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26 de ago. de 2013

[RESENHA] Extraordinário, de R.J. Palacio

ExtraordinárioTítulo Original: Wonder
Editora: Intríseca
Ano: 2013
Páginas: 318


August Pullman, o Auggie, nasceu com uma síndrome genética cuja sequela é uma severa deformidade facial, que lhe impôs diversas cirurgias e complicações médicas. Por isso ele nunca frequentou uma escola de verdade... até agora. Todo mundo sabe que é difícil ser um aluno novo, mais ainda quando se tem um rosto tão diferente. Prestes a começar o quinto ano em um colégio particular de Nova York, Auggie tem uma missão nada fácil pela frente: convencer os colegas de que, apesar da aparência incomum, ele é um menino igual a todos os outros.
Narrado da perspectiva de Auggie e também de seus familiares e amigos, com momentos comoventes e outros descontraídos, Extraordinário consegue captar o impacto que um menino pode causar na vida e no comportamento de todos, família, amigos e comunidade - um impacto forte, comovente e, sem dúvida nenhuma, extraordinariamente positivo, que vai tocar todo tipo de leitor.


Olá leitores do (con), vamos começar a semana falando de gentileza?
Well, na verdade vamos falar de Extraordinário, um livro que é tão maravilhoso e especial quanto seu protagonista. O livro narra a história de August Pullman, mais conhecido como Auggie, um garoto de dez anos que nasceu com uma grave deformidade facial. -Nesse momento deve estar imaginando um big clichê sobre um garoto deformado e sua vida difícil, mas acalme-se. - Auggie estudou a vida toda em casa, mas como está indo para o quinto ano, seus pais acham que está na hora dele ir para uma escola. Se uma escola nova já é difícil para nós, imagine pra esse garoto. Auggie vai descobrir que conhecer pessoas novas e sair de sua zona de conforto não é tão difícil quanto parece, que existem pessoas gentis, pessoas que definitivamente não são gentis e as que aprendem a arte da gentileza.


“...O legal de crianças pequenas é que elas não dizem coisas pra tentar magoar você e, mesmo que às vezes façam isso, não sabem o que estão falando. Quando elas crescem, por outro lado... sabem muito bem o que estão dizendo.”


O livro é divido em oito partes, sendo duas narradas pelo Auggie e as outras seis por outros personagens (Via, irmã de Auggie; Summer, uma amiga que August conhece na escola; Jack, outro amigo de escola de Auggie; Justin, o namorado de Via e Miranda, a melhor amiga de Via.). O mais incrível no livro é que R.J. Palacio te envolve na história de uma forma que você consegue compreender cada personagem, até aqueles que você chega a ter um pouco de raiva. A maioria dos personagens são apaixonantes (Auggie e Justin foram os que mais me cativaram), e incrivelmente reais, é muito fácil se identificar com a Miranda ou com a Summer, por exemplo.
A leitura é super gostosa e nada cansativa. Extraordinário é o tipo de livro que vai te fazer chorar, rir e, principalmente, é um livro que vai te ensinar sobre a vida e sobre como lidar com as dificuldades dela. .  O livro é cheio de preceitos e, basta a leitura de algumas páginas pra se sentir bem e ver que a vida pode oferecer coisas muito boas.


"não. Não é tudo um acaso. Se fosse, o universo nos abandonaria à própria sorte. E o universo não faz isso. Ele cuida das suas criações mais frágeis de formas que não vemos. Como com pais que amam cegamente. E uma irmã mais velha que se sente culpada por ser humana com relação a você. E um garotinho de voz grave que perdeu os amigos por sua causa. E até uma garoto de cabelo rosa que carrega sua foto na carteira. Talvez seja uma loteria, mas o universo deixa tudo certo no final. O universo cuida de todos os seus pássaros.”




10 de ago. de 2013

[RESENHA] O Teorema Katherine, de John Green

http://skoob.s3.amazonaws.com/livros/294316/O_TEOREMA_KATHERINE_1370641525P.jpgTítulo Original: An Abundance Of Katherines
Editora: Intrínseca
Ano: 2006
Páginas: 300
Skoob

 

Após seu mais recente e traumático pé na bunda - o décimo nono de sua ainda jovem vida, todos perpetrados por namoradas de nome Katherine - Colin Singleton resolve cair na estrada. Dirigindo o Rabecão de Satã, com seu caderninho de anotações no bolso e o melhor amigo no carona, o ex-criança prodígio, viciado em anagramas e PhD em levar o fora, descobre sua verdadeira missão: elaborar e comprovar o Teorema Fundamental da Previsibilidade das Katherines, que tornará possível antever, através da linguagem universal da matemática, o desfecho de qualquer relacionamento antes mesmo que as duas pessoas se conheçam.

Uma descoberta que vai entrar para a história, vai vingar séculos de injusta vantagem entre Terminantes e Terminados e, enfim, elevará Colin Singleton diretamente ao distinto posto de gênio da humanidade. Também, é claro, vai ajudá-lo a reconquistar sua garota. Ou, pelo menos, é isso o que ele espera.
Vamos lá. Desde A Culpa É Das Estrelas, John Green se tornou uma espécie de diva literária — o que, para falar a verdade, eu acho super merecido. Ficou bastante claro pela minha resenha NADA A VER de ACEDE que eu fiz por aqui: aquele livro mudou minha forma de ver o mundo em relação a algumas outras coisas. E, pelo que parece, mudou a de outras pessoas também, de modo que o livro se tornou absolutamente popular. (JÁ EXISTEM ATÉ HATERS PSEUDO-INTELECTUAIS!!!! ORA, O QUE É UM LIVRO COM UMA GRANDE BASE LEITORA SEM HATERS PSEUDO-INTELECTUAIS, MINHA GENTE???)
É claro, óbvio, evidente que eu quis ler os outros livros dessa diva literária que se propagou John Green. Depois de Will & Will (maravilha de nome que a Galera Record deu à versão brasileira, hein? Quer dizer, pronuncie. Uiu i Uiu. Uiu i Uiu. Uiuiuiu. Uiuiuiuiuiuiuiuiu...), finalmente consegui minha cópia de O Teorema Katherine, e...
Li tudo em um dia.
Christ!



“É possível amar muito alguém, ele pensou. Mas o tamanho do seu amor por uma pessoa nunca vai ser páreo para o tamanho da saudade que você vai sentir.” pg. 141

Colin gosta de Katherine → A Katherine também gosta de Colin → Eles ficam juntos → Katherine termina com Colin.
Esse mesmo ciclo se repetiu — pasmem dezenove vezes na vida de Colin Singleton desde seus oito anos de idade, quando sua total ineficaz capacidade sociológica não foi o suficiente para que sua primeira namoradinha (a Katherine I) "se apaixonasse" por ele. O x da questão, entretanto, está na última Katherine que partiu seu coração pouco depois de ambos se formarem no ensino médio (afinal, mesmo sendo um menino-prodígio-nerd-supremo-das-galáxias, Colin se formou no tempo de qualquer outro adolescente normal). Para curar a dor, ele e seu melhor amigo, Hassan, partem numa road trip e acabam numa cidade minúscula do Tennessee: Gutshot. É lá que Colin tem o "momento eureca" de sua vida: criar um teorema baseava graficamente quem daria o fim em um determinado relacionamento. Quem seria o "Terminante" e quem seria o "Terminado". Com isso, ele seria, então, o gênio que tanto almejava ser, e teria sua Katherine XIX de volta. Naaaah.
("Naaaah" não conta como spoiler, né? Que bom.)

Já adianto que esse livro não tem absolutamente nada de ACEDE — então, se você for lê-lo com a expectativa de morrer de chorar e encontrar um milhão de referências filosóficas para levar para a vida, esqueça. Vamos levar duas coisinhas em conta: a) uma obra é sempre única; e b) este livro foi escrito SEIS ANOS antes de A Culpa É Das Estrelas. É bem possível que a Srta. Hazel Grace sequer passasse pelos sonhos de John Green nessa época.
Assim como toda obra do nosso vlogbrother (ao menos, toda que eu já tenha lido), este é um livro que trata sobre assunto nerds, contando a história da vida de pessoas igualmente nerds — e, isso, é claro, deixa com que o livro seja muito engraçado. Muito engraçado mesmo. Do estilo, ter que segurar uma gargalhada enquanto estiver lendo.
Existe uma interatividade muito divertida e perspicaz, também, de autor para leitor. Sendo o livro narrado em terceira pessoa, o John literalmente conversa com a gente pelas notas de rodapé, seja explicando um exemplo matemático, continuando um argumento de Colin que Hassan não o deixou terminar ou simplesmente acentuando a chatice do protagonista. Sendo bastante sincera, tem quase uma nota de rodapé por página, muito embora isso não dificulte a leitura de forma alguma. Deixa bem mais divertido, aliás. 
Falando em divertimento, é justo dizer a você que todos — absolutamente todos, mesmo os "mauzinhos" — os personagens são lindamente construídos além de serem muito espirituosos. Hassan, melhor amigo de Colin, é facilmente o meu personagem preferido da trama. 
Eu também li uma porrada de resenhas sobre esse livro e, se havia uma coisa que 99% delas tinham em comum, é: todo mundo de-tes-tou o Colin ("chato", "egocêntrico", "egoísta" etc. foram adjetivos comumente usados). Ao contrário de todo mundo, como sempre, eu o amei. Foi meio difícil não se identificar um pouquinho com ele, porque suas frustrações indiretamente se ligaram às minhas, talvez liguem-se às suas. Isso sem dizer que ele é absurdamente inteligente. Absurdamente inteligente mesmo.
Quanto à narrativa, existe sim uma semelhança semântica entre essa e outras obras do Mister Green. Mesmo que você só tenha lido A Culpa É Das Estrelas e adote este livro como a segunda leitura do escritor, vai ter certeza de que, é, O Teorema Katherine foi escrito por John Green.
A diagramação também ficou lindinha e eu praticamente não encontrei erros. Vale a pena dar um crédito à tradutora, que fez um trabalho muito bom até mesmo com os anagramas (que devem ter sido uma porcaria para se reproduzir, já que ela teve de manter o sentido e também a gramática certinha ao passar do inglês para o português). Na realidade, é difícil achar um livro da Intrínseca em que eles não tenham trabalhado direitinho.
Para terminar, marquei o livro com cinco estrelinhas no Skoob, mas queria mesmo ter marcado quatro e meia (quando o Skoob vai admitir as meias estrelinhas, Jesus?!?!?!). O Teorema Katherine é brilhantemente escrito, vamos admitir, mas não é nem de longe a melhor obra de John Green (ainda que eu não tenha lido Cidades de Papel ou Quem é Você, Alasca? Pois é.).

Se estiver precisando dar umas risadas e devorar um livro em algumas horas, posso garantir que O Teorema Katherine não vai fugging[1] decepcionar você.




[1] Vá ler o livro para entender, sitzpinkler.