda dos doentes tropicais e saíra correndo para depois cair em seus braços, seu peito, seu abraço, nele em si. Não se importava se estava sendo indulgente, abraçando-o no meio da fila, atraindo os olhares de seus colegas enfermeiros e dos soldados que ali se encontravam. Não se importava nem mesmo se Rudolph assistiria a cena. Tudo o que precisava, naquele momento, era abraçá-lo, ter a certeza de que Josh estava ali, vivo, para ela. Abraçá-lo até que o calor do corpo dele jogasse fora a angústia, o medo, a tortura. Abraçá-lo até que ela se sentisse viva novamente.
— Estou aqui — sussurrou Joshua, os lábios secos beijando sua testa, as mãos calejadas apertando sua cintura. Hayley ainda soluçava baixinho em seu peito, segurava-o com toda a força possível. — Estou aqui, anjo. Estou aqui.
— Achei que... você havia sido morto... — disse ela, aliviada e desesperada ao mesmo tempo. — Eu estava tão... tão...
Exausto e ao mesmo tempo aliviado, Josh beijou sua testa novamente. Segurou seu queixo delicadamente, fazendo-a olhar para seu rosto mais bronzeado do que o normal, seus olhos castanhos e cansados, suas bochechas cobertas por pelos que insistiam em nascer.
— Estou aqui. Voltei para você. Vivi para você. — Disse ele, ainda com os olhos colados aos dela. Não aguentava vê-la daquela forma. — Acalme-se, anjo. Não irá livrar-se de mim assim tão facilmente.
Sem saber exatamente como, Hayley conseguiu sorrir. Abraçou-o novamente, com força, e escutou-o gemer de dor. Preocupada, afastou-se no mesmo momento.
— Está machucado? — perguntou.
Josh suspirou.
— Dolorido — esclareceu ele. — E exausto. Um morto-vivo. Cortei a mão esquerda com uma lata — ele lhe mostrou, mas Hayley não conseguiu ver exatamente onde estava o corte. A mão de Josh estava cheia de sangue seco e terra, muita terra. Sua pele nunca esteve tão morena, seus olhos, tão cansados. Hayley já havia visto casos piores do que aquele e sabia que ele precisava urgentemente de sono.
— Preciso voltar ao trabalho de qualquer maneira — ela mordeu os lábios. — Quando sentir-se melhor, me procure, sim?
Ela pôde vê-lo sorrir.
— Já estou melhor por te ver.
De fato, estava. Ainda que Joshua não houvesse dito a ela o real motivo de ter cortado a mão, o quanto sua pele ardia por conta do sol, ou o número de pessoas que vira morrer (e que matara). Estava feliz por finalmente ter saído da trincheira, mas odiava saber que estivera lá um dia. Odiava saber que necessitaria voltar para lá muito em breve. Simplesmente odiava.
O corte em sua mão só provava a ele o quanto aquele ódio era compreensível. Uma faca que cruzara sua palma quando ele tentou impedir um homem de se matar em meio a tanto ódio, sofrimento, podridão. Para poder enfiar a faca no próprio estômago, o homem precisou passar a lâmina na mão do soldado para que o deixasse fazer o que queria. Joshua ainda se lembrava da cena. Viu o rapaz, com lágrimas nos olhos, girar a faca em seu próprio abdômen, e puxá-la, aos berros. Apunhalou-se de novo. Gritou. E apunhalou-se de novo, antes de cair ao chão, cuspindo sangue enquanto implorava misericórdia à Virgem Maria. Com a mão jorrando sangue, o som dos tiros ressoando seus ouvidos, Joshua Farro assistiu seu conterrâneo morrer em alguns minutos. Sua faca alojada na barriga perfurada. Seus olhos, grandes e azuis, abertos, sofredores. Não o conhecia, mas o reconheceria em qualquer lugar. Aquele homem provavelmente abandonara mulher e filhos no momento em que retirou a própria vida para fugir da guerra.
Aquela imagem não sairia de sua mente tão cedo. Joshua sabia. Sentia que, se fechasse os olhos, o veria morrendo mais uma vez. Sentia que não havia sabão e água o suficiente para lavar a maldita lembrança de seu corpo. O sangue quente daquele homem estava impregnado nele. Para sempre.
Isso era a guerra. A mancha de sangue em sua alma, que jamais dispersaria, jamais iria embora. A morte. A maldade. O sofrimento.
Ver Hayley a sua frente, finalmente, fazia-o acreditar que ainda existia amor no mundo. Joshua queria acreditar. Queria acreditar que sairia dali, junto a ela, e eliminaria a mancha de morte e sangue fresco de sua alma sofredora. Mas não iria. Não enquanto se lembrasse do homem de olhos azuis apunhalando-se e morrendo. Não enquanto não perdoasse a si mesmo pelos tiros que diferira a tantas pessoas, ainda que fossem alemães nojentos. A mancha estava para sempre em seu espírito para sempre.
Joshua era a mancha.




ENTÃÃÃO.... isso ficou meio forte. ÇPAOSK~PQOASJÇPQIJKAWS
Justamente toda aquela parte da guerra e tudo mais, eu expliquei que ia ser complicado ):
MAS ENFIM, AMORES, fala sério. Eu ENTREGUEI O SEGREDO DA HAYLES DE BANDEJA NESSE CAPÍTULO, HEIN? AÇOSIQJWÇOAISHÇOQIWJSAOIJW já tem uns espertinhos que sabe o que tá acontecendo. E aí? Cê sabe? me conta nos comentários.
E.... tudo bem, eu não sei mesmo o que dizer mais, por que disse tudo na Trucker. ÃPSOQL~PSOKAS mas enfim.
Amo vocês. Comentem pra mim, sim? Esse capítulo foi muito difícil de escrever, ainda que seja tão..... pequeno. Desculpem por isso. Sério. Mas enfim. <3
Muito amor,
Ahniras <3



Capítulo 6


Puxe-me



ALOOOOOOOOOOOOooooooOOOOOOOOOOO <3 oi amores míos, como vão vocês?
EU VOU MUITO BEM, OBRIGADA. Mas explicarei o porquê de tanta felicidade:::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::não existe exatamente um porquê.
Quer dizer, a pessoa não precisa de um motivo pra estar feliz, certo?
Certo.
Yay.
Se você não está feliz, espero que esteja até que seu cursor esteja no fim desta página (: ÇOKAÕPLKS~PAL
Mas deixa eu falar: já tem um tempinho que não posto aqui, AND I KNOOOOOOW. Eu sei que não postei no domingo passado como prometi, okay? Não precisa jogar na face. Eu sei. Sei que deveria ter sido mais responsável e postado como prometi de fato, mas não rolou. Vou explicar o porquê:
a) eu não tinha escrito Trucker, e sim, Renascer.
Leitor: MAS SARINHA PÔ TU TBM NAO POSTOU NA RENASCER NÃO VLH
Verdade, querido, não postei. MAS SÓ NÃO POSTEI POR QUE O WORD INFELIZ COMEU METADE DO MEU CAPÍTULO!!!!!!!!!!!!!!!! E EU FIQUEI COM MUITO ÓDIO.
Por que, cara, eu tinha mandado aquele capítulo pro meu email, e só faltou o final. FOI JUSTAMENTE A PARTE QUE O WORD COMEU. Não sei exatamente como, mas creio que ele mandou pro arquivo de compatibilidade, mas aí eu joguei o original no backup, formatei minha maquinazinha, joguei o windows 8 e então, quando fui abrir o arquivo da Renascer: KD, NAO TEM
Capítulo 5 puff
Então eu fiquei muito puta mesmo e não postei foi nada. Por que é o que acontece quando estou mt puta.
Já aqui na Trucker, eu não havia escrito por que não sabia just o que fazer :C esse capítulo ficou mais ou menos bom, mas deveria ter ficado melhor, eu penso ÇAPLSKQÇPOKS~POLAS enfim. Eu não sabia o que fazer e fiz isso aqui, com a ajuda das minhas cobaias da noite, Arielle e Becca. Então um salve pras gurias que foram minhas cobaias.
É só que às vezes é impossível planejar um capítulo sozinho. Justamente quando você está bloqueado. Tem que interagir sobre a fanfique com alguém pra vc se animar, sacomé. Então Ari e Becca me ajudaram um bocado e escutaram todo o diálogo do fim deste capítulo, que fiz na hora s2s2s2
Eu tenho mais coisa pra falar, o que mesmo, hm................
Putz, tenho dever de matemática pra fazer D: 
Mas não era isso.
Hummmmmm........
AH É. ADIVINHA O QUE TEM NESSE CAPÍTULO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
APÇSLQASOPKQÇPOIJSALIUQHGWLSYIVQLIWHSÇJIQÇOWASLKOIKQJÇPIAKSÇPOQWKÇSJOKÇQOIWJKÇOIJÇPQOWSKIPAOSJ~PQOS~IKQ~POWJÇSOAIHQLIEVYULDBAIHÇSOQHWNSALIUVDBQIYGBAÇSUOQHÇWOSIJD~PAJKS
DEPOIS DE MUITO TEMPO
TIPO MUITO TEMPO
MUITO TEMPO MESMO
E MUITOS CAPÍTULOS ESCRITOS
DE MUITAS FICS
MUITAS MESMO
NÓS VAMOS TER UMA MÚSICA ACOMPANHANDO O PROCESSO LITERÁRIO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!1111111111111
s2s2s2s2
Eu fiquei bastante em dúvida em relação a que música usar, por que escutei várias enquanto escrevi esse capítulo. Rebeca deu a ideia de "Huricane" da Panic!. Mas não. Não cabia, embora me inspirasse um pouquinho. Pensei também sobre a "Heart Attack", a nova da Demi (QUE SÓ POR ACASO ESTÁ MUITO BOA), mas também não coube muito e deixei pra lá.
Estava quase desistindo quando a voz de Luke Pritchard começou a tocar no meu modo aleatório da playlist "Para Escrever a Trucker".
((((((((((((((: 
Cês vão ter The Kooks hoje.
ALÉM DISTOOOOOOOO, fiquem de olho na página (Con)textuando no face, que eu tô dando bastante spoiler entrelinhas. (:
ALÉM DISTO, caramba, dia 25/02 foi aniversário da Renally Vasconcelos, essa linda! E acabou que não deu pra eu preparar nada pra ela, como preparei para a Iza (que fez niver no dia 22/02, eu dei a ela um conto, você pode lê-lo clicando >AQUI<) PORTANTO, este capítulo da Trucker é dedicado a ela :3 
Nally, amor, feliz aniversário! Josh e Hayley pra você!
Que maissss?????? hmmmmm
Ah, sim, falando em conto. Muita gente me encheu o saco e eu acabei postando a Meu Melhor Amigo Colorido (se você me acompanha since época do Nyah! Cocôction, sabe que essa foi uma one muito querida, embora muito mal escrita), e você pode lê-lo em sua versão original. EU AINDA PRETENDO REESCREVÊ-LA UM DIA.
Quem sabe.
ABOUT LAST CHAPTER
Dez comentários???????? NHAAAAAAAAAAA QUASE CHOREI (considerando 11 por causa do comentário da Fer que nao postou). CARA, VOCÊS SÃO LINDOS DEMAIS, E AMO VER VOCÊS COMENTANDO PRA MIM AGAIN ASLQJOIWÇOGBHLIQUWHÇOSIJQÕSKAOS sério, vocês não sabem o que um comentário pode fazer para uma autora. É como um combustível. Eu me sinto muito feliz quando vocês comentam pra mim, juro. Eu... não consigo nem dizer o quão gratificante e feliz é. Dá vontade de pegar você, leitor, abraçar você, morder você, beijar você e te amar pra sempre. Nhw. Comente para mim e me faça feliz *u*
(A propósito, desculpe não ter respondido nenhum deles </3 mas eu amo vocês anyway e darei meu melhor pra responder os desse post aqui).
E eu notei que vocês todos amam muito o Josh. Com a exceção do Rafa. O Rafa odeia o Josh. O que mostra que ele é uma pessoa melhor do que vocês, oras, por que ele reconhece a cafajestice do indivíduo e decide manter distancia dele e quer que Hayley também o faça para que nao machuque seu coraçãozinho.
Pena ter de desapontar meu menino s2 RAFA, LOVE YOU, MAS ISSO NÃO VAI ACONTECER.
Quanto a mostarda: Hayley ama, não importa se vocês não o fazem -n
Salve especial pro Guibs, pro Diogo, pra Larissa e pra Nats, pra Sofia s2, pra Vitória linda, e pra Becca e Arielle que foram minhas cobaias amor. CAPÍTULO AINDA DA RENALLY <3 e...
é isso, vou calar minha boca.
See you lá embaixo. :3





PlayNOW: Pull Me In - The Kooks (Não se esqueça de repetir quando acabar!)





Fechei a porta do meu quarto com tanta força que o barulho ressoou meus ouvidos. Recostei-me nela com força, meu coração pulando do peito, minha boca latejando vorazmente. Ainda sentia o gosto de chiclete de menta preso na língua, meus lábios ainda estavam molhados, adormecidos e felizes pela experiência.
O relógio na minha escrivaninha apontava às duas horas e meia da tarde, e eu nunca fiquei tão agradecida por não precisar ir trabalhar. No dia anterior, quando Beth chegou do salão de beleza, dissera que eu não precisava comparecer no dia seguinte, pois ela e as crianças fariam compras em Nashville. Quase a abracei e chorei em seu ombro de emoção, mas me controlei, feliz com a ideia de que dormiria um dia inteiro. Agora, quando o dia chegara, eu sabia que jamais conseguiria dormir depois do acontecido. Não depois de ter feito o que tinha feito.
Ah, caramba, me desculpa por estar te mantendo desatualizado de novo. Juro que não é minha intensão. Apenas estou atordoada demais.
Por que eu beijei Josh Farro de novo.
O.k., vamos lá, me julgue. Vá em frente. Diga o quão errada eu fui em fazer aquilo. Pode me chamar de burra, tudo bem, eu aguento. Sou mesmo. Uma impulsiva idiota que não controla o que sente de jeito nenhum.
(Se pelo menos ele não fosse tão gostoso...)
E eu sei que não deveria ter feito aquilo, tudo bem? Não pense que eu não tentei. Não pense que eu não estava me policiando para não ficar com ele, justamente por que eu achava sim, que ele era um idiota, metido a superior, riquinho, quarterback, e tudo o que eu odeio em um cara. Disse isso a ele dois dias atrás, você bem se lembra. Lembra também que ele tentou me beijar e eu lhe dei um belo chute nos seus futuros filhos e lhe disse para ficar longe de mim. Juro que depois de ter sido a pessoa mais desagradável do mundo, achei que ele largaria do meu pé.
Mas eu estava enganada! Mesmo depois de bater nele um milhão de vezes, o garoto ainda me persegue! Como isso pode ser possível? Ele é maluco?
Claro que ele é maluco. Meu Deus. Só pode ser maluco.
Deixe-me contar a você como isso foi acontecer.
O dia começou normal. The Civil Wars me acordou, eu tomei um banho, e fui até a escola com Dakotah que estava com o maior mau humor matinal. O que contribuiu para o meu mau humor matinal. O que contribuiu para o mau humor matinal de Jenna, o que contribuiu para Kathryn nos xingar e dizer que éramos as adolescentes mais instáveis do universo. Então ela foi conversar com a equipe do jornal, e seguimos para as aulas.
Tive espanhol, inglês e filosofia. Então tive pausa para o intervalo, comi sanduíche enquanto Dakotah falava mal de Taylor York, que havia jogado bolinhas de papel em sua cabeça durante toda a aula de literatura. Após o lanche, tive literatura e dois tempos de biologia. Pausa para o almoço, não encontrei Dakotah, que tinha ido direto para a luta greco-romana, mas encontrei Kathryn, que estava comendo uma barra de cereal enquanto revisava a matéria que uma aluna do primeiro ano havia escrito, por isso nosso assunto se resumiu a erros ortográficos. Então ela foi embora, e eu encontrei Zac pela primeira vez na escola, que fez questão de me chamar de “HBomb”. Controlei minha vontade de bater nele e segui em frente, antes do sinal bater, até o treino de vôlei. Agora que tínhamos a rede, a treinadora me mandara trabalhar no saque, por que eu tinha um braço forte. Ainda que tenha me aconselhado a mudar de atividade extracurricular por eu ser muito baixinha.
Também controlei minha vontade de mandá-la à merda.
De qualquer maneira, quando troquei de roupa e cheguei à quadra, minha turma de vôlei feminino não estava jogando. Todas as meninas, sem exceção, estavam sentadas nas arquibancadas, por que alguém já estava usando a quadra. Tome como “alguém” o time inteiro de futebol americano.
Dirigi-me às arquibancadas também, e sentei-me, sem entender nada do que estava acontecendo. Virei-me para uma das meninas que eu havia esquecido o nome, mas que era simplesmente a pior do time, e que tinha os olhos grudados no time de futebol americano como se sua vida dependesse disso. Apostava meu almoço que ela tinha uma queda por algum daqueles jogadores imbecis. Decidi pegar informações com ela, mesmo assim.
Eu: O que diabos está acontecendo aqui?
Ela: O time de futebol está treinando.
Eu: Isso eu entendi. Quero saber o porquê de eles estarem aqui.
Ela: Parecem que estão cortando a grama do campo ou algo assim e eles precisam de um lugar para treinar, por que o primeiro jogo interestadual é daqui a uma semana.
Eu: E nós que pagamos por isso?
Ela: Bem, sim, mas eu nem me importo. Pode ser que isso fure o treino de hoje, e eu ainda estou com os braços meio doloridos.
Eu acreditava nela. A menina aprendera a fazer manchete fazia muito pouco tempo, e não me pergunte como, mas seus braços estavam cheios de manchas roxas provavelmente muito doloridas. Pobrezinha.
De qualquer maneira, pus-me a observar o jogo idiota e profundamente sem noção que era o futebol americano. Não que eu tenha alguma coisa contra a violência em si, pois você e eu sabemos que não, mas eu ainda não sou a favor de violência gratuita. Geralmente brigo por um motivo (seja ele o menor que for), e defendo a ideia de que motivos são necessárias para toda e qualquer treta. Não sou fã de esportes que tenham como base a violência, como o futebol americano e o hóquei, afinal, o esporte deveria ser amistoso. Gostaria que as mães desses jogadores estúpidos lhe dessem uma boa surra para aquietar seus espíritos brigões.
(Por mais que seja hipocrisia eu estar falando isso. Você já sabe que minha moral não é a das melhores.)
E, como você bem sabe, Josh Farro estava jogando, por ser o principal quarterback, e tal. Também estavam lá seus amigos, Jeremy e Taylor, todos eles com um uniforme sujo e malfeito — penso eu que eles não usam os melhores uniformes para treinar —, gritando, se comendo na porrada, caindo no chão, chutando e arremessando uma bola achatada, e fazendo coisas que se fazem em futebol americano. Quando eu morava em Meridian, aprendi alguma coisa sobre isso, por que Michael costumava assistir a algumas partidas. O que eu achava bastante esquisito, por que o marido de minha mãe era o cara mais passivo que eu já conhecera.
Nunca tentei entendê-lo, entretanto. Não é esse o ponto. Vamos voltar ao meu início de tarde, onde eu ficava, contra minha vontade, sentada em uma arquibancada nojenta, olhando adolescentes desprezíveis brigarem uns com os outros dentro da “lei”. A menina ao meu lado parecia rezar para que a partida durasse muito, e minha treinadora estava quase arrancando os cabelos de ódio. Tentei imaginar o que poderia desencadear o treino do time de futebol na quadra de vôlei e basquete, e quase pude ouvir a voz de Kathryn no fundo de minha mente, dizendo-me que aquilo era obra do diretor, ex-jogador de uma liga estadual, que não suportava ver a Franklin High School levando o título do campeonato municipal todo santo ano. Por isso, vivia para educar e treinar os jogadores de sua querida Centennial.
Brincadeira. Eu nem sei se a Franklin High School tem um time de futebol americano.
Mas você tem que me dar um crédito pela teoria.
Vangloriava-me mentalmente enquanto procurava os fones dentro de minha mochila e encaixava no meu tijolo que sabe fazer ligações — vulgo celular. Logo, o som provocante da Nine Inch Nails começou a ecoar em meus ouvidos. Coloquei a mochila atrás das costas e me recostei, perdendo-me gradativamente, feliz por não precisar correr para lá e para cá atrás de uma bola. Poderia ter sido esperta e escolhido uma atividade extracurricular menos exaustiva. Mas, sabia que, lá no fundo, se pudesse voltar e fazer tudo de novo, não faria nada de diferente.
Tudo isso mudou quando Josh Farro percebeu que eu havia chegado.
Ficou bem explícito — ele não parecia ser um homem que escondia sua índole ruim. De repente, escutei a Menina Dos Braços Roxos ao meu lado começar a indagar se Josh estava olhando fixamente para ela, ou era apenas sua impressão. Outra garota, a Alta Que Usa Óculos Da Aula De Álgebra, começou a dizer Menina Dos Braços Roxos que provavelmente Josh estava olhando fixamente para ela, por que ambos tiveram um pequeno caso seis meses atrás. Então, todas as jogadoras ao meu redor começaram a discutir entre si para saberem para quem Josh estava olhando e, apavorada, dirigi minha atenção à quadra.
E, diferentemente daquelas gurias, eu não estava equivocada. Josh olhava para mim. Eu tinha certeza disso, por que ele sorrira e sussurrara meu novo apelido. Sim, pois é, você sabe qual é. Recuso-me a dizê-lo agora a você. Eu o odeio. Por tudo o que é mais sagrado. Não existe nada que eu odeie mais do que esse apelido nas circunstâncias atuais. Seria capaz de socar a primeira pessoa que o dissesse na minha frente. Inclusive aquele porquinho do filme.
Josh segurou nos ombros de seus colegas de time. Gritou alguns números estranhos (“VINTE E OITO, QUARENTA, TRINTA E QUATRO, NOVE NOVE, VAI VAI VAI!”), e então a gandaia começou, porrada, socos, encontrões e tudo o mais. Você sabe. Não tenho como descrever tudo a você. Tente imaginar, você está fazendo um bom trabalho.
A questão é que Farro pareceu fazer questão de ser o rei da porradaria. Sem consegui retirar meus olhos da quadra, vi-o correr até a lateral esquerda, e seu amigo Taylor mandou-lhe a bola achatada idiota. Josh agarrou-a como se sua vida dependesse disso, e então, um milhão de rapazes começaram a correr atrás dele, como um bando de tigres corre atrás de um filhote de zebra. Notavelmente, Josh correu como um condenado, a bola entre seus braços fortes, a zebra em apuros que era. Tudo parecia o.k. até um dos guris aparecer a sua frente. Josh o derrubou.
Simples assim. Não sei bem explicar a você como aconteceu. Sei apenas que ele se curvou levemente para frente, deu um encontrão de ombros limpo nas pernas do sujeito, e ele caiu para o lado como um pino de boliche ao ser atingido pela bola. Puff. Simples assim. E Josh continuou correndo, a bola quietinha nos seus braços fortes já anteriormente mencionados.
Com o ombro, Josh derrubou outro cara que se colocou a sua frente. E outro, com mais um golpe limpo nas pernas. Livre, ele havia atravessado toda a quadra até chegar à linha marcada, e jogar a bola com toda a força no chão. Os caras com o uniforme azul idêntico ao de Josh gritaram seu sobrenome, as garotas que assistiam ao jogo ao meu lado berraram como gralhas no cio, e eu, bem, apenas assisti. Josh olhou para mim. Josh disse meu nome — meu nome mesmo — e apontou o dedo para mim. “Para você ver do que sou capaz, baby”, quase pude ouvi-lo dizer. Fiquei imóvel. Estremeci. A Menina Dos Braços Roxos gritou para as outras meninas que eu estava infectada, mas eu estava tão pasma que nem sequer pensei em acertar o seu nariz com um soco.
Aquele filho da mãe do Farro tinha feito um touchdown e basicamente dissera a todo mundo que estava louco para ter um caso comigo. Isso se não os fizesse acreditar que já estava tendo.
A raiva cresceu dentro de mim como a força de uma chama na floresta seca (perceba que hoje estou uma beleza com comparações), queimando e obstruindo tudo. Já não bastava Josh ser um idiota, maluco e pervertido. Ele tinha de ser um idiota, maluco, pervertido, e espalhar para Deus e o mundo que estava muito mesmo a fim de me agarrar.
Revidei seu olhar comedor com um olhar “vou te chutar de novo, desgraçado”.
E ameacei quebrar a cara das meninas que continuavam fofocando, dirigindo meu olhar principalmente a Menina Dos Braços Roxos, que parecia se urinar de medo de mim. Digamos apenas que eu posso ser bem intimidadora, se quiser. Frustrante é quando não consigo fazer com que essa intimidação tenha o efeito desejado.
Como acontece atualmente com Josh Farro. Quer dizer, droga, eu chutei bem aonde dói! Lá na coisinha de menino dele! Eu sei bem que existem invariáveis nomes para aquela parte do corpo, mas eu honestamente acho todos extremamente sujos, ou apenas clínicos demais. Portanto, pulemos as partes dos nomes, e vamos à ideia apenas de um golpe em tal lugar dói muito — segundo, é claro, as opiniões alheias, por que você sabe que eu não tenho como saber. Mas, caso você seja uma menina, eu geralmente faço uma comparação em relação à dor que sentimos... hum. Em cima. Sabe? Quando está crescendo. Por aí. Você me entendeu.
A conclusão à que chegamos é de que dói pra caramba.
E ainda assim, depois de eu ter ameaçado sua virilidade masculina com um chute limpo na sua bolsa de bichinhos loucos por fecundação, e ter-lhe ardido a face com mais um tapa bem dado e preenchido, Josh ainda parecia avidamente apto a me agarrar. Puta merda! O garoto simplesmente não desiste? Quantas vezes eu precisarei bater nele para que ele entenda? Mil?
O problema é que lá dentro da minha cabeça, uma vozinha dizia que eu teria de matá-lo antes que ele desistisse mesmo de mim. Mandei-a à merda e disse que o faria se fosse preciso, mas queria aquele quarterback idiota fora da minha feliz vida.
Desliguei Nine Inch Nails assim que a voz de Trent começou a falar sobre coisas inapropriadas para o horário. Não estava mesmo a fim de escutar essas coisas enquanto Josh Farro me encarava daquela maneira.
Com o último touchdown dele, não houve mais necessidade do time de futebol continuar com seu treinamento. O técnico deles apertou a mão da minha treinadora e agradeceu, e eu a vi sorrindo muito falsamente. Dava para notar que por dentro ela queria pular no pescoço daquele homem. A cena me divertiu enquanto eu pensava, com um alívio, que Josh Farro finalmente estava indo embora. Isso até me motivou um pouco a jogar melhor.
Mal deu para fazer isso, na realidade. Tivemos treino apenas por meia hora, e minha posição dentro da quadra não exige que eu corra muito. Mas salvei todas as bolas que me firmei a salvar. Acho que estou ficando boa de verdade nisso. Além do mais, fiz questão de deixar as jogadas mais difíceis para a Menina Dos Braços Roxos (que na realidade se chamava Aubrey, mas ignoremos), para provar apenas que seu espírito fofoqueiro lhe concedera uma inimiga. Eu não me importaria mesmo de acabar de bater nela, mas a bola estava fazendo um bom trabalho, por isso deixei para lá.
No fim do treino, não estava porcamente suada, como de costume. O short de laica ainda estava colado as minhas coxas sem problemas, meu cabelo preso num coque, a blusinha do uniforme presa ao meu corpo, seca. Só sentia bastante calor e minha nuca estava um pouco molhada. Nada demais. Daria para eu ir para casa, tomar um banho, lavar a cozinha e dormir um pouco antes de McKayla chegar (já que eu não precisara trabalhar). Parecia-me bom. Para além de que esquecer o acontecido com Josh Farro seria bastante fácil.
Porém, é claro que você sabe que se algo pode dar errado, dará. Murphy disse isso. O filho da mãe.
Adivinha com quem dei de cara assim que saí do ginásio.
Pois é. Josh Farro estava lá, logo na frente do ginásio (que dava para o estacionamento), recostado em seu carro antigo azul (mil desculpas, eu realmente não sei a marca, mas sei que tem pelo menos três décadas e que parece novo, ainda assim) e profundamente polido, uma calça jeans gasta e apertada pousada nas pernas e coxas definidas, uma camiseta branca com gola V (SÉRIO. GOLA V. EU O ACHARIA GAY SE ELE NÃO FOSSE TÃO GOSTOSO.), o cabelo molhado, o olhar comedor, o sorriso “quero-te-ter-agora” que fez meu coração acelerar. Droga de pulsação traíra.
— Baby! — disse ele, chamando minha atenção, claramente. Minhas colegas de time já haviam ido embora, mas eu tinha quase certeza que alguém estava olhando tudo aquilo. Estávamos no estacionamento do colégio. — Belo jogo aí dentro. Soube escolher suas jogadas. Bastante esperto da sua parte.
Quê?! Alguém quer me explicar como raios ele assistiu ao meu treino e eu não o vi?
Tudo bem. Calma. Controle. Você é mais.
— Você não desiste — acusei, com a voz mais entediada existente. Isso, continue assim, voz. Não traia seu próprio corpo.
Josh sorriu daquele jeito de novo.
— Lembre-se da conversa que tivemos dois dias atrás. Sou o cara mais determinado que você já conheceu — não sei se é necessário que eu acrescente que ele me olhou daquele jeito novamente.
— Vai se danar — disse eu simpaticamente.
Isso o fez rir.


Eu tenho esse sentimento às vezes... Como se não houvesse nada no mundo que não fosse meu.
E eu poderia ter tudo.
Talvez eu devesse ter tudo.
Eu vou te levar para fora da sua vida.


— Viu o ponto que fiz para você?
— O quê? — perguntei de imediato, sem pensar.
— O touchdown, baby. Vou precisar te ensinar futebol, também? — ele me perguntou com seu tom de voz cansado, mas ainda assim provocante. Quis quebrar o seu nariz com um golpe limpo. Filho da mãe.
— Não é necessário. Tudo o que preciso saber de futebol americano é que os jogadores são uns imbecis. Bato neles. — Disse, curta e grossa, devolvendo o olhar de Josh da forma mais agressiva que conseguia. Por que isso fazia a Menina Dos Braços Roxos estremecer de medo, e divertia Josh?! Mas que merda.
— Sou perito nisso — ele sorriu.
Bufei.
— Então deveria sair de perto de mim como mandei.
— Não tô mesmo a fim — disse ele, jogando os braços para cima. Cínico filho da mãe.
— Você é um idiota — as palavras saíram da minha boca sem que eu pudesse controlá-las. Simplesmente a maior verdade de todas. Todo o meu corpo e mente voltavam-se à mesma máxima de que o garoto a minha frente era o rei dos idiotas de plantão.
— Sou — ele assumiu, torcendo os lábios.
Apertei os olhos. Estou perdendo tempo com esse imbecil. Bufei, odiando-me por dar corda à sua conversa, e me virei. Não estava realmente a fim de ficar no meio do estacionamento jogando papo fora.
— Vou embora — disse eu, enfim, e me virei para ir.
— Te dou carona! — ele falou, meio alterado, batendo no capô de seu carro antigo que não sei o nome. Virei o rosto só para rir para ele.
— Tchau — disse, virando-me de novo, jogando a mochila nos ombros e começando a andar.
Infelizmente, Josh começou a andar comigo.
— Sério, te dou carona — disse ele, andando na minha frente, todo convencido e idiota. — Não se preocupe com isso. Já dirigi coisas dez vezes maiores do que aquele carro.
Bufei.
— Não estou duvidando de suas habilidades na direção. Só duvido da sua índole ruim.
Então Josh parou de andar, forçando-me a parar também. E riu. Riu mesmo, como no dia em que me encontrou na cozinha de sua casa. Parecia que eu havia lhe contado uma piada. Quis quebrar sua perna por isso.
— Baby... — começou ele, se acalmando gradativamente. — Você é ótima em se enganar.
Agora sim eu queria quebrar sua perna.
— Perdão? — disse eu, cordial, só para ter um motivo para bater nele até que ele chore.
— Pare de mentir, Hayley — ele disse meu nome e olhou nos meus olhos. — A única pessoa aqui que você não confia, é em você mesma.
Desgraçado pretensioso. Vou quebrar os ossos do seu corpo.


E eu poderia levar tudo. Oh, talvez eu possa enganar.

É fácil escolher e pegar.
Com você e eu nós podemos só perder.
Só não me esnobe... E não vou te eliminar.


— Você não tem mesmo medo de apanhar, certo? — disse eu, bufando de raiva. Meus pulmões já estavam a maior loucura não por que Josh estava perto, e sim por que minha raiva era colossal.
 Mas ele riu de novo daquele jeito.
— Então me bate — disse ele, provocando. — Se isso faz você acreditar que não gosta de mim, baby, me bate. Mas você sabe... você sabe que isso só aumenta o desejo.
Virei minha mão em sua face, de forma livre, limpa e bonita. Gostaria de reproduzir o som a você, simplesmente por que foi lindo, música aos meus ouvidos. A adrenalina estava correndo em minhas veias, meus pulmões arfavam, minha respiração estava a mil.
— Sai de perto de mim — consegui sussurrar, mas não dei nenhum passo para trás. Ele que teria de dar. Fazia parte das regras de confronto.
Josh ainda gemia de dor. Parou de massagear o queixo e me olhou, duro, provocante, avassalador.
— Faça o que você quer fazer, Hayley.
— Sai. De. Perto. De. Mim. — Sussurrei bem fraco outra vez, minha mão ardendo e coçando, implorando para bater nele outra vez. Meu coração dava cambalhotas, meu estômago não estava no lugar. Meus pulmões pareciam que iam parar de funcionar a qualquer momento.
— Sua boca diz uma coisa, seu corpo diz outra.
Dei-lhe outro tapa com o dobro da força. Josh virou-se para o lado, as mãos segurando sua bochecha vermelha e ardida, a boca dando um gemido sonoro de dor.
— Captou a mensagem do corpo agora? — disse eu, provocando, morta de ódio.
Mas seu momento de dor só durou cinco segundos. Ele se endireitou, mexeu o queixo, sorriu para mim.
— Captei. Ele acabou de dizer que você me quer.
Bati nele outra vez. Outro tapa, bem onde eu havia acabado de bater. Minha mão já doía com voracidade, mas eu não pararia enquanto ele não parasse. Josh quase gritou dessa vez, cuspiu no chão, se endireitou e voltou para mim, sorrindo. Puta merda!


Leve-me para dentro e depois empurre-me para fora. Caia em si mesma hoje à noite.
E só não deixe-o ir, sem uma briga.
Leve-me para dentro e depois empurre-me para fora.
Caia em si mesma hoje à noite... E só não deixe-o ir, deixe-o ir...


— Uau, baby. Pare com isso. Assim vou começar a achar que você está querendo ir para a cama comigo.
— PELO AMOR DE DEUS! — Gritei, a plenos pulmões, com as mãos ardendo e a raiva correndo em minhas veias. — QUAL É O SEU PROBLEMA, CARA?!
— Você.
Quis morrer.
— Ah, vai se foder — disse eu, com ódio, com desprezo, com tudo junto. O pior de tudo é que ele não se movia para trás. Eu sentia seu cheiro de desodorante e sabonete. A graxa não estava lá, pois ele devia ter acabado de tomar um banho. Mas o meu coração idiota estava disparado, minha pele imbecil estava completamente arrepiada, e meu estômago bobo não parava de revirar. Mesmo detestando-o, eu não conseguia deixar de me alterar pela sua presença.
— Não vai querer que eu responda a isso.
Bufei e virei minha mão em sua cara de novo.
— Ai! — ele gritou, mas, como você bem sabe, voltou sua atenção a mim, sorrindo. E se aproximou mais. — Essa doeu. Diga-me, está funcionando? Você se sente gostando menos de mim quando me bate?
— Por que você não vai à merda?! — gritei, irada. Desgraçado! Imbecil!
— Por que você não responde as minhas perguntas?! — ele se aproximou muito mais agora. Eu podia ver a correntinha de prata entrando em sua camiseta, os poros do seu rosto que escondiam sua barba. — Faça o que você quer, Hayley!
— Vai se danar!
— Faça o que você quer fazer!
Sem pensar, eu dei-lhe um tapa. O maior de todos. Seu rosto virou-se para o lado abruptamente, minha mão ardeu de uma maneira voraz, meu coração pareceu parar. A voz dele, entretanto, continuava a me assombrar dentro da minha cabeça, gritando, mandando-me fazer o que eu queria fazer. Eu olhei para ele, que gemia com as mãos no rosto, sentindo a dor que eu havia lhe causado.
Então, à força, segurei seu dolorido e ardido. Apertei-o com força e virei-o para mim.
E o beijei.


Não me esnobe, menininha...
Leve-me para dentro e depois empurre-me para fora. Caia em si mesma hoje à noite. E só não deixe-o ir, deixe-o ir, deixe-o ir.
Leve-me para dentro e depois empurre-me para fora. Caia em si mesma hoje à noite... E só não deixe-o ir, deixe-o ir...






Então, aqui estamos de novo, cantando canções sobre o verão... -n
PÇOSKQPÇÕJSAÇPQOKWSA OI VOCÊS :3 
POSSO DIZER UMA COISA SOBRE ESSE CAPÍTULO?
YOU TAKE ME IN 
AND THEN
YOU PUSH ME OUT
PÇASOKQÇIHIUQGWBISUGQBLWSHÇOIQJW~PASJÇQOUWHÇASUGBHOQHWIASJPOQIKASPKA´PQLSAW
Sério. Amei escrever isso aqui. Foi mt a+ (porém eu acho que não está assim tão bem escrito mas O QUE IMPORTA É SE DIVERTIRRRRRR). Também não falarei muito aqui, então, por favor comentem pra mim alq~ws]´qplwsa digam o que acharam disso tudo.
Hayley fez o que queria, afinal.
Para mais contacts: me siga no twitter, me adc no face, faça perguntinhas no tumblr, doesn't matter. Amo socializar :3 
That's it. OBRIGADA POR LER.
Muito amor,
Sarits :3