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9 de jan. de 2013

[Resenha] A Culpa é das Estrelas, de John Green

Título Original:  The Fault In Our Stars
Editora: Intrínseca
Ano: 2012
Páginas: 288
Skoob





A culpa é das estrelas narra o romance de dois adolescentes que se conhecem (e se apaixonam) em um Grupo de Apoio para Crianças com Câncer: Hazel, uma jovem de dezesseis anos que sobrevive graças a uma droga revolucionária que detém a metástase em seus pulmões, e Augustus Waters, de dezessete, ex-jogador de basquete que perdeu a perna para o osteosarcoma. Como Hazel, Gus é inteligente, tem ótimo senso de humor e gosta de brincar com os clichês do mundo do câncer - a principal arma dos dois para enfrentar a doença que lentamente drena a vida das pessoas.

Inspirador, corajoso, irreverente e brutal, A culpa é das estrelas é a obra mais ambiciosa e emocionante de John Green, sobre a alegria e a tragédia que é viver e amar.


Existem coisas na vida que, apesar de eu saber, ainda devo aprender como aplicar à vida: cantos de raque usualmente chamam dedinhos, portanto, é prudente passar longe deles; se eu recolocar a ponta de um lápis só por preguiça de apontá-lo, é possível que a caligrafia não fique nada legível; eminente e iminente são palavras escabrosamente distintas; e, quando todo o mundo — TODO. O. MUNDO. — afirma que um livro é maravilhoso, é por que ele é mesmo.
A culpa é das estrelas foi o primeiro da minha listinha de leitura de 2013, e, honestamente, não podia ter feito escolha melhor. O engraçado é que eu sei disso mesmo sem não ter lido os demais.
Não sou uma letrada, não li quinhentas obras durante minha vida. Não sou experiente para redigir uma boa crítica a uma obra tão brilhante, justamente por que eu me sinto extremamente pequena em meio à imensidão desse livro. Por isso, vou apenas escrever o que meu coração diz, e me dedicar ao posto de blogueira que admiti desde a criação do (Con).
A culpa é das estrelas é provavelmente o melhor livro que já li. É melhor ainda do que A menina que roubava livros (Markus Zuzak), uma obra que mexeu comigo de um modo imensurável e que me rendeu uma ressaca literária de uma semana. Inclusive, na edição de A culpa é das estrelas que comprei, existe uma recomendação do próprio Markus: “Você vai rir, vai chorar e ainda vai querer mais”.
Ele não poderia ser mais direto, por que é exatamente o que senti, lá no fundo. Claro que houve mais um milhão de outros sentimentos complexos e cortantes, mas, para ser direta, é isso mesmo o que você vai querer ao ler. E eu provavelmente vou escrever uma Bíblia só para dizer essas palavras.
A obra de John Green simplesmente te toma. Ela te pega, te aprisiona, te faz cócegas, e depois te apunhala com uma faca. Embora você não seja uma doente terminal, não more em Indiana e não goste de American’s Next Top Model, é muito provável que você vá se identificar com Hazel Grace, a melhor protagonista que um livro já recebeu. Ela é imperfeita em muitas maneiras, mas, meu Deus, ela é tão... real. Conforme as páginas foram passando pelos meus olhos, percebi que estava me apaixonando pela Hazel, assim como fui me apaixonando por todos os outros personagens, e por todo o enredo. Estou apaixonada por cada palavra desse livro maravilhoso.
E não estou falando nada com nada por que ainda estou profundamente tocada com a imensidão da obra.
A relação de Hazel Grace e Augustus Waters é a coisa mais bela que já vi em minha vida. De fato, “muito mais romântico que qualquer pôr do sol à beira da praia” (The New York Times). Isso por que Green nos mostra a imensidão e doçura de um amor verdadeiro e real, embora você saiba, lá no fundo, que esse amor simplesmente não tem como durar.
Mas tem como acontecer, entre pequenos conjuntos ilimitados e outros. Isso já é o bastante para fazer acreditar. Infelizmente, isso também é triste, e — olha que eu sou a pessoa mais chorona do mundo! — eu nunca chorei tanto, tanto, lendo algo. Nem mesmo escrevendo. Cheguei a soluçar muito, a ponto de ter de ir lavar o rosto. Meus olhos ficaram inchados por um dia inteiro e eu até empolei.
Efeitos emocionais e físicos de A culpa é das estrelas.
O ritmo de leitura é quase inacreditável; seria uma tarefa impossível lê-lo em mais de três dias. Você abre as páginas para iniciar sua leitura às duas da tarde, passam-se cinco minutos e você percebe que já leu metade do livro e o dia lá fora se transformou em noite.
Eu tenho uma teoria sobre isso, escute: Na hora da impressão do livro, uma droga inalante e profundamente viciante é adicionada às páginas. Ela meche com nossas cabeças, provoca os sentimentos mais absortos e não nos deixa por nada parar de ler.
Ou talvez o escritor simplesmente seja brilhante, mesmo.
O enredo de John é extremamente cativante e profundo, e sem que você ao menos perceba, mergulha nele de cabeça. Consegue sentir toda a melancolia e a comicidade — juro que o livro é cômico! Tragicamente cômico, mas ainda assim, é impossível não rir... assim como é impossível não chorar —, e também sente toda a dor. Ainda não sei como John Green conseguiu fazer isso, quero dizer, envolver uma realidade tão dura num livro e ainda assim fazer com que ele tenha tanto brilho.
É isso aí. Quero ser John Green quando crescer.
Ai, meu Deus, a história é tão inteligente e complexa e gostosa! E, caramba, como é possível caber tanta filosofia dentro de uma obra jovem?!
Eu poderia falar infinitamente sobre o quanto John Green foi brilhante em seu livro, como vocês bem sabem. Mas isso já está bastante confuso e nada-com-nada, portanto, vou só falar mais uma coisa.
Se ainda não leu A culpa é das estrelas, por Deus, leia! Deixo um aviso, entretanto, de que o seu modo de ver o mundo pode mudar drasticamente. Nunca li nada tão real e, ao mesmo tempo, tão perfeito. John não poderia ter feito um trabalho mais maravilhoso. E eu não poderia estar mais agradecida ao mundo por ter lido esse livro.
Okay.
P.S.: Eu tenho uma mania feia de rabiscar meus livros. Com esse, naturalmente não foi diferente. Geralmente eu adiciono três adjetivos, uma frase do livro e uma consideração final. E em meio a infinidade de coisas filosóficas e bonitas que eu poderia ter escrito quando li a última página, optei por:


“Verdadeiro, emocionante, melancólico.
(O mundo não é uma fábrica de realização de desejos.)
O câncer é uma droga.”