Editora: Intrínseca
Ano: 2012
Páginas: 288
Skoob
A culpa é das estrelas narra o romance de dois adolescentes que se conhecem (e se apaixonam) em um Grupo de Apoio para Crianças com Câncer: Hazel, uma jovem de dezesseis anos que sobrevive graças a uma droga revolucionária que detém a metástase em seus pulmões, e Augustus Waters, de dezessete, ex-jogador de basquete que perdeu a perna para o osteosarcoma. Como Hazel, Gus é inteligente, tem ótimo senso de humor e gosta de brincar com os clichês do mundo do câncer - a principal arma dos dois para enfrentar a doença que lentamente drena a vida das pessoas.
Inspirador, corajoso, irreverente e brutal, A culpa é das estrelas é a obra mais ambiciosa e emocionante de John Green, sobre a alegria e a tragédia que é viver e amar.
Existem
coisas na vida que, apesar de eu saber, ainda devo aprender como aplicar à
vida: cantos de raque usualmente chamam dedinhos, portanto, é prudente passar
longe deles; se eu recolocar a ponta de um lápis só por preguiça de apontá-lo,
é possível que a caligrafia não fique nada legível; eminente e iminente são
palavras escabrosamente distintas; e, quando todo o mundo — TODO. O. MUNDO. —
afirma que um livro é maravilhoso, é por que ele é mesmo.
A culpa é das estrelas foi o primeiro da minha listinha de leitura de
2013, e, honestamente, não podia ter feito escolha melhor. O engraçado é que eu
sei disso mesmo sem não ter lido os demais.
Não
sou uma letrada, não li quinhentas obras durante minha vida. Não sou experiente
para redigir uma boa crítica a uma obra tão brilhante, justamente por que eu me
sinto extremamente pequena em meio à imensidão desse livro. Por isso, vou
apenas escrever o que meu coração diz, e me dedicar ao posto de blogueira que
admiti desde a criação do (Con).
A culpa é das estrelas é provavelmente o melhor livro que já li. É melhor
ainda do que A menina que roubava livros (Markus
Zuzak), uma obra que mexeu comigo de um modo imensurável e que me rendeu uma
ressaca literária de uma semana. Inclusive, na edição de A
culpa é das estrelas que comprei, existe uma recomendação do próprio
Markus: “Você vai rir, vai chorar e ainda vai querer mais”.
Ele
não poderia ser mais direto, por que é exatamente o que senti, lá no fundo.
Claro que houve mais um milhão de outros sentimentos complexos e cortantes,
mas, para ser direta, é isso mesmo o que você vai querer ao ler. E eu
provavelmente vou escrever uma Bíblia só para dizer essas palavras.
A
obra de John Green simplesmente te toma. Ela te pega, te aprisiona, te faz
cócegas, e depois te apunhala com uma faca. Embora você não seja uma doente
terminal, não more em Indiana e não goste de American’s
Next Top Model, é muito provável que você vá se identificar com Hazel Grace, a melhor
protagonista que um livro já recebeu. Ela é imperfeita em muitas maneiras, mas,
meu Deus, ela é tão... real. Conforme
as páginas foram passando pelos meus olhos, percebi que estava me apaixonando
pela Hazel, assim como fui me apaixonando por todos os outros personagens, e
por todo o enredo. Estou apaixonada por cada palavra desse livro maravilhoso.
E
não estou falando nada com nada por que ainda estou profundamente tocada com a
imensidão da obra.
A
relação de Hazel Grace e Augustus Waters é a coisa mais bela que já vi em
minha vida. De fato, “muito mais romântico que qualquer pôr do sol à
beira da praia” (The New York Times). Isso por que Green nos mostra
a imensidão e doçura de um amor verdadeiro e real, embora você saiba, lá no
fundo, que esse amor simplesmente não tem como durar.
Mas
tem como acontecer, entre pequenos conjuntos ilimitados e outros. Isso já é o
bastante para fazer acreditar. Infelizmente, isso também é triste, e — olha que
eu sou a pessoa mais chorona do mundo! — eu nunca chorei tanto, tanto, lendo algo. Nem mesmo escrevendo. Cheguei a soluçar
muito, a ponto de ter de ir lavar o rosto. Meus olhos ficaram inchados por um
dia inteiro e eu até empolei.
Efeitos
emocionais e físicos de A culpa é das estrelas.
O
ritmo de leitura é quase inacreditável; seria uma tarefa impossível lê-lo em mais de três dias. Você abre as páginas
para iniciar sua leitura às duas da tarde, passam-se cinco minutos e você
percebe que já leu metade do livro e o dia lá fora se transformou em noite.
Eu
tenho uma teoria sobre isso, escute: Na hora da impressão do livro, uma droga
inalante e profundamente viciante é adicionada às páginas. Ela meche com nossas
cabeças, provoca os sentimentos mais absortos e não nos deixa por nada parar de
ler.
Ou
talvez o escritor simplesmente seja brilhante, mesmo.
O
enredo de John é extremamente cativante e profundo, e sem que você ao menos
perceba, mergulha nele de cabeça. Consegue sentir toda a melancolia e a
comicidade — juro que o livro é cômico! Tragicamente cômico, mas ainda assim, é
impossível não rir... assim como é impossível não chorar —, e também sente toda
a dor. Ainda não sei como John Green conseguiu fazer isso, quero dizer,
envolver uma realidade tão dura num livro e ainda assim fazer com que ele tenha
tanto brilho.
É
isso aí. Quero ser John Green quando crescer.
Ai,
meu Deus, a história é tão inteligente e complexa e gostosa! E, caramba, como é
possível caber tanta filosofia dentro de uma obra jovem?!
Eu
poderia falar infinitamente sobre o quanto John Green foi brilhante em seu
livro, como vocês bem sabem. Mas isso já está bastante confuso e nada-com-nada,
portanto, vou só falar mais uma coisa.
Se
ainda não leu A culpa é das estrelas, por Deus, leia! Deixo um aviso, entretanto, de que
o seu modo de ver o mundo pode mudar drasticamente. Nunca li nada tão real e,
ao mesmo tempo, tão perfeito. John não poderia ter feito um trabalho mais
maravilhoso. E eu não poderia estar mais agradecida ao mundo por ter lido esse
livro.
Okay.
P.S.:
Eu tenho uma mania feia de rabiscar meus livros. Com esse, naturalmente não foi
diferente. Geralmente eu adiciono três adjetivos, uma frase do livro e uma
consideração final. E em meio a infinidade de coisas filosóficas e bonitas que
eu poderia ter escrito quando li a última página, optei por:
“Verdadeiro, emocionante, melancólico.
(O mundo não é uma fábrica de realização de
desejos.)
O câncer é uma droga.”

