17 de mar. de 2013

Capítulo 8


Sanidade






E vocês não estão acreditando nos seus olhos.
MAS ACREDITEM, POR QUE EU, SARAH, ESTOU AQUI, NO MESMO DIA, COM TRUCKKKKKKEEEEEEEEEERRRRR!!!!!!!!!!!!
ASÇOIJQKÇWOISJÇOQIHEÇLUOIÇHQWOIJSAÇOPQIKWÇASOPJAS
Não vou falar nada nessas notas por que to acabada. Só o que o seguinte: comentem pra mim, ok? Eu mereço, poxa. Poucas pessoas leram o capitulo 7 e tudo mais, então, mais do que justo comentar nos dois, ok? <3
Só isso mesmo <3
Amo vocês, leiam com o coração.




Uma das coisas que aprendi enquanto babá é que criança gosta de diversão — não importa o quão absurda e idiota ela pareça a você, adolescente bem resolvido que é. Isto significa que se o seu Filho Provisório (é como eu gosto de chamar os bebês encarregados a mim) quiser que você pule entre os tapetes como se o chão estivesse coberto de lava e tubarões — Isabelle não acreditou na minha teoria de que tubarões não poderiam nadar em lava sem virarem peixe frito —, você tem de fazê-lo. E, se por acaso, seu Filho Provisório quer que você imite o sapo da história — “por favoooor, Hayleeeeeey” —, você não tem outra escolha senão imitar. Por que aos olhos da criança, você não está passando uma vergonha imensuravelmente grande.
Só está se divertindo.
Por isso aprendi a gostar desse emprego. Às vezes, é muito complicado ser um adolescente, ter responsabilidades, escola, coisas com que pensar. Por metade do meu dia, tudo o que preciso fazer é pensar como uma criança e me divertir como uma. Além disso, só fazia duas semanas que eu trabalhava para os Farro, mas Jon e Belle me aguardavam furtivamente na porta toda vez que eu chegava. Aquelas crianças me amavam. Tanto quanto eu aprendi a amá-las.
Mas como toda criança, Jon e Belle tinham seus pontos que as diferenciavam do resto do mundo. Hoje, por exemplo, enquanto preparava sanduíches de manteiga de amendoim e deixava-os entretidos com o meu Tijolo Telefônico, uma coisa engraçada aconteceu:
Jon: Haayleeeeeeey, você tem aquela música no seu celular?
Eu: Que música?
Jon segurando o celular com suas mãozinhas: Aquela música... que passa na tevê...
Eu retirando as cascas de uma fatia de pão por que Isabelle era chata: Têm um bocado de músicas que passam na tevê, Jon.
Jon, choramingando, enquanto Isabelle colocava meu Tijolo Telefônico na boca: Mas é aquela... I... set them up, set them up, set them uuup....
Eu, largando o que estava fazendo e me dirigindo a Isabelle para retirar o celular de sua boca: Belle, por favor, você sabe que não é certo colocar celulares na boca. Lembra do que te falei?
Belle: Hmm... não.
Eu, lhe lançando um olhar incriminador: Não?
Belle suspirando: Não colocar coisas na boca que não são de comer.
Eu: Celular é de comer?
Belle: Não, mas eu queria saber o gosto!
Eu: Mas o que foi que conversamos?
Belle, suspirando: Não colocar coisas na boca que não são de comer.
Eu: É isso aí.
Jon: Hayleeeeeey! Você tem ou não tem a música?!
Eu: Que música?
Jon: Eu já te falei!
Eu: Qual?             
Belle para Jon: Aquela que tem a mulher de olho azul?!
Jon, entusiasmadíssimo: É!
Então eles passaram a cantar a música para mim e eu concluí que se tratava Startruckk, cantada por 3OH!3 com a participação de Katy Perry (a mulher dos olhos azuis, como Isabelle deliciosamente ponderou). A letra basicamente falava sobre uma pessoa que não aderia ao amor e usava as outras pessoas em sentidos, no mínimo, sexuais.
Na minha época, as crianças cantavam músicas sobre passarinhos.
Tanto Jon quanto Isabelle ficaram muito desapontados comigo quando eu lhes disse que não tinha a música no celular — uma vez que ela fora um sucesso há pouco mais de dois anos atrás —, mas prometi a eles que poderíamos tocá-la no violão de Zac. Isso os animou muito. Jonathan quis gravar um vídeo para fazer sucesso na Internet, e eu disse que tudo bem, mas a verdade é eu provavelmente jamais jogaria uma coisa dessas no  YouTube. A facilidade de se lidar com uma criança é que, às vezes, você pode contar ume mentirinha aqui e acolá. Ele não saberá a diferença entre as coisas.
Por isso, por volta das cinco da tarde, depois de fazê-los comer seus sanduíches e beberem seus copos de leite achocolatado, e bronqueá-los pela quinta vez no dia por que ambos estavam brigando — veja só, está no meio do meu turno e eu só o fiz cinco vezes, não vinte, como antigamente — subimos as escadas em direção ao quarto de Zac. Peguei seu Fender (!) emprestado por alguns minutos e o levei ao quarto de Jonathan, que se encontrava menos bagunçado do que o da irmã.
— Eu nem sabia que a Hayley sabia tocar violão! — gritou o pequeno menino de cinco anos, entusiasmado, enquanto eu sentava-me em sua cama. Meus Filhos Provisórios, ao contrário, continuavam de pé. Ambos estavam muito animados. Antes mesmo de eu começar a tocar, já estavam cantando a música.
— Mas eu sei fazer tudo o que existe! Você já devia ter imaginado — disse eu, dando ombros. Jonathan me olhou como se percebesse imediatamente a mentira implícita no meu olhar.
— Mentira sua, Hayley! — gritou ele, aproximando-se de mim com suas perninhas curtas e seu olhar castanho incriminador.
— É sério, eu sei fazer tudo.
— Mentira!
— É verdade!
— Não — Isabelle se meteu em nossa discussão, aproximando-se também. — Você sabe contar até cem? Aposto que você não sabe contar até cem, Hayley.
Sorri para ela, deixando o violão de lado por um segundo para me ajoelhar. Ficamos então todos do mesmo tamanho.
— Sei sim — disse, passando os dedos pelo seu pescoço e fazendo-a encolher-se, rindo, de cócegas. Jonathan se colocou entre mim e sua irmã enquanto eu me sentava entre minhas próprias pernas.
— Hmm... mas eu aposto que você não sabe trabalhar!
Jon havia me confidenciado uma vez que o sonho de sua vida era, vejam só, trabalhar. Isso por que, para ele, o trabalho consistia em dirigir caminhões (a influência do veículo sobre as crianças Farro era absurda). Ninguém tinha mais caminhões de brinquedo nessa cidade do que Jonathan Farro.
(Talvez só o Rick.)
— Na verdade, cuidar de vocês é o meu trabalho, então eu sei fazer isso também. Já disse, eu sei fazer tudo — dei de ombros, segurando a cintura de cada Filho Provisório e sentando-os cada um em uma das minhas pernas. Jonathan passou os bracinhos pelo meu pescoço e Isabelle começou a brincar com o meu cabelo.
— Você sabe cortar cabelo? — perguntou ela.
— Sei. Eu mesma corto o meu.
— Já sei uma coisa que você não sabe! — Jonathan disse com tanta animação que seu grito com certeza poderia ser audível no andar de baixo. Isabelle ficou interessadíssima e perguntou “o quê?”. — Você não sabe consertar os carros que nem o Josh!
Estremeci só com a menção ao nome e em minha cabeça resmunguei o fato de Jonathan e Isabelle serem irmãos de quem eram. Minha crise de infecção Farro ainda estava presente, mas eu a tratava com o melhor antibiótico de sempre: a ignorância. Mas, é claro, essa é uma história que você já conhece. O que não contei a você é que ando fazendo isso há alguns dias.
— É — respondi sorrindo, fazendo cócegas no pescoço do garoto também. — Consertar motor de carros não é pra mim. Mas eu faria isso se quisesse aprender.
Eles não me escutaram por que estavam muito ocupados rindo por terem tirado a limpo a minha mentira deslavada de saber tudo o que podia. Nada como uma conversa em crianças para animar os ânimos, ainda que eles houvessem feito a menção ao nome.
(E ainda que eu soubesse que, a poucos metros de mim, um Josh Farro sem camisa e completamente manchado de graxa consertava motores e amortecedores e suspensões de carro exibindo toda a sua virilidade incrível, e tudo o mais. Ignorei isso também.)
— VAMOS LOGO, HAYLEY, VAMOS CANTAR! — disse o Jon, saindo do meu colo e começando a pular de um lado para o outro como se sua vida dependesse de não manter os pés no chão por mais de um segundo. Isabelle logo juntou-se a ele e começou a pular sem nenhuma finalidade, também, só por que era divertido.
É muito fácil se divertir quando se tem cinco anos de idade.
— O.k.! O.k.! — disse eu, vencida, voltando para a cama de Jon com uma leve dormência nas pernas por ter me sentado no chão. — Vamos lá, então. Já estão prontos para começar?
Enquanto Isabelle gritava o “siiiiiiiim!” mais audível da história do universo, Jon parara de pular e dissera:
— ESPERA, DEIXA EU PEGAR O MEU ÓCULOS!
Jonathan correu até a sua cômoda e revirou todas as gavetas até pegar um par de óculos escuros praticamente do tamanho de seus olhos. Colocou-os no rosto e eu imediatamente comecei a rir. Não me leve a mal, é que ele ficava a coisa mais bonitinha do mundo com aquilo.
— Tá, eu sou a Katy Perry e o Jon é aquele cara! — entenda como “aquele cara” os dois integrantes da 3OH!3. Assenti com a cabeça, fazendo uma nota no violão para garantir que ele estava afinado. Mas meu Filho Provisório olhou para sua irmã como se fosse assassiná-la. Não sei como consegui distinguir tal coisa com seu óculos escuros, mas o fiz. Talvez seja apenas meu instinto Maternal Provisório.
— Não! — gritou ele, irritado, virando-se para Isabelle. — Eu quero ser a Katy Perry!
Isabelle levou aquilo como uma afronta.
— Mas você é menino! — gritou ela.
— Não tô nem aí, eu vou ser a Katy Perry por que ela fica com as partes mais legais! — ele gritou de volta.
— Não! Eu vou ser a Katy Perry!
— Eu que vou, sua idiota!
— Não vai não, idiota é você, eu vou contar para a Hayley!
— Eu vou arrancar sua cabeça!
— Ei! — eu gritei, intervindo. Os olhos de Isabelle já começavam a marejar e não demoraria nada para ela chorar descontroladamente. Jonathan estava vermelho de raiva. Meu grito os calou, mas ainda assim, ambos estavam com muita raiva. Sexta vez no dia. Tudo bem, ainda é melhor do que vinte. Portanto, como de praxe, comecei a falar, bem calmamente (as crianças tem mais medo de você quando você demonstra calma absoluta do que quando grita como uma gralha): — Vamos esclarecer uma coisa aqui: ninguém vai ser ninguém. E, se eu pegar vocês discutindo de novo, não vai ter música, nem violão, nem Katy Perry, e nem nada. Vai todo mundo direto para a soneca. Estamos entendidos?
Isabelle coçou um dos olhos.
— Mas...
— Estamos entendidos ou não?! — minha voz ainda soava calma e profunda.
Ambos abaixaram a cabeça e assentiram.
— Eu não ouvi.
— Sim, Hayley — responderam em uníssono.
Encarei-os durante dez segundo inteiros — mais ou menos o tempo que você pode incriminar uma criança e dissipar parte do clima ruim —, e esperei que eles levantassem as cabeças e olhassem para mim. Isabelle já estava quase chorando de verdade, mas antes que ela pudesse fazê-lo, eu fiz uma introdução improvisada de Starstrukk no violão de Zac.
— E aí, vamos ou não? — perguntei.
— Não quero mais! — gritou Isabelle, seu lábio inferior tremendo, sua raiva de mim e do seu próprio irmão exalando pelo seu corpo. Jon já parecia melhor e até recolocara seus óculos. Isabelle era sempre a mais difícil de se lidar.
— Bem, você pode ir dormir, então. Prefere dormir ou tocar violão?
Jon suspirou alto.
— Tá! Você pode ser a Katy Perry — disse ele, vencido, mas eu conseguia ver a esperteza naquelas palavras. Jonathan sabia muito bem que, se Isabelle preferisse ir para a cama, ele iria também. Como eu disse a você anteriormente, tudo o que uma criança quer é se divertir.
Exceto quando ela está de birra.
— Tá bom — disse ela, ainda cabisbaixa.
Eu fiz que não com a cabeça.
— Só vou começar a tocar quando vocês se animarem de verdade.
— MAS EU TÔ ANIMADO, HAYLEY! — gritou Jonathan e começou a pular de novo. Não consegui controlar minha gargalhada. — NICE LEGS, DAISY DUKES, MAKES A MAN GO, fiu, fiu. — Isabelle e eu desabamos a rir quando Jonathan tentou assobiar. Sentei-me no tapete outra vez, enquanto duas crianças tinham crises de riso comigo.
— O.k... eu vou contar até três, e no três vocês começam — eu disse e Jonathan gritou um “YEAH!” enquanto Isabelle apenas riu. — Um... dois... três!
Comecei a tocar um ritmo mais rápido, deixando uma versão acústica malfeita da música para que as crianças pudessem se divertir. Embora Jonathan tenha combinado de cantar a parte dos integrantes do 3OH!3, ambos acabaram cantando as duas partes, o que foi ainda mais divertido. A música toda consistia em gritos, o que deu-lhes a oportunidade perfeita para pular e mexer os braços enquanto cantavam.
E essa é só mais uma razão para eu amar esse emprego. Eu estava basicamente errando todas as notas, e eles errando toda a letra da música, mas ninguém se importava com isso. O que era importante era que Isabelle e Jonathan estavam dançando e brincando, os dois juntos, sem brigar, como os irmãozinhos que eram. O importante é que esse é o tipo de momento corriqueiro que você guarda na mente para sempre. O importante é que as risadas eram tantas que basicamente interceptavam a música inteira. O importante era a diversão.
Meus Filhos Provisórios estavam se divertindo, e isso era o bastante para mim.
Entretanto, é claro que algo havia que ter destruído o momento perfeito. E este algo, como vocês já devem ter imaginado, é justamente o irmão mais velho dessas crianças.
— ESTÃO CANTANDO E NÃO ME CHAMARAM? — Josh gritou assim que entrou no quarto de Jonathan e eu imediatamente parei de tocar. Seu cabelo estava preso atrás das orelhas, seu peito completamente à mostra, e eu podia ver o cós de sua boxer por que ele não se lembrara de colocar um cinto na calça jeans apertada e suja de graxa. Pergunto-me o que ele tem contra a uma aparência respeitável.
— JOSH! — tanto Isabelle quanto Jonathan gritaram e correram para os braços do irmão. Josh abaixou-se e pegou cada um deles no colo — como se isso fosse, tipo, muito fácil —, sorrindo para eles. Fechei os olhos por um segundo e senti vontade de morrer. Infelizmente, eu já sabia muito bem que todo mundo da família Farro amava e idolatrava Josh Farro. Rick, como vocês já sabem, orgulha-se dele pela sua força de vontade e seu trabalho árduo. Beth o ama pelo mesmo motivo, embora não confie inteiramente nele. Zac o idolatra simplesmente por que Josh o idolatra de volta. Quanto aos menores, Josh os conquistou com doces e carinho. Quer dizer, qualquer criança pode ser conquistada com doces e carinho. — A gente não te chamou por que a gente achou que você ‘tava ocupado consertando o carro! — Foi Jonathan quem disse.
Suspirei.
— Ah, mas eu sempre ‘tô livre para um karaokê — disse ele, colocando seus irmãos no chão. — Não sabia que você tocava, baby.
Revirei meus olhos para ele. É como eu o tratava ultimamente. Na última semana, não respondi às suas provocações, piadinhas, e etc. Apenas ignorei-o como se fosse completamente irrelevante. Não disse nem sequer o seu nome.
Pode me chamar de Hayley Gelo Williams.
— Por que você chama a Hayley de baby? Ela não é um bebê! — Isabelle concluiu. Eu sorri, trazendo-a para perto de mim e abraçando-a por um momento, para mostrar a Josh que seus irmãos eram mais meus do que dele naquele momento.
— E, na verdade, você não está convidado — era a primeira vez que eu me referia a ele na semana. Josh contraiu os lábios e levantou as mãos acima de seus ombros definidos e nus, como se dissesse que eu havia ganhado a batalha.
— Mas o Josh canta bem! — disse Jonathan, acabando com a magia do momento.
Olhei para ele.
— De qualquer forma, já são quase seis da tarde e vocês estão nojentinhos. Vamos tomar um banho, tirar esse suor e essa manteiga de amendoim da pele, e dormir um pouco. O.k.?
É claro que não estava tudo o.k. Tanto Isabelle quanto Jonathan começaram imediatamente a reclamar alto, e dizer o quanto eu estava sendo má, que nós nem sequer gravamos o vídeo, que eu estava sendo chata, etc.
— Sem reclamações — disse eu. — Sua mãe não vai querer chegar em casa e encontrar vocês pregados de suor. Se vocês não tomarem banho, sabe o que acontece? Quando forem abraçar alguém, a sujeira vai grudar você nessa pessoa para sempre.
Josh gargalhou na porta do quarto de Jonathan. Ah, que ótimo, eu nem sequer posso lidar com minhas crianças em paz, agora.
— Ah, não, Hayley! — Jonathan reclamou de novo, choramingando.
— Que tal a gente fazer isso: — a voz de Josh ecoou outra vez na porta do quarto do garoto e todos nós viramos a atenção para ele — Hayley dá um banho na Isa e o garotão vem comigo. Estou precisando mesmo lavar meu cabelo. Você acha que pode me ajudar, cara?
De repente, Jonathan estava sorrindo.
— ‘Tá... — disse, ainda relutante, embora a situação toda houvesse me incomodado. Eu não precisava que Josh me ajudasse a fazer o meu trabalho. E não queria deixar de ficar de olho no Jonathan.
— Oba! Banho de garotas! — Isabelle jogou-se nos meus braços e eu segurei seu corpinho pequeno. Josh também já colocara seu irmãozinho no colo e agora brincava de jogá-lo no ar. Levantei-me, segurando a garotinha de quatro anos contra mim.
— Você vai mesmo dar um banho nele? — perguntei o mais desagradável que pude. Josh sorriu.
— Vou, ué. Jon vai me ajudar a lavar o meu cabelo, não é?
Fechei os olhos por só um segundo, pedindo paciência a Deus.
— Certo, então não o deixe molhado por muito tempo, por que ele pode ficar gripado. Não molhe o rosto dele com o chuveirinho e não deixa ele se ensaboar sozinho, por que ele não consegue. Não use o xampu normal e não o deixe coçar os olhos. Não coloque...
— Hayley, meu amor — ele me interrompeu, sorrindo. — Eu sei como dar banho nessas crianças. Cuidava deles antes de você.
A fúria nasceu nas extremidades e devagarinho tomou todo o meu corpo. Segurei Isabelle contra mim com mais força para não matar seu irmão com um soco bem no meio de sua fuça. Violência não seria um exemplo  nada bom para aquelas crianças.
Portanto, me controlei.
— Certo — pronunciei cada letra muito calmamente, deixando bastante claro que eu o mataria com os olhos, se pudesse. — Não demore.
E saí em direção ao banheiro principal. Não sabia onde Josh e Jon tomariam banho, mas tinha quase certeza que o quarto de casal era uma suíte, portanto não me preocupei. Passei a me concentrar ao máximo à tarefa de limpar o corpo da garotinha da qual eu estava cuidando, o que fez com que tudo fluísse com certa lentidão. Eu tentava, ao máximo que eu podia, não imaginar que Josh Farro estava no quarto ao lado tomando banho. Tentava mesmo.
Mas era difícil.
Decidi trançar o cabelo de Isabelle para me manter ocupada. Limpa, vestida e com o cabelo trançado, Isabelle estava completamente pronta para ir para a cama. Estava bocejando muito, também. Imaginei como estaria Jonathan agora. Provavelmente morrendo de sono assim como sua irmã.
Levei-a no colo até o seu quarto. Como agora ela praticamente não se aguentava em pé, não precisei contar nenhuma história, ou levá-la ao quarto de Jon para que ambos pudessem dormir juntos. Apenas coloquei-a dentre as cobertas e entreguei-lhe Bug, sua aranha de pelúcia. Menos de dois minutos depois, a respiração da garotinha já estava profunda. Beijei seu rosto, encostei a porta e saí dali.
Minhas pernas, as safadas, me levaram direto ao quarto de Jon, implorando para que o garoto já estivesse vestido e dormindo. Não sei se eu estava pronta para ver Josh trocando de roupa enquanto ajudava seu irmãozinho a tomar banho. Seria demais para mim. Demais para a minha mente maluca.
E, para dizer a verdade, eu não sei o que Josh estava fazendo em casa. Pelo que haviam me dito no Centennial, sua festa de aniversário era praticamente o Baile de Boas Vindas do colégio. Comparecia quem queria ao salão da Farro’s Carrier (já mencionei que esse é nome da empresa de Rick? Bem, estou falando agora. Original, não acha?), onde rolava todo tipo de diversão existente. “Cada festa é uma lenda”, foi o que Kevin Perkins dissera para mim semana passada, enquanto eu tentava aturar sua presença medíocre. Não me leve a mal. Só não consigo me dar completamente bem com geeks. A festa aconteceria daqui a três dias, mas ao invés de estar arrumando os preparativos, Josh estava me enchendo o saco.
De qualquer maneira, Jon estava bonitinho aninhado às suas cobertas, com os olhos vidrados na sua lâmpada azul. Não deixei com que ele percebesse minha presença e desci as escadas muito calmamente. Agora, como vocês bem sabem, era a parte de arrumar a bagunça que meus Filhos Provisórios deixaram na casa. Rezei com toda a fé que tinha no corpo e na mente para que Josh não estivesse lá embaixo. E, graças a Deus, não estava. Bem mais tranquila, dirigi-me a cozinha e tirei a mesa onde os pratos dos sanduíches ainda estavam pousados. Na pia, já havia uma frigideira suja por que assim que cheguei à casa dos Farro, Jon exigiu comer ovos mexidos. Aparentemente, Zac comera uma porção, mas esquecera-se de dar um bocado ao seu irmão menor.
Molhei as mãos e comecei a lavar.
— Te achei, baby — a voz ecoou atrás de mim. Virei-me imediatamente na direção dela, que vinha acompanhada do cheiro forte de desodorante aerosol. Josh estava a um metro de mim, com as mãos nos bolsos da calça limpa, o peito finalmente coberto por uma camiseta preta simples. Seu cabelo estava molhado. — Achei que não iria sair daquele banheiro.
Virei-me de volta para a pia e voltei a lavar a frigideira. Coloquei detergente sobre a esponja, molhei as mãos, esfreguei o cabo, liguei a torneira...
— O.k., Hayley, esse joguinho de “ignorar o Josh” já perdeu a graça — disse ele, com a voz mais presente dessa vez. Senti meu interior tremer, mas não falei nada. Apenas bufei. — Pare de lavar essa louça. — Ele se aproximou de mim e me forçou a olhá-lo. Larguei a frigideira na pia e deixei minhas mãos molhadas pingarem no chão, atordoada demais pelo seu olhar castanho, que estava tão perto.
Mas eu não podia me deixar levar de novo. Kathryn estava errada. Eu não seguiria seus passos. Jamais.
— O que você quer? — perguntei, fria.
— Quero que você me conte o porquê de eu estar sendo ignorado — disse ele, me encarando duramente. Eu o encarava a altura, entretanto. — Só quero saber por que você não está falando comigo. Só quero saber por que você me odeia assim. Honestamente, Hayley, eu não me lembro do que eu fiz para te deixar tão irritada. E, tudo bem... eu posso te conhecer bem, ainda que você não queira aceitar isso, mas amor — ele se aproximou de mim, provocante, firme, me fazendo engolir seco — eu não leio mentes. Você vai precisar me dizer o que está te incomodando.
Meu coração parecia que ia sair pela boca, mais uma vez. Eu apenas bufei e não respondi novamente. De certa forma, Josh tinha razão por estar irritado, e eu me dei conta de que o havia beijado e depois lhe dera o maior gelo de todos.
Virei-me de costas, já que ele estava a uns dois passos de mim. Não queria olhar para seus olhos e encontrar todo aquele desejo, toda aquela vontade de respostas, de mim. Senti-me aliviada imediatamente por não precisar encará-lo, mas ainda assim, fraca por fazê-lo.
Josh riu baixinho.
— Você está me ignorando de novo, ou isso é um convite para eu olhar sua bunda? — eu quase pude ver o sorriso cafajeste pousado em seu rosto, como se ele estivesse contando a piada do século.
Não pude evitar. Agarrei a primeira coisa que vi na pia — o que acabou sendo a velha frigideira de Jon — e atirei contra ele com toda a força que eu tinha, meu peito inflando de raiva. Um barulho de alumínio batendo contra o chão, Josh gritou. Percebi que havia acertado seu ombro.
Ele gemeu por um segundo com a mão sobre o local atingido. Respirou fundo.
Então sorriu.
— Bela forma de estabelecer contato, baby, mas eu realmente prefiro que você me diga o que está acontecendo.
Eu já estava com raiva demais. Bati as mãos contra a pia e me aproximei dele com um só passo, dando um soco forte no seu ombro, onde havia batido a frigideira.
— Primeiro — fui dizendo assim que diferi meu soco. Josh sorriu e se afastou de mim. — Eu. Não. Sou. Baby. Meu nome é Hayley Williams e você sabe disso. Segundo — dei-lhe outro soco, que foi mais um empurrão. Josh deu um passo para trás. — Não me olhe como se eu estivesse nua. Eu não gosto. Terceiro — outro soco, outro passo para trás —, você é um garoto ridículo, e o fato de eu ter te beijado duas míseras vezes não significa que você me tenha completamente! Eu não sou uma dessas meninas que você simplesmente agarra por agarrar! Quarto...
Antes que eu pudesse diferir outro soco contra ele, Josh agarrou meu pulso, sorrindo.
— Você não é uma dessas meninas, Hayley Williams — ele me encarou por alguns segundos. Seu sorriso agora desaparecera de seu rosto. Eu via em seus olhos que ele falara sério. — A menos, é claro, que queira ser. Baby... — e lá estava o olhar cafajeste de novo, ainda que dessa vez ele estivesse carregado de outra coisa. Josh largou meu braço e concentrou-se em apenas me olhar. — Se você quiser ser mais do que isso, precisa me dizer. Eu não vou adivinhar que você está chateada comigo por que eu já namorei outras garotas. — Ele segurou minha mão delicadamente, e entrelaçou-a com a dele. Olhei para nossos dedos, juntos, encaixando-se perfeitamente uns nos outros. A outra mão de Josh segurou minha cintura mais delicadamente do que nunca. Quando meu olhar voltou ao dele, havia profundidade. Não sei como explicar. Simplesmente havia. — Eu sou um homem decidido, você sabe. E eu quero ter você. Por Deus, eu falo sério quando digo que nunca senti isso antes, e eu não estou a fim de parar. Se for o que você quer, linda, eu paro de ficar com as outras garotas. É só dizer e eu serei exclusivo — o rosto de Josh aproximou-se do meu, e eu inalei seu cheiro viciante, o calor de sua pele. Meu coração não conseguia voltar à normalidade. Eu senti sua barba malfeita pinicar minha bochecha, enquanto ele sussurrava, provocantemente: — Você me deixa maluco, Hayley Williams. Como consegue?
Seu hálito invadiu meu olfato, o calor de sua pele me enevoava, confundia meus pensamentos. Meu corpo inteiro, cada célula, clamava por Josh Farro. Eu estava completamente arrepiada, completamente entregue. Eu queria beijá-lo. Queria dizer a ele que ele me deixava completamente maluca também, só de se aproximar, só de aparecer.
Mas ao invés disso, apelei para o pouco de sanidade que ainda me restava e saí de seus braços, dessa vez sem violência. Retirei suas mãos das minhas e fui na direção contrária a ele, por que eu sabia que o contato me enfraquecia. Josh só conseguiria me ganhar se tocasse em mim, por que quando isso acontecia, minha pele entrava em erupção.
— Me dê um tempo para pensar, tudo bem?! — eu disse, relativamente baixo, relativamente alto, enquanto minha cabeça rodava e minha carne clamava pela carne dele. Por algum bom motivo, dessa vez Josh não se aproximou. Suspirei e encarei seus olhos castanhos. Talvez eu só devesse ser sincera. — Não consigo confiar em você, Farro. E não quero me entregar a alguma coisa que vá me machucar, entende? Droga. Eu não sei o que eu quero. Por que ao mesmo tempo em que tudo o que eu quero é quebrar sua cara idiota, você me...
— Seduz? — Josh deu um sorriso cafajeste.
Quis bater nele, mas me contive.
— Puxa é mais adequado.
— Eu gosto do termo. Eu te puxo para mim — ele coçou seu próprio queixo. — Você me puxa pra você também, se quer saber.
— Não é voluntário.
— Eu sei — ele ainda sorria, feliz, acho, por estar tendo uma conversa civilizada comigo. Quer dizer, vocês sabem que é difícil manter uma conversa civilizada comigo.
— Eu só preciso pensar antes de fazer uma burrada, Josh — disse eu, suspirando. — Você é um completo idiota. Não quero ser só mais uma.
— Você não é! — ele passou as mãos pelo cabelo molhado e deu um passo para trás, meio irritado, meio confuso, meio louco pra acabar com a distância entre nós. — Baby, eu já expliquei que contigo é diferente! Não sei o que ‘tá acontecendo, tudo bem? Mas eu não quero parar. Se eu quero ficar com você, droga, eu vou fazer de tudo pra ficar com você. O que você quer?
— Eu não sei! — respondi, agradecida por ele não ter se aproximado de mim. Prendi os cabelos nas orelhas, num gesto nervoso. Eu estava dizendo a verdade. A mais pura e completa verdade. Não sei o que eu quero, por que embora eu o queira, não quero ter um relacionamento com o garoto mais idiota do universo, ainda que isso seja baseado no... contato físico. Simplesmente não quero ser a Kathryn! — Eu não sei, Josh. Preciso pensar.
Josh respirou fundo.
— Escuta, tudo bem — ele olhou para mim... compreensivo. Um sentimento bastante esquisito para se encontrar na expressão de Josh Farro. E, mais uma vez, eu estava agradecida por isso. O olhar comedor pode encher o saco, às vezes. — Vamos fazer um trato, certo? Eu não vou fazer nada que você não queira. Mas eu quero ter certeza absoluta de que você está fazendo o que quer. Pegue o tempo que quiser, pensa sobre isso, eu não me importo mesmo. Se você não quiser ficar comigo e eu ver nos seus olhos que é exatamente isso o que você quer, não vou me opor. Não vou te perseguir, ou provocar... nem nada.
— Certo — disse eu, adorando a proposta que ele me fizera. Parecia simplesmente incrível, embora não a porta de saída da qual eu precisava. Um espaço para pensar seria o bastante.
— Mas, Hayley, por favor — ele se aproximou de mim o bastante para seus olhos penetrarem os meus —, faça o que você quer fazer. A única dona da sua vida é você mesma.
Dito isso, Josh sorriu para mim e colocou uma mecha do meu cabelo colorido atrás da minha orelha, e então saiu. Não pude evitar acompanhá-lo com os olhos até ele sumir de vista escada acima.



Capítulo 7


Antibiótico






OLÁAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!!!!!!!!! COMO VÃO OS SENHORES?
Eu sei. Sei que não atualizei domingo passado. MAS, CARA, DEIXA EU FALAR O TANTO DE COISA QUE TIVE QUE FAZER NESSAS DUAS ÚLTIMAS SEMANAS. EU ESTOU A-CA-BA-DA.
Acontece que, como vocês bem sabem, eu havia mudado de escola. Alguns amigos haviam mudado comigo, mas agora eles foram embora de novo. Então, como é fim de bimestre, eu fiquei com um milhão de trabalhos para apresentar/fazer e mais um milhão de provas para estudar. Essas duas últimas semanas foram o inferno. Eu, praticamente sozinha, levei um grupo de cinco pessoas nas costas, com o desfalque de uma pessoa. Por que tipo, eu não consigo NÃO CONSIGO não fazer uma coisa bem feita. Se eu tirar nota muito baixa eu me sinto muito mal e pá.
Vocês não querem saber sobre a minha vida acadêmica.
ENFIM, CONSEGUI ENTREGAR BOA  PARTE DOS TRABALHOS CAPETÍSTICOS, E AQUI ESTOU EU.
Acontece que quase eu não posto hoje também. Mas duas semanas seria filhdaputisse, né.
O que aconteceu::::::::eu decidi mudar o capítulo inteiro AUIEHAIEUHAEUIHAE OU SEJA: Esse capítulo 7, o "Antibiótico",  foi escrito essa manhã. Quase quatro mil palavras, e eu me sinto bem, por que faz muito tempo que não escrevo um capítulo inteiro em uma manhã. Esse ficou tecnicamente curto, e tecnicamente sem importância, mas garante umas risadas e serve de base pro próximo capítulo, que é o esperado por muitas meninas.
(Mas não, ainda não é hentai. So sorry).
ASOKQIWOJSAÇJOIA E EU SEI O QUÃO VOCÊS ESTÃO LOUCOS E MALUCOS POR CONTATO SEXUAL, mas gente, quietem os fachos por favor. Eu prometo que não vai demorar muito para acontecer, ok? Aguardem hentai lá pelo capítulo 10/11. OLHA SÓ O QUE EU JÁ DISSE, ME AMEM PELO BIGGER SPOILER.
Mas Trucker, por ser uma fic curta, não vai ter hentai todo capítulo depois da primeira vez. Essa fic vai ter uns 16/17 capítulos mais ou menos. Até mesmo por que eu estou impossibilitada de lidar com longfic, né? Olha só o tanto de fic que eu tenho pra entregar para vocês. RENASCER AINDA ESTÁ NO CAPÍTULO 5!!!!!!
Eu vou parar de falar dos próximos caps de Trucker antes que libere milhares de spoilers pra vocês.
SARINHA NEEDS TO CONTROL HER TONGUE.
(Or her fingers)
Por isso vamos falar do passado, isto é, o capítulo passado!!!!!!!!
EU JÁ FALEI QUE EU ADORO BRINCAR COM OS HORMONIOS DE VOCÊS?
EU 
A-DO-RO
BRINCAR
COM
OS
HORMÔNIOS 
DE
VOCÊS
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
AÇSOKQÇWOIJASPOQKW~PSOQÇHÇAOIKI~WSOQÓALSAP´LS
O engraçado é que todo mundo simplesmente amou aquele beijo, mas tá todo mundo puto comigo por eu não tê-lo descrito. "COMO VOCÊ PARA NESSA HORA SARAH". mas tipo galera, vocês já deviam ter se acostumado com isso, por que eu paro em momentos cruciais since oav.
Vamos lá, né.
E já houve dois beijos na Trucker, mas praticamente não houve nenhum, por que eu não descrevi nada.
Mas vou dar uma compensadinha nesse início de capítulo.
EU NÃO CONSEGUI RESPONDER TODOS OS COMENTÁRIOS DO CAPÍTULO PASSADO E PEÇO MIL PERDÕES POR ISSO ): Acontece que tava difícil até de respirar por causa do trabalho de história. NÃO QUEIRAM TER uma professora excêntrica demais. NÃO QUEIRAM.
(Mas se quando eu me tornar uma professora, vou ser escrota daquele jeito, pq é a+)
Enfim. Hoje, se tudo correr bem, eu respondo os desse cap aqui &lt;3
AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH EU TENHO UMA COISA PARA CONTAR A VOCÊSSSSSS!!!!!!!!!!
Eu to com o capítulo 8 previamente pronto. Falta só mais uma ceninha pra eu terminar, e eu acho que consigo fazê-lo hoje. Comentem para mim e talvez.... não precisarão esperar o próximo domingo para ler ;)
Aqui  eu vou agradecer muito a Annelise por ter voltado a ler e comentar minhas fics, pq a gente já se conhece desde as épocas do Nyah!, e eu acho lindo quando pessoas dessa época voltam para mim &lt;3 Também a Larissa por comentar ainda que seja sempre por celular (e a gente sabe que comentar por celular é terrível). Um beijão pra Carolzinha que fez niver dia 9, outro pra Gi que cuida da página OAVLovers no facebook e vive postando as coisas mais lindas... e enfim! Obrigada a todo mundo que acompanha e acredita no meu trabalho. Falo sério quando digo que amo vocês &lt;3
Vamos ler? *3*





Faça o que você quer fazer, ele havia dito para mim. Faça o que você quer fazer ecoava na minha cabeça abruptamente, enquanto eu segurava seu rosto com força para machucá-lo e o surpreendia com o melhor beijo que eu já havia dado em alguém. Faça o que você quer fazer martelava na minha mente, nos meus lábios, nos meus músculos, na minha pele, quando eu colei meu corpo ao dele, quando suas mãos fortes me seguraram como se nunca mais fossem me soltar. Faça o que você quer fazer. Se entregue a mim. Baby.
Eu havia feito o que queria fazer, mas não queria mais fazer aquilo. Não importava o quanto meus lábios latejassem pelo beijo dilacerante, minhas pernas falhassem pela emoção do momento que ainda não havia desaparecido, minhas mãos tremessem só de pensar em beijá-lo de novo. Não importava o quanto meu coração batia forte. Não importava nada disso.
Eu não podia ser infectada. Os últimos garotos com os quais me envolvi, todos eram agradáveis, engraçados e carinhosos. Embora não tenha chegado a me apaixonar de verdade por nenhum deles, não queria nada diferente disso. Não queria ter um relacionamento com um idiota qualquer que achasse que podia ter tudo no mundo. Eu não sou um troféu para Josh Farro, que ele pode exibir em seu carro idiota e abusar a hora que quiser. Portanto, não importava o quanto minha carne implorasse pela carne dele. Eu tinha questões morais a resolver. Ainda tinha uma mente pensante. Ainda sabia que ele era um idiota. Ainda tinha amor próprio e muita vontade de quebrar sua cara.
Toc. Toc. Toc. As batidas na minha porta me impediram de continuar a pensar em Josh Farro e em nosso beijo, e então eu percebi que estava recostada a ela há aproximadamente vinte minutos. Pensei em quem poderia estar batendo em minha porta uma vez que Cate e meu pai estavam trabalhando e McKayla na creche.
— Quem é? — perguntei, desconfiada, meu coração ainda pulando.
— Sou eu! Abre a porra da porta que eu tenho que falar com você agora! — o tom irritado denunciava a voz de Dakotah. Suspirei e abri a porta do meu quarto imediatamente, encontrando minha melhor amiga completamente acabada. Seus olhos verdes estavam devastados e confusos e eu juro que gostaria de saber o que houve com o seu cabelo.
— Como diabos você entrou aqui?! Meu pai não está em casa! — gritei para Dakotah, mas ela já entrara no meu quarto e se acomodara em minha cama.
— A porta estava aberta, pelo amor de Deus — disse ela, despreocupada, como se invadir propriedades fosse a coisa mais normal do mundo. Imagino o que eu faria se o meu pai realmente estivesse aqui e visse a adolescente vizinha adentrando sua casa sem permissão nenhuma. — Eu estou ferrada, Williams. Fiz a maior idiotice do mundo.
— Foi atropelada? O que aconteceu com o seu cabelo? — perguntei, falando a verdade. Ela estava uma bagunça. Aproveitei a distração da boca de Josh Farro e sentei-me no tapete em frente a minha cama, tentando inutilmente me acalmar.
— Cala a boca, não tem graça — disse ela, bufando, passando as mãos pelo rosto. Mordeu seus próprios lábios, e eu não falei nada, esperando que ela me revelasse o que tinha feito. Dakotah olhou para mim por dois segundos, mas fechou os olhos de novo para dizer o que tinha para dizer: — Eu fiquei com o Taylor York.
ELA O QUÊ?!
— VOCÊ O QUÊ?! — perguntei, antes que pudesse controlar o que saía da minha boca, completamente estupefata e perdida. Como assim Dakotah havia beijado o garoto mais idiota da escola (com a exceção talvez de Josh Farro) que ELA PROMETERA ODIAR PARA SEMPRE?! — COMO ASSIM?!
— EU NÃO SEI! QUANDO EU SAÍ DA GRECO-ROMANA ELE TAVA TIPO ME ESPERANDO NO VESTIÁRIO, SEM CAMISA E TAL, TODO MOLHADO POR QUE TINHA ACABADO DE TREINAR O FUTEBOL, E ENTÃO ELE COMEÇOU A SER IDIOTA DE NOVO, E EU MANDEI ELE SE DANAR E SAIR DO VESTIÁRIO FEMININO, E ELE DISSE QUE NÃO SAIRIA ANTES DE CONSEGUIR O QUE QUERIA, E SEI LÁ!
— POR QUE VOCÊ NÃO BATEU NELE? — estávamos gritando. Muito alto mesmo.
— EU NÃO SEI! — ela gritou de novo. Então percebeu o que estava fazendo e suspirou longamente, mas sua respiração ficou repentinamente entrecortada. — Me pareceu errado. Droga, Williams, ele estava realmente muito gostoso molhado daquele jeito, ok?!
Passei as mãos pelo rosto, suspirando.
— Sei — e eu sabia mesmo.
— Só nós dois estávamos no vestiário, e ele começou a falar aquelas coisas de idiota, mas que por algum motivo idiota mexeu comigo, então ele me beijou, e o desgraçado beija bem, então... Bater nele não pareceu o certo? Ai, sei lá o que acontecendo na minha cabeça! — ela suspirou de novo, irritada consigo mesma. — Preciso dar um jeito nisso. Eu o odeio. Não posso sentir atração por ele.
Suspirei. Depois de Dakotah ter confessado o que acabara de acontecer com ela no vestiário, seria mais do que justo eu contar a ela o que aconteceu comigo no estacionamento, certo? Ela era minha melhor amiga (pelo menos, por enquanto), e nós estávamos em uma situação bastante parecida. Duas mentes pensam melhor do que uma. Claramente ela veio aqui para conseguir uma opinião sensata que a dissesse o que fazer.
— Eu sei o que é isso — comecei, olhando para minhas próprias mãos. Percebi que não estava pronta para admitir aquilo em voz alta, mas tinha de fazê-lo. Para o meu próprio bem. Tinha de ficar longe dessa atração idiota por Josh Farro. — Fiz uma idiotice também.
Dakotah me olhou como se dissesse “não, você não fez isso”.
— Eu beijei Josh Farro — fechei meus olhos quando falei, como se isso tornasse a coisa toda melhor.
— VOCÊ O QUÊ?! — ela gritou para mim, seus olhos verdes gritando junto com sua voz. — COMO ASSIM VOCÊ BEIJOU JOSH FARRO DE NOVO?! O QUE ACONTECEU COM O “EU NÃO ESTOU INFECTADA”, HAYLEY, DESGRAÇA?!
— EU NÃO SEI! — gritei, de novo, apavorada, sentindo o peso de todas as críticas sobre os meus ombros. — EU NÃO IA ME INFECTAR, OK?! EU NÃO IA, MAS AQUELE IDIOTA ESTAVA ME SEGUINDO, E HOJE ELE ESTAVA NAQUELE ESTACIONAMENTO ESTÚPIDO NA FRENTE DAQUELE CARRO ESTÚPIDO, E ME ENCHENDO O SACO, E FAÇA O QUE VOCÊ QUER FAZER, HAYLEY.
— POR QUE VOCÊ NÃO BATEU NELE?! — comecei a perceber que estávamos praticamente tendo a mesma discussão de novo.
— VOCÊ ACHA QUE EU NÃO BATI?! — perguntei, furiosamente. — EU BATI MUITAS VEZES, DAKOTAH! O ROSTO DELE ESTAVA COM A MARCA DOS MEUS DEDOS, E EU NÃO PARAVA DE BATER, MAS ELE NÃO PARAVA DE PROVOCAR, E ENTÃO COMEÇOU A FALAR PARA EU FAZER O QUE QUERIA FAZER, E EU BATI NELE, MAIS E MAIS UMA VEZ, MAS ALÉM DE MACHUCÁ-LO EU QUERIA BEIJÁ-LO, DROGA!
VOCÊ O BEIJOU?!
— NÃO AJA COMO SE VOCÊ NÃO TIVESSE FEITO A MESMA COISA!
Então calamos a boca e apenas nossa respiração avançada ficou audível. Eu, ocupada com minha raiva de mim mesma, do Josh Farro e da Dakotah. Dakotah, ocupada com sua raiva de si mesma, de Taylor York e de mim. Estávamos com muita raiva, mas acima de tudo procurando uma razão, um jeito de acabarmos com essa atração maluca. Um jeito de voltar a sermos quem costumávamos ser: as garotas independentes que só beijavam caras legais.
— Kathryn — Dakotah falou de repente, retirando o telefone do bolso. — Ela vai nos dizer o que fazer.
— Como assim?! — perguntei, achando que ela finalmente havia ficado completamente maluca. — Katt?! Ela vai rir da nossa cara!
Dakotah sentiu vontade de me xingar, eu vi em seus olhos. Mas ao invés disso, ela apenas bufou para mim.
— Ela já passou por isso — disse, em seguida, os olhos grudados no seu aparelho de telefone. — Com Jeremy Davis. Eu me lembro do primeiro ano. Ela estava completamente apavorada por não conseguir sair de perto dele, e ainda assim precisar trabalhar e continuar com suas responsabilidades. De alguma forma, ela bloqueou tudo isso e hoje em dia só usa o Jeremy Davis para proveito próprio. Divertimento. Se ela pode bloqueá-lo, podemos bloquear York e Farro também.
Assenti com a cabeça e não disse nada. Fazia sentido para mim. Kathryn realmente parecia não dar a mínima para o jogadorzinho de futebol, era muito mais centrada em seu jornal e suas notas do que qualquer outra coisa. Dakotah tinha razão. Se ela podia fazê-lo, nós também conseguiríamos.
Rae — disse Kathryn assim que a chamada atendeu. Dakotah havia ligado o alto-falante.
— Kathryn — disse Dakotah, denunciando que estávamos com um problema, afinal, sempre nos referíamos umas as outras pelo sobrenome — Hayley também está aqui.
Ah, olá, Williams — seu sotaque britânico pronunciou meu sobrenome.
— E aí — disse eu.
— Estamos com um problema — Dakotah anunciou —, e precisamos de uma opinião honesta de uma sensata que já tenha passado por isso.
Kathryn riu audivelmente do outro lado da linha.
Certo, beijoqueiras, podem falar.
Eu olhei para a Dakotah profundamente confusa e um pouco amedrontada. Isso queria dizer que...?
— COMO DIABOS VOCÊ SABE?! — Dakotah gritou antes que eu pudesse concluir meu pensamento. Percebi que minha boca estava entreaberta pela pura surpresa e tratei de fechá-la.
Kathryn riu de novo.
Amores meus — disse ela, doce, como sempre, mas sem esconder seu veneno. Como um bombom de licor. — Jamais se esqueçam que eu sou os olhos e os ouvidos deste Centennial High School. O que quer que vocês façam na dependência dessas paredes – ou desse estacionamento –, eu saberei.
— Você me assusta — disse eu, sem pensar, apenas confessando. Dakotah olhou para mim meio amedrontada também, e eu soube que havia traduzido os pensamentos dela.
Mas o que as senhoritas querem de mim?
Dakotah ainda estava muito pasma, então eu comecei a falar:
— Você já passou por isso com o tal do Jeremy Davis, e ainda assim conseguiu... controlar. Tipo... a atração. Queremos saber como você fez. Queremos saber como sair disso tudo.
Kathryn riu de novo.
Escutem, amores, sentem-se — disse ela. Dakotah sibilou um “já estamos sentadas, sua estúpida”. — Vocês estão inteiramente ferradas. Desculpem-me, mas essa é a verdade. Hayley já foi previamente infectada, e desculpa, Dak, mas eu sempre soube que Taylor te ganharia uma hora ou outra. Estava estampado na sua cara que você o queria tanto quanto ele a você.
— Você não está ajudando — eu disse, bufando.
Estou sim. Cale a boca, Williams. O que eu estou dizendo a vocês é que não existe modo de fugir disso. Os garotos não vão desistir e vocês vão continuar querendo vê-los. Vão continuar sentindo. E não tem nada de errado nisso.
Dakotah estava ficando com tanta raiva como eu.
— COMO ASSIM?! — gritou. — Qual é! Você trata o tal do Jeremy Davis como se ele não fosse nada! Você não superou o sentimento ou sei lá?
Kathryn riu outra vez.
Superar o sentimento?! Claro que não! — seu sotaque britânico estava começando a me irritar. — Escute, Dak, eu tenho minhas responsabilidades, tudo bem? Eu tinha um jornal para cuidar e decidi que não deixaria garoto nenhum acabar com as minhas perspectivas para o futuro, por que meu desempenho no CHS pode me garantir uma faculdade boa ou não. Jeremy se apaixonou por mim, mas ele queria que eu fosse a namorada estilo líder de torcida, e eu não poderia fazer isso. Não podia comparecer a todos os seus jogos, ou me sentar ao lado dele e rir de suas piadas no refeitório, ou aturar seus amigos ridículos. Por que, na realidade, essa é a parte que eu odeio nele. Jeremy é um retardado quando está ao lado dos amigos. Mas quando está só comigo, ele... muda. Ele é ele mesmo. E foi esse Jeremy que eu aprendi a amar.
Eu não sabia se ficava completamente surpresa ou completamente enjoada. Minha boca se entreabriu por si mesma enquanto a última frase de Kathryn continuava a ecoar na minha mente. Quer dizer, então, que ela não apenas usava Jeremy para proveito próprio. Ela gostava dele de verdade. Ela o amava.
Achei que fosse vomitar.
— VOCÊ O AMA?! — Dakotah gritou enquanto eu engolia meu refluxo. — Como assim, você o ama?! Ele é um idiota! E daquela vez que ele agarrou três garotas na festa de aniversário do Farro na sua frente e você não fez nada?! E todas as vezes que você o desprezou e sequer notou sua existência, Kathryn?! Como...
Você realmente acha que eu não me importava?! Dak, honestamente, eu ainda sou humana — disse ela, bufando, do outro lado da linha. — Percebi que amava Jeremy justamente no aniversário do Farro! Foi quando eu disse isso a ele.
— VOCÊ DISSE ISSO A ELE?! — Dakotah estava praticamente tendo um surto psicótico. Por dentro, eu também estava, mas não conseguia simplesmente externar como minha amiga o fazia.
Claro que disse! — Kathryn bufou. — Droga, Dak, você realmente acha que eu ficaria por dois anos com um cara que eu não amasse? Sinceramente. — Ela fez uma pequena pausa, esperando que Dakotah ou eu falássemos alguma coisa, mas ambas estávamos muito estupefatas com a situação e com o que Kathryn nos havia confidenciado. Eu poderia imaginar tudo, tudo, menos uma ligação tão profunda entre ela e o jogadorzinho loiro de futebol. — Estamos no último ano. Quando isso acabar, vamos cada um para uma faculdade, e vamos nos ver nos fins de semanas. Então é bem provável que passemos a namorar de verdade e deixar o relacionamento aberto para lá. O que eu estou dizendo é que, no início, como vocês, tudo o que eu queria era fugir do Jeremy e do sentimento que eu nutria por ele, mas não dá para fazer isso. Vocês, gurias, estão a um passo de se apaixonar por Josh e por Taylor. Fugir disso não adianta nada. Não tentem renegar o desejo de vocês, por que não vai dar certo de qualquer jeito.
— Você está ficando maluca — Dakotah disse, mais calma, mas ainda enjoada como eu. — Só por que você ficou apaixonadinha pelo Davis não significa que nós seguiremos exatamente os seus passos.
Não estou dizendo isso — disse Katt. — Só estou falando para vocês enfrentarem a droga dos seus medos. Você, Dak, morre de medo de se comprometer. Esse seu estilo skatista não me engana. E, Hayley, droga, pare de agir como os outros querem que você aja. Você está louca pelo Farro. Fique com ele e pronto. Vocês duas estão complicando situações que já estão resolvidas. — Ela estava com o tom de voz autoritário, como se estivesse dando a última palavra. Minha boca ainda estava entreaberta, minha cabeça enevoada, e eu não sabia como lidar com o que ela havia dito a mim. Nem sequer tive tempo para pensar nisso, pois a voz de Kathryn me interrompeu outra vez: — Agora, me deem licença, mas eu tenho que redigir um artigo de mil e trezentas palavras e gostaria de paz. Parem de se preocupar, vocês duas. Beijinhos.
Então ela desligou. Simples assim. O telefone de Dakotah ficou mudo durante aproximadamente vinte segundos até minha amiga desligá-lo e me encarar, mais confusa do que nunca. Podia saber o que estava se passando na cabeça dela por que eu estava exatamente do mesmo jeito. Confusa, atordoada, surpresa, como se houvesse acabado de ser atingida de súbito por um barril de água fria. O que pensar sobre tudo aquilo que Kathryn dissera? Ela havia se entregado à sua “infecção” e hoje amava — AMAVA — seu pseudo-namorado estúpido. Tudo o que eu com certeza não queria fazer. Ela dissera que eu estava a um passo de me apaixonar por Josh Farro e o que eu podia fazer em relação a isso? Certamente não queria me apaixonar. Não queria acabar como Jenna e Kevin, que não conseguiam ficar cinco minutos separados, que tratavam um ao outro como se o resto de suas vidas dependessem do relacionamento que os envolvia. Não queria acabar como Kathryn, sacrificando o futuro e a carreira por um amor que começara de um jeito errado. Não queria acabar como minha mãe, com uma filha pequena nos braços quando o marido fugiu para longe com a secretária do consultório odontológico. Nem queria acabar como Cate, que no dia anterior confidenciara a mim que se sentia muito culpada por ter tirado meu pai de mim quando eu era apenas uma criança. “Não sei como conseguiria criar McKayla sem Joey. Sua mãe foi muito forte. E você é uma jovem esplêndida.”
Não importava se eu era uma adolescente ou uma adulta. Se apaixonar estava fora de cogitação por que trazia mágoas. E, se eu me apaixonasse por Josh Farro, seria ainda mais corrosivo, pois todos nós sabemos que ele é um completo cafajeste.
Eu me recuso à hipótese de sofrer por um garoto. Eu me recuso.
— Ela o ama — Dakotah ecoou.
— Nós não amamos Josh e Taylor — disse eu. Dakotah assentiu imediatamente, entendo o quão absurdo era apenas pensar na ideia. Afundou a cabeça em suas mãos apenas por um minuto e se virou para mim de novo, jogando o celular para longe.
— Foi uma má ideia ligar para ela, você tinha razão — disse ela, mais recomposta. Tratei de arrumar minha compostura também. Tinha de ser sensata para chegar a um jeito de me livrar de Josh. — Vamos ter que resolver essa por nós mesmas, Williams.
— É isso aí — disse eu, levando os dedos aos lábios, lentamente. — Bem, agressão física e moral obviamente não funcionou.
Dakotah entendeu que eu estava procurando uma maneira de fazer com que Josh e Taylor ficassem longe de nós.
— Não mesmo, principalmente com você — disse ela, torcendo seus lábios. — O que é estranho... sempre achei que homem nenhum gostaria de apanhar de mulher nenhuma. Quando eu era criança, era assim que afastava os garotos de mim.
— Eu batia nos garotos que gostava — disse eu. — Mas os afastava mesmo assim.
Dakotah assentiu com a cabeça.
— Bem... ignorar? — ela olhou para mim, esperando uma opinião. — Começar a ignorá-los completamente? Como se eles não estivessem ali? Será que é uma boa ideia?
Franzi o cenho por um momento. Bem, eu ainda não havia tentado essa tática, e não me parecia de todo ruim. Se nós parássemos de nos importar com as investidas e brincadeirinhas desses garotos idiotas, provavelmente eles perderiam o interesse em nós e procurariam outras garotas para encher o saco.
Não era um plano ruim.
— Humm... — resmunguei, refletindo sobre isso. — Acho que vale a pena tentar. Ignorar totalmente.
— Não acho que existem antibióticos para esse tipo de infecção, então, precisamos tentar alguma coisa urgentemente — Dakotah fez a melhor analogia de sempre enquanto eu continuava refletindo sobre como ignorar Josh Farro e o que isso poderia causar. Faça o que você quer fazer, e eu viraria as costas e o deixaria falando sozinho. Isso é o que eu quero fazer. Esquecê-lo. Parar de sentir essa atração idiota.
— Vamos fazer isso — disse eu.
Ignorá-lo parecia um bom antibiótico.



EEEEEEEI *U*
Okay, eu falei que o capítulo seria mais tranquilo, não foi? Falei que ia ser mais curtinho, né? Então vamos ser legais e não reclamar por que não teve pegação/hentai/etc nesse cap. &lt;3
Enfim. Eu ainda não sei se vou mesmo postar Trucker hoje de novo, mas vou tentar mesmo &lt;3 se não tiver comentários é claro que eu não postarei nada, né? ÇASOQPOWSA~PAS
Agora vocês estão conhecendo melhor também a Kathryn. Assim, é claro que todos os personagens têm uma personalidade formadinha na minha cabeça, mas é mais difícil correr atrás disso quando você escreve uma fic em primeira pessoa. Então, tipo, as partes Taylor e Dakotah, os pensamentos do Josh,  Zac e companhia, não dá pra transcrever a vocês. De certa forma, a gente fica limitado a uma coisinha só.
Mas eu não posso negar que escrever em primeira pessoa é o jeito mais divertido de escrever &lt;3
É isso aí. Mereço comentários?
Muito amor (e até breve),
Sarinha <3

8 de mar. de 2013

Volare




Bem, olá. Não, senhor, não é domingo, não é dia de postagem, e eu simplesmente estou aqui. Tive um ímpeto de postar esse projetinho e decidi que ia postar, por que vocês mereciam ler. E se vocês merecem ler, seria terrível de minha parte não postar.
Eu explico.
Em latim, "Volare" significa Voar. Por isso, preparem-se, por que vocês vão voar a partir do momento que lerem isso ou mais provável que não, mas me deixa ser misteriosa e foda. Enfim, Volare, então, passou a ser o nome do meu principal dessa história, o Gabriel.
Gabriel Volare. Um anjo recém caído.
É uma historinha antiga, ok? Tem uns quatro meses que escrevi isso. Mas, como já foi anteriormente mencionado, vocês são os melhores leitores do mundo e precisam saber disso.
Sim, é um projeto de livro. Não, eu não sei se vou escrevê-lo todo. Sim, se eu o fizer, você ficará sabendo. Não, não tem nada a ver com Paramore.
Prontos para voar? :3
P.S.: SOUBE AGORA QUE CAROLINA LINDA ESTÁ DE ANIVERSÁRIO!!!!!! Ninguém me conta das coisas, cara. Eu tenho que ser avisada.
PORTANTO, TOMA, CAROL, É SUA <3 (Inclusive a principal é sua quase-xará haha) 

Alguma coisa havia apitado dentro de seu cérebro — droga, ele não sabia distinguir o que era! Uma sensação forte, insólita, como uma pequena dor, um pequeno desconforto. Quase como se um pequeno fio de água gelada atravessasse sua cabeça, produzindo uma sensação que ele estava habituado a sentir durante a vida inteira, mas nunca com tanta intensidade. Agora, a sensação era muito mais forte, intensa, substancial. Clique. Clique. Ele precisava correr.
Se não houvesse caído, ele poderia facilmente voar até a rua onde ela se encontraria àquelas alturas da noite. Como sempre, é claro, ela deveria estar bebendo com um punhado de amigos. Madrugada de sexta-feira, início de sábado. Era óbvio que Caroline não hesitaria em jogar-se em uma balada. Então, após voar até uma boate ou festa qualquer e encontrá-la bêbada, ele se poria ao seu lado, sussurraria coisas em seu ouvido, diria para ela que era hora de parar e pegar um táxi para casa. E então a acompanharia até que ela o fizesse, e só iria embora quando ela se deixasse cair na cama e chorasse mais um pouco antes de cair no sono.
Mas agora Gabriel não poderia fazer isso. Estava, infelizmente, preso naquele maldito corpo humano. Caíra, errara, e agora pagava o preço. Entretanto, não sabia que o clique continuaria presente em sua mente, terrível, avisando-o do perigo que Caroline corria. Ela estava em perigo, com certeza estava. Gabe podia sentir.
Com o peso da gravidade sobre os ombros, sem as asas, e sem nenhum meio de transporte terreno, tudo o que lhe restou foi correr e confiar no que sobrara de seu instinto. É claro que ao cair, teoricamente ele teria se desvinculado das antigas responsabilidades, mas o que o garantiria que ela estava sendo protegida agora? Céus, Caroline era responsabilidade de Gabriel desde o segundo em que nasceu! Não a deixaria agora, mesmo que não fosse mais um ser celeste. Não a deixaria morrer depois de todo o seu trabalho árduo tentando mantê-la viva, sobretudo quando tudo o que ela tentava fazer segundo após segundo era se matar.
Menina maluca! Não prezava a droga de alma que Ele lhe dera? Não se importava com o corpo que Ele lhe confidenciara? Mas que droga! Ela tinha de passar noite após noite entupindo-se de álcool e outras drogas terrenas destrutivas, tinha de marcar todo o seu corpo, tinha de entregar-se à depressão mesmo com todo o trabalho dele para levantar a sua vida! Céus, ela não lhe dava uma chance! Sempre ia para o lado dos demônios, sempre deixava-se vencer por sua dor e suas más paixões. Custava escutar seus conselhos? Custava tentar se dar bem, ao menos uma vez?
Gabriel bufou, as pernas começando a doer e vacilar, a respiração ficando debilitada. Porcaria de corpo humano. Tão limitado, denso, parecia uma prisão para sua alma! Seus pulmões arfavam, exaustos, mas ele não poderia parar de correr. Ou então ela acabaria matando-se de vez, e de que valeria sua existência? De que valeria tudo pelo qual ele vivera e lutara? Nada!  
Se bem que, à uma hora dessas, Gabriel nada mais tinha senão aquele maldito corpo desprezível. Mesmo assim não deixaria Caroline fazer nenhuma burrada. Não deixaria por que ela era sua responsabilidade, estando ele caído ou não. Podia não ser mais um anjo da guarda, mas ainda era o anjo daquela garota estúpida. E a faria ir para o Céu, mesmo que isso custasse sua passagem para o Inferno.
Havia dezenas de lugares onde Caroline poderia estar numa sexta-feira à noite, e para melhorar, ele não conhecia nada daquela cidade de acordo com suas ruas humanas. Ainda assim, ele sabia onde ela estava. Havia alguma coisa dentro dele que lhe indicava a direção que deveria seguir, guiar suas pernas limitadas e já cansadas. Não sabia o porquê; era como um imã que atraísse violentamente anjo e protegido em situações de perigo. Isso deveria ter se dissipado com a Queda, mas por algum motivo ainda estava lá. E Gabe nada poderia fazer senão correr para salvá-la.
Uma nova rua, e lá estava ela. Gabriel parou por um segundo, vendo-a, finalmente, entornando uma garrafa de vodka enquanto algumas pessoas a aplaudiam. Não havia mais de cinco jovens, e embora sua visão limitada de humano não o deixasse visualizar, Gabe sabia que quatro anjos da guarda estariam ali ou lá em cima, desesperados, tentando aconselhá-los a fazer a coisa certa sem interferir na porcaria de seus livres-arbítrios. Uma tarefa muito difícil, justamente por que todos os seres humanos eram idiotas e cabeças-duras, incapazes de aceitar o melhor, e só ficavam piores com o passar dos anos.
Clique. Sua cabeça quase explodiu dessa vez, e ele viu Caroline quebrando a mesma garrafa que entornara no asfalto sujo, já cheio de cacos de vidro. Bêbada, gritou algo para os amigos sobre ir comprar mais. O rosto de Gabriel virou-se de súbito, vendo, é claro, a boate do outro lado da rua. Clique.
Gabe se pôs a correr.
Foi como se tudo houvesse acontecido em câmera lenta. As pernas do ex-anjo correram o mais rápido possível até onde a garota estava, já no meio da rua, e os faróis da caminhonete cegaram-lhe os olhos. Quando Gabe a alcançou, estava a quatro metros de distância do carro que tentava frear a todo custo, e sem que pudesse se dar conta do que estava fazendo, o anjo caído se jogou sobre o corpo da garota, tirando-os por centímetros da rota da caminhonete e salvando ambas as vidas.
Ai, a dor! Maldição. Gabe pegou-se praguejando pela milésima vez aquele corpo insignificantemente limitado, dolorosamente material. Devia ter quebrado alguma droga de um osso. Tudo nele doía. Podia ver algumas gotas de sangue saindo de seus cotovelos. Merda!
Ele se levantou. Gravidade! Mas que inferno, sua sensação corporal com certeza seria mil vezes melhor sem o peso que o jogava contra a crosta o tempo todo. Caroline continuava deitada, bêbada e assustada demais, e ele bufou antes de erguê-la. Agora ela o encarava, atônita e amedrontada, sem acreditar que sua vida fora salva tão abruptamente por um homem tão estranho.
— Você quase se matou! — Gabe gritou, pela primeira vez, o que sempre quis gritar para ela. Quer saber? Talvez essa fosse uma vantagem em estar encarnado no maldito corpo humano. Talvez essa fosse uma vantagem da matéria. Agora, ele podia simplesmente olhar nos olhos castanhos de Caroline, segurá-la pelos ombros e dizer, finalmente, tudo o que ele sempre quis dizer para ela em alto e bom som. Não como um conselho, como uma intuição que vem lá do fundo, ou como uma consciência pesada. Não. Agora ele poderia dizer como Gabriel Volare, uma pessoa, em seu corpo humano desprezível, para que ela pudesse escutar e lidar com isso. — Será que não vê isso? Será que não percebe que se não cuidar da droga do seu corpo, vai acabar morrendo?! Será que pra você parar de tentar se matar o tempo todo?!
Ah, a euforia, a adrenalina, o nervosismo. A fúria. Sentimentos causados pelo seu cérebro humano limitado. Gabriel gostou. Gostou de, pela primeira vez, ter levantado o tom da voz e gritado com alguém. Gostava do calor que se alastrava pelo seu corpo, junto com o sangue nas veias. Gostava da leve névoa que inibia o lado meramente racional de sua mente. Gostava da falta de controle de sua raiva. Gostava de perder o controle.
— Escute — ele abaixou o tom de voz deliberadamente, apertando com um pouco de mais força os braços de Caroline. Seus olhos estavam presos nele, atônitos e amedrontados, e ela nada dizia ou fazia. Estava pasma demais, assustada demais, para qualquer ação que fosse. — Você não tem um anjo da guarda. Por isso trate de parar com essas idiotices, ou então você vai morrer. E não pense que o lugar para o qual você vai se dirigir seja bom. Por que não será. — A voz de Gabe saiu mais sombria e rouca do que ele calculara, mas não se importou. Viu as pupilas de Caroline se dilatarem lentamente e ela engolir em seco, com medo. Parecia que começaria a chorar a qualquer momento.
— Quem diabos é você?
Gabriel estremeceu ao escutar a voz dela, tão presente. Pensou em dizer a verdade. Pensou em dizer que fora o anjo designado, vinte e um anos atrás, a cuidar de sua alma recém-fabricada e garantir que ela se dirigiria ao Céu após a vida terrena. Pensou em dizer que era, no mundo, o ser que mais a entendia e conhecia. Pensou em dizer que era aquele que salvara suas vidas dezenas e dezenas de vezes, ainda que nunca tão presencialmente. Pensou em falar que era o único que sabia que todo domingo, antes do mundo acordar, ela ia visitar o túmulo dos pais com um buquê único de rosas brancas. Pensou em dizer era quem salvara sua vida, naquela noite há sete anos.
Pensou em dizer. Mas nada disso saiu de sua boca.
— Não importa — disse ele, sem soltar o seu braço. — Você acabou de quase sofrer um acidente. Então vai tratar de pegar um táxi e ir para casa. Agora.
E então, antes que ela pudesse proferir qualquer palavra, Gabe virou-se e saiu andando na direção contrária, para longe dela, sentindo os olhares curiosos dos amigos de Caroline — dos quais ele conhecia detalhadamente. Sabia que ela o obedeceria e faria exatamente o que ele mandara. Passara vinte e um anos escutando-o, e só por que ele estava na Terra, não significava que ela ainda não o faria.
Gabriel ainda sentia a gravidade puxá-lo para baixo. Ainda sentia as pernas doerem pela corrida e pelo impacto. Seus cotovelos ardiam. Sangue corria em suas veias, e embora a noite estivesse fria, ele nunca se sentira tão aquecido. Virou a rua, abruptamente, escutando as batidas de seu coração e sentindo o ar queimar em seus pulmões. Sua garganta arranhava e sua boca produzia mais saliva do que o comum — isso devia ser o que os humanos chamavam de sede. Ele ainda sentia a névoa provocada pela irritação e pela euforia, sentimentos tão frívolos e carnais. Assim como Gabriel era agora.
Frívolo e carnal. Denso. Aprisionado.
Era só o primeiro dia de sua eternidade como um ser humano.


É isso aí... curtiram? AUEHAUEHAE
É uma parada um pouco diferente, esse meu conceito de anjo e tudo mais. Ainda estou trabalhando nisso para dizer a verdade. Como vocês viram, isso não foi uma oneshot de amor, por que o Gabe está meio chateado com o propósito de sua vida e etc.
Sobre os cliques: eles são o ponto ápice da história. Eles são vida, chão, ar, tudo -n
Sobre Gabe: imagine-o como quiser! Ainda não tenho uma imagem certinha dele, é claro. Nem da Caroline. Enfim. Também nem decidi se eles são brasileiros ou americanos. Imaginem o que preferirem, mesmo <3
E comentem pra mim? 
Muito amor,
Sarinha :3
P.S.: #HappyBDayCarolzinhaTeixeira